LEON DENIS NA INTIMIDADE - Denis - Na Intimidade (Wallace Leal V...  Prefcio explicativo de Wallace

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    LEON DENIS

    NA INTIMIDADE

    INDICE

    Prefcio explicativo de Wallace Leal V. Rodrigues Prefcio de Sir Arthur Conan Doyle

    Introduo

  • 1 - O Homem, sua casa. II - Suas lembranas de infncia, sua piedade filial III - Seus dons IV - O Escritor, o Moralista V - Sua correspondncia VI -Seus visitantes VII- Suas distraes: a Leitura, as Viagens, a Msica

    Segunda parte

    VIII - Na Casa de Leon Denis IX - 1925: O Congresso de Paris X - 1926 - 1927: O Gnio Cltico. Os ltimos dias de vida do mestre.

  • Prefcio explicativo de Wallace Leal Rodrigues

    Viver cotidianamente atravs da traduo, as duzentas e poucas

    pginas deste pequeno grande livro, Leon Denis na intimidade, de Mile. Claire Baumard, urdido de lembranas, carinhosas recordaes, divagaes em torno da posio filosfica daquele a quem chamava o Mestre terminou para se tornar, para ns, um estado de esprito ao mesmo tempo benfico e ansioso.

    Houve o momento em que desejamos, com emoo ter na retentiva, a presena fsica de Baumard e isto nos satisfizeram a gentileza de Hubert Forestier, j desencarnado, antigo diretor da Revue Spirite e amigo pessoal da escritora. Em preciosa foto, - um tpico instantneo familiar em tarde dominical, - v-se ante uma parede de pedras e o gradil de sua residncia, em Saint-Cyr-sur-Loire, Mile. Baumard, de p, ao lado de sua irm gmea, Mile. Gabrielle, esta assentada, ambas frgeis como pequeninos pssaros, sorridentes, com seus silvos, como nuvens alvas aureolando-lhes a cabea, e fugitivos olhares nos quais se adivinha uma suave ironia.

    Mile. Gabrielle antecedeu-a, partindo para o Mundo Maior a 26 de outubro de 1958. Com 89 anos de idade, Madame Claire Baumard segui-la-ia trs anos mais tarde, a 15 de janeiro de 1961, e os espritas de toda a Frana prestaram-lhe carinhosas homenagens.

    Embora sejam parcos os dados biogrficos a seu respeito, presume-se que tenha nascido em 1872.

  • Claire Baumard assistiu aos dias hericos do Espiritismo e se manteve fiel ao ideal que Leon Denis lhe transmitira at o fim. Poucos meses antes de sua desencarnao; era ainda assdua participante das realizaes do Chainon Tourangesu, a principal entidade esprita de Tours.

    As conferncias realizadas em uma das belas salas da Prefeitura, - escreve Hubert Forestier, - Interessavam-na vivamente, e era rarssimo estar ausente, apesar de sua avanada idade. Sua presena, na primeira fila do auditrio, era um reconforto para todos, um patrocnio de particular valor, aureolado pela lembrana do Canto da Sobrevivncia.

    Madame Baumard no era uma jovenzinha quando, em 1918, entrou a servio de Leon Denis, pois tinha 45 anos. Entretanto, conhecera-o vinte anos antes e j com convico esprita, conforme narra em suas pginas. Revela ainda que, no decorrer dos anos em que foi a dedicada secretria do escritor, j cego, redigiu um dirio, ao qual, entretanto, no recorreu para a feitura de sua obra. Preferiu a revelao de grande e reverenciado vulto do Espiritismo, pelo

  • depoimento escrito de seus contemporneos e snteses de sua obra, ao desmonte dessa soberba personalidade, pela sucesso real do cotidiano. Por esse motivo, seu livro , antes, a impresso intelectual e espiritual desse a quem chama incessantemente de Mestre.

    Todavia a gama existencial que nos transmite, no o fruto de uma imaginao exacerbada ante um lder carismtico como o foi Leon Denis. Ela vai alm de acontecimentos visceralmente representativos e importantes, deixando-nos, a ns pesquisadores, incomodados pela existncia desse dirio e do qual a autora no quis valer-se. E perguntamos: na mo de quem estar agora, acol, nessa longnqua Tours? E nem sabemos se dele se valeu o prprio bigrafo de Leon Denis, Gaston Luce, tambm, j falecido.

    Dissemos incomodados tendo em vista que o venervel mentor Espiritual, Emmanuel, nos esclarece que a tarefa do trabalhador intelectual esprita deve, tambm, ser de desvencilhamento e perquirio da verdade, tanto em plano doutrinrio quanto em plano histrico, de modo a que, seguindo o prprio Allan Kardec, os processos e conquistas da sociedade humana, em progressiva ascenso, sejam incorporados ao acervo do Espiritismo.

    Com esse propsito, valendo-nos da crtica comparativa e intuitiva, at certo ponto na conceituao de Brgson, tentamos, aqui, singela e respeitosamente, desdobrar a compreenso de Leon Denis, essa luminar figura das letras espritas e que voa em direo aos sculos como o primeiro credenciado ao ttulo de Apstolo do Espiritismo.

    A compreenso de Kardec e Denis Dezembro de 1861.

    Inverno em Paris. Noite. No interior tranqilo de sua casa, Rua

    dos Mrtires, n. 8, Allan Kardec, atravs da mediunidade do sr, entretm-se a falar com seu orientador espiritual.

