LAUDO TÉCNICO PERICIAL

  • Published on
    18-Dec-2015

  • View
    85

  • Download
    39

Embed Size (px)

DESCRIPTION

LAUDO TCNICO PERICIAL

Transcript

  • Ministrio Pblico do Estado de Gois Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente

    Percia Ambiental

    LAUDO TCNICO PERICIAL

    LTPA 023/2007 PRC 09/07

    AVALIAO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL

    (EIA) DA USINA VALE VERDE EMPREENDIMENTOS

    AGRCOLAS, MUNICPIO DE GOIATUBA

    1. INTRODUO

    Por determinao da Promotora de Justia Miryam Belle Moraes da Silva,

    Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministrio

    Pblico do Estado de Gois, em atendimento requisio do Promotor de Justia Rodrigo

    S Patrcio, da Comarca de Goiatuba, o Perito Ambiental subscrito, depois de realizar

    vistoria in loco, apresenta o seu laudo.

  • Ministrio Pblico do Estado de Gois Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente

    Percia Ambiental 2. OBJETIVOS

    Realizar avaliao do EIA/RIMA do empreendimento Vale Verde Empreendimentos

    Agrcolas Ltda,

    3. ANLISE E DISCUSSES

    O Estude de Impacto Ambiental (EIA) e seu Relatrio de Impacto Ambiental

    (RIMA) foi elaborado pela empresa DBO Engenharia Ltda. Ao Ministrio Pblico foi

    encaminhado apenas o EIA.

    No captulo 3 do EIA apresentada a localizao do empreendimento.

    Informa que a indstria ser instalada em uma gleba de 50 hectares (ha) da

    Fazenda Conquista, situada margem esquerda da rodovia GO-210, sentido Goiatuba-

    Porteiro.

    O EIA informa que tal rea est inserida na sub-bacia do crrego DAntas, afluente

    do ribeiro Bom Sucesso e, segundo o EIA afluente da margem esquerda do rio dos

    Bois, todos contribuintes do rio Paranaba. (EIA, p. 16).

    No entanto, a figura 5 (EIA, p. 73) mostra o ribeiro Bom Sucesso desaguando no

    rio Santa Brbara. Esta figura apresenta tamanho extremamente inadequado, incluindo

    rea ilustrada, o que torna a leitura da bacia hidrogrfica extremamente prejudicada. De

    qualquer forma, pelo pouco que se pode ver na referida figura fica evidenciado a primeira

    omisso do referido EIA, ao ignorar (no texto) o rio Santa Brbara, no qual o ribeiro

    Bom Sucesso desgua, segundo a figura 5 do EIA, sendo o rio Santa Brbara, portanto, o

    rio a desaguar no rio dos Bois depois de receber as guas do ribeiro Bom Sucesso.

    Como a figura no permite uma adequada leitura da regio, fica a dvida: quem

    tributrio de quem?

    Da forma que foi feita, fica comprometido o cumprimento do artigo 5 da

    Resoluo CONAMA n 01/1986, o qual determina:

    Artigo 5 - O estudo de impacto ambiental, alm de atender legislao, em especial os

    princpios e objetivos expressos na Lei de Poltica Nacional do Meio Ambiente, obedecer s

    seguintes diretrizes gerais:

    I - Contemplar todas as alternativas tecnolgicas e de localizao de projeto, confrontando-as

    com a hiptese de no execuo do projeto;

    II - Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de

    implantao e operao da atividade ;

    2

  • Ministrio Pblico do Estado de Gois Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente

    Percia Ambiental

    III - Definir os limites da rea geogrfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada rea de influncia do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrogrfica na qual se localiza; (Res. CONAMA n 01/1986) (grifamos)

    A atividade da empresa a produo de lcool e acar-cristal, a partir do

    processamento da cana-de-acar. E para que isso ocorra imprescindvel que se plante

    cana-de-acar (e em grande quantidade), portanto o plantio da cana inerente e

    imprescindvel operao da empresa. Assim, descabido de qualquer lgica no

    considerar no EIA as reas plantadas, e todos os impactos relacionados ao

    plantio, irrigao e colheita da cana.

    Outra omisso, ainda na localizao, a proximidade de outras cidades, como

    Porteiro. H referncia apenas cidade de Goiatuba, sede do Municpio onde insere-se o

    empreendimento, mas uma das mais afastadas da rea da Fazenda Conquista.

    A figura 01 (p. 17) traz um recorte do Mapa Rodovirio do Estado de Gois, em

    uma escala, e tamanho, que dificulta a adequada visualizao da regio e das distncias

    entre a rea e cidades e povoados/distritos prximos. Assim, esta figura totalmente

    intil.

    Na referida figura h, tambm, um croqui, onde so identificados os povoados de

    Santo Antnio (distante 8Km da Faz. Conquista), Venda Seca (20Km) e So Domingos

    (40Km). A sede do Municpio de Goiatuba dista 59Km da Faz. Conquista.

    Demais municpios e distritos so ignorados.

