Informe Emprego Doméstico 2016

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Text of Informe Emprego Doméstico 2016

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    EMPREGO DOMSTICO NO MERCADO DE

    TRABALHO DA REGIO METROPOLITANA

    DE PORTO ALEGRE

    Emprego domstico na Regio Metropolitana de Porto Alegre, em 2015

    Em 2015, o desempenho negativo do mercado de trabalho, diante da intensa

    retrao do nvel de atividade econmica, resultou em queda no nvel de ocupao e do

    rendimento mdio, alm da elevao da taxa de desemprego na Regio Metropolitana de

    Porto Alegre (RMPA). Diante desse cenrio, verificou-se aumento no nmero de

    empregadas domsticas, na RMPA, interrompendo a tendncia de declnio observada

    desde o ano de 2008. O rendimento mdio real por hora apresentou reduo para as

    mensalistas com carteira de trabalho assinada e ficou estvel para as diaristas.

    O servio domstico uma importante alternativa de trabalho, principalmente para

    as mulheres maduras e com baixa escolaridade, o que torna presente a necessidade de

    acompanhar os possveis impactos sobre os servios domsticos, com a aprovao da

    Emenda Constitucional n 72, de 2 de abril de 2013, e da Lei Complementar n 150, de 1

    de junho de 2015 (PEC das domsticas), que estende, aos empregados domsticos, a

    maioria dos direitos previstos aos demais trabalhadores registrados com carteira de

    trabalho assinada (em regime da CLT), como proteo do salrio, jornada mxima, horas

    extras, segurana do trabalho, FGTS obrigatrio, seguro-desemprego, dentre outros.

    Destaca-se que ainda cedo para afirmar que algumas mudanas percebidas nas

    caractersticas do emprego domstico tenham sido decorrentes da nova legislao.

    Neste estudo, so analisadas as informaes sobre as mulheres no emprego

    domstico, como uma maneira de melhor entender esse segmento em situaes tpicas,

    uma vez que os homens, alm de comporem uma parcela muito pequena, costumam

    exercer atividades com caractersticas bastante distintas das desempenhadas pelas

    mulheres, como as de motorista e de jardineiro.

    Dessa forma, este boletim faz uma anlise do emprego domstico em 2015, com

    dados sobre forma de contratao, regio de moradia e de trabalho, jornada mdia de

    trabalho, rendimento mdio real por hora e contribuio para a Previdncia Social.

    ABRIL 2016

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    As empregadas domsticas na Regio Metropolitana de Porto Alegre

    Em 2015, a participao dos servios domsticos no total dos ocupados, na Regio

    Metropolitana de Porto Alegre, era de 5,2%, sendo que as mulheres representavam

    96,7% dos ocupados inseridos nesse segmento 88 mil trabalhadoras ,

    principalmente em atividades de servios gerais, contratadas com, ou sem, carteira de

    trabalho assinada, ou trabalhando como diaristas.

    Em relao ao total de mulheres ocupadas, o emprego domstico aumentou a sua

    participao de 10,4% em 2014 para 10,8% em 2015, interrompendo uma trajetria de

    declnio observada desde 2008, no mercado de trabalho da Regio.

    As empregadas domsticas mensalistas com carteira de trabalho assinada,

    posio na ocupao de maior tamanho no emprego domstico feminino, apresentaram

    crescimento em sua participao relativa, de 46,4% em 2014 para 47,9% em 2015, em

    detrimento das trabalhadoras diaristas, que passaram de 33,7% para 32,0%. J a parcela

    relativa das mensalistas sem carteira de trabalho assinada ficou relativamente estvel, ao

    passar de 19,9% em 2014 para 20,1% em 2015 (Grfico 1).

    Grfico 1 Distribuio das mulheres empregadas domsticas, por posio na ocupao,

    na Regio Metropolitana de Porto Alegre 2014 e 2015

    FONTE: PED-RMPA Convnio FEE, FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio MTPS/FAT.

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    O emprego domstico feminino apresentou elevao de 2,3% em 2015 (mais 2 mil

    ocupadas) em comparao ao do ano anterior. De acordo com a posio na ocupao,

    verificou-se aumento para as mensalistas, sendo de 5,6% entre as com carteira de

    trabalho assinada (mais 2 mil empregadas) e de 3,4% entre as sem carteira assinada

    (mais 1 mil ocupadas). J entre as diaristas, observou-se reduo de 2,8% (menos 1 mil

    ocupadas) (Grfico 2). Isso indica que, apesar da deteriorao do mercado de trabalho

    regional ocorrida em 2015, o aumento no contingente de trabalhadoras domsticas

    ocorreu, principalmente, na ocupao que apresenta maior proteo social.

    Grfico 2

    ndices do nvel de ocupao das mulheres empregadas domsticas, por posio na ocupao, na Regio Metropolitana de Porto Alegre 2014 e 2015

    FONTE: PED-RMPA Convnio FEE, FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio MTPS/FAT.

    NOTA: 1. A base do ndice o ano de 2009 =100. 2. As estimativas de jan./15 a abr./15 foram corrigidas em jan./16, devido atualizao de pesos amostrais. 3. Projees populacionais atualizadas em jan./16; ver Nota tcnica n 2.

