IMPLANTAÇÃO DE CINTURÃO VERDE EM UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO ... ?· Este trabalho tem como objetivo…

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    17-Jul-2018

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<ul><li><p>VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 </p><p>IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1 </p><p>IMPLANTAO DE CINTURO VERDE EM UMA ESTAO DE TRATAMENTO DE ESGOTO E PERCEPO AMBIENTAL EM UM </p><p>INSTITUTO FEDERAL </p><p> Iasmyne Dias Machado Gonalves (*), Flvio Jos de Assis Barony, Daniela Martins Cunha, Tatiana Amaral Nunes * Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Governador Valadares, mynegv@hotmail.com </p><p> RESUMO Este trabalho tem como objetivo geral a implantao do cinturo verde na Estao de Tratamento de Esgoto (ETE) do campus Governador Valadares do Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Minas Gerais- IFMG/GV; e como objetivo especfico realizar um diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE. Foi aplicado um questionrio contendo 11 questes com o intuito de avaliar a percepo ambiental da comunidade do instituto, referente Estao. Tambm foram plantadas 16 mudas de rvores nativas contornando a rea da ETE. Os resultados do questionrio demonstram que 64% dos entrevistados visualizaram a instalao da Estao, mesmo esta sendo instalada na entrada do campus e em localizao visvel, mas com nvel considervel de aceitao e viso de benefcios a sociedade. J o cinturo verde, aps 4 meses de plantio h sobrevivncia de todas as mudas, logo contundente que esta ao minimizar os impactos negativos da rea estudada, sobretudo, quando as rvores se encontrarem na fase adulta de forma que o projeto possa atender melhor as necessidades ambientais do campus. </p><p> PALAVRAS-CHAVE: Cinturo verde, educao ambiental, tratamento de esgoto, mudas, percepo ambiental. </p><p> INTRODUO </p><p>Para o avano do conhecimento cientfico, primordial estudar os indicadores ambientais e trocar experincias (MAIA et al., 2001 citado por BRANDALISE, 2009, p. 277). A percepo nitidamente mais do que o processo no qual os estmulos vencem os sentidos, o incio do processamento de informaes, a interpretao dos estmulos aos quais se presta a ateno de acordo com a conformao mental existente, que so as atitudes, experincia e motivao (BAKER, 2005 citado por BRANDALISE, 2009, p. 277). A percepo ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de conscincia do ambiente pelo ser humano, ou seja, o ato de perceber o ambiente em que se est inserido (FAGGIONATO, 2004 citado por MARCZWSKI, 2006, p. 20). A importncia da pesquisa em percepo ambiental para o planejamento do ambiente foi ressaltada pela UNESCO em 1973. Uma das dificuldades para a proteo dos ambientes naturais est na existncia de diferenas nas percepes dos valores e da importncia dos mesmos entre os indivduos de culturas diferentes ou de grupos socioeconmicos que desempenham funes distintas, no plano social, nesses ambientes (FERNANDES et al., 2004, p. 2). No campus do IFMG-GV foi instalada uma estao de tratamento de esgoto (ETE), localizada na entrada do campus de forma a ser perceptvel a toda a comunidade, logo gerando pontos positivos e negativos. Portanto a percepo ambiental da comunidade importante para que possam ser tomadas atitudes que minimizem os impactos negativos e potencialize os positivos. Embora os impactos da estao de tratamento sejam positivos, como uma ferramenta de proteo ambiental, muito habitual que a populao na rea prxima ETE se manifeste e se posicione contra a construo e a localizao da estao, considerando apenas os aspectos negativos do projeto (JORDO; PESSA, 2011, p. 139). As ETEs geralmente encontram-se as nas altitudes mais baixas e prximas de reas urbanas. Em algumas situaes tais empreendimentos podem causar aos habitantes circunvizinhos um desconforto visual, esttico