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Info 503 STJ

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Informativo 503 STJ Mrcio Andr Lopes CavalcanteObs: no foram includos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevncia para concursos pblicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse conferi-los, os acrdos excludos foram os seguintes: REsp 1.319.171-SC; REsp 745.739-RJ; REsp 1.119.859PR; REsp 1.105.663-SP; REsp 1.003.359-RS; REsp 1.230.097-PR; AgRg no REsp 1.293.221-RS; HC 226.673-SP.

DIREITO ADMINISTRATIVOImprobidade administrativaSe a pessoa estiver sendo acusada de ter praticado atos de improbidade administrativa, poder ser decretada a indisponibilidade de seus bens. Para isso, dever ser provado o fumus boni iuris, ou seja, que h fortes indcios de que essa pessoa realmente praticou atos de improbidade. No necessrio, contudo, provar o periculum in mora, ou seja, que a pessoa est se desfazendo de seu patrimnio para evitar o ressarcimento. O requisito cautelar do periculum in mora est implcito, j que o bloqueio de bens visa a assegurar o integral ressarcimento do dano. Em outras palavras, a indisponibilidade de bens medida que, por fora do art. 37, 4 da Constituio, decorre automaticamente do ato de improbidade. Havendo fortes indcios de que a pessoa praticou o ato mprobo, dever ser decretada cautelarmente a indisponibilidade, ainda que o agente no esteja praticando qualquer ato para se desfazer de seu patrimnio. Comentrios Se a pessoa praticar um ato de improbidade administrativa estar sujeita s sanes previstas no 4 do art. 37 da CF/88, quais sejam: suspenso dos direitos polticos perda da funo pblica indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao errio. A Lei n. 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) regulamenta as consequncias no caso da prtica de atos de improbidade administrativa. A LIA traz, em seus arts. 9, 10 e 11, um rol exemplificativo de atos que caracterizam improbidade administrativa. Art. 9: atos de improbidade que importam enriquecimento ilcito do agente pblico Art. 10: atos de improbidade que causam prejuzo ao errio Art. 11: atos de improbidade que atentam contra princpios da administrao pblica Para garantir que a pessoa que praticou ato de improbidade responda pelas sanes do 4 do art. 37, da CF, os arts. 7 e 16 da Lei n. 8.492/92 preveem a possibilidade de ser decretada a indisponibilidade (art. 7) e o sequestro (art. 16) dos seus bens. Veja o que diz a Lei: www.dizerodireito.com.br

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Art. 7 Quando o ato de improbidade causar leso ao patrimnio pblico ou ensejar enriquecimento ilcito, caber autoridade administrativa responsvel pelo inqurito representar ao Ministrio Pblico, para a indisponibilidade dos bens do indiciado. Pargrafo nico. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recair sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acrscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilcito. Art. 16. Havendo fundados indcios de responsabilidade, a comisso representar ao Ministrio Pblico ou procuradoria do rgo para que requeira ao juzo competente a decretao do sequestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico. 1 O pedido de sequestro ser processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Cdigo de Processo Civil. 2 Quando for o caso, o pedido incluir a investigao, o exame e o bloqueio de bens, contas bancrias e aplicaes financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. Algumas perguntas relacionadas ao tema: 1) Quem decreta essa indisponibilidade? O juiz, a requerimento do Ministrio Pblico. A redao do art. 7 no muito clara, mas o que a lei quer dizer que a autoridade administrativa ir comunicar a suposta prtica de improbidade ao MP e este ir analisar as informaes recebidas e, com base em seu juzo, ir requerer (ou no) a indisponibilidade dos bens do suspeito ao juiz, antes ou durante o curso da ao principal (ao de improbidade). Em outras palavras, a indisponibilidade pode ser requerida como medida preparatria ou incidental. Quando o art. 7 fala em inqurito, est se referindo a inqurito administrativo, mas essa representao pode ocorrer tambm no bojo de um processo administrativo ou de um processo judicial. Alm disso, o MP poder requerer a indisponibilidade ainda que no tenha sido provocado por nenhuma autoridade administrativa, desde que, por algum outro modo, tenha tido notcia da suposta prtica do ato de improbidade (ex: reportagem divulgada em jornal). De qualquer forma, tome muito cuidado com a redao dos arts. 7 e 16 porque muitas vezes so cobrados na prova a sua mera transcrio, devendo este item ser assinalado, ento, como correto. 2) Essa indisponibilidade decretada em qualquer hiptese de ato de improbidade? NO. A indisponibilidade decretada apenas quando o ato de improbidade administrativa: a) causar leso ao patrimnio pblico; ou b) ensejar enriquecimento ilcito. Assim, s cabe a indisponibilidade nas hipteses do arts. 9 e 10 da LIA. No cabe a indisponibilidade no caso de prtica do art. 11. 3) A indisponibilidade pode ser decretada antes do recebimento da petio inicial da ao de improbidade? SIM. 4) Tendo sido instaurado procedimento administrativo para apurar a improbidade, conforme permite o art. 14 da LIA, a indisponibilidade dos bens pode ser decretada antes mesmo de encerrado esse procedimento? SIM.

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5) Essa indisponibilidade dos bens pode ser decretada sem ouvir o ru? SIM. admissvel a concesso de liminar inaudita altera pars para a decretao de indisponibilidade e sequestro de bens, visando assegurar o resultado til da tutela jurisdicional, qual seja, o ressarcimento ao Errio. Desse modo, o STJ entende que, ante sua natureza acautelatria, a medida de indisponibilidade de bens em ao de improbidade administrativa pode ser deferida nos autos da ao principal sem audincia da parte adversa e, portanto, antes da notificao para defesa prvia (art. 17, 7 da LIA). 6) Para que seja decretada a indisponibilidade dos bens da pessoa suspeita de ter praticado ato de improbidade exige-se a demonstrao de fumus boni iuris e periculum in mora? NO. Basta que se prove o fumus boni iuris, sendo o periculum in mora presumido. Assim, desnecessria a prova do periculum in mora concreto, ou seja, de que os rus estejam dilapidando seu patrimnio, ou na iminncia de faz-lo, exigindo-se apenas a demonstrao de fumus boni iuris, consistente em fundados indcios da prtica de atos de improbidade. 7) Ento, pode ser decretada a indisponibilidade dos bens ainda que o acusado no esteja se desfazendo de seus bens? SIM. A indisponibilidade dos bens visa, justamente, a evitar que ocorra a dilapidao patrimonial. No razovel aguardar atos concretos direcionados sua diminuio ou dissipao. Exigir a comprovao de que tal fato esteja ocorrendo ou prestes a ocorrer tornaria difcil a efetivao da medida cautelar e, muitas vezes, incua (Min. Herman Benjamin). 8) Pode ser decretada a indisponibilidade sobre bens que o acusado possua antes da suposta prtica do ato de improbidade? SIM. A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes como depois da prtica do ato de improbidade. 9) A indisponibilidade decretada para assegurar apenas o ressarcimento dos valores ao Errio ou tambm para custear o pagamento da multa civil? Para custear os dois. A indisponibilidade de bens deve recair sobre o patrimnio do ru de modo suficiente a garantir o integral ressarcimento de eventual prejuzo ao errio, levando-se em considerao, ainda, o valor de possvel multa civil como sano autnoma. 10) A indisponibilidade de bens constitui uma sano? NO. A indisponibilidade de bens no constitui propriamente uma sano, mas medida de garantia destinada a assegurar o ressarcimento ao errio (DPE/MA CESPE 2011). ProcessoPrimeira Turma. AgRg no AREsp 188.986-MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 28/8/2012.

Processo administrativo(obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos federais) O processo administrativo disciplinar, no mbito federal, conduzido por uma comisso composta de trs servidores estveis. Os membros dessa comisso devem ser estveis no atual cargo que ocupam. Desse modo, a estabilidade deve ser no cargo, e no apenas no servio pblico. Comentrios A Lei n. 8.112/90 (Estatuto dos Servidores Pblicos da Unio) traz uma srie de regras sobre o processo administrativo disciplinar nos arts. 148 a 182.

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O art. 149 prev o seguinte: Art. 149. O processo disciplinar ser conduzido por comisso composta de trs servidores estveis designados pela autoridade competente, observado o disposto no 3 do art. 143, que indicar, dentre eles, o seu presidente, que dever ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nvel, ou ter nvel de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. Vamos analisar este art. 149: Comisso processante O processo disciplinar ser conduzido por uma COMISSO composta de 3 servidores estveis designados pela autoridade competente. Presidente da comisso: qualidade especial Dentre os membros da comisso, a autoridade competente indicar o seu presidente. O presidente da Comisso dever ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nvel, ou ter nvel de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. Demais membros Os demais membros da Comisso no precisam ocupar cargo efetivo superior e podem ter nvel de escolaridade mais baixo que o do indiciado. O nico requisito para ser membro (no presidente) da Comisso ser servidor estvel. O que acontece se algum membro da comisso no for estvel? Haver a nulidade do processo administrativo disciplinar. Por que os membros da comisso devem ser estveis? Segundo o STJ, a ratio essendi do art. 149 da Lei n. 8.112/90 garantir a imparcialidade e iseno dos membros da comisso processante. Assim, entende-se que se o servidor estvel, estar menos imune a presses capazes de alterar o equilbrio na tomada de decises. Desse modo, essa exigncia uma garantia ao investigado, pois tem por escopo assegurar a independncia total dos servidores que ocupam a comisso, sem ingerncia da chefia. Essa estabilidade deve ser no cargo atual do servidor: No julgado noticiado neste informativo, o STJ afirmou que os membros da comisso que conduzem o processo administrativo disciplinar devem ser estveis no cargo atual que ocupam. No caso concreto, a comisso era formada por dois auditores fiscais que estavam em estgio probatrio no cargo de auditor, mas anteriormente eram servidores estveis da Receita Federal como tcnicos. Desse modo, eram servidores estveis da Receita, mas no cargo atual que ocupam (auditor fiscal) no haviam ainda completado trs anos para adquirir estabilidade. A 2 Turma entendeu, portanto, que a estabilidade deve ser no cargo, e no apenas no servio pblico, pois este no oferece ao servidor essa independncia. ProcessoSegunda Turma. AgRg no REsp 1.317.278-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 28/8/2012.

