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Informativo sobre Magnetismo Jornal Espiritismo Espiritismo Magnetismo Magnetismo & & ANO II, n.º 03 Aracaju/Sergipe/Brasil, agosto/2009 [email protected] Durante uma pesquisa que realizei nos Estados Unidos sobre o Magnetismo, encontrei vários livros traduzidos do francês para o inglês acerca do assunto. Comecei aí, então, minha “expedição” no mundo do Magnetismo: li livros do Barão du Potet, Deleuze e Puységur, e fiquei surpresa, maravilhada com a quantidade de conhecimento espírita existente nessas obras... Leia o artigo completo de Yonara Rocha na pág. 04 LEIA TAMBÉM: LEIA TAMBÉM: Texto de O Livro dos Espíritos, muito interessante, sobre convulsionários, pág. 02 A Cura da Depressão pelo Magnetismo, obra de Jacob Melo, pág. 03 Entrevista com Ana Vargas, pág. 06 Juramento do Magnetizador, de Aubin Gauthier, pág. 08 Diversas considerações do Barão du Potet, pág. 09 Seminário em Goiânia/GO, pág. 10 Vortice

Jornal Vórtice | ANO II - Nº 03

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O Vórtice tem como objetivo a divulgação da ciência magnética dentro da ótica espírita.

Text of Jornal Vórtice | ANO II - Nº 03

  • Informativo sobre Magnetismo

    Jornal

    EspiritismoEspiritismo

    MagnetismoMagnetismo

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    ANO II, n. 03 Aracaju/Sergipe/Brasil, agosto/2009 [email protected]

    Durante uma pesquisa que realizei nos Estados Unidos sobre o Magnetismo, encontrei vrios livros traduzidos do francs para o ingls acerca do assunto. Comecei a, ento, minha expedio no mundo do Magnetismo: li livros do Baro du Potet, Deleuze e Puysgur, e fiquei surpresa, maravilhada com a quantidade de conhecimento esprita existente nessas obras...Leia o artigo completo de Yonara Rocha na pg. 04

    LEIA TAMBM:LEIA TAMBM: Texto de O Livro dos Espritos, muito interessante, sobre convulsionrios, pg. 02 A Cura da Depresso pelo Magnetismo, obra de Jacob Melo, pg. 03 Entrevista com Ana Vargas, pg. 06Juramento do Magnetizador, de Aubin Gauthier, pg. 08 Diversas consideraes do Baro du Potet, pg. 09

    Seminrio em Goinia/GO, pg. 10

    Vortice

  • 481. Desempenham os Espritos algum papel nos fenmenos que se do com os indivduos chamados convulsionrios?Sim e muito importante, bem como o magnetismo, que a causa originria de tais fenmenos. O charlatanismo, porm, os tem amide explorado e exagerado, de sorte a lan-los ao ridculo.a) De que natureza so, em geral, os Espritos que concorrem para a produo desta espcie de fenmenos?Pouco elevada. Supondes que Espritos superiores se deleitem com tais coisas?482. Como que sucede estender-se subitamente a toda uma populao o estado anormal dos convulsionrios e dos que sofrem de crises nervosas?Efeito de simpatia. As disposies morais se comunicam mui facilmente, em certos casos. No s to alheio aos efeitos magnticos que no compreendas isto e a parte que alguns Espritos naturalmente tomam no fato, por simpatia com os que os provocam.Entre as singulares faculdades que se notam nos convulsionrios, algumas facilmente se reconhecem, de que numerosos exemplos oferecem o sonambulismo e o magnetismo, tais como, alm de outras, a insensibilidade fsica, a leitura do pensamento, a transmisso das dores, por simpatia, etc. No h, pois, duvidar de que aqueles em quem tais crises se manifestam estejam numa espcie de sonambulismo desperto, provocado pela influncia que exercem uns sobre os outros. Eles so ao mesmo tempo magnetizadores e magnetizados, inconscientemente.