e principalmente, olfativo e de sade; em funo dos odores caractersticos que so gerados durante o processo de tratamento do esgoto e dispersados pelos ventos a longas distncias. Na maioria dos casos, isso ocorre porque a vegetao existente limita-se apenas grama, pequenos arbustos e algumas poucas rvores dispersas, no conseguindo promover a quebra ou dissipao dos ventos (CARNEIRO et al., 2009, p. 14). </p></li><li><p>VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental </p><p>Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 </p><p>IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 2 </p><p>As ETEs instaladas em reas urbanas so encontradas normalmente em grandes espaos disponveis. Nesses espaos aconselha-se que sejam implantados bosques com espcies nativas da regio. Visto que, alm de cumprir com as obrigaes legais e ambientais, esses bosques melhoram a aparncia da estao e tornam o local mais agradvel aos trabalhadores e frequentadores (CARNEIRO et al., 2009, p. 18). A utilizao de barreiras vegetais como tcnica para controle de odores empregada em diversas situaes em todo o mundo, contudo comumente de forma emprica, sem uma orientao tcnica sistematizada, capaz de associar os efeitos de barreira de vento, aromatizador, paisagstico e de isolamento das reas (CARNEIRO et al., 2009, p. 10). De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) sobre o diagnstico do saneamento bsico no pas, mostrou que 40% dos domiclios no Brasil no dispem de nenhum tipo de conexo com a rede coletora de esgotos e somente 38% do esgoto gerado recebe algum tipo de tratamento. Porm o maior agravante da situao que aproximadamente 15 bilhes de litros de esgoto no tratado despejado diariamente no meio ambiente. (IBGE, 2012). Ou seja, fundamental a instalao das ETE's em funo da baixa prestao deste tipo de servio de saneamento no Brasil. Posto isto, o indivduo pode perceber a interao de vrios componentes ambientais com o seu dia a dia e a interferncia destes no ambiente, como a relao da arborizao urbana com o micro clima, as encostas degradadas e o aumento do escoamento superficial, o mau odor emanando de redes pluviais devido ligao clandestina e outros. Cinturo verde o nome dado para as reas de ambiente natural, pouco urbanizadas e, muitas vezes, de uso agrcola, que esto ao redor ou nas vizinhanas de uma regio urbanizada (MORAES, 2012). O cinturo verde caracteriza-se pela implantao orientada de indivduos de duas ou mais espcies arbreas e arbustivas adaptadas regio e ao solo/substrato local, disseminadas em linhas paralelas, de forma que as plantas de uma linha no fiquem alinhadas com as plantas da linha adjacente, propiciando barreiras de isolamento, as quais em ETEs so dispostas ao redor das fontes emissoras de odores e no seu entorno. (CARNEIRO et al., 2009, p. 14). Este tema por sua vez deve ter utilidade para o pesquisador, o pesquisado e a sociedade propriamente dita, pois almeja atenuar os impactos negativos oferecidos pela ETE, para que assim esses efeitos nocivos sejam minimizados e convertidos em melhorias para o meio ambiente e a circunvizinhana do local em estudo. Desta forma, este trabalho tem como objetivo geral a implantao do cinturo verde na Estao de Tratamento de Esgoto do campus; e como objetivo especfico realizar um diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE. </p><p> PROCEDIMENTOS METODOLGICOS </p><p>CARACTERIZAO DA AREA DE ESTUDO </p><p>O estudo foi realizado com a comunidade escolar do campus de Governador Valadares. O campus construdo em um terreno de relevo irregular, com encostas de morro em processo de degradao. A cobertura vegetal deu lugar a pastagens, deixando o terreno merc de intempries, podendo vir a ocorrer eroso, o que alm de piorar a situao, assorear a lagoa existente no sop da encosta em perodos chuvosos, o qual se d na regio de Governador Valadares de outubro a maro (VIANELLO citado