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José Paulo Paes

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Text of José Paulo Paes

  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARING

    CAMILA ANDRIAN DORIGON DE LIMA

    JOS PAULO PAES: POSSIBILIDADE DE ENCANTO,

    ENSINO E APRENDIZAGEM

    MARING PR

    2013

  • CAMILA ANDRIAN DORIGON DE LIMA

    JOS PAULO PAES: POSSIBILIDADE DE ENCANTO,

    ENSINO E APRENDIZAGEM

    Trabalho de Concluso de Curso TCC, apresentado ao Curso de Pedagogia na disciplina 4728 Trabalho de Concluso de Curso como requisito parcial para cumprimento das atividades exigidas. Orientadora: Profa. Dra. Marta Chaves Coordenadora do Curso: Profa. Aline Frollini Lunardelli Lara

    MARING PR

    2013

  • CAMILA ANDRIAN DORIGON DE LIMA

    JOS PAULO PAES: POSSIBILIDADE DE ENCANTO,

    ENSINO E APRENDIZAGEM

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado Universidade Estadual de Maring como requisito parcial para a obteno do ttulo de Graduao em Pedagogia.

    BANCA EXAMINADORA

    ____________________________________________

    Profa. Dra. Marta Chaves (Orientadora)

    Universidade Estadual de Maring

    _____________________________________________

    Profa. Ms. Luciana Grandini Cabreira

    Universidade Estadual de Maring

    _____________________________________________

    Prof. Vincius Stein

    Universidade Estadual de Maring

  • A Deus,

    Pai eterno.

    Ao Diogo,

    marido maravilhoso, a quem dedico minha vida.

    Lairde,

    me sempre presente.

    Jos Paulo Paes,

    uma inspirao.

    Marta Chaves,

    defensora de encantos e excelncias.

    Ao GEEI,

    grupo de estudos querido.

  • AGRADECIMENTOS

    Algumas pessoas contriburam no processo de elaborao desta pesquisa, e

    no poderiam deixar de ser registradas, pois sem elas esse trabalho no poderia ser

    concretizado com o resultado e significado que tiveram. Com isso agradeo:

    Deus maravilho, presente em tudo na minha vida.

    minha professora e orientadora Dra. Marta Chaves, que me amparou na

    pesquisa, me ensinando quo importante a educao apenas com as mximas

    elaboraes humanas.

    Aos professores do curso de pedagogia, por todos os ensinamentos,

    especialmente pelos professores da banca examinadora: Profa. Ms. Luciana

    Grandini Cabreira e Prof. Vincius Stein por terem aceitado o meu convite

    prontamente.

    Ao Grupo de Pesquisa e Estudos em Educao Infantil (GEEI), que marcou

    minha formao com estudos maravilhosos e membros que realmente me

    acolheram e com quem pude compartilhar diversas alegrias.

    minha amiga Jssica Belotto amizade que se iniciou durante o curso, mas

    que vai perdurar por toda a vida, obrigada por momentos incrveis.

    querida amiga Juliana de Mello com quem tenho a oportunidade de

    trabalhar junto e aprender com ela cada dia mais, professora inspiradora.

    Caroline Coradini com quem tenho o prazer de trabalhar junto, dividindo

    prazeres e dificuldades, com que posso contar sempre, muito obrigada.

    minha coordenadora Alessandra Fontana e todos os meus colegas de

    trabalho que me deram a oportunidade de vivenciar as melhores experincias.

    Aos meus sogros Joo Lima e Magaly Zanco, sempre presentes.

    Aos meus irmos Rodrigo e Rafael Andrian que sempre me apiam e so

    sempre presentes.

    minha me Lairde Andrian e minha av Leonor Andrian, que me ensinaram

    o que amor incondicional.

    Ao meu pai Carlos Roberto Dorigon de Lima presente em meu corao.

  • Ao meu amado e querido marido Diogo Zanco dos Reis, sempre presente,

    compreensivo, carinhoso, amvel com quem compartilho alegrias, tristezas e a

    minha vida.

  • Sonho com o dia em que, por iniciativa

    prpria, no de seus professores, as

    crianas passem a escolher os livros que

    desejam ler. Assim como sonho com o dia

    em que, j crescidas em anos, elas

    conservem ainda pela leitura um gosto

    suficientemente vivo para lev-las at as

    prateleiras das livrarias em busca de poesia

    adulta de igual qualidade

    Jos Paulo Paes

  • RESUMO

    Este trabalho tem como objetivo apresentar estudos e reflexes sobre a Literatura Infantil nas instituies educativas. Apresentaremos uma proposta de interveno pedaggica nominada Caixa de Encantos e Vida baseada na biografia do poeta Jos Paulo Paes. Foi realizada uma pesquisa bibliogrfica com base nos autores da Teoria Histrico-Cultural, pois acreditamos que seus pressupostos respondam aos nossos questionamentos. Considera-se, ainda, a vida de Jos Paulo Paes e como suas experincias relacionam-se com sua produo literria. A partir de sua biografia poderemos concluir que quanto mais experincias enriquecedoras a criana tiver, mais rica ser sua aprendizagem. Visando atender os objetivos propostos sero apresentados os aspectos histricos da Literatura Infantil no contexto mundial e no contexto brasileiro. Em seguida trataremos sobre a importncia da poesia no desenvolvimento infantil, posteriormente abordaremos a Literatura Infantil no contexto escolar, e apresentaremos a biografia de Jos Paulo Paes. Finalizaremos com a possibilidade de interveno pedaggica como recurso didtico para Educao Infantil e as series iniciais do Ensino Fundamental. Palavras - chave: Literatura Infantil, Teoria Histrico-Cultural, Jos Paulo Paes, Caixa de Encantos e Vida

  • ABSTRACT The main purpose of this paper is to show the studies and reflections about the Childrens Literature in educational institutions. It is going to be shown a pedagogic intervention proposal called Delights and Life Box based on the biography of the poet Jose Paulo Paes. A bibliographic research has been done with the authors of the Historic-Cultural Theory, for we believe that his arguments are capable of answering our questions. This paper also brings the life of Jose Paulo Paes and how his life experiences are related to his literary production. Through his biography it is possible to conclude that as much rich experiences the child will have, richer the childs learning will be. There will be presented the historical view of Childrens Literature in worldwide and in Brazilian contexts. Thus, the importance of the poetry in child development is going to be discussed and afterward the biography of Jose Paulo Paes. Lastly, it is going to be shown the pedagogic intervention possibility as a didactic resource for the Child Education and the initial series from Elementary Education.

    .

    Keywords: Childrens Literature, Historical-Cultural Theory, Jose Paulo Paes, Life and Delights Box

  • SUMRIO

    RESUMO .......................................................................................................... 7

    ABSTRACT ....................................................................................................... 8

    SUMRIO ......................................................................................................... 9

    1 Introduo .................................................................................................... 10

    2 Aspectos Histricos da Literatura Infantil ..................................................... 13

    2.1 Aspectos Histricos da Literatura Infantil No Brasil ............................... 16

    3 Poesias E Seus Encantos: Possibilidade Intelectual ................................... 18

    3.1 Jos Paulo Paes: Suas Histrias Que Viraram Poema ......................... 21

    3.2 Jos Paulo Paes lembranas de um caminho de conhecimento ........... 25

    3.3 Jos Paulo Paes: de tcnico em qumica para escritor ......................... 28

    4 Literatura e a Literatura Infantil: Contribuies Para o Ensino e Aprendizagem ........................................................................................................... 31

    4.1 Literatura Infantil a a Teoria Histrico-Cultural: Possibilidade De Interveno Pedaggica Com Caixa De Encantos E Vida ..................................... 34

    4.2 Elaborao da Caixa de Encantos e Vida ............................................. 36

    CONSIDERAES FINAIS ............................................................................ 38

    REFERNCIAS .............................................................................................. 40

    ANEXO A Algumas Obras Literrias de Jos Paulo Paes ........................... 42

    ANEXO B Algumas Publicaes Pstumas de Jos Paulo Paes ................ 43

  • 1 Introduo

    Esta pesquisa tem por base minhas inquietaes a respeito da forma com que

    se trabalha a Literatura Infantil, pois diversas vezes ela no recebe o seu valor, isto

    , como arte. Em algumas instituies de ensino em que tive a oportunidade de

    realizar o estgio obrigatrio, seja de Educao Infantil ou do Ensino Fundamental a

    Literatura Infantil era utilizada apenas como uma maneira de se passar o tempo. Em

    2011 com o meu ingresso no Grupo de Estudo e Pesquisa em Educao Infantil

    (GEEI)1, tive vrias vivncias que me revelaram a importncia da Literatura Infantil, e

    fornecer subsdios para se trabalhar por meio de recursos didticos.

    Partindo das minhas observaes e das vivncias realizadas com o GEEI,

    pretendemos pensar alternativas para se realizar intervenes pedaggicas a

    respeito da Literatura, assim buscando estudar e refletir sobre questes afetas ao

    ensino e aprendizagem dos alunos. Consideraremos estudos j realizados, nos

    pautando no que j est feito, para assim apresentar novas contribuies para o

    tema, destacando o autor Jos Paulo Paes. Este autor foi escolhido pela grande

    importncia de suas obras e por sua trajetria de vida.

    A importncia desta pesquisa se d, medida em que discutiremos os

    beneficios da Literatura Infantil e como ela tem se apresentado no ambiente escolar.

    A Literatura antes de tudo uma arte e atravs dela que a criana passar a ser

    mais crtica, conhecer as peculiaridades do mundo que a cerca, porm no ambiente

    escolar nem sempre a Literatura se apresenta de forma ampla.

    Portanto, faremos um estudo dos aspectos biogrficos do autor e poeta Jos

    Paulo Paes (1926 - 1998), apresentando suas vivncias e as relaes que elas

    tiveram em suas obras. Alm disso, apresentaremos o recurso didtico denominado

    Caixa de Encantos e Vida2, recurso didtico desenvolvido pelo Prof Dr Marta

    Chaves, que poder instrumentalizar a prtica do professor desde a Educao

    1 Grupo de Pesquisas e Estudos em Educao Infantil GEEI, coordenado pela professora Dra Marta Chaves, formalizado pela Universidade Estadual de Maring. Este grupo realiza estudos afetos Educao Infantil, amparado nos pressupostos tericos do Materialismo Histrico e sob a perspectiva da Teoria Histrico-Cultural. 2 Recurso didtico desenvolvido pela Prof Dr Marta Chaves, que elaborado coletivamente, o grupo realiza a escolha de um expoente da literatura, da poesia, da msica ou das artes plsticas a ser estudado. O objetivo representar a vida de um determinado expoente a partir de material escrito, fotos e objetos que caracterizem os diferentes momentos de sua histria. Sobre o qual trataremos mais detalhadamente no decorrer deste trabalho.