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DIREITO CIVILCapacidade civilO acordo celebrado por deficiente fsico, ainda que abrindo mo de tratamento particular de sade em troca de pecnia, no pode ser impugnado pelo MP sob o plio do art. 5 da Lei 7.853/89. A deficincia fsica, por si s, no tira da pessoa sua capacidade civil e sua aptido para manifestar livremente sua vontade. Alm disso, no acordo objeto de homologao, o deficiente fsico no renunciou a um tratamento de sade, simplesmente optou pelo tratamento na rede pblica. Comentrios Imagine a seguinte situao adaptada do caso concreto: B trabalhava para a empresa X, quando sofreu um acidente que deixou sequelas irreversveis, fazendo com que fosse considerado deficiente fsico, sendo aposentado por invalidez. Em 2001, B celebrou um acordo com X (homologado em juzo), tendo a empresa se comprometido a: a) pagar uma indenizao em dinheiro a B; b) custear eternamente todo o tratamento mdico particular que fosse necessrio por conta do problema de sade que B adquiriu. Em 2004, B e a empresa X decidiram modificar o acordo anterior e combinaram o seguinte: ao invs da empresa custear eternamente o tratamento de sade, ela iria pagar a B mais um valor a ttulo de indenizao para se eximir das responsabilidades mdicas. O novo acordo foi celebrado e foi pedida a homologao judicial, que foi deferida pelo juiz. Ocorre que o Ministrio Pblico recorreu contra essa homologao, alegando que B no poderia ter renunciado ao tratamento de sade custeado pela empresa, considerando que se trata de direito indisponvel. O MP alegou ainda que sua atuao estava legitimada pelo art. 5 da Lei n. 7.853/89: Art. 5 O Ministrio Pblico intervir obrigatoriamente nas aes pblicas, coletivas ou individuais, em que se discutam interesses relacionados deficincia das pessoas. A questo chegou at o STJ. O que decidiu a 3 Turma? R: O acordo vlido. B apresenta uma deficincia fsica (e no mental). Logo, encontra-se em pleno gozo de suas faculdades mentais e, em um ato de manifestao livre de vontade, decidiu celebrar o acordo. Como B no apresenta nenhuma reduo em sua capacidade de discernimento, ele , do ponto de vista da capacidade civil, uma pessoa capaz como outra qualquer, podendo adquirir direitos e assumir obrigaes sem qualquer assistncia ou representao. Nessa circunstncia, no se pode admitir que o MP, atuando no suposto auxlio da pessoa deficiente, negue-se a lhe garantir o direito bsico de manifestar livremente sua vontade. Correta ou errada a deciso, direito da pessoa tom-la com autonomia e independncia. Pgina

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Vale ressaltar, ainda, que a qualquer adulto saudvel dado, por exemplo, contratar ou rescindir um contrato de seguro-sade. Qualquer pessoa pode optar por receber tratamento particular, pagando o preo correspondente, ou valer-se da sade pblica. No acordo objeto de homologao, o deficiente fsico no renunciou a um tratamento de sade. Apenas optou pelo tratamento na rede pblica. ProcessoTerceira Turma. REsp 1.105.663-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/9/2012.

Nome da pessoa natural Obs: se voc estiver se preparando para concursos na rea notarial/registral, fundamental estudar bem esse julgado. No entanto, para os demais concursos, basta ler a parte amarela.Segundo o CC-2002, o cnjuge pode acrescentar sobrenome do outro ( 1 do art. 1.565). Em regra, o sobrenome do marido/esposa acrescido no momento do matrimnio, sendo essa providncia requerida j no processo de habilitao do casamento. Imagine agora a seguinte situao: marido e mulher se casaram e, no momento da habilitao do casamento, no requereram a alterao do nome. possvel que, posteriormente, um possa acrescentar o sobrenome do outro? SIM. Aos cnjuges permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que aps a data da celebrao do casamento. Vale ressaltar, no entanto, que esse acrscimo ter que ser feito por intermdio da ao de retificao de registros pblicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei 6.015/1973. Assim, no ser possvel a alterao pela via administrativa, mas somente em juzo. Comentrios NOME DA PESSOA NATURAL Conceito O nome da pessoa fsica ... - um sinal (elemento de identificao) - que individualiza a pessoa - fazendo com que ela seja diferenciada dos demais membros da famlia e da sociedade. Importncia A pessoa, ao praticar os atos da vida civil, identifica-se por meio do nome que lhe foi atribudo no registro de nascimento. Desse modo, toda pessoa tem que ter, obrigatoriamente, um nome. A pessoa recebe o nome ao nascer e este o acompanha mesmo depois da sua morte, considerando que ser sempre identificada por esse sinal (exs: inventrio, direitos autorais). Veremos mais a frente que, em alguns casos, possvel a mudana do nome, mas de forma excepcional. Natureza jurdica (teorias sobre o nome) Existem quatro principais teorias que explicam a natureza jurdica do nome: a) Teoria da propriedade: segundo esta concepo, o nome integra o patrimnio da pessoa. Esta teoria aplicada no caso dos nomes empresariais. No que tange pessoa natural, o nome mais do que o mero aspecto patrimonial, consistindo, na verdade, em direito da personalidade. b) Teoria negativista: afirma que o nome no um direito, mas apenas uma forma de designao das pessoas. A doutrina relata que era a posio adotada por Clvis Bevilqua. c) Teoria do estado: sustenta que o nome um elemento do estado da pessoa natural. d) Teoria do direito da personalidade: o nome um direito da personalidade. a teoria adotada pelo CC (art. 16): toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.

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Proteo do nome O direito ao nome protegido, dentre outros, pelos seguintes diplomas: Conveno Americana de Direitos Humanos (art. 18). Conveno dos Direitos da Criana (art. 7). Cdigo Civil (art. 16). Alterao do nome Regra: o nome, em regra, imutvel. o chamado princpio da imutabilidade relativa do nome civil. A regra da inalterabilidade relativa do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome), estabelecido por ocasio do nascimento, reveste-se de definitividade, admitindo-se sua modificao, excepcionalmente, nas hipteses expressamente previstas em lei ou reconhecidas como excepcionais por deciso judicial (art. 57, Lei 6.015/75), exigindo-se, para tanto, justo motivo e ausncia de prejuzo a terceiros. (REsp 1138103/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, Quarta Turma, julgado em 06/09/2011) Excepcionalmente, possvel a alterao do nome nas seguintes hipteses: 1) No primeiro ano aps atingir a maioridade civil (procedimento administrativo) Art. 56 da Lei de Registros Pblicos (Lei n. 6.015/73): Art. 56. O interessado, no primeiro ano aps ter atingido a maioridade civil, poder, pessoalmente ou por procurador bastante, alterar o nome, desde que no prejudique os apelidos de famlia, averbando-se a alterao que ser publicada pela imprensa. Observaes: Processo administrativo; Requerimento de forma pessoal ou por procurao; Sem necessidade de advogado; No precisa ser declarado nenhum motivo (trata-se de possibilidade de troca imotivada); No pode prejudicar os apelidos de famlia; Ser averbada a alterao e publicada pela imprensa. 2) Retificao de erros que no exijam qualquer indagao para sua constatao imediata (administrativo) LRP/Art. 110. Os erros que no exijam qualquer indagao para a constatao imediata de necessidade de sua correo podero ser corrigidos de ofcio pelo oficial de registro no prprio cartrio onde se encontrar o assentamento, mediante petio assinada pelo interessado, representante legal ou procurador, independentemente de pagamento de selos e taxas, aps manifestao conclusiva do Ministrio Pblico. 1 Recebido o requerimento instrudo com os documentos que comprovem o erro, o oficial submet-lo- ao rgo do Ministrio Pblico que o despachar em 5 (cinco) dias. 2 Quando a prova depender de dados existentes no prprio cartrio, poder o oficial certific-lo nos autos. 3 Entendendo o rgo do Ministrio Pblico que o pedido exige maior indagao, requerer ao juiz a distribuio dos autos a um dos cartrios da circunscrio, caso em que se processar a retificao, com assistncia de advogado, observado o rito sumarssimo. 4 Deferido o pedido, o oficial averbar a retificao margem do registro, mencionando o nmero do protocolo e a data da sentena e seu trnsito em julgado, quando for o caso.

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Observaes: Processo administrativo; Os erros a serem corrigidos no exigem qualquer indagao para a sua constatao imediata; Tais erros podero ser corrigidos de ofcio pelo Oficial no prprio cartrio, mediante petio assinada pelo interessado, representante legal ou procurador; O interessado no precisa de advogado; O interessado no paga selos ou taxas; indispensvel a prvia manifestao do MP (prazo: 5 dias); O Oficial pode certificar informaes a fim de produzir a prova necessria retificao; Se o MP entender que o pedido exige maior indagao, requerer ao juiz a distribuio dos autos, situao em que o processo administrativo ser transformado em judicial (com a necessria assistncia de advogado). O rito o sumarssimo; Exemplo dessa retificao: o nome do rapaz consta como Renata, ao invs de Renato. 3) Acrscimo ou substituio por apelidos pblicos notrios (judicial) LRP/Art. 58. O prenome ser definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituio por apelidos pblicos notrios. 4) Averbao do nome abreviado, usado como firma comercial ou em atividade profissional (judicial) LRP/Art. 57 (...) 1 Poder, tambm, ser averbado, nos mesmos termos, o nome abreviado, usado como firma comercial registrada ou em qualquer atividade profissional. 5) Enteado pode adotar o sobrenome do padrasto LRP/Art. 57 (...) 8 O enteado ou a enteada, havendo motivo pondervel e na forma dos 2 e 7 deste artigo, poder requerer ao juiz competente que, no registro de nascimento, seja averbado o nome de famlia de seu padrasto ou de sua madrasta, desde que haja expressa concordncia destes, sem prejuzo de seus apelidos de famlia. Observaes: Deve haver motivo pondervel; O requerimento feito ao juiz; Ser averbado o nome de famlia do padrasto ou madrasta; indispensvel que haja a concordncia expressa do padrasto ou madrasta; No pode haver prejuzo aos apelidos de famlia do enteado. 6) Pessoas includas no programa de proteo a vtimas e testemunhas LRP/Art. 57 (...) 7 Quando a alterao de nome for concedida em razo de fundada coao ou ameaa decorrente de colaborao com a apurao de crime, o juiz competente determinar que haja a averbao no registro de origem de meno da existncia de sentena concessiva da alterao, sem a averbao do nome alterado, que somente poder ser procedida mediante determinao posterior, que levar em considerao a cessao da coao ou ameaa que deu causa alterao.