por CUPOLILLO, 2008). A figura apresenta o mapa de localizao regional do campus. A rea em estudo est localizada no municpio de Governador Valadares, Minas Gerais. A rea do campus de 125.334,35 m, e atualmente tem um contingente de 760 estudantes e aproximadamente 95 colaboradores, entre servidores pblicos e terceirizados. O esgoto do campus coletado e jogado para a rede pblica. A rede esta interceptada na ETE e assim que iniciar a operao, o esgoto passar por tratamento e em seguida retornar para a rede pblica. </p></li><li><p>VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 </p><p>IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 3 </p><p> Figura 1 - Localizao do IFMG. Fonte: Guimares, 2014. </p><p> TECNICAS DE COLETA E ANALISE DE DADOS </p><p>Para realizar o diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE, optou-se pelo desenvolvimento de um estudo descritivo, qualiquantitativo e anlise estatstica, conforme descrito por Gil (2008, p. 28). Segundo Fernandes (2004, p. 4), a base do sucesso de uma pesquisa envolvendo percepo ambiental est diretamente ligada qualidade do questionrio adotado e o mesmo dever estar estruturado luz dos objetivos a que se pretende como pesquisa e, principalmente, considerar o tipo/nvel dos entrevistados. Nesse estudo a avaliao do nvel de percepo ambiental da comunidade escolar foi realizada atravs do encaminhamento do questionrio sobre percepo ambiental, constitudo por 11 perguntas (apndice 1), atravs da plataforma gratuita e online Google Docs com o intuito de atingir toda a comunidade. A secretaria do campus enviou o questionrio para o e-mail da comunidade escolar atravs do Mdulo Educacional Conecta. SELEO DE MUDAS E PLANTIO </p><p>A seleo das mudas foi realizada de acordo com a indicao e com a disponibilidade encontrada no Instituto Estadual de Florestas (IEF). Durante a visita ao IEF e ao Viveiro Florestal de Governador Valadares o rgo indicou as espcies mais adequadas ao plantio de acordo com a disponibilidade no viveiro. As mudas indicadas para a criao do cinturo verde foram de Lagerstroemia indica (escumilha), Licania tomentosa (Oiti), Handroanthus serratifolius (Ip-amarelo), Clitoria fairchildiana (sombreiro) e Hibiscus rosa-sinensis L. (hibisco), (IEF, 2016). Na tabela 1 temos quadro que exibe as caractersticas gerais das espcies indicadas. Tabela 1. Quadro de informaes das espcies. - Fonte: Manual de arborizao - Companhia Energtica </p><p>de Minas Gerais, 2011. Espcie Nomes Populares Famlia Caractersticas </p><p>Lagerstroemia indica </p><p>regina, extremosa, mimosa-dos-jardins, escumilha </p><p>Lythraceae Pode atingir 15m de altura, copa arredondada. Florao na primavera e vero. Frutificao no inverno e primavera. </p><p>Licania tomentosa oiti-da-praia, guaili, oiti-cago, oiti-mirim, </p><p>Chrysobalanaceae </p><p>Pode atingir 20m de altura, copa arredondada. Florao no inverno. </p></li><li><p>VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental </p><p>Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 </p><p>IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 4 </p><p>oitizeiro Frutificao no vero. </p><p>Handroanthus serratifolius </p><p>pau-darcoamarelo, piva-amarela, opa, peva, ip-ovo-de-macuco, tamur-tura, ip-pardo, ip-do-cerrado, ip amarelo. </p><p>Bignoniaceae Pode alcanar at 25m de altura. Florao no inverno. Frutificao na primavera. </p><p>Clitoria fairchildiana </p><p>faveira, sombreiro, palheteira </p><p>Fabaceae Pode atingir 12m de altura. Florao no vero. Frutificao no outono e inverno. </p><p> Hibiscus rosa-sinensis </p><p>Hibisco, Graxa-de-estudante, Hibisco-da-china, Hibisco-tropical, Mimo-de-vnus </p><p>Malvaceae Pode atingir trs a cinco metros de altura. Florao na primavera e no vero. </p><p>As tcnicas para plantio seguiram o estabelecido por Gonalves e Paiva (2013); Martins (2013): tamanho da cova, adubao, presena de torres e outros. As