  • Infantil at os primeiros anos do Ensino Fundamental, a fim de aprimorar a

    aprendizagem dos escolares. Proposta esta que se d por consideramos que h a

    possibilidade de trabalhar com biografias de autores no cotidiano escolar, utilizando

    esses dados biogrficos como aspectos que podem enriquecer os contedos

    trabalhados a partir do currculo escolar.

    Inicialmente faremos uma retomada histrica, apresentado a origem da

    Literatura Infantil e a sua expanso no decorrer das dcadas, em seguida faremos

    consideraes sobre a importncia da Literatura Infantil e da poesia nas instituies

    educativas escolares e no desenvolvimento das crianas, embasados nos

    pressupostos da Teoria Histrico-Cultural. Por conseguinte apresentaremos a

    biografia do poeta Jos Paulo Paes e os fatos de sua vida que tiveram reflexos em

    suas obras.

    Na sequncia partiremos do estudo biogrfico do autor e da importncia da

    Literatura Infantil nas instituies escolares, apresentaremos uma proposta de

    interveno pedaggica baseados na Literatura Infantil e a biografia de Jos Paulo

    Paes, com a Caixa de Encantos e Vida, embasados na teoria Histrico-Cultural, em

    que a premissa de que os homens e suas ideias so resultado de sua existncia

    material, isso significa que os fenmenos so explicados pela organizao

    econmica da sociedade.

    Observaremos que os aspectos histricos determinam os contedos das artes

    de sua poca, quando se estuda a biografia do autor passa-se a considerar que tudo

    que o autor vivenciou se reflete em sua obra, necessrio se perguntar por que a

    literatura vista de uma forma to superficial, pois quando ela mostrada de forma

    ampla seu contedo muito mais rico. Trabalharemos com essa possibilidade, pois

    trabalhar com a biografia dos autores no cotidiano das instituies educativas pode

    enriquecer o aprendizado dos alunos.

    Atravs de estudos realizados durante a graduao nos questionamos:

    Quando se trabalha Literatura Infantil, por qual motivo no se aprofunda os estudos

    sobre os aspectos biogrficos dos autores para assim enriquecer o aprendizado dos

    alunos? Para a anlise dos dados da pesquisa, bem como para se chegar aos

    resultados, nos embasaremos na Teoria Histrico-Cultural, por ser o referencial

    terico-metodolgico que melhor responde aos questionamentos e inquietaes que

    impulsionaram o tema e o problema desta pesquisa, mesmo que ainda em estudos

    iniciais sobre esse referencial. Para melhor afirmamos nosso posicionamento,

  • tomaremos como base os escritores que contemplam a Teoria Histrico-Cultural e

    clssicos como Leontiev (1979) e Vigotski (2009).

    No captulo a seguir trataremos sobre os aspectos histricos da Literatura

    Infantil, desde suas premissas, quando eram adaptaes de Literatura Adulta, at

    atualmente com suas diversas obras.

  • 2 Aspectos Histricos da Literatura Infantil

    Para compreendermos o que Literatura Infantil necessrio observamos os

    seus primrdios, pois ela nem sempre existiu, a infncia no era considerada uma

    etapa da vida com as particularidades que conhecemos na atualidade. Veremos

    neste captulo que a Literatura Infantil muito peculiar a sua poca, suas funes

    foram mudando de acordo com a necessidade e transformaes de seu tempo.

    Coelho (2010) afirma que na segunda metade do sculo XVII, durante a

    monarquia absoluta de Lus XIV, o Rei Sol, na Frana, se manifestou a primeira

    preocupao com uma literatura para crianas e jovens. Regina Zilberman (2003)

    sustenta que os primeiros livros destinados para as crianas foram desenvolvidas no

    sculo XVII e XVIII e essa concepo se originou apenas nesse perodo, pois antes

    dessa poca no existia uma compreenso de infncia.

    As modificaes ocorridas na Idade Mdia e solidificadas no sculo XVIII

    proporcionaram a ascenso de modalidades culturais, bem como a escola com sua

    organizao atual e o gnero literrio dirigido ao jovem. Para Coelho (2000, p.118)

    O individuo passa a ser valorizado pelo que ele , sabe ou faz, e no mais pela

    classe social.

    Isso ocorreu pois com a decadncia do feudalismo os laos de parentesco

    passam a se desagregar. Antes o sistema se baseava na centralizao de um grupo

    de indivduos ligados por elos de sangue, favores, dividas ou compadrio, sob gide

    de um senhor de terras de origens aristocrticas. Com a dissoluo desse sistema, o

    conceito de famlia desenvolvido, estreitando esses laos, passando assim a se

    dedicar a preservao dos filhos e do afeto interno.

    Com a necessidade de se ter um ncleo familiar, precisando assim de

    privacidade, os laos de afeto passam a ser estimulados, a partir de ento, a

    infncia passa a ser considerada, sendo assim, a necessidade de se ter escolas e

    literatura adequada. No sculo XVII a literatura destinada s criana tem apenas

    como funo o aprendizado, quem as escrevia eram pedagogos e professores e no

    eram vistas como arte.

    Para Zilberman (2003) a partir do momento em que a infncia passa a ser

    valorizada, a criana deixa de ser um adulto em miniatura, passando a ter

  • consideraes especiais, para que possam ter uma vida de maneira saudvel, se

    tornando um novo estilo domstico.

    A partir do momento em que a criana passa a ser protegida, a infncia

    comea a ser marginalizada em relao ao setor de produo, pois exerce uma

    atividade intil do ponto de vista econmico, ao contrrio de trazer dinheiro para

    casa, ele apenas consome. A literatura que dirigida crianas mostra as

    cicatrizes desse processo social de dominao, lutando por compens-las pela

    fidelidade misso iluminista da arte (BORDINI, 1991, p. 6-7).

    A sociedade passa a projetar nas crianas suas aspiraes e seus temores.

    A escola tem, nesse processo uma atuao preponderante, assumindo um duplo

    papel, o de introduzir a criana na vida adulta, mas ao mesmo tempo, de proteg-la

    das agresses do mundo exterior.

    As relaes da escola com a vida so, portanto, de contrariedade: ela nega o social, para introduzir, em seu lugar, o normativo. Inverte o processo verdadeiro com que o indivduo vivencia o mundo, de modo que no so discutidos, nem questionados, os conflitos que persistem no plano coletivo; por sua vez, o espao que se abre ocupado pelas normas e pelos valores da classe dominante, transmitidos ao estudante (ZILBERMAN, 2003, p. 22).

    Podemos dizer que para que a escola consiga introduzir valores e normas, ela

    se utiliza fortemente da literatura, para que assim a criana assimile esses valores. A

    Literatura Infantil tem sua origem nas adaptaes tinham a finalidade de suprir as

    necessidades estipuladas.

    A justificativa que legitima o uso do livro na escola nasce, pois, de um lado, da relao que estabelece com seu leitor, convertendo-o num ser crtico perante sua circunstncia; e, de outro, do papel transformador que pode exercer dentro do ensino, trazendo-o para a realidade do estudante e no submetendo este ltimo a um ambiente do qual foi suprimida toda a referncia concreta (ZILBERMAN, 2003, p. 30).

    Podemos afirmar que o gnero literrio mais recente o da Literatura Infantil,

    que apareceu durante o sculo XVII, poca de mudanas na sociedade entre elas

    mudanas no mbito artstico, que atualmente permanecem. Coelho (2000) afirma

    que as literaturas infantis eram adaptaes de livros adultos, pois no haviam

    produo destinada especificamente para crianas. Conforme Coelho (2010, p.25)

    Foi entre os sculos IX e X que, em terras europias comea a circular oralmente

    uma literatura popular que, atravs dos sculos, seria conhecida como folclrica,

    mais tarde transformada em literatura infantil. Lajolo e Zilberman (1987) ressaltam

    que no sculo XVII, durante o classicismo francs foram escritas histrias e

    englobadas como literatura apropriada para crianas, entre elas de La Fontaine

  • (1621-1693), Charles Perrault (1628-1703), entre outros.

    necessrio ressaltar que os autores citados como clssicos, bem

    como os irmos Grimm ou mesmo Hans Christian Andersen (1805-1875) no so os

    autores dessas histrias, como afirma Coelho (2010). Durante o sculo XVII,

    interessados na literatura folclrica criada pelo seu povo de seus respectivos pases,

    reuniram as histrias annimas, que h sculos vinham sendo transmitidas

    oralmente de gerao em gerao. Quando reunidas em livros passaram a ter o

    nome de seus recriadores. Coelho (2010, p.7) afirma O poder de resistncia dessa

    coisa, aparentemente to frgil e precria, que a palavra (literria ou no) prova de

    maneira irrefutvel que a comunicao entre os homens essencial sua prpria

    natureza. Ainda conforme a autora:

    Em seus primrdios a literatura foi essencialmente fantstica: na infncia da humanidade, quando os fenmenos da vida natural e as causas e os princpios das coisas eram inexplicveis pela lgica, o pensamento mgico ou mtico dominava. Ele esta presente na imaginao que criou a primeira literatura: a do mito, lendas, sagas, contos, rituais, contos maravilhosos etc. (COELHO, 2000, p.52)

    A Literatura Infantil inaugural se inicia do domnio do mito, da lenda, do

    maravilhoso, ou seja, antes de se tornaram Literatura Infantil eram literatura popular,

    a inteno da literatura era de passar determinados valores e padres que deveriam

    ser respeitados pela comunidade e incorporados pelo indivduo. Essa literatura

    inaugural ou clssica tem incio na idade mdia, denominado como perodo das

    trevas, em que o mundo ficou entregue aos brbaros pagos. Por conta disso a

    literatura da poca tinha carter moralizante. Zilberman (2003) afirma que aps as

    diversas adaptaes que a Literatura Infantil clssica passou, atualmente esse

    carter moralizante se esvaiu, deixando de mostrar seu propsito, repassando os

    interesses de quem o reescreve.

    Coelho (2000) nos apresenta como a necessidade de mostrar a nova verdade

    conquistada pela sociedade romntica burguesa gera uma nova literatura para

    crianas, centrada no realismo cotidiano: narrativas que se constroem com fatos

    reais. Atualmente duas tendncias coexistem igualmente poderosas e vivas ora

    separadas, ora fundidas no realismo mgico ou na fico cientfica, tanto na

    literatura adulta como na infantil.