    483. Qual a causa da insensibilidade fsica que se observa em alguns convulsionrios, assim como em outros indivduos submetidos s mais atrozes torturas?Em alguns , exclusivamente, efeito do magnetismo que atua sobre o sistema nervoso, do mesmo modo que certas substncias. Em outros, a exaltao do pensamento embota a sensibilidade. Dir-se-ia que nestes a vida se retirou do corpo, para se concentrar toda no Esprito. No sabeis que, quando o Esprito est vivamente preocupado com uma coisa, o corpo nada sente, nada v e nada ouve?A exaltao fantica e o entusiasmo ho proporcionado, em casos de suplcios, mltiplos exemplos de uma calma e de um sangue frio que no seriam capazes de triunfar de uma dor aguda, seno admitindo-se que a sensibilidade se acha neutralizada, como por efeito de um anestsico. Sabe-se que, no ardor da batalha, combatentes h que no se apercebem de que esto gravemente feridos, ao passo que, em circunstncias ordinrias, uma simples arranhadura os poria trmulos.Visto que esses fenmenos dependem de uma causa fsica e da ao de certos Espritos, lcito se torna perguntar como h podido uma autoridade pblica faz-los cessar em alguns casos. Simples a razo. Meramente secundria aqui a ao dos Espritos, que nada mais fazem do que aproveitar-se de uma disposio natural. A autoridade no suprimiu essa disposio, mas a causa que a entretinha e exaltava. De ativa que era, passou esta a ser latente. E a autoridade teve razo para assim proceder, porque do fato resultava abuso e escndalo. Sabe-se, demais, que semelhante interveno nenhum poder absolutamente tem, quando a ao dos Espritos direta e espontnea.FONTE: O LIVRO DOS ESPRITOS

    PALAVRAS DO CODIFICADOR

    E D I T O R I A LE D I T O R I A LComo se no bastasse a lngua portuguesa ser uma das mais complexas que existe, ainda h o jeito peculiar do brasileiro se expressar, o que s vezes gera algumas dificuldades na comunicao.

    Assim, quando queremos dizer no, s vezes falamos: Pois sim!, com uma entonao de voz toda especial. De outras vezes, ao intencionarmos dizer sim, expressamos: Pois no!.

    Em certas ocasies, principalmente quando se lida com meios de comunicao tais como jornais, revistas ou qualquer outra mdia, o cuidado com o que se diz ou escreve tem de ser muito grande, para no deixar brechas para mal entendidos ou julgamentos equivocados.

    O que que isto tudo tem a ver com magnetismo? Tirando o fato de que tudo que comunicamos segue carregado com o nosso magnetismo pessoal, mais nada! Mas tem tudo a ver com o Jornal Vrtice j que este lida com a palavra escrita e, ao que parece, algo que foi publicado na edio passada, e que pareceu cristalino, chegou embassado ao entendimento de alguns leitores.

    No ests entendendo ainda?

    Vais entender agora.

    Na edio de julho/2009 foi publicado neste despretensioso jornal um texto intitulado Imposio de Mos de autoria de Ivan Arantes Levenhagen. Apenas ressaltamos aqui que o Jornal Vrtice NO CONCORDA com o contedo do artigo, apesar de respeitar todas as idias, pessoas e opinies.

    Aquele foi publicado por solicitao do autor a fim de que os leitores tivessem a oportunidade de confrontar o seu texto com a anlise muito bem elaborada (e que apoiamos) de Jacob Melo, veiculada neste mesmo jornal em edio mais antiga.

    Como a verdade no deve ser colocada embaixo do alqueire, nem deve temer a crtica ou o questionamento, no recuamos diante da sugesto do prprio Jacob Melo em publicar a ntegra do artigo do Sr. Ivan, confiando na capacidade de discernimento e lgica dos nossos leitores.

    De tudo que j foi publicado neste jornal, salta aos olhos o seu apoio ao estudo aprofundado da Doutrina Esprita e do Magnetismo, que devem andar sempre de mos dadas.

    Jornal Vrtice pg. 02

  • O texto abaixo foi extrado do blog analisesespiritas.blogspot.com.Foi assinado por Anderson e datado de 09 de junho de 2009.

    Ol meus caros confrades espritas e no-espritas. com prazer que retorno para dialogar com vocs. Desta vez, tentarei fazer uma resenha sobre um livro que acabei de ler e que traz uma proposta original e bastante sria: A Cura da Depresso pelo Magnetismo ou, como conhecem alguns, pelos chamados passes!

    Este o nome do livro [imagem ao lado] que recomendo para todos os que tm interesse em aplicar melhor e com mais qualidade o magnetismo curador.

    O livro aborda a questo no s do ponto de vista da aplicao do magnetismo como do ponto de vista de um magnetizador esprita que sofreu muito ao passar por uma depresso de carter grave, com uma durao de 6 meses.

    Desta forma, no to somente uma obra de iniciativa de quem conhece o assunto teoricamente, mas, de algum que vivenciou no s a doena que ataca cerca de 20% da populao mundial como tambm que viu o poder dos passes tidos por alguns como 'milagrosos' e sem necessidade de tcnicas serem completamente ineficazes para auxili-lo a sair da depresso, quando muito, ainda o fez se sentir pior do que antes de cada aplicao.