    Quanto presena de outras usinas, este empreendimento estar distante apenas

    25Km da Usina Fortaleza (Mun. de Porteiro), e 28Km da Usina Goiasa (Mun. de

    Goiatuba e outra prevista para o Mun. de Itumbiara).

    Na verdade, para Itumbiara, alm de grande quantidade de reas j plantadas

    com cana para a Usina Alvorada (de Minas Gerais), esto previstos mais seis

    empreendimentos, destacando-se nova unidade da Goiasa, e a Usina Panorama, que foi

    inaugurada recentemente.

    Esta proximidade leva ao sinergismo dos impactos destes empreendimentos, tanto

    dos impactos ambientais, quanto dos impactos sociais. E em nenhum dos casos, o EIA

    trata desta problemtica.

    O item 3.2 Natureza e porte mostra que o objetivo do empreendimento em tela

    a produo de acar-cristal e lcool etlico a partir da cana-deacar. O

    processamento inicial de cana-de-acar ser de 1 milho de toneladas (no define

    quanto de cada produto, acar e lcool, ser produzido) evoluindo at 3 milhes de

    3

  • Ministrio Pblico do Estado de Gois Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente

    Percia Ambiental toneladas de cana-de-acar processada (sem ser definido em quantos anos ser

    atingida esta produo).

    No item 3.3 Objetivos e importncia do empreendimento (p. 18) o EIA informa

    que

    A lavoura de cana-de-acar ser implantada atravs da converso de outras

    culturas tradicionais na regio como soja, milho e algodo e de pastagens, algumas

    das quais degradadas, no representando insero de novas reas produtivas, isto

    , sem necessidades de desmatamentos para o cultivo da matria prima para a

    indstria. (EIA, p. 18).

    Nenhuma anlise das perdas geradas para estes setores feita pelo EIA.

    O EIA trata da questo como que se quisesse dar a impresso que haver apenas

    um processo de parar o plantio de soja, milho e algodo e de criao de gado,

    substituindo estas atividades pelo plantio de cana-de-acar.

    Esta no a verdade.

    O que ocorrer a migrao do plantio de soja, milho, algodo entre outras

    culturas, assim como da pecuria, para reas mais baratas, ainda no atrativas para o

    cultivo da cana. Muitas destas reas com vegetao nativa.

    Deve-se lembrar que os grandes produtores rurais so, normalmente,

    arrendatrios (e no proprietrios) das terras. Assim, iro continuar produzindo soja,

    milho, algodo ou outras culturas, em novas reas.

    muito provvel que nenhuma rea ser desmatada para o plantio de cana na

    regio. Mas muito provvel que novas reas sero desmatadas, seja para a agricultura

    ou a pecuria deslocadas.

    Ainda na pgina 18 o EIA revela uma grande deficincia do empreendimento, qual

    seja, a co-gerao de energia eltrica a partir da queima do bagao de cana somente

    ser implantada em um futuro indefinido.

    Diante da grande quantidade de empreendimentos de usinas de lcool e acar

    querendo se instalar em Gois, imprescindvel que se priorize aqueles que pretendam

    se instalar j de forma a mais eficiente possvel, ou seja, imprescindivelmente a imediata

    implantao de sistema de co-gerao de energia eltrica a partir da queima do bagao

    da cana-de-acar.

    A implantao de inmera usinas hidreltricas em Gois tem trazido ao Estado

    uma significativa depauperao da qualidade ambiental. As usinas de lcool e acar so

    grandes consumidores de energia eltrica e, tambm, responsveis por grandes impactos

    4

  • Ministrio Pblico do Estado de Gois Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente

    Percia Ambiental ambientais. A co-gerao de energia pelas usinas de lcool e acar, com a queima do

    bagao uma forma de maximizar os pontos positivos destes empreendimentos, ao

    mesmo tempo em que pode contribuir para a reduo na implantao de Pequenas

    Centrais Hidreltricas (PCHs), empreendimentos que geram imensos impactos

    ambientais e, via de regra, no geram energia no perodo de seca exatamente na

    poca em que as usinas sucro-alcooleiras podem gerar energia.

    No item 3.5 (p. 20) o EIA trata da Mo-de-obra e regime de funcionamento,

    onde informa sobre o perodo de operao do empreendimento

    Na etapa final de implantao, este perodo ser de 227 dias com eficincia de

    tempo aproveitado de 90%. Disso resultam aproximadamente 180 dias de

    operao efetiva durante 24 horas por dia, divididas em trs turnos fixos de 8

    horas cada um. No perodo de entressafra (novembro a abril), a Unidade estar em

    processo de manuteno. (EIA, p. 20, grifamos)

    Neste item chama a ateno os clculos feitos, onde 90% de 227 dado como

    180 (o correto so 204). Deve-se considerar, no entanto, que a operao da empresa se

    dar durante os 227 dias informados (mais frente ser mostrada a contradio desta

    informao).

    Com relao gerao de empregos, chama a ateno a quantidade que informa-

    se que sero gerados:

    1. Fase de Implantao:

    - 300 trabalhadores diretos, que trabalharo na m

Recommended

View more >