  • 2.1 Aspectos Histricos da Literatura Infantil No Brasil

    Feitas algumas consideraes em um mbito geral, da trajetria do

    desenvolvimento da Literatura e da Literatura Infantil, faremos alguns breves

    destaques sobre a trajetria da Literatura Infantil no Brasil, para tanto necessrio

    ressaltar que o ocorrido na Europa no poderia ter acontecido no Brasil com a

    mesma correspondncia, visto que o nosso pas tem sua prpria constituio tardia.

    No Brasil durante o sculo XVIII, ocorreram mudanas substancias, seja no

    campo econmico ou no das ideias. A Literatura e a cultura estavam em seu plano

    inicial. Na primeira metade deste sculo so encontradas diversas minas de ouro,

    trazendo aventureiros em busca de dinheiro, dando origem as cidades histricas,

    com a explorao aurfera o Brasil inicia uma nova fase de colonizao. Nesta poca

    a produo literria era apenas portuguesa e a educao era regida pelos jesutas.

    A Literatura Infantil como muitos outros, um produto oriundo da ascenso da

    camada burguesa. Como afirma Zilberman (2003), no Brasil a sociedade teve que

    esperar a emergncia das classes mdias urbanas. Esse processo aconteceu a

    partir da segunda metade do sculo XIX, com a implantao do setor burocrtico no

    Rio de Janeiro, expandindo assim o aparelho administrativo do Imprio e por outro

    lado, o fim da comercializao de escravos proporcionou que os recursos antes

    destinados para esse fim, fossem destinados a indstria nascente. Coelho (2010)

    afirma que foi nesse perodo que o Brasil inicia sua trajetria para o progresso

    econmico, independncia financeira e a conquista da cultura que o colocaria entre

    as naes civilizadas do ocidente. O Brasil passa por diversas mudanas, alterando

    seu desenvolvimento e sua economia, Zilberman (2003) sustenta:

    Mau, inaugurando a comunicao ferroviria entre a Corte e Petrpolis e pondo em relevo a importncia do desenvolvimento industrial, encara o novo tipo de emergente; e sua nova aliana com os Ingleses revela que a inclinao a outros modelos econmicos no rompe a dependncia colonial a uma Metrpole estrangeira, no caso a Britnica. Somem-se a estes fatos o crescimento comercial do rio de Janeiro, devido as exportaes de caf, a expanso agrcola e financeira de So Paulo, o ensino universitrio facilitando o surgimento do profissional liberal, a organizao do exrcito e sua nova influencia na vida brasileira, e ter-se- um quadro dos segmentos que permitiram a formao de um grupo, heterogneo, certo, que constituiu a base da burguesia nacional (ZILBERMAN, 2003, p.204-205).

    A evidncia da educao faz parte desse cenrio, a sua funo nessa poca,

    era garantir o cumprimento das normas sociais em vigor e a obedincia dos

  • interesses do Estado. No diferente da Europa, a infncia passa a ser considerada e

    diversos recursos passam a ser destinadas s crianas.

    Em 1808 com a vinda da corte para o Brasil, D. Joo VI, institui medidas

    oficiais para a criao de academias, cursos e escolas visando atender com

    urgncia a formao de profissionais competentes em todos os setores da

    sociedade, porm os resultados no foram imediatos, pois estudo e cultura so

    aquisies que demandam tempo. Nesse perodo se inicia a preocupao com

    literatura destinada para as crianas e jovens, como afirma Coelho (2010):

    Simultaneamente ao aumento de tradues e adaptaes de livros literrios para o pblico infanto-juvenil, comea a se afirmar, no Brasil, a conscincia de que uma literatura prpria, que valorizasse o nacional, fazia-se urgente para a criana e para a juventude brasileiras (COELHO, 2010, p. 220).

    Podemos salientar que Monteiro Lobato, em 1920, foi o divisor de guas entre

    a Literatura Infantil de ontem para a Literatura Infantil atual. Monteiro Lobato

    Rompe, pela raiz, com as convenes estereotipadas e abre as portas para as

    novas ideias e formas que o novo sculo exigia como sustenta Coelho (2010, p.

    247).

    Lobato inicia as inovaes no mbito da literatura adulta atingindo tambm a

    infantil, conforme Zilberman (2003) ele apresenta em suas obras situaes atuais,

    em que o leitor pode se identificar, ele tambm incorpora valores, comportamentos,

    organizao poltica do sistema social vigente. Assim, a Literatura Infantil deixa de

    ter apenas sua funo de ensinar e passar valores, para uma Literatura que

    demonstre e exponha o mundo ao seu redor. A seguir discutiremos a respeito da

    importncia da poesia para as crianas, quais seus benefcios, e como ela pode

    ampliar o conhecimento dos escolares.

  • 3 Poesias E Seus Encantos: Possibilidade Intelectual

    A poesia de extrema importncia para o desenvolvimento das crianas, pois

    atravs delas que as crianas tero algumas de suas percepes aguadas e

    aperfeioadas, porm preciso entender primeiro os primrdios da poesia para

    assim observarmos seu desenvolvimento e sua importncia at os dias atuais.

    A poesia arcaica era vista como um modo de ver o mundo ao seu redor,

    pode-se dizer que uma viso alm do visvel, ou do aparente, para captar algo que

    no se mostra de imediato, mas que lhe essencial. Muitos acreditavam que o

    poeta tinha um dom dado pelos Deuses, o poder de ver alm do visvel. Pode-se

    dizer que a grande magia da poesia que cada leitor pode lhe atribuir um

    significado, dependendo do olhar e do esprito de quem l, bem como afirma Bordini

    (1991):

    Das formas literrias, a poesia a mais exige introspeco, mas no porque o poema seja um fato altamente subjetivo, a exacerbao de um estado de um estado de esprito pessoal do escritor, como, por vrios sculos, se acreditou que fosse uma de suas manifestaes, a lrica (BORDINI, 1991, p.31).

    O poema exige de seu leitor uma maior ateno, pois seus signos so mais

    ressaltados, necessria uma ativa mobilizao do contedo intelectual e afetivo

    preexistente ao contato, um ajustamento de emoes e desejos, juzos e avaliaes,

    a medida que a leitura progride.

    O poema infantil, nas suas diversas modalidades de origem popular ou culta, orientado ora por gozo corporal do som, ora para o prazer fantstico da imagens, ora para o jogo ideolgico com existncia do leitor, constitui um repto cognitivo para a criana. A gratuidade to inerente a esses tipos to diversos de brincadeiras com palavras quando so artsticos e no professorais arrasta o pequeno leitor a uma situao mental em que se pode tudo o que na vida cotidiana visto de sobrancelhas franzidas, desde a quebra de padres lingusticos at a subverso dos moldes lgicos de apropriao do real (BORDINI, 1991, p.38-39).

    Quando a criana entra em contato com os textos poticos ela se distancia do

    seu ambiente familiar, social e lingustico de forma imaginria. Contudo a

    configurao eminentemente ordenadora dos estmulos do mundo potico faz com

    que esse distanciamento seja feito de forma prazerosa, e no com temor. Assim a

    experincia do poema propicia o alargamento dos contedos da conscincia por

    uma prazerosa tomada de posse do desconhecido, suscitada pelo desafio das

    formas e das ideias ( BORDINI, 1991, p. 39).

  • Conforme Coelho (2000) podemos afirmar que a poesia no composta

    somente de palavras, poesia tambm som e imagens. As palavras so signos que

    expressam emoes, sensaes, ideias, por exemplo. Atravs de imagens

    (smbolos, metfora, alegorias etc.) e de sonoridade (rimas, ritmos etc.), nessa

    perspectiva Bordini (1991) afirma que o poema infantil pe a palavra em um estado

    de evidencia sensorial. esse jogo de palavras que atrai as crianas para a poesia,

    provocando nelas sensaes e emoes de uma forma ldica. Bem como afirma

    Bordini (1991, p.63) Essa sonoridade fontica se alia a ritmos que inicialmente

    mimetizam os movimentos do emissor, depois a ao fsica do recitante em situao

    de brincadeira e, por fim, aparece a recursividade para prender o interesse do

    leitor/ouvinte.

    Bordini (1991) revela que com a poesia podemos trabalhar diversas

    sensaes nas crianas, sejam elas visuais, sonoras, gustativas entre outras, e

    atravs dessas sensaes que as crianas podero descobrir, com mais

    entusiasmo, o mundo em que esto inseridas. As poesias destinadas s crianas

    devem ser breves, com versos curtos e com rimas, que toquem de imediato a

    curiosidade e as sensaes das crianas, preferencialmente narrativas que

    expressam situaes de interesse.

    A vocao pedaggica, historicamente inseparvel da poesia infantil, vai inclusive lanar mo do folclore, destruindo-lhe a espontaneidade inerente ao contato homem/mundo no mediado pelo culto da razo e originado uma praxe em que formas poticas seculares tornadas poderosas pelo tempo junto imaginao popular se convertero em meios para a instruo do homem novo burgus (BORDINI, 1991, p.11).

    Entre a poesia infantil tradicional e a contempornea, a diferena est na

    intencionalidade, com a primeira se pretendia aprender algo a ser imitado depois, j

    a segunda intenciona lev-lo a descobrir o mundo que est ao seu redor. Nascida no

    final do sculo XIX, e expandindo-se nos primeiros anos do sculo XX, no diferente

    da Literatura Infantil, a poesia tem a funo educativa, para que forme no aluno um

    futuro cidado, um indivduo de bons sentimentos. Como afirma Bordini (1991, p.50),

    a Literatura Infantil e a poesia [...] ser adotada pela escola como meio didtico que

    fala a sensibilidade e no apenas ao intelecto.

    Nos anos 1930 e 1940, os escolares memorizavam poemas que deveriam ser

    ditos pelos mesmos nas aulas de leitura e na festas comemorativas, hoje

    entendemos que a poesia algo particular, que no devem ser impostas para as

  • crianas, mas na poca, o mtodo de ensino era o tradicional, baseado na

    memorizao, em que as crianas deveriam aprender o mais rpido possvel.

    Nessa poca a produo de poesia destinada para os escolares era muito

    pequena, a falta de produo literria para eles era compensada com cantigas

    folclricas e cantigas de rodas em que as crianas sabiam de cor. O nmero de

    autores portugueses supera o de brasileiros. Os poemas eram sentimentais ou de

    racionalizao de emoes, e alimentados por uma viso de mundo ora idealizada,

    ora pessimista, mas sempre de reforo tradio herdade.

    A ruptura modernista com os padres literrios tradicionais no chegou a

    atingir a poesia para as crianas at a entrada dos anos 1960, importante ressaltar

    que o nico modernista que surgiu na Literatura Infantil foi Monteiro Lobato, nos

    anos 1920. A poesia, rompendo com os esquemas tradicionais e sua linguagem

    lgica, torna-se ldica, irreverente e fragmentada, a poesia passa a utilizar virtudes

    da matria verbal: a sonoridade e o ritmo das palavras soltas, assim passam a

    agradar os ouvidos infantis.

