Jesus Jr - Petrobras Intervencao Governamental e Maximizacao Do Valor Para o Acionista

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Jesus Jr - Petrobras Intervencao Governamental e Maximizacao Do Valor Para o Acionista

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  • i

    LEONARDO BISPO DE JESUS JUNIOR

    Petrobras, interveno governamental e maximizao do

    valor para o acionista: uma sugesto de interpretao

    Campinas 2015

  • iii

    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

    INSTITUTO DE ECONOMIA

    LEONARDO BISPO DE JESUS JUNIOR

    Petrobras, interveno governamental e maximizao do

    valor para o acionista: uma sugesto de interpretao

    Prof. Dr. Fernando Sarti Orientador

    Tese de doutorado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Cincias Econmicas, rea de concentrao: Teoria Econmica, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas para obteno do ttulo de doutor em Cincias Econmicas, na rea de concentrao: Teoria Econmica.

  • iv

  • v

    TESE DE DOUTORADO

    LEONARDO BISPO DE JESUS JUNIOR

    Petrobras, interveno governamental e maximizao do

    valor para o acionista: uma sugesto de interpretao

    Defendida em 27/02/2015

  • vii

    RESUMO

    A Petrobras , indiscutivelmente, o grupo empresarial de maior relevncia no Brasil em termos

    de investimentos diretos e indiretos. Porm, nos ltimos anos, a delicada situao econmico-

    financeira da companhia, evidenciada na forte perda de valor no mercado acionrio e na reduzida

    lucratividade, vem se acentuando e determinando o rebaixamento e a previso de deteriorao de

    suas mtricas de crdito pelas agncias de rating. Estas agncias tm apontado como fatores

    determinantes para a referida situao o agressivo programa de investimentos da empresa e sua

    exposio interferncia poltica local, evidenciada no represamento dos preos dos produtos

    refinados e na exigncia de cumprimento de metas de contedo local. As metas de contedo local

    nos critrios para seleo dos leiles de reas de explorao e produo de petrleo e gs natural

    foram incorporadas devido preocupao da ANP com o destino da indstria e dos fornecedores

    locais, aps o fim do monoplio da Petrobras. Esses critrios se fizeram presentes desde o

    processo de licitao dos primeiros blocos exploratrios, na Rodada 1, em 1999, porm, apenas

    na Rodada 4, em 2003, que a ANP fixa um nvel mnimo de contedo local a ser observado pelo

    concessionrio, na Fase de Explorao e na Etapa de Desenvolvimento. Considerando esse pano

    de fundo, o objetivo geral da tese analisar por que a interveno governamental,

    especificamente a poltica de contedo local implementada para o desenvolvimento da Indstria

    Para-Petrolfera brasileira, est na contramo da perspectiva de maximizao de valor para os

    acionistas da Petrobras, mas no do escopo de atuao de uma empresa com a sua natureza

    jurdica. A principal concluso que a ineficincia gerada pelo direcionamento das aquisies da

    Petrobras, com a poltica de contedo local, inconsistente com a dinmica de acumulao das

    grandes corporaes, num contexto de forte globalizao financeira e produtiva em que impera a

    lgica curto prazista da maximizao do valor para o acionista. Mas, no inconsistente com o

    escopo de atuao de uma empresa com a natureza jurdica da Petrobras, cuja criao se justifica,

    apenas, pela necessidade de atender aos imperativos de segurana nacional ou a relevante

    interesse coletivo.

    Palavras Chaves: Petrobras; Interveno Governamental; Poltica de Contedo Local;

    Maximizao do Valor para o Acionista; Teoria dos Stakeholders.