    Perfil das trabalhadoras domsticas

    De acordo com as caractersticas sociodemogrficas, o aumento no contingente de

    trabalhadoras domsticas, em 2015, ocorreu entre as mulheres no negras, que

    passaram a representar 79,2% do total das trabalhadoras. J as mulheres negras

    representavam 20,8% das domsticas, no mesmo ano, o que mostra uma

    sobrerrepresentao dessa populao, uma vez que as negras constituam 13,6% da

    Legenda:

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    Populao Economicamente Ativa (PEA) na RMPA, em 2015.

    Destaca-se que o servio domstico continua sendo uma importante alternativa de

    trabalho para as mulheres maduras e que elas esto envelhecendo nessa ocupao,

    confirmando uma tendncia da fora de trabalho regional. Em 2014, 75,6% dessas

    trabalhadoras tinham 40 anos e mais, parcela que aumentou para 77,2% em 2015.

    Em relao ao grau de instruo, observou-se, em 2015, um avano na

    escolaridade das domsticas e que a parcela das mulheres que possuem o ensino mdio

    completo ou superior incompleto aumentou de 19,5% em 2014 para 23,9% em 2015,

    principalmente entre as mensalistas com carteira de trabalho assinada. Entretanto a maior

    parte das trabalhadoras domsticas possui baixa escolaridade, visto que 47,4% delas no

    tinham concludo o ensino fundamental em 2015 (Grfico 3).

    Quanto posio no domiclio, as cnjuges continuam tendo a maior parcela entre

    as domsticas, representando 47,6% delas, enquanto as chefe de domiclio eram 40,3%

    das trabalhadoras em 2015. Contudo os dados revelam uma insero ocupacional menos

    favorvel quanto aos direitos trabalhistas para as chefes de domiclio, dado que 60%

    delas trabalhavam como mensalistas sem carteira assinada ou como diaristas, em 2015,

    enquanto 50% das cnjuges eram mensalistas com carteira assinada.

    Grfico 3

    Distribuio percentual das mulheres empregadas domsticas, segundo as caractersticas

    sociodemogrficas, na Regio Metropolitana de Porto Alegre 2014 e 2015

    FONTE: PED-RMPA Convnio FEE, FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio MTPS/FAT.

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    Trabalho e local de moradia

    A parcela de empregadas domsticas da RMPA residentes no Municpio de Porto

    Alegre aumentou de 34,2% em 2014 para 37,8% em 2015. Esse acrscimo ocorreu,

    principalmente, entre as mensalistas sem carteira assinada e diaristas, dado que as

    residentes na Capital gacha passaram a representar 40,9% e 32,1% respectivamente.

    Por sua vez, a proporo das trabalhadoras que residiam nos demais municpios da

    RMPA reduziu-se de 65,8% em 2014 para 62,2% em 2015 (Tabela 1).

    Tabela 1 Distribuio das mulheres empregadas domsticas, por municpio de moradia na Regio Metropolitana de

    Porto Alegre, segundo a posio na ocupao 2014 e 2015 (%)

    PERODO E MUNICPIO DE MORADIA

    TOTAL

    MENSALISTAS

    DIARISTAS Com Carteira

    Assinada Sem Carteira

    Assinada

    2014 Total .............................................. 100,0 100,0 100,0 100,0

    Municpio de Porto Alegre ......... 34,2 40,1 (1)- 25,5

    Demais municpios da RMPA .... 65,8 59,9 65,0 74,5

    2015

    Total .............................................. 100,0 100,0 100,0 100,0

    Municpio de Porto Alegre ......... 37,8 40,3 40,9 32,1

    Demais municpios da RMPA .... 62,2 59,7 59,1 67,9

    FONTE: PED-RMPA - Convnio FEE, FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio MTPS/FAT. (1) A amostra no comporta desagregao para essa categoria.

    As trabalhadoras domsticas que residiam e trabalhavam em municpios distintos

    apresentaram reduo de 32,9% em 2014 para 28,5% em 2015, enquanto aquelas que

    residiam e trabalhavam no mesmo municpio aumentaram para 71,5% em 2015 contra

    67,1% no ano anterior. Isso revela que a dificuldade de encontrar trabalho prximo de sua

    moradia diminuiu no ltimo ano, principalmente entre as mensalistas sem carteira

    assinada, pois a parcela delas, nessa situao, foi ampliada de 77,0% para 84,6% no

    mesmo perodo. Verificou-se que a parcela das trabalhadoras domsticas que residiam e

    trabalhavam no Municpio de Porto Alegre, em 2015, era de 40,0% entre as mensalistas

    com carteira, 40,2% entre aquelas sem carteira, e 31,4% entre as diaristas (Tabela 2).

    Observa-se que o tema da mobilidade relevante nessa ocupao, pois mesmo

    aquelas que residiam e trabalhavam no mesmo municpio, no raro, precisam percorrer

    longos trajetos diariamente, ao se deslocarem de locais mais perifricos para trabalharem

    em regies mais centrais.

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    Tabela 2

    Distribuio das mulheres empregadas domsticas, por posio na ocupao, segundo a regio de moradia e de trabalho, na Regio Metropolitana de Porto Alegre 2014 e 2015

    (%)

    PERODO E REGIO DE MORADIA E