    Para Coelho (2000) todas as mudanas que ocorreram no mbito da

    educao foram lentas, nos anos 1920 a Europa passa experimentar o conceito de

    escola nova, no Brasil a tentativa de escola experimental surge em 1897, na escola

    Normal de So Paulo. Em 1961 com a primeira LDB (Leis de Diretrizes e Bases da

    Educao), tona-se obrigatrio o uso de textos literrios no ensino da Lngua

    Portuguesa nas escolas, porm o sistema escolar vigente no estava preparado

    para isso.

    A partir dos anos de 1960/1970, se faz ouvir uma nova poesia infantil, em que

    as palavras brincam, brincam com a fala e a sonoridade. Os jogos de palavras que

    para ns adultos to complexa, com rimas, a relao dinmica que se constri

    durante o poema, a criana apenas brinca com os sons e o ritmo. A poesia (ou a

    arte em geral) um jogo que enriquece interiormente aqueles que a ele se

    entregam (COELHO, 2000, p. 245).

    Os poetas dos anos 1960 (tentado criar, em poesia, novos modos de ver e de

    dizer o novo mundo em formao), abriram caminho para a exploso de criatividade

    que aconteceu nos anos de 1970/1980 na rea da Literatura Infantil. Podemos

    afirmar que todas as mudanas que ocorreram atingiram tambm o sistema de

    ensino, necessrio ressaltar que as mudanas so decorrentes do contexto

  • histrico cultural, e que na poca em questo surge a necessidade de se ter uma

    nova maneira de ver, pensar e agir.

    A poesia infantil e juvenil que se inicia entre os anos 1970/1990, se tem alm

    de diversidade nos temas, sonoridades e ritmos, passa a ter a valorizao da poesia

    como um modo de ver o mundo, sendo assim um caminho para a autodescoberta.

    Como afirma Ribeiro (1998), com a morte de Ceclia Meireles e Vinicius de Morais, a

    poesia infantil viveu um longo perodo de ostracismo, at a estreia de Jos Paulo

    Paes no gnero no ano de 1984, com o livro isso ali. Isso porque os dois primeiros

    tinham habilidade para tratar de assuntos corriqueiros e criar uma poesia de

    qualidade que surpreendia o leitor, caracterstica retomada pelo autor Jos Paulo

    Paes. A seguir apresentaremos a biografia do autor Jos Paulo Paes, e como sua

    vida teve influncia em suas obras.

    3.1 Jos Paulo Paes: Suas Histrias Que Viraram Poema

    No livro Quem eu? Um poeta como outro qualquer, PAES (1996) narra toda

    sua histria de vida, desde sua tenra idade at sua trajetria como escritor. Em sua

    autobiografia notamos como os livros e a arte que o cercava, formaram a pessoa

    que ele foi.

    Sabe se que o local que nascemos e onde crescemos influencia grandemente

    a vida que levevamos, e com Jos Paulo Paes no foi diferente, Paes (1996) afirma

    que ele nasceu em uma livraria, melhor dizendo no quarto ao lado, da livraria e

    tipografia J. V. Guimares, a loja de seu av materno, nasceu no dia 22 de julho de

    1926 em Taquaritinga (SP).

    Seu av era portugus, viera ao Brasil ainda menino. Ele foi bombeiro e

    soldado nos tempos de Floriano Peixoto3, era tipogrfico e dono de um jornal em

    Ribeiro Bonito, So Paulo, quando se casou com Cndida Maral, av de Jos

    Paulo Paes, ou como a chamava, Dona Zizinha, emrita contadora de histrias de

    sacis, bruxas e assombraes. Os filhos do casal nasceram todos em Ribeiro

    Bonito, a famlia veio para Taquaritinga, quando seu av transferiu os negcios,

    menos o jornal.

    3 Floriano Peixoto assumiu em 23 de novembro de 1891 a presidncia do Brasil, aps a

    renncia do Marechal Deodoro da Fonseca, do qual era vice.

  • Jos Paulo Paes afirma em seu livro: Quem eu? Um poeta como outro

    qualquer que anos depois sonha com essa casa em que morou at os 11 anos,

    desse sonho ele escreve o poema A casa que esta perpetuada em Prosas

    Seguidas de Odes Mnimas (2010):

    Vendam logo esta casa, ela est cheia de fantasmas. Na livraria, h um av que faz cartes de boas-festas com coraes de purpurina. Na tipografia, um tio que imprime avisos fnebres e programas de circo. Na sala de visitas, um pai que l romances policiais at o fim dos tempos. No quarto, uma me que est sempre parindo a ltima filha. Na sala de jantar, uma tia que lustra cuidadosamente o seu prprio caixo. Na copa, uma prima que passa a ferro todas as mortalhas da famlia. Na cozinha, uma av que conta noite e dia histrias do outro mundo. No quintal, um preto velho que morreu na Guerra do Paraguai rachando lenha. E no telhado um menino medroso que espia todos eles; s que est vivo: trouxe-o at ali o pssaro dos sonhos. Deixem o menino dormir, mas vendam a casa, vendam-na depressa. Antes que ele acorde e se descubra tambm morto.

    Segundo Paes (1996) o sonho s deu a situao de base uma atmosfera

    fantasmagrica, o resto ele afirma tem recorrido as suas lembranas de infncia, em

    que naquela altura todos os seus familiares j tinham morrido, e a casa estava

    abandonada. necessrio ressaltar que para Paes (1996) os sonhos podem ser

    embries de um futuro poema, so sugestes, uma fonte de inspirao. Porm para

    ele na lucidez, tcnica e na experincia do poeta que ir desenvolver as sugestes

    onricas em poemas acabados e compreensveis. Paes afirma que enquanto os

    sonhos emocionam apenas a quem sonhou o poema tem a funo de emocionar, se

    no todas as pessoas que leem, pelo menos aquelas cuja sensibilidade foram

    aprimorada pela leitura regular de poesia.

    Seu pai chamava-se Paulo Artur Paes da Silva de quem herdou o nome de

    Paulo, o seu nome Jos veio de seu av paterno, conforme tradio nas famlias

    portuguesas. O pai de Jos Paulo Paes era portugus de nascena, mesmo

    morando anos no Brasil, nunca chegou a perder totalmente seu sotaque. Seu pai era

    caixeiro viajante, em uma de suas passagens por Taquaritinga conheceu a sua

    esposa, casou-se em 1925.

    Seu pai estudou at o curso primrio, era um homem inteligente, ativo,

    habilidoso. Foi proprietrio de um semanrio, A Notcia, e de um escritrio de

    contabilidade e de corretagem de seguros. Mas terminou seus dias como caixeiro-

    viajante. Gostava de ler, tinha no quarto uma pequena biblioteca, em que

    predominavam os romances polcias e livros sobre a maonaria, da qual fazia parte.

  • Sua me chamava-se Diva Guimares Paes, que completou o primrio,

    porm redigia com correo e com apuro literrio, em uma letra bonita, as cartas que

    mandava para Paes o tempo em que ele estudou fora. Ela era uma leitora voraz de

    romances gua com acar.

    Jos Paulo Paes relata em seu livro Quem eu? Um poeta como outro

    qualquer, que passou grande parte de sua infncia no quintal, pois a casa era vista

    como algo dos adultos e que a ordem deveria ser mantida l dentro, em que at

    mesmo um cotovelo na mesa era motivo para ser chamada a ateno. Entretanto o

    quintal era cheio de rvores frutferas, e canteiros com flores e com imaginao ele

    se transformava em diversas coisas.

    Em 1933, Jos Paulo Paes e sua famlia tiveram que se mudar de So Paulo

    para o Rio de Janeiro, pois o pai arrumara um novo emprego. A princpio se

    instalaram na casa de alguns familiares. No perodo em que estavam l seu pai ficou

    gravemente doente, com uma infeco. Com a doena de seu pai e sua me grvida

    da segunda filha Fernanda, foi preciso voltar para Taquaritinga, seu pai, contudo,

    permaneceu em So Paulo.

    Em sua infncia o hbito de leitura era cultivado em casa, com as histrias

    que seu av contava. Ele se impressionava ao ver como um adulto conseguia

    passar horas entretido com livros com aqueles risquinhos pretos, em que as

    crianas no entendiam nada. Pode-se dizer que atravs do hbito de leituras dos

    adultos ao seu redor, seu interesse em ler aumentava cada vez mais.

    Para Paes (1996) se cada criana tivesse em casa adultos leitores, a escola

    no teria a funo de mandar como dever de casa livros para se ler, o interesse j

    seria desenvolvido. Paes iniciou suas leituras por contos de fadas, bruxas e

    gigantes, clssicos da Literatura Infantil, bem como Charles Perrault, Irmos Grimm

    e Hans Christian Andersen. Em seguida Paes descobriu os escritos de Monteiro Lobato, e pode se aventurar diversas vezes no stio do pica-pau amarelo. A etapa

    seguinte foi a descoberta dos romances de aventura, na qual comeou por Tarzan e

    posteriormente foi para os romances policiais da Coleo Amarela da Editora o

    Globo4.

    4 O Globo, editora fundada em 1883 por Laudelino Pinheiro Barcellos, de 1931 a 1956 criada a Coleo Amarela, com histrias policiais, de crimes e de aventuras norte-americanas, que publica cerca de 160 ttulos.

  • Paes relata em seu livro Quem eu? Um poeta como outro qualquer (1996) os

    livros que lia, eram de trocas particulares, de bibliotecas pessoais, pois em sua

    cidade no havia bibliotecas pblicas. Paes em sua casa era um leitor assduo de

    romances de aventura, porm na escola havia a necessidade de ler poesia, ao tratar

    dessa situao ele conta que achava uma chatice, pois as poesias escritas, para ele,

    no faziam o menor sentido, no eram algo que se inseria em seu cotidiano. Nos

    anos de 1930 ele descobre as histrias em quadrinhos, em especial do Flash

    Gordon5, com ele seu interesse pela qumica aumentou, pois as histrias tratavam

    de viagens espaciais, o que lhe fez fazer um laboratrio, onde brincava por horas, na

    farmcia ele conseguia componentes qumicos, em que elaborava bombas, entre

    outros, as receitas ele conseguia em livros e revistas.