  • ix

    ABSTRACT

    Petrobras is arguably the most relevant business group in Brazil in terms of direct and indirect

    investments. However, in recent years, the delicate financial position of the company, evidenced

    in the strong loss of value in the stock market and reduced profitability has been increasing and

    determining relegation and the prediction of deterioration of credit metrics for the rating

    agencies. These agencies have identified as crucial to the situation the aggressive investment

    program of the company and its exposure to local political interference, evidenced in damming

    the price of refined products and the requirement of targeted local content. The goals of local

    content on the criteria for selection of auctions areas of exploration and production of oil and gas

    is incorporated due to concern of the ANP about the fate of industry and local suppliers, with the

    end of Petrobras' monopoly. These criteria were present from the bidding process of the first

    exploratory blocks in Round 1, 1999, however, is only in Round 4, in 2003, the ANP sets a

    minimum level of local content to be noticed by the dealer in Exploration Phase and

    Development Phase. Considering this background, the overall aim of the thesis is to analyze why

    the government intervention, specifically the local content policy implemented for the

    development of national suppliers of goods and services to the oil and gas industry, is counter to

    the perspective of maximization shareholder value Petrobras, but not of the scope of operations of

    a company with its legal nature. The main conclusion is that the inefficiency generated by

    directing of the acquisitions of Petrobras, with local content policy is inconsistent with the

    dynamics of accumulation of large corporations in a context of strong productive and financial

    globalization, in which prevailing the short-term logic of maximization of shareholder value. But,

    is not inconsistent with the scope of activity of a company with the legal nature of Petrobras,

    whose creation is only justified by the need to meet the imperatives of national security or the

    relevant collective interest.

    Key words: Petrobras; Government intervention; Local Content Policy; Maximization

    Shareholder Value; Stakeholders theory.

  • xi

    SUMRIO INTRODUO ............................................................................................................................................. 1

    1 PETROBRAS: ALGUNS FATOS ESTILIZADOS ................................................................................... 5 1.1 EVOLUO DOS INDICADORES OPERACIONAIS, ECONMICOS E FINANCEIROS .................... 5 1.2 RESPOSTA DO MERCADO DE AES .................................................................................................. 17 1.3 IMPACTO NO CREDIT RATING DA PETROBRAS ................................................................................. 21 1.4 CONSIDERAES FINAIS ....................................................................................................................... 29

    2 MAXIMIZAO DO VALOR PARA O ACIONISTA, FIRMA INOVADORA E PERFORMANCE ECONMICA ............................................................................................................................................. 31

    2.1 GOVERNANA CORPORATIVA SOB A GIDE DA MAXIMIZAO DO VALOR PARA O ACIONISTA ................................................................................................................................................. 32

    2.1.1 A origem do princpio de maximizao do valor para o acionista .......................................................... 32 2.1.2 Por que maximizar valor para o acionista? .............................................................................................. 36 2.2 FIRMA MAXIMIZADORA X FIRMA INOVADORA .............................................................................. 46 2.3 CONDIES SOCIAIS DA EMPRESA INOVADORA E PERFORMANCE ECONMICA ................. 50 2.4 CONSIDERAES FINAIS........................................................................................................................ 60

    3 AS INDSTRIAS PETROLFERA E PARA-PETROLFERA: UMA CARACTERIZAO GERAL ........................................................................................................................................................ 63

    3.1 A INDSTRIA PETROLFERA (IP) .......................................................................................................... 63 3.2 A INDSTRIA PARA-PETROLFERA (IPP) ............................................................................................ 82 3.3 INTERVENO GOVERNAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA INDSTRIA

    PARA-PETROLFERA NACIONAL .......................................................................................................... 93 3.4 CONSIDERAES FINAIS........................................................................................................................ 96

    4 PETROBRAS E A INDSTRIA PARA-PETROLFERA NACIONAL ............................................ 101 4.1 PETROBRAS E A IPP NACIONAL: PERODO PR-LIBERALIZAO ECONMICA .................... 101 4.2 PETROBRAS E A IPP NACIONAL: PERODO LOGO APS LIBERALIZAO ECONMICA ..... 109 4.3 POLTICA DE CONTEDO LOCAL PARA FORTALECIMENTO DA IPP ......................................... 118 4.3.1 Evoluo da exigncia de contedo local ................................................................................................. 119 4.3.2 Consequncias do no cumprimento do compromisso de contedo local ............................................ 124 4.3.3 Poltica de contedo local no contexto da lei do pr-sal......................................................................... 126 4.4 PROMINP E A COMPETITIVIDADE DA IPP BRASILEIRA ................................................................ 131 4.4.1 PROMINP ................................................................................................................................................. 131 4.4.2 Competitividade da IPP brasileira .......................................................................................................... 134 4.5 CONSIDERAE F