LEI PENAL NO TEMPO - Foca No Resumo devem ser revistas, por meio de reviso criminal. LEI PENAL NO ESPAO DIREITO PENAL Clber Masson + Rogrio Sanches + Rogrio Greco

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    MARTINA CORREIA

    LEI PENAL NO TEMPO DIREITO PENAL

    Clber Masson + Rogrio Sanches + Rogrio Greco

    TEORIAS SOBRE O TEMPO DO CRIME

    ATIVIDADE RESULTADO UBIQUIDADE

    Considera-se praticado o crime no momento da conduta, isto ,

    da AO OU OMISSO.

    Considera-se praticado o crime no momento do resultado.

    Considera-se praticado o crime no momento da conduta ou do

    resultado.

    - O CP adotou a TEORIA DA ATIVIDADE (tempus regit actum):

    Art. 4 - Considera-se praticado o crime no momento da ao ou omisso, ainda que outro

    seja o momento do resultado.

    - Regra para decorar: LUTA (Lugar Ubiquidade Tempo Atividade).

    - A teoria da atividade tambm fixa a IMPUTABILIDADE DO AGENTE: se, ao tempo da conduta, o

    agente era menor de 18 anos, aplica-se o ECA, independentemente de lei posterior na maioridade.

    - Cuidado com a prescrio (teoria do resultado): o prazo prescricional comea a correr do dia em

    que o crime se consumou (art. 111, I).

    EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL

    EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL

    ULTRA-ATIVIDADE RETROATIVIDADE

    A lei revogada regula fatos ocorridos durante sua vigncia.

    A lei posterior retroage e alcana fatos ocorridos anteriormente sua entrada em vigor.

    SEMPRE EM BENEFCIO DO AGENTE.

    ABOLITIO CRIMINIS

    LEX MITIOR

    SUCESSO DE LEIS PENAIS NO TEMPO NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA

    LEX GRAVIOR

    1. ABOLITIO CRIMINIS E NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA - Abolitio criminis a retirada de um crime do ordenamento jurdico. uma causa extintiva da

    punibilidade (art. 107, III): retroage para alcanar os fatos que deixaram de ser crime antes da nova

    lei.

    Art. 2 - Ningum pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,

    cessando em virtude dela a execuo e os efeitos penais da sentena condenatria.

    - A abolitio criminis NO RESPEITA A COISA JULGADA, assim, CESSA A EXECUO PENAL E OS

    EFEITOS PENAIS DA CONDENAO, PERMANECENDO OS EFEITOS EXTRAPENAIS. Ex.: a sentena

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    continua servindo como ttulo executivo judicial para reparao de danos sofridos pela vtima; o

    sujeito no recupera o cargo, emprego ou funo perdido.

    - Distinguir a abolitio criminis do PRINCPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVA TPICA, que, segundo o

    STJ (info. 518), ocorre quando uma norma penal revogada, mas a mesma conduta continua

    sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infrao penal continua tipificada em outro

    dispositivo, ainda que topologicamente ou normativamente diverso do originrio. Ex.: o atentado

    violento ao pudor foi revogado (Lei 12.015/09), mas o fato passou a ser alcanado pelo tipo do art.

    213 (estupro).

    ABOLITIO CRIMINIS CONTINUIDADE NORMATIVA TPICA

    H uma supresso formal e material da figura criminosa.

    H uma supresso apenas formal da figura criminosa.

    A conduta no mais ser punida (o fato deixa de ser punvel).

    O fato permanece sendo punvel (a conduta criminosa, no entanto, deslocada para outro tipo

    penal).

    A conduta no mais criminosa. A conduta continua sendo criminosa.

    Ex: o art. 240 do CP (crime de adultrio) foi revogado e no existe mais nenhuma lei no

    ordenamento jurdico que afirme que esta conduta crime.

    Ex: o art. 1 da Lei 2.252/54 (corrupo de menores) foi revogado, mas o ordenamento jurdico continua prevendo esta conduta como criminosa, porm em

    um outro dispositivo legal (art. 244-B do ECA).

    - Situao interessante surgiu com o Estatuto do Desarmamento, ao estabelecer um prazo para que

    os possuidores e proprietrios de armas entregassem ou regularizassem o registro do objeto.

    Durante esse prazo, no houve a incidncia do crime de posse de arma de fogo. Esse perodo foi

    chamado, pela doutrina, de abolitio criminis temporria.

    - A novatio legis incriminadora o contrrio da abolitio criminis: tipifica um comportamento que at

    ento no era crime. Como a extra-atividade s atua em benefcio do ru, a lei no retroagir para

    alcanar os fatos praticados antes da entrada em vigor da nova lei.

    2. LEX MITIOR (NOVATIO LEGIS IN MELLIUS) E LEX GRAVIOR (NOVATIO LEGIS IN PEJUS) - Lex mitior a lei posterior que, de qualquer modo, favorece o agente. SEMPRE RETROATIVA. Ex.:

    se surgir uma lei que reduz a pena mnima de um delito, esta ser aplicada, mesmo que a sentena

    condenatria tenha transitado em julgado. S no ser aplicada se o agente j tiver cumprido a pena.

    Isto porque a lex mitior tambm NO RESPEITA A COISA JULGADA.

