Lesão Celular Reversível

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    LESO CELULAR

    Quando os limites da resposta de adaptao celular a um estmulo so excedidos,ou em determinadas circunstncias em que a clula exposta a um agente lesivo ouestresse, ocorre uma seqncia de eventos chamada de leso celular. A leso celular ,

    at certo ponto, reversvel, ou seja, passvel de restituio da morfostase e da homeostaseaps eliminada a causa da agresso. Mas, se houver persistncia do estmulo, ou se esteestmulo for severo o suficiente desde o incio, a clula atinge um ponto em que no hretorno, sofrendo leso celular irreversvel e, finalmente, morte celular.

    As clulas sofrem alteraes bioqumicas e morfolgicas seqenciais conforme aleso progride. Todas as influncias estressantes ou nocivas exercem seus efeitos em nvelmolecular ou bioqumico, mas nem toda agresso resulta em alterao morfolgica estas ocorre quando os transtornos moleculares e metablicos forem suficientementeimportantes para modificar a estrutura de clulas e tecidos.Existe um perodo de tempo entre o incio do estresse e o desenvolvimento das alteraesmorfolgicas da leso celular ou morte. Assim, o tempo necessrio para produzir alteraesmorfolgicas de leso e morte celular varia com a sensibilidade dos mtodos usados para

    detectar estas alteraes.Tcnicas histoqumicas ou ultra-estruturais: minutos a horas.Microscopia tica ou macroscopia: horas a dias.

    As manifestaes morfolgicas da necrose levam mais tempo para se desenvolver doque as do dano reversvel. Por exemplo, a degenerao hidrpica uma alteraomorfolgica que pode ocorrer em questo de minutos; no entanto, alteraes de mortecelular no miocrdio, ao microscpio tico, no ocorrem at 4 a 12 horas aps a isquemiatotal, embora a leso irreversvel ocorra em 20 a 60 minutos.

    KUMAR, ABBASe FAUSTO, 2005

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    Abaixo, uma representao esquemtica das alteraes morfolgicas de uma clulanormal e das alteraes reversveis e irreversveis da leso celular.

    KUMAR, ABBAS e FAUSTO, 2005

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    LESO CELULAR REVERSVEL

    a leso celular passvel de restituio da morfostase e da homeostase, apseliminada a causa. Pereira (2004) utiliza o termo degenerao como sinnimo de lesoreversvel. Segundo ele, o termo degenerao indica leses reversveis decorrentes dealteraes bioqumicas que resultam no acmulo de substncias no interior da clula. As

    degeneraes so agrupadas de acordo com a natureza da substncia acumulada:Acmulo de gua e eletrlitos: degenerao hidrpica.Acmulo de protenas: degenerao hialina e mucide.Acmulo de lipdeos: esteatose e lipidoses.Acmulo de carboidratos: glicogenoses e mucopolissacaridoses.

    DEGENERAO HIDRPICA

    DEFINIO:Leso celular reversvel caracterizada pelo acmulo de gua e eletrlitos nointerior da clula.

    Primeira manifestao de quase todas as formas de leso celular.Vista com mais freqncia nas clulas parenquimatosas (principalmente rim, fgado ecorao)

    ETIOLOGIA: Vrias (anxia, hipxia, agentes txicos, toxinas bacterianas, vrus,hipertermia exgena ou endgena (febre)

    PATOGENIA: reteno de sdio e potssio, aumento da presso osmtica intracelular entrada de gua no citoplasma expanso da clula.

    Reduo da produo de ATP

    Reduo da atividade da bomba de Na+

    /K

    +

    Reduo da atividade da membrana celular

    ALTERAES MORFOLGICAS

    MACROSCOPIA: Aspecto varia de acordo com a intensidade da leso.

    - Aumento de peso- Aumento de volume- Salincias na superfcie de corte (fgado)- Colorao plida (clulas volume comprimem os capilares diminuem

    quantidade de sangue no rgo)

    MICROSCOPIA TICA

    - Clulas tumefeitas

    - Citoplasma com aspecto granuloso

    - Vacolos de gua distribudos de forma regular no citoplasma

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    Para observar os aspectos microscpicos de degenerao hidrpica, acesse:http://anatpat.unicamp.br/lamdegn2.html

    EVOLUO E CONSEQUNCIAS reversvel. Geralmente no traz conseqncias funcionais srias. Indicador de leso leve tem importncia como possvel antecedente de leso celular

    mais grave.

    ESTEATOSE

    DEFINIO: Deposio de gorduras neutras (mono, di ou triglicerdeos) no citoplasma declulas que normalmente no as armazenam.

    A esteatose geralmente vista no fgado, pois ele o principal rgo envolvido no

    metabolismo das gorduras, mas tambm ocorre no corao, msculos e rins.ETIOLOGIA:

    As causas da esteatose incluem toxinas, desnutrio protica, diabetesmelitus,obesidade e anxia. Nas naes industrializadas, a causa mais comum deesteatose heptica o etilismo crnico.