    A infncia de Paes foi repleta de aventuras e brincadeiras, sem esquecer os

    diversos livros e literaturas que o cercavam. Podemos dizer que em sua vida adulta

    vrios foram os reflexos de sua infncia, entre elas os muitos poemas, que em

    grande parte foram nela inspirados, at mesmo a profisso escolhida como qumico,

    e sua grande e belssima escolha em escrever poesia para crianas, para Paes

    (1996) as tirando da monotonia e da chatice das poesias sem sentido.

    Quando prestou o exame para o ginsio no teve dificuldade em passar, em

    1937 j estava matriculado, continuou a cursar o segundo ginasial em Araatuba,

    onde a escola era melhor. Nessa mesma poca, aprendeu a tocar violo, o bsico

    aprendeu sozinho, depois passou a ter aulas, porm ainda assim preferia tocar de

    ouvido. Por conta de ter aprendido a tocar violo, e realmente tocar bem, passou a

    fazer parte do regional da rdio, cujo prefixo era PRE-8, l ele fazia locuo,

    crnicas sentimentais e ainda atendia pessoas que ligavam para dedicar msicas,

    entre elas as mulheres da vida. Pelo grande nmero de faltas que conseguira por

    conta de tocar violo, falar na rdio e ouvir msicas na toca disco, ficou para

    segunda poca, mas no final passou.

    Essa poca foi de extrema importncia para seu amadurecimento literrio,

    passou a ler escritores como Machado de Assis e Augusto dos Anjos, que o

    influenciaram a escrever poesias. Paes passou a ver a literatura como algo que faz

    5 Flash Gordon chegou no Brasil, em 1934, no suplemento infantil do jornal A Nao, do Rio de Janeiro, no formato de tiras e captulos posteriormente publicados num lbum de edio especial em 1937. Na dcada de 1940, Flash Gordon teve as suas tiras publicadas no formato comics, acompanhando a evoluo de edio grfica da poca.

  • pensar, nessa poca leu Jorge Amado, Mximo Gorki e ABC comunista de Bukharin.

    Paes (1996, p.28) afirma [...] alm de pensar, a literatura sria muitas vezes

    denuncia, em nome da utopia, as mazelas do mundo. E a utopia um dos sinnimos

    da esperana.

    3.2 Jos Paulo Paes lembranas de um caminho de conhecimento

    Quando Paes terminou o ginsio, teve de escolher o que faria dali em diante,

    no quis optar por um curso universitrio, pois levariam oito anos para ser concludo,

    escolheu ento um curso tcnico, decidiu pelo curso de qumica na Universidade

    Mackenzie, que era considerado o melhor da poca. Havia 55 vagas para 400

    inscritos, quinze dias antes de realizar a prova foi passa So Paulo, permaneceu em

    uma penso, entretanto quando realizou a prova reprovou.

    Mesmo com sua reprovao ele preferiu permanecer em So Paulo, pois j

    havia se adaptado com a vida na cidade grande. Nessa poca percorria diversos

    sebos, passou a conhecer os poemas de Paulo Torres, Poemas Proletrios, um dos

    precursores dos poemas ditos sociais, uma arma usada contra a explorao

    capitalista. Os romances de Jorge Amado e de Mximo Gorki, bem como a

    doutrinao marxista de Burkharin, haviam preparado o caminho para que os

    Poemas proletrios entrassem como evangelho de imitao.

    Como relata Paes (1996) sua estadia em So Paulo foi interrompida com a

    notcia de adoecimento e morte de seu av J. V., com isso teve de voltar para

    Taquaritinga, l foi convencido a cursar o colegial, por conta disso teve que voltar

    para Araatuba. Quando l estava decidiu entrar no Instituto de Qumica do Paran,

    onde o ingresso no era no difcil. Em 1944, Paes se dirigia a Curitiba, para iniciar

    seu curso tcnico.

    Em Curitiba, Paes se encontrava com colegas no Caf Belas-Artes, que anos

    depois foi fechado. Os membros mais assduos dessa roda eram o poeta Glauco

    Flores de S Brito, o colunista e crtico de cinema Armando Ribeiro Pinto e o

    jornalista e ensasta Samuel Guimares da Costa, mais tarde juntou-se tambm o

    Eduardo Rocha Virmond futuro crtico de arte. Para perpetuar a lembrana escreveu

    Balada do Belas-Artes em Prosas de Odes Mnimas (2010).

    Balada do Belas-Artes

  • Sobre o mrmore das mesas do Caf Belas-Artes os problemas se resolviam como em passe de mgica. No que as leis do real se abolissem de todo mas ali dentro Curitiba era quase Paris. O verso vinha fcil o conto tinha graa a msica se compunha o quadro se pintava. Doa muito menos a dor-de-cotovelo, nem chegava a incomodar a falta de dinheiro. Para o sedento havia um copo de gua fresca, mdia po e manteiga consolavam o faminto. No se desfazia nunca a roda de amigos; o tempo congelara-se no seu melhor minuto. Um dia foi fechado o Caf Belas-Artes e os amigos no acharam outro lugar de encontro. Talvez porque j no tivessem (adeus Paris adeus) mais razes de encontrar-se mais nada a se dizer.

    Podemos perceber em seu poema Balada do Belas-Artes a importncia da

    convivncia com as mximas elaboraes humanas, de acordo com Bogoyavlensky

    e Menchinskaya (1991), quando mais experincias de qualidade se tem, mais

    possibilidades se ter de desenvolver suas funes psicolgicas superiores. Paes se

    posiciona igualmente de acordo com a citao abaixo:

    Percebi ento que indispensvel ao poeta um lastro cultural to amplo e diversificado quanto possvel. S talento no lhe basta. Para que ele possa desenvolver suas virtualidades, necessita do estmulo tanto quando da rgua e do compasso da cultura (PAES, 1996, p.33).

    Em 1947, Paes lana seu primeiro livro, O aluno, dentre seus amigos, Paes

    pediu a Carlos Drummond de Andrade, que lesse seu livro e disse-se o que pensou

    sobre ele. Drummond em reposta escreveu uma carta, instigando-o a aprender

    novos idiomas, sugere que leia os estrangeiros, para fugir do modelo de poesia

  • nacional.

    Com a finalizao de seu curso tcnico ele necessita escolher um

    especialidade para fazer estgios prticos, sua escolha foi em lcool e bebidas

    alcolicas. Ele escolheu para o seu estgio a usina de lcool e cereais de

    Taquaritinga. Se despediu de seus amigos do Belas-Artes at o dia que voltasse a

    Curitiba para pegar o seu diploma de qumico tcnico. Paes havia sido eleito para

    ser orador da turma, desistiu de comparecer a festa de formatura quando os seus

    colegas resolveram colar grau de smoking alugado, para ele militante de partido

    operrio era inaceitvel.

    Paes (1996) no conseguiu realizar seu estgio, pois quando voltara no

    estava em perodo de safra, teria de esperar at o ano seguinte, para terminar seus

    relatrios comparecia a usina uma vez por semana para ter informaes, e assim

    usar as informaes recebidas e sua boa imaginao, termin-los. Ele permaneceu

    um tempo sem trabalhar aps terminar seus relatrios de estgios, at que uma

    prima lhe conseguiu um emprego em So Paulo, na indstria farmacutica, para

    onde ele se mudou rapidamente. Com o salrio que recebia conseguia se manter e

    ainda comprar livros, um toca-discos iniciando sua discoteca erudita e ainda assim ir

    ao cinema. Nessa poca comea a namorar sua futura esposa Dorinha Costa,

    primeira bailarina do Teatro Municipal, nesse perodo, em que ela tinha 18 anos, foi

    considerada uma das grandes revelaes do bal brasileiro e recebeu diversos

    convides e bolsas para estudar no exterior, porm por problemas de ordem familiar

    no pode aceitar.

    Dora e Paes se casaram em 1952, passaram uma semana de lua de mel em

    Itanham (SP), quando voltaram moram morar em uma casinha alugada, perto do

    laboratrio farmacutico onde ele trabalhava. A casa tinha poucos mveis, porm

    tinha uma escrivaninha e uma estante, tima opo para que at ento guardava

    seus livros em caixotes. Sua casa no tinha fogo, mas com alguns utenslios e um

    fogareiro, Dora cozinhava. Com o passar dos anos, conseguiram construir uma

    casa, em que cada vez mais tomava forma, e se tornava viva, conforme o esperado.

    Em um dos poemas de Cmplices Paes escreve:

    Nossa vida

    Construmos

    A cada passo,

    A cada minuto,

  • A cada esquina

    De mos unidas

    O primeiro ano de casados foi de consecutivas perdas, seu pai morreu em

    Taquaritinga, Oswald de Andrade, em So Paulo, quem havia se tornado um grande

    amigo, e sua primeira e nica filha, que no chegou a viver para ser batizada, para

    quem ele escreveu uma cano de ninar Nana Glaura, recolhida em Prosas

    seguidas de Odes mnimas (2010).

    3.3 Jos Paulo Paes: de tcnico em qumica para escritor

    Paes com o apoio de sua esposa Dora decide deixar a indstria farmacutica,

    e trabalhar um uma editora de livros, em que passou a ganhar menos da metade

    que ganhava. Sua deciso foi tomada pelo excesso de trabalho, a falta de tempo

    para se dedicar a literatura e um distrbio circulatrio nas pernas, que dificultava seu

    caminhar, Paes passa a trabalhar na editora com a perspectiva de que estaria mais

    prximo de realizar seu sonho como escritor, porm ele se engana, pois quem cuida

    do livro dos outros no tem tempo para cuidar do seu. Quando trabalhou em uma

    editora pode perceber que nem sempre o melhor livro o mais vendido e nem mais

    procurado, diversas vezes em seu trabalho teve de dizer no a livros bons, pois no

    teriam a comercializao procurada. Entre muitas de suas funes, Paes passou a

    fazer tradues, muitas como ele afirma prazerosas, mas a maioria uma fastidiosa

    sensao de dever cumprido.

    Paes (1996, p.52) afirma [...] os livros de alto mrito artstico e cultura no

    so os preferidos e comprados pelo grande pblico, o qual se deixa antes fascinar

    pela aura publicitria dos Best-sellers, por mais medocres que sejam. Enquanto

    estava trabalhando na editora teve um comeo de gangrena na perna direita, com

    dores agudas, por conta disso manteve se preso em casa por meses, nos momentos

    em que as dores diminuam ele aproveitava para se dedicar aos seus poemas.

    Passou por uma interveno cirrgica para restabelecer a circulao, livrando-se da

    gangrena. Aps longos anos de trabalho na editora, teria direito a se aposentar,

    props para a editora que trabalhasse apenas dois dias na semana, a princpio ela

    aceitou, porm no durou muito tempo, foi advertido que deveria voltar e ainda

    trabalhar com a rea de esoterismo, sua deciso foi pedir demisso e se dedicar os

    que realmente o interessava, ser escritor em tempo integral.