principais prticas para a manuteno sero o permanente combate das formigas cortadeiras, o coroamento ao redor das mudas, ou capinas ou roadas, ao longo das linhas de plantios, o controle das trepadeiras, a adubao de cobertura e a irrigao nas pocas de dficit hdrico acentuado (MARTINS, 2013). Assim como tambm apontado por Carneiro et al. (2009, p. 14) a necessidade das atividades de manejo e em especial a reposio das plantas que no tiveram condies de sobrevivncia. Enfatiza-se que o plantio e acompanhamento do desenvolvimento das mudas encontra-se descrito no apndice 2. RESULTADOS E DISCUSSO </p><p>No decurso de um a seis de junho de 2016 foi disponibilizado o questionrio atravs do sistema do aluno/servidor- Conecta, ou seja, via correio eletrnico para toda a comunidade do IFMG-GV, do qual se obteve 179 respostas. Nota-se que houve um equilbrio representativo entre os sexos, sendo 51,4% constitudo pelo sexo feminino, e 48,6% pelo sexo masculino. A figura 2 representa a idade daqueles que se disponibilizaram a responder o questionrio, sendo o maior percentual representado por cidados que possuem idade igual ou superior a 30 anos. </p><p>Figura 2: Faixa etria dos participantes da pesquisa. Fonte: Autora do Trabalho. </p><p>Os entrevistados com remunerao de quatro salrios mnimos ou mais representam 36,9%, 34,6% recebem de dois a trs salrios mnimos e 28,5% recebem at um salrio mnimo. Quanto ao grupo da comunidade escolar com maior incidncia de respostas, destacou-se o curso Superior em Engenharia de Produo e no houve nenhuma participao de alunos dos cursos do PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Tcnico e Emprego) e dos tcnicos de servios jurdicos EAD (Ensino Distncia) conforme apresentado na figura 3. Apesar de a ETE estar instalada na entrada do campus, apenas 64,2% percebeu a implantao da mesma. Este nmero pouco expressivo, haja vista que o projeto de implantao da ETE foi divulgado em vrios eventos do campus, bem como a instalao da mesma deu-se a aproximadamente 5m do porto de entrada do campus, </p></li><li><p>VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 </p><p>IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 5 </p><p>sem que outras instalaes dificultassem a visualizao dos que ali transitam, seja pedestre ou com veculos, alm de estar tambm prxima ao ponto de nibus, como pode ser percebido na figura 4 (IFMG, 2016). Segundo Panquestor e Riguetti (2008, p. 7) seja pelo fato da percepo ambiental ser a tomada de conscincia do ambiente na qual o homem est inserido, em que cada indivduo percebe, reage, e responde diferentemente, frente s aes sobre o meio em que vive assim as respostas ou manifestaes da decorrentes so resultados das percepes, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada pessoa. </p><p>Figura 3: Participao da comunidade escolar na pesquisa. Fonte: Autora do Trabalho. </p><p> Figura 4: Visualizao da ETE ( esquerda). Entrada do campus ( direita). Fonte: Autora </p><p>Trabalho. </p><p>Quando indagados da existncia de algum impacto visual negativo, 38% responderam que sim e desses 83,6% pensam ou concordam que um cinturo verde minimizaria este impacto visual. Estes resultados confirmam o apontamento de Carneiro et al. (2009, p. 17) que a vegetao no entorno da ETE tambm contribui significativamente para os fatores estticos e de segurana, promovendo o isolamento visual e fsico da estao e melhorando a convivncia com a populao circunvizinha. No estudo, 34,6% responderam que sim, quando questionados se toda ETE pode gerar odor, ou seja, 65,4% acreditam que as referidas no geram odor. Deste modo, conciliar a instalao das ETEs de forma a minimizar eventuais efeitos deletrios populao adjacente um grande desafio. A emisso de odores provenientes de estaes de tratamento de esgoto (ETEs) em reas urbanas acarreta incmodos a populaes vizinhas a essas estaes. Segundo Ka...</p></li></ul>