JOÃO TIAGO EDIÇÃO CRÍTICO-GENÉTICA DA OBRA NOVOS ., Genetic Criticism, Miguel Torga, Novos Contos

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Universidade de Aveiro

Ano - 2013/2014

EDIO CRTICO-GENTICA DA OBRA NOVOS CONTOS

DA MONTANHA DE MIGUEL TORGA

Departamento de Lnguas e Culturas

JOO TIAGO

TAVARES RIBEIRO

Dissertao apresentada Universidade de Aveiro para cumprimento

dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Estudos

Editorias realizada sob a orientao cientfica da Prof Doutora Ana Maria

Ramalheira, do Departamento de Lnguas e Culturas da Universidade de

Aveiro

2 | P g i n a

Prof. Doutor Antnio Manuel Lopes Andrade professor auxiliar da Universidade de Aveiro (Presidente)

Prof Doutora Maria do Rosrio da Cunha Duarte

professora auxiliar da Universidade Aberta (Arguente)

Prof Doutora Ana Maria Martins Pinho Ramalheira

professora auxiliar da Universidade de Aveiro (Orientadora)

o jri presidente

3 | P g i n a

Um reconhecido bem-haja vai em primeiro lugar para a Professora Doutora Ana Maria Ramalheira que sempre se mostrou disponvel para me apoiar em todas as fases deste trabalho. Ajudou-me a estrutur-lo e a redigi-lo, e ainda me disponibilizou todos os materiais necessrios para a sua elaborao. Agradeo muito tambm aos meus familiares e amigos, que estiveram sempre presentes, incentivando-me com palavras certeiras. Uma palavra de gratido tambm para a Mariana, que me ajudou na tarefa de fotografar as edies anteriores a 1980.

agradecimentos

4 | P g i n a

palavras-chave

resumo

Crtica Textual, Crtica Gentica, Miguel Torga, Novos Contos da Montanha

O presente trabalho constitui uma proposta de edio crtico-gentica

da obra Novos Contos da Montanha (1. ed.: 1944) de Miguel Torga

(1907-1995). Aps uma introduo terica sobre Crtica Gentica, so

apresentadas as edies em apreo, bem como os critrios que

presidiram elaborao de todo o aparato crtico. A parte nuclear do

projeto constituda pela transcrio da ltima edio publicada em

vida do autor, acompanhada de notas textuais que revelam o processo

de gnese do texto atravs das marcas de manipulao autgrafa.

5 | P g i n a

Textual Criticism, Genetic Criticism, Miguel Torga, Novos Contos da Montanha

This project is a proposal for a critical edition of Novos Contos da

Montanha (1st edition 1944) from the author Miguel Torga (1907-

1995). After a theoretical introduction about Genetic Criticism, the

editions in appreciation will be presented, as well as the criteria that

were used during the critical apparatus. The crucial part of the work is

formed by the transcription of the last edition. Published in 1980, the

text possesses a set of textual notes that reveal the process of origin

of the text.

keywords

abstract

6 | P g i n a

De quantos ofcios h no mundo, o mais belo e o mais trgico o de

criar arte. ele o nico onde um dia no pode ser igual ao que se

passou. O artista tem a condenao e o dom de nunca poder

automatizar a mo, o gosto, os olhos, a enxada. Quando deixa de

descobrir, de sofrer a dvida, de caminhar na incerteza e no

desespero - est perdido.

Miguel Torga, Dirio I, 16 de Junho 1938

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ndice

Agradecimentos...3

Introduo....9

1. Miguel Torga: aspetos da vida e obra.....10

2. Novos Contos da Montanha: breve apresentao da coletnea......11

2.1. Cenrio em que as aes se desenrolam.....13

2.2 Aspetos estilsticos..14

2.3 Caractersticas das Personagens..17

3. A Crtica Gentica: aspetos tericos e metodolgicos.......21

4. As edies de Novos Contos da Montanha publicadas entre 1944-1980......25

4.1 A edio de 1944....26

4.2 A edio de 1945....26

4.3 A edio de 1952........27

4.4 A edio de 1959........27

4.5 A edio de 1967....28

4.6 A edio de 1980... 28

5. Critrios que presidiram edio crtico-gentica de Novos Contos da Montanha.....29

6. Edio Crtico-Gentica de Novos Contos da Montanha.....30

7.Consideraes finais.....234

8. Bibliografia..237

9. Anexos em CD-ROM..240

8 | P g i n a

9 | P g i n a

Introduo

Este trabalho prope-se a elaborar uma Edio Crtico-Gentica de Novos Contos da

Montanha do escritor Miguel Torga. um projeto que teve a sua gnese na disciplina de

Crtica Textual, afeta ao plano de estudos do Mestrado de Estudos Editoriais,

designadamente no mbito de um trabalho que nos foi proposto pela Senhora Prof.

