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Incidente Em Varginha

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    Incidente em VarginhaCriaturas do Espao no Sul de Minas.

    Vitrio Pacaccini

    Porque sempre houvepor parte da populao de um modo geral um pr-julgamentosobre pessoas que relatam fatos incomuns, considerando-as fantasiosas, msticas, fanticas,desequilibradas mentalmente ou necessitadas de aparecer nos meios de comunicao? Averdade torna-se obscura sob os aplausos da ridicularizao, do abjeto, do riso e da pilhria.Assim, a maioria das pessoas se aquieta em silncio abissal por receio e medo de expor apblico suas, s vezes, difceis e medonhas experincias de haver vivenciado algo estranhodiante do inexplicado ou fora do padro comum da mediocridade mundial.

    Ao propormos escrever este livro sobre o incidente em Varginha que traz bailamais uma vez o tema Objetos Voadores No Identificados, seus tripulantes e todo omistrio nela inclusos, o fizemos com a preocupao de apenas relatar uma ocorrncia reale verdadeira, em que pese ao temor das Foras Armadas de todo e qualquer pas aoquererem se apropriar deste assunto, crendo que tais fenmenos ocorrem em virtude dasarmas mortferas dos prprios seres humanos, seus inimigos, na beligerncia do confrontoarmado, como se qualquer militar tambm no fosse humano.

    Da mesma forma, procuramos excluir quaisquer princpios religiosos, se eles tmmoldado padres que em nada explicitam o poder do Supremo Criador de todas as coisas,uma vez que somente aos terrqueos coube a tarefa de criar normas doutrinrias e padresticos de acordo com os interesses e desejos dos fundadores de religies.

    Quisemos, como nica preocupao, escrever sobre o bvio, ou seja, sobre o que ahumanidade vem testemunhando desde tempos remotos, que a insero dos extraterrestresno nosso planeta Terra, ponto minsculo na imensido das galxias, vindo de onde vierem esendo eles quem forem.

    A Ufologia estudo dos OVNIS (Objetos Voadores no Identificados) ou UFOS (doingls Unidentified Fying Objects) ou, se preferirem, OANIS (Objetos Areos noIdentificados), a nosso ver est vivenciando, neste final do sculo XX, o seu maiormomento de grandeza. Da a acirrada controvrsia entre os cpticos e os que crem. Mas aquesto crucial no nos apresentada como um simples acreditar ou no. A ns nos parece

    muito mais acertada a compreenso, ou seja, independente do crer ou no crer, e antes,portanto, da aceitao cega e absoluta sobre a evidncia do fato que originou a inquietao,deixar prevalecer procura do compreender (diante das perguntas, e sem que pesem asemoes), se determinado fato teve ou no a possibilidade de sua existncia.

    No pretendemos expor aqui nenhum mtodo de pesquisa ufolgica, nem influenciarpessoas, nem mesmo provar que determinados planetas existentes no infinito de Deus sohabitados por esta ou aquela raa. No ousaramos a tanto nem temos capacidade para isso.Nossa inteno nica e to somente trazer tona, sem subterfgios e retricas, umtestemunho fiel de que alguma coisa diferente do que podemos julgar como "normal"

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    aconteceu em janeiro deste ano de 1996 na cidade de Varginha, localizada na regio Sul doEstado de Minas Gerais, a 300 quilmetros da capital, Belo Horizonte. Culturalmenteheterognea, abriga inmeras grandes empresas e indstrias. Com mais de 100 mil

    habitantes, h alguns anos ostenta o ttulo de "porto seco" do caf, cuja cotao mundial alipassou a ser feita.

    Varginha est localizada na regio das cidades de So Tom das Letras, TrsCoraes, Pouso Alegre, So Gonalo do Sapuca, Campanha, Trs Pontas, So Bento doAbade, Crrego do Ouro, Passa Quatro, Andrelndia e Alfenas, onde comum a casusticade grande atividade de OVNIS, cujas aparies pblicas so avistadas por milhares de civise militares, deixando entusiasmados os uflogos brasileiros e estrangeiros.

    Mas, muitos daqueles que se dizem uflogos, sem jamais se terem dado ao trabalhode desenvolver pesquisas de campo, seguindo trilhas, atalhos e caminhos difceis cata de

    testemunhas, arvoraram-se no mais depressa que puderam para se rotular donos da verdadesobree dascriaturasde Varginha.

    J se editaram livro e jornal. Palestras foram feitas em auditrios a preos extorsivospara uma platia interessada no assunto, mas sem onde e como procurarem os GruposUfolgicos fechados em seus casulos. Infelizmente, escutaram alongadas leriasexplicativas sobre os "ETS de Varginha serem intraterrenos. Que a "tipologia dos ETS deVarginha" igual a criaturas existentes aqui, ali, acol...

    A isto preferimos nos abster de comentar os "vendedores ambulantes"na procura deincautos, mas entusiastas do tema Ufologia, se a ns no pertence criatura nenhuma, nem

    nunca nos pertencer.

    Escrevemos este livro contando apenas o que se pde amealhar em termos depesquisas junto a testemunhas civis e militares, ao deixarmos nossos afazeres profissionaispara nos ater sobre um incidente ocorrido. E nada mais.

    O nosso trabalho tambm tem o propsito de agradecer aos que tiveram conosco apacincia de nos receber em seus domiclios, seus escritrios e nos terem aguardado quandode encontros furtivos para nos darem seus testemunhos amparados na confiana e norespeito em ns depositado.

    E se mais escritos houver em relao s criaturas do espao em Varginha o quecertamente dever ocorrer sero, ou um prolongamento do que at aqui fizemos (e istodever ser recebido de bom grado e aplausos), ou meras conjecturas de ensimesmadossenhores em seus devaneios claustrais que embarcaram em canoa furada, ansiosos pornavegar nas ondas de seus prprios e minsculos oceanos de palavras, apensos s ondas dosseus naufrgios ou, se preferirem uma outra imagem que lhes assentem melhor na postura...a de no possurem asas para um vo maior seno o de cuidarem, depois, dos destroos desuas perdidas iluses ao almejarem se projetar sombra do que de todos e Universal, ouseja, a procura da bastante compreenso sobre os Objetos Voadores no Identificados eseus tripulantes.

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    O nosso relato se prende ao primeiro semestre deste ano e pelo fato de quatropessoas, as meninas, Ktia Andrade Xavier (22 anos), as irms Liliane Ftima da Silva (16anos), Valquria Aparecida da Silva (14 anos) e dona Terezinha Clepf (67 anos) terem

    avistado uma criatura diferente dos padres que entendemos como "ser humano" sendodiferente de qualquer outro animal conhecido.

    Poderiam elas prprias, a bem da tranqilidade pessoal, ter assumido um silncio decomum acordo e no divulgar coisa alguma. Enfrentaram a zombaria da opinio pblica, ascrticas de cpticos, as ironias dos religiosos, as ofensas de pessoas inescrupulosas, alm demexericos e gracejos de todas as formas e fundo, a ponto de quaisquer outras pessoas seremdemovidas de tais testemunhos e fazerem a retratao com efusivas desculpas pelo engano.No entanto assumiram, com retido e honradez, o que avistaram independentemente dojulgo de uma plebe vida por execrao e em regozijo pelo jocoso.

    Portanto Ktia, Liliane, Valquria e dona Terezinha Clepf, dedicamos este livro.

    Vitrio Pacaccini

    Belo Horizonte, agosto/outubro de 1996.

    Captulo 1

    ridculo e de uma pretenso desmedida, fazer do homem o centro do mundo,considerando-o como um ser nico e supremo quando o Universo comporta 100. 000milhes de milhares de estrelas.

    Prof Harlow Shapley

    Meu interesse pela Ufologia vem do tempo de criana, em Trs Coraes, influenciado pormeus pais, Eduardo Tavares e Rosa Pacaccini os primeiros adeptos da Ufologia queconheci, pois antes mesmo do meu nascimento, quando ainda namorados, o que lhes davamaior prazer era assistirem ao seriado de Flash Gordon que, saindo das pginas dos gibisde 1934 criao do desenhista Alex Raymond inaugurava, em 1936, a fico cientfica nastelas do cinema, com Larry Buster Crabbe (o nadador) tornando-se heri espacial na lutacontra o prfido ditador Ming em meio s estranhas paisagens do planeta Mongo, e Jean

    Rogers (como a personagem Dale Arden).

    Lembro-me de que na vasta biblioteca de nossa casa havia um livro de capa azul intituladoDiscosVoadores, de Desmond Leslie e George Adamski, investigadores da dcada de 50, eque trouxeram baila o assunto de modo o mais especificado possvel para a poca.Conhecido mundialmente, esse livro mostrava um disco voador na capa e, nas pginas dedentro, algumas fotografias de objetos voadores no identificados. Ele chamava a minhaateno de menino, e sua leitura era muito confusa para mim, mas, por outro lado, dava-meum enorme e sempre renovado prazer em folhe-lo repetidas vezes.

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    Do nosso aparelho de televiso Colorado RQ, em preto e branco, com antena externa etodos os fantasmaspossveis e inimaginveis, alm de um som pleno de chiados e rudo, oque havia de melhor para ns eram as noites festivas quando passavam os seriados O Tnel

    do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar, Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espao e OsInvasores, alm de qualquer outro filme de fico cientfica. Aps assistir a eles em quaseestado de xtase, mesmo naquela pobreza de som e imagem, ficvamos em costumeiroscomentrios futuristas, sem ao menos perceber a proximidade do prprio futuroacontecendo em nossas vidas atravs do avano cientfico e tecnolgico, a culminar com oque nos parecia impossvel: se do raio de luz emitido pela arma de Flash Gordon surgisse oraio laser de agora; da parafernlia de luzes piscando no comando das mais diversas navesaliengenas figurativas do cinema, ao computador de hoje. E contar das figuras irreais deseres com estranhas vestimentas, a um projeto Apolo, no foi surpreendente?

    No seria, pois, muito estranho perceber que, se houve tamanho avano da inteligncia

    humana em to pouco espao de tempo, tambm em propores relativas pudesse haverem outra dimenso no tempo-espao de mundos paralelos ou intergalticos tal similitude,respeitada os conceitos da evoluo de uma raa?

    Imaginarmos um estranho objeto voador vindodo espao a uma incrvel velocidade e deledesprender-se outro menor, com quatro ps sustentando um corpo de formas imprecisas; eao pousar em cho firme dele sarem dois seres assemelhadosa humanos, com cabeas deum nico olho igual ao de um inseto e a refletir um ponto azul que ficara distante no escuroespao; quem diria real a imagem destes dois seres, aos pulos de euforia e chamados NeilArmstrong e Edwin Aldrin, comemorando em 20 de junho de 1969 o primeiro pouso dohomem na Lua? Tambm no seria fico?

    Ou fices foram os inmeros relatos bblicos, sendo o de melhores mincias o deEzequiel, 1 4: E V4; e eis que vinha da banda do aquilo um torvelinho de vento, e umagrande nuvem, e um globo de fogo, e ao redor dela um esplendor, e no meio dele, isto , nomeio do fogo, via-se uma espcie de metal brilhante... E por vrios versculos?

    Fico de um cinema inexistente? Literatura de fico cientifica em tbuas de ceras epergaminhos, ou simplesmente lendas tribais passadas de pai para filho num tempo em quea escrita era privilgio de uma casta de nobres? E, assim mesmo, como descrever sobreuma tecnologia avanada para os padres culturais de um povo convencido de ser a Terra ocentro do Universo?