    E durante o livro ele vai contando como entrou em depresso, como saiu, qual a influncia real que tiveram os passes, como comeou a perceber e estudar a correta aplicao do magnetismo na cura desta doena, suas primeiras vtimas, seus aprofundamentos, o roteiro da aplicao de um TDM [resumo de Tratamento da Depresso por Magnetismo que como ele chama estes passes em especfico], a influncia dos centros de fora [em especial do esplnico] tanto no incio da doena como no tratamento magntico da mesma, bem como realiza oportunas reflexes sobre o suicdio, a esperana, e ainda avalia certos mitos em torno da problemtica. E no fim, ainda temos alguns depoimentos de pessoas que obtiveram a cura da depresso com este tratamento.

    Enfim, sua leitura nos leva a indagar sobre nossas responsabilidades para com as diversas pessoas que atendemos nos centros espritas no s deste nosso Brasil imenso, mas de todo o globo, como nos leva a repensar nossa participao [ativa] em todo o processo magntico [fludico], bem como da real participao dos Espritos, que esto sempre presentes, entretanto, nem sempre presena significa atuao.

    Sua leitura, segue o conselho, deve ser feita aps um estudo srio de O Livro dos Espritos, O Livro dos Mdiuns e A Gnese, bem como de outros livros seus: O Passe, seu estudo, suas tcnicas, sua prtica; Manual do Passista e Reavaliando Verdades Distorcidas.Pois, como disse Charles Mingus [citao do livro citado]: "Complicar aquilo que simples lugar-comum; tornar simples o que complicado criatividade" e isto, precisamente, que faz o Jacob Melo h bastante tempo: simplificar aquilo que complicado, ou ao menos, aquilo que tido por complicado: o Magnetismo!E que fique claro: A DEPRESSO TEM CURA SIM!

    Bons estudos!

    "O Espiritismo e o magnetismo nos do a chave de uma infinidade de fenmenos sobre os quais a ignorncia teceu muitas fbulas, em que os fatos so exagerados pela imaginao. O conhecimento esclarecido dessas duas cincias, que se resumem numa s, mostrando a realidade das coisas e sua verdadeira causa o melhor preservativo contra as idias supersticiosas, porque revela o que impossvel, o que est nas leis da Natureza e o que no passa de crena ridcula". [O Livro dos Espritos, comentrio de Kardec questo 555]

    A Cura da Depresso pelo Magnetismo

    Jornal Vrtice pg. 03

  • YONARA ROCHA / EUA

    Durante uma pesquisa que realizei nos Estados Unidos sobre o Magnetismo, encontrei vrios livros traduzidos do francs para o ingls acerca do assunto. Comecei a, ento, minha expedio no Mundo do Magnetismo: li livros do Baro du Potet, Deleuze e Puysgur, e fiquei surpresa, maravilhada com a quantidade de conhecimento esprita existente nessas obras.

    Tudo comeou com o despertar da minha curiosidade em relao palavra passe. Estava eu preparando o material para um curso de passistas em nossa Casa Esprita, e mais uma vez me surpreendi com o que encontrei: constatei que a palavra foi criada por Mesmer (o pai do Magnetismo).

    Ora, usamos essa palavra constantemente nos Centros Espritas e a grande maioria de ns sem saber sua origem e significado. Usamos porque Kardec era um magnetizador e o passe uma tcnica da Cincia do Magnetismo.

    Depois do contato com essas obras, resolvi reler as Obras Bsicas do Espiritismo e tambm a Revista Esprita. S a pude compreender realmente ao que os Espritos se referiam quando falavam do magnetismo e do sonambulismo. Fiquei encantada! (Fica aqui o convite para que faam o mesmo).No sei bem o porqu das informaes sobre Magnetismo no terem chegado ao Brasil, mas posso dizer que podemos resgatar essa informao e ampliar o nosso conhecimento e prtica espritas.Os magnetizadores usavam a clarividncia como mtodo de diagnstico, muito embora no tivessem uma explicao racional do fenmeno. E da forma como eles se utilizavam dessa tcnica, alm de muito eficiente, no deixava nenhuma sombra de dvida sobre a veracidade desse fenmeno, j que tapavam os olhos do chamado sonmbulo e mesmo assim este era capaz de ver as pessoas, ler textos, etc..

