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MINISTRIO DA SADE

Dor relacionada ao trabalhoLeses por esforos repetitivos (LER) Distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort)

10BrasliaDF 2012

PROTOCOLOS DE COMPLEXIDADE DIFERENCIADA

SADE DO TRABALHADOR

MINISTRIO DA SADE Secretaria de Vigilncia em Sade Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador

Dor relacionada ao trabalhoLeses por esforos repetitivos (LER) Distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort)

Sade do Trabalhador Protocolos de Complexidade Diferenciada

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Srie A. Normas e Manuais Tcnicos

BrasliaDF 2012

2012 Ministrio da Sade. Todos os direitos reservados. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que no seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra da rea tcnica. A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: http://www.saude.gov.br/bvs O contedo desta e de outras obras da Editora do Ministrio da Sade pode ser acessado na pgina: http://www.saude.gov.br/editora Tiragem: 1. edio 2012 10.000 exemplares Elaborao, distribuio e informaes: MINISTRIO DA SADE Secretaria de Vigilncia em Sade Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador Coordenao-Geral de Sade do Trabalhador SCS Quadra 04, bloco A, 5 andar, Edifcio Principal CEP: 70304-000, Braslia DF Tels.: (61) 3213-8389 Fax: (61) 3213-8484EDITORA MS Documentao e Informao SIA, trecho 4, lotes 540/610 CEP: 71200-040, Braslia DF Tels.: (61) 3233-1774/2020 Fax: (61) 3233-9558 Homepage: http://www.saude.gov.br/editora E-mail: editora.ms@saude.gov.br

Organizao da Srie Sade do Trabalhador: Carlos Augusto Vaz de Souza Elizabeth Costa Dias Marco Antnio Gomes Prez Maria da Graa Luderitz Hoefel Terezinha Reis de Souza Maciel Texto: Maria Maeno Vera Salerno Daniela Augusta Gonalves Rossi Ricardo Fuller Colaborao: Alexandre Beltrami Carlos Homsi Cesar Augusto Patta Mrian Pedrollo Silvestre Paulo Roberto Kaufmann Roberto Carlos Ruiz Fluxogramas: Cludio Giuliano da Costa

Equipe Editorial: Normalizao: Vanessa Kelly Reviso: Khamila Silva e Mara Pamplona Capa, projeto grfico e diagramao: Fabiano Bastos

Impresso no Brasil / Printed in Brazil Ficha Catalogrfica Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Vigilncia em Sade. Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador. Dor relacionada ao trabalho : leses por esforos repetitivos (LER) : distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort) / Ministrio da Sade, Secretaria de Vigilncia em Sade, Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador. Braslia : Editora do Ministrio da Sade, 2012. 68 p. : il. (Srie A. Normas e Manuais Tcnicos) (Sade do Trabalhador ; 10. Protocolos de Complexidade Diferenciada) ISBN 978-85-334-1728-1 1. Transtornos traumticos cumulativos. 2. Riscos ocupacionais. 3. Sade ocupacional. I. Ttulo. II. Srie. CDU 613.9-057Catalogao na fonte Coordenao-Geral de Documentao e Informao Editora MS OS 2012/0073 Ttulos para indexao: Em ingls: Work-related pain: Repetitive Strain Injuries (RSI) / Work-related Musculoskeletal Disorders (WRMD) Em espanhol: Dolor Relacionado ao Trabajo: Lesiones Ocasionadas por Esfuerzo Repetitivo/ Trastornos de Traumas Acumulados

SUMRIO

APRESENTAO, 5 1 INTRODUO, 7 2 ESCOPO, 10 2.1 Doena e condio, 10 2.2Tipo de protocolo, 11 2.3Pblico-Alvo, 11 2.4 Objetivo, 11 2.5Benefcios, 11 3 EPIDEMIOLOGIA , 12 4METODOLOGIA,15 5RECOMENDAES,16 5.1 Diagnstico: como identificar um caso de LER/Dort, 24 5.1.1 Na Rede Assistencial da Ateno Bsica, 24 5.1.2Concluso diagnstica,43 5.1.3 Concluso e encaminhamento, 43 5.2 Rede Assistencial da Ateno Secundria, 46 5.2.1 O que considerar em um exame clnico reumatolgico?, 47 5.2.2 Diagnstico diferencial com artropatias, 48 5.2.3Exames complementares,49 5.2.4 Exames complementares baseados em imagem, 51 5.3 Diretrizes e sugestes, 54 5.4 Rede de Urgncia/Emergncia e Pronto-Atendimento, 55 5.5 Procedimentos teraputicos, 55 REFERNCIAS, 58 ANEXO , 67 Fluxograma, 67