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Lei n. 9.807/99 Art. 9 Em casos excepcionais e considerando as caractersticas e gravidade da coao ou ameaa, poder o conselho deliberativo encaminhar requerimento da pessoa protegida ao juiz competente para registros pblicos objetivando a alterao de nome completo. 1 A alterao de nome completo poder estender-se s pessoas mencionadas no 1o do art. 2o desta Lei, inclusive aos filhos menores, e ser precedida das providncias necessrias ao resguardo de direitos de terceiros. 2 O requerimento ser sempre fundamentado e o juiz ouvir previamente o Ministrio Pblico, determinando, em seguida, que o procedimento tenha rito sumarssimo e corra em segredo de justia. 3 Concedida a alterao pretendida, o juiz determinar na sentena, observando o sigilo indispensvel proteo do interessado: I - a averbao no registro original de nascimento da meno de que houve alterao de nome completo em conformidade com o estabelecido nesta Lei, com expressa referncia sentena autorizatria e ao juiz que a exarou e sem a aposio do nome alterado; II - a determinao aos rgos competentes para o fornecimento dos documentos decorrentes da alterao; III - a remessa da sentena ao rgo nacional competente para o registro nico de identificao civil, cujo procedimento obedecer s necessrias restries de sigilo. 4 O conselho deliberativo, resguardado o sigilo das informaes, manter controle sobre a localizao do protegido cujo nome tenha sido alterado. 5 Cessada a coao ou ameaa que deu causa alterao, ficar facultado ao protegido solicitar ao juiz competente o retorno situao anterior, com a alterao para o nome original, em petio que ser encaminhada pelo conselho deliberativo e ter manifestao prvia do Ministrio Pblico. 7) Por via judicial, com motivo declarado, por sentena, aps oitiva do MP LRP/Art. 57. A alterao posterior de nome, somente por exceo e motivadamente, aps audincia do Ministrio Pblico, ser permitida por sentena do juiz a que estiver sujeito o registro, arquivando-se o mandado e publicando-se a alterao pela imprensa, ressalvada a hiptese do art. 110 desta Lei. Observaes: Processo judicial de jurisdio voluntria; Obrigatria a oitiva do MP; Decidido pelo juiz por sentena; Ser competente o juiz a que estiver sujeito o registro; Arquiva-se o mandado no RCPN; Publica-se a alterao pela imprensa; Exemplos de alterao do nome com base nesse art. 57: Alterar o prenome caso exponha seu portador ao ridculo; Retificar o patronmico constante do registro para obter a nacionalidade de outro pas (o STJ j reconheceu o direito de suprimir incorrees na grafia do patronmico para que a pessoa pudesse obter a cidadania italiana. REsp 1138103/PR) Alterar o nome em virtude de cirurgia de retificao de sexo. 8) Casamento Segundo o CC-2002, o cnjuge pode acrescentar sobrenome do outro. Tanto a mulher pode acrescentar o do marido, como o marido o da mulher.

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CC-2002/Art. 1.565 (...) 1 Qualquer dos nubentes, querendo, poder acrescer ao seu o sobrenome do outro. Em regra, o sobrenome do marido/esposa acrescido no momento do matrimnio, sendo essa providncia requerida j no processo de habilitao do casamento. Imagine agora a seguinte situao: marido e mulher se casaram e, no momento da habilitao do casamento, no requereram a alterao do nome. possvel que, posteriormente, um possa acrescentar o sobrenome do outro? SIM. A 4 Turma do STJ decidiu que aos cnjuges permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que aps a data da celebrao do casamento. Vale ressaltar, no entanto, que esse acrscimo ter que ser feito por intermdio da ao de retificao de registros pblicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros Pblicos (Lei n. 6.015/1973). Assim, no ser possvel a alterao pela via administrativa, mas somente em juzo. Exemplo: Ricardo Oliveira casou-se com Izabel Fontana. No processo de habilitao, no foi solicitada a mudana de nome. Desse modo, aps o casamento, os nomes permaneceram iguais aos de solteiro. Ocorre que, aps 5 anos de casada, Izabel decide acrescentar o patronmico de seu marido. Para tanto, Izabel procura o Cartrio (Registro Civil) onde foi lavrada sua certido de casamento e pede essa providncia ao Registrador Civil. Este poder fazer essa incluso? NO. Izabel e Ricardo devero procurar um advogado e este ajuizar uma ao de retificao de registro pblico, com base nos art. 57 e 109 da LRP expondo a situao. O juiz, aps ouvir o Ministrio Pblico, poder determinar que Izabel inclua, em seu nome, o patronmico de seu marido, passando a chamar Izabel Fontana Oliveira. 9) Separao/Divrcio Regra: na separao e no divrcio o nome mantido, salvo se a pessoa que acrescentou o sobrenome de seu cnjuge desejar retir-lo. Exceo: Somente haver a perda do sobrenome contra a vontade da pessoa que acrescentou se preenchidos os seguintes requisitos: 1) Houver pedido expresso do cnjuge que forneceu o sobrenome; 2) A perda no pode causar prejuzo identificao do cnjuge. Ex: Marta Suplicy; 3) A perda no pode causar prejuzo identificao dos filhos; 4) Estar provada culpa grave por parte do cnjuge. ProcessoQuarta Turma. REsp 910.094-SC, Rel. Raul Arajo, julgado em 4/9/2012.

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Bem de famliaO bem de famlia pode ser penhorado para pagar dbitos relativos penso alimentcia. Esses dbitos de penso alimentcia podem ser decorrentes de relaes familiares como tambm os alimentos devidos em razo de obrigao de reparar danos (obrigao oriunda de ato ilcito). Assim, a impenhorabilidade do bem de famlia no pode ser oposta pelo devedor ao credor de penso alimentcia decorrente de indenizao por ato ilcito. Comentrios No Brasil, existem duas espcies de bem de famlia: a) Bem de famlia convencional ou voluntrio (arts. 1711 a 1722 do Cdigo Civil) b) Bem de famlia legal (Lei n. 8.009/90). Bem de famlia legal - Consiste no imvel residencial prprio do casal, ou da entidade familiar. - Considera-se residncia um nico imvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente. - Na hiptese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vrios imveis utilizados como residncia, a impenhorabilidade recair sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imveis e na forma do Cdigo Civil (bem de famlia convencional). Qual a proteo conferida ao bem de famlia legal? O bem de famlia legal impenhorvel e no responder por qualquer tipo de dvida civil, comercial, fiscal, previdenciria ou de outra natureza, contrada pelos cnjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietrios e nele residam, salvo nas hipteses previstas na Lei n. 8.009/90. O art. 3 da Lei n. 8.009/90 traz as hipteses excepcionais em que o bem de famlia legal pode ser penhorado. No inciso III do art. 3 consta: Art. 3 A impenhorabilidade oponvel em qualquer processo de execuo civil, fiscal, previdenciria, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: III - pelo credor de penso alimentcia; Desse modo, se o devedor no paga a penso alimentcia, o credor poder requerer ao juiz a penhora do bem de famlia desse devedor, podendo o imvel ser vendido em hasta pblica para quitar o dbito. At a, tudo bem. A pergunta agora a seguinte: Quando o inciso III fala em penso alimentcia ele est se referindo apenas aos alimentos decorrentes do direito de famlia (ex: alimentos devidos pelo pai ao filho) ou inclui tambm os alimentos devidos em caso de indenizao por responsabilidade civil? R: Abrange tanto os alimentos decorrentes de vnculo familiar como tambm os alimentos devidos em razo de obrigao de reparar danos (obrigao oriunda de ato ilcito). O inciso III do art. 3 da Lei n. 8.009/90 no faz distino se a penso alimentcia fixada em razo de relaes de parentesco ou a ttulo de indenizao pela prtica de ato ilcito. Assim, a impenhorabilidade do bem de famlia no pode ser oposta pelo devedor ao credor de penso alimentcia decorrente de indenizao por ato ilcito. Esse o entendimento pacfico do STJ (EREsp 679.456-SP).

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Exemplo: X (menor de idade) foi atropelado por B, em acidente de trnsito, tendo falecido. A, me de X, ingressou com ao de indenizao contra B, tendo este sido condenado ao pagamento de penso alimentcia, no importe de 1/3 do salrio mnimo, desde a data do evento danoso at o dia em que a vtima completaria 70 anos. A sentena transitou em julgado e B comeou a atrasar os pagamentos da penso alimentcia, motivo pelo qual A executou a dvida. Nesse caso, o juiz poder determinar a penhora do imvel de propriedade de B em que ele reside, mesmo sendo bem de famlia. ProcessoTerceira Turma. REsp 1.186.225-RS, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 4/9/2012.

DIREITO PROCESSUAL CIVILBoa-f objetiva aplicada ao processo civilO princpio da boa-f objetiva aplicado ao direito processual civil. Se o processo estava suspenso, no era possvel que fosse praticado nenhum ato processual, ressalvados os urgentes a fim de evitar dano irreparvel. Desse modo, ao homologar a conveno pela suspenso do processo, o Poder Judicirio criou nas partes a legtima expectativa de que o processo s voltaria a tramitar aps o prazo convencionado. No se pode admitir que, durante o prazo de suspenso deferido pelo juiz, seja publicada a sentena (ato processual) e, o pior, que a partir de ento comece a correr o prazo para recurso contra a deciso. Ao agir dessa forma, o Estado-juiz incidiu na vedao de venire contra factum proprium considerando que praticou ato contraditrio, incompatvel com a suspenso. Comentrios Um dos temas de grande destaque nos ltimos anos no direito brasileiro foi a aplicao da boa-f objetiva nas relaes jurdicas. A origem da teorizao da boa-f objetiva alem. As quatro principais manifestaes da boa-f objetiva so as seguintes: venire contra factum proprium supressio surrectio tu quoque Vale ressaltar, contudo, que a boa-f objetiva vai alm desses quatro institutos. No se pode confundir boa-f objetiva com boa-f subjetiva. Significa manter uma conduta de acordo com padres sociais de lisura, honestidade e correo. Boa-f objetiva Tem como objetivo no frustrar a legtima confiana da outra parte. Deve ser examinada externamente, ou seja, no importa qual era o sentimento da pessoa, mas sim a sua conduta. No um princpio, mas sim um estado psicolgico. Boa-f subjetiva Para examinar a boa-f subjetiva, deve-se analisar se a pessoa pensava, sinceramente, que agia ou no de acordo com o direito (

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examinado se a pessoa tinha boas ou ms intenes). Deve ser examinada internamente, ou seja, de acordo com o sentimento da pessoa. Normalmente, o estudo da boa-f objetiva feito no Direito Civil. No entanto, indaga-se: possvel a aplicao da boa-f objetiva nos demais ramos do Direito? SIM. A boa-f objetiva surgiu inicialmente no Direito Civil, mas a sua aplicao foi expandida para todos os demais ramos do direito, inclusive para os ramos do chamado direito pblico, como o caso do Direito Administrativo. Assim, por exemplo, de acordo com o STJ, a teoria dos atos prprios (venire contra factum proprium) aplicada ao poder pblico. Em suma, a boa-f objetiva deve estar presente em toda e qualquer relao jurdica. possvel a aplicao da boa-f objetiva no Processo Civil? SIM, com certeza. Um dos melhores autores que trata sobre o princpio da boa-f processual Fredie Didier Jr. (Curso de Direito Processual Civil. Salvador: JusPodivm, 13 ed., 2011, p. 66 e ss), cuja obra serve de citao indireta para esta explicao: O que o princpio da boa-f processual: Significa que os sujeitos do processo devem comportar-se de acordo com a boa-f, entendida como uma norma de conduta (boa-f objetiva). Tem como objetivo no frustrar a legtima confiana da outra parte. Uma das importantes funes da boa-f objetiva impedir que a parte exera o seu direito de forma abusiva. Por isso, diz-se que a boa-f objetiva serve como limitao contra os abusos de direito. Fundamento constitucional: A boa-f objetiva possui fundamento na Constituio, mais precisamente no princpio do devido processo legal (STF RE 464.963-2/GO). Previso legal: CPC/Art. 14. So deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: II - proceder com lealdade e boa-f; Esse art. 14, II, do CPC refere-se boa-f objetiva ou subjetiva? 1 corrente: boa-f subjetiva. Doutrina tradicional. 2 corrente: boa-f objetiva. Doutrina contempornea (ex: Fredie Didier). Para a doutrina contempornea, o art. 14, II, do CPC uma clusula geral processual que probe quaisquer hipteses de comportamento desleal pelos sujeitos do processo. O princpio da boa-f processual destinado somente s partes? NO. Os destinatrios da norma so todos aqueles que de qualquer forma participam do processo, o que inclui, no apenas as partes, mas tambm o prprio juiz. Exemplos de aplicao da boa-f objetiva no processo civil (exemplos de Didier): Ex: a parte no pode recorrer contra uma deciso que j havia manifestado sua aceitao (art. 503 do CPC). Isso seria venire contra factum proprium.