    Hoje acredito que, de todos os membros da minha famlia, fui eu quem prosseguiu commaior interesse por fenmenos espaciais, acreditando cegamente na existncia de um sprincpio criador, tanto em relao a ns, terrqueos, quanto aos de outras partes doUniverso.

    Afinal, se sabemos da existncia de bilhes de estrelas somente na nossa galxia e de outrastantas ao redor da nossa, astrnomos famosos como Carl Seagan e muitos outros jdemonstraram, por vrias pesquisas, da possibilidade de outros planetas, mesmo dentro danossa galxia poderem sustentar vida conforme ns a concebemos.

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    Imaginar, no entanto, que o homem est sozinho no Universo e que somente ele umespcime vivente mais avanado somente por estabelecer linguagem, comunicao verbal edesenvolver tecnologia inclusive a espacial com destino a outros planetas no

    inteligentemente aceitvel a concepo de que somos a semelhana de Deus. E nem este ocaminho mais acertado para melhor entendimento do Cosmo. Por que a insistncia demuitos em querer estender uma discusso que no levar a lugar nenhum, apenas em setratando de argumentos que a raa humana superior raa animal, por sermos maisdesenvolvidos em relao a eles? Ora, provado nos dias de hoje atravs do ProjetoGenoma, que est mapeando o DNA humano e de outras espcies, que as cadeias de genescompondo o nosso DNA tambm se encontram nos de plantas e de peixes ou seja,praticamente em todos os seres vivos, incluindo os microscpicos como bactrias eprotozorios.

    Isso nos leva a crer, portanto, do quanto a nossa raa apenas evoluiu na Terra mais que as

    outras. Porm, h pouco sabemos do meteorito de Marte, o Allan Hills 84001, contendoglbulos minerais de carbono, que seriam resultados de microorganismos, ondepesquisadores e cientistas afirmam ter encontrado evidncias de vida; alm da coincidnciade agora haver a notcia por parte da NASA, que fotos foram tiradas pela nave Galileo,revelando novas evidncias da possibilidade de vida extraterrestre e que, pela desconfianados cientistas, de haver um oceano debaixo da calota de gelo que cobre quase toda uma dasquatro maiores luas de Jpiter (planeta 1,4 mil vezes maior que a Terra), dentre as mais dedezesseis j descobertas, e de nome Europa! Se os cientistas crem que as fotos enviadasso capas de gelo quebradias prximas a igualar se s da calota polar rtica da Terra, entoso necessrias trs coisas bsicas para que a vida possa existir: gua lquida, calor (queEuropa pode ter, havendo gelo derretido) e qumica orgnica normalmente transportada

    por meteoritos que atingem os planetas como ocorreu na Terral!

    A incrvel e recente descoberta do Fsico russo Eugene Podkletnov, Professor daUniversidade Finlandesa de Tampere, trabalhando em suas pesquisas com materiaissupercondutores que tm a menor resistncia passagem de energia eltrica foi por haverrecebido em seu laboratrio a visita de um dos seus colegas, tambm cientista, que lchegou fumando. A fumaa do cigarro, ao passar sobre o seu experimento, comeou asubir, como se aspirada rumo ao teto. Ao procurar explicao para o acontecido,Podkletnov colocou uma bola de golfe acima do experimento, pendurada em uma balanasensvel. O que jamais ousaria pensar que estava ocorrendo ali, naquele momento, a maisfascinante descoberta para resultados prticos num futuro muito prximo: a bola de golfe

    perdera 2% de seu peso. Duplicando a experimentao, obteve 4%, tendo o mesmoresultado ocorrido com outros objetos de materiais diferentes. Podkletnov percebeu que oseu experimento estava criando um escudo antigravitacional resultado da fora de vriosanis supercondutores funcionando de uma maneira semelhante ao que acontece no mcujo campo gravitacional resulta em milhes de partculas magnetizadas, orientadas namesma direo. Ora, sendo assim, nos supercondutores a rotao, numa determinadavelocidade, faz com que as partculas do material criem um minsculo campo gravitacionalmagntico. Mas o Fsico terico do Instituto Max Planck o mais respeitado centro depesquisas da Alemanha, Giovane Mondanese, acredita que o fenmeno, agora descoberto,seja o resultado do que Albert Einstein imaginou em 1915 (!), ao conceber a Teoria daRelatividade: se a fora da gravidade e a velocidade de rotao de uma massa forem

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    suficientemente grandes, ser possvel moldar e distorcer as dimenses de espao e tempo,at invert-las. Assim, ento, o homem poder deslocar-se atravs das horas e dos diascomo se fossem metros e quilmetros.

    Portanto, tal descoberta de Podkletnov, acontecida neste ano de 1996, com detalhes doexperimento saindo nas edies do ms de outubro do Jounal of Physics & AppliedPhysics, do Instituto Britnico de Fsica, agitam os meios cientficos alm dos alemes, doslaboratrios da Itlia, do Canad e da ndia tentando reproduzir o experimento, cujosresultados demonstram por demais animadores. Dessa forma, inusitada (e qual descobertano foi assim?), Podkletnov, criando uma mquina capaz de desafiar a gravidade, estacordando o imaginrio da fico cientfica, no somente dos amados por meus pais, pormum mais recente filme:Blade Runner, com cenas inesquecveis de carros e motos flutuandoentre prdios.

    E Ronald Koczor, atual Engenheiro Chefe da Nasa afirmou que "se o efeitoantigravitacional real, queremos ser os primeiros a domin-lo". Sendo assim, muitobrevemente poderemos fazer o mesmo que as criativas do espao j sabem fazer hmilnios. Mas estaremos copiando-as nos seus inventos, ou no seria mais uma parte danossa memria coletiva despertando para o possvel?

    Desta forma, no avano natural como a Cincia caminha ainda que aos tropeos dasdescobertas, certamente tambm haver o dia das viagens espaciais com humanos a bordo ecobrindo anos luz de distncia da nossa Terra, abrindo uma janela para outras dimenses,cuja realidade, como a conhecemos hoje (e impensada ontem), nunca mais ser a mesma.

    Creio oportuna a citao de um texto do uflogo fluminense, Marco Antnio Petit, a nosavisar de termos em mente que o nosso Universo, com bilhes de galxias, pode no sermais que uma nica clula em uma estrutura ainda maior Por mais que busquemosmensurar os limites do eterno, tal tarefa estar sempre por ser realizada. No temos acapacidade de compreender o Todo, mas certamente a partir de nossas tentativas, que oEterno, Deus, o prprio Universo, conhece e conhecer a si mesmo. Somos seu nico einvarivel caminho. Portanto, no temos o direito de nos autodestruirmos, pois se fizermosisto estaremos limitandoas prprias percepes daDivindade Maior.

    Ao sair de Trs Coraes, fui para Stillwater, no Estado de Minnesota, no Norte dosEstados Unidos. De l, mudei-me para Burlington, no Estado de Vermont fronteira com a

    provncia de Quebec, no Canad. E, tempo depois, vivi na parte francesa do Canad,Montreal, provncia de Quebec, em convvio com a famlia Rippon, cujo chefe eucarinhosamente chamava de pa4 um engenheiro que fazia parte da equipe Barrel Teamtrabalhando em uma diviso da General Eletric, onde desenvolviam vrias tecnologias deponta. Na poca estava sendo preparado o avio caa F 16 com a metralhadora de seiscanos rotativos Vulcan, que dispara 100 tiros por segundo.

    Maior interesse houve da minha parte em conhecer um pouco mais da capacidade humanaem criar alicerces para o amanh, sendo meu pai uma pessoa com estreita relao deconvvio com outros cientistas, inclusive membros da Nasa, que estiveram envolvidos emprogramas espaciais desenvolvendo satlites. Com alguns deles tive a oportunidade de

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    conversar e ouvir histrias sobre o desenvolvimento espacial, se havia at quem estiveracom Von Braun, o alemo que desenvolveu a bomba V2 para Hitler e que, ao trmino daSegunda Guerra Mundial fora para os Estados Unidos, sendo mais tarde o principal

    responsvel pelo projeto Apolo.

    Tal convivncia com estes homens foi um valioso estmulo para aguar minha curiosidadee meus conhecimentos sobre cincia e tecnologia.

    De retorno ao Brasil, e cursando, em 1980, a Pontifcia Universidade Catlica, onde meformei em Administrao de Empresas e Cincias Contbeis, com ps-graduao emComrcio Exterior, fui aluno do professor Hlvio Brant Aleixo, emrito professor dePsicologia Aplicada Administrao. Sempre um mestre atencioso, dele so agradveis asminhas lembranas em sala de aula. Um dia, ao sab-lo uflogo, contei-lhe de meuinteresse e fiz meno do livro de Desmond Leslie e George Adamski.

    Pouco tempo depois me convidou a conhecer o acervo ufolgico do grupo CICOANI quefica guardado em sua residncia. Fiquei impressionado com a seriedade do trabalho dogrupo. No imaginava o quanto a pesquisa ufolgica fosse to rica, com dois arquivos em15 metros quadrados de rea de estudos, 2.550 eslaides, 70 mil recortes de jornais erevistas, 400 fitas com entrevistas e mais de 150 livros sobre Ufologia editados em diversospases, alm das fichas catalogadas de relatrios feitos quando no retorno das mais de 3000expedies de campo para pesquisas onde houvera avistamentos de fenmenos areos noidentificados.

    Da nossa convivncia e conversas nos intervalos das aulas, a cada dia crescia o meu

    entusiasmo de aprendizado. Num parntesis, e por justia a ele, menciono um fatodesagradvel e de terrvel ofensa a sua pessoa, quando certas gentalhas na Universidademovidas por interesses subordinados mesquinharia de suas mentes, armaram verdadeiraarmadilha contra o mestre, alegando a negligncia de seu programa de ensino em favor dospregoes sobre pesquisas ufolgicas em sala de aula. Bandalheira das grossas de quemaspirava ascender a lugares melhores na prpria Universidade, porque meu mestre jamaisse dera ao capricho de mencionar ao menos mencionar suas pesquisas extracurriculares.Ao contrrio, ramos ns seus alunos que pedamos que nos contasse de seu trabalho e nosrevelasse fatos, o mnimo que fosse. Mas a grandeza do mestre superava seus ntimosdesejos de se estender horas a fio sobre um assunto de sua predileo. Enquanto professorde Psicologia Aplicada Administrao, o foi em todos os horrios na sala de aula. Ainda

    assim, afastaram-no, com uma acusao sem suporte legal nem argumento favorvel.Atitude que denota, na pobreza de esprito, o saciar da fome dos invejosos.

    Com ele comecei a dar os meus primeiros passos na pesquisa ufolgica, sendo apresentadoao Centro de Investigao Civil de Objetos Areos No Identificados CICOANI, primeiraassociao do gnero criada na Amrica Latina, fundada em 1954, nove anos aps aSegunda Guerra Mundial. Portanto, um grupo antigo, fazendo pesquisas muito antes daaviao ter quebrado a barreira do som; da existncia do primeiro satlite artificial russo, oSputinik; do raio laser e do hoje to popular computador pessoal, sugerido na dcada de 40apenas como um produto de fico cientfica.

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    Iniciei a minha participaonas reunies do grupo em 1980 e tornei-me membro efetivo,conhecendo os mais extraordinrios casos que o grupo havia pesquisado antes da minhachegada. Acompanhando as expedies tanto de noite quanto de dia, adentrando-me em

    lugares de difcil acesso, viajando por estradas de terra, embrenhando-me por matascerradas, escalando montanhas, atravessando rios arriscando a vida a fazer viglia ou catade testemunhas que diziam ter avistado algum fenmeno areo no identificado.

