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[intercomNE] Telejornalismo brasileiro nos caminhos da ... · PDF file9 As mídias de função massiva seriam as ditas “clássicas”: jornalismo impresso, revistas, rádio e TV

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Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicao XII Congresso de Cincias da Comunicao na Regio Nordeste Campina Grande PB 10 a 12 de Junho

2010

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O telejornalismo brasileiro nos caminhos da digitalizao1

Lvia CIRNE2

Universidade Federal de Pernambuco

Resumo: A cada mudana da e na TV, como, por exemplo, a incorporao de sofisticados equipamentos s redaes, substituindo as aparelhagens analgicas pelas digitais, um conjunto de transformaes tambm constatado na concepo do telejornalismo. Esses progressos podem ser apontados sob dois aspectos: 1) na forma de apresentao (cenrios, equipamentos, estdios); e 2) no ambiente da convergncia, com a distribuio multiplataforma dos contedos e novas prticas produtivas. Nesse sentido, a proposta deste artigo fazer um levantamento das mudanas nas prticas telejornalsticas, a partir da digitalizao. Palavras-chave: Telejornalismo; convergncia; produo jornalstica.

Introduo

Nos primeiros anos da TV, os instrumentos utilizados eram rudes, grandes e

pesados. As primeiras cmeras utilizadas no jornalismo, sequer captavam som e ainda

necessitavam dar corda para efetuarem o registro. Quando surgiram as filmadoras

Auricom, com tecnologia de cinema, uma revoluo se instaurou, pois a sua grande

vantagem era a gravao do som direto no negativo, por meio de um amplificador

acoplado, implicando no aperfeioamento das matrias externas, nas quais os reprteres

poderiam, enfim, usar microfones.

Mesmo representando um grande avano para os noticirios, as tais cmeras que

utilizavam pelculas traziam muitas dificuldades devido curta durao do filme e o

sensvel processo de revelao. Mais tarde, as Auricom foram substitudas pelas

filmadoras chamadas CP (Cinema Products), resultando em maior flexibilidade na

produo. Alm de gravar imagens e sons com maior perfeio, eram mais leves e

menores, de maneira que poderiam ser carregadas nos ombros.

1 Trabalho apresentado no DT 1 Jornalismo do XII Congresso de Cincias da Comunicao na Regio Nordete realizado de 10 a 12 de junho de 2010. 2 Doutoranda em Comunicao pela Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista Facepe. Mestre em Comunicao e Culturas Miditicas pela Universidade Federal da Paraba. Jornalista e Tecnloga em Telecomunicaes. E-mail: [email protected]

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J em 1976, os filmes 16mm passavam a dar lugar s unidades portteis

denominadas Eletronic News Gathering (ENG)3, inauguradas pela TV Globo. Comeou-

se a sinalizar a produo para cmeras ainda mais leves, transmissores de microondas,

videoteipes e sistemas de edio. Com a chegada dos aparelhos eletrnicos, alm da

agilidade por causa da edio, em vez da revelao dos filmes, os jornalistas poderiam

entrar ao vivo, de onde estivessem preparando a matria. Por causa do ENG, o formato narrativo do telejornalismo norte-americano, apoiado na performance de vdeo dos reprteres, tornou-se o padro dominante no Pas. At ento, o reprter pouco aparecia, uma vez que era necessrio economizar pelcula. Depois que a nova tecnologia foi implantada, o reprter passou no s a ir ao local dos acontecimentos e apurar as informaes, mas tambm a fazer o texto e ele mesmo apresentar. (MEMRIA GLOBO, 2004, p. 91)

Na contemporaneidade, a transio para os sistemas digitais. As transmisses

esto cada vez mais geis, rompendo barreiras fsicas e os limites da informao. As

captaes digitais favorecem no s qualidade de imagem e som, como tambm

facilitam os trabalhos dos profissionais da Comunicao.

1. Mudanas na forma de apresentao: cenrios, equipamentos e estdios

As emissoras esto investindo em tecnologias de ltima gerao, com cmeras

3CCDs4; moderna estrutura de iluminao; softwares importados para garantirem

melhor tratamento de imagens, bem como programas de computao grfica;

teleprompters; painel multi-touch5; e at holografias6, desobrigando os apresentadores

de estarem presentes fisicamente nos estdios de TV.

