INTRODUÇÃO À RETÓRICA NO SÉC. XXI - labcom-ifp.ubi.pt .978-989-654-438-6 (pdf) 978-989-654-437-9

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  • LABCOM.IFPComunicao, Filosofia e HumanidadesUnidade de InvestigaoUniversidade da Beira Interior

    INTRODUO RETRICANO SC. XXISAMUEL MATEUS

  • INTRODUO RETRICANO SC. XXISAMUEL MATEUS

    LABCOM.IFPComunicao, Filosofia e HumanidadesUnidade de InvestigaoUniversidade da Beira Interior

  • Ttulo Introduo Retrica no Sc.XXI

    AutorSamuel Mateus

    Editora LabCom.IFPwww.labcom-ifp.ubi.pt

    ColeoLivros de Comunicao

    Direo Gisela Gonalves

    Design Grfico Cristina Lopes

    ISBN978-989-654-436-2 (papel)978-989-654-438-6 (pdf) 978-989-654-437-9 (epub)

    Depsito Legal438675/18

    TiragemPrint-on-demand

    Universidade da Beira InteriorRua Marqus Dvila e Bolama. 6201-001 Covilh. Portugalwww.ubi.pt

    Covilh, 2018

    2018, Samuel Mateus. 2018, Universidade da Beira Interior.O contedo desta obra est protegido por Lei. Qualquer forma de reproduo, distribuio, comunicao pblica ou transformao da totalidade ou de parte desta obra carece de expressa autorizao do editor e dos seus autores. Os artigos, bem como a autorizao de publicao das imagens, so da exclusiva responsabilidade dos autores.

    Ficha Tcnica

    http://www.labcom-ifp.ubi.pthttp://www.ubi.pt

  • ndice

    Prefcio 11

    Introduo 15O que a Retrica 15A Definio de Retrica 18Porqu estudar Retrica? 24Sobre este Livro 27

    PARTE I - OS FUNDAMENTOS DA RETRICA 31

    Captulo Um - Os Atributos Fundamentais da Retrica 33A Boa e a M Retrica 34O Carcter Retrico 36

    Tcnica 36Aprendizagem 36rea Cientifica 37Cdigo Moral 38Prtica Social 39

    Caractersticas Definidoras da Retrica 40Planeamento 40Persuaso 41Orientao para o Auditrio 43Despoletamento de mudanas de pensamento e comportamento 44

    Concluindo 45

    Captulo Dois - A Retrica e as Disciplinas Limtrofes: Dialctica e Erstica 47Dialctica 47Erstica 52

    A Erstica na Contemporaneidade 54

  • Captulo Trs - Breve Histria da Retrica 59A Emergncia da Sofstica 63A Queda da Sofstica e a Condenao da Retrica 66A Reabilitao da Retrica 69Retrica Antiga e Retrica Clssica 72Da Idade Mdia ao Sc. XX 73A Renovao da Retrica: a Nova Retrica de Perelman e Olbrechts-Tyteca, e o Modelo do Argumento de Toulmin 78

    PARTE II - O SISTEMA RETRICO 87

    Captulo Quatro - O Sistema Retrico 89A Dinmica Retrica 90Os Gneros Retricos 97

    Gnero Deliberativo 98Gnero Epidctico 99Gnero Judicirio 100

    Os Gneros Retricos so moldes da Argumentao 101As Provas Artsticas: logos, ethos e pathos 104

    Logos 108Pathos 109Ethos 111

    Os Cnones Retricos 113Inveno (inventio) 115Disposio (dispositio) 117Elocuo (elocutio) 119Memria (memoria) 121Aco (pronuntiatio) 122

    Captulo Cinco - Formas Argumentativas 125Os Elementos do Acordo Prvio 126

    Acordo sobre o Real 130Acordo sobre o Prefervel 132

  • Argumentos Quase-Lgicos 136Argumentos por Contradio e Incompatibilidade 137Argumentos por Identidade 138Argumentos por Transitividade 138Argumentos por Incluso 139

    Argumentos Fundados na Estrutura do Real 140Argumentos por Sucesso e por Causalidade 140Argumentos de Desperdcio 141Argumentos de Autoridade e Ad Hominem 142Argumentos de Grau e Ordem 143

    Argumentos que Fundam a Estrutura do Real 144Exemplo 144Modelo 145Ilustrao 145Analogia e Metfora 146

    Argumentos por Dissociao 148Falcias 150

    Apelo a uma Autoridade Annima 151Apelo Ignorncia 152Apelo Crena Popular 152Apelo ao Medo 152Apelo ao Ridculo 152Apelo Misericrdia 153Generalizao Generalizada 153Lgica Circular 153

    PARTE III - RETRICA E COMUNICAO 155

    Captulo Seis - A Retrica Mediatizada 157Do Tringulo ao Quadrado Retrico 161Dos Auditrios s Audincias 163A Eroso Meditica dos Gneros Retricos 168Retrica Mediatizada: Pathos e Ethos 171

  • Captulo Sete - Os Estudos de Comunicao em Retrica 177Retrica Visual 177Retrica da Publicidade 180

    Captulo Oito - Anlise Retrica 189Os Principais Elementos Analticos 191Como fazer uma Anlise Retrica 195

    1. Quem fala, A Quem fala, Quando fala, Com que Objectivo fala,o Tema e o Tom do discurso 1952. Os Apelos, os Argumentos e as Provas Artsticas 1973. O Estilo (dico e/ou elegncia de escrita, sintaxe, vocabulrio) 1984. Escrever um Ensaio de Anlise Retrica 201

    PARTE IV - OS CAMPOS DE ESTUDO DA RETRICA NA ACTUALIDADE 209

    Captulo Nove - A Persuaso da (e na) Tecnologia 211Captologia: o estudo dos computadores como tecnologias persuasivas 212A Retrica Procedimental 219

    Captulo Dez - A Expanso do Campo Retrico: as outras retricas 227Retrica Digital 228Retrica do Silncio 232Retrica e Pragma-Dialctica 236

    Concluso 241

    Bibliografia 247

  • Se certo que a comunicao se exerce de mltiplas for-

    mas e obedecendo a diversas intencionalidades, no

    menos verdade que o acontecimento comunicacional se

    inscreve sempre num ato relacional. A comunicao

    um fenmeno essencialmente relacional.