    PATOGENIA:Vrios mecanismos contribuem para o acmulo de triglicerdeos no fgado. Os

    cidos graxos livres do tecido adiposo ou provenientes da alimentao so normalmentetransportados para os hepatcitos. No fgado, eles so esterificados em triglicerdeos,convertidos em colesterol ou fosfolipdeos, ou oxidados em corpos cetnicos. A liberao

    dos triglicerdeos dos hepatcitos requer sua associao com apoprotenas para formarlipoprotenas que podem, ento, percorrer a circulao. O acmulo excessivo detriglicerdeos no fgado pode resultar de defeitos em qualquer um dos eventos da seqnciaentre a entrada dos cidos graxos e a sada das lipopeotenas.

    http://anatpat.unicamp.br/lamdegn2.htmlhttp://anatpat.unicamp.br/lamdegn2.htmlhttp://anatpat.unicamp.br/lamdegn2.html
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    Assim, a esteatose ocorrer toda vez que um agente interferir no metabolismo doscidosgraxos da clula:

    aumentando sua sntese ou dificultando sua utilizao, transporte ou excreo.

    Assim, pode-se citar:

    1. Entrada excessiva de cidos graxos livres

    - Fome, jejum e doenas consumptivas mobilizao de lipdeos dosdepsitos ofertados ao fgado transformados em triglicerdeos.

    - ingesto de alimentos (dietas hipercalricas) entrada excessiva de cidosgraxos livres.

    2. Diminuio na oxidao de cidos graxos- Dficit de O2(anxia) oxidao dos cidos graxos livres melhor

    esterificao para triglicerdeos acmulo.- lcool oxidado melhor que os cidos graxos oxidao de cidos graxos

    esterificao de triglicerdeos acmulo

    3. Aumento dos triglicerdeos plasmticos- lcool: promove elevao de triglicerdeos plasmticos maior chegada de

    gordura no fgado.- Diabetes descompensado (insulina inibe liberao de gordura do tecido

    adiposo): elevao cidos graxos livres sntese de triglicerdeos.

    4. Obstculo na liberao de lipoprotenas do hepatcito- lcool: impede unio dos triglicerdeos s protenas no forma lipoprotenas

    acmulo intracelular de TG.- Falta de aminocidos essenciais para a formao de fosfolipdeos formao

    de molculas lipoproticas instveis.- Drogas: lcool, bismuto, arsnico, tetraciclina interferem na sntese protica

    produo lipoprotenas.

    COTRAN et al.,2000

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    ALTERAES MORFOLGICASA esteatose vista com mais freqncia no corao e no fgado. O aspecto

    morfolgico depender do grau de esteatose.

    MACROSCOPIANo fgado, a esteatose leve pode no alterar muito sua aparncia macroscpica. Com oacmulo progressivo, o rgo aumenta de tamanho e se torna cada vez mais amarelo.Em casos extremos, pode chegar a pesar de 3 a 6 kg (um fgado normal adulto pesaentre 1400g e 1600g), tranformando-se em um rgo amarelo, mole e gorduroso.No corao, os lipdeos se encontram no msculo cardaco sob a forma de gotculas,que apresentam dois padres. No primeiro, a hipxia moderada prolongada (como aproduzida pela anemia profunda) causa deposio intracelular de gordura que formafitas bem visveis de miocrdio amarelo alternando com fitas de miocrdio nocomprometido, mais escuro, marrom avermelhado (chamado corao tigrado). O outropadro de hipxia produzido pela hipxia mais profunda ou por algumas formas demiocardite (como na difteria) e apresenta micitos afetados de maneira uniforme.

    MICROSCOPIAEm todos os rgos, a esteatose aparece como vacolos claros nas clulasparenquimatosas. Inicialmente, pequenos vacolos so vistos no citoplasma em tornodo ncleo (esteatose microgoticular). Com a progresso, os vacolos coalescem,criando espaos claros que deslocam o ncleo para a periferia da clula.Ocasionalmente, clulas contguas se rompem e seus glbulos de gordura coalescem,formando os chamados cistos gordurosos.

    Para observar os aspectos microscpicos da esteatose, acesse o sitehttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.html

    Escolha o linkAdaptation & accumulations,e observe a lmina de doena hepticaem funo de etilismo crnico (Liver - alcoholic liver disease).

    Neste site, possvel comparar o tecido alterado com o tecido normal (normal histology).No deixe de observar tambm os aspectos macroscpicos da cirrose (gross).