As equipes de finalizao esto trocando as ilhas de edio linear pelas de edio

no linear. Os computadores, muitas vezes portteis e operados pelo prprio jornalista

3 A ENG era uma cmera porttil interligada ao VT, por um cabo. 4 CCD a sigla de Charge Coupled Device, que em portugus quer dizer Dispositivo de Cargas Acopladas. O CCD o substituto dos tubos convencionais e se trata de um minsculo sensor composto por milhares de pontos susceptveis luz. Quando se diz que uma cmera tem 3 CCDs, significa mencionar que esta possui qualidade de imagem superior s cmeras CCD, pois faz a captao separada das trs cores primrias (RGB vermelha, verde e azul), permitindo detectar com mais preciso as cores de cada imagem. 5 Tela LCD que permite o redimensionamento e comando do contedo em execuo, por meio de leves toques. Na programao audiovisual brasileira teve sua estreia no dia 03 de agosto de 2008, no aniversrio de 35 anos do Fantstico, da Rede Globo. A tela digital no passou a ser usada no programa, com o tambm na cobertura das Olimpadas. 6 Originria do grego (holos, inteiro, e graphos, sinal), holografia a tcnica de representao de imagem em trs dimenses. Trata-se de uma projeo virtual de determinada pessoa ou objeto, em um ambiente real.

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em campo, so equipados com softwares7 de alto grau de desempenho, que possibilitam

novos efeitos no telejornalismo: vinhetas mais rebuscadas; tratamento aperfeioado de

imagens e som, com utilizao de filtros de ps-produo; redimensionamento de

vdeos; recurso chroma-key; modificar planos, enquadramentos e/ou movimentos de

cmeras; prover animaes e fuses com elementos textuais.

Para complementar, alguns outros programas de computador (Baselight, por

exemplo) so usados, aps a edio da matria, com o objetivo de corrigir imperfeies

fsicas nos apresentadores e jornalistas. Os programas criam mscaras virtuais,

rejuvenescendo e alterando tonalidades dos mediadores, bem como produzindo ajustes

na iluminao do ambiente filmado. Cabe mencionar que podemos encontrar em

estdios, antes desse processo de ps-produo, filmadoras mais possantes que utilizam

o recurso Skin Detail, para filtrar traos indesejados dos apresentadores.

A emergncia tecnolgica das redes de televiso modificou tambm o trabalho

dos diretores e editores de arte, que, manipulando softwares de ltima gerao, emprega

novos sentidos s matrias especiais, veiculando, a exemplo, videogrficos8, muito em

voga no cenrio telejornalstico atual. A gerao de novos aspectos de produo de

mensagens visuais, possibilitada com essa comunicao grfica sinttica, d-se graas

incorporao de potentes computadores com programas de tecnologia 3D, nas redaes.

Para se ter como amostra, na equipe do Jornal Hoje (JH),

A edio de arte (que tradicionalmente complementa a edio de imagem) (...) utiliza o software Photoshop para tratar e retocar imagens gravadas e o software 3 DSMAX para posicionar e criar cenrios. Esse ltimo possibilita tambm a criao de um banco de dados capaz de apresentar solues de imagens em muitas situaes j previstas de edio. Finalmente, o software Poser permite a confeco dos bonecos-personagens nas simulaes e reconstituies, criando as situaes desejadas para cobrir as narrativas dos acontecimentos reais, cujas imagens no foram gravadas pelas cmeras, ajudando o

7 Numerosas cadenas de televisin y las productoras ms punteras cuentam com equipos Avid en sus instalaciones para realizar trabajos diarios que antes se haca habitualmente em cabinas de edicin por corte. La industria (...) ha adoptado prcticamente el Avid como sistema estndar de trabajo. Durante una primeira etapa fue muy difcil econtrar (...) operadores que supieran manejar estos aparatos y sus correspondientes programas informticos, pero cada ao surgen ms lugares donde aprender los procedimientos, adems de los cursos que imparten las televisiones y productoras a sus trabajadores. En el mercado existen otros mltiples sistemas de edicin digital no linear. (...) Muchos son de calidad similar o inferior al Avid y se pueden encontrar em muchas salas de posproduccin. Son sistemas como el Digisuit (baseado en la plataforma PC), Adobe Premiere y After Effects (tanto para PC como Macintosh), o Digital Studio (exclusivamente para PC) (BANDRS et al, 2002, p.236). Vale citar outros softwares de edio no linear comumente utilizado em emissoras de TV: X-Edit e Final Cut Pro. 8 Videografia a infografia desenvolvida para a televiso, ou seja, a representao grfica audiovisual de determinado acontecimento, a qual contm caractersticas de visualidade persuasiva, esttica, instrutiva, sucinta e suficiente. Denominada de tal forma pelo terico Jlio Plaza, trata-se da convergncia de linguagem verbal e no verbal capaz de constituir a prpria informao, propiciando, por fim, uma nova forma de produo jornalstica.

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telespectador a visualizar as im

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