    Com o professor Hlvio sendo ele um psiclogo extremamente habilidoso, comecei aaprender tcnicas de entrevistas ou em como conduzir testemunhas para as revelaes dasocorrncias, extraindo delas apenas a verdade e eliminando qualquer outra insero do quefosse mstico, religiosidade, folclore ou mentira pura e simples. Do prprio professorHlvio, temos o melhor resumo deste trabalho. "Abordar observadores de Objetos Areosno Identificados, OANI, coletar os dados de suas experincias, interpret-las em busca deuma objetividade so tarefas que requerem aplicao de tcnicas psicolgicas, as quais,

    por sua vez, implicam o uso de tcnicas estatsticas, principalmente as de amostragem ecorrelao. Sendo o problema OAIVI de amplitude planetria, seus dados podero sersignificativos na medida em que, originrios de diferentes reas geogrficas e culturais,revelarem uma inter-relao consistente.

    CAPTULO 2

    O homem deve seguramente acreditar que o incompreensvel se tornar compreensvel, ouento ele deixar de procurar.

    W. Goethe

    Na manh de domingo, dia 11 de fevereiro de 1996, ao buscar com o jornaleiro meusjornais e revistas, deparei a notcia, no Estado de Minas, sobre trs meninas que avistaramuma estranha criatura acreditada como um extraterrestre. Alm da fotografia delas, havia ado uflogo e advogado Ubirajara Franco Rodrigues, daquela cidade, confirmando averacidade dos fatos.

    noite, em meu apartamento, assisti ao programaFantstico, daRede Globo de Televiso,abordando o mesmo assunto, porm no muito elucidativo, apenas colhendo depoimentosde Ktia de Andrade Xavier, 22; e as irms Liliane Ftima da Silva, 16; e Valquria daSilva, 14, no local onde avistaram a criatura. Mais o depoimento do Ubirajara, noticiando

    que havia boatos sobre a possibilidade do envolvimento do Corpo de Bombeiros e doExrcito de Trs Coraes, conhecido como Escola de Sargentos das Armas.

    E logo a ESA com um contingente de mais de trs mil homens considerada excelenteescola do Brasil, sendo este um dos poucos pases no mundo a treinar sargentos. Em outrospases geralmente o sargento promovido apenas por ser cabo e ter prestado mais umperodo de servio. Na dcada de 50, o governo brasileiro criou-a, por entender que osargento o elo de ligao entre a tropa e o comando; justo porque a teoria fora provada naprtica, pelo desempenho dos nossos pracinhas na Segunda Guerra Mundial.

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    simples meno desta Escola, a mim me parecia que o caso de Varginha tomava corpoextraordinrio em relao a outros tantos pesquisados na Ufologia brasileira.

    Resolvi que deveria convocar os membros do CICOANI para uma reunio em meuapartamento, marcada para o dia 13, tera-feira, justamente para definirmos se tambmiramos ou no investigar aquele acontecimento. E, em havendo acordo coletivo,determinarmos qual seria o nosso roteiro de trabalho. Alm do que, cada a proximidade doCarnaval, estava mesmo pretendendo passar uns dias com os meus familiares em TrsCoraes, cidade a 25 quilmetros de Varginha, no Sul de Minas.

    Na tarde de tera-feira, ainda em Belo Horizonte, e sem deixar transparecer meu interesseansioso, comecei a telefonar para os amigos em Trs Coraes e os de cidades limtrofes,solicitando um levantamento sigiloso sobre at onde poderamos constatar a veracidade doacontecido, principalmente porque a ESA tinha sido citada nas reportagens e cuja entidade,

    desde o meu tempo de menino, sempre fora de meu conhecimento em seu interior, se aliconclu um curso de equitao e eventualmente a Escola ficava aberta nos dias festivoscomo do Soldado, da Ptria ou em algumas comemoraes especificas, para a visitao dosgrupos escolares. Muitos dos meus amigos passaram por ela cumprindo apenas o perodode alistamento e, outros, preferindo seguir a carreira militar.

    Na reunio, s 19h00, com a presena do professor Hlvio, do Manoel Simes Nevesmembro do grupo h 23 anos, fotgrafo profissional e responsvel pelas fotografias eslaides do CICOANI e sempre presente nas expedies de campo e de dona MiraciSantana Guy, outro membro antigo com quase 30 anos de trabalhos prestados ao grupo eresidente em Nova Lima, cidade perifrica de Belo Horizonte.

    Sendo eu um dos mais novos dos membros do grupo e tendo por diversas vezes assumido otrabalho de campo justamente por minha condio fsica e faixa etria, alm dadisponibilidade de tempo por ser solteiro e ser do Sul de Minas, achei que deveria mevoluntariar, reportando-me ao grupo quando necessrio.

    Na manh da quarta-feira viajei, antecedendo o sbado de carnaval, porque as estradasestariam ainda vazias. E como o ms de fevereiro est na poca de muita chuva no Sul deMinas sendo a Rodovia Ferno Dias muito perigosa em virtude de sua pssimaconservao, pior estaria com o maior volume de trfego de veculos no feriado.

    Quarta-feira, dia 14 de fevereiro, j em Trs Coraes, fiz o meu primeiro contatotelefnico com o Ubirajara, sem deixar de mencionar o CICOANI e o professor Hlvio.Muito cordial e receptivo ao telefone, cumprimentei-o pelo trabalho de pesquisa em queestavaempenhado, colocando-me ao inteiro dispor para ajud-lo no que fosse necessrio.Por causa da nossa proximidade, achando-se Trs Coraes, em mdia, a vinte minutos decarro de Varginha, marcamos um encontro para a sexta-feira, dia 16 de fevereiro, quandoeu iria at ele.

    Ainda na mesma tarde recebi um telefonema do "Srgio", um amigo, avisando-me serpossvel apresentar a mim um militar que estivera diretamente envolvido na captura doestranho ser. Teramos, no entanto, de nos encontrar tarde da noite, e em uma estrada

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    secundria, justamente para que a testemunha no fosse avistada por qualquer outra pessoaalheia aos nossos interesses. E gravei o seu depoimento.

    Na manh do dia 20 de Janeiro, aproximadamente s 8h30, um telefonema annimo avisoua 134 Companhia do Corpo de Bombeiros que um animal estranho estava no bairro JardimAndere. No tardou que chegasse uma viatura com quatro membros do Corpo deBombeiros comandados na ocasio pelo major Maciel.

    Traziam os equipamentos necessrios para aquela finalidade: redes, luvas, cordas e outrospara o caso de ser necessrio us-los. Percorreram o local e, na Rua Sucia, defronte aonmero 3, h um barranco e, logo abaixo, passa a linha frrea. Depois desta comea umapequena mata fazendo divisa com o bairro Santana. Alguns adultos e crianas queestiveram observando a criatura tendoalgumas delas jogado pedras, fazendo com que eladescesse o barranco e entrasse na mata continuaram a acompanhar a movimentao dos

    bombeiros.

    Aproximadamente s 10h30, eles a encontraram. Tinha os olhos grandes, vermelhos, iguaisaos de sapo. Mas os olhos no ficam para dentro, tais quais os da gente. So para fora, sempupila nem clios, nem plpebras. A boca s um pequeno rasgo e dois furos no lugar donariz. Tambm no tinha orelhas. S trs caroos saindo dos lados e do centro da cabea.Era uma criatura estranha, com os ps grandes e desproporcionais ao corpo, que tambmno tinha roupa e, nem assim, deu para saber seu sexo. Tinha era uma barriguinha saliente.E essa barriguinha saliente foi motivo de mais boataria na cidade sobre o ET grvido. Semfazer resistncia alguma, estava aparentemente abobada (apenas emitindo um zunido deabelha). Deixou-se capturar por uma rede, sendo carregada para a viatura do Corpo de

    Bombeiros. Porm, um pouco mais para trs havia estacionado um caminho do Exrcito,sob a vigilncia de dois sargentos e um oficial podendo ser um tenente ou de patentesuperior, e que ajudaram os bombeiros a coloc-la viva ainda envolta na rede dentro de umcaixote de madeira, sendo coberto por uma lona do prprio caminho que, incontinente,partiu dali com destino a ESA, enquanto a viatura do Corpo de Bombeiros retornava aoquartel.

    Finalmente, fui a Varginha conhecer o Ubirajara, cujo encontro estava marcado para as14h00. Era Sexta-feira, dia 16 de fevereiro, um dia antes do sbado de carnaval. Antes,telefonei ao professor Hlvio, avisando-o do contato que eu havia mantido com atestemunha militar. Muito impressionado com o meu relato, achou de extrema importncia

    esta aquisio, informando-me que o doutor Eros Jardim, vice-presidente do CICOANI,pessoa muito nobre, encontrava-se em So Loureno, acompanhado de sua esposa, donaAmazilis, passando os dias momescos na famosa estncia hidromineral distante hora equinze de carro da cidade de Trs Coraes. E que, inclusive, o prprio professor Hlvioj se havia comunicado com ele sobre a minha estada no Sul de Minas.

    Ainda na sexta-feira, pela manh, o doutor Eros telefonou-me. Ao ficar ciente do meuencontro com o Ubirajara, mostrou-se interessado em ir junto comigo a Varginha, tambmdesejoso de ouvir os relatos do Ubirajara.

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    Combinamos um horrio e o doutor Eros saiu de So Loureno para nos encontramos emTrs Coraes. Ele, sua esposa e eu seguimos viagem para Varginha, onde foi fcillocalizar a residncia de Ubirajara: uma casa branca, de esquina. Fomos atendidos por seu

    filho Rodolfo, de doze anos jovem simptico e agradvel, extremamente dinmico. Ao meidentificar perante o Ubirajara e apresentar-lhe o doutor Eros e esposa, que tambm no oconheciam, ele nos encaminhou para a sala de estar, quando aps alguns instantes deconversas amenas, pedi-lhe que nos dissesse dos fatos at ento sabidos por ele. Isto,porque estvamos precisando de melhor nos situar sobre as ocorrncias.

    At ento Ubirajara no sabia da gravao do militar. Mas, por no conhec-lo e no sabercom que tipo de pessoa estava lidando, at aquele instante no havia decidido se mostrariatal depoimento, convicto de conduzir sozinho as minhas investigaesparalelas e a meumodo. Estava indeciso. Felizmente, ao perceber sua seriedade, alm da postura tica edigna de um uflogo, mudei o meu modo de pensar. Disseram-me ser a dvida a melhor

    companheira antes da certeza. E foi timo saber erradas as minhas preocupaes. Ubirajaramostrou ao longo de toda a nossa conversa ser uma pessoa dedicada h vinte anos em seutrabalho de campo e portadora de conhecimentos corretos sobre a pesquisa ufolgica combases cientficas.

    Foi quando nos narrou o que at ento sabamos pelos jornais e televiso. No domingo, dia21 de janeiro, ouvira os primeiros boatos sobre umas meninas que avistaram uma estranhacriatura, um dia antes, sbado, dia 20, no bairro Jardim Andere. Estivera viajando a SoTom das Letras onde desenvolvia uma nova pesquisa, e tem publicado um pequenotrabalho sobre tais fatos, alm de um vdeo por ele mesmo editado embora de formadomstica , mas muito bem feito.

    interessante observar que o Ubirajara tambm reside no bairro Jardim Andere. E seestabelecermos como medida imaginria um ponto em linha reta entre a casa dele at olocal onde as meninas viram a estranha criatura dar-se-o, se bem medidos, uns quinhentosmetros, no mais.