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Ex2: a parte no pode pedir a invalidao de um ato cujo defeito foi ela prpria quem deu causa (art. 243 do CPC). Isso tambm seria venire contra factum proprium. Ex3: se o ru exerce seu direito de defesa de forma abusiva, o juiz poder, como sano, conceder a tutela antecipada ao autor (art. 273, II, do CPC). O ru, nesse caso, violou a boaf objetiva. Ex4: se a parte interpe recurso com intuito manifestamente protelatrio, significa que violou o princpio da boa-f processual, podendo ser multada por litigncia de m-f (art. 17, VII, do CPC). Venire contra factum proprium A teoria dos atos prprios, ou a proibio de venire contra factum proprium protege a parte contra aquele que pretenda exercer uma conduta em contradio com o comportamento assumido anteriormente. A proibio do venire contra factum proprium um dos corolrios do princpio da boa-f objetiva e impede que a pessoa adote posturas contraditrias. Justamente por isso, diz-se que, no mbito do processo civil, a proibio do venire um dos fundamentos tericos que justifica a existncia da precluso lgica. Lembrando que precluso lgica a perda de um poder processual em razo da prtica de um ato anterior com ele incompatvel. Caso julgado pelo STJ: No caso noticiado neste informativo, o STJ reafirmou a aplicao do princpio da boa-f objetiva ao processo civil. A situao foi, com algumas adaptaes, a seguinte: X ajuizou ao contra Y. Antes de ser publicada a sentena, X e Y combinaram de suspender o processo pelo prazo de 90 dias. Isso possvel? Sim, possvel, com base no art. 265, II, do CPC: Art. 265. Suspende-se o processo: II - pela conveno das partes; Essa suspenso do processo por conveno das partes nunca poder exceder 6 (seis) meses ( 3 do art. 265). Ocorre que, no 30 dia em que o processo estava suspenso, o juiz proferiu a sentena. Quando acabou o prazo de 90 dias de suspenso do processo, a parte que foi prejudicada com a sentena ingressou com apelao. O Tribunal, no entanto, considerou que o recurso era intempestivo sob o argumento de que o recurso deveria ter sido interposto mesmo o processo estando suspenso. A questo chegou at o STJ. O que decidiu a Corte? Segundo o Relator, Min. Herman Benjamin, o entendimento do TJ foi equivocado. Antes mesmo de publicada a sentena contra a qual foi interposta a apelao, o juzo de 1 grau j havia homologado requerimento de suspenso do processo pelo prazo de 90 dias. Em havendo suspenso do processo, o art. 266 do CPC veda a prtica de qualquer ato processual, com a ressalva dos urgentes a fim de evitar dano irreparvel. A lei processual no permite, desse modo, que seja publicada deciso durante a suspenso do feito, no se podendo cogitar, por conseguinte, do incio da contagem do prazo recursal enquanto paralisada a marca do processo.

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Ao homologar a conveno pela suspenso do processo, o Poder Judicirio criou nos jurisdicionados a legtima expectativa de que o processo s voltaria a tramitar aps o prazo convencionado. Por bvio, no se pode admitir que, logo em seguida, seja praticado ato processual de ofcio publicao de deciso e, ademais, consider-lo como termo inicial do prazo recursal. Desse modo, para o STJ, a conduta de publicar a deciso no perodo de suspenso do processo e de contar o incio do prazo recursal caracterizou a prtica de ato contraditrio por parte do magistrado. Assim agindo, o Poder Judicirio feriu a mxima nemo potest venire contra factum proprium, que aplicvel no mbito processual. ProcessoSegunda Turma. REsp 1.306.463-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 4/9/2012.

Curador especial e ru preso aps a citaoSe o ru preso, aps a sua citao pessoal, porm antes do trmino do prazo para a contestao, essa priso constituiu caso fortuito que justifica a no apresentao da resposta. Logo, deveria o juiz ter nomeado curador especial a esse ru. Como no o fez, o processo nulo desde a citao. Comentrios Curador especial O CPC prev que, em determinadas situaes, o juiz ter que nomear um curador especial que ir defender, no processo civil, os interesses do ru. O curador especial tambm chamado de curador lide. Hipteses em que ser nomeado curador especial: Esto previstas no art. 9 do CPC. So quatro situaes: a) Quando o ru for incapaz (absoluta ou relativamente) e no tiver representante legal; b) Quando o ru for incapaz (absoluta ou relativamente) e tiver representante legal, mas os interesses deste (representante) colidirem com os interesses daquele (incapaz); c) Quando o ru estiver preso; d) Quando o ru tiver sido citado por edital ou com hora certa e no tiver apresentado resposta no prazo legal (ou seja, tiver sido revel). Veja a redao legal: Art. 9 O juiz dar curador especial: I - ao incapaz, se no tiver representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os daquele; II - ao ru preso, bem como ao revel citado por edital ou com hora certa. Questo julgada pelo STJ (adaptada): No caso noticiado neste Informativo, A ajuizou uma ao contra B. B foi citado, no entanto, antes de terminar o prazo para que apresentasse sua resposta, ele foi preso. B no apresentou resposta, sendo considerado revel. O juiz entendeu que B no teria direito a curador especial porque quando ele foi citado ainda no estava preso. Com isso, o juiz decretou a revelia de B e julgou antecipadamente o feito, condenando o ru. O juiz agiu corretamente ao no dar curador especial ao ru? NO, foi o que entendeu o STJ.

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A Turma considerou que o recolhimento do ru priso aps a sua citao pessoal, porm antes do trmino do prazo para a contestao, constituiu caso fortuito que impossibilitou a apresentao de resposta perante o juzo cvel. Logo, a omisso do juiz em nomear curador especial culminou na nulidade do processo desde a citao, devendo ser-lhe restitudo o prazo para a apresentao de defesa. ProcessoQuarta Turma. REsp 1.032.722-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 28/8/2012.

Recursos (princpio da unirrecorribilidade)O princpio da singularidade, tambm denominado da unicidade do recurso, ou unirrecorribilidade consagra a premissa de que, para cada deciso a ser atacada, h um nico recurso prprio e adequado previsto no ordenamento jurdico. O princpio da unirrecorribilidade no veda a interposio de um nico recurso para impugnar mais de uma deciso. E no h, na legislao processual, qualquer impedimento a essa prtica, no obstante seja incomum. Desse modo, possvel, em tese, que a parte ingresse com um nico agravo de instrumento para impugnar duas decises interlocutrias distintas. Comentrios Princpio da singularidade Tambm chamado de unicidade do recurso ou unirrecorribilidade. Segundo esse princpio, para cada deciso a ser atacada, h um nico recurso prprio e adequado previsto no ordenamento jurdico. Assim, em regra, no possvel a utilizao de mais de um recurso para impugnar a mesma deciso, sob pena do segundo recurso no ser conhecido, por precluso consumativa. Imagine a seguinte situao adaptada do caso concreto: X prope uma ao contra Y. Durante o curso da ao, o juiz profere uma deciso interlocutria contrria Y. Cinco dias depois, o juiz prolata outra deciso desfavorvel Y. Y interps um nico agravo de instrumento contra essas duas decises interlocutrias. Tese do TJ para no conhecer o agravo (tese 1) O Tribunal de Justia no conheceu do agravo sob o argumento de que a interposio de um nico recurso com o desiderato de buscar a reforma de duas decises distintas implicaria violao do princpio da unicidade ou singularidade recursal, segundo o qual para cada deciso admite-se um recurso especfico. Tese defendida pelo recorrente (tese 2) Y argumentou que o TJ equivocou-se ao invocar o princpio da unirrecorribilidade para fundamentar o no conhecimento do seu agravo porque referido princpio apenas trata da impossibilidade de interposio de mais de um recurso contra a mesma deciso. Sustentou, ainda, que no existe nenhuma vedao legal para a interposio de um nico recurso contra duas decises. A questo chegou at o STJ. Qual das duas teses o STJ considerou correta? Y poderia interpor um nico agravo de instrumento contra as duas decises interlocutrias ou teria que apresentar dois agravos, um contra cada deciso? R: O STJ entendeu que a tese 2 (defendida pelo recorrente) est correta.

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Informao extra

Segundo a Min. Nancy Andrighi, de fato, o ordenamento jurdico brasileiro consagra o princpio da singularidade, segundo o qual para cada deciso a ser atacada, h um nico recurso previsto no ordenamento jurdico. Todavia, mencionado princpio no veda a interposio de um nico recurso para impugnar mais de uma deciso. E no h, na legislao processual, qualquer impedimento a essa prtica, no obstante seja incomum. A Ministra ressaltou que no se est afirmando se tratar de uma prtica recomendvel a interposio de um nico recurso para impugnar mais de uma deciso. O que se est dizendo apenas que no h vedao na legislao quanto a essa prtica. O princpio da unirrecorribilidade absoluto ou comporta excees? H excees a esse princpio. As duas principais excees, mencionadas, inclusive pela Min. Nancy Andrighi neste julgado, so as seguintes (vale ressaltar que alguns doutrinadores acrescentam outras hipteses menos comuns): a) Possibilidade de ser interposto, simultaneamente, recurso especial e extraordinrio contra um mesmo acrdo (essa exceo pacfica); b) Possibilidade da parte apresentar embargos de declarao ou ento interpor o recurso prprio (agravo, apelao, REsp, RE etc.) (alguns autores criticam essa exceo porque a parte ir interpor um recurso de cada vez e no os dois simultaneamente).

Processo

Terceira Turma. REsp 1.112.599-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/8/2012.

