La§os de Amor: a fam­lia n£o nuclear em Steven Uni fam­lia n£o nuclear em Steven Universo1 Lucas

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Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicao XXIII Congresso de Cincias da Comunicao na Regio Sudeste Belo Horizonte - MG 7 a 9/6/2018

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Laos de Amor:

a famlia no nuclear em Steven Universo1

Lucas Santos GOMES2

Jssica Nascimento de SOUZA3

Reinaldo Maximiano PEREIRA4

Centro Universitrio UNA

Resumo:

Atravs das Dimenses do Estilo Televisivo (Butler, 2010) e das Instrumentais para

Anlise do Desenho de Cena (Mckee, 2006), este artigo visa analisar a forma textual

televisiva que nos permite uma leitura valorativa do objeto escolhido: a srie de

animao Steven Universo (2013) produzida e exibida pela Cartoon Network Studios.

Considerando a animao um meio miditico capaz de conduzir o seu pblico a se

identificar com dadas ideologias e pensamentos (Silverstone, 2002), o objetivo

acadmico consiste em compreender o modo pelo qual este desenho animado contribui

para a legitimao da famlia no nuclear e a empatia social atravs da educao

assistemtica.

Palavras-Chave: Animao; Estilo Televisivo; Famlias; Steven Universo.

1 Introduo

A famlia tem grande importncia na educao e formao dos indivduos, sendo

a clula do organismo social que fundamenta a sociedade. Sarti (1995) ressalta que a

poca em que vivemos marcada pela mudana e crescimento dessa estrutura to

naturalizada na esfera social. A autora ainda explica que as constantes modificaes e

interferncias, sejam internas ou externas, sofridas pela unidade familiar ao longo da

histria fazem, no momento atual, cair por terra a conservao da ideologia que associa

a famlia ideia de natureza.

Na cena contempornea, o termo famlia no singular cede lugar a terminologia

famlias no plural. Losacco (2003) esclarece que as famlias, na atualidade, no so

mais aquelas constitudas apenas por meio de um casamento formal e nuclear (homem e

1 Trabalho apresentado na DT 4 - Comunicao Audiovisual do XXIII Congresso de Cincias da Comunicao na

regio Sudeste, realizado de 7 a 9 de junho de 2018. 2 Ps-graduado no MBA em Gesto de Marketing Estratgico e Branding e Bacharel em Publicidade e Propaganda

pelo Centro Universitrio Una (BH/MG), e-mail: lucaskurenai7@gmail.com 3 Ps-Graduada no MBA em Gesto Estratgica de Projetos e Bacharel em Publicidade e Propaganda pelo Centro

Universitrio UNA (BH/MG), e-mail: jessicanaso@gmail.com 4 Doutor em Comunicao Social pela Universidade Federal de Minas Gerais, Mestre em Literaturas da Lngua

Portuguesa pela PUC/Minas, Ps-graduado em Jornalismo e Prticas Contemporneas pela UNI-BH e Bacharel em

Jornalismo pela UNI-BH, e-mail: reynaldo.maximiano@gmail.com

mailto:lucaskurenai7@gmail.commailto:jessicanaso@gmail.commailto:reynaldo.maximiano@gmail.com

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mulher). Do contrrio, podem apresentar contornos mais diversificados como: ser

composta pelo casamento civil ou religioso, pela unio estvel, por grupos formados por

qualquer um dos pais e seus ascendentes, seus filhos, netos ou sobrinhos, por me ou

pai solteiro, pela unio homoafetiva etc.

Como elucida Sarti (1995), devido ao difcil processo de mudana de

perspectivas, ainda no se dissociou completamente a noo de famlia da natureza

biolgica. Isso acontece porque as famlias tm como referncia definies cristalizadas

que so socialmente institudas pelos dispositivos disciplinares existentes - jurdicos,

mdicos, psicolgicos, religiosos, pedaggicos etc - que utilizam dos meios de

comunicao para propagar suas vises, criando o modelo certo da tpica famlia

tradicional com unidade biolgica.

No entanto, a sociedade est em contnuo processo de adaptao e est sujeita a

variveis que podem construir e definir qual caminho essa mesma sociedade seguir. Do

mesmo modo que so perceptveis as novas configuraes dos arranjos familiares,

tambm notria a mudana nas mdias, inclusive na televisiva que uma das mais

tradicionais entre elas. Silverstone (2002) clarifica que a mdia ativa em um jogo

complexo que filtra e molda realidades atravs de suas representaes, tornando-se

referncia ao conduzir os indivduos a se identificarem com dadas ideologias.