    - O STJ pacificou o entendimento de que o crime do art. 28 da nova Lei de Drogas (porte de droga

    para consumo pessoal), em razo das penas a ele cominadas, mais brando do que a figura

    antigamente prevista no art. 16 da Lei 6.368/76. Deve, assim, retroagir para alcanar os fatos

    cometidos sob a gide da lei antiga (REsp 1025228).

    - Segundo Rogrio Greco, havendo dvidas quanto aplicao da lei que melhor atenda aos

    interesses do agente, o ru, por intermdio de sua advogado, dever ser consultado a fim de que

    faa a escolha daquela que, segundo a sua particular situao, seja tida como a mais favorvel.

    Art. 2, pargrafo nico - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se

    aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentena condenatria transitada em julgado.

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    - Lex gravior o contrrio (lei posterior que prejudica a situao do agente). Como a extra-atividade

    da lei penal s ocorre benefcio do ru, a lex gravior no o prejudica.

    - Assis Toledo aponta uma exceo: o princpio da retroatividade in pejus no se aplica s medidas

    de segurana, diante da diferena substancial da pena (carter curativo).

    Abolitio criminis e lex mitior Novatio legis incriminadora e lex gravior

    RETROATIVIDADE e ULTRATIVIDADE Fatos posteriores entrada em vigor

    - Smula 611 do STJ: DEPOIS DO TRNSITO EM JULGADO, COMPETE AO JUZO DAS EXECUES A

    APLICAO DA LEI MAIS BENIGNA.

    - A doutrina faz uma ressalva a essa smula: a competncia s ser do Juzo das Execues se a

    aplicao da lei mais benfica necessitar de um mero clculo matemtico. Se envolver uma anlise

    do mrito, a competncia ser do Tribunal competente para apreciar a reviso criminal.

    - Os CRIMES PERMANENTE E CONTINUADO tm uma especificidade. a smula 711 do STF: A LEI

    PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE, SE A SUA

    VIGNCIA ANTERIOR CESSAO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANNCIA. Ex.: o agente

    sequestrou a vtima quando estava em vigor a lei A (incio dos atos de execuo). Quando a vtima foi

    libertada, j estava em vigor a lei B, que dava tratamento mais rigoroso ao ru, aumentando as penas

    cominadas. Dever ser aplicada a lei B, mesmo que configure novatio legis in pejus.

    - Isso tambm se aplica sucesso de leis no CRIME HABITUAL: deve ser aplicada a nova, ainda que

    mais severa, se o agente insistir em reiterar a conduta criminosa.

    SUCESSO DE LEIS NO TEMPO

    1. LEI PENAL INTERMEDIRIA - possvel, em caso de sucesso de leis penais, a aplicao de uma lei intermediria mais

    favorvel ao ru, ainda que no seja a lei em vigor quando da prtica da infrao penal ou a lei

    vigente poca do julgamento. Essa a posio consagrada no STF (RE 418876).

    2. LEI TEMPORRIA OU EXCEPCIONAL

    LEI TEMPORRIA LEI EXCEPCIONAL

    Aquela que tem, prefixado em seu texto, o tempo de vigncia.

    Ex.: Lei A estabelece que sua vigncia durar do dia 1 de janeiro de 2012 ao dia 1 de junho de 2012.

    Aquela que atende a transitrias necessidades estatais, tais como guerras, calamidades e

    epidemias. Ex.: Lei A comea dia 1 de janeiro de 2012 e

    perdurar at o fim da epidemia.

    Art. 3 - A lei excepcional ou temporria, embora decorrido o perodo de sua durao ou

    cessadas as circunstncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua

    vigncia.

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    - Ambas so ULTRATIVAS: os fatos praticados durante sua vigncia continuaro a ser punidos

    mesmo aps o fim de sua vigncia. Se assim no fossem, como essas leis so de curtssima durao,

    seria sancionada uma ineficcia preventiva, ou seja, essas leis no teriam aplicabilidade.

    - Segundo o STF (HC 90995), O PRINCPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA NO SE APLICA S

    HIPTESES DE LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORRIA (NO PODEM CONFIGURAR ABOLITIO CRIMINIS

    EM RELAO AOS CRIMES COMETIDOS ANTES).

    - H intenso debate doutrinrio acerca da constitucionalidade da ultratividade:

    Corrente 1: o art. 3 do CP foi recepcionado Corrente 2: o art. 3 no foi recepcionado

    A ultratividade prevista no art. 3 no viola o princpio da irretroatividade da lei prejudicial. As

    condies anormais que deram origem a essas leis so elementos do tipo. Assim, quando a lei

    temporria ou excepcional atinge se termo final, no perde sua vigncia, mas deixa de ser aplicada.

    Posio de Frederico Marques e Damsio.

    A CF/88 no trouxe qualquer exceo proibio da ultratividade malfica, no cabendo ao legislador infraconstitucional faz-lo. Se houver sucesso de

    leis temporrias ou excepcionais, prevalecer a regra da extra-atividade in mellius.

    Posio de Zaffaroni, Paulo Queiroz, Nilo Batista e Rogrio Greco. Deve ser adotada para provas de

    Defensoria.

    3. COMBINAO DE LEIS (LEX TERTIA) - Pode o juiz combinar duas leis para favorecer