Inteligencia Emocional- Acessado Em 12.08.14 as 5.49

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Text of Inteligencia Emocional- Acessado Em 12.08.14 as 5.49

  • 337Paidia, 2006, 16(35), 337-348

    1 Recebido em 04/12/2006 e aceito para publicao em 06/02/2007.

    2 Endereo para correspondncia: Ricardo Primi, Universidade So

    Francisco, Laboratrio de Avaliao Psicolgica e Educacional(LabAPE), Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45, CEP: 13251-900,I tat iba-SP, E-mail : r icardo.primi@saofrancisco.edu.br ourprimi@uol.com.br

    INTELIGNCIA EMOCIONAL E DESEMPENHO NO TRABALHO: UM ESTUDOCOM MSCEIT, BPR-5 E 16PF1

    Cludia CobroRicardo Primi2

    Monalisa MunizUniversidade So Francisco

    Resumo: O presente trabalho teve como objetivo investigar a validade de uma medida de intelignciaemocional correlacionando-a com medidas de inteligncia, personalidade e desempenho profissional.Participaram do estudo 119 sujeitos, com idade entre 17 e 64 anos, de ambos os sexos e que trabalham emempresas situadas em municpios do interior do estado de So Paulo. Os instrumentos utilizados foram: Versoem Portugus do Mayer-Salovey-Caruso-Emotional Intelligence Test (MSCEIT), o Questionrio DezesseisFatores da Personalidade (16PF), Bateria de Provas de Raciocnio (BPR-5), Avaliao de Desempenhorespondido por duas pessoas (um supervisor e um colega). Os resultados apontam baixa correlao entreinteligncia emocional e personalidade, bem como com inteligncia. Indicam tambm que a faceta regulaodas emoes se correlaciona com o desempenho profissional e apresenta validade incremental em relao inteligncia. Em suma conclui-se que a inteligncia emocional constitui um tipo diferenciado de inteligncia tilna avaliao psicolgica no contexto organizacional.

    Palavras-chave: Inteligncia Emocional; Mayer-Salovey-Caruso-Emotional Intelligence Test (MSCEIT);Avaliao Psicolgica; Processos Seletivos; BPR-5; 16PF; Validade.

    EMOTIONAL INTELLIGENCE AND JOB PERFORMANCE: A STUDY WITHMSCEIT, BPR-5 AND 16PF

    Abstract: This research had as objective to investigate the validity of a emotional intelligence measurecorrelating it with measures of intelligence, personality, and job performance. The participants were 119subjects, aged 17 to 64 years old, of bothe sex that work in cities industries from the state of So Paulo. Theinstruments used: the Mayer-Salovey-Caruso-Emotional Intelligence Test (MSCEIT), protuguese version,the Sixteen Personality Factors Questionnaire (16PF), the Battery of Reasoning (BPR-5) a performanceevaluation made by two persons (supervisor and a colegue). The results show low correlations betweenemotional intelligence and personality. Also that the branch managing emotions is correlated with job performanceand presents validy with the intelligence. In sum it was concluded that emotional intelligence constitutes adifferentiated type of intelligence useful for psychological assessment in the context of industrial andorganizational psychology.

    Key words: Emotional Intelligence; Mayer-Salovey-Caruso-Emotional Intelligence Test (MSCEIT);Psychological Assessment; Selection Processes; BPR-5; 16PF; Validity.

    O termo Inteligncia Emocional tornou-seconhecido na dcada de 90 pela obra de DanielGoleman (1995) intitulada Inteligncia Emocional.

    Logo aps o lanamento desse livro, o termo foirapidamente disseminado em diversos segmentos dasociedade (Goleman, 1995; Roberts, Flores-Mendoza& Nascimento, 2002). Mas, ao contrrio do pensado,esse conceito no foi proposto por Daniel Goleman,mas por Peter Salovey e John Mayer em 1990.

    Segundo Mayer, Salovey e Caruso (2000), arelao terica entre inteligncia e emoo j era

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    usada antes da divulgao do termo intelignciaemocional no incio da dcada de 90, sendo utilizadopela primeira vez por Payne (1985, citado por Hein,2003) em sua tese de doutorado, em que eleapresenta uma estrutura terica fundamentada ediscute a emoo e a inteligncia emocional do pontode vista filosfico, sem dar nfase demonstraoemprica de suas idias, o que levou a poucareceptividade do modelo.

    Do ponto de vista terico emprico, o termointeligncia emocional foi utilizado pela primeira vezpor, Mayer, DiPaolo e Salovey (1990), em umperidico cientfico internacional de Psicologia, numtrabalho que teve como objetivo estudar empirica-mente um de seus componentes, a habilidade depercepo de contedos afetivos. Essa pesquisacitou a inteligncia emocional como uma subclasseda Inteligncia Social, cujas habilidades estariamrelacionadas ao monitoramento dos sentimentos emsi e nos outros, na discriminao entre ambos e nautilizao desta informao para guiar o pensamentoe as aes, segundo Salovey e Mayer (1990), queao publicarem um segundo artigo, este se tornou maisconhecido que o primeiro, por apresentar o conceitointeligncia emocional.

