L©on Denis - Cristianismo e Espir Esoterico/- Cristianismo...L©on Denis – Cristianismo e Espiritismo

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  • Lon Denis

    Cristianismo e

    Espiritismo

    Federao Esprita Brasileira

    Departamento Editorial Rua Souza Valente, 17

    20941-040 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil

    http://www.febnet.org.br/

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    Nota da Editora

    Diversas passagens interpretativas desta obra, nas quais Lon Denis alude autenticidade dos Evangelhos e presen-a do Cristo na Terra, encerram opinio pessoal do Autor, contagiado pelo esprito da poca em que foram escritas e que, de certa forma, ainda hoje so objeto de controvrsia.

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    ndice

    Prefcio da Nova Edio Francesa ................................................. 5

    Introduo .................................................................................... 13

    1 Origem dos Evangelhos ......................................................... 22

    2 Autenticidade dos Evangelhos ............................................... 27

    3 Sentido oculto dos Evangelhos............................................... 34

    4 A Doutrina Secreta................................................................. 42

    5 Relaes com os Espritos dos Mortos ................................... 52

    6 Alterao do Cristianismo os Dogmas ................................ 70

    7 Os Dogmas os Sacramentos, o Culto................................... 83

    8 Decadncia do Cristianismo................................................. 112

    9 A Nova Revelao o Espiritismo e a Cincia .................... 160

    10 A Nova Revelao a Doutrina dos Espritos.................... 222

    11 Renovao.......................................................................... 250

    Concluso .................................................................................. 275

    Notas Complementares .............................................................. 279 Nota 1: Sobre a autoridade da Bblia e as origens do

    Antigo Testamento................................................... 279 Nota 2: Sobre a origem dos Evangelhos ............................... 286 Nota 3: Sobre a autenticidade dos Evangelhos ..................... 289 Nota 4: Sobre o sentido oculto dos Evangelhos .................... 290 Nota 5: Sobre a Reencarnao .............................................. 292

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    Nota 6: Sobre as relaes dos primeiros cristos com os Espritos................................................................... 295

    Nota 7: Os fenmenos espritas na Bblia ............................. 307 Nota 8: Sobre o sentido atribudo s expresses deuses e

    demnios .................................................................. 315 Nota 9: Sobre o perisprito ou corpo sutil; opinio dos

    padres da Igreja........................................................ 317 Nota 10: Galileu e a Congregao do Index ........................... 321 Nota 11: Pio X e o Modernismo ............................................. 324 Nota 12: Os fenmenos espritas contemporneos; provas

    da identidade dos Espritos ...................................... 327 Nota 13: Sobre a telepatia....................................................... 332 Nota 14: Sobre a sugesto ou a transmisso do pensamento... 334

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    Prefcio da Nova Edio Francesa

    Dez anos sucederam publicao desta obra. A Histria des-dobrou sua trama e considerveis acontecimentos se realizaram em nosso pas. A Concordata foi denunciada. O Estado cortou o lao que o prendia Igreja Romana. Ressalvados alguns pontos, foi com uma espcie de indiferena que a opinio pblica recebeu as medidas de rigor tomadas pelo poder civil contra as instituies catlicas.

    De que procede esse estado de esprito, essa desafeio no apenas local, mas quase generalizada, dos franceses pela Igreja? De no ter esta realizado esperana alguma das que havia suscita-do. Nem soube compreender, nem desempenhar o seu papel e os deveres de guia e educadora de almas, que assumira.

    H um sculo, vinha a Igreja Catlica atravessando uma das mais formidveis crises que registra a sua histria. Na Frana, a Separao veio acentuar esse estado de coisas e agrav-lo ainda mais.

    Repudiada pela sociedade moderna, abandonada pelo escol in-telectual do mundo, em perptuo conflito com o direito novo, que jamais aceitou; em contradio, portanto, quase em todos os pontos essenciais, com as leis civis de todos os pases, repelida e detestada pelo povo e, principalmente, pelo operariado, j no resta Igreja mais que um punhado de adeptos entre as mulheres, os velhos e as crianas. O futuro cessou de lhe pertencer, pois que a educao da mocidade acaba de lhe ser arrebatada, no sem alguma violncia, pelas recentes leis da Repblica francesa.

    A est, no limiar do sculo XX, o balano atual da Igreja ro-mana. Desejaramos, num estudo imparcial, mesmo respeito s, investigar as causas profundas desse eclipse do poder eclesistico,

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    eclipse parcial ainda, mas que, em futuro no remoto, ameaa converter-se em total e definitivo.

    A Igreja atualmente impopular. Ora, ns vivemos poca em que a popularidade, sagrao dos novos tempos, indispensvel durabilidade das instituies. Quem lhe no possuir o cunho, arris-ca-se a perecer em pouco tempo no insulamento e no olvido.