    Em meio boataria do disse-me-disse, das suposies das mais diversas entre pessoas dobairro e alongando-se para toda a cidade, foi somente na segunda-feira, dia 22, queprocurou saber quais eram as meninas e onde moravam. Por mera coincidncia descobriumorarem prximos. Foi at a casa das irms Liliane e Valquria, ambas residindo no bairroSantana, tambm chamando a Ktia.

    No primeiro encontro, narraram a ele o episdio com extrema emoo, pranteando emalguns momentos se persistia nelas o temor ainda visivelmente estampado nos olhares.Escutou toda a histria e pediu que elas o levassem ao local para fazerem umarecapitulao; mostrando, inclusive, de onde exatamente estavam vindo, e o que de fatoavistaram.

    Novamente repetiu-se o pnico instalado nos olhares delas. Veio o choro nervoso a pontode no conseguirem o controle necessrio para nada mais temerem. E no instante em queforam solicitadas para se aproximarem do muro onde a criatura estava agachada, maior se

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    fez o desconforto, pois havia restado nelas um fator psicolgico extremamente notrio eevidente.

    Naquele sbado, Ktia estava fazendo uma faxina em uma casa do bairro Jardim Andere.Como o trabalho era muito por ser grande a casa, Liliane e Valquria, estando disponveis,foram chamadas por Ktia para ajud-la. Terminado o trabalho e regressando a p, porpreferncia, uma vez que o bairro Santana, onde moram, vizinho do bairro Jardim Andereseparados por uma grande rea arborizada e com uma rua prpria, asfaltada, alm de cortarcaminho, evitando seguir o curso natural das ruas por onde dariam muitas voltas,adentraram-se naqueles terrenos baldios.

    Exatamente onde o bairro Jardim Andere, prximo a trs quarteires antes do seutrmino, h um declive acentuado, indo at a grande rea arborizada e com algumas casasem construo. Andando juntas, elas se defrontaram com uma criatura agachada, prxima a

    um muro erguido com tijolos pr-fabricados de cimento, onde uma oficina mecnica.

    Da o susto. Primeiro, o de Liliane quem a avistou, se estava um pouco adiantada das outrasduas, naquele instante paradas para ajeitarem melhor a sacola de plstico que Valquriatransportava. Com o grito de Liliane pondo-se a correr, as duas tambm viram o que noera um bicho e no tinha a menor aparncia com qualquer animal que se pudesse nome-lo.Tambm no era um ser humano... Pois a pele era marrom escura, viscosa, como se untadacom leo por toda a superfcie do corpo, com trs protuberncias frontais na caixa craniana,grandes olhos vermelhos sem pupilas e saindo para fora do rosto. Boca e nariz pequenos.Pernas e braos finos. Veias salientes e grossas saindo do pescoo e indo at por cima doombro. Os ps grandes, desproporcionais ao resto do corpo.

    Mesmo com o grito de Liliane, a criatura continuou agachada e com as mos entre aspernas. Apenas virando o rosto para ela e sem se mexer, foi o suficiente para o pnico seestabelecer. Embora elas tivessem tido apenas a viso por um instante, bateram em retiradae, mesmo na correria, olhavam a criatura agachada do mesmo jeito.

    Era uma tarde quente, ensolarada, e no havia ningum mais visvel pela redondeza. Nacorreria foram avistar pessoas somente quando haviam passado pela rua asfaltada dentro damata e no bairro onde residem.

    Chegaram a casa de Liliane e Valquria. Encontraram Luisa Helena da Silva, me destas,

    que percebeu o quanto estavam as trs amedrontadas, em choro convulso, pernas e mostrmulas e gaguejando ao relatarem o fato de terem visto "o demnio". Isto, porque era anica referncia a que poderiam associar aquela coisa.

    Catlicas praticantes, Lusa acreditava nas filhas, crendo estranhas as revelaes, alm doestado aflitivamente nervoso com que se apresentavam; e decidida a por fim a tantaagitao daquelas trs, saiu de casa intuda de conseguir uma carona de carro para abreviara distncia que teria de caminhar. E a obteve, por sorte, com uma vizinha passando por alinaquele momento. Explicou a ela a situao, e instante depois estava no local. Mas nada dediferente avistou. A criatura no estava por ali. Ainda assim, encontrou duas pegadas de psenormes, bem diferentes dos ps comuns, que ela mesma no soube precisar sobre o que ou

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    quem poderia ter feito aquilo. E sentiu um cheiro muito forte, parecendo como se deamonaco, pairando no local onde estivera a criatura. Mas Lusa no conseguiu, em casa,encontrar nos produtos qumicos de material de limpeza: detergentes, gua sanitria,

    produtos afins, qualquer coisa capaz de reproduzir o mesmo cheiro.

    Diante das revelaes e dos fatores emocionais que me e filhas demonstravam naquelaconfisso, Ubirajara ficou impressionado com o que ouviu, passando a dar veracidadequeles fatos.

    Estvamos ouvindo o seu relato sem que, at aquele instante, houvesse surgido aoportunidade para eu mencionar o depoimento militar em meu poder. Contou-nos de umatempestade torrencial com chuva de granizo do tamanho de bolas de pingue-ponguearrasando casas, derrubando muros, telhados, inundando ruas e, com tal violncia, que hmuito no se via acontecer na cidade.

    Tantos informes confusos, em curto espao de tempo, fizeram com que fosse a 134Companhia do Corpo de Bombeiros, ansioso por informaes concisas. O comandante,capito Pedro Alvarenga, negou que a corporao tivesse atendido a qualquer chamadonaquele bairro, frisando que nenhuma viatura fora deslocada para aquele ponto da cidade.Mostrou a ele um boletim de ocorrncias, alegando ater-se somente sobre atendimentos emoutros pontos onde ocorreram estragos causados pela chuva de granizo no sbado, por voltadas 17h30, aps o avistamento da criatura pelas meninas.

    No entanto, pela postura do capito e pela negativa da informao solicitada, Ubirajara nose deu por convencido, preferindo inquirir o tenente-coronel Maurcio Antnio dos Santos,

    comandante da Polcia Militar de Varginha, que tambm tudo negou, a ponto de afirmarnada saber e nada ter a acrescentar sobre o extraterrestre...

    Interessante notar que antes era o demnio; mais tarde, o bicho e, de repente, oextraterrestre E como havia mais boatos noticiando que a criatura fora capturada e levadapor soldados do Corpo de Bombeiros para um hospital, procurou o senhor Adilson Usier,administrador do Hospital Regional de Varginha.

    Aqui no Regional, com toda certeza e estou convicto, no internou ningum comcaractersticas acima do ser humano".

    Foi procurar informar-se em outro hospital, o Humanitas, tambm encontrando negativasde todos os gneros. Ningum falava, no sabia, nem tinha permisso para dizer coisaalguma.

    Percebendo inteis as fontes oficiais, achou por bem acionar alguns conhecidos para ajud-lo nas indagaes a terceiros. E tomou conhecimento, por parte de um amigo seu, que esteera parente de uma pessoa trabalhando no Hospital Regional. Conseguiu contatar-se comela, tendo a mesma relatado que naquele dia um grande nmero de pessoas estranhas aohospital haviam sido vistas por l. E mencionou o fato de um determinado setor do hospitalter sido interditado s pressas com alegaes por parte da diretoria do incio de reformasnaquelas dependncias... Evidentemente inventadas como desculpa, aps reunies a portas

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    fechadas, onde o diretor intimou os profissionais da rea mdica, proibindo-os demencionar o que ali se passava, pois tal assunto sendo este altamente confidencial nopoderia, sob qualquer pretexto, ser divulgado, em hiptese alguma.

    E, da mesma pessoa soube de uma outra tambm profissional, haver confirmado amovimentao estranha no hospital, do setor interditado, da proibio de ningum divulgaro que estava acontecendo, e a presena, sim, de uma criatura em observao... Mais: queesta mesma profissional, ao mostrar-se interessada em ver a criatura, foi aconselhada poruma colega (ou nova testemunha) que no o fizesse, porque iria ficarmuito impressionada.

    Assim, em razo de tantas informaes truncadas e de situaes que no possuamnenhuma analogia uma com a outra, Ubirajara achou que realmente algo de muito estranhoestava acontecendo. E resolveu, aps as negativas oficiais, levar o assunto ao conhecimentoda imprensa. Ao mesmo tempo contatou-se com a professora Irene Granchi, a nossa

    primeira dama da Ufologia brasileira. Ela, residente no Rio de Janeiro, telefonou para LuizPetry, um dos editores do programaFantstico, da Rede Globo de Televiso, colocando-o apar dos acontecimentos. Foi quando o Petry telefonou para o Ubirajara e imediatamenteviajou para Varginha, na inteno de preparar o primeiro programa televisivo. Ao mesmotempo, Ubirajara manteve contatos com o reprter Evaldo Reis, da Sucursal Sul do jornalEstado de Minas, que publicou uma grande reportagem a respeito.E foram exatamente essas as matrias que vi em Belo Horizonte.

    Retornando nossa presena na sala de visitas da casa de Ubirajara, tendo a meu lado odoutor Eros e sua esposa, e ouvindo o que ele nos contava, foi quando comecei a perceber acoerncia cronolgica dos fatos, onde Ubirajara se mostrava numa posio correta para

    prosseguir na investigao. E, a partir daquele instante, no tive mais dvidas quanto atambm ajud-lo em meio seriedade com que estava nos relatando as evidncias de umassunto muito mais profundo do que toda a sua pesquisa at aquele ponto. Entendi que nopoderia deixar de dar a minha parcela de colaborao, ajud-lo no que dependesse de mim etambm acentuar meu trabalho de pesquisador da melhor forma que eu pudesse fazer.

    Mesmo ainda impressionado com os relatos, doutor Eros alegou necessidade de regressarcom a esposa, porque no queria viajar noite. Preferi ficar aquele dia em Varginha e dei aele explicaes de como faria para sair de l, qual era a estrada para chegar ao trevo de TrsCoraes, e como seguir para Cambuquira, depois Lambari, at o seu destino final, SoLoureno.

    E, com a ausncia do doutor Eros, Ubirajara me perguntou:

    E a, o que voc est sabendo?

    Iniciava minha fala quando entrou na sala a Anglica, morena de beleza mpar, esposa deUbirajara, acompanhada da filha, Sthefani (oito anos), eleita por mim como a mais graciosabochecha de Minas! Aps os cumprimentos e uma conversa formal, acentuando-se levescomentrios sobre o acontecimento da cidade, afastaram-se da sala, deixando-nos a ss. Foiquando, finalmente, tive a oportunidade de retirar da minha pasta o gravador e pedir que eleprestasse ateno no que ia escutar. Deixei rodar a fita que eu gravara na noite anterior.Ouvindo o depoimento do primeiro militar, senti Ubirajara ficar inquieto. Acendia um

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    cigarro atrs de outro, extremamente eufrico. Terminada a audio e aps seu sorriso desurpresa, confessou emocionado:

    Pacaccini! Voc trouxe um novo alento s minhas investigaes! Agora a coisa sria!