    Apenas a ttulo de informao: no processamento de rotina (e utilizando-se de HE), o lcool eo xilol dissolvem os lpides tornando o lipossomo um vacolo vazio (espao claro = imagemnegativa do lipdio). Como o acmulo intracelular de gua e polissacardeos tambm produzvacolos claros, pode ser necessrio recorrer a tcnicas especiais para distinguir esses trstipos de vacolos. Para confirmao do lipdio intracelular necessrio preparar seescongeladas de tecidos frescos ou fixados em formalina, evitando o uso de solventes degordura comumente usados para incluso de parafina para HE. H corantes lipossolveisusados para corar lipdeos, como:

    - Sudam III - laranja avermelhado;- Sudam IV - Vermelho escarlate;- cido smico - negro;- Sulfato azul do Nilo - Violeta azulado (predomnio de cidos graxos) ou violeta

    avermelhado (predomnio de gordura neutra).Para identificar o glicognio (polissacardeo), utiliza-se frequentemente a reao do cidoperidico de Schiff (PAS). Quando no se consegue demonstrar nem a presena de gorduranem de polissacardeos, presume-se que a clula contenha gua ou lquido com baixocontedo protico.

    IMPORTNCIA CLNICA

    Depende da causa e intensidade do estmulo. A menos que algum processo intracelularvital seja afetado de maneira irreversvel, a esteatoseper se reversvel.

    http://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.htmlhttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.htmlhttp://www.path.uiowa.edu/cgi-bin-pub/vs/fpx_browse.cgi?cat=d_adapt&quiz=d_adapt&quiz_jpg=d_adapt&dis=1&div=iowahttp://www.path.uiowa.edu/cgi-bin-pub/vs/fpx_browse.cgi?cat=d_adapt&quiz=d_adapt&quiz_jpg=d_adapt&dis=1&div=iowahttp://www.path.uiowa.edu/cgi-bin-pub/vs/fpx_browse.cgi?cat=d_adapt&quiz=d_adapt&quiz_jpg=d_adapt&dis=1&div=iowahttp://www.path.uiowa.edu/cgi-bin-pub/vs/fpx_browse.cgi?cat=d_adapt&quiz=d_adapt&quiz_jpg=d_adapt&dis=1&div=iowahttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.html
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    Quando leve, pode no ter efeito sobre a funo celular. Quando de mdia intensidade, pode comprometer a funo celular. Nas agresses mais graves, a esteatose pode evoluir para a morte celular. Etilismo crnico esteatose muitas vezes acompanhada de fibrose pericelular

    cirrose.

    ATEROSCLEROSE

    Para tratar de aterosclerose, necessrio resgatar alguns conhecimentos dehistologia das artrias. Para suportar o fluxo pulstil e a presso sangunea mais elevadanas artrias, suas paredes so geralmente mais espessas que as das veias.

    As artrias apresentam trs camadas concntricas: tnicas ntima, mdia eadventcia. A tnica ntima consiste em uma nica camada de clulas endoteliais associada membrana basal; encontra-se separada da tnica mdia por uma membrana elsticadensa chamada lmina elstica interna (IEL). A tnica mdia (M) composta por clulasmusculares lisas. As camadas de clulas musculares lisas da mdia prximas ao lmen

    recebem oxignio e nutrientes por difuso direta a partir do lmen do vaso, facilitada pororifcios na membrana elstica interna. Contudo, em vasos de mdio e grande calibre, adifuso a partir do lmen no adequada para as pores mais externas da mdia e,portanto, estas reas so supridas por pequenas arterolas provenientes de fora do vaso(chamadas vasa vasorum), atravessando-os na metade ou nos dois teros mais externosda mdia. O limite externo da mdia, na maioria das artrias, uma lmina elstica externa(EEL) bem definida. Ao redor da mdia encontra-se a tnica adventcia (A), uma camada detecido conjuntivo contendo fibras nervosas e vasa vasorum.

    KUMAR, ABBAS e FAUSTO, 2005

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    As clulas endoteliais e as clulas musculares lisas exercem um papel importantena biologia e na patologia celular. As clulas endoteliais, chamadas coletivamente deendotlio, formam o revestimento contnuo, com a espessura de uma nica clula, de todoo sistema cardiovascular. Sua integridade estrutural e funcional fundamental para amanuteno da homeostase das paredes dos vasos e para a funo circulatria normal. Oendotlio um tecido verstil e multifuncional, que possui diversas propriedades. De modoanlogo a uma membrana semipermevel, o endotlio controla a transferncia demolculas pequenas e grandes atravs da parede vascular. Na maior parte dos locais, as

    junes intercelulares so em geral impermeveis a grandes molculas (como as protenasplasmticas); no entanto, as junes entre as clulas endoteliais so consideravelmenteinstveis, podendo se afastar sob a influncia de fatores hemodinmicos (como, porexemplo, a presso arterial elevada) e agentes vasoativos (como a histamina). Alm disso,a perda do endotlio (desnudao) estimula trombose e proliferao das clulasmusculares lisas.