    Como chegou a Igreja Catlica a esse ponto? Pela excessiva negligncia que a causa do povo mereceu de sua parte. A Igreja s foi verdadeiramente popular e democrtica em suas origens, duran-te os tempos apostlicos, perodos de perseguio e de martrio; e o que ento justificava a sua capacidade de proselitismo, a rapidez de suas conquistas, o seu poder de persuaso e de irradiao. No dia em que foi oficialmente reconhecida pelo Imprio, a partir da converso de Constantino, tornou-se a amiga dos Csares, a aliada e, algumas vezes, a cmplice dos grandes e dos poderosos. Entrou na era infecunda das argcias teolgicas, das querelas bizantinas e, desse momento em diante, tomou sempre ou quase sempre o parti-do do mais forte. Feudal na Idade Mdia, essencialmente aristocr-tica no reinado de Luiz XIV, s fez Revoluo tardias e foradas concesses.

    Todas as emancipaes intelectuais e sociais se efetuaram con-tra a sua vontade. Era lgico, fatal, que se voltassem contra ela: o que na hora atual se verifica.

    Adstrita, na Frana, por muito tempo Concordata, incessan-temente se manteve em conflito sistemtico e latente com o Estado. Essa unio forada, que durava de um sculo para c, devia neces-sariamente terminar pelo divrcio. A lei da Separao acaba de o pronunciar. O primeiro uso que de sua liberdade, ostensivamente reconquistada, fez a Igreja foi lanar-se nos braos dos partidos reacionrios, com esse gesto provando que nada, h um sculo, aprendeu nem esqueceu.

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    Empenhando solidariedade com os partidos polticos que j fi-zeram seu tempo, a Igreja Catlica, sobretudo a de Frana, por isso mesmo se condena a morrer no mesmo dia, do mesmo gnero de morte deles: a impopularidade. Um papa genial, Leo XIII, tentou por momentos deslig-la de todo compromisso direto ou indireto com o elemento reacionrio; mas no foi escutado nem obedecido.

    O novo pontfice, Pio X, reatando a tradio de Pio IX, seu an-tecessor, nada julgou melhor fazer que aplicar as doutrinas do Slabo e da infalibilidade. Sob a vaga denominao de modernis-mo, acaba ele de anatematizar a sociedade moderna e combater qualquer tentativa de reconciliao, ou de conciliao com ela. A guerra religiosa ameaa atear-se nos quatro ngulos do pas. O prestgio de grandeza que, a poder do gnio diplomtico, Leo XIII havia assegurado Igreja, desvaneceu-se em poucos anos. O cato-licismo, restringido ao domnio da conscincia privada e individu-al, nunca mais desfrutar a vida oficial e pblica.

    Qual inda uma vez o inquiriremos a causa profunda desse enfraquecimento da instituio mais poderosa do mundo? Em nossa opinio, h unicamente uma causa profunda capaz de expli-car esse fenmeno. Acreditaro os polticos, filsofos e os sbios encontr-la nas circunstncias exteriores, em razo de ordem socio-lgica. Por nossa parte, iremos procur-la no prprio corao da Igreja. De um mal orgnico que ela deperece, atingida como nela se acha a sede vital.

    A vida da Igreja era animada pelo esprito de Jesus. O sopro do Cristo, esse divino sopro de f, caridade e fraternidade universal era, de fato, o motor desse vasto organismo, a pea motriz de suas funes vitais. Ora, h muito tempo o esprito de Jesus parece ter abandonado a Igreja. No mais a chama do Pentecostes que irra-dia nela e em torno dela; essa generosa labareda se extinguiu e nenhum Cristo h que a reacenda.

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    Grande e bela, entretanto, seno benfica, foi outrora a Igreja de Frana, asilo dos mais elevados espritos, das mais nobres inte-ligncias. Nos tempos brbaros, era ao mesmo tempo a cincia e a filosofia, a arte e a beleza, a orao e a f. Os grandes mosteiros, as abadias clebres tornaram-se os refgios do pensamento. Ali se conservaram os tesouros intelectuais, as relquias do gnio antigo. No sculo XIII ela inspirou uma bela parte do que o esprito huma-no produziu de mais brilhante. Subjugava todos aqueles indivduos rudes, aqueles brbaros mal polidos, e com um gesto os prosterna-va na atitude da orao.

    E agora j no vive, j no brilha seno do reflexo de sua pas-sada grandeza. Onde esto hoje, na Igreja, os pensadores e os artistas, os verdadeiros sacerdotes e os santos? Os pesquisadores de verdades divinas, os grandes msticos adoradores do belo, os so-nhadores do infinito cederam lugar aos polticos comba