    MAGNETISMOe

    ESPIRITISMO

    Jornal Vrtice pg. 04

  • Os sonmbulos tinham a capacidade de ver o problema do doente e at marcavam a data em que a cura se efetuaria, e de fato a cura acontecia no tempo previsto. Eles tambm previam, se esse fosse o caso, a morte daquele paciente.A preocupao dos magnetizadores em relao curiosidade e ao mau uso do Magnetismo sempre esteve presente, e facilmente encontrada nesses livros, j que havia aqueles que queriam se utilizar dessas tcnicas criando o fenmeno e formando verdadeiros espetculos dignos de um circo.Talvez isso tenha atrapalhado a expanso e impedido o desenvolvimento do Magnetismo. Somente magnetize com a inteno de curar e jamais para fazer apenas demonstraes. - advertiam os grandes magnetizadores.Em um dos ltimos livros do Baro de Du Potet intitulado Magnetismo e Mgica, os resultados obtidos por ele eram to surpreendentes e novos, que o Baro du Potet no soube como explicar de uma outra maneira que no fosse mgica! Faltaram-lhe palavras para descrever os fenmenos por ele constatados. E o interessante que esses fenmenos, com grande potencial e de grandes resultados, eram provocados, e no se davam de maneira natural como so esperados na Casa Esprita.A nos questionamos: ser que se estudssemos, buscssemos conhe-cer e utilizssemos essas tcnicas que os magnetizadores usavam para exercer a mediunidade, seramos mdiuns mais eficientes? Ser que se aplicssemos passes como os magnetizadores aplicavam obtera-mos mais curas? Acredito que sim, porque eles conseguiam curas admirveis. Curavam paralticos, surdos, epilpticos e muitos outros, com confirmao cientfica. Kardec com certeza as utilizou; ele chamava de mdiuns sonmbulos.As casas espritas que j estudam e aplicam o magnetismo esto tendo resultados formidveis, comprovan-do a sua eficcia.Vejamos o que nos diz Allan Kardec a esse respeito:

    Quando apareceram os primeiros fenmenos espritas, algumas pessoas pensaram que essa descoberta (se se pode aplicar-lhe esse nome) iria dar um golpe fatal no Magnetismo, e que ocorreria com ele como com as invenes, das quais as mais aperfeioadas fazem esquecer a precedente. Esse erro no tardou em se dissipar, e, prontamente, se reconheceu o parentesco prximo dessas duas cincias. Todas as duas, com efeito, baseadas sobre a existncia e a manifestao da alma, longe de se combaterem, podem e devem se prestar um mtuo apoio: elas se completam e se explicam uma pela outra.Mais adiante Kardec faz o seguinte esclarecimento:Os adeptos do Espiritismo, ao contrrio, so todos partidrios do magnetismo; todos admitem a sua ao e reconhecem nos fenmenos

    sonamblicos uma manifestao da alma. (Revista Esprita - 1 edio - ms de maro)Infelizmente, na vinda do Espiritismo ao Brasil, o Magnetismo se perdeu, essa cincia to conhecida, estudada e desenvolvida na Frana, foi esquecida ou ignorada em territrio brasileiro.J com esse conhecimento, deve-ramos seguir nosso Codificador,

    pois foi ele mesmo quem afirmou que a base do Espiritismo o Magnetismo. Assim sendo, mos obra! Vamos estudar, pes-quisar, questionar e finalmente ampliar o nosso conhecimento, o nosso potencial como traba-lhadores espritas. Terminamos com mais um trecho desse artigo e uma alertiva colocao de Allan Kardec:Se devssemos ficar fora da cincia magntica, nosso quadro estaria incompleto, e se poderia nos comparar a um professor de fsica que se abstivesse de falar da luz.

    Jornal Vrtice pg. 05

  • Momentos de Luz: Sabemos que h bastante tempo voc vem estudando esta rea sobre energia e tambm uma das pessoas que pode nos transmitir conhecimentos abalizados, pois h muito vem fazendo pesquisas neste campo. Para se falar de Magnetismo no podemos esquecer o trabalho que realizou o Mesmer que considerado o pai do Magnetismo, de Kardec que foi um grande estudioso desta rea e tambm da grande figura que exatamente Jesus, que o usou bastante no socorro aos aflitos de todas as maneiras. Eu gostaria de saber a sua opinio sobre essas trs figuras da histria do Cristianismo e da humanidade.