  • Ocorreu lhe outro problema circulatrio, porm na perna esquerda,

    rapidamente agravado em necrose de p, em que a amputao seria inevitvel, mas

    s poderia ser realizado quando o processo necrtico no chegasse ao fim, em

    quanto isso sofria com delrios em que no distinguia a realidade da alucinao.

    Quando foi para o hospital estava delirando muito, sua amputao foi realizada logo

    acima do joelho, com a ajuda continua de sua esposa, ele conseguiu se recuperar, e

    logo estava habituado com a perna mecnica. E a partir de ento pode se dedicar

    plenamente a escrita.

    Em 1984 Paes publica seu primeiro livro de poemas infantis, isso ali, com

    ilustraes em preto e branco de Carlos Brito, o livro se iniciou de brincadeiras

    verbais que ele fazia com os seus sobrinhos. A obra composta com um texto

    introdutrio explicativo seguido por quinze poemas, em sua maioria breves e

    caracterizados por um tom de humor e ironia. Em 1989 Paes publica Olha o bicho,

    em seu livro Brincadeiras de palavras. Ribeiro (1998) afirma que o texto foi

    encomendado pelo desenhista e pintor Rubens Matuck. A obra se compe de oito

    poemas, escritos em pouco mais de um ms, caracterizados pelo dilogo intenso

    com a imagem.

    Em 1990, Paes pblica Poemas para brincar, realizado ao longo de trs anos

    de depurao, reflexo e adequao lingustica ao pblico alvo, recebeu o prmio

    jabuti de Melhor Livro Infantil e de Melhor Ilustrao. Seu sucesso foi tanto que suas

    doze poesias inspiraram uma montagem teatral premiada6. Ribeiro (1998) afirma

    que para o poeta este o livro de que ele mais gosta, pois abandona suas rimas e

    trocadilhos, para se trabalhar com os versos livres. Em 1991 Rubens Matuck, o

    mesmo ilustrador de Olha o bicho, o convida novamente para realizar uma obra de

    temtica ecolgica, o resultado foi O menino de Olho dgua.

    O prximo livro que foi publicado, tambm foi de encomenda, Uma letra puxa

    a outra, em 1992, seria uma espcie de cartilha de versos, contem vinte e trs

    poemas, cada um se refere se a uma letra do alfabeto. Como afirma Ribeiro (1998)

    trocadilhos so muito utilizados nos doze poemas de Um nmero depois do outro,

    de 1993, e em l com cr, do mesmo ano. Paes (1996) afirma que no nada fcil

    escrever poesia para as crianas, ocorre limitaes quando ao vocabulrio e aos

    6 Concepo teatral: Juliana Gontijo. A pea recebeu os prmios A.P.C.A 1996 Autor, Trofu Mambembe 1996, Grupo e ainda, indicao para o Premio Coca-cola 1996 Msica e Teatro de animao.

  • assuntos, e muitas vezes no se encontra o tom certo, ele afirma que o segredo

    simplificar sem empobrecer.

    O autor ainda admite que o seu primeiro contato com a poesia aconteceu de

    forma desastrosa na escola, o escritor confessa que, na criao de seus poemas

    para leitores mirins, se vale de numerosos recursos sonoros e conotativos. Embora

    cada um dos meus livros de poesia para crianas contenha poucos textos, custa-me

    muito trabalho escrev-los e aperfeio-los at o ponto de satisfazerem o meu senso

    crtico (PAES 1996, p.70).

    Jos Paulo Paes morre em 1998, em So Paulo capital. Deixando um legado

    de mais de 40 obras publicadas no Brasil, desde livros de poesia, ensaios,

    autobiografia, depoimento, infantil e juvenil, Paes ainda teve diversos livros que

    foram publicados aps a sua morte, no (anexo A e B). Paes recebeu o Prmio

    Jabuti7 em 1997 pelo livro Um passarinho me contou de 1997. Em seguida

    falaremos sobre as contribuies da Literatura e Literatura infantil para o ensino e

    aprendizagem.

    7 Criado em 1958, o Jabuti o mais tradicional prmio do livro no Brasil. O maior diferencial em relao a outros prmios de literatura a sua abrangncia: o Jabuti no valoriza apenas os escritores, mas destaca a qualidade do trabalho de todas as reas envolvidas na criao e produo de um livro. Ganhar o Jabuti representa dar obra vencedora o lastro da comunidade intelectual brasileira, significa ser admitido em uma seleo de notveis da literatura nacional.

  • 4 Literatura e a Literatura Infantil: Contribuies Para o

    Ensino e Aprendizagem

    De acordo com Nelly Novaes Coelho (2000) literatura um fenmeno de

    linguagem plasmado por uma experincia cultural direta ou indiretamente ligada a

    determinado contexto social e a determinada tradio histrica. Primordialmente a

    literatura arte, e como tal suas relaes entre ela e o indviduo so fundamentais

    para a formao integral, ou seja, sua conscincia do eu, do outro e do mundo que o

    cerca. Para Meireles (1984):

    A literatura, porm, no abrange, apenas, o que se encontra escrito, se bem que essa parea a maneira mais fcil de reconhec-la, talvez pela associao que se estabelece entre literatura e letras. A palavra pode ser apenas pronunciada. o fato de us-la, como forma de expresso, independentemente da escrita, o que designa o fenmeno literrio (MEIRELES, 1984, p. 19).

    Pelas palavras de Meireles (1984) percebemos que a literatura algo muito

    amplo, que vai alm das palavras, precisa da imaginao de quem l, necessrio a

    interpretao das palavras. Coelho (2000, p.10) descreve que a literatura a mais

    importante das artes, pois sua matria a palavra (o pensamento as ideias e a

    imaginao), exatamente aquilo que distingue ou define a especificidade do

    humano. Sua eficcia como instrumento de formao est diretamente ligada

    leitura, atividade extremamente bsica para o indivduo na sociedade atual.

    [...] como objeto que provoca emoo, da prazer e diverte e, acima de tudo modifica a conscincia de mundo de seu leitor, a literatura infantil arte. Sob outro aspecto, como instrumento manipulado por uma inteno educativa ela se insere na rea pedaggica (COELHO, 2000, p.46).

    O ensino da leitura ultrapassa seu mrito de apenas auxiliar na alfabetizao,

    deixa de ser visto como algo apenas mecnico, e passa a ser entendido como

    possibilidade de penetrao no mundo da cultura. Meireles (1984, p. 32) ressalta

    que A Literatura no , como tantos supe, um passatempo. uma nutrio. Isto

    , a Literatura fonte de conhecimento e no apenas diverso. Devemos ressaltar

    que a literatura deve ser dividida em dois espaos, os de estudos programados e

    das atividades livres, ela deve ser utilizada na escola, mas tambm tem que ser

    usado como entretenimento.

    Para que a Literatura Infantil seja usada como projeto de ensino e

    aprendizagem Coelho (2000) afirma que necessrio nos conscientizamos que a

  • criana um ser educvel, sendo assim o ser humano um aprendiz de cultura

    enquanto durar o seu ciclo vital. A concepo da literatura como um fenmeno de

    linguagem resultante de uma experincia social e cultural, que compreende a

    Literatura com um dilogo entre o leitor e o texto e a certeza que a escola um

    espao privilegiado em que devem ser colocados os alicerces do processo de auto-

    realizao vital/cultural, que o ser humano inicia na infncia e prolonga at a velhice.

    A literatura um agente formador por excelncia.

    Como dito anteriormente, a Literatura transforma o leitor, pois com ela os

    horizontes de seu receptor ampliado, como afirma Coelho (2000,p.29) Para alm

    do prazer/emoo estticos a leitura contempornea visa alertar ou transformar a

    cincia crtica do seu leitor/receptor. Com a leitura, ou a arte em geral, os homens

    tem a oportunidade de transformar e enriquecer suas prprias experincias de vida,

    com intensidade no igualada por nenhuma outra atividade.

    Produto da imaginao criadora do homem, o fenmeno literrio se caracteriza por uma duplicidade intrnseca: simultaneamente abstrato e concreto. Abstrato porque gerado por ideias, sentimentos, emoes, experincias de vrias naturezas... Concreto porque tais experincias s tm realidade efetivas quando nomeadas, isto , transformadas em linguagem ou em palavras (COELHO, 2000, p.64).

    necessrio ressaltar que a Literatura Infantil, tem a mesma essncia que a

    literatura destinada para os adultos, s diferenas que as singularizam so

    determinadas pela natureza de seu receptor: a criana. Porm nem sempre isso

    ocorreu, quando a Literatura Infantil desenvolvida, ela vista como um gnero

    menor era considerado apenas uma distrao.

    De acordo com Coelho (2000), a Literatura Infantil tem uma importncia

    fundamental na formao e desenvolvimento da personalidade do futuro adulto, pois

    por meio da escrita e da leitura, que o fenmeno literrio se transforma em um ato

    de aprendizagem.

    Da se conclui a importncia basilar da literatura destinada s crianas, o meio ideal no s para auxili-las a desenvolver suas potencialidades naturais, como tambm para auxili-las nas vrias etapas do amadurecimento que medeiam entre a infncia e a idade adulta (COELHO, 2000, p.43).

    De acordo com a citao acima, vemos que o desenvolvimento das crianas

    em grande parte auxiliado pela Literatura, com ela a criana construir sua

    personalidade, nesse sentido percebemos que conforme o amadurecimento da

    criana, ser despertado o desejo por conhecimento e aumentar sua percepo de

    mundo.

  • necessrio ressaltar que todo ato criador, tem em sua gnese, uma

    determinada conscincia de mundo (que, de modo consciente ou inconsciente,

    interfere no ato de criao) torna-se importante, para compreendemos melhor cada

    obra literria, conhecermos as relaes que se estabelecem entre seus fatores

    constituintes. dessas relaes que resulta sua literalidade, cujas caractersticas,

    por sua vez, resultam da referida conscincia de mundo do autor.

    O livro infantil estimula o olhar como agente principal na estruturao do

    mundo interior da criana, em relao ao mundo exterior que ela est descobrindo,

    estimula a ateno visual e o desenvolvimento da capacidade de percepo, facilita

    a comunicao entre a criana e a situao proposta pela narrativa, pois lhe permite

    a percepo imediata e global do que v. Concretiza relaes abstratas que, s

    atravs da palavra, a mente infantil teria dificuldade em perceber, e contribui para o

    desenvolvimento da capacidade da criana para a seleo, organizao, abstrao

    e sntese dos elementos que compe o todo.

