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Ilustrações e textos: Pepe Carreiro / Estudio Carreiro · Ilustrações e textos: Pepe Carreiro / Estudio Carreiro ISBN: 978-84-17702-55-7 Projeto cofinanciado pelo fundo europeu

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  • Ilustrações e textos: Pepe Carreiro / Estudio CarreiroISBN: 978-84-17702-55-7

    Projeto cofinanciado pelo fundo europeu de Desenvolvimento Regional FEDER no âmbito do programa Interreg V A España – Portugal (POCTEP) 2014 – 2020 - Projeto 0101_GNP_AECT_1_E

    As opiniões expressas neste livro são da exclusiva responsabilidade do autor que as emite. A Comissão Europeia e as Autoridades do Programa não se responsabilizam pelo uso que se possa fazer da informação contida no mesmo.

  • 32

    Os Bochechas estão em casa dos avósda Laurinda, uma menina portuguesade uma aldeia da Serra do Gerês.

    Já está de noite. A avó já lhes serviu ojantar e depois vão-se deitar.

    O Chispa ainda anda a passear como Bouro, o cão da casa. O Chispa éum husky siberiano e o Bouro é deraça castro laboreiro.

    — Subam, tenho aqui umas batataspara vocês — diz a avó aos cães.

  • Já estão todos deitados. Os Bochechase a Laurinda dormem numa camagrande, com o Chispa e o Bouro. Aavó dorme no seu quarto e o Tatá noberço. De repente, antes de apagar aluz, a Laurinda senta-se na cama egrita:

    — Ei! Esqueci-me de dar um beijo deboas noites à Balbina!

    — Balbina? E quem é a Balbina?

    — É a minha vaca. Nunca vou dormirsem lhe dar um beijo antes.

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  • A Laurinda levanta-se e vai a correraté ao estábulo da vaca. Osconvidados, com o Chispa e oBouro, vão com ela. Mas, ao abrir aporta do estábulo, ficam espantados:

    — A Balbina não está aqui! — gritaa Laurinda.

    Não, no estábulo, só há palha. Avaca deve ter fugido. De certeza quedeixaram a porta destrancada.

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  • Quem sabe para onde foi a Balbina?

    Podiam ir buscá-la, mas é de noite enão se vê. Terão de esperar pelamanhã. Mas a Laurinda não estádisposta a esperar.

    — Eu nunca me deito sem dar umbeijo à Balbina. Dou-lhe todas asnoites, desde que era bebé —protesta a menina.

    Então, têm de encontrar uma solução.

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  • Depois de muito pensar, a Laurindatem uma ideia: diz ao Bouro paraperguntar a todos os cães e cadelasdo norte de Portugal se viram passarpela sua aldeia, vila ou cidade umavaca, de raça barrosã, que se chamaBalbina.

    — O Bouro não fala, mas ladra eentende-se com os outros cães — diza Laurinda, já na torre da igreja.

    O Chispa também ladra. Os cãesentendem todos o seu idioma canino!

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  • Os latidos chegam atodas as aldeias, vilase cidades do norte dePortugal. Os cãesentendem bem amensagem que o Bouroe o Chispa lhesmandam. E procuramcom as suas donas e osseus donos a vacaBalbina.

    A Pintas, a dálmatado Albano, procuradesde o alto docastelo de Bragança.

    O Gorila, o bulldogdo Eduardo, procuradesde a fortaleça deValença do Minho.

    O Jalisco, ochihuahua do Mário,procura desde ocastelo de Guimarães.

    A Bigodes, a foxterrier da Amália,procura desde a torredos Clérigos do Porto.

    O Bolinho, o cocker daFilipa, procura desde oalto de Santa Luzia, emViana do Castelo.

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  • A Laurinda e os Bochechas ouvem oslatidos dos cães do norte de Portugal,mas não entendem nada.

    — Três latidos longos, três latidoscurtos e meio latido… Quem sabe oque querem dizer? Eu não sei o idiomacanino — diz a Filipa.

    — Eu também não, mas o Bouro e oChispa estão quietos. Quer dizer quea Balbina não apareceu. Seaparecesse, o Bouro e o Chispa iriama correr atrás do rasto.