Execuo fiscal e art. 53 da Lei n. 8.212/91(obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos federais) Na execuo judicial da dvida ativa da Unio, suas autarquias e fundaes pblicas, a Fazenda Pblica, na prpria petio inicial, pode fazer a nomeao dos bens do devedor a serem penhorados. A penhora desses bens deferida pelo juiz no momento em que despacha a petio inicial e ser efetivada no mesmo instante em que ocorrer a citao do executado. Com base nessa previso, a Fazenda poder indicar, na petio inicial da execuo, a existncia de ativos financeiros e crditos em conta para serem penhorados. Comentrios Execuo fiscal a ao judicial proposta pela Fazenda Pblica (Unio, Estados, DF, Municpios e por suas respectivas autarquias e fundaes) para cobrar do devedor crditos (tributrios ou no tributrios) inscritos em dvida ativa. A execuo fiscal regida pela Lei n. 6.830/80 (LEF) e, subsidiariamente, pelo CPC. No caso da execuo fiscal, possvel que a Fazenda Pblica, na prpria petio inicial, faa a nomeao dos bens do devedor a serem penhorados. A penhora desses bens deferida pelo juiz no momento em que despacha a petio inicial e ser efetivada no mesmo instante em que ocorrer a citao do executado. Essa autorizao est prevista no art. 53 da Lei n. 8.212/1991: Art. 53. Na execuo judicial da dvida ativa da Unio, suas autarquias e fundaes pblicas, ser facultado ao exequente indicar bens penhora, a qual ser efetivada concomitantemente com a citao inicial do devedor.

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1 Os bens penhorados nos termos deste artigo ficam desde logo indisponveis.

2 Efetuado o pagamento integral da dvida executada, com seus acrscimos legais, no prazo de 2 (dois) dias teis contados da citao, independentemente da juntada aos autos do respectivo mandado, poder ser liberada a penhora, desde que no haja outra execuo pendente. Com base nesse art. 53, a Fazenda poder indicar, na petio inicial da execuo, a existncia de ativos financeiros e crditos em conta para serem penhorados? SIM. Isso porque o art. 655 do CPC e o art. 11 da Lei 6.830/1980 estabelecem que, na penhora de bens, o dinheiro deveria ser o primeiro a ser objeto de constrio: Art. 655. A penhora observar, preferencialmente, a seguinte ordem: I - dinheiro, em espcie ou em depsito ou aplicao em instituio financeira; Art. 11. A penhora ou arresto de bens obedecer seguinte ordem: I - dinheiro; O juiz, ao despachar a petio inicial da execuo fiscal, j dever deferir a penhora requerida na forma do art. 53 da Lei n. 8.212/91? SIM. Quando a Fazenda Pblica procede nomeao de bens, j na petio inicial, para os fins do art. 53 da Lei 8.212/1991, presume-se que o requerimento tenha sido feito a bem do interesse pblico, razo pela qual a penhora deve ser desde logo deferida, realizando-se concomitantemente com a citao. O executado poder questionar essa penhora? SIM. A penhora dos bens indicados pela Fazenda Pblica deve ser realizada concomitantemente com a citao do devedor. No entanto, o executado ter o direito de questionar essa penhora desde que comprove que foi excessiva ou muito gravosa, pedindo, ento, para que haja a substituio da penhora por outros bens. Essa possibilidade decorre do princpio da menor onerosidade, previsto no art. 620 do CPC: Art. 620. Quando por vrios meios o credor puder promover a execuo, o juiz mandar que se faa pelo modo menos gravoso para o devedor. Contudo, essa impugnao e anlise feita somente aps a penhora, que efetivada concomitantemente com a citao do devedor. Se o executado pagar a dvida, esses bens penhorados so liberados? Em regra, sim. No entanto, possvel que o juzo da Execuo Fiscal, mesmo aps o pagamento integral da dvida, mantenha a constrio judicial sobre os bens, se houver outra execuo fiscal pendente contra o mesmo devedor. Vale ressaltar que o art. 53 da Lei n. 8.212/91 no vlido para as execues fiscais estaduais ou municipais, sendo aplicvel apenas s execues fiscais propostas pela Unio, suas autarquias e fundaes. Esse art. 53 da Lei n. 8.212/91 pouco conhecido, sendo, contudo, dispositivo muito importante para os concursos da Procuradoria da Fazenda Nacional.Segunda Turma. REsp 1.287.915-BA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 4/9/2012.

PFN Processo

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DIREITO PENALFalsificao, corrupo, adulterao ou alterao de produto destinado a fins teraputicos ou medicinais (art. 273 do CP)Para a configurao do crime previsto no art. 273, 1 e 1 B, I, no se exige percia, bastando a ausncia de registro na ANVISA, obrigatrio na hiptese de insumos destinados a fins teraputicos ou medicinais. Comentrios A possua uma loja de suplementos alimentares e, em uma fiscalizao, foram encontrados expostos venda alguns produtos que no possuam registro na ANVISA. A foi denunciado pela prtica do crime previsto no art. 273, 1 e 1-B do Cdigo Penal: Art. 273. (...) Pena - recluso, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa. 1 - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expe venda, tem em depsito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado. 1-B - Est sujeito s penas deste artigo quem pratica as aes previstas no 1 em relao a produtos em qualquer das seguintes condies: I - sem registro, quando exigvel, no rgo de vigilncia sanitria competente; Para a configurao desse crime necessrio que seja realizada percia nos produtos encontrados? NO. A 5 Turma entendeu que, para a configurao do aludido delito, no exigvel a percia, bastando a ausncia de registro na ANVISA, obrigatrio na hiptese de insumos destinados a fins teraputicos ou medicinais. Segundo o STJ, as caractersticas dos produtos podem ser atestadas por fiscal tcnico da Agncia, conhecedor das normas de regulao que, no exerccio do seu mister, tem f pblica. No caso concreto, foram os profissionais da Anvisa conhecedores das normas da agncia que gozam de f pblica no exerccio de suas funes que identificaram que os produtos apreendidos no estabelecimento no possuam o necessrio registro, portanto no se mostra lgico, tampouco razovel, exigir a percia, at porque eram insumos sujeitos vigilncia, previstos na legislao. ProcessoQuinta Turma. HC 177.972-BA, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 28/8/2012.

DIREITO PROCESSUAL PENALIncio do foro por prerrogativa de funo no caso de detentores de mandato eletivoA competncia originria por prerrogativa de funo dos titulares de mandatos eletivos firmase a partir da diplomao. Constatada a incompetncia absoluta, os autos devem ser remetidos ao Juzo competente. O juzo competente poder ratificar ou no os atos j praticados, inclusive os decisrios no referentes ao mrito da causa.

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Comentrios Como podemos conceituar foro por prerrogativa de funo? Trata-se de uma prerrogativa - prevista pela Constituio - segundo a qual as pessoas ocupantes de determinados cargos ou funes, - somente sero processadas e julgadas - criminalmente (no engloba processos cveis) - em foros privativos colegiados (TJ, TRF, STJ, STF). Quando uma pessoa vence as eleies para ocupar um cargo pblico (exs: prefeito, governador, deputado, senador etc.), a partir de que dia ela passa a ter foro por prerrogativa de funo? A partir do dia da diplomao. A competncia originria por prerrogativa de funo dos titulares de mandatos eletivos firma-se a partir da diplomao. Uma vez diplomado, o detentor de cargo eletivo passa a gozar da jurisdio especial que lhe assegurada em face da funo pblica que desempenhar. Assim, se estiver respondendo a um processo em 1 instncia, o juiz dever remeter os autos ao tribunal responsvel pelo seu julgamento. E se o juiz no souber que a pessoa j foi diplomada e sentenciar o processo criminal contra esse ru que passou a ostentar foro por prerrogativa de funo? Nesse caso, o juzo de 1 instncia era absolutamente incompetente. Logo, essa condenao nula. Quando for constada essa incompetncia absoluta, o que deve ser feito? Constatada a incompetncia absoluta, os autos devem ser remetidos ao Juzo competente. Todos os atos j praticados so nulos? No necessariamente. O juzo competente (no caso, o Tribunal) poder ratificar ou no os atos j praticados, conforme autorizam o art. 567 do CPP e o art. 113, 2, do CPC (o CPC aplicado por analogia): CPP/Art. 567. A incompetncia do juzo anula somente os atos decisrios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. CPC/Art. 113 (...) 2 Declarada a incompetncia absoluta, somente os atos decisrios sero nulos, remetendo-se os autos ao juiz competente. Os atos decisrios tambm podero ser ratificados? Sempre se entendeu que apenas os atos no-decisrios que poderiam ser ratificados. Os atos decisrios deveriam ser anulados, conforme determina o art. 567 do CPP. Ocorre que o STF alterou sua jurisprudncia e passou a entender que, mesmo os atos decisrios praticados por juzo absolutamente incompetente podem ser ratificados. Veja: (...) Este Tribunal fixara anteriormente entendimento no sentido de que, nos casos de incompetncia absoluta, somente os atos decisrios seriam anulados, sendo possvel a ratificao dos atos sem carter decisrio. Posteriormente, passou a admitir a possibilidade de ratificao inclusive dos atos decisrios. (...) (RE 464894 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 24/06/2008)

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Apesar de haver certa divergncia, esse o entendimento que prevalece tambm no STJ: Reconhecida a incompetncia do Juzo para processar o feito, no h qualquer bice ratificao da denncia, bem como do despacho que a recebe, no rgo jurisdicional competente. (HC 76.946/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 17/02/2009) Conforme ensina Renato Brasileiro: (...) prevalece nos Tribunais o entendimento de que os atos probatrios no devem ser anulados no caso de reconhecimento de incompetncia sendo possvel que at mesmo os atos decisrios sejam ratificados perante o juzo competente. (Manual de Processo Penal. Vol. II. Niteri : Impetus, 2012). No caso concreto noticiado neste informativo, o STJ decidiu que a condenao deveria ser anulada, mas os demais atos decisrios poderiam ser ratificados ou no pelo Tribunal de Justia com base na anlise dos autos. ProcessoQuinta Turma. HC 233.832-PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/9/2012.

Absolvio sumria incabvel a absolvio sumria quando no evidenciada qualquer das hipteses previstas nos incisos I a IV do art. 397 do CPP. Quando h controvrsia se o ru sabia ou no que o produto era criminoso, no deve o juiz absolver sumariamente o acusado por ausncia de dolo, j que, para isso, ser indispensvel a instruo probatria. Comentrios Vejamos algumas etapas do procedimento penal comum (ordinrio e sumrio):

Recebimento

CitaoRu citado p/ responder acusao em 10 dias.