    A Literatura permite que se fixem, de maneira significativa e durvel, as

    sensaes ou impresses que a leitura deve transmitir. O contato com a literatura

    infantil se faz inicialmente por seu ngulo sonoro: a criana ouve histrias narradas

    por adulto, podendo eventualmente acompanh-las com os olhos na ilustrao

    (ZILBERMAN, 2003, p. 170).

    Podemos dizer que os livros infantis so compostos primordialmente por

    imagens, pois atravs delas que a crianas se encontra com o imaginrio literrio

    e tambm promove o seu desenvolvimento intelectual. Na Literatura Infantil as

    imagens falam tanto quando as palavras. Zilbeman (2003) afirma que com a posse

    dos cdigos de leitura, ou seja, com a alfabetizao, o status da criana muda e

    integra-se num universo maior de signos, o que nem a simples audio, nem a

    leitura das imagens visuais permitiriam. Podemos observar na citao abaixo como a

    alfabetizao auxilia no desenvolvimento da criana:

    O crescimento da criana se faz por essa imerso no universo da palavra escrita, e seu desenvolvimento intelectual pode ser medido por meio de sua habilidade de verbalizao dos contedos assimilados durante a educao formal (ZILBERMAN, 2003, p. 170).

    Para que a criana leia sozinha, sem o auxlio de um adulto ela precisa a

    fazer parte do universo da palavra escrita, isto , alfabetizada. Quando a criana

    alfabetizada ela deixa de depender do adulto, para ter escolha no que l,

    percebemos o nvel de desenvolvimento da criana decodifica o que esta lendo.

  • 4.1 Literatura Infantil e a Teoria Histrico-Cultural: Possibilidade De

    Interveno Pedaggica Com Caixa De Encantos E Vida

    Mediante a leitura da biografia de Jos Paulo Paes, pudemos observar que a

    sua infncia foi repleta de livros e histrias dos mais variados gneros, natural de

    quem nasceu praticamente em uma livraria. Essas vivncias, enquanto criana, o

    tornaram uma criana questionadora que desejava ver mais sentido nas poesias em

    que lia, assim o permitiram desenvolver suas habilidade como escritor.

    Pautados nessa constatao dos fatos e respaldados pela teoria Histrico-

    Cultural, concepo est que os homens so resultados de sua existncia material,

    em que os fenmenos so explicados pela organizao econmica da sociedade.

    Assim, nenhum fenmeno compreendido isoladamente. Para este referencial,

    considerar o contexto de uma dada poca contribuir para compreender as

    proposies de um autor, de uma determinada obra.

    Entendemos que a Literatura Infantil no se limita s histrias, mas

    compreende tambm diversas formas de arte, bem como msica, poesia, histrias e

    as mais diversas formas de expresso e registro popular, esses recursos nos

    permitem atender a um dos preceitos da Teoria Histrico-Cultural, bem como afirma

    Chaves (2011b, p. 98) [...] em essncia, uma educao plena para quem ensina e

    para quem precisa aprender. Para Chaves (2011b) as crianas devem receber as

    mximas elaboraes humanas, para que assim possam ter uma educao plena.

    Isso significa que as crianas devem se apropriar do conhecimento j

    elaborado por geraes anteriores, entrando em contato com a cultura por meio da

    vida em sociedade para seu desenvolvimento intelectual. Tal processo de suma

    importncia para os homens, pois atravs dele que se aprende a ser homem, se

    configurando como uma possibilidade de formao de novas aptides.

    [...] a Literatura Infantil pode ser considerada expresso de contedo, estratgia e ao mesmo tempo recurso didtico, fatores que permitem apresentar as crianas elaboraes humanas significativas e assim contribuir decisivamente para ampliar o universo de conhecimento das crianas (CHAVES, 2011b, p. 99).

    atravs da literatura que o indivduo assimilar contedos para assim se

    humanizar, ou seja, tendo como objetivo direto produzir humanidade em cada

    indivduo. Chaves (2011) ressalta que de acordo com os pressupostos da teoria

    Histrico-Cultural, o trabalho pedaggico independente da rea de conhecimento,

  • deve potencializar as funes psicolgicas superiores. Sendo a Literatura Infantil,

    um processo de educao, preciso desenvolver estratgias que garantam sua

    eficcia. Se a crianas submetia a expresses empobrecidas seu resultado

    tambm ser empobrecido, porm quando lhe ofertado o que a humanidade

    produziu de melhor, suas funes psicolgicas superiores sero desenvolvidas.

    necessrio avaliamos as intervenes pedaggicas utilizadas para o

    aprendizado das crianas. Assim avaliamos que a proposta de interveno

    pedaggica denominada e criada pela professora Dra. Marta Chaves como Caixa de

    Encantos e Vida, pode ser um recurso didtico que apresente s crianas um

    contedo de qualidade, em que possa auxiliar o professor no processo de ensino

    aprendizagem, fazendo com que os alunos se desenvolvam da forma mais plena

    possvel. Podemos observar o que escreve Mukhina (1995) sobre a utilizao, pelo

    homem, de signos lingusticos:

    A utilizao dos signos e de sistemas de signos uma das particularidades mais caractersticas do homem. A sociedade criou enormes sistemas de signos, como a linguagem, os smbolos matemticos ou os vrios ramos da arte, que refletem o mundo em quadros, em melodias musicais e em movimentos de dana. Qualquer tipo de signo serve para comunicao entre humanos, substituindo certos objetos, fenmenos, relaes ou propriedades reais por outros simblicos. Os signos matemticos (os nmeros e os signos), por exemplo, expressam relaes quantitativas; os smbolos qumicos expressam a composio dos corpos; os quadros refletem o aspecto externo de pessoas ou objetos (MUKHINA 1995, p. 139).

    Na citao acima a autora se reporta utilizao de signos pelo homem para

    a sua comunicao, em suas diversas formas. A Caixa de encantos e Vida, pode

    ser apontada como um signo possvel para ser utilizado na comunicao literria

    entre professor e aluno, entendemos que a disposio e o material didtico, pode

    aproximar o alunos de biografias de determinados expoentes das artes.

    necessrio considerar que o contato com os autores amplia a

    aprendizagem das crianas, Bogoyavlensky e Menchinskaya (1991, p. 41), afirmam

    que a experincia precedente est representada por sistemas de conexes

    temporais registradas no crtex cerebral, constituda sob a influncia de estmulos

    exteriores, ou seja, sob a influncia do ensino e da educao. Para estas autoras o

    processo de aprendizagem realizado quanto mais relaes a criana tiver com

    experincias anteriores, mais relaes com outros contedos ela poder realizar em

    seu crtex cerebral, isso significa que quanto mais acesso a criana tiver ao

    conhecimento mais possibilidades ele ter de desenvolver suas funes psicolgicas

    superiores.

  • A afirmao acima implica no fato de que o professor no momento em que

    planeja sua aula, deve se ater ao fato de pensar em estratgias que desenvolvam as

    funes psicolgicas superiores. Podemos indicar a Caixa de Encantos e Vida,

    como um recurso didtico amplo, que permite o professor estabelecer diversas

    relaes de estudo.

    O homem no nasce dotado das aquisies histricas da humanidade. Resultando estas do desenvolvimento das geraes humanas, no so incorporadas nem nele, nem nas suas disposies naturais, mas no mundo que o rodeia, nas grandes obras da cultura humana. S apropriando-se delas no decurso da sua vida ele adquire propriedades e faculdades verdadeiramente humanas. Este processo coloca-o, por assim dizer, aos ombros das geraes anteriores e eleva-o muito acima do mundo animal (LEONTIEV, 1979, p. 282).

    Conforme a argumentao de Leontiev, o homem no nasce dotado das

    aquisies histricas da humanidade, pois elas esto incorporadas cultura da

    sociedade, por conta disso preciso que as geraes se apropriem desse

    conhecimento historicamente construdo. Quando nos referimos a educao,

    destacamos as instituies educativas, pois a partir dela que a crianas adquire o

    conhecimento historicamente construdo e de qualidade, pois as crianas j tem em

    demasia conhecimento empobrecido, provenientes de ralaes fora da escola.

    Acreditamos que a escola seja ela pblica ou privada, deve oferecer o ensino de

    qualidade, com as mximas elaboraes humanas, em todos os campos do

    conhecimento.

    4.2 Elaborao da Caixa de Encantos e Vida

    A Caixa de Encantos e Vida um recurso didtico desenvolvido pela Prof

    Dr Marta Chaves, cuja fundamentao e dados pontuais se encontram no trabalho

    de ps-doutorado desta pesquisadora. Conforme Chaves (2011a) a elaborao

    coletiva, contando com a efetiva participao de professores e crianas que

    escolhem um expoente da literatura, seja da poesia, msica ou das artes plsticas a

    ser estudado. A Caixa de Encantos e Vida composta por diversos recursos, entre

    eles textos fotografias, objetos e recursos variados, que assim contemplaram as

    cinco temticas, quais sejam: infncia, amigos, obras, viagens, famlia e realizaes,

    de acordo com o expoente esses temas podem ser adequados ao que se necessita.

    Fundamentada na Teoria Histrico-Cultural esse recurso didtico tem como

    funo apresentar e ensinar para as crianas as mximas elaboraes humanas,

  • Chaves (2011a) afirma que para alcanar seus objetivos A Caixa de Encantos e

    Vida, apresentar as crianas e aos educadores, percursos, desafios e as conquistas

    dos mestres das artes.

    Para a realizao de nossa proposta pedaggica foi necessrio a escolha de

    um expoente das artes, nossa escolha foi Jos Paulo Paes. Para incio preciso

    uma pesquisa detalhada sobre o autor escolhido, o que dar sustentao para a

    construo do nosso material didtico. A partir de ento faremos a escolha de fatos

    de sua vida e obra que so mais relevantes a serem destacados. Com isso

    poderemos escolher aspectos a serem trabalhados como infncia, amigos, obras,

    viagens, famlia e realizaes os quais iram compor cinco saquinhos, envelopes,

    caixinhas, ou algo semelhante para conter as informaes do autor. Para que a

    pesquisa seja mais significativa importante que tenha fotos ou objetos que faam

    referncia ao tema e aos dados do expoente.

