Jj1BL10T'êCA 2JOS 'PCQUCHfHOS' N~12. OLIVA encantado/O Tapete encantado-.pdf · De todas aquela via

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  • Jj1BL10T'CA 2JOS 'PCQUCHfHOS' N~12.

    OLIVA GUERRA

    JlusfraeJ de MAMIAROQUEGAMEIR.O Eclio da EHP_RE.ZA DIARlO m;NOTICIAS

  • ,

    I

    BIBLIOTECA DOS PEQUENINOS ~ .

    DIRIGII)A E ORGANISADA POR EMILIA DE SOUSA COSTA

    A mais bela coleco de livros infantis, at hoje publicada em Portugal. Instrutiva. Educativa. Recreativa.

    J publicados:

    N. 1 CONTOS DO JoosINHO, I parte. )) 2 F .lLAM os MENINOS. " 3 HISTRIA D'EL-RE1 CAMELO. " 4 CoNTOSINHOS DE CRISTAL. " 5 CASTELOS NO AR. 6 H1sTR1A Do COELHINHO T1c-T1c.

    O PER AVIADOR (Nmero extraordinrio - Natal). " 7 p ALHAO FRANCS. " 8 H1sTR1A DE RosALINHA. g CoNTos DO JoosrnHo, II parte. 10 EL-REI BB. ,, 1 I H1sTRtA DA RAPOSA RAPOSECA E Do FAVO DE MEL. 12 TAPETE ENCANTADO.

    A publicar:

    ,, 13 No P.ts Dos SONHOS ou o (DETECTIVE AMADOR). 14 AVENTURAS DE CAROCHINHA. JAPONESA. i5 QUEM NO QUERE SER LOBO . )) 16 T1TI E TT. 17 V DE RODA! " 18 BoNECOs DE EsTAMP.lR. " 19 VIAGEM MARAVILHOSA. )) 20 DIAS FELIZES. 21 FADAS E ENCANTOS. 22 No REINO DOS PRODIGIOS.

    H1sTR1A DO MENINO JEsus (Natal de 1928-Nmero extraor-dinrio)-por Emlia de Sousa Costa, ilustraes de Raquel Roque Gameiro Ottolini.

    BIBLIOTECA DOS PEQUENINOS-N. 12

    OLIVA GUERRA

    O TAPETE ENCANTADO

    (oE UMA LENDA DE ALHAMBRA)

    ILUSTRAES DE MAMIA ROQUE GA MEIRO

    Emo DA EMPRSA

    DIRIO DE NOTCIAS

    I

    LISBOA TIP. DA EMPRSA DO ANURIO COMERCIAL

    PRA.~.t DOS RESTAURADORES, 24

    1928

  • DA AUTORA

    Espirituais - versos.

    Encantamento -versos - 2. ed.

    Brevirio dum pianista.

    Ritmos.

    -

    I

    ONDE COMEA A HISTRIA

    Vou contar-lhes, meus meninos, Uma histria de pasmar, Uma histria de beleza, Onde h encantos divinos, Magias, uma princesa, Um prncipe enamorado, Cavaleiros combatendo, Um palcio encantado E avesinhas a falar.

    ra no tempo dos moiros - E h que tempo isso l vai! -Um forte rei de Granada Tinha um filho a quem puzera O lindo nome de Ahmed E que no via mais nada, Nem por mais nada temia.

    5

  • O TAPETE ENCANTADO

    No dia - que feliz dia! -Em que o Prncipe nasceu, Chamou o Rei os astrlogos Para que lhe predissessem O futuro do menino, Dsse menino-tesoiro, Lindo presente do cu~

    Todos les lhe auguraram Grandes fortunas e bens. Porm, tambm affirmaram Que seria muito dado Aos alvoros do amor. Ora o amor, sabido, sentimento fadado Para perigos e danos, Qual de todos o maior. Mais disseram os astrlogos Que se o Prncipe lograsse Chegar madura idade, Sem o amor ter conhecido, Poderia esconjurar Os perigos que ameaavam Sua clara mocidade.

    Ento o Rei de Granada Comeou logo a pensar

    6

    A - -

    -. - . - -~ . -- . ' ,.~ -- '.'-1".,,

    ONDE COMEA A HISTRIA

    F-lo encerrar n'um paldo ...

    7

    -

  • O TAPETE ENCANTADO

    Nos meios de acautelar O filho predestinado, Buscar1do tudo dispr, Para que le nunca visse Qualquer vulto de mulher, E o vasto significado Jmais viesse a entender Da dce palavra Amo1.,

    F-lo encerrar n'um palcio No tpo d'uma colina, Cercado de altas muralhas Com jardins de flres raras E grades de prata fina. Deu-lhe s por companheiro Um velho de barbas brancas,

    Dentre todos o primeiro Filsofo dos seus reinos, Fazendo ste prome-ter Que nunca a Ahmed falaria Do que a amor se referisse, - Sob pena de morrer.

    8

    II

    DE COMO O PRINCIPE AHMED APROVEITA V A AS LIES DO SEU VELHO MESTRE

    O velho mestre ensinava Ao prncipe a sua sciencia E pouco a pouco o discpulo, Com rapidez conquistava Tamanha sabedoria, Que era digno de louvor. Smente desconhecia, Segundo o Rei ordenara, Tda a sciencia do amr.

    Assim chegou aos vinte anos. Ahmed, dado poesia, Passava os dias scismando, Cus e jardins contemplando, Enlevado num murmrio, No brando correr das nuvens,

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  • O TAPETE ENCANTADO

    Num vo de borboleta ... Amava as coisas humildes, E as vzes da Natureza Cantavam lricamente Na sua alma de poeta.

    Ser poeta qualquer coisa Como correr pela vida Numa incerteza constante. seguir como um mareante Com a busso1a perdida. O corao do poeta Sofre sempre em duplicado, Que sua dr e alheia A vida passa abraado.

    Receoso, o professor Viu na inclinao do Prncipe Um caminho perigoso: Pois no ser a poesia De todas aquela via Que mais facilmente encurta A distancia para o amor? ... E, sem lhe dizer porqu, Encerrou o pobre Ahmed Numa das torres mais altas Do palacio solitario.

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    O PRINCIPE AHMED APROVEITA AS LIES

    Numa das torres mais altas ...

  • '

    III

    COMO O PRNCIPE APRENDE A FALAR COM AS AVES

    Mas como le lamentasse A solido desolada A que fra conder.ado, Como a um triste fadaria, Consentiu em ensinar-lhe, Para suave desenfado, A decifrar a linguagem Das avesinhas do cu.

    Tudo Ahmed logo aprendeu Nessa arte complicada, E dentro em pouco entendia Tda a dr ou alegria Que ~nda dispersa e fremente Nos gritos da passarada! No sentindo desde ento, Como at a sentira, O pso da solido

    13

    ,

  • O TAPETE ENCANTADO

    Que tanta vez o oprimira, Por isso que passa a estar Largas horas entretido Com os habitantes do ar Em dilogo seguido.

    O primeiro a quem falou Foi um corvo carniceiro, l\las nada de bom achou Na sua conversao. S falava de intersses E para de outros assuntos Lhe arrancar uma palavra Qualquer esfro era vo.

    Falou depois com um mocho. Era um grave personagem De difcil abordagem, Com ar de sbio encartado, Com uns modos superiores ... E as conversas - que maada! -Eram sempre um arrazoado, Como a fala complicada Que usam certos oradores

    Aborrecido do mocho, Dirigiu-se a um morcego

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    O PRINCIPE APRENDEU A FALAR

    Com os habitantes do ar .

    1 5

  • O TAPETE ENCANTADO

    Que passava todo o dia Agarrado com apgo Ao ca,ntinho d'uma abbada E s noite saa Para tentar, como a furto, Com um ar sempre hesitante, Um vo rasteiro e curto. Mas esse cansou-o mais, Pelo que era de ignorante, Por isso, em breve o deixou, Indiferente ao seu verbo E aos seus vos nocturnais!

    Afeioou-se a uma andorinha Saltitante, buliosa D'uma graa maneirinha, Mas to estouvada e fogosa Que, entre as suas investidas, Era impossvel trocar Com essa tontinha do ar Duas palavras seguidas !

    Depressa se aborreceu Ahmed de tal distraco. E ento de novo volveu antiga solido.

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    O PRINCIPE APRENDEU A FALAR

    Dirigiu-se a um morcego,,,

  • IV

    ..COMO O PRINCIPE AHMED PREGUNTAVA S AVES -O QUE ERA AMOR E O MAIS QUE SE SEGUIU . . .

    Mas chegada a primavera, Essa estao encantada Em que a natureza ansiosa, Como que se pe espera De qualquer voz misteriosa, Que conduza o mundo inteiro! As aves de entre os valados, Num delrio de carinhos, O dce poema dos ninhos, Com gesto activo e ligeiro, Comearam a compr ... E ento por todos os lados No se ouvia em todo o dia Mais que a suave melodia

    ..Da palavra amor! amor! . ..

  • O TAPETE ENCANTADO

    Pensativo, Ahmed escutava Aqule termo encantado, Que jamais ouvira ainda . E preguntava, espantado, Que extranho encanto era aquele Que, sem mesmo a compreender,. Guardava assim para le Essa palavra to linda! ...

    Foi ver se o corvo o sabia ... Porm, este respondeu: -Eu, guerreiro altivo e forte,. Nunca a uma tal fantasia Dei o pensamento meu! De assunto to tolo e vo Como esse tal amor, Podero talvez smente Dar qualquer explicao Aves de classe inferior.

    O mocho no foi mais longe. Interrogado a seguir, Respondeu em termos suaves:_ - Sou pensador e filosofo Nada poderei dizer-te, Pois s costumo ocupar-me De coisas serias e graves. a.

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    -0 PRINCIPE PREGUNT A V A S AVES

    O Morcego tambem deu Uma resposta imprecisa: Que no sendo bem da terra Nem tambem ave do cu, Era coisa superior Ao seu curto entendimento Esse negocio de amor ...

    A andorinha s lhe disse: Que andava muito ocupada Com visitas a fazer E, por isso, pouco ou nada Sobre assunto to profundo Lhe poderia dizer.

    Ento, em ultima instancia, Foi Ahmed interrogar O seu velho professor, No deixando de estranhar, Que assim o houvesse deixado Em to completa ignorancia Do estranho significado Desse vocabulo amor De inflexes to encantadas, Que at as aves do cu Repetiam extasiadas!

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  • O TAPETE ENCANTADO

    O professor aterrado, ..

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    O PRINCIPE PREGUNTAVA S AVES

    O professor aterrado, Olhou-o e s lhe disse Numa suprema ansiedade: -Oh! nunca busques o amor! Tem sido le o causador De quantos males e guerras Vem sofrendo a humanidade!

  • .. /

    V

    O POMBO EXPLICADOR .. .

    Passaram tempos e um dia Estava Ahmed meditando Nos porqus da sua sina, Quando entrou pela janela, A seus ps vindo car Um pombo, ao qual perseguia Uma ave de rapina!

    O principe levantou-o E achando-o de bom agouro, Fez-lhe mimos e guardou-o, Com abundante comida, Em gaiola fina de ouro. l\'Ias o pombo, no obstante, Numa tristeza dorda, Soltava fundos queixumes, Suspirando a todo o instante!

  • O~ TAPETE ENCANTADO

    Em gaiola fina de ouro

    Quiz Ahmed saber a causa De to amargo pesar. O meigo animal ento Docemente confessou,

    ~ ~ ~ - - ...... __ ( '

    _,,-

    O POMBO EXPLICADOR .. -

    Numa voz apaixonada, Que era imensa a sua dr, Por separado se achar Da pomba to sua amada! E logo ali lhe explicou O que vinha a ser o amor.

    Ahmed, cheio de emoo, Deu ao pombo a liberdade Que, com veloz brevidade, Foi pelos ares buscando A pomba dos seus encantos, Amor do seu corao.

    27

  • --

    VI

    ONDE SE FALA DA PRINCESA MISTERIOSA . -

    Bastante tempo passado, Voltou o pombo, mais tarde, Contando a Ahmed, intrigado, Que tinha visto l longe Uma formosa Pri