Defesa preliminar(art. 396-A)

Absolvio sumria (art. 397)Rejeio da absolvio sumria e designao de audincia

DennciaRejeio(art. 395, CPP)

Desse modo, conforme se observa, aps a defesa preliminar*, o juiz tem duas opes: a) Absolver sumariamente o ru (art. 397 do CPP). b) Rejeitar a absolvio sumria e designar audincia. As hipteses em que o juiz pode absolver sumariamente o ru esto previstas no art. 397: Art. 397. Aps o cumprimento do disposto no art. 396-A, e pargrafos, deste Cdigo, o juiz dever absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existncia manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; II - a existncia manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; III - que o fato narrado evidentemente no constitui crime; ou IV - extinta a punibilidade do agente.

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O que o STJ decidiu neste julgado? 1) incabvel a absolvio sumria quando no evidenciada qualquer das hipteses previstas nos incisos I a IV do art. 397 do CPP. 2) Quando h controvrsia se o ru sabia ou no que o produto era criminoso, no deve o juiz absolver sumariamente o acusado por ausncia de dolo, j que, para isso, ser indispensvel a instruo probatria. * Uma observao terminolgica: A resposta apresentada pelo art. 396-A do CPP no tem uma nomenclatura pacfica. O CPP chama de resposta escrita. Boa parte da doutrina e da jurisprudncia denomina resposta preliminar. Outros falam, ainda, em defesa preliminar. ProcessoQuinta Turma. REsp 1.206.320-ES, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 4/9/2012.

Interrogatrio e perguntas feitas pelo advogado do corruDurante o interrogatrio do acusado, o advogado do corru tem direito de fazer perguntas. Comentrios X e Y so corrus em um processo criminal. No momento do interrogatrio de X, o advogado de Y pode fazer perguntas a X? R: SIM No h no CPP nenhum dispositivo que proba a participao do defensor do corru no ato do interrogatrio. Ademais, o interrogatrio tambm um meio de prova, de forma que, em homenagem ampla defesa, deve-se permitir que o advogado do corru possa fazer perguntas durante o interrogatrio do outro acusado. A doutrina tambm comunga do mesmo entendimento: (...) no temos dvidas em ver includo, no princpio da ampla defesa, o direito participao da defesa tcnica - do advogado - de corru durante o interrogatrio de todos os acusados. Isso porque, em tese, perfeitamente possvel a coliso de interesses entre os rus, o que, por si s, justificaria a participao do defensor daquele corru sobre quem recaiam acusaes por parte de outro, por ocasio do interrogatrio. A ampla defesa e o contraditrio exigem, portanto, a participao dos defensores dos corrus no interrogatrio de todos os acusados. (OLIVEIRA, Eugnio Pacelli de. Curso de processo penal. 13. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 400) Vale ressaltar que o acusado que estiver sendo interrogado no sofrer nenhum tipo de prejuzo, considerando que no obrigado a responder as perguntas (art. 186, pargrafo nico, CPP). STJ 1. Embora o interrogatrio mantenha seu escopo eminentemente como meio de defesa, quando envolve a acusao ou participao de outro denunciado, cria a possibilidade defesa do litisconsorte passivo realizar reperguntas, assegurando a ampla defesa e a participao ativa do acusado no interrogatrio dos corrus.

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Outros precedentes

2. No h que se confundir, nessa situao, o corru com testemunha, pois o interrogado no estar obrigado a responder as perguntas dos demais envolvidos, preservado o direito de permanecer em silncio e de no produzir provas contra si. Precedentes desta Turma e do Supremo Tribunal Federal. (...) 4. Habeas corpus concedido em parte para determinar a renovao dos interrogatrios dos acusados, assegurando o direito das defesas dos corrus realizarem reperguntas, resguardado o direito dos interrogados no auto-incriminao e ao de permanecer em silncio, mantidos os demais atos da instruo. (HC 162.451/DF, Rel. Ministro Haroldo Rodrigues (Desembargador Convocado do TJ/CE), Sexta Turma, julgado em 15/06/2010, DJe 16/08/2010) STF A deciso que impede que o defensor de um dos rus repergunte ao outro acusado ofende os princpios constitucionais da ampla defesa, do contraditrio e da isonomia, gerando nulidade absoluta. (...) (HC 101648, Relator(a): Min. CRMEN LCIA, Primeira Turma, julgado em 11/05/2010) ProcessoQuinta Turma. HC 198.668-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/9/2012.

Recursos (interposio por meio de fax)No caso de recurso interposto por fax, a apresentao dos originais deve ocorrer em at 5 (cinco) dias, conforme determina o art. 2. da Lei n. 9.800/99, cujo prazo contnuo, iniciando no dia imediatamente subsequente ao termo final do prazo recursal, ainda que no haja expediente forense. Comentrios Imagine a seguinte situao adaptada do caso concreto: O ru foi absolvido pelo juiz em 1 instncia. O Ministrio Pblico interps apelao, tendo, contudo, enviado o recurso por meio de fax. Qual a providncia que o MP ter que adotar ento? Dever juntar os originais do recurso no prazo de 5 dias, conforme prev o art. 2, da Lei n. 9.800/99. Esse prazo de 5 dias contado da data em que a parte interps o recurso ou da data em que se encerraria o prazo recursal? R: O prazo de 5 dias contado da data em que se encerraria o prazo do recurso. Veja a redao da Lei n. 9.800/99: Art. 2 A utilizao de sistema de transmisso de dados e imagens no prejudica o cumprimento dos prazos, devendo os originais ser entregues em juzo, necessariamente, at cinco dias da data de seu trmino. No caso de recurso interposto por fax, a apresentao dos originais deve ocorrer em at 5 (cinco) dias, conforme determina o art. 2. da Lei n. 9.800/99, cujo prazo contnuo, iniciando no dia imediatamente subsequente ao termo final do prazo recursal, ainda que no haja expediente forense. Nesse sentido, o STJ possui outros precedentes cobrados em provas: 1. Os originais da petio recursal interposta via fac-smile devem ser protocolados em juzo em at 5 (cinco) dias da data final do prazo do respectivo recurso, sob pena de

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intempestividade. Inteligncia do art. 2, caput, da Lei 9.800/1999. 2. Por ser o prazo para a apresentao dos originais um mero prolongamento do prazo recursal, ele contnuo, no havendo suspenso ou interrupo por ocorrncia de feriado, sbado ou domingo. (...) (AgRg no AREsp 47.172/RJ, Rel. Ministro Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ/RS), Sexta Turma, julgado em 17/11/2011, DJe 28/11/2011) ProcessoQuinta Turma. HC 244.210-RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 6/9/2012.

Princpio do in dubio pro societate e primeira fase do Tribunal do JriA deciso de pronncia encerra simples juzo de admissibilidade da acusao, exigindo o ordenamento jurdico somente o exame da ocorrncia do crime e de indcios de sua autoria, no se demandando aqueles requisitos de certeza necessrios prolao de uma sentena condenatria. Assim, nessa fase processual, as questes resolvem-se a favor da sociedade (princpio do in dubio pro societate). Desse modo, afirmar se o ru agiu com dolo eventual ou culpa consciente tarefa que deve ser analisada pelo Corpo de Jurados, juiz natural da causa. Comentrios O princpio do in dubio pro societate existe no ordenamento jurdico brasileiro? O princpio do in dubio pro societate significa que, na dvida, deve-se dar prosseguimento ao penal. O princpio do in dubio pro societate contrape-se ao princpio do in dubio pro reo. No existe uma resposta pacfica sobre o tema. Vamos tentar dar as orientaes mais seguras para a prova, ressaltando, mais uma vez, no haver consenso sobre o assunto:Fase de recebimento da denncia CPP/Art. 395. A denncia ou queixa ser rejeitada quando: (...) III - faltar justa causa para o exerccio da ao penal. 1 corrente: afirma que o CPP no exige prova de autoria, mas apenas indcios. Desse modo, ter-se-ia adotado o princpio do in dubio pro societate. Era a posio clssica, mas hoje tende a ser superada. 2 corrente: defende que tal princpio no possui amparo legal, nem decorre da lgica do sistema processual penal brasileiro, pois a sujeio ao juzo penal, por si s, j representa um gravame. Assim, imperioso que haja razovel grau de convico para a submisso do indivduo aos rigores persecutrios, no devendo se iniciar uma ao penal carente de justa causa. Foi a posio sustentada no julgado noticiado neste informativo (HC 175.639-AC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 20/3/2012). 1 corrente: a maioria da doutrina e da jurisprudncia ainda entende que se aplica o princpio do in dubio pro societate, exigindo-se, no entanto, que seja interpretado com reservas uma vez que necessria a presena de indcios mnimos de autoria. Nesse sentido: Tvora e Alencar: Note-se que vigora, nesta fase, a regra do in dubio pro societate: existindo a possibilidade de se entender pela imputao vlida do crime contra a vida em relao ao acusado, o juiz deve admitir a acusao, assegurando o cumprimento da Constituio, que reservou a competncia para o julgamento de delitos dessa espcie para o tribunal popular. (...) Todavia, o in dubio pro societate deve ser aplicado com prudncia, para evitar que os

Deciso de pronncia no procedimento do Tribunal do Jri CPP/Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciar o acusado, se convencido da materialidade do fato e da existncia de INDCIOS suficientes de autoria ou de participao.

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acusados sejam pronunciados sem um suporte probatrio que viabilize o exame vlido da causa pelos jurados. (Curso de Direito Processual Penal. 7 ed., Salvador: Juspodivm, p. 843). O julgado noticiado neste Informativo adota essa 1 corrente: Na primeira fase do procedimento do tribunal do jri prevalece o princpio in dubio pro societate, devendo o magistrado, na deciso de pronncia, apenas verificar a materialidade e a existncia de indcios suficientes de autoria ou participao (art. 413 do CPP). Assim, a verificao do dolo eventual ou da culpa consciente deve ser realizada apenas pelo Conselho de Sentena. (...) REsp 1.279.458-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/9/2012. 2 corrente: afirma que, para a pronncia, exige-se realmente apenas indcios (e no provas) e que, em caso de dvida, a regra a remessa para o Tribunal Popular decidir. No entanto, defende que esta regra no significa que tenhamos adotado o princpio do in dubio pro societate. o que defende a doutrina mais moderna. Por todos, cite-se Pacelli e Fischer: H entendimento jurisprudencial e doutrinrio no sentido de que, nessa fase procedimental, a submisso ao Tribunal Popular decorreria do princpio do in dubio pro societate. Compreendemos que, num sistema orientado por uma Constituio garantista, no poderia em sua essncia o princpio invocado servir como supedneo para a submisso ao Tribunal Popular. De fato, a regra a remessa para julgamento perante o juzo natural nessas circunstncias (eventual dvida). Mas no pelo in dubio pro societate. Parece-nos que esse o fundamento preponderante: como regra, apenas o Tribunal do Jri quem pode analisar e julgar os delitos dolosos contra a vida (tambm os conexos art. 78, I, CPP). dizer, o juiz natural para a apreciao dos delitos contra a vida o Tribunal do Jri, a quem, como regra (salvo nas hipteses de absolvio sumria ou desclassificao), dever ser regularmente encaminhado o processo. (Comentrios ao Cdigo de Processo Penal e Sua Jurisprudncia. So Paulo: Atlas, 2012, p. 849). Adota-se o princpio do in dubio pro reo. Aqui no h qualquer dvida, considerando que a insuficincia de provas, conduz absolvio, nos termos do art. 386, VII, do CPP.

