Índice de sintomas de ler/dort em profissionais cabeleireiros de

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  • Revista CEPPG - CESUC - Centro de Ensino Superior de Catalo, Ano XVI n 29, 2 Semestre/201372

    NDICE DE SINTOMAS DE LER/DORT EMPROFISSIONAIS CABELEIREIROS DE

    CATALO-GO: pesquisa de campo

    Ana Paula Cardoso Correia1

    Humberto de Sousa Fontoura2

    ResumoA grande exposio a posturas inadequadas podem aumentar a incidnciade LER/DORT ou potencializar seus sintomas. Profissionais cabeleireirosesto entre o grupo de risco para tal disfuno, j que adotam posturasforadas e viciosas e movimentos repetitivos para exercerem suas atividadeprofissionais. O objetivo deste estudo foi verificar a incidncia dos sintomasde LER/DORT em profissionais cabeleireiros da cidade de Catalo-Goisno perodo entre 2 de setembro a 5 de outubro de 2013. Mediante uso deum questionrio, coletou-se resultados em diversos sales da cidade. Osresultados demonstraram um elevado ndice de sintomas de LER/DORTentre os profissionais analisados, sendo que, nos dias de maior intensidadede trabalho verificou-se elevao significativa da dor. Apesar de este estudoter um carter de investigao preliminar, uma vez que se faz necessriaa coleta e anlise de um nmero maior de amostra para que se tenha umamaior representatividade entre os profissionais da cidade, este artigo servede alerta sobre o potencial de ndices de sintomatologia de doenasrelacionadas ao trabalho o que mostra a importncia de implementao defatores preventivos.

    Palavras-chave: LER/DORT, sintomas, cabeleireiros, dor.

    1. Introduo

    Os profissionais cabeleireiros trabalham em horrios irregulares, emposturas inadequadas por grande perodo, realizando frequentementeatividades estticas com membros superiores (MMSS) e membros inferiores

    1 Graduanda em Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalo CESUC;2 Fisioterapeuta, Especialista em Acupuntura, Mestre em Fisioterapia, Doutor em Cinciasda Sade, Coordenador e Professor do Curso de Fisioterapia da Faculdade de EnsinoSuperior de Catalo CESUC e Professor do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadualde Gois UEG.

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    (MMII), alm de ficarem expostos a elevadas temperaturas por seusequipamentos de trabalho (MINISTRIO DO TRABALHO E EMPREGO,2007).

    Por passar muito tempo em p e realizando movimentos comintensa repetitividade pode adquirir a sndrome de origem ocupacional, que caracterizada por dores nos MMSS, definida pelo Ministrio dePrevidncia e Assistncia Social como Leses por Esforos Repetitivos(LER).

    Em 1997 foi realizadaa reviso dessa norma e foi introduzido onome de Distrbio Osteomuscular Relacionados ao Trabalho (DORT) comobjetivo de abranger outros distrbios e simplificar a anamnese emrelatrios de patologias para profissionais da sade (MINISTRIO DAPREVIDNCIA E ASSISTNCIA SOCIAL, 2002).

    As LER/DORT so leses que podem acometer o sistemaosteomioarticular e ainda qualquer sistema do organismo que tenha relaocom a atividade exercida e o uso inadequado dessas estruturas (PORTO;FILHO, 2003).

    Nos ltimos anos as LER/DORT apresentaram um grandeaumento, e chega a ser considerada como uma epidemia, o quecontrariou a expectativa da dcada de 80 quando pensava que o avanotecnolgico diminuiria o impacto na sade dos trabalhadores (SETTIMIet al.; 2001).

    Com isso, a expectativa que cresa ainda mais, j que a naturezado trabalho produtivo, tendo em vista somente a produo e no otrabalhador, mesmo com normas de regularizao ainda continua sendorealizado sem grandes mudanas, mantendo a proposta de trabalho deproduo taylorizada e com aumento de tarefas, gerados pelacompetitividade de empresas e maior carga horaria de trabalho (MERLO;LAPIS, 2007).

    Sendo assim essas irregularidades geram um risco de naturezaergonmica, que so gerados principalmente por posturas incorretas que otrabalhador aplica durante a jornada de trabalho para melhorar odesenvolvimento de sua atividade, devido cargas intensas ou a nopercepo de padres ergonmicos e ainda equipamento indevidos para aatuao no posto de trabalho (DAER; RIBEIRO, 2009).

    O principal sintoma das LER/DORT a dor, podendo ser associadaa formigamento, sensao de peso, desconforto que dificultam a realizaodo trabalho (MARTINS; ASSUNO, 2002; BRASIL, 2001).

    ndice de sintomas de ler/dort em profissionais cabeleireiros de Catalo-GO: pesquisa de campo Ana Paula C. Correia e Humberto de Sousa Fontoura

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    No princpio a dor leve, instvel e surge com a realizao demovimentos, podendo se difundir em virtude de varias leses levestornando-se com o tempo em dores continuas (ROSSI, 2008).

    Com tudo, a dor no algo que deve ser analisada somente no pontofisiolgico, ela envolve um conceito amplo, e expressa de acordo com apercepo do individuo. Cada um sente de sua forma, a dor no umasensao simples, algo sensorial, desagradvel e de fator emocional, tendoem vista que a ausncia de leses ou danos no justifica que a dor sejamenos severa ou no real, pois algo individual. (MOON; FALTER, 1996).

    O presente estudo tem como objetivo trazer resultados de umapesquisa quantitativa sobre o ndice de sintomas de LER/DORT emcabeleireiros da cidade de Catalo em Gois; tendo em vista a poucainvestigao ergonmica em sales e a ausncia de trabalhos de prevenocom esses profissionais.

    2. Materiais e Mtodos

    O presente estudo do tipo exploratrio, de campo e comabordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada com alguns profissionaiscabeleireiros da cidade de Catalo em Gois.

    Para realizar a coleta de dados, foi utilizado um questionriobaseado no estudo de Medeiros e Medeiros (2012), o questionriocom 11questes,todas fechadas, de mltipla escolha referente ao perfil profissionaldos participantes e de sintomatologia de Leses por Esforo Repetitivo(LER).

    O questionrio (ANEXO) foi autoaplicvel, com leitura prvia eesclarecimento de duvidas antes de responderem.

    Foi realizado com 30 profissionais, sendo que somente 16responderam.

    O publico estudado foi de ambos os sexos, com prevalncia dosexo feminino.

    O tempo de experincia profissional de todos foi superior a 3 anos.O acesso ao publico foi fcil, porm uma grande parte de

    proprietrios de sales no autorizou a aplicao de questionrios com seusfuncionrios, mesmo aps descrio e informaes sobre a pesquisa.

    Os dados obtidos foram computadorizados e analisados com baseno enfoque do mtodo quantitativo e discutidos com artigos similares aotema.

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    3. Resultado e Discusso

    Com relao a populao estudada obteve-se uma mdia de idadede 36 anos, idade que se considera uma fase de grande produtividade, deacordo com Brasil(2001), as LER / DORT podem atingir o trabalhador nasua fase mais produtiva e gera afastamento precoce de seu trabalho e atmesmo de suas atividades de vida diria.

    Quanto ao gnero foi de maioria feminina (figura 1), sendo quemulheres tem maior pr-disposio a tais doenas, como afirma Couto et.al (2000), as mulheres so mais acometidas por LER/DORT, porquepossuem menos de fora muscular pois tem um menor nmero de fibrasmusculares e menos capacidade de armazenar energia. Alm disso, elasem sua grande maioria realizam alm dos servios externos ainda realizamservios domsticos, o que propicia sintomatologia de tais doenas.

    Figura 1 Classificao quanto ao gnero e escolaridade

    O resultado desta pesquisa demonstra nvel de escolaridadesemelhante ao apresentado por Medeiros e Medeiros (2012), o estudorealizado com profissionais cabeleireiros tambm constatou que a maioriapossuem segundo grau completo e nenhum analfabeto.

    O tempo de profisso (figura 2) foi em sua grande maioria acimade 8 anos, esses dados assemelham-se aos dados obtidos por Mussi (2005),que identificou em cabeleireiras um tempo de trabalho de mais de 5 anosde atividade foram os que mais referiam sintomas para LER/DORT pelaprpria organizao de trabalho, a qual lhe proporciona maiores fatoresde risco.

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  • Revista CEPPG - CESUC - Centro de Ensino Superior de Catalo, Ano XVI n 29, 2 Semestre/201376

    Figura 2 Tempo de profisso dos cabeleireiros

    Com relao a carga horria, os resultados demonstram que amaioria desses profissionais trabalham de 8 a 10 horas por dia, e algunschegam a trabalhar mais de 10 horas, segundo uma pesquisa relacionada,Maemo et. al (2005), afirmamque a carga horaria influencia na apariode LER/DORT pois alm de continua movimentao, por maior tempo, asintomatologia pode estar vinculada ao fator emocional, estresse, depressoe cansao.

    Figura 3 Carga horria de trabalho dos cabeleireiros

    A postura predominante nessa pesquisa foi em p (figura 4) comelevao dos braos, tal postura gera desconforto de membros inferiores emembros superiores, sendo uma postura predominante na maioria do tempode seu trabalho.

    As mos e cotovelos devem permanecer abaixo do nvel dosombros, se tal postura for inevitvel, deve se ter um tempo limite edescansos regulares depois da realizao da mesma (DULL;WEERDMEESTER, 2000).

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  • Revista CEPPG - CESUC - Centro de Ensino Superior de Catalo, Ano XVI n 29, 2 Semestre/2013 77

    A permanncia na postura em p, esttica e com flexo do pescoopor longo tempo gera deformao do tecido conjuntivo e aumento dapresso intramuscular, que podem afetar o fluxo sangune