    Nele, os autores fizeram uma anlise depesquisas cientficas que justificavam a necessidadede se conceber a existncia de uma habilidade relati-vamente distinta, que referiram como intelignciaemocional e procuraram posicion-la como um sub-conjunto da inteligncia social e das intelignciasmltiplas de Gardner (Salovey & Mayer, 1990);omodelo apresentado envolvia as habilidades de: a)avaliao e expresso de emoes em si mesmo eno outro de maneira verbal e no verbal; b) regulaode emoes em si mesmo e no outro por meio daempatia e c) utilizao de emoes por meio de umplanejamento flexvel do pensamento criativo, doredirecionamento da ateno e da motivao.

    Ao longo da dcada de noventa o conceitopassou por revises sendo que a definio atual dizque a inteligncia emocional refere-se a capacidadede perceber acuradamente, de avaliar e de expressaremoes; a capacidade de perceber e/ou gerarsentimentos quando eles facilitam o pensamento; acapacidade de compreender a emoo e o conhe-

    cimento emocional; e a capacidade de controlaremoes para promover o crescimento emocional eintelectual (Mayer & Salovey, 1997).

    Aps as primeiras publicaes sobre o tema(Mayer, DiPaolo & Salovey, 1990; Salovey & Mayer,1990), muitas crticas foram feitas, apontandoprincipalmente que se tratava de uma metforainapropriada e enganosa, na qual os autores estariamreescrevendo a inteligncia social e que no existianenhuma habilidade importante relacionada emoo.Em um editorial da revista Intelligence, Mayer eSalovey (1993) respondem a essas crticas definindoa inteligncia emocional como a capacidade deprocessar informaes carregadas de afeto,diferenciando-a assim das definies da social,apresentam tambm seus mecanismos e propem otermo inteligncia emocional para estudos queinvestigam a interao entre emoo e inteligncia.

    Segundo Goleman (1995) o QI e a intelignciaemocional no so capacidades que se sobrepem,mas distintas. Na verdade, h uma ligeira correlaoentre QI e alguns aspectos da inteligncia emocional,embora bastante pequena para que fique claro quese trata de duas entidades bastante independentes(p. 57). Mayer e Salovey (1997) dizem tambm quea inteligncia emocional no o oposto da inteligncia,mas sim a interseco entre ela e a emoo. Assim,ela seria uma habilidade cognitiva relacionada ao usodas emoes para ajudar na resoluo de problemas;argumentam ser inadequado conceber a emoo seminteligncia, ou esta sem aquela, trazendo o conceitouma viso integrada da razo e emoo.

    Mayer e Salovey (1997) definem esseconstruto por quatro ramificaes dos processospsicolgicos, organizadas em nveis de complexidade,dos mais elementares aos mais complexos epsicologicamente mais integrados:

    -A primeira diz respeito percepo, ava-liao e expresso da emoo, referindo-se acapacidade de identificar emoes em si e em outraspessoas, desenhos, objetos e paisagem mediantelinguagem, sons, aparncia e comportamento,abrangendo tambm a capacidade de expressaremoes e necessidades relacionadas comsentimentos, bem como de discernir entre expressesfalsas e verdadeiras.

  • 339Inteligncia Emocional e desempenho profissional

    -A segunda refere-se emoo como faci-litadora do ato de pensar, a possvel facilitao dopensamento quando, por exemplo, as emoespriorizam certas idias dirigindo a ateno parainformaes mais importantes; e tambm gerando-as de maneira relativamente voluntria para poderexaminar as informaes contidas nessas expe-rincias emocionais de tal forma a ajudar o julgamentode situaes que as envolvem.

    -A terceira, chamada compreenso e anlisede emoes; emprego do conhecimento emocionalrefere-se capacidade de rotular emoes, deinterpretar os significados que elas trazem sobre osrelacionamentos interpessoais, de compreender ascomplexas e de reconhecer transies mais comunsentre elas.

    -A quarta e ltima ramificao o controlereflexivo de emoes para promover o crescimentoemocional e intelectual, referindo-se capacidadede se manter aberto a sentimentos, agradveis oudesagradveis, adminsitrando a emoo em si mesmoe nos outros pela moderao das negativas evalorizao das agradveis, sem que haja repressoou exagero dos estados psicolgicos que elas podemprovocar (Mayer & Salovey, 1997).

    Um dos questionamentos centrais da literaturasobre inteligncia emocional se realmente este tipode inteligncia difere das j pesquisadas, ou se elano estaria ligada aos traos de personalidade. Diantedisso, a pergunta ser que as capacidades referidasno conceito inteligncia emocional se constituemrealmente em algo novo que no podem serexplicadas por construtos j conhecidos como asinteligncias tradicionais e a personalidade?

    Embora existam pesquisadores trabalhando noconceito de inteligncia emocional, os estudos quebuscam evidncias empricas de que ela realmenteexiste e que difere dos traos de personalidade e dainteligncia proposta h dcadas so escassos,principalmente no Brasil, em que duas pesquisasforam realizadas buscando investigar as correlaesentre inteligncia emocional e a tradicional emostraram que elas so baixas, o que de fatoesperado entre esses construtos (Bueno, 2002; JesusJunior, 2004). J com relao personalidade estudosrealizados indicam maior divergncia do que

    convergncia entre as medidas de intelignciaemocional e traos