    Na sua forma mais elementar, para existir comunicao

    ho de estar presentes dois polos: o emissor e o recetor.

    Na comunicao tcnica como na comunicao huma-

    na; na comunicao de massa como na comunicao

    intersubjetiva.

    Assim sendo, compreende-se que a retrica desempe-

    nhe, na comunicao, um papel central. Com efeito, esta

    antiga disciplina sempre existiu para se debruar sobre

    as relaes comunicativas. Originalmente, para atentar

    sobre o relacionamento, ento necessria e exclusiva-

    mente discursivo, entre o orador e os seus destinatrios

    constitudos em auditrio.

    Samuel Mateus, ao propor aqui uma definio de re-

    trica, diz ser esta uma atividade eminentemente

    comunicativa pela qual influenciamos os outros, pela

    persuaso, bem entendido.

    Poder haver, certo, atos comunicativos no persuasi-

    vos como apangio do discurso retrico. Uma ordem

    dada, nomeadamente no contexto de organizaes hie-

    rarquizadas como so, por exemplo, as foras armadas,

    sendo um ato de comunicao, no se o pode qualificar

    como persuasivo.

    O mesmo acontecer com a demonstrao de um teore-

    ma matemtico. No entanto, Plato, o grande adversrio

    da retrica que ainda hoje marca o que vulgarmente se

    Prefcio

  • Introduo Retrica no Sc.XXI12

    pensa da disciplina, ele prprio menciona aquilo a que chama uma persua-

    so didtica aplicada aritmtica (Grgias, 453d-454a).

    No entanto, a persuaso retrica propriamente dita a que atua no mbito

    da probabilidade mais do que da certeza, em busca da verosimilhana mais

    do que da verdade. tambm isso que a coloca no centro da comunicao

    humana. Porque esta no se efetua como veculo de uma certeza epistmica,

    mas antes enquanto veiculo de uma crena que pode ser correta ou incorre-

    ta, mas, nesse primeiro caso, igualmente til como, alis, j o dizia Plato1

    Parece claro, e isso que a retrica antiga nos ensina, haver um grau de

    distino assaz amplo entre a evidncia que acompanha uma persuaso

    didtica e a total ignorncia que acompanha a falsidade.

    nesse espao entre duas certezas que se insere, segundo os antigos, o

    razoamento retrico da indeterminao cujo horizonte cognitivo mais se

    aproxima da verosimilhana.

    Certo que a relao comunicacional, seja ela meditica ou interpessoal, di-

    ficilmente se insere no mundo da vida sem ser pelo frgil razoamento, com

    todas as limitaes que o condicionam e a que j o ceticismo relativista dos

    sofistas tinha dado ateno.

    Ora, os procedimentos retricos so precisamente aqueles que regulam,

    mais frequentemente, tanto a comunicao meditica como a interpessoal.

    Como tudo isso se processa o que esta Introduo Retrica no Sc.XXI de

    Samuel Mateus se d ao trabalho de analisar muito minuciosamente.

    Nada falta sua completude na anlise e explanao do campo retrico.

    Aqui encontramos as mais ajustadas abordagens da problemtica. Desde

    logo, uma descrio da sua histria, comeando pelos gregos que, como al-

    gum afirmou, j pensaram aprofundadamente quase tudo, vai para mais

    de dois mil anos.

    1. Mnon, 97c: Logo, a opinio reta no , de modo nenhum, menos til que o saber. Lisboa, Colibri, 1992.

  • Samuel Mateus 13

    Encontramos, por outro lado, nesta obra, no apenas uma histria da retri-

    ca nas suas origens, mas tambm uma interrogao sobre os desafios que a

    mais recente (ps)modernidade tecnolgica lhe interpe.

    Em suma, esta introduo no s prope ao seu leitor uma sntese histrica

    da retrica, mas tambm uma abordagem clara do sistema e procedimen-

    tos argumentativos, alm de atualizar o seu campo problemtico at aos

    desenvolvimentos mais atuais do fenmeno comunicacional ao estudar, no-

    meadamente, a persuaso na tecnologia e a retrica digital.

    Tudo isto sem omitir o tratamento de uma nova questo fundamental como

    seja a que se levanta perante a possibilidade de uma retrica da imagem,

    com os seus prolongamentos, hoje to omnipresentes, na publicidade.

    Estamos, portanto, aqui perante uma obra muito pertinente e til para qual-

    quer estudante das cincias da comunicao, como tambm para o pblico

    em geral que se possa interessar pelos fenmenos da comunicao, hoje to

    centrais e omnipresentes nas nossas sociedades.

    Com efeito, se, como alguns pretendem, a meu ver com razo, vivemos hoje

    inseridos na chamada economia da ateno, podemos compreender que

    so s mtodos persuasivos o que melhor permite captar, fixar e manter a

    ateno das audincias, esse bem to frgil e valioso.

    Alm do mais, torna-se imprescindvel, em sociedades hipermediatizadas

    como so as nossas, perceber o modo como essa persuaso se cria e opera

    no seio do espao pblico comunicacional.

    Professor Doutor Tito