    As clulas musculares lisas so responsveis pela vasoconstrio e vasodilataoem resposta a estmulos normais e farmacolgicos. Tambm sintetizam colgeno, elastinae proteoglicanos, e produzem fatores de crescimento e citocinas. Aps a ocorrncia deleso vascular, as clulas musculares lisas migram para a ntima e proliferam, sendoelementos importantes para o reparo vascular normal, e tendo tambm seu peso nosprocessos patolgicos, como a aterosclerose.

    Aps esta introduo, podemos falar sobre a aterosclerose.

    A aterosclerose(athros= palavra grega que significa mingau) uma doena focalda ntima das artrias de mdio e grande calibre, caracterizada por leses na tnica ntimadenominadas ateromasou placas ateromatosasou placas fibrogordurosas, que invadem eobstruem o lmen vascular e enfraquecem a tnica mdia subjacente.

    Os depsitos lipdicos na ntima arterial comeam a aparecer na criana a partir deum ano de vida. A evoluo das leses ocorre no decorrer de muitas dcadas e, durante amaior parte desse tempo, as leses permanecem clinicamente silenciosas, de modo que oaparecimento de sintomas assinala a presena de doena avanada ou o desenvolvimentode trombose. A aterosclerose atinge praticamente todos os indivduos adultos e idosos

    propores epidmicas nas sociedades economicamente desenvolvidas e taxas demortalidade e morbidade, no mundo ocidental, que ultrapassam as de qualquer outradoena.

    PATOGENIAAcredita-se que a aterognese envolva vrios estgios, explicados de forma diversa

    por diferentes autores. Os dados aqui reproduzidos consideram especialmente KUMAR,ABBAS e FAUSTO (2005) e RANG et al.(2004).

    Os autores consideram, na sua maioria, que a aterosclerose seja uma respostainflamatria crnica da parede arterial iniciada por algum tipo de leso ao endotlio. Aprogresso da leso mantida pela interao entre lipoprotenas modificadas, macrfagos,linfcitos T e constituintes celulares normais da parede arterial. Os seguintes aspectos so

    relevantes nessa hiptese:

    1) Leso endotelial crnica, geralmente sutil, com conseqente disfuno endotelialque resulta em elevada permeabilidade, adeso leucocitria e potencial trombtico.

    A leso endotelial crnica ou repetida o ponto principal dessa hiptese. A causaespecfica da disfuno epitelial ainda no conhecida. Os dois principaisdeterminantes das alteraes endoteliais so as alteraes hemodinmicas e osefeitos adversos da hipercolesterolemia. Outros possveis candidatos incluem otabagismo, a homocistena, e possivelmente vrus e outros agentes infecciosos.

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    2) Acmulo de lipoprotenas nas paredes vasculares, principalmente o LDL, emodificao dessas lipoprotenas por oxidao. Na hipercolesterolemia crnica, aslipoprotenas se acumulam no interior da tnica ntima em locais de elevadapermeabilidade endotelial.

    3) A leso do endotlio disfuncional estimula a fixao de moncitos. Aps a adeso,esses moncitos, provavelmente estimulados por citocinas, migram entre as clulasendoteliais para se alojar sob a tnica ntima, transformando-se em macrfagos quepassam a englobar lipoprotenas, principalmente o LDL oxidado (formao declulas espumosas, que so macrfagos repletos de lipoprotenas). O fato de oendotlio estar alterado (disfuncional) tambm propicia a adeso de plaquetas(potencial trombtico).

    4) Os macrfagos produzem substncias que mantm a adeso e recrutamento demoncitos (e outros leuccitos, como os linfcitos) para a placa, alm de produzir

    fatores de crescimento que podem contribuir para a proliferao e migrao dasclulas musculares lisas da tnica mdia para a tnica ntima. O fato que asclulas musculares lisas migram da mdia para a ntima, onde proliferam edepositam componentes da matriz extracelular. Isso contribui para o crescimentoprogressivo e modificao das leses aterosclerticas.

    COTRAN et al, 2000COTRAN et al, 2000

    COTRAN et al.,2000

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    5) Mantm-se o acmulo de lipdeos, tanto no interior das clulas (macrfagos eclulas musculares lisas) quanto no espao extracelular. As clulas musculares

    lisas, portanto, tambm podem absorver lipdeos modificados, contribuindo para aformao de clulas espumosas.

    COTRAN et al, 2000

    COTRAN et al.,2000

    KUMAR, ABBAS e FAUSTO, 2005

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    HISTRIA NATURAL E PRINCIPAIS CONSEQUNCIAS

    A classificao da American Heart Associationdivide as leses aterosclerticas emseis tipos, iniciadas com clulas espumosas isoladas (pontos gordurosos), passando porestgios de estrias gordