Leitura - Material 2013.2

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    CENTRO UNIVERSITRIO AUGUSTO MOTTA UNISUAM

    DISCIPLINA: LEITURA E PRODUO DE TEXTOS

    Prof Mrcia Pinheiro

    Ementa:

    O texto e seus diferentes cdigos de expresso. Linguagem verbal falada e escrita. A unidade e a variedade lingstica. A leitura do texto literrio: o cdigo lingustico e outros cdigos. Coerncia e coeso textuais. O texto e os meios lingusticos.

    Objetivo geral:

    Reconhecer os diferentes cdigos de expresso. Distinguir textos de domnios discursivos distintos.

    Objetivos especficos:

    Ler adequadamente textos verbais e no verbais. Perceber a unidade e a variedade da lngua portuguesa.

    Estabelecer semelhanas e diferenas entre a expresso verbal falada e escrita. Compreender a coerncia

    e a coeso textuais como fatores de textualidade. Empregar adequadamente os meios lingusticos na

    expresso verbal escrita.

    Bibliografia mnima:

    ABREU, Antnio Surez. Curso de redao. So Paulo: tica, 2005

    CASSANO, Maria da Graa. Prticas de Leitura e Escrita no ensino Superior. Rio de janeiro: Freitas Bastos,

    2011

    INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. So Paulo: Scipione, 1998

    PLATO E FIORIN. Para entender o texto: leitura e redao. So Paulo: tica, 2000

    Bibliografia complementar:

    SQUARISI, Dad. Escrever melhor. Guia para passar os textos a limpo. So Paulo: contexto, 2008.

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    Ler ou no ler? Eis a questo...

    O brasileiro no l porque o livro caro? Errado. O brasileiro no l porque no o acostumaram a ler. O preo do CD equivalente ao do livro e, no entanto, vendem-se CDs aos milhes enquanto que uma edio de sucesso de uma obra literria, no ultrapassa, em mdia, trs mil exemplares. No podemos esquecer tambm das bibliotecas onde um livro no custa nada, basta retir-lo, alm dos "sebos", livrarias de livros usados, onde se pode adquirir raridades por preo de banana.

    Na verdade, a grande maioria dos brasileiros no l porque na escola no o ensinaram a ler, no sentido mais profundo da palavra, ou seja, apreender o que est escrito, refletir, questionar, "viajar" com um texto. (...)

    A indstria da educao brasileira ensina apenas para o aluno passar no vestibular. A formao humanstica, a compreenso do mundo atravs de sua histria, no est em questo. A questo "passar ou passar", ou seja, competir e ganhar a corrida para a glria do canudo universitrio.

    A leitura deveria ser passada para a criana e os adolescentes como uma busca, uma ao ldica e prazerosa, que pode perfeitamente substituir com igual grau de prazer uma ida ao cinema, um dia na praia ou um churrasco no stio, sem qualquer remorso.

    Todos aqueles que j descobriram o prazer da leitura, o gosto de elaborar, ele mesmo, o "seu" personagem, a "sua" paisagem, voltar a pgina e emocionar-se de novo com aquelas cenas que mais os tocaram, jamais abriro mo dessa "descoberta". um vrus que, uma vez contrado, no tem mais cura. um no acabar mais de descobrir; uma leitura vai sempre remetendo a outra e a vida torna-se to curta para tanto livro a ser lido.

    S mesmo o portador desse vrus sabe avaliar a diferena entre a "viagem" da leitura e a cena dada pronta, como a daquela via TV. Assistir TV cmodo e chega a ser hipntico. No h participao de quem est do lado de c, o espectador passivo, recebe o prato feito, no tem possibilidade de criar, de imaginar, de "viajar". A cena que ele est vendo s aquela cena, a mesma cena que outros milhes de telespectadores tambm esto vendo. Ao passo que, no ato de ler a mesma pgina de um livro, um mesmo poema que tantos outros j leram, entra em jogo o nosso poder de imaginar, de recriar, prprio do ser humano e que os meios de comunicao de massa encarregaram-se de destruir. (...)

    (VERAS, Dalila Teles. Disponvel em . Acesso em 15 de janeiro de 2007).

    A noo ampla de texto

    Em casa, na rua, na escola, no clube, no restaurante, todos ns, no dia-a-dia, circulamos entre textos. O que texto? Uma conversa telefnica informal entre amigos um texto? A letra de uma msica que ouvimos pelo rdio um texto? Um captulo de novela, um outdoor, um letreiro de nibus, uma conta de telefone, um debate poltico, um anncio publicitrio, uma notcia de jornal, uma bula de remdio, so textos? Quando falamos, tambm produzimos textos ou so textos apenas os escritos? Para que servem os textos? O que diferencia um texto do outro?