No momento da anlise da autoria e materialidade na prolao da sentena (sem ser Tribunal do Jri)

Processo

Quinta Turma. REsp 1.279.458-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/9/2012.

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Tribunal do Jri e reviso criminalA condenao penal definitiva imposta pelo Jri tambm pode ser desconstituda mediante reviso criminal, no lhe sendo oponvel a clusula constitucional da soberania do veredicto do Conselho de Sentena. Se o Tribunal de Justia, ao julgar uma reviso criminal, entender que a condenao do ru foi proferida de forma contrria evidncia dos autos, ele poder absolver diretamente o condenado, no sendo necessrio que outro jri seja realizado. Havendo empate de votos no julgamento da reviso criminal, se o presidente do Tribunal, Cmara ou Turma, no tiver votado ainda, dever proferir o voto de desempate. Caso j tenha votado, prevalecer a deciso mais favorvel ao ru. Comentrios Reviso criminal ... - uma ao autnoma de impugnao - de competncia originria dos Tribunais (ou da Turma Recursal no caso dos Juizados) - por meio da qual a pessoa condenada requer ao Tribunal - que reveja a deciso que a condenou (e que j transitou em julgado) - sob o argumento de que ocorreu erro judicirio. Reviso criminal e ao rescisria A reviso criminal se parece com a ao rescisria do processo civil. Existem, no entanto, duas diferenas principais: Reviso criminal Ao rescisria Pode ser interposta a qualquer tempo aps Deve ser interposta at o prazo de 2 anos o trnsito em julgado (no h prazo de aps o trnsito em julgado. decadncia para ajuizar a reviso). S pode ser ajuizada em favor do condenado A ao rescisria pode ser proposta pelo (s existe reviso criminal pro reo; no existe autor ou pelo ru. reviso criminal pro societate). Ento a reviso criminal pode ser proposta a qualquer tempo? SIM. A reviso poder ser requerida em qualquer tempo, mesmo aps j ter sido extinta a pena (art. 622 do CPP). Natureza jurdica A reviso criminal NO um recurso. Trata-se de uma ao autnoma de impugnao, mais precisamente uma ao penal de natureza constitutiva (tem por objetivo desconstituir uma deciso transitada em julgado). Pressupostos: A reviso criminal tem dois pressupostos: a) existncia de deciso condenatria (ou absolutria imprpria) com trnsito em julgado; b) demonstrao de que houve erro judicirio. Quem pode propor a reviso criminal? O prprio ru; Procurador legalmente habilitado pelo ru; O cnjuge, ascendente, descendente ou irmo do ru, caso este j tenha morrido. CPP/Art. 623. A reviso poder ser pedida pelo prprio ru ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do ru, pelo cnjuge, ascendente, descendente ou irmo.

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O MP pode propor reviso criminal em favor do ru? H divergncia na doutrina. No entanto, para fins de prova objetiva, deve-se afirmar que no possvel, considerando que o CPP no prev essa legitimidade. Juzo rescindente e juzo rescisrio: No julgamento da reviso criminal, se o Tribunal decidir desconstituir a deciso impugnada, diz-se que houve juzo rescindente. Se, alm de desconstituir a deciso impugnada, o prprio Tribunal proferir uma outra deciso em substituio quela que foi rescindida, diz-se que houve juzo rescisrio. Vamos comparar essas duas situaes: Juzo rescindente (juzo revidente) Juzo rescisrio (juzo revisrio) (juzo de cassao): (juzo de reforma): Haver juzo rescindente quando o Tribunal Haver juzo rescisrio quando o Tribunal, desconstituir a deciso impugnada. aps desconstituir a deciso impugnada, proferir uma nova deciso em substituio quela que foi rescindida. Repare que, aps realizar o juzo rescindente, pode acontecer (ou no) de o Tribunal realizar o juzo rescisrio. Quando haver juzo rescisrio na reviso criminal? O CPP prev o seguinte: Art. 626. Julgando procedente a reviso, o tribunal poder alterar a classificao da infrao, absolver o ru, modificar a pena ou anular o processo. Dessa feita, julgando procedente a reviso (juzo rescindente), o Tribunal poder: - alterar a classificao da infrao (juzo rescindente + juzo rescisrio) - absolver o ru (juzo rescindente + juzo rescisrio) - modificar a pena (juzo rescindente + juzo rescisrio) ou - anular o processo (nesse caso, s haver juzo rescindente porque o processo ser devolvido 1 instncia onde l ser proferida nova sentena). Hipteses em que caber a reviso criminal: Art. 621. A reviso dos processos findos ser admitida: I - quando a sentena condenatria for contrria ao texto expresso da lei penal ou evidncia dos autos; II - quando a sentena condenatria se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos; III - quando, aps a sentena, se descobrirem novas provas de inocncia do condenado ou de circunstncia que determine ou autorize diminuio especial da pena. Reviso criminal e soberania dos veredictos: A Constituio Federal afirma que, no Tribunal do Jri, o veredicto dos jurados soberano: Art. 5 (...) XXXVIII - reconhecida a instituio do jri, com a organizao que lhe der a lei, assegurados: c) a soberania dos veredictos;

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Sobre esse tema, existem dois grandes debates: 1) A reviso criminal pode ser aplicada no caso de condenaes proferidas pelo jri ou haveria uma violao soberania dos veredictos? Em outras palavras, a reviso criminal de uma deciso condenatria do jri ofende o princpio da soberania dos veredictos? R: NO. Cabe reviso criminal mesmo no caso de condenaes proferidas pelo Jri. Assim, a condenao penal definitiva imposta pelo Jri tambm pode ser desconstituda mediante reviso criminal, no lhe sendo oponvel a clusula constitucional da soberania do veredicto do Conselho de Sentena. Esse o entendimento do STF e do STJ, tendo sido reafirmado neste julgado. Argumentos: A soberania dos veredictos do Jri, apesar de ser prevista constitucionalmente, no absoluta, podendo a deciso ser impugnada, seja por meio de recurso, seja por reviso criminal. A CF no previu os veredictos como um poder incontrastvel e ilimitado. Segundo a doutrina, a soberania dos veredictos uma garantia constitucional prevista em favor do ru (e no da sociedade). Desse modo, se a deciso do jri apresenta um erro que prejudica o ru, ele poder se valer da reviso criminal. No se pode permitir que uma garantia instituda em favor do ru (soberania dos veredictos) acabe por prejudic-lo, impedindo que ele faa uso da reviso criminal. Agora vem a pergunta mais polmica: 2) O Tribunal que ir julgar a reviso criminal, alm de fazer o juzo rescindente, poder tambm efetuar o juzo rescisrio? Ex: se o Tribunal de Justia entender que a deciso condenatria do jri foi contrria evidncia dos autos (art. 621, I, do CPP), ele ter que apenas anular a deciso e determinar que outra seja proferida (juzo rescindente) ou poder, alm de desconstituir a deciso condenatria, julgar o caso e absolver desde logo o ru (juzo rescisrio)? 1 corrente: O Tribunal, ao julgar a reviso, tem competncia para fazer o juzo rescindente e tambm o juzo rescisrio. Quem defende: Ada Pellegrini Grinover 2 corrente: O Tribunal s poder fazer o juzo rescindente, devendo determinar que seja realizado novo jri ao invs de absolver o ru. Quem defende: Guilherme de Souza Nucci

Qual o entendimento do STJ? Trata-se de tema polmico, mas a 5 Turma do STJ recentemente adotou a 1 corrente. Assim, se o Tribunal de Justia, ao julgar uma reviso criminal, entender que a condenao do ru foi proferida de forma contrria evidncia dos autos, ele poder absolver diretamente o condenado, no sendo necessrio que outro jri seja realizado. Confira: (...) 1. possvel, em sede de reviso criminal, a absolvio, por parte do Tribunal de Justia, de ru condenado pelo Tribunal do Jri. (...) 5. Em uma anlise sistemtica do instituto da reviso criminal, observa-se que entre as prerrogativas oferecidas ao Juzo de Reviso est expressamente colocada a possibilidade de absolvio do ru, enquanto a determinao de novo julgamento seria consectrio lgico da anulao do processo. (...) (REsp 964.978/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. p/ Acrdo Min. Adilson Vieira Macabu (Desembargador Convocado do TJ/RJ), Quinta Turma, julgado em 14/08/2012, DJe 30/08/2012)

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Obra consultada Processo

Uma ltima pergunta: Se houver empate no julgamento da reviso criminal pelo Tribunal, o que acontece? Em caso de empate, deve-se aplicar, por analogia, a regra prevista no 1 do art. 615 do CPP: 1 Havendo empate de votos no julgamento de recursos, se o presidente do tribunal, cmara ou turma, no tiver tomado parte na votao, proferir o voto de desempate; no caso contrrio, prevalecer a deciso mais favorvel ao ru. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Vol. II. Niteri : Impetus, 2012.Quinta Turma. HC 137.504-BA, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 28/8/2012.

DIREITO TRIBUTRIOICMS e energia eltricaA energia furtada antes da entrega ao consumidor final no pode ser objeto de incidncia do ICMS. O fato gerador do ICMS o consumo de energia eltrica, portanto o momento do consumo o elemento temporal da obrigao tributria, sendo o aspecto espacial o local onde ela consumida (o Estado de destino que recolhe o imposto). Dessa forma, o ICMS deve incidir sobre o valor da energia efetivamente consumida. Assim, a energia eltrica furtada nas operaes de transmisso e distribuio no sofre incidncia de ICMS por absoluta intributabilidade em face da no ocorrncia do fato gerador. Comentrios IMPOSTO SOBRE A CIRCULAO DE MERCADORIAS E PRESTAO DE SERVIOS ICMS Previso O ICMS um imposto estadual previsto no art. 155, II, da CF e na LC 87/96: Art. 155 - Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II - operaes relativas circulao de mercadorias e sobre prestaes de servios de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicao, ainda que as operaes e as prestaes se iniciem no exterior; Caractersticas Principais caractersticas do imposto: Plurifsico: incide sobre o valor agregado, obedecendo-se ao princpio da nocumulatividade; Real: as condies da pessoa so irrelevantes; Proporcional: no progressivo; Fiscal: tem como funo principal a arrecadao. Fatos geradores Eduardo Sabbag afirma que, resumidamente, o ICMS pode ter os seguintes fatos geradores (Manual de Direito Tributrio. 4 ed., So Paulo: Saraiva, 2012, p. 1061): Circulao de mercadorias; Prestao de servios de transporte intermunicipal; Prestao de servios de transporte interestadual; Prestao de servios de comunicao. Energia eltrica A energia eltrica considerada mercadoria para fins de ICMS?