Da, de suma importncia o estabelecimento da designao de novos

programas na base televisiva, com novos formatos - representaes visuais - e

contedos - construo narrativa - que fomentem a representatividade. Sobre tal

assunto, Mariotto e Oliveira (2010) observam a importncia dos cuidados a se tomar ao

construir uma proposta para o pblico infantil, uma vez que a TV um meio miditico

que ensina e exerce influncia na vida da criana, sujeito que est em constante

aprendizado com o meio e sua cultura:

A criana educada tambm pela mdia, principalmente pela televiso.

Aprende a informar-se, a conhecer os outros, o mundo, a si mesma

vendo as pessoas na tela, que lhe mostram como viver, ser feliz e

infeliz, amar e odiar. A relao com a mdia eletrnica prazerosa,

ningum obriga, feita por meio da seduo, da emoo, da explorao

sensorial, da narrativa; aprendemos vendo as estrias dos outros e as

estrias que os outros nos contam. Mesmo durante o perodo escolar, a

televiso mostra o mundo de outra forma, mais fcil, agradvel e

compacta, sem precisar de muito esforo. Educa enquanto nos

entretm. (MARIOTTO;OLIVEIRA, 2010, p.43)

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As verdades presentes nos saberes estabelecidos e mostrados pela mdia so

subjetividades simblicas das quais afloram discursos dos mais diferentes campos,

inclusive dos novos arranjos familiares. Aqui podemos ressaltar os desenhos animados

que exercem sobre as crianas um grande fascnio por suas formas ldicas de fcil

entendimento. Sendo, como ressalta Mariuzzo (2007), capazes de organizar e difundir

uma gama de significados que demarcam as formas de ser, estar e se relacionar em

sociedade. A autora elucida que as animaes possibilitam novas formas de imaginar o

mundo e, atravs da metfora, oferecem ferramentas que favorecem a problematizao e

resoluo visual de temas difceis para o entendimento da criana, tal como o

nascimento, a morte, os relacionamentos e a famlia.

com tais conceitos em mente que possvel compreender a importncia da

mdia televisiva na difuso das famlias no nucleares e, considerando o papel

preponderante das animaes como uma educao assistemtica para crianas, que

definimos a linha de pensamento que ir reger este estudo.

Em suma, a partir da anlise televisual, o presente artigo detm o propsito de

investigar a relao existente entre determinados aspectos da formao dos novos

arranjos familiares na sociedade atual e a srie de animao Steven Universo (2013).

Para tal, colhemos um evento do episdio Jantar em Famlia, no qual o tema das novas

configuraes familiares ostensivamente discutido. Neste excerto importante para

ns o modo como a temtica foi construda partir de operaes tcnicas audiovisuais

prprias da animao e da televiso.

Surgindo, assim, a problematizao: no aspecto televisual, de que maneira a

animao Steven Universo (2013) produzida pela Cartoon Network Studios legitimiza a

famlia no nuclear?

Com o intuito de investigar o modo como este desenho prega um discurso

antagnico aos padres normalmente impostos pela sociedade as crianas, este trabalho,

a partir da anlise televisual e toda sua potencialidade simblica, esttica e artstica,

busca identificar e compreender as estruturas culturais e o modo como acontece a

representao destes valores familiares contemporneos ao pblico alvo da animao.

Para tal, utilizamos do conceito das Dimenses de Estilo de Butler, 2010 e dos

Instrumentais para Anlise do Desenho de Cena de Mckee, 2006. O intuito apontar

uma reflexo sobre esta temtica na sociedade contempornea, ressaltando os padres e

as regras que definem o que famlia.

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interessante a investigao profunda deste desenho animado devido proposta

de projeo em seu pblico. Esta srie tem potencial de realar uma nova e possvel

tendncia de combate aos padres que foram sublimados no ncleo da sociedade

contempornea atual. Uma mdia de comunicao inovadora por lidar, em sua

construo de narrativa, com gneros, etnias e sexualidades em suas diversas formas de

representao.

2 O Universo de Steven Universo

Steven Universo uma srie de animao voltada para o pblico infantil,

produzida e exibida pelo canal Cartoon Network Studios5. Com estreia em 2013 e

lanado no Brasil em 2014 o desenho animado foi criado pela escritora Rebecca Sugar,

a primeira mulher a criar qualquer srie j produzida pelo estdio6. As obras de Rebecca

abrangem a representatividade e tem grande sucesso de pblico, t