    Na elaborao de nossa Caixa de Encantos e Vida, utilizremos saquinhos

    de tecidos com os seguintes temas: infncia, amigos, obras, viagens, famlia e

    realizaes (Anexo D). Dentro de cada saquinho encontram se dados da pesquisa

    referente a cada tema, devidamente referenciados com fotos e objetos que possam

    ter relao com o expoente e com o tema tratado. necessrio que a Caixa em seu

    acabamento seja belo e encantante (CHAVES, 2010, p. 67) porm preciso que

    tenha relao com o expoente e a pesquisa realizada, mas mais do que isso

    necessrio que aguce a curiosidade de quem a olha. Com a curiosidade, produzida

    pela Caixa e instigada pelos professores, o aluno querer saber o que tem dentro,

    quem foi aquele expoente, e como foi a vida dele

    Para Vigotski (2009), quando maior a experincia, maior ser a imaginao,

    e com os recursos da Caixa as experincias de quem a manuseia s enriquece,

    mais ela assimilar o conhecimento repassado. Com isso a Caixa de Encantos e

    Vida, possibilita uma aprendizagem cheia de encantos para as crianas.

  • CONSIDERAES FINAIS

    Para finalizarmos nosso trabalho, faremos uma sntese do que foi discutido e

    apresentado at aqui, mencionado tambm as experincias obtidas com o processo

    de realizao desta pesquisa.

    Fizemos uma breve reviso de literatura para tratarmos dos aspectos

    histricos da Literatura e da Literatura Infantil, posteriormente tratou sobre a

    importncia da poesia no cotidiano. Na sequncia apresentamos a biografia do autor

    Jos Paulo Paes, apresentando como suas vivncias tm reflexos em suas obras.

    Para finalizarmos apresentamos uma proposta de interveno pedaggica com a

    Caixa de Encantos e Vida, com base nos pressupostos da Teoria Histrico-Cultural

    e seus autores.

    Podemos dizer que atravs da curiosidade e das novas vivncias que a

    crianas adquire o conhecimento, porm essas experincias tem que ser baseada

    nas mximas elaboraes humanas, elaboraes essa que so produzidas

    historicamente pelo homem, de acordo com o seu contexto social. Na Literatura isso

    no diferente, sendo assim merece grande importncia ao pensarmos que quando

    apresentaremos uma Literatura Infantil de qualidade, as crianas tero acesso

    arte.

    Nesse sentido quando apresentamos os dados biogrficos do autor Jos

    Paulo Paes e suas vivncias, seja da infncia ou da vida adulta, a criana se

    aproxima do contexto histrico em que o autor viveu. Quando observamos a vida de

    Paes vemos que sua infncia foi repleta de arte, em especial livros, muito livros, o

    que enriqueceu o seu conhecimento, seu vocabulrio e sua sensibilidade para a

    escrita de qualidade, em que mais tarde vimos seus reflexos.

    A Caixa de Encantos e Vida apresentada como um recurso didtico que

    deve ser entendida como meio de enriquecer o contato das crianas com a literatura

    nas intervenes pedaggicas realizadas pelos professores. Esse recurso, quando

    trabalhado de forma ampla, proporcionar s crianas um contato prazeroso com a

    literatura e seus autores, de forma que a contao da histria poder ser mais

    encantante e repleta de sentido e significada.

    Com isso podemos afirmar que quando se tem contato com as mximas

  • elaboraes humanas, desde a mais tenra idade, seja especificamente da literatura

    ou a arte em geral, sua aprendizagem ser ampliada, de forma a capacit-los com

    experincias cada vez mais significativas. Dessa forma a criana ser ensinada a

    sempre querer saber mais, ou seja, sua curiosidade ser desenvolvida.

    Podemos nos basear na infncia de Jos Paulo Paes, repleta de livros e

    conhecimentos, para imaginarmos com a infncia de todas as crianas deveriam

    ser, com ricas experincias e com as mximas elaboraes humanas. Com isso

    podermos afirmar que nas instituies educativas seja na Educao Infantil ou nos

    anos iniciais do Ensino Fundamental, devemos utilizar o tempo que passamos com

    as crianas com atividade que enriquecem o seu aprendizado, e no apenas com

    atividades para passar as horas, como muitos professores utilizam se da Literatura

    Infantil.

    necessrio ressaltar que para se efetivar essa ideia seria preciso a

    capacitao dos professores para que possam pensar em aes que possibilitem o

    desenvolvimento desse recurso de forma ampla, para uma melhor aprendizagem.

    Essa aprendizagem pode ser de forma inicial na graduao, ou de forma continuada,

    assim preciso ressaltar a importncia da vivncia no Grupo de Estudos e

    Pesquisas em Educao Infantil (GEEI), que nos proporcionou momentos

    maravilhosos de formao com a da elaborao da Caixa de Encantos e Vida que

    nos auxiliaram a pensar em estratgia para a melhor aprendizagem da crianas,

    permeadas por encantos.

  • REFERNCIAS

    BORDINI, Maria da Gloria. Poesia infantil. 2. Ed. So Paulo: tica, 1991.

    BOGOYAVLENSKY, D. N.; MENCHINSKAYA, N. A. Relao entre aprendizagem e desenvolvimento psicointelectual da criana em idade pr-escolar. In: LEONTIEV, A.; VYGOTSKY, L. S.; LURIA, R. (et al). Psicologia e pedagogia: bases psicolgicas de aprendizagem e do desenvolvimento. Traduo de Rubens Eduardo Frias. So Paulo: editora Moraes, 1991. p. 37-58.

    CHAVES, M. A formao e a educao da criana pequena: os estudos de Vigotski sobre a arte e suas contribuies s prticas pedaggicas para as instituies de educao infantil. Araraquara, 2011. Trabalho de Ps- Doutoramento junto Faculdade de Cincias e Letras de Araraquara, Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho (Unesp), sob a superviso do Prof. Dr. Newton Duarte.

    CHAVES, Marta. Enlaces da Teoria Histrico-Cultural com a literatura infantil. In: ______ (Org.). Prticas pedaggicas e literatura infantil. Maring: EDUEM, 2011.

    CHAVES, Marta. Intervenes pedaggicas humanizadoras: possibilidades de prticas educativas com artes e literatura para crianas na educao infantil. In: CHAVES, Marta; SETOGUTI, Ruth Izumi; MORAES, Silvia Pereira Gonzaga de (Orgs.). A formao do professor e intervenes pedaggicas humanizadoras. Curitiba: Instituto Memria Editora, 2010.

    COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, anlise, didtica. So Paulo: Moderna, 2000.

    COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histrico da Literatura Infantil/Juvenil: Das origens indo-europeias ao Brasil contemporneo. 5. ed. So Paulo: Amarilys, 2010.

    LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. Literatura Infantil Brasileira. 3. ed. So Paulo: tica, 1987.

    LEONTIEV, Alexis. O homem e a cultura. In: ______ O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1979. p. 200-284.

    MUKHINA, Valria. Psicologia da idade pr-escolar. Trad. Cludia Berliner. So Paulo: Martins Fontes, 1995.

    MEIRELES, C. Problemas da Literatura Infantil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

    NAVES, Rodrigo. Um homem como outro qualquer. Revista Piau, So Paulo, jun 2008. Disponvel em: . Acesso em 22 set. 2013.

    PAES, Jos Paulo. Quem eu? Um poeta como outro qualquer. 5 ed. So Paulo: Atual Editora, 1996.

  • PAES, Jos Paulo. Prosas Seguidas de Odes Mnimas. 6. ed. So Paulo: Companhia das Letras, 2010.

    RIBEIRO, sio Macedo. Brincadeiras de palavras: A gnese da poesia infantil de Jos Paulo Paes. So Paulo: Giordano, 1998.

    VIGOTSKI, Lev Semionovich. Imaginao e criao na infncia (Traduo de Zoia Prestes). So Paulo: tica, 2009.

    ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. 11. ed. So Paulo: Global, 2003.

  • ANEXO A Algumas Obras Literrias de Jos Paulo Paes

    1. O Aluno - 1947 2. Cmplices 1951 3. Epigramas 1958 4. Poemas Reunidos 1961 5. Anatomias 1967 6. Meia Palavra 1973 7. Resduo - 1980 8. Cano de Bodas 1982 9. Um por Todos - Poesia Reunida 1947/1983 - 1983 - rene os livros anteriores

    e o indito Calendrio Perplexo 10. A Poesia Est Morta Mas Juro que No Fui Eu 1988 11. Prosas Seguidas de Odes Mnimas 1992 12. A Meu Esmo - 1995 13. De Ontem para Hoje - 1996 14. As Quatro Vidas de Augusto dos Anjos 1957 15. Mistrio em Casa 1961 16. Os Poetas 1961 17. Pequeno Dicionrio de Literatura Brasileira - 1967 - com Massaud Moiss 18. Um Aprendiz de Morto 1976 19. Pavo, Parlenda, Paraso 1967 20. Gregos e Baianos 1985 21. Traduo, a Ponte Necessria: Aspectos e Problemas da Arte de Traduzir

    1990 22. Aventura Literria - 1990 23. De "Cacau" a "Gabriela": Um Percurso Pastoral 1991 24. Cana e o Iderio Modernista 1992 25. Transleituras 1995 26. Os Perigos da Poesia 1997 27. Poesia para Crianas 1996 28. Quem, Eu? - Um Poeta como Outro Qualquer - 1996 29. Isso Ali - 1984 30. Olha o Bicho 1989 31. Poemas para Brincar 1990 32. O Menino de Olho d'gua 1991 33. Uma Letra Puxa a Outra 1992 34. Um Nmero Depois do Outro 1993 35. L com Cr - 1993 36. Um Passarinho Me Contou 1996

  • ANEXO B Algumas Publicaes Pstumas de Jos Paulo

    Paes

    1. Socrticas 2001 2. A Revolta das Palavras - 1999 3. Ri Melhor Quem Ri Primeiro - Poemas para Crianas (e Adultos Inteligentes) -

    1999 4. Veja como Eu Sei Escrever 2001

  • ANEXO C COMPOSIO DA CAIXA DE ENCANTOS E

    VIDA

    Figura 1: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes vista externa

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

  • Figura 2: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Interior da caixa

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

    Figura 3: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Saquinhos com os temas

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

  • ANEXO D COMPOSIO DOS SAQUINHOS QUE

    COMPEM A CAIXA DE ENCANTOS E VIDA

    Figura 4: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Infncia: contm dados da

    infncia do poeta.

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

    Figura 5: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Amigos: contm dados

    sobre suas amizades

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

  • Figura 6: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Obras: contm

    informaes sobre alguns livros do referido poeta, e imagens da capa de alguns

    desses livros

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

    Figura 7: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Famlia: contm

    informaes sobre sua famlia

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

  • Figura 8: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Realizaes: contm

    informaes sobre alguns livros premiados do referido poeta

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.

    Figura 9: Caixa de Encantos e Vida de Jos Paulo Paes Todos os envelopes,

    fotos, entrevistas e demais dados da pesquisa so devidamente referenciados no

    verso.

    ACERVO: Prof Dr Marta Chaves, Universidade Estadual de Maring, 2013.