    Ana Vargas: Na histria de Jesus, do que ns conhecemos, o Magne-tismo amplamente empregado desde o toque, da palavra e do olhar at s formas de magnetizao intermediria, como quando ele cura o cego cuspindo na argila, na terra, para fazer o barro. So formas que os magnetizadores chamam de magnetizao intermediria. Um outro episdio em que ele deita sobre o corpo de uma pessoa tida como morta e diz: levanta-se! Tambm os estudiosos do magne-tismo conhecem isto como magne-tizao corporal, ou seja, de corpo inteiro. Ento ns vemos retratados na vida de Jesus o emprego do Magnetismo e de diversas tcnicas que so as tcnicas utilizadas na transmisso dessa energia curadora.

    Momentos de Luz: A propsito, tem uma passagem interessante no Evangelho a respeito da mulher hemorrossa. Jesus diz para os apstolos, que estavam afastando a mulher, que tinha sido retirado um pouco de energia dele.

    Ana Vargas: Isto nos mostra que esta troca de energia ocorre com o pleno conhecimento das partes, das pessoas, de quem vai receber e quem vai doar,

    mas ela ocorre tambm incons-cientemente. O fundamental, e especialmente neste episdio que tu ests recordando, a postura de quem recebe. Por que Jesus foi nessa situao um doador inconsciente, ele no estava com a mente voltada quele trabalho, mas detinha essa capacidade de cura, detinha essa energia vital. E o que a mobilizou? A vontade da doente, a vontade da mulher que necessitava e a f dela tambm, que fundamental. Ela ao tocar nas vestes de Jesus retirou, pegou, buscou esta energia que a curou. Ento isso um fenmeno que inconsciente e acontece com todas as pessoas, sejam elas espritas ou no, conheam ou no o Magnetismo. Alis, muitas vezes nos encontramos com uma pessoa e, diante dela, a gente sente como se perdesse completamente as foras, parece que somos sugados. A pessoa se afasta e a gente volta a respirar. D um alvio. - Ah, meu Deus, aquela pessoa estava me sugando, estava muito carregada! E na verdade o que se d esse fenmeno: a pessoa necessita de energia e ela busca o doador incons-cientemente. Assim como outras vezes somos ns que, diante de outra pessoa, nos enchemos daquela energia. Ah, deu um bem estar enorme ficar contigo, me fez bem, subiu o astral, melhorei! O que se passa so esses fenmenos naturais, o Magnetismo uma lei natural e j temos no exemplo de Jesus. E nas nossas prprias vidas a gente pode enxergar a ao dessa lei.

    Ela na verdade comea a ser pesquisada na antiguidade. Voltamos l aos tempos de Hipcrates, passamos por Jesus at a figura de Mesmer que passa esse conhecimento no nvel da cincia. Por que Jesus, na verdade, demonstrou e a sua vida rica de demonstraes a respeito do Magne-tismo. Mas se ele passou esse ensinamento, ficou restrito aos seus

    apstolos, ns no temos discursos dele sobre o assunto. Mas Mesmer levou para o campo da cincia o estudo desta lei natural. E dedicou a sua vida inteira a isso. E depois ns vamos chegar a Kardec trazendo esta bagagem do Magnetismo, apresentando-o como cincia irm do Espiritismo e justamente vai ser nos saraus do Magnetismo, que aqueles fenmenos das mesas girantes, das mesas falantes, das sonmbulas vo comear a se processar.

    Momentos de Luz: Poderia fazer uma abordagem sucinta com relao aos conceitos de sade, doena e as implicaes com as noes de cura?

    Ana Vargas: Ns sempre pensamos sade como uma situao de absoluto bem estar, de total ausncia de doena. E hoje, at mesmo a Organizao Mundial de Sade no corrobora este conceito. Define a sade no como ausncia de doena, mas sim como o estado da pessoa viver bem, mesmo que ela ainda tenha algum tipo de doena. Ento, dentro deste contexto, ns podemos tanto auxiliar a erradicar uma determinada doena, como ns podemos trabalhar esta doena com o objetivo de proporcionar alvio, como tambm podemos, com todo o arcabouo que a Doutrina Esprita nos oferece e que o Magnetismo nos d, ajudar a pessoa a conviver com a sua doena por que como espritas que somos, sabemos que existem doenas que so necessrias evoluo do Esprito e que no est nas mos nem dos mdicos, nem dos magnetizadores, nem dos supostos milagres realizar, por que so necessidades do Esprito. So as doenas provacionais. E auxiliar a pessoa nisto j uma enorme caridade, no meu ponto de vista. Auxil iar o Esprito a suportar, a

    Entrevista Ana Cristina Vargas, advogada, presidente da Sociedade de Estudos Espritas Vida, de

    Pelotas/RS. Esta entrevista foi realizada para o Programa de Rdio Momentos de Luz, de

    Aracaju/SE, em julho de 2009, por ocasio da realizao do Seminrio Energia que Cura.

    trabalhadora e pesquisadora na rea do passee do magnetismo.