    De verdade, havia ficado, pois eu percebera, aps o seu relato de hora e meia ou mais, queat aquele instante ele tinha nas mos alm do depoimento das meninas e uma srie deinformaes truncadas, as peas soltas de um quebra-cabea. Pelo menos ali, e daquela vez,havia um dado concreto, e irrefutvel! Era, portanto, a hora de comearmos a estabelecerum mnimo de ordem nos fatos que se sucediam. Repassamos os dados possudos e,exatamente naquele momento, comeamos a entender a situao. Se no dia 20 de janeiro,por volta das 10h30, o Corpo de Bombeiros havia capturado uma criatura na grande reaarborizada separando o bairro Jardim Andere do bairro Santana, e entregue para o Exrcitoque, incontinente, a retirou de Varginha levando-a para Trs Coraes; era muito pouco

    provvel e at ridculo que o mesmo Exrcito tivesse retornado com esta criatura s 15h30para deix-la agachada junto ao muro de cimento naquele terreno baldio e a trsquarteires acima de onde fora encontrada somente porque as meninas ao passarem por aliiriam v-la!

    evidente que isso no fazia o menor sentido. A partir da comeamos a entender melhor oacontecido, porque a prova nmero um estava contida no depoimento gravado. E, asegunda, indiscutvel, estava com as meninas. Expondo isso ao Ubirajara, constatei deletambm desconfiado, mas inseguro. Havia o faro ufolgico, mas no o suficiente, emconseqncia da srie de informaes desconexas. E mesmo havendo prova inconteste,tanto na fita como no relato das meninas, os horrios em que a boataria se espalhara

    entravam em contradio, porque os que avistaram o incidente da captura, os caminhes doExrcito, a entrada com ela no hospital, era um (acontecido na parte da manh). E o horrioem que Ktia, Liliane e Valquria viram-na na tarde de sbado, dia 20, era outro.Simplesmente no conferindo os horrios, s poderiam ser duas... as criaturas!

    Numa euforia indescritvel e agradecido por eu estar com ele na difcil e rdua tarefa depesquisa, levou-me ao anexo contrado em sua casa, um auditrio com quadro magntico,equipamentos de som, uma sala, uma pequena e funcional cozinha e instalao sanitria. Nasala onde est o acervo de seus trabalhos: recortes e documentos arquivados em pastas,alm dos equipamentos de vdeo, computador e aparelhagens de som para edio de fitas,alm de uma pequena mesa de mixagem, e de efeitos, filmadora e mquina fotogrfica.

    Este meu canto! Disse, feliz, ao me apresentar o seu lugar predileto da casa, onde a maiorparte do seu tempo passada ali em leituras e na catalogao dos artigos de revistas, jornaise correspondncias sobre OVNIS. Mesmo sem conhecer a mim e minha pessoa, pois nome havia apresentado socialmente embora possussemos idntica preocupao de uflogos,confessou do quanto gostaria de ter mais contato comigo, alm daquele dia, pois euentregara a ele uma informao extremamente valiosa, que se tratava da fita gravada, e issodenotava uma confiana partilhada, o que no muito comum neste campo depesquisadores.

    E voc, vai estar em Trs Coraes durante os dias de carnaval?

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    Vou, sim afirmei, ao aguardo de surgirem novidades por parte dos meus informantes.

    Fao questo de lev-lo ainda hoje. E posso busc-lo de volta, amanh?

    Claro! Assim, podemos juntar todos os resultados de nossas pesquisas e recapitular muitospontos ainda obscuros sobre a criatura e a boataria que rola pela cidade.

    Senti despontar nele e em Anglica, a companheira admirvel, que chegara nossapresena naquele instante, que estvamos a estabelecer uma parceria a render frutos com osnossos trabalhos at ento paralelos.

    Captulo 3

    Se se soubesse estudar cientificamenteos testemunhos, a Justia seria uma cincia.

    Aim Michael

    No dia seguinte, sbado, 17, conforme o combinado, retornei casa do meu novo parceiroaps o almoo, l ficando por toda a tarde, at o anoitecer. Recapitulamos o que havamosconseguido at ento. Informou a outros uflogos mais prximos, anunciando a eles esseencontro comigo, dando-lhes informes sobre minha pessoa e sempre em tom muitoelogioso o que me enalteceu sobremaneira.

    Contou-me de seu amigo, o engenheiro Claudeir Covo, que eu conhecia por nome, semjamais ter travado contato pessoal com ele, mas sabendo-o como a maior expresso daUfologia brasileira, anunciando o que acontecia em Varginha. Tambm para a professoraIrene Granchi, residente no Rio de Janeiro, citando meu nome a esta pesquisadora, quetambm no conhecia pessoalmente, embora estivera em Varginha antes da minha presenano Sul de Minas. E que, de seu regresso ao Rio, telefonava dia sim, dia no, no intuito deacompanhar as nossas investigaes.

    Em meio a tudo isto, o Ubirajara segurava as ltimas informaes obtidas, mesmocomentando com outros uflogos que ligavam para l, mas preferindo dar um tempo maiorno objetivo de retardar para a imprensa o depoimento do militar.

    Foi quando Luiz Petry, editor do Fantstico, da Rede Globo de Televiso, foi novamenteavisado, pois, tendo feito um primeiro programa em Varginha, havia solicitado ao Ubirajaraque o avisasse to logo surgisse qualquer novidade no caso.

    E com o depoimento do militar em nosso poder, foi gerado um segundo programa, levadoao ar no domingo, dia 25 de fevereiro.

    importante mencionar aqui, num pargrafo, toda a nossa cautela, porque as pessoas,naqueles dias, tendiam a crer que tudo fosse apenas brincadeira de moleques quanto criatura. Como estvamos na poca prxima ao carnaval, havia chacotas, ironias e rumores

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    de um boneco pintado e deixado no canto do muro, preso por cordas de nylon e acionadaspara assustar quem passasse por ali... Ou, sobre algum fantasiado, na inteno de fazergraa, pregar susto! Assim, o noticirio levado ao ar com as novas informaes

    obviamente resguardadas as fontes, mostraria a todos a seriedade dessa descoberta.

    Ubirajara telefonou para o Petry, contando as novidades e mencionando-lhe minha pessoa.Imediatamente nos informou que poderia deslocar uma equipe de reportagem paraVarginha, aps o carnaval.

    Como a vida tem suas surpresas1 Tinha ido a Trs Coraes com a inteno de estar unsdias com a minha me e afastar-me um pouco da agitao de Belo Horizonte e tambm, delevantar algumas informaes sobre o Caso Varginha percebi, no entanto, que aps ocarnaval no poderia sair mais do Sul de Minas. Primeiro, porque Ubirajara e eu decidimosque nenhuma notcia sobre os fatos de Varginha seria fornecida de modo unilateral, pois

    estvamos trabalhando em conjunto. Segundo, a ida novamente da equipe de reportagensdaRede Globo, chegando para a gravao do segundo programa onde apareo no cenrioda investigao. Terceiro, porque decidimos que tudo a ser dito teria que necessariamentepassar por um crivo de acordo mtuo aps anlises do que poderia ou no ser divulgado. Eeste acordo de cavalheiros se estabeleceu daquele momento at os dias de hoje.

    E sabendo que a equipe da televiso viria, passei a ir a Varginha praticamente todos os dias.Alertei os meus informantes daquela regio onde eu estaria, se em Trs Coraes, ou nacasa do meu parceiro.

    Nesta oportunidade, nos ligou do Rio de Janeiro o Marco Antnio Petit, outro grande

    uflogo brasileiro de enormes e valiosos servios prestados Ufologia, alm de algunscuriosos do Sul de Minas. O Ubirajara fazia as apresentaes dos que eu no conhecia,como ocorreu com o reprter Evaldo Reis, da sucursal jornalEstado de Minas que passou ater um contato maior comigo no vaivm das pesquisas de campo.

    No domingo de carnaval, dia18, procurei um casal, meus conhecidos. O marido militar daESA. Avisei ao Ubirajara que iria entrar em contato direto com outros militares, pois se nsj possuamos uma confirmao de que o Corpo de Bombeiros esteve envolvido, seriaimportante saber sobre a criatura levada pelo caminho do Exrcito para a ESA, somentepor intermdio de algum de l.

    E. num dos telefonemas, consegui contatar-me com eles, marcando um encontro em casa deminha me, para o dia seguinte, Segunda-feira, 19.

    Confirmei com Ubirajara.

    Aproximadamente s 21 horas, o casal chegou. Ainda no havia comentado com eles o meupropsito. Tudo se restringia a um encontro social. Conversas amenas entre um e outrodrinque. At quase meia noite ainda no havia entrado no assunto. Fazendo prembulos,preparando-os como meu costume h muitos anos se comum a testemunha esvanecer-se, dependendo da forma como abordada. Considerando que estava defronte a um militarde dentro dos portes da ESA, mais cautela tive ao empreender conversas sobre inmeros

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    assuntos, inclusive mostrando a ele a minha arma de defesa pessoal calibre 9mm curto,popularmente conhecida como calibre 380, meu registro e porte de arma, comentando,ainda, meu curso feito em Belo Horizonte, na Escola Majaluwa, com o professor Marinho,

    um dos maiores especialistas em treinamento de defesa com arma de fogo no Brasil,quando me graduei no curso por ele ministrado. Disse, tambm, da minha filiao ao ClubeMineiro de Tiro Prtico, o qual freqento pelas manhs em todos os finais de semana.Mencionei, ainda, meu contato com a prpria Federao Mineira de Tiro Prtico. Foi nestaescola que aprendi muito sobre defesa, circunstncias de perigo, postura psicolgica diantedo elemento surpresa e tantas outras tcnicas de defesa extremamente apuradas. Isso foimuito importante na minha vida, porque me fez uma pessoa mais tranqila do quenormalmente sou.

    Continuando a apresentao da minha pistola semi-automtica, totalmente custumizada,que uma expressousada no meio dos adeptos do tiro prtico: custumizada uma arma,

    digamos, envenenada, preparada. A minha, por exemplo, tem todos os requintes:compensador de gases, gatilho leve, as travas amaciadas, o co aumentado, o cabo feito depau-brasil conseguido em Belm, quando a coloquei na mo de um armeiro e ele fez tudosob medida. Com encarte para os dedos e acabamento desde as travas, o co, o gatilho, aopino ejetor do carregador, tudo banhado a ouro. Uma pea linda, alm de ser uma armaextremamente eficiente, quando da necessidade de se estabelecer uma ao de defesa.

    Neste momento comecei a perceber que o nosso assunto se voltava para armamentos.Contemplava, admirado, com a pistola semi-automtica. Repetimos a cerveja e mais umcanap, quando, convidei para deixarmos a sala de visitas e irmos para a de televiso. Nestemomento, a minha me havia se recolhido ao quarto e, no novo ambiente, mostrei-lhes um

    vdeo de ufologia muito interessante, produzido na Alemanha, narrado em ingls e comlegenda em portugus, onde vrias naves foram filmadas em situaes diversas deaparies. Ficou muito impressionado, a ponto de confessar seu gosto pelo assunto. Era ode que eu precisava.

    Sabe por que estou mostrando esta fita a vocs? Porque, alm de empresrio em BeloHorizonte, sou um pesquisador de Ufologia.

    Ele olhou para a esposa e sorriram.

    Ento, voc um pesquisador!? Disse, surpreso.

    Sou. H dezoito anos! E contei a eles a minha vivncia no CICOANI, as viagens depesquisas, meus trabalhos de campo, e o quanto estava diretamente ligado s investigaesdo caso de Varginha.

    De Varginha? Admirou-se. Est investigando o ET de Varginha, tambm?

    De corpo e alma afirmei. Travei contato com o Ubirajara, que comeou as pesquisas. Masconseguimos at agora informaes extremamente preciosas. Alm do mais, por saber quetudo isso muito srio, estou me dispondo a levar adiante a investigao... precisando desua ajuda, claro!

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    A esposa mostrou-se receosa, manifestando preocupao pelo fato de o marido ser militarda ESA. Tranqilizei-a, dizendo que a pesquisa ufolgica se vale de suas testemunhas,

    sabendo da gravidade que expor a pblico o depoimento de qualquer pessoa. Falei-lhessobre a pesquisa, feita com muito critrio para preservar em qualquer momento e poca aintegridade das testemunhas, tanto civis como militares. Aludi as razes por que muitaspessoas ainda que no anonimato preferem se isentar nessas horas, receosas por carem noridculo pblico. No caso de um militar, por exemplo, invoquei a priso na caserna, a moralrebaixada, a corte marcial e a perda do emprego!

    Pedi que ele gravasse um depoimento sem se identificar, porque eu no conseguiriamemorizar tudo o que ele dissesse. E tal depoimento ficaria absolutamente restrito aocampo da pesquisa. Caso, no entanto, houvesse a necessidade de mostrar a fita para outrapessoa, ele permaneceria annimo, sobre qualquer argumento ou pretexto de identificao.

    E algo muito interessante ocorreu naquele momento. Na hora em que coloquei a fita nogravador, ele apenas pediu-me que em hora alguma e por qualquer motivo fosseidentificado.

    A esposa, ainda preocupada:

    Olha, que isso pode prejudicar a gente! Disse ao marido.

    Pode ficar tranqila retruquei.

    Mesmo assim, apegou-se bblia encontrada na estante. E, enquanto eu conversava comseu marido no olhei mais para o rosto dela, percebendo-a agitada ao passar as pginas,temerosa de possveis represlias e conseqncias advindas do ato de o marido dartestemunho ao proibido.

    Deixei-o narrar o que bem quisesse.

    Tudo comeou com a maior boataria dentro da ESA disse. Aps o primeiro programa doFantstico, em que apareceram imagens da ESA, nada foi comentado oficialmente entre osmilitares, restando em cada um enorme interrogao, pois era a primeira vez presenciadopor ele nos seus vrios anos como militar, que havendo citao sobre o Exrcito pela

    imprensa falada, escrita ou televisionada, no ocorria uma informao direta aossubordinados por parte dos seus superiores em comando. Se, num exemplo, a rdio localinforma sobre treinamentos do Exrcito no Pico do Gavio prximo a So Tom dasLetras, onde comum a presena dele, ou qualquer jornal interiorano publicar uma nota,por menor que seja, dentro da ESA nada passar despercebido.

    Quando ele viu a reportagem, comentou com a esposa a confuso prestes a acontecer nomeio militar, estando, de fato, o Exrcito envolvido. Na manh seguinte saiu de casa nohorrio habitual, indo para a ESA No local onde os militares fazem as suas refeies, queem seu jargo rancho, ao ir tomar caf, estava na expectativa de encontrar algumcomunicado ou aviso fazendo aluso reportagem. Encontrou vrios militares comentando

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    o assunto da criatura de Varginha, e o fato de a ESA ter errado por barrar a equipe dereportagem da Rede Globo ali se encontrando para colher algumas informaes. No osdeixou entrar na Escola um quartel enorme, apenas alegando a ausncia do oficial de

    relaes pblicas e do general, no podendo atend-los. Foi um erro, inqualificvel, pois, seo comando tivesse melhor tirocnio na ocasio, teria recebido o Luiz Petry com a equipe.Na inteno de esconder fatos, o que deveria ser feito lev-los para uma sala, oferecer-lhes caf, apresentar-lhes o oficial de relaes pblicas, engendrando assuntos variados.Ficaria bem aproveitar para mencionar um "ns no sabemos de coisa alguma porqueestvamos em treinamento de tropa no quartel e nenhuma viatura afastou-se daqui".Qualquer desculpa nesse gnero e os reprteres sairiam satisfeitos. Ao contrrio, impediramde modo rude o Luiz Petry na portaria, com argumentos de no haver ningum para falar.Ora, num contingente militar com mais de trs mil homens, seria impossvel que noexistisse uma pessoa sequer que pudesse atend-los! Ridculo!

    Ele, como outros de seus companheiros, ficou esperando a hora em que seriam chamadospara serem notificados oficialmente por algum superior ou pelo prprio general ou coronel,sobre a atuao que a Escola teve na mdia.Mas, naquele dia, ningum tocou no assunto.

    Ento, revelou-me que a ESA tem um Informativo do Exrcito INFORMEX, que umaespcie de rdio-telex diretamente ligado com um comando do Exrcito em Braslia. Todasas vezes que algum quartel de alguma unidade militar citada na imprensa, geralmentechega o informativo com instrues sobre o que ser dito para a tropa em funo do quefora anunciado sobre determinada unidade militar, amparada a uma instruo superior. Masnenhum INFORMEX foi transmitido tanto para as tropas, quanto para o corpo defuncionrios. E, quando isso ocorre, o alto comando daquela unidade o faz, porque o

    Exrcito uma entidade de prestgio extremamente ligada a comunidade, no podendo sercitada a bel-prazer de qualquer jornalista.

    Era de estranhar e muito tal silncio, principalmente porque se tratava da notcia sobre acaptura de uma criatura. Como no haver informao, se a Escola estava diretamenteenvolvida e aparecendo na televiso pelo Brasil todo? O prprio pessoal da ESA comeou adesconfiar, claro. Alguma coisa de errado pairava no ar, pois no era possvel umacontecimento desse e nenhum oficial noticiar coisa alguma. Nenhuma orientao houvenem meno na Ordem do Dia, nem nos dias subseqentes. Simplesmente no tocaram noassunto. Era a primeira vez na vida deste militar e na de muitos outros conhecidos dele,dentro da ESA, que a ocorrncia de um fato de repercusso mundial fizesse com que o

    Exrcito no emitisse nenhum comunicado esclarecedor.

    Outra revelao importante foi a existncia de uma unidade do Servio Secreto do Exrcitodentro das instalaes da ESA, os chamados S2. Funcionando em uma sala sempre fechada,a que pouqussimos tm acesso, porque esto diretamente comandados por Braslia.Quando algum deseja falar algo com quem se encontra dentro, tem que tocar umacampainha. Chega uma pessoa porta, fecha-a do lado de fora, e pergunta o que deseja.Desta forma ningum tem acesso ao interior da sala. O pessoal do Servio Secreto livredo uso da farda. Alguns, inclusive, usam barba, cabelos compridos. Tipos comuns para seinfiltrarem no meio da comunidade. Tm, inclusive, viaturas de uso civil.

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    Outro dado posto pelo militar nos d conta de que os S2 fazem um rodzio peridico de talforma, que difcil at mesmo para quem est servindo na ESA saber seus nomes, ou quem ou no do Servio Secreto. H quem desconfie, e s.

    No dia seguinte, quando liguei para o Ubirajara, anunciei:

    Misso cumprida! Pode me aguardar que estou levando novidades.

    Ao mostrar a fita do outro militar (na Tera-feira de carnaval, dia 20), o Luiz Petry aindano havia chegado.

    Minha Nossa Senhora! Exclamou Ubirajara, percebendo que eu estava mesmo envolvidona pesquisa e dividindo com ele todas as minhas descobertas que, sem dvida alguma,comeavam a esboar uma atividade bem sucedida no Sul de Minas. Mais haveria. Noentanto seria uma questo de tempo para que novas informaes viessem at minhas mos,

    embora as j possudas nos dessem um norte certo rumo verdade. E, compartilhando como Ubirajara esse ritmo intenso de atividades em que estvamos, ainda assim decidimosguardar esse material e ver depois, de comum acordo, o que seria possvel passar para oLuiz Petry.

    As atividades continuaram. Veio a Quarta-feira de Cinzas, dia 2 1, e grande era a nossaexpectativa da chegada da Rede Globo marcada para o dia seguinte, Quinta-feira, dia 22.Na casa de Ubirajara o telefone no parava de tocar. No havia acontecido o segundoprograma televisivo e os uflogos ou curiosos continuavam ligando. Tambm foi quandocomearam a surgir alguns relatos de OVNIS sobrevoando as cidades ao redor de Varginha,num raio de 150 quilmetros: Boa Esperana, Andrelndia, Alfenas, Fama, Trs Coraes,

    Cambuquira, Campanha, So Gonalo do Sapuca, Monsenhor Paulo, etc. Ao todo,apuramos mais de doze cidades. Pessoas nos davam informaes srias, outras brincavamde terem visto uma coisa estranha h um ms, h quarenta dias, na semana passada... Ah,aqueles telefonemas!

    Aps atender a uma das chamadas, Anglica, sempre agradvel, brincou que iria comear acobrar pelo servio de secretria, pois no havia mais sossego dentro de casa... E oUbirajara continuava me apresentando s pessoas, suas conhecidas, que telefonavamsempre falando de as pesquisas terem mais um impulso por causa da minha presena.

    Mas, entre aqueles tantos telefonemas recebidos, algum lembrou ter uma pessoa visto uma

    criatura em uma fazenda prxima a cidade de Alfenas, distante 80 quilmetros deVarginha. Anotamos o endereo e as informaes de como chegaramos l.

    Captulo 4

    A necessidade da certeza uma necessidade natural do homem, mas , ao mesmo tempo,um vcio intelectual.

    Sir Bertrand Russel

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    Quinta-feira, dia 22 de fevereiro, velo com ela a viatura daRede Globo, do Rio de Janeiro.Estavam o Luiz Petry, o Quito (operador de cmera, e que documentou o videoclipe TheyDon't Really Care About Us, gravado por Michael Jackson no morro Dona Marta), um

    auxiliar de cmera e o motorista.

    Pessoalmente no os conhecia. Ubirajara sim, pois estivera com eles no primeiro programadoFantstico. A um canto relembrei ao Ubirajara o meu receio sobre o sigilo absoluto emrelao s pessoas que me deram seus depoimentos, confiando na minha discrio. E ele foificando tenso, porque percebia a minha inteno de nada mostrar ao Petry. Preocupado,porque uma pessoa muito honrada, sabia que, se eu dissesse no, seria no. Era parte donosso acordo de parceria estabelecida no critrio de respeito mtuo. A negativa de um seriaa do outro. Havia apenas um dado a ser considerado: ele continuaria falando o que julgasseoportuno ainda a respeito do primeiro encontro deles e at onde eu no havia entrado napesquisa. No entanto, procuraramos informar ao Petry o que fosse possvel, mantendo as

    nossas fontes completamente fora de seu alcance.

    Fizemos uma reunio e contamos as novidades, quando ele nos pediu para ouvir as fitas dosdois militares. Relutei, numa explanao do perigo se a imprensa viesse a noticiar comofuro de reportagem tudo o que fora gravado. As testemunhas poderiam ser identificadas,recaindo enorme responsabilidade sobre mim. Eu no estava disposto a correr tanto risco.Petry aproveitou a oportunidade para relatar um pouco sobre a sua tica jornalstica. Aps,nos despedirmos nesse primeiro encontro, ele e a equipe foram para o hotel. noitejantaramos com eles, traando as normas do que seria gravado no dia seguinte.

    Como ficamos os dois em casa, tivemos uma conversa longa.

    Isso muito srio. E grave! Do primeiro Fantstico, em que tudo fora ao ar ainda cheio dereticncias porque no havia nenhum depoimento de militares ao de agora, com novasrevelaes, o passo que estamos dando no sentido de melhor esclarecer o caso pode por emperigo as nossas testemunhas.

    Est com medo?

    De certa forma, sim.

    Tambm estou, mas no h como deixar de dar a notcia. Voc, em algum momento,

    encontrou uma razo para no confiar em Petry?

    Nele, no. Mas voc sabe o que uma empresa jornalstica. H funcionrios para vriossetores. Quando uma pessoa destacada para fazer uma reportagem, por exemplo, elanunca vai sozinha. Sai a campo e retorna com uma srie de dados confidenciais ou no. Faza triagem dos fatos...

    E dai?

    Da, sinceramente, no tenho razo para desconfiar do Petry, pois a mim me pareceu serrealmente um profissional tico. Mas ele, por melhor que seja, apenas um funcionrio. E

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    se algum l de dentro, vier a fazer mau uso do que passarmos para ele? O prprio Petrytambm no iria ter controle. Se algum superior seu resolver transferi-lo para um outroprograma da Globo, ou mesmo que venha a perder o seu contrato de trabalho e for para

    outra empresa, o que seria feito das sobras, do que no pde ser divulgado naquelaoportunidade? Em que novas mos ficariam todo o documental? Os nossos depoentes quelevariam a pior. E o Petry no o dono da Rede Globo.

    Ubirajara concordou com o exposto. E comeamos a pensar sobre o que poderia serdivulgado nas transcries das fitas sem que fossem identificadas as testemunhas, e o queno poderia ser divulgado sob qualquer pretexto. Alm disso, fizemos o roteiro prvio dascenas e entrevistas que deveriam ser filmadas. Aquela noite foi longa, preocupante. Paramim, dormir no foi um verbo fcil de pronunciar madrugada adentro em Trs Coraes.

    Na sexta-feira, dia 23, pela manh, comearam as tomadas de cenas. Dos depoimentos,

    deixamos Petry ouvir as gravaes, entendendo serem muito importantes na histria daUfologia brasileira e. em sendo parte da histria, no nos cabia o privilgio de somente ans nos pertencer. No entanto requeria cuidados especiais na sua revelao. E o Petry foiextremamente correto, ouvindo as gravaes completamente surpreso, mas concordandoque muitos dos trechos revelaria quem era a parte informante, se divulgado na ntegra.Decidiu-se, ento, usar trechos de pequenas falas, algumas operadas por vozeletronicamente distorcidas.

    E viajamos para Alfenas procura do Antnio Cndido de Morais (Toninho), que avistarauma criatura numa fazenda. Fizemos algumas tomadas que foram, inclusive, aproveitadasno programa levado ao ar no domingo, dia 25, porque * Petry desejava adiantar seu

    trabalho de filmagens. Chegamos casa do Toninho * no o localizamos, porque estavatrabalhando como jardineiro na Associao Atltica Banco do Brasil AABB de Alfenas,distante oito quilmetros da rea urbana, s margens de pequena estrada de terra.

    Colhidos os depoimentos de algumas pessoas, houve certa polmica na ocasio, porqueuma delas, dizendo conhecer o Toninho um senhor que aparece no segundo Fantstico, epretendendo mostrar-se ntimo, se prendeu em informes tolos sobre ele. Um pormenorirrelevante ao mencionar ser "um rapaz muito bom, conheo ele h muitos anos. umrapaz que no bebe, no fuma. , por bem dizer, um rapaz perfeito". Acontece que oToninho, ao dar a entrevista para ns, estava fumando. Ficou, desta forma, essa contradioque apareceu no Fantstico. Irrelevante, mas, assim mesmo, seria de bom grado

    explicarmos. No entanto, o que desejvamos mesmo era o depoimento dessa testemunhaafirmando o que vira: uma coisa simplesmente incrvel . E nos contou que, de manh cedo,montou na bicicleta e foi para a AABB pela estrada de terra com pastos nas laterais dascercas, eucaliptos, rvores e gados. Ainda na metade do percurso encontrou-se com umaestranhssima criatura Parou de pedalar, freou e passou a contemplar o que pensava ser ummacaco; depois um tamandu. E, pela descrio pormenorizada percebemos que se tratavade outra criatura inclusive j catalogada na tipologia de seres extraterrestres no Brasil.

    Tal criatura j foi vista tanto no Brasil como na Europa. Conta o Toninho ser ela dotamanho de um homem de estatura mediana, alm do corpo todo de plo escuro. Avistou-aa vinte e cinco metros de distncia. Estava prxima de um vale de eucaliptos, ao seu lado

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    direito na direo que a para a AABB. Do lado esquerdo havia uma cerca delimitando umpasto e que, na noite anterior do avistamento, houvera um estouro da boiada, a ponto de ogado arrebentar alguns moures da cerca, espalhando-se em correria desenfreada.

    Embora eu tenha certa noo sobre fazenda e procedimentos do gado de corte, ou mesmo seno o tivesse, no deixa de ser por demais estranho faze-lo sair da costumeira ruminana confusa galopada num sem rumo a ponto, inclusive, de arrebentar cercas de arame farpado.Houve, portanto, uma razo ou algo aterrorizante para os animais assim se portarem. Ocapataz desta fazenda (aquele que no sabia de o Toninho ser fumante), nos levou para vera cerca ao lado de uma estrada de terra, onde o gado normalmente, com sua mansido, esthabituado a passagens de carros, transeuntes a p ou de bicicletas. Ou seja, aquele gado estacostumado com a presena do homem em sua rotina de pastagem. Nem mesmo oscachorros dali seriam capazes de afugent-los, pois sabem dos animais serem grandes paraeles. Mas quando o Toninho se referiu criatura, o local onde ele a vira fora exatamente na

    frente do pasto, s que do lado direito. E "aquela coisa" ficara a uns vinte e cinco metros dedistncia, prximo dos eucaliptos, olhando fixamente para ele, parado na estrada junto bicicleta. A cabea enorme, num formato oval, com dois olhos grandes, arregalados.

    Fiquei de cabelo arrepiado, tal o susto que eu levei! Disse para o Fantstico. E completou aentrevista falando de ter montado na bicicleta e sado a pedalar, olhando ainda para trs eavistando a criatura de olhar fixo nele, mas caminhando em direo mata de eucaliptos.

    Pensei na curiosidade de estarmos diante de depoimento o sobre uma criatura mui toconhecida pelos uflogos brasileiros e, no, aquela de que estvamos cata, que era a deVarginha. O Luiz Petry, muito prudente, achou por bem no soltar essa informao, se o

    programa estava direcionado para o caso da criatura de Varginha. Se fosse mencionadaesta outra, iria confundir as pessoas ou pouqussimas conseguiriam assimilar as diferenasquando, para a maioria, estaria parecendo mais uma fico cientfica.

    Retornamos a Varginha na hora do almoo e fomos procurar o pedreiro Henrique Jos deSouza que, na manh do dia 20 de janeiro, lajeando uma casa em construo, viujuntamente com seus companheiros de obra a viatura do Corpo de Bombeiros no local daprimeira captura, mais alguns curiosos se agrupando na rua.

    O que voc viu? Perguntei.

    O Corpo de Bombeiros, que parou na ruae foi at onde tinha gente apontando o barrancopor onde desceu uma coisa diferente.

    Eles viram pegar essa coisa?

    Eles viram.

    Fiquei sabendo depois que, por duas vezes, o Henrique foi intimado pela polcia a guardarsilncio.

    Durante o almoo repassamos o planejamento.

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    Tnhamos recebido uma informao, por intermdio de um amigo de um fazendeiro deVarginha, conhecido de Ubirajara, que um capataz dele havia visto uma nave. Achamos por

    bem ir colher as informaes. A fazenda fica localizada no caminho entre Varginha e TrsCoraes, na mesma estrada que eu percorria todos os dias, ida e volta e aproximadamentea dez quilmetros saindo de Varginha.

    Nosso contatado era o senhor Eurico de Freitas e sua esposa Oralina Augusta. E o que noscontou foi de suma importncia no Incidente em Varginha.To importante que entrou nasgravaes do Fantstico, embora em cenas curtas, dilogos rpidos e nada muitoconclusivo, porque em televiso um minuto que seja vale ouro. Mas, para ns, de valorinestimvel.

    Ali, retornei vrias vezes no s para apresentar outros uflogos a eles, como para levar

    outros profissionais de jornais, revistas, alm de canais de televiso, inclusive ospesquisadores estrangeiros que comeavam a dar um sentido internacional ao episdio deVarginha.

    Eurico nos contou que, na madrugada do dia 20 de janeiro, ou seja, na noite de Sexta-feirapara Sbado 1h14 (e aqui bom abrirmos um parntesis para recordar que naquelemesmo 20 de janeiro o Corpo de Bombeiros j havia capturado uma criatura s 10h30 e queas meninas avistaram a outra, no mesmo dia 20 de janeiro, s 15h30!), acordou num sustodevido a um grande alvoroo e olhou no rdio-relgio digital sobre o criado-mudo ao ladoda cabeceira da cama. Era o gado, num galope desordenado em meio a mugidos e barulhos.E comentou com Oralina, acordando de sobressalto:

    Tem gente roubando o gado. Vou l ver!

    Como a casa onde moram fica defronte desse pasto que se alonga at acima do morro, poronde passa a estrada principal Varginha Trs Coraes deixou o quarto indo at sala.Abriu a janela para ver o acontecimento.

    Tinha um submarino voando em cima do pasto, Pacaccini! Disse olhando em meus olhos.

    Submarino? Confessei incredulidade.

    , sim. Um submarino mais ou menos do tamanho de um micronibus, e de pontasarredondadas, tendo na parte de cima um caroo.

    Uma cpula?

    . Mas no deu pra eu ver bem o cocuruto dele.

    Oralina, ao perceber que o marido estava debruado na janela da sala, tambm foi ver. Econfirmou comigo:

    Era um charuto voando em cima do pasto!

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    Provavelmente no identificou o cocuruto, a cpula, a parte convexa em cima do aparelho.

    O submarino voava a mais ou menos uns quatro metros do pasto, e numa lentido de fazergosto. Parecia at quase parado. No fazia barulho e no tinha luz brilhando em lugarnenhum. Ia somente soltando fumaa nele todo. E foi indo, foi indo. Levou tempo at sumirl em cima, por detrs do morro.

    E quanto tempo durou este avistamento de vocs?

    De meia hora pra mais. Ficamos de olhar grudado nele porque a gente nunca tinha vistouma coisa assim, das mais esquisitas.

    E vocs, acreditam em disco voador?

    J ouvimos falar, mas a gente no cr nessas coisas, no.

    Impressionado com o que avistava quis sair de casa, ir para fora, a ver mais de perto.Oralina no deixou, por medo. Ficaram apenas observando. Avistaram o objeto e oscontornos porque a noite estava clara.

    Era de cor cinza confirmou Oralina. E na rabeira tinha a fumaa, com uma coisa semexendo igual fosse um pano esfarrapado assim, soltando pelinho e balanando no ventotentava explicar sua maneira.

    Entendemos ter sido alguma pea ou elemento da nave com aquela funo ou, do contrrio,sofrendo avaria. Inclusive, Eurico nos citou outro exemplo:

    Sabe, quando voc pega um pedao de pau e pe fogo nele e sai correndo pra ver asfaisquinhas voando? Era isso, mas o fogo no era de cor. E tinha fumaa nele!E depois?

    Depois ele sumiu por detrs daquele morro e apontou-o. Somente no claro do dia queOralina e eu fomos juntar o gado, no dando falta de nenhum deles.

    Ubirajara, Luiz Petry e eu ficamos boquiabertos porque essa nave, muito prxima do cho,

    avistada por mais de trinta minutos e numa enorme lentido, era acontecimento rarssimode se ver. O assunto entrou no programa.

    Considerando o Sul de Minas uma regio muito fria, comum a neblina. Se a nave soltavafumaa, tambm poderia estar se camuflando em nuvens de vapor. Das duas possibilidades,uma: ou ela gerava a prpria fumaa no sentido de despistamento, ou estava com defeito.No emitindo rudo, no expelindo cheiro, no possuindo luzes acesas e voando muitobaixo sobre o pasto, talvez fosse um objeto apropriado para esse tipo de misso, fazendoum levantamento do solo ou de locais para desovar algum tipo de criatura ou mesmo paraexecutar qualquer tarefa especfica. E no meio rural, a possibilidade de algum avist-laseria muito remota, com uma camuflagem perfeita nas madrugadas embrumadas.

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    A outra possibilidade tambm no podamos descartar: a de que a nave estivesse comdefeito. Quem sabe se, voando na lentido como fora avistada, procurasse um local para o

    pouso, certos os seus tripulantes de que o aparelho no flutuaria por muito tempo? E afumaa, no seria parte do defeito?

    O que parecia ser um submarino, no poderia ser alguma parte danificada do objeto,desprendendo-se de um todo que no fora visto?

    No saberamos dizer o certo, mas estava fcil refletir sobre o bvio.

    No entanto, essa segunda possibilidade, at aquele momento no a considervamosrelevante. Dai, no darmos caso a princpio. Nosso raciocnio pendia mais para a primeirahiptese: a de a nave estar fazendo coletas de espcimes vegetais, animais, minerais, enfim,

    algum elemento do solo. Talvez at insetos, minhocas ou coisa que o valha. Aspossibilidades eram amplas. Ou, ainda, a das criaturas (a capturada pelos bombeiros e a quefora avistada pelas meninas) fossem ali deixadas com o propsito de desenvolverem algumtipo de misso que no deu certo, e que elas possam ter sido infectadas por alguma bactriaou protozorio ou mesmo algum tipo de vrus da nossa atmosfera, no existente de ondevieram e, por causa disso, terem adoecido porque em momento algum, tanto a criaturacapturada como a que estivera em posio agachada e testemunhada pelas meninas,mostraram qualquer reao de defesa ou agresso.

    Estvamos com a primeira hiptese, mas era necessrio nos orientar no sentido de melhortrabalharmos na conduo do que investigvamos. E, a princpio, nada fazia o menor

    sentido para ns. Por que seres de outros planetas viriam aqui para se deixarem capturar tofacilmente?

    Apesar dessa indagao, estvamos plenamente conscientes de que a nossa lgica poderiano se aplicar ao fenmeno.

    Mas, se traarmos num mapa uma linha reta a partir do ponto da fazenda onde moramEurico e Oralina, veremos que numa distncia de dois a dois e meio quilmetros estamesma linha vai encontrar-se com uma floresta e, mais a uns dois quilmetros frente, amata que separa o bairro Jardim Andere do Bairro Santana.

    Uma outra interrogao que vinha sempre minha mente, a ponto de ser questionada com omeu parceiro nos dias que antecederam o segundo Fantstico, foi sobre a possibilidade paramim bvia de algum, em algum momento, e em algum lugar, haver filmado oufotografado pelo menos uma das criaturas. Nada e coisa alguma me demoviam destahiptese. Afinal, aos cuidados dos militares, tendo tido o envolvimento do Corpo deBombeiros, da PM, do Exrcito, com entrada e sada por dois hospitais e, l dentro,contando com a ajuda de mdicos e enfermeiros, ser que ningum, mas ningum mesmo,no se lembrou, em momento algum, de fotografar ou filmar? Nenhum S2 da ESA, porexemplo? Ser?

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    Constantemente a pensar sobre isso, ocorreu-me a idia da necessidade de obter informaocorreta, a despeito dos boatos.

    Meu raciocnio se prendia possibilidade de na ESA haver algum departamento ou setorque cuidasse desse particular. Devia haver sim, tal departamento ou setor, onde algunsmilitares estariam encarregados de cuidar de um laboratrio responsvel por fotos e vdeosregistrando treinamentos de tropas no Pico do Gavio para estudos posteriores, em futurasinstrues; filmar equipamentos blicos, desfiles, solenidades, etc.

    E porque esse meu raciocnio estava a inquietar-me, restava a mim procurar saber, meinformar sobre quem ou quais pessoas estariam encarregadas deste mister dentro da ESA.

    Questionei cansativamente este assunto com o Ubirajara, deixando-o a par de meu interesseem recorrer a um dos meus informantes para me ajudarem nesta procura, presumindo que

    os dois militares j depoentes de nada sabiam sobre vdeos e fotografias, pois certamenteteriam revelado.

    Na mesma sexta-feira, dia 23, quando retornvamos de Alfenas, aps nosso encontro com oAntnio Cndido de Morais - Toninho, jardineiro da AABB, e com o casal Eurico eOralina, j prximos de Varginha disse ao Ubirajara e ao Petry da minha necessidade de ira Trs Coraes. Em Varginha eles ficariam traando o roteiro das filmagens a serem feitasno dia seguinte, sbado, com a nossa participao: Ubirajara e eu.

    Anoitecia quando, em casa de minha me e aps ter dado alguns telefonemas, recebi umchamado de "Bruno", meu amigo, anunciando ter descoberto uma pessoa conhecida de uma

    outra que possua trfego autorizado dentro do setor de udio e vdeo na ESA. Suspireifundo, acometido de grande euforia e, ao mesmo tempo, inquietante preocupao em meuntimo porque a "pessoa conhecida mencionada por meu amigo no era minhaconhecida.

    Pode me apresentar a ela? Perguntei.

    Sem problema. E recomendou: Voc tem de se mostrar interessado em querer fazer umafilmagem qualquer, porque foi isso o que eu disse a ele. Nem que seja para uma festa emcomemorao ao aniversrio de algum ou coisa assim.

    Concordei.

    Aguarde em casa que eu vou tentar falar com o meu amigo ainda agora. Talvez ele mesmoligue para vocs combinarem um encontro.

    Agradeci num entusiasmo indescritvel. Restava aguardar. Assim, cada minuto passou a sertempo demais no relgio da sala, tornando-se uma insuportvel espera longa, aflitiva,angustiosa. Procurei inventar o que fazer, mas estava impossvel concentrar-me emqualquer outra atividade seno a de quietar-me no sof da sala imaginando vos longos nomeu pensamento em risco de nuvem pelo azul do cu entardecendo no quadro da janela.

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    Contatei o parceiro, passando-lhe a novidade. Que ambos, ele e Petry ficassem em alerta,porque a qualquer momento, conforme fosse o meu encontro com o militar, e se tudocorresse de maneira favorvel ao nosso intento, ligaria a qualquer hora para que ambos

    pudessem ouvir mais um depoimento de nova testemunha.

    No tardou e quem me ligava era a terceira pessoa, amiga do meu amigo. Apresentou-seoferecendo a ir comigo ao encontro de um amigo dele, militar, que alm de fazercostumeiros trabalhos de filmagens para a ESA, tambm se prestava a filmar festas decasamentos e aniversrios.

    Marcamos para as 20h o nosso encontro. Ns nos apresentamos e partimos procura domilitar em sua residncia. No o encontrando, preferimos aguardar um pouco ali por perto.Demos umas voltas de carro e paramos num bar prximo a residncia dele. s 2 1 hvoltamos sua casa e o encontramos. Apresentei-me e expus-lhe minha inteno de gravar

    um vdeo de aniversrio. Muito solcito, convidou-nos a entrar. Na sala a nossa conversa serestringiu a tempo e preos de filmagens. Sbito, ergueu-se a nos convidar para irmos atum quarto onde estavam algumas fitas de vdeos, lbuns de fotografias, a filmadora e umaaparelhagem de mixagem um tanto rudimentar,mas satisfatria. Ao nos mostrar um poucodo seu trabalho percebi nele um certo orgulho pelo que possua. Perguntei-lhe se desejavatomar uma cerveja, pois havia deixado algumas latas geladas no carro e temia que elas seesquentassem. Concordou e fui at o carro busc-las.

    Passou um vdeo de formatura de militares dentro da ESA e outros, de passeios pela cidadee campo. Ao olhar o relgio eram quase 23h. Ansioso por abordar o assunto que me levaraa procur-lo, inquietava-me a idia de, no domingo prximo, o programa Fantstico ir ao ar

    com a minha imagem e, certamente prevendo que ambos iriam verme com absolutasurpresa, mais que nunca precisava confessar a minha razo de estar ali. Mas, at aqueleinstante no encontrava meios de entrar no assunto diretamente. Ao findar a passagem deum vdeo com imagens comuns da cidade de Trs Coraes, comentei com displicncia;

    Pois , gravar um vdeo muito bom. Pena de ningum ter estado com uma filmadora namo quando apareceu a tal criatura em Varginha, heim? Assim j teriam acabado com todaessa polmica.

    Concordaram comigo, comentando entre eles a veracidade ou no da criatura.

    Se fosse verdade, voc que cuida dos vdeos na ESA teria tomado conhecimento. E comono o chamaram porque no houve nada para ser filmado disse ao militar na tentativa deque ele nos dissesse o que sabia.

    A verdade no bem assim comentou, terminando de beber a cerveja. Se realmenteaconteceu de ter tido algum ET por l, no ia ser eu a filmar, porque ningum ia ficarsabendo de nada.

    No? Interroguei.

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    De jeito nenhum. Ficaria nas mos do servio secreto e de altas patentes. Eles que iriamfilmar e fotografar tudo com os equipamentos de uso deles. No iriam chamar um setorcomum igual ao nosso, porque o quartel inteiro ficaria sabendo. Mas sabe o que eu acho

    disso tudo?

    No, no sei.

    Esse negcio uma grande boataria. Inveno de algum dodo.

    Aproveitei a deixa e, alegando o avanado das horas, alm do trmino das cervejas, sugerium encontro num outro dia. Despedimo-nos e conduzi quem estava em minha companhiaat onde nos encontramos.

    Ao ficar sozinho no carro, de retorno casa de minha me, imaginei a surpresa que teriam

    eles dois quando me vissem domingo, no Fantstico. Mas foi muito pouco o imaginado.Soube, tempos depois que, naquele domingo, o militar apareceu bbado, aps a exibio doFantstico, na casa do conhecido de meu amigo xingando com todos os possveis einimaginveis palavres o uflogo... que fora casa dele.

    Antes de guardar o carro ainda fiquei parado um pouco defronte garagem. Conclui sernecessrio procurar o primeiro militar j entrevistado por mim. Julguei encontr-lo em casaquela hora, mesmo sendo noite de Sexta-feira e fosse ele solteiro. Como reside afastado deonde eu estava, ainda assim resolvi arriscar.

    A casa estava toda no escuro. Bati na porta algumas vezes chamando por ele. Quase a

    desistir, percebi a janela se abrindo e era ele um tanto desconfiado e sem acender luzalguma. Sorriu ao perceber que era eu.

    Vim avis-lo de que a gravao que fizemos com voc, vou us-la noFantstico!

    O qu? Assustou-se.

    Calma. Calma! Tranqilizei-o. Vou usar somente alguns pequenos trechos e assimmesmo alterando a sua voz. Ningum saber que voc.

    Nossa Senhora, que susto, homem! Confessou aliviado.

    Mas agora preciso de sua ajuda novamente.

    O que ?

    Dei a minha palavra de no revelar quem voc e vou cumprir sempre. Acontece que tenhoum parceiro de total