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  • — Então, se a Balbina não está nonorte de Portugal, deve ter cruzado orio Minho por uma ponte e deveandar pela Galiza — diz o Carlos,com certeza.

    E lá vão a correr até ao rio Minho.As vacas são pesadas, mas andammuito. Pode ter atravessado umaponte e passado para a Galiza. Secalhar já anda por Santiago deCompostela! Quem sabe?

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  • A Laurinda e os Bochechas chegamà ponte. Agora, o Chispa e o Bourovão perguntar aos cães de toda aGaliza se viram passar pela suaaldeia, vila ou cidade uma vaca, deraça barrosã, que se chama Balbina.E começam a ladrar.

    —Digam-lhes também que a Balbinaé uma vaca muito bonita e que tem oschifres retorcidos —especifica aLaurinda.

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  • Os latidos chegam atodas as aldeias, vilase cidades da Galiza.Os cães entendem bema mensagem que oBouro e o Chispa lhesmandam. E procuramcom as suas donas e osseus donos a vacaBalbina, como osportugueses fizeramantes. La, o komodor da Ana,

    procura desde a torrede San Sadurniño deCambados.

    A Piña, a SãoBernardo do Martiño,procura desde a VeraCruz de O Carballiño.

    A Butter, a yorkshireda Lucía, procuradesde o castelo deMonforte de Lemos.

    O Legón, o “palleiro”do Simón, procuradesde o castro doTecla, em A Guarda.

    A Chéri, a Dogue deBordéus da Gabriela,procura desde a torre deHércules de A Coruña.

    2120

  • A Laurinda e os Bochechas ouveminquietos os latidos dos cães daGaliza. Mas, pelos vistos, tambémnão viram a vaca por lá, pois oChispa e o Bouro não se mexem dosítio.

    — A Balbina não está nem no nortede Portugal nem na Galiza. Quemsabe onde anda? Perdeu-se —lamenta-se a Laurinda.

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  • A busca não deu resultados. Todosos cães da Galiza e do norte dePortugal procuraram bem, mas aBalbina não apareceu.

    A Laurinda volta a casa com os seusconvidados. Estão desanimados. Amenina tem de se deitar esta noitesem beijar a vaca. Onde teria ido aBalbina?

    — Se calhar, foi para a Suíça. ABalbina tem primas suíças e, secalhar, foi visitá-las.

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  • Antes de se deitar, a Laurinda foi tercom a avó e contou-lhe o que sepassou, muito triste.

    — Avozinha, acorda! Acorda,avozinha! Ouve! A Balbina fugiu.Não está no estábulo, nem no nortede Portugal nem na Galiza.

    A avó acorda aos poucos e ouve oslamentos da neta.

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  • — Mas Laurindinha, não sabes que avaca foi com o avô? Não te lembrasque o avô a levou a um concurso degado que há em Montalegre, a ver selhe dão um prémio? Porque a Balbinaé muito bonita e de certeza que lhedão o primeiro prémio — diz a avó, jácompletamente acordada.

    — Claro! A Balbina foi com o avô aoconcurso de Montalegre! Tinha-meesquecido — grita a Laurinda,contentíssima.

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  • De manhã, o avô e a vaca chegam.

    — A Balbina ganhou o primeiroprémio! Era a vaca mais bonita doconcurso — grita o avô, orgulhoso.

    A Laurinda está feliz.

    — Vou dar-lhe o beijo que não deiontem e mais cem beijos! — grita amenina.

    Os Bochechas, a Laurinda, os avós eo Bouro e o Chispa vão celebrar comuma grande refeição. Depois de daremos respetivos beijos à Balbina, claro!

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  • Carlos Filipa Ana Paulo Sónia Tatá

    Chispa Mamã Bochechas Papá Bochechas Avó materna Balbina

    Avô materno Marcelo

    Avó paterna Flora

    Avô paterno Emiliano

    Prima Sarela Prima Ying Primo Kofi Tia Camila Tio Lisardo

    Lusco Fusco Prima Saladina Tia Lupa Tio Agostinho

  • Os Bochechas vão ao Gerês, a casa da sua amiga Laurinda. A menina tem o hábito de beijar a sua vaca Balbina antes

    de se deitar, e isso causa-lhe um problema…

    9 788417 702557