    Jornal Vrtice pg. 06

  • aceitar, a resignar-se e tudo isto faz parte de um contexto de cura visto de um enfoque espiritual. E a doena ns vamos ter desde aquelas que a gente costuma ter na infncia, que todos ns tivemos, como o sarampo, a caxumba, aquela coisa corriqueira. Eu entendo de uma forma leiga, por que a Medicina no a minha rea, mas quando adoecemos ns temos limitaes, o nosso corpo no oferece total liberdade, total uso. A gente vai ter doenas que depois vo surgir e que s vezes so circunstncias de vrus, como temos agora esta gripe A, e vamos ter doenas que surgem pelo desgaste natural do corpo. Muitas dessas ns podemos erradicar completamente, aliviar, outras ns vamos aprender a suportar. E outra questo com relao doena e cura que hoje a nossa sociedade parece exigir que as pessoas tenham prazer total em tudo, no admitem a tristeza, no admitem o sofrimento, no admitem lidar com perdas, lidar com a morte, se no podem consumir tal coisa j um motivo de aborrecimento. So coisas que a nossa cultura atual, a sociedade atual dissemina muito. E nesse sentido, quando a pessoa sofre frustraes, muitas vezes acaba sendo considerada doente e a vai para a farmcia procurar a plula da felicidade como se a gente pudesse comprar a felicidade, comprar a paz, comprar a tran-quilidade, comprar o entendimento numa prateleira de farmcia. Neste sentido tambm, a Espiritualidade e a Doutrina Esprita tem muito a nos oferecer. E a gente v tambm os mal estares que a nossa sociedade oferece e que a indstria farmacutica at j colocou alguns nomes como trans-tornos, estresse ps-traumtico, pois existe o transtorno quando a pessoa sofre algum problema difcil e ela passa um tempo num estado de debilidade fsica ou emocional decorrente daquilo, mas que, no geral, muitas revistas e publicaes da rea tem um entendimento de que a pessoa tem lembranas ruins do passado podendo ser diagnosticada como transtorno ps-traumtico. E a Doutrina Esprita nos diz: precisamos aprender a conviver, a transformar principalmente as lembranas do nosso passado em coisas construtivas.

    Momentos de Luz: Uma outra abordagem, Ana, que gostaramos que comentasse quanto posio do magnetizador: condies fsicas e morais e, sobretudo, compromisso com os pacientes, alm da busca incessante do conhecimento e a gratificao pessoal do trabalho.

    Ana Vargas: Primeiro lugar, para que a gente possa trabalhar com essa energia, ns devemos oferecer um

    canal, ou seja, o nosso organismo, o nosso corpo fsico, o mais saudvel possvel, esse o primeiro ponto. Essa energia passa por ns, ns vamos do-la, ento vamos do-la da maneira mais pura possvel: alimentao saudvel, bons hbitos de vida, prtica de esportes, ausncia de vcios. Essas questes so fundamentais.

    Tem a parte moral, tambm. A parte moral , digamos assim, os outros 50 ou 60%. fundamental a pessoa ter hbitos de vida morais saudveis.

    Procurar conhecer, procurar trabalhar; no exigimos a santidade, pois no possvel, no nosso mundo no temos, mas que a gente tenha conscincia dos nossos defeitos, dos nossos erros e que procuremos transform-los, que procuremos sempre o melhor e que nos entreguemos a este trabalho com o mximo de amor, de conhecimento, de boa vontade.

    Momentos de Luz: A gratificao pelo trabalho vem pelo amor que a pessoa dedique a ele, no ? Ento h um retorno, naturalmente, devido a essa vontade de servir.

    Ana Vargas: A disponibilidade de se doar ao trabalho tem esse aspecto que da nossa gratificao pessoal, contribui para a nossa sade, para o nosso bem estar. No nosso trabalho, a gente atua da seguinte maneira: a pessoa chega ao nosso grupo, ela passa por uma entrevista em que vai dizer os motivos pelos quais foi procurar aquele atendimento. A partir dali ns comeamos um perodo de terapia com ela em que ela vai passar por um trabalho de orientao que feito sempre antes do atendimento magntico e feito todo um acompanhamento e isso dura...! Ns temos pacientes, por exemplo, com sete anos de tratamento conosco. Temos outros com trs anos; temos casos que se resolvem em oito, dez sesses; temos casos que se resolvem em menos e aqueles que so de controle, que so de manuteno. gratificante a gente ver a evoluo daquela pessoa e ver que o que ns estamos fazendo de fato contribui. No um tipo de trabalho que se faa e que a pessoa passa pela minha frente e eu no sei nada dela e ela no sabe nada a meu respeito. Dessa maneira a gente tem uma grande gratificao no convvio com as pessoas que so atendidas.

    Momentos de Luz: pelo que a gente est observando da sua fala, o passe aparentemente uma coisa simples, mas no deixa de ser, tambm, uma coisa muito complexa.

    Ana Vargas: muito mais complexo do que podemos imaginar.

    Momentos de Luz: O passe no to somente aquele estender das mos. Tem uma srie de mecanismos como o problema do conhecimento da anatomia humana e etc, etc, etc.

    Ana Vargas: Entra todo um conhecimento da anatomia humana, toda a questo do conhecimento do perisprito, das energias, dos fluidos e, principalmente, entra muito a questo mental. fundamental para o passista, antes de ele estender as mos, ter toda uma postura mental. A gente comentou anteriormente a questo da sade, e a respeito da sade moral, isto para a vida. No naquele dia em que vai fazer o trabalho que ele vai zelar pela sua sade fsica, que ele vai cuidar da sua alimentao, que ele vai procurar estar emocionalmente bem. Isto hbito de vida que ele tem que adquirir 24 horas, todos os dias. Mas, no momento em que ele estende as mos sobre algum, est movimentando uma energia natural que o fluido vital. A Espiritualidade nos diz que movimentamos essas energias com o pensamento e com a ao do nosso sentimento. Ento ele tem que mobilizar essas foras internas para depois exteriorizar essa energia e pass-la atravs das mos para o organismo do outro. Ento ele tem que conhecer a si, saber onde ele est processando essa energia, como transmiti-la para o outro e, conhecendo o seu paciente, a pessoa que vai ser atendida, saber qual o melhor local para ele trabalhar e que vai dar o melhor resultado para o problema que a pessoa trouxe ao seu conhecimento.

    Jornal Vrtice pg. 07

  • JURAMENTO DE HIPCRATESFonte: Wikipdia "Eu juro, por Apolo, mdico, por Esculpio, Higia e Panacia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razo, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessrio for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus prprios irmos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprend-la, sem remunerao e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lies e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discpulos inscritos segundo os regulamentos da profisso, porm, s a estes. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a algum. A ningum darei por comprazer, nem remdio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo no darei a nenhuma mulher uma substncia abortiva.Conservarei imaculada minha vida e minha arte.No praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operao aos prticos que disso cuidam.Em toda a casa, a entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntrio e de toda a seduo sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.quilo que no exerccio ou fora do exerccio da profisso e no convvio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que no seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profisso, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrrio acontea.

    JURAMENTO DO MAGNETIZADOR Depois de ter lido e meditado longamente sobre o sermo de Hipcrates, escrevi aquele que para os magnetizadores:Sobre minha honra e minha conscincia, diante de Deus e diante dos homens, Prometo ensinar a todos indistintamente os princpios da arte de curar os doentes pelo magnetismo e os instruirei em sua prtica depois que eles tiverem prestado o mesmo juramento que eu.Eu juro me ocupar exclusivamente da sade dos doentes que se confiarem a minhas mos, de secundar entre eles a natureza sem a contrariar jamais e de defend-los contra todas as aes imprudentes ou nocivas.No farei do sonambulismo um espetculo; no farei com os sonmbulos nenhuma experincia contrria a sua cura.Tudo o que me for dito, em sonambulismo e que no precisar ser repetido permanecer em segredo para todos e para mim.Em todos os lugares onde for chamado, respeitarei as mulheres e as jovens, no as seduzirei nem tentarei seduzi-las; eu sairei puro de toda ao desonesta.Se, em minha prtica, eu descobrir alguma maneira de fazer o mal, no a divulgarei; recusarei a ensin-la a quem me pedir o contrrio.Seguirei o juramento com fidelidade, sem viol-lo em um s artigo, se eu fizer o contrrio, que eu seja punido pela perda de minha reputao e pelo desprezo pblico.

    (Aubin Gauthier, Tratado Prtico do Sonambulismo e do Magnetismo, 59)

    Jornal Vrtice pg. 08

  • O homem que admite apenas o que seus olhos vem tem uma viso bem curta. Aquele que no reconhece a viso do esprito se parece a um homem que, vendo um livro fechado, no o abre, no faz nenhum esforo em saber o que ele diz, nem em adivinhar seu contedo, mas afirma com segurana: no h nada escrito.