    O texto escrito

    A luta que os alunos enfrentam com relao produo de textos escritos muito especial. Em geral, eles no apresentam dificuldades em se expressar atravs da fala coloquial. Os problemas comeam a surgir quando este aluno tem necessidade de se expressar formalmente e se agravam no momento de produzir um texto escrito. Nesta ltima situao ele deve ter claro que h diferenas marcantes entre falar e escrever. Na linguagem oral o falante tem claro com quem fala e em que contexto. O conhecimento da situao facilita a produo oral. Nela o interlocutor, presente fisicamente, ativo, tendo possibilidade de intervir, de pedir esclarecimentos, ou at de mudar o curso da conversao. O falante pode ainda recorrer a recursos que no so propriamente lingusticos, como gestos ou expresses faciais. Na linguagem escrita a falta desses elementos extratextuais precisa ser suprimida pelo texto, que se deve organizar de forma a garantir a sua inteligibilidade.

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    Escrever no apenas traduzir a fala em sinais grficos. O fato de um texto escrito no ser satisfatrio no significa que seu produtor tenha dificuldades quanto ao manejo da linguagem cotidiana e sim que ele no domina os recursos especficos da modalidade escrita. A escrita tem normas prprias, tais como regras de ortografia - que, evidentemente, no marcada na fala - de pontuao, de concordncia, de uso de tempos verbais. Entretanto, a simples utilizao de tais regras e de outros recursos da norma culta no garante o sucesso de um texto escrito. No basta, tambm, saber que escrever diferente de falar. necessrio preocupar-se com a constituio de um discurso, entendido aqui como um ato de linguagem que representa uma interao entre o produtor do texto e seu receptor; alm disso, preciso ter em mente a figura do interlocutor e a finalidade para a qual o texto foi produzido. Para que esse discurso seja bem-sucedido deve constituir um todo significativo e no fragmentos isolados justapostos. No interior de um texto devem existir elementos que estabeleam uma ligao entre as partes, isto , elos significativos que confiram coeso ao discurso. Considera-se coeso o texto em que as partes referem-se mutuamente, s fazendo sentido quando consideradas em relao umas com as outras.

    (Disponvel em . Acesso em 15/12/2006).

    a) Uma boa leitura no pode basear-se em fragmentos isolados do texto, j que o significado das partes sempre determinado pelo contexto dentro do qual se encaixam.

    b) Uma boa leitura nunca pode deixar de apreender o pronunciamento contido por trs do texto, j que sempre se produz um texto para marcar posio frente a uma questo qualquer.

    O texto um tecido, uma estrutura construda de tal modo que as frases no tm significado

    autnomo: num texto, o sentido de uma frase dado pela correlao que ela mantm com as demais.

    Conceituando... Assim, a comunicao ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizando linguagem. Para se

    comunicar, as pessoas no utilizam apenas a linguagem verbal, isto , as palavras. Elas tambm gesticulam, se movimentam, fazem expresses corporais e faciais. Tudo isso palavras, gestos, movimentos, expresses corporais e faciais linguagem. Alm da linguagem verbal, cuja unidade bsica a palavra (falada ou escrita), existem tambm as linguagens no verbais, como a msica, a dana, a mmica, a pintura, a fotografia, a escultura etc. H ainda, as linguagens mistas, como as histrias em quadrinhos, o cinema, o teatro e os programas de TV, que podem reunir diferentes linguagens, como o desenho, a palavra, o figurino, a msica, o cenrio etc. Mais recentemente, com o aparecimento da informtica, surgiu tambm a linguagem digital, que, valendo-se da combinao de nmeros, permite armazenar e transmitir informaes em meios eletrnicos. Interlocutores so as pessoas que participam do processo de interao pro meio da linguagem. Aquele que produz a linguagem aquele que fala, que pinta, que compe uma msica, que dana chamado de locutor, e aquele que recebe a linguagem chamado de locutrio. No processo de comunicao e interao, ambos so interlocutores.

    LINGUAGENS VERBAL E NO-VERBAL

    CARTUM

    Um tipo de texto humorstico o Cartum. Espcie de anedota grfica sobre o comportamento humano, o Cartum pode usar apenas linguagens no-verbal ou mistur-la com a verbal. Em geral, aborda situaes atemporais e universais, isto , que poderiam acontecer em qualquer tempo ou lugar.

    O nome Cartum veio de um fato ocorrido em 1841, em Londres: para redecorar o Palcio de Westminster, o prncipe Albert promoveu um concurso de desenhos, feitos em grande cartes (cartoons, em ingls) que seriam colados s paredes. Para satirizar os desenhos oficiais, a revista inglesa Punch, a primeira revista humorstica do mundo, resolveu publicar seus prprios cartoons, dando novo significado palavra.

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    1. veja estes exemplos de Cartum.

    O Cartum um texto humorstico que usa a linguagem no-verbal, combinada ou no com a verbal. Normalmente, retrata situaes universais e atemporais, satirizando os costumes humanos.

    CHARGE

    Ao contrrio do Cartum, que, como vimos, retrata situaes genricas, a charge satiriza um fato especfico, situado no tempo e no espao. Outra diferena que, enquanto os personagens do Cartum costumam ser pessoas comuns, as da charge muitas vezes so personalidades pblicas um poltico ou artista, por exemplo. Tanto o Cartum quanto a charge, porm, tm em comum o fato de poderem usar a linguagem verbal, a no-verbal, ou