    A luz do bico de gs, o rosto do antigo aluno de Pestalozzi revela inconfundveis sinais de fadiga. Lanara O Livro dos

  • Mdiuns, obra que convertera o Espiritismo nascente em urna cincia experimental e pelo qual denunciara os charlates, os espritos malvolos e os mdiuns interesseiros. Enfrentara, sereno, o vomitrio de antemas e injrias que, sobre ele tanto quanto sobre a Revelao dos Espritos, tinha lanado, ininterruptamente, a Biblioteca Catlica. Por fim o Auto de F de Barcelona reacendera a fogueira da ignorncia e do fanatismo em sua biografia de imortal.

    E, com certeza, essa fadiga, mais um certo desejo antecipado por um momentneo osis de paz, que o levam a tratar sobre o seu sucessor.

    - Quem me suceder quando eu partir? O que vir a ser do Espiritismo, uma vez que no se v aparecer, de modo Notrio, ningum para tomar as suas rdeas? Podereis dizer-me se a escolha de meu sucessor est feita?

    - Est sem o estar, dado que o homem, dispondo de livre arbtrio pode, no ltimo momento, recuar diante da tarefa que. Ele prprio elegeu.

    Mas, ainda assim, o dilogo especifica estas circunstncias atinentes a esse substituto eventual:

    1. Ele se revelar quando chegai o momento. 2. No poder se afastar do caminho traado por Kardec. 3. Sua tarefa ser penosa, pois ter que sustentar lutas rudes. 4. Kardec foi encarregado da concepo, ele ser da execuo. 5. Por isso dever ser homem de energia e de ao. 6. Kardec no possui as qualidades que sero exigidas de seu

    sucessor. 7. Ter que ter a fora do capito que maneja um navio segundo

    as regras da... Cincia. 8. Estar exonerado do trabalho de criao da obra para ter

    liberdade para aplicar todas as suas faculdades ao desenvolvimento e consolidao do edifcio.

    9. Ser indispensvel que d provas de si, de capacidade, de devotamento, de desinteresse e de abnegao.

    10. No poder se deixar levar pela ambio nem pelo desejo de se fazer o maior.

  • Ora, ao exame da ascenso do Espiritismo a partir de 1868, data

    da desencarnao de Kardec, quem configura essas qualidades e predisposies? Que silhueta, entre os denodados lutadores espritas que se mantiveram na arena da irredutvel pugna, responde a essas expectativas?

    A testa da Societ Anonyme du Spiritisme e da Revue Spirite, imediatamente a Kardec seguiu se Desliens, porm apenas por dois anos, at 1871. Paul Gatan Leymarie sucedeu-o, permanecendo nesse posto por 30 anos, at seu desencarne em 1901. Foi um trabalhador constante e de ao enrgica, embora tolerante.

    Mas, a sustentao da causa esprita no se limitou ao circulo da Societ ou da Revue, conforme no difcil depreender. Espraiou-se, foi de encontro estrutura universal da sociedade humana e, aqui, eis que defrontamos, face a face, o pargrafo da execuo, indiscutivelmente atribudo aos contingentes da intelectualidade esprita.

    Chegados aos intelectuais espritas, eis a nova interrogao: quem, dentre eles, se define, a distancia do tempo, ao peso e medida do declogo espiritual?

    Delanne? Flammarion? Denis? Eliminaramos, em primeiro lugar, Flammarion. Sua

    Autobiografia revela-nos o reticente, antes o poeta da Astronomia do que o lder esprita. Esta no a.. . Tarefa que ele mesmo escolheu. Em verdade, a obra de Flammarion at 1897 um foco de luzes frouxas, em que se mencionam as forces Inconues, as facults de I'me encore inexpliqus. Flammarion clebre demais, aplaudido demais, cortejado demais. impossvel estabelecesse uma comparao entre Flammarion e Crookes, pois diametralmente diverso ser um cientista clebre na Inglaterra e na Frana. Alm disso a prpria Astronomia faz de Flammarion um contemplativo. Ele seria incapaz do enftico e ultrabritnico arremesso de Crookes.

    Ainda em Foras naturais desconhecidas, obra de 1907, Flammarion no hesita em afirmar que os fenmenos podem ser produzidos pelos espritos... Mas, entendamos bem, esses espritos

  • no so, necessariamente, almas dos mortos... pois podem existir... Demnios, anjos, gnomos, fadas, larvas, elementares, duendes, trasgos, etc... Embora o levantamento crtico da obra de Flammarion seja ainda um convite ao exame demorado, parece-nos que apenas A Morte e seu Mistrio e As Casas Assombradas, suas derradeiras obras, escritas entre 1920 e 1923, sejam, efetivamente satisfatrias do ponto de vista do programa kardecista.

    Em torno de Flammarion, o leitor encontrar, neste livro de Madame Baumard o curioso episdio do captulo IX que, entretanto, ela no esclarece de todo. Leon Denis, sentindo-se extenuado, enfermo, dificultado pela quase ausncia da viso, procura contornar o convite que lhe chega de Meyer, para presidir ao Congresso Internacional Esprita de Paris, em 1925.

    O Mestre levou a questo considerao de seus guias em uma reunio intima e estes o encorajaram a participar do Congresso; entretanto, ele objetou mais uma vez, recordando o fardo de suas enfermidades . Flammarion o substituiria com vantagem.Leon Denis apenas pronunciara estas palavras quando foi interrompido pelo mdium que, em tom firme e