APRESENTAOA sade, como direito universal e dever do Estado, uma conquista do cidado brasileiro, expressa na Constituio Federal e regulamentada pela Lei Orgnica da Sade. No mbito deste direito encontra-se a sade do trabalhador. Embora o Sistema nico de Sade (SUS), nos ltimos anos, tenha avanado muito em garantir o acesso do cidado s aes de ateno sade, somente a partir de 2003 as diretrizes polticas nacionais para a rea comearam a ser implementadas. Tais diretrizes so: Ateno Integral Sade dos Trabalhadores; Articulao Intra e Intersetoriais; Estruturao de Rede de Informaes em Sade do Trabalhador; Apoio ao Desenvolvimento de Estudos e Pesquisas; Desenvolvimento e Capacitao de Recursos Humanos; Participao da Comunidade na Gesto das Aes em Sade do Trabalhador. Entre as estratgias para a efetivao da Ateno Integral Sade do Trabalhador, destaca-se a implementao da Rede Nacional de Ateno Integral Sade do Trabalhador (BRASIL, 2005), cujo objetivo integrar a rede de servios do SUS voltados assistncia e vigilncia, alm da notificao de agravos sade relacionados ao trabalho em Rede de Servios Sentinela (BRASIL, 2004)1, 2.________1

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Os agravos sade relacionados ao trabalho de notificao compulsria que constam na Portaria n. 777/04 so: acidentes de trabalho fatais, com mutilaes, com exposio a materiais biolgicos, com crianas e adolescentes, alm dos casos de dermatoses ocupacionais, intoxicaes por substncias qumicas (incluindo agrotxicos, gases txicos e metais pesados), leses por esforos repetitivos (LER) e distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort), pneumoconioses, perda auditiva induzida por rudo (Pair) e cncer relacionado ao trabalho. Revogada pela Portaria n 2.472/GM/MS de 31 de agosto de 2010, publicada no Dirio Oficial da Unio (DOU) n 168, Seo 1, pgs 50 e 51, de 1 de setembro de 2010. Revogada pela Portaria GM/ MS n 104, de 25 de janeiro de 2011, no Dirio Oficial da Unio (DOU) n 18, Seo 1, pg. 37 de 26 de janeiro de 2011.

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Com o intuito de atender os trabalhadores com suspeita de agravos sade relacionados ao trabalho, incluindo os procedimentos compreendidos entre o primeiro atendimento e a notificao, esta srie de publicaes Complexidade Diferenciada oferece recomendaes e parmetros para seu diagnstico, seu tratamento e sua preveno. Trata-se, pois, de dotar o profissional do SUS de mais um instrumento para o cumprimento de seu dever enquanto agente do Estado, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e, por conseguinte, para a garantia de seu direito sade.

Ministrio da Sade Coordenao-Geral de Sade do Trabalhador

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1 INTRODUOA dor relacionada ao trabalho descrita desde a Antiguidade (DEMBE, 1996), mas o registro clssico sobre a descrio de vrios ofcios e danos sade a eles relacionados est contido na obra de Ramazzini (1985). So citadas as afeces dolorosas decorrentes dos movimentos contnuos da mo realizados pelos escribas e notrios, cuja funo era registrar manualmente os pensamentos e os desejos de prncipes e senhores, com ateno para no errar. Com a Revoluo Industrial, tais quadros clnicos configuraram-se claramente como decorrncia de um desequilbrio entre as exigncias das tarefas realizadas no trabalho e as capacidades funcionais individuais, tornando-se mais numerosos. A partir da segunda metade do sculo XX, adquiriram expresso em nmero e relevncia social, com a racionalizao e a inovao tcnica na indstria, atingindo, inicialmente, de forma particular, perfuradores de carto. Atualmente, as expresses de desgaste de estruturas do sistema musculoesqueltico atingem vrias categorias profissionais e tm vrias denominaes, entre as quais leses por esforos repetitivos (LER) e distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort), adotadas pelo Ministrio da Sade (MS) e pelo Ministrio da Previdncia Social (MPAS). A alta prevalncia de LER/Dort tem sido explicada por transformaes do trabalho e das empresas cuja organizao tem se caracterizado pelo estabelecimento de metas e produtividade, considerando suas necessidades, particularmente de qualidade dos produtos e servios e aumento da competitividade de mercado, sem levar em conta os trabalhadores e seus limites fsicos e psicossociais. Exige-se a adequao dos trabalhadores s caractersticas organizacionais das empresas, pautadas por intensificao do trabalho, aumento real das jornadas e prescrio rgida de procedimentos, impossibilitando manifestaes de criatividade e flexibilidade. s exigncias psicossociais no compatveis com caractersticas humanas, nas reas operacionais e executivas, adiciona-se o aspecto fsico-motor, com alta demanda de movimentos repetitivos,

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ausncia e impossibilidade de pausas espontneas, necessidade de permanncia em determinadas posies por tempo prolongado, ateno para se evitar erros e submisso ao monitoramento de cada etapa dos procedimentos, alm de mobilirio, equipamentos e instrumentos que no propiciam conforto. Entre os vrios pases que viveram epidemias de LER/Dort esto a Inglaterra, os pases escandinavos, o Japo, os Estados Unidos, a Austrlia e o Brasil. A evoluo das epidemias nesses pases foi variada e alguns deles continuam ainda com problemas significativos, entre os quais o Brasil. A ocorrncia de LER/Dort em grande nmero de pessoas, em diferentes pases e em atividades consideradas leves, provocou uma mudana no conceito tradicional de que o trabalho pesado, envolvendo esforo fsico, mais desgastante do que o trabalho leve. As polmicas em diversos pases e as lutas pelo reconhecimento de danos como agravos relacionados ao trabalho propiciaram a abertura de trincheiras para a afirmao de um conceito mais amplo do adoecimento no mundo do trabalho. Diferentemente do que ocorre com doenas no ocupacionais, as doenas rel