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EXCLUSO OU COMPLEMENTARIEDADE?

LEI DEIMPROBIDADE

ADMINISTRATIVAXLEI DA

FICHALIMPA

INELEGIBILIDADES:

Juiz de Direito Joo Luiz Ferraz de Oliveira Lima

DGCOM DIJUR / Edio n 10 2014

TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

PRESIDENTE Desembargadora Leila Mariano

CORREGEDOR-GERAL DA JUSTIA Desembargador Valmir de Oliveira Silva

1 VICE-PRESIDENTE Desembargadora Maria Ins da Penha Gaspar

2 VICE-PRESIDENTE Desembargador Sergio Lucio de Oliveira e Cruz

3 VICE-PRESIDENTE Desembargadora Nilza Bitar

COMISSO DE JURISPRUDNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (COJUR)Desembargador Cherubin Helcias Schwartz Junior - PresidenteDesembargadora Maria Sandra Rocha Kayat DireitoDesembargador Andr Emlio Ribeiro Von MelentovytchDesembargador Ronald dos Santos ValladaresJuiz Alvaro Henrique Teixeira de AlmeidaJuiz Paulo Cesar Vieira de Carvalho FilhoJuza Maria Isabel Paes GonalvesJuza Daniela Brando FerreiraJuiz Joo Luiz Amorim FrancoJuiz Marcius da Costa FerreiraJuza Denise Nicoll SimesJuiz Jos de Arimatia Beserra MacedoJuza Ane Cristine Scheele Santos

DIRETORIA-GERAL DE COMUNICAO E DE DIFUSO DO CONHECIMENTO (DGCOM)

DEPARTAMENTO DE GESTO E DISSEMINAO DO CONHECIMENTO (DECCO)Marcus Vinicius Domingues Gomes

DIVISO DE GESTO DE ACERVOS JURISPRUDENCIAIS (DIJUR) Mnica Tayah Goldemberg

PESQUISA DE JURISPRUDNCIA Djenane Soares Fontes Ligia IglesiasRicardo Vieira Lima

Poucos ramos do Direito possuem a dinmica e as peculiaridades do Direito Eleitoral. Como se sabe, ele o ramo autnomo do Direito Pblico encarregado de re-gulamentar os direitos polticos dos cidados e o processo eleitoral, com vistas a assegurar a organizao e o exer-ccio de direitos polticos, sobretudo os de votar e de ser votado (art. 1 do Cdigo Eleitoral Lei n 4.737/1965).

sabido tambm que, na contemporaneidade, h uma grave crise de representatividade poltica, testemu-nhada por meio de inmeras manifestaes ocorridas em vrios estados brasileiros, desde junho do ano passado. Essa crise torna-se visvel na descrena e desqualificao do parlamento, dos partidos e dos polticos.

Da a importncia de se refletir sobre temas que sejam relevantes para o cidado e eleitor brasileiro. Em sintonia com essa premissa, esta nova edio da Revista Jurdica traz um oportuno artigo do Juiz de Direito Joo Luiz Ferraz de Oliveira Lima, mestre pela Universidade de Lisboa com dissertao sobre a crise da representati-vidade e legitimidade do Poder Legislativo brasileiro. O texto aborda um tema bastante atual: a inelegibilidade, em face da questo da Lei da Improbidade Administrativa em tempos de eleio, e da questo da Lei da Ficha Limpa. Analisa com profundidade ambas as legislaes e enfrenta a polmica sobre a excluso ou complementariedade exis-tente entre as mesmas.

Como de praxe, ao final do artigo, foram inseridos, pela equipe de jurisprudncia do TJERJ, diversos julgados do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Elei-toral e de alguns Tribunais Regionais Eleitorais brasileiros.

Cherubin Helcias Schwartz JuniorPresidente da Comisso de Jurisprudncia

Novembro/2014

EDITORIAL

SUMRIO

Artigo Jurdico

Inelegibilidades: Lei da Ficha Limpa X Lei de Improbidade Administrativa. Excluso ou Complementariedade?

1. Introduo ..............................................................................................................5

2. A Lei de Improbidade Administrativa ................................................................9

3. A Lei da Ficha Limpa ......................................................................................... 17

4. O Papel Complementar da Lei da Ficha Limpa sobre a Lei de Improbidade Administrativa ................................................................ 21

5. Concluso ............................................................................................................ 27

Jurisprudncia

Supremo Tribunal Federal ....................................................................................29

Tribunal Superior Eleitoral ...................................................................................43

Tribunal Regional Eleitoral

1. TRE - Rio de Janeiro ........................................................................................ 63

2. TRE - Distrito Federal ..................................................................................... 73

3. TRE - Esprito Santo ........................................................................................ 81

4. TRE - Minas Gerais ......................................................................................... 89

5. TRE - Rio Grande do Sul ................................................................................ 95

6. TRE - Santa Catarina ..................................................................................... 105

7. TRE - So Paulo .............................................................................................. 113

Revista JuRdica edio n 10 5

InelegIbIlIdades: leI da FIcha lImpa X leI de ImprobIdade admInIstratIva. eXcluso ou complementarIedade?

Introduo1.

Tema sempre atual e dilema permanente da democracia moderna diz respeito representatividade dos agentes polticos eleitos pelo voto popular livre1. A percepo de uma crise na representao, da falta de representatividade dos governantes eleitos, est no ar e traz consigo inquietao social.

Na Europa em crise econmica as conquistas do Estado Social so colocadas prova e mesmo governos de esquerda adotam medidas at h pouco tempo reservadas aos partidos de direita. A aproximao dos discursos e das prticas da direita e da esquerda, alm da falta de resultados considerados proveitosos no campo social de ambos os lados, tm tido como consequncia um aumento do descrdito da classe poltica e uma tendncia ao crescimento de movimentos extremistas2.

1 Esse foi, alis, o tema abordado em minha dissertao de mestrado na Universidade de Lisboa, defendida em 2012, sob o ttulo Consideraes sobre a crise de representatividade e de legitimidade do Poder Legislativo no Brasil.

2 Sobre semelhanas entre direitas e esquerdas, v. Bobbio, Norberto. Di-reita e esquerda: razes e significados de uma distino poltica. 2 ed. So Paulo: Editora Unesp, 1995 (traduo de Marco Aurlio Nogueira). Sobre a crise de representatividade na Europa, v. Duverger, Maurice. As modernas tecnodemocracias: poder econmico e poder poltico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975 (traduo de Max da Costa Santos).

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Juiz de direito Joo Luiz Ferraz de oLiveira Lima

Revista JuRdica edio n 10

Nos Estados Unidos, para alm do crescimento das desigualdades sociais, a enorme fora do poder econmico e sua interveno na poltica tm sido um grande indutor do descrdito da populao nos representantes eleitos3.

No Brasil, a crise de representatividade historicamente permanente. E alguns resumidos exemplos corroboram a afirmao.

D. Pedro I, e.g., durante a votao da primeira Constituio brasileira, dissolveu a Assembleia Constituinte regularmente eleita, por discordar dos rumos liberais tomados, com tendncia ao esvaziamento de seu poder absoluto e ao protagonismo do Legislativo. Acabou por outorgar a Carta de 1824.

Por sua vez, o Segundo Reinado e a Primeira Repblica tiveram por marca as famosas eleies a bico de pena e as degolas a manipularem o resultado das urnas, de forma a alar ao poder apenas aqueles que fossem convenientes, na ocasio, a uma pequena elite4.

E embora, pouco a pouco, desde ento, o processo eleitoral tenha sido moralizado, ainda hoje recai sobre a classe poltica uma imensa desconfiana e o descrdito da populao. Algo que foi externado nos movimentos que tomaram as ruas no ano de 2013.

Desconfiana e descrdito gerados, em grande parte, por um arraigado e histrico patrimonialismo com a figura do pblico e do privado a se confundirem , pela prtica do clientelismo e da troca de favores, pela corrupo eleitoral, dentre outros fatores, a gerarem prticas no republicanas de governo5. O que, em ltima anlise, nos dias atuais, parece ser favorecido pelo desvirtuamento do presidencialismo de coalizo,

3 A propsito, vale a leitura das obras de Wolin, Sheldon S. Democracy incorporated: managed democra-cy and the specter of inverted totalitarianism. Princeton: Princeton University Press, 2008 (edio digital Kindle), e de Shapiro, Ian. The State of Democratic Theory. Princeton: Princeton University Press, 2003 (edio digital Kindle).

4 Preciosa, a esse respeito, a obra de Souza, Francisco Belisrio Soares de. O sistema eleitoral no Imprio. Braslia: Senado Federal, 1979.

5 Vale citar, como obras de referncia a respeito da presena dessas prticas nefastas na sociedade bra-sileira, as seguintes: Faoro, Raymundo. Os donos do poder: formao do patronato poltico brasileiro. 3 ed. So Paulo: Globo, 2001; Leal, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o municpio e o regime representativo no Brasil. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997; Comparato, Fbio Konder. Rumo justia. So Paulo: Saraiva, 2010.

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InelegIbIlIdades: leI da FIcha lImpa X leI de ImprobIdade admInIstratIva. eXcluso ou complementarIedade?

que, de uma prtica salutar voltada realizao de um programa de governo pela base poltica aliada, tornou-se a maneira de alimentar os usos antes referidos com a entrega de nacos do patrimnio pblico para serem dilapidados por agentes mal-intencionados, como se v diariamente no noticirio nacional6.

Clama-se, ento, por boas prticas polticas e administrativas que, quando so adotadas, contribuem para o aumen