    Tudo pesado, regulado na marcha dos astros e em tudo na natureza. Onde ns acreditamos ver a confuso, existe a ordem; onde percebemos o acaso, h algo regulado e que deve aparecer. Nossa razo to frgil, to limitada que ela apreende apenas as aparncias e acredita, entre-tanto, apreender a verdade. Ns julgamos a partir de nossos sentidos, sentidos mais ou menos obtusos os quais, mesmo quando so desenvolvidos e perfeitos, nos enganam ainda.

    Os novos fenmenos nos mostram que nossa alma pode perceber sem os rgos dos sentidos e que, mergulhados no mais profundo sono, podemos tomar conhecimento de lugares distantes de ns, ver o que a se passa e indic-lo claramente. A alma humana ver em seu corpo, seu domiclio, os movimentos prprios a uma mquina, descrever suas engre-nagens e, melhor que um Esculpio, ver o que preciso fazer para reparar as desordens!

    Fatos aqum da compreenso humana so anunciados; eles vm confundir nossa razo e os filsofos se calam. Os videntes podem ver os mortos h dezenas de anos, quando aqueles lhes eram desconhecidos,

    descrever seus modos, seus hbitos, as doenas que lhes causaram a morte. Estes fenmenos, perfeitamente consta-tados, no encontram entre os eruditos um homem que procure explic-los, um homem que deseje v-los e produz-los! Eles escondem de nosso olhos a ao da Providncia.

    A cincia verdadeira logo estar em todas as famlias, no iremos mais s escolas de medicina procurar as idias sistemticas de nossos ilustres professores sobre a doena e a sade, sobre a arte de cur-las, enfim. No, daremos, ao contrrio, lies prticas da nova arte aos professores antigos e lhes mostraremos como curar as doenas sem remdios.

    A verdade tem este privilgio: destruir o erro. Ela como o sol que vence as sombras e faz cessar a noite. O vapor, a eletricidade, o magnetismo humano, eis os campees revolucionrios do nosso tempo, a base fsica e moral na nova sociedade, a fora material, a fora moral, o agente da vida como o princpio de medicina, o que revela a alma como a lei religiosa. Algum poder rir destas afirma-es, da f que temos. No impor-ta. Os homens que predisseram os maiores acontecimentos no foram acreditados por ningum, mas foram justificados pelos fatos. Quem no teria tratado por louco o homem que tivesse anunciado, h um sculo, as transformaes surgidas nas artes industriais e nas cincias fsicas pela aplicao das foras mortas descobertas. O Magnetismo, fora viva, no s real, mas superior em virtude a todos estes agentes; ele logo ser

    conhecido por todos, mas restar converter os sbios. Eles sero os ltimos a entrar na via do progresso.

    Eu no posso ver se aproximar de mim um ser humano sem consi-der-lo atentamente. Experimento o que ele deve experimentar em si mesmo, um tremor misterioso, pois no nem calor nem frio que eu sinto, um efeito diferente. Procuro curiosamente o que se esconde na carne e o que causa esta sensao nova. Quando eu magnetizo algum em minhas experincias pblicas, meu enten-dimento, meu olhar intelectual procuram penetrar profundamente atravs da couraa do magne-tizado para ir buscar sem dvida um dos habitantes deste lugar e provoc-lo para um tipo de combate. preciso, feliz ou infelizmente, que ele venha, que ele aparea na brecha feita, que eu o veja, ou antes, que eu lhe sinta, que o examine mental-mente. Se ele frgil, meu interrogatrio doce e tranquilo; se ele forte, sou imperioso e veemente e sem linguagem falada que estes fatos acontecem ou antes, a lngua dos espritos, linguagem que existia quando da criao dos seres e que a substitumos depois pelos sons ruidosos produzidos por um grande nmero de rgos, sons a cada um dos quais ns demos um valor de conveno.Mais de uma vez esta linguagem muda me tornou adivinho, feiticeiro, mgico, tudo que voc quiser. Os magnetizadores tenta-ram dar uma explicao dizendo: comunicao de pensamentos.

    *Comentrios extrados do Jornal do Magnetismo, 1857

    Consideraes doConsideraes do

    Baro du PotetBaro du Potet

    Jornal Vrtice pg. 09

  • JACOB MELO responde

    - QUAL A RELAO ENTRE MAGNETISMO, ESPIRITISMO E SONAMBULISMO?

    Jornal Vrtice pg. 10