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Quando ocorre a circulao (compra e venda) de energia eltrica, haver incidncia de ICMS? R: SIM. A energia eltrica classificada como mercadoria, havendo pagamento de ICMS. Em verdade, a prpria CF/88 catalogou a energia eltrica como mercadoria para fins de ICMS (art. 155, 2, X, b e 3). Algumas concluses sobre o ICMS e a energia eltrica: No caso da energia eltrica, o nosso sistema tributrio adotou como elemento temporal da hiptese de incidncia do ICMS o consumo, vale dizer, o momento em que a energia, saindo da rede eltrica, utilizada pelo estabelecimento consumidor. Em outras palavras, o ICMS incide por ocasio do consumo da energia eltrica. O fato gerador do ICMS apenas se aperfeioa, fazendo com que surja a obrigao tributria, com o fornecimento da energia eltrica ao consumidor final. Se a venda de energia eltrica envolver mais de um Estado, o ICMS dever ser recolhido ao Estado de destino, onde situado o consumidor final. Desse modo, o elemento espacial do ICMS-Energia o local onde consumida a energia. As empresas distribuidoras de energia eltrica so responsveis, na qualidade de substitutas tributrias, pelo recolhimento do imposto que ser devido ao Estado de destino. O ICMS deve incidir sobre o valor da energia eltrica efetivamente consumida, isto , a que for entregue ao consumidor, a que tenha sado da linha de transmisso e entrado no estabelecimento da empresa. Assim, a energia eltrica s gerada e s circula quando h consumo (STJ REsp 960.476/SC).

Feitas essas explicaes, vejamos o que foi debatido pelo STJ: Se a energia for furtada antes da entrega ao consumidor final, mesmo assim poder haver a cobrana do ICMS? Se ocorre furto de energia eltrica (exs: adulterao de medidores, "gato" etc.), haver mesmo assim incidncia de ICMS? NO. Roque Antnio Carraza explica que, para que haja incidncia do ICMS-Energia Eltrica imprescindvel que ocorra uma operao jurdica com o consumidor final. Assim, s h que se falar em nascimento do dever de pagar ICMS quando o fornecimento de energia eltrica decorrer de um negcio jurdico regular. Logo, o ICMS deixa de ser devido nos casos em que a energia eltrica se perde, quer por razes fsicas ("vazamentos" no sistema), quer por motivos de ordem criminal (furto). que, inexistindo consumo regular, ausente est pelo menos sob a ptica do Direito Tributrio qualquer operao relativa ao fornecimento de energia eltrica (ICMS. 13 ed., So Paulo: Malheiros Editores, 2009, p. 272-273). O STJ, considerando esse entendimento de Carraza e de outros doutrinadores, chegou s seguintes concluses: A energia furtada antes da entrega ao consumidor final no pode ser objeto de incidncia do ICMS;

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O FG do ICMS o consumo de energia eltrica, portanto o momento do consumo o elemento temporal da obrigao tributria, sendo o aspecto espacial o local onde ela consumida (o Estado de destino que recolhe o imposto); O ICMS deve incidir sobre o valor da energia efetivamente consumida. Assim, a energia eltrica furtada nas operaes de transmisso e distribuio no sofre incidncia de ICMS por absoluta intributabilidade em face da no ocorrncia do fato gerador.

Processo

Segunda Turma. REsp 1.306.356-PA, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 28/8/2012.

EXERCCIOS DE FIXAOJulgue os itens a seguir: 1) (Juiz Federal/TRF3 CESPE 2011) Em havendo fundados indcios de responsabilidade pela prtica de ato de improbidade, a comisso processante designada pela autoridade administrativa competente pode, de ofcio, decretar o sequestro dos bens do agente pblico ou terceiro que tenha causado dano ao patrimnio pblico. ( ) 2) (AGU CESPE 2012) Autorizada a cumulao do pedido condenatrio e do de ressarcimento em ao por improbidade administrativa, a rejeio do pedido condenatrio por prescrio no obsta o prosseguimento da demanda relativa ao pedido de ressarcimento, que imprescritvel. ( ) 3) (Promotor/RR CESPE 2012) Consoante entendimento do STJ, para a decretao da indisponibilidade de bens, necessria a prova de periculum in mora concreto, ou seja, de que o acusado esteja dilapidando seu patrimnio, ou na iminncia de faz-lo, alm da demonstrao de fumus boni iuris, consistente em fundados indcios da prtica de atos de improbidade administrativa. ( ) 4) (Promotor/SP 2012) Com relao Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92), correto afirmar que caber autoridade administrativa responsvel pelo inqurito representar ao Ministrio Pblico para indisponibilidade dos bens do indiciado. ( ) 5) (Juiz TJCE CESPE 2012) A Lei n. 8.429/1992, que trata da improbidade administrativa, determina que a autoridade administrativa responsvel pelo inqurito apresente ao MP representao para a indisponibilidade dos bens do indiciado, nos casos em que o ato de improbidade ensejar enriquecimento ilcito, providncia prescindvel caso as condutas causem leso ao errio ou atentem contra os princpios da administrao. ( ) 6) (Juiz TJCE CESPE 2012) Entre as medidas de natureza cautelar que podem ser adotadas na esfera administrativa, contra o agente que pratique ato de improbidade, incluem-se o afastamento do exerccio do cargo, emprego ou funo, e o sequestro e bloqueio de bens. ( ) 7) (Juiz Federal/TRF3 CESPE 2011) Em havendo fundados indcios de responsabilidade pela prtica de ato de improbidade, a comisso processante designada pela autoridade administrativa competente pode, de ofcio, decretar o sequestro dos bens do agente pblico ou terceiro que tenha causado dano ao patrimnio pblico. ( ) 8) (Promotor/RR CESPE 2012) Determinada pessoa pode exercer um direito contrariando um comportamento anterior prprio, sem necessidade de observncia dos elementos constitutivos da boaf objetiva. ( ) 9) (PFN ESAF 2012) A proibio do venire contra factum proprium, corolrio do princpio da boa-f, impede que sejam adotadas posturas contraditrias no processo e constitui lastro para a teorizao da precluso lgica no processo civil. ( ) 10) (Juiz Federal/TRF2 CESPE 2009 adaptada) A boa-f objetiva recomenda a verificao da vontade aparente das partes. ( ) 11) (Juiz Federal/TRF2 CESPE 2009) Por se tratar de regra de conduta, a boa-f objetiva da parte analisada externamente. ( ) 12) (Juiz Federal/TRF3 CESPE 2011) A considerao pelo juiz da possibilidade de existncia de propsito protelatrio do ru indica anlise da situao conforme o princpio da boa f processual, sob o ngulo objetivo. ( )

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13) (Juiz Federal/TRF3 CESPE 2011) A configurao do abuso de direito exige o elemento subjetivo. ( ) 14) (Juiz Federal/TRF3 CESPE 2011) De acordo com o STJ, a teoria dos atos prprios no se aplica ao poder pblico. ( ) 15) (Promotor/RR CESPE 2012) O princpio da unirrecorribilidade no comporta excees. ( ) 16) (Promotor/TO CESPE 2012) O princpio da unirrecorribilidade unicidade ou singularidade recursal a regra geral e implica a impossibilidade de interposio de mais de um recurso, simultaneamente, contra a mesma deciso. ( ) 17) (Juiz TJ/AC CESPE 2012) A execuo de dvida oriunda de penso alimentcia no pode ensejar a penhorabilidade do bem de famlia. ( ) 18) A impenhorabilidade do bem de famlia no pode ser oposta pelo devedor ao credor de penso alimentcia decorrente de indenizao por ato ilcito. ( ) 19) (DPU CESPE 2010) A reviso criminal, que um dos aspectos diferenciadores do mero direito defesa e do direito ampla defesa, este caracterizador do direito processual penal, tem por finalidade o reexame do processo j alcanado pela coisa julgada, de forma a possibilitar ao condenado a absolvio, a melhora de sua situao jurdica ou a anulao do processo. ( ) 20) (Promotor/SE CESPE 2010) Compete ao tribunal de justia processar e julgar reviso criminal em que o ru condenado pelo juizado especial criminal, por praticar crime de menor potencial ofensivo, pugne pela reforma de deciso. ( ) 21) (Promotor/RO CESPE 2010) Acerca dos recursos e das aes penais autnomas, assinale a opo correta. a) A soberania dos vereditos no tribunal do jri no absoluta, pois se admite reviso criminal, ao na qual o ru que foi condenado pelo conselho de sentena poder ser absolvido. b) De acordo com o CPP, tm legitimidade para promover a reviso criminal o prprio ru, seu procurador legal, membro do MP e, em caso de morte do ru, o cnjuge, ascendente, descendente ou irmo do condenado. c) A reviso criminal pode ser proposta a qualquer tempo, desde que no esteja extinta a punibilidade, hiptese em que no ser possvel a reviso por falta de interesse de agir. d) pressuposto da reviso criminal o trnsito em julgado de uma sentena penal condenatria, sendo inadmissvel nos casos de sentena penal absolutria, ainda que se aplique medida de segurana. e) De acordo com a Lei de Execues Penais, das decises proferidas pelo juiz das execues caber recurso de agravo no prazo de dez dias, com efeito suspensivo. 22) (Juiz/PB CESPE 2011) Conforme jurisprudncia do STJ, a deciso de pronncia exige juzo de certeza, no podendo, no entanto, o magistrado proferir manifestao exauriente sobre a prtica do delito, sob pena de incorrer em invaso da competncia constitucional do jri. ( ) 23) (Promotor/RR CESPE 2012) De acordo com a Lei Federal n. 9.800/1999, possvel a prtica de qualquer ato processual escrito por meio de sistema de transmisso de dados e imagens do tipo facsmile ou outro similar, entendendo o STJ que o prazo de juntada dos originais em juzo deve ser contnuo, no se interrompendo nos sbados, domingos e feriados. ( ) Questo discursiva: (Juiz Federal/TRF5 CESPE 2011) Consoante o art. 513 do Cdigo de Processo Civil, da sentena caber apelao. Analise, de forma fundamentada, esse dispositivo legal luz dos princpios contrapostos da unirrecorribilidade e da fungibilidade dos recursos, discutindo a possibilidade de interposio de outros recursos diante de uma sentena, nos termos de permissivos tambm presentes na legislao processual cvel. Caso tal interposio seja considerada possvel, identifique os recursos.1. E 11. C 21. Letra A 2. C 12. C 22. E 3. E 13. E 23. C

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4. C 14. E

5. E 15. E

6. E 16. C

7. E 17. E

8. E 18. C

Gabarito 9.C 10. C 19. C 20. E