Impactos Ambientais Negativos dos ... - Amigos dos Aç .Boletim dos Amigos dos Açores – Associação

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  • Boletim dos Amigos dos Aores Associao Ecolgica n 26 2006

    V i d l i a Impactos Ambientais Negativos dos Percursos

    Pedestres Eficincia Energtica Elicas, Paisagem e Impacto Ambiental Tratar os Resduos com Competncia Observao de Aves

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    Sumrio

    Vidlia

    Boletim dos Amigos dos Aores Associao Ecolgica

    Distribuio gratuita entre os scios

    Os artigos so da respon-sabilidade dos autores e norepresentam obrigatoriamente aposio oficial da Associao.

    permitida a reproduo etranscrio, desde que citada afonte e o autor

    ApoioSecretaria Regional do

    Ambiente e do Mar

    Execuo Grfica e ImpressoEGA

    Empresa Grfica Aoreana, Lda.

    RGOS SOCIAIS PARA 2005-2006

    DIRECCOPresidente

    Tefilo BragaSecretrio

    Francisco BotelhoTesoureiro

    Mrio FurtadoVogais

    Maria Manuela LivroLcia VenturaSuplentes

    Srgio Diogo CaetanoGilda Pontes

    CONSELHO FISCALPresidente

    Paula SantosSecretrio

    Eduardo SantosVogal

    George HayesSuplentes

    Emanuel MachadoPedro Teves

    ASSEMBLEIA GERALPresidenteJoo Nunes

    Vice-PresidenteLus Guimares Secretrio

    Eva Almeida LimaSuplentes

    Maria do Carmo MoreiraCristina Ferreira

    Sede SocialEst instalada no edifcio da Junta deFreguesia do Pico da Pedra, Avenidada Paz, 14. Ali se encontram todas aspublicaes editadas e uma bi-blioteca especializada na temticaambiental. Os interessados poderovisit-la todos os dias teis das 9hs 12h e das 13h s 17h. Aconselha--se a marcao da visita. Contacto:Carla Oliveira,Tel. 296 498 004

    Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3

    Impactos Ambientais Negativosdos Percursos Pedestres . . . . . 4

    Eficincia Energtica . . . . . . . . 7

    Elicas, paisagem eimpacto ambiental . . . . . . . . . . . 9

    Denncia . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

    Tratar os Resduos comCompetncia . . . . . . . . . . . . 14

    Observao de Aves . . . . . . . . .16

    Publicaes e Materiais paraVenda . . . . . . . . . . . . . . . . . .18

    Novos Scios . . . . . . . . . . . . . .19

    Boletim de Inscrio . . . . . . . .19

    Humor Verde . . . . . . . . . . . . . .20

    www.amigosdosacores.pt.vue-mail:amigosdosacores@hotmail.comamigosdosacores@gmail.com

    Tel. 296 498 004Fax 296 498 006

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    Editorial

    Para o pedestrianista consciente, ospasseios so um meio para melhorar o seuconhecimento do ambiente, atravs daobservao da beleza das paisagens, dadiversidade da flora e da fauna e das formaesgeolgicas, promovendo o respeito e a suaconservao. Contudo, a utilizao dospercursos pedestres poder afectar o solo, agua, a vegetao, a fauna, as formaesgeolgicas e ser responsvel pela deposio deresduos ou pela ocorrncia de fogos florestais,pelo que a actividade dever ser devidamenteenquadrada e as organizaes que a promovemdevero ter o mximo cuidado na formao dos

    participantes.A energia um tema que, regra geral,

    esquecido por todos aqueles que,profissionalmente ou em regime devoluntariado, promovem actividades deeducao ambiental. Como sabido a energia um recurso essencial vida, mas ,simultaneamente, um forte factor de pressosobre o ambiente. Nos Aores, para alm daaposta no aproveitamento das fontes renovveis,importa reforar a aposta na eficinciaenergtica, combatendo a irracionalidade e odesperdcio.

    Pelos Aores passam anualmente milharesde aves, algumas delas paranidificarem, como o caso docagarro e dos garajaus. Pelasua situao geogrfica, asilhas dos Aores so um lugarprivilegiado para a suaobservao, sendo cada vezmaior o nmero de pessoasque, nos seus tempos livre, sededica a esta prtica.

    Neste segundo nmerodo boletim Vidlia de 2006,para alm de darmos destaquea um artigo do presidente dosAmigos dos Aores sobre osimpactos ambientais nega-tivos do pedestrianismo, apre-sentamos um texto intituladoElicas, Paisagem e ImpactoAmbiental, da autoria donosso associado, e co-ordenador da revista ArLivre, Jos Carlos CostaMarques, bem como um outrosobre locais dos Aoresimportantes para a observaode aves, da autoria da nossacolaboradora Rita Melo.

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    Percursos Pedestres

    Os percursos pedestres se, por um lado,so responsveis por impactos ambientaisnegativos no meio onde esto implantados, poroutro so um meio de confinar estes impactos auma rea restrita (Andrade, 2006). De acordocom Schelhas, citado por Andrade (2006), umpercurso pedestre responsvel,principalmente, por impactos na sua superfcie,sendo afectada a rea compreendida a partir deum metro para cada lado do mesmo.

    A utilizao dos percursos pedestrespoder afectar o solo, a gua, a vegetao, afauna e ser responsvel pela deposio deresduos ou por fogos florestais. Para almdestes problemas, relacionados e agravadoscom o uso excessivo dos trilhos, Magro (1999)menciona o efeito psicolgico depreciativonos visitantes ao freqentar as reas silvestrescomo parte de uma multido.

    1. SoloA passagem de pedestrianistas pelos

    percursos provoca, por um lado, compactaoe, por outro lado, responsvel pela eroso dosolo.

    O pisoteamento do solo faz diminuir osseus poros. A compactao provoca umadiminuio da sua capacidade de reteno do are de absoro de gua, modificando a suacapacidade de sustentar a vida vegetal eanimal (micro-fauna do solo) associada(Andrade, 2006). Magro (1999) corrobora comeste ponto de vista e afirma que o pisoteio e aconsequente compactao diminui aquantidade de poros entre as partculas, comefeitos diretos no sucesso de germinao evigor das plantas.

    De acordo com Andrade (2006), ospercursos alteram, ainda, o padro decirculao da gua. Com efeito, ao deixar deabsorver uma quantidade significativa da gua,esta passa a circular ao longo da superfcie dopercurso, provocando o arrastamento de

    IMPACTOS AMBIENTAIS NEGATIVOS DECORRENTES DAIMPLANTAO E USO DE PERCURSOS PEDESTRES.

    Tefilo Braga

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    partculas. A eroso depende da inclinao doterreno, do tipo de solo e do padro dedrenagem da regio.

    2. VegetaoAndrade (2006) refere que as plantas

    podem ser destrudas, quer directamente pelopisoteamento, quer devido compactao dosolo, e que a eroso expe as razes dasplantas dificultando sua sustentao efacilitando a contaminao das razes porpragas, o que compromete toda a planta.

    Alm do referido, a abertura de um trilhoprovoca algumas mudanas na composio davegetao ao longo deste. Com efeito, asalteraes ambientais fazem com que espciesvegetais mais resistentes tenham maishipteses de sobreviver do que outras maissensveis. Por exemplo, quando um trilho aberto, h alterao da luminosidade, o quefavorece o crescimento de plantas tolerantes luz (Andrade, 2006).

    Por seu lado Magro (1999), num estudoefectuado, notou o desaparecimento dealgumas plantas e a invaso de algumasespcies.

    3. FaunaAndrade (2006), depois de considerar

    que no se encontra bem estudado o impactodos trilhos sobre a fauna, escreve que provvel que haja um aumento do nmero deindivduos no caso de espcies tolerantes presena humana e uma diminuio no casodas mais sensveis. Por seu turno, Magro(1999) considera que o pisoteio provoca umareduo da biomassa da fauna do solo.

    4. Problemas antrpicosNo caso dos trilhos serem percorridos por

    pessoas com uma fraca conscinciaecolgica, ir haver ao longo dos mesmosdeposio de resduos.

    A presena humana nos trilhos poder,tambm, em algumas circunstncias, potenciaro aparecimento de fogos florestais, felizmentepouco provveis numa regio com ascaractersticas climticas dos Aores.

    5. Medidas de Minimizao de ImpactosPara alm de todas as medidas que

    devero ser tomadas aquando dos trabalhos deplaneamento e implantao dos trilhos, umprincpio dever ser tido em considerao: osstios de visitao no devem ser adaptados aosvisitantes, estes que devero ser preparadospara a visitao(Salvati, 2006). Ainda deacordo com Salvati (2006), educao

    ambiental cabe umpapel de grandeimportncia paraminimizar os im-pactos causadospelo uso dostrilhos.

    Nas reasprotegidas, emgeral, e no casoespecfico dostrilhos, o objec-tivo o esta-belecimento de umndice ideal de uso,para que asmudanas no am-

    C o n t i n u a

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    biente no atinjam um nvel indesejado sob oponto de vista da conservao dos recursos(Magro, 1999).

    Surge aqui o conceito de capacidade decarga, uma das ferramentas usada paraminimizar os impactos do uso pblico dosrecursos naturais, que foi definido por Wagarcomo sendo o nvel de uso que uma rea podesuportar sem afectar a sua qualidade (citadopor Magro, 1999).

    Durante muito tempo considerou-se quebastaria limitar o nmero de pessoas pararesolver os problemas, contudo, para alm deser uma medida impopular, outros factorespodero causar impactos negativos (Magro,1999), como, por exemplo, uma m gesto dosespaos ou a falta de pessoal.

    Par quem desejar aprofundar esteassunto, nomeadamente no que diz respeito apequenas obras que devero ser efectuadas paraminimizar os impactos negativos,recomendamos a leitura dos seguintes textospublicados por Parcs Canada: Manuel desSentiers e Meilleures pratiques por les

    sentiers de Parcs Canada- Um ventaildactivits, dinstallations et de servicesappropris aux sentiers.

    BIBLIOGRAFIA

    ANDRADE, W., (2006), Manejo de trilhas,

    www.femesp.org.

    BUREAU DU CONSEILLER SPCIAL, SERVICES

    DE LIMMOBILIER, (PATRIMOINE

    CANADIEN - ENVIRONNEMENT CANADA),

    (1996), Meilleures pratiques pour les sentiers de

    Parcs Canada - Un ventail dactivits,

    dinstallations et de services appropris aux

    sentiers, Parcs Canada.

    DIRECTION DU GNIE ET DE LARCHITECTURE,

    (1985), Manuel des Sentiers, Ottawa, Parcs

    Canada.

    MAGRO, T., (1999), Impactos do uso Pblico em Uma

    Trilha no Planalto do Parque Nacional do Itatiaia,

    So Car