Doutora Ana Maria Ramalheira, docente responsvel por esta unidade curricular.

Foi um trabalho que realizei na altura com muito entusiasmo, pois cativou-me muito

constatar a forma, e tentar perceb-la, como Torga foi reiteradamente burilando as suas

obras, de forma quase obsidiante, ao longo do tempo. Considero que este trabalho tem

alguma originalidade, uma vez que no existe, no contexto das obras de autores

portugueses, nenhuma Edio Crtica de qualquer das obras de Miguel Torga.

O trabalho que me proponho realizar constituiria assim um subsdio para esse projeto

mais vasto, que est a dar os primeiros passos pela mo da Prof. Doutora Ana Maria

Ramalheira.

Numa primeira instncia, sero abordados aspetos gerais sobre vida e obra de Miguel

Torga, bem como o contexto poltico e social em que a sua obra se inscreve.

Proceder-se- de seguida a uma breve apresentao da obra supramencionada, dando

um enfoque especial ao cenrio sociocultural em que as diversas aes se desenrolam, bem

como s caractersticas gerais da linguagem e aos tipos de personagens.

Os captulos seguintes incidiro sobre os princpios tericos e metodolgicos em que

assentam a Crtica Gentica.

De seguida, sero caracterizadas as edies revistas e refundidas em vida pelo

autor, como ele prprio teve o cuidado de as designar. Refiro-me s seguintes edies: 1.

edio (1944), 2. (1945), 3. (1952), 4. (1959), 5. (1967) e 9. (1980).

A parte nuclear do trabalho constituda por uma proposta de edio crtico-gentica

de Novos Contos da Montanha, que inclui obviamente o registo de todas as variantes

apuradas atravs da comparao e do cotejo das seis edies. O objetivo deste trabalho

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estabelecer um texto com a preocupao do rigor ecdtico, contendo informao sobre a

evoluo que a obra foi sofrendo nas mos do autor.

1. Miguel Torga: aspetos da vida e obra

Poeta, ficcionista e ensasta, Miguel Torga o pseudnimo literrio de Adolfo

Correia da Rocha. Nascido no seio de uma famlia humilde em S. Martinho de Anta, aldeia

na provncia de Trs-os-Montes, Torga abandona o Seminrio de Lamego aos 13 anos para

embarcar para o Brasil, onde viveu durante cinco anos com o tio, a trabalhar numa fazenda

em Minas Gerais. Regressa depois a Portugal, onde completa em poucos anos o curso

liceal e se licencia em Medicina na Universidade de Coimbra.

Romancista, dramaturgo, ensasta, contista exmio, Miguel Torga autor de mais de

50 obras publicadas desde os 21 anos de idade.

Colaborou em vrias revistas literrias, designadamente na Presena, Sinal e

Manifesto.

A sua obra evidencia uma notvel tcnica narrativa e uma linguagem muito

expressiva, frequentemente de cunho popular.

A obra de Miguel Torga est perpassada de simbologias bblicas e de aluses a temas

com uma ligao terra, regio natal, a Portugal e prpria Pennsula Ibrica.

Miguel Torga foi diversas vezes premiado nacional e internacionalmente. Foram-lhe

atribudos, entre outros, o Prmio Dirio de Notcias em 1969, o Prmio Internacional de

Poesia em 1977, o Prmio Montaigne (1981), o Prmio Cames (1989), o Prmio Vida

Literria da Associao Portuguesa de Escritores (1992) e o Prmio da Crtica,

consagrando a sua obra em 1993.

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2. Novos Contos da Montanha: breve apresentao da coletnea

Miguel Torga escreve a coletnea Novos Contos da Montanha em pleno perodo do

Estado Novo, o regime ditatorial que vigorou em Portugal no perodo que medeia 1933 e

1974. Insurgindo-se conta o regime ditatorial de Antnio de Oliveira Salazar e de Marcelo

Caetano, Torga sempre defendeu a liberdade. Numa entrada do volume V do Dirio, que

data do dia 24 de Novembro de 1949, o escritor refere-se questo da liberdade nos

seguintes termos:

Deve ser bom escrever em plena liberdade, como bom colher um fruto da prpria

rvore e mastig-lo. Mas que sabor, que triunfo, escrever com liberdade debaixo da

tirania! Cada palavra, cada pensamento um risco que se corre, um desafio que se

lana. No h sossego de fora que se tenha, noite que se durma em paz. Mas l na

ltima morada do ser, na conscincia profunda da dignidade humana, que segurana,

que serenidade! A verdade, com todas as atribulaes, foi servida. A vida pode

continuar. (Torga, 1999: 39).

A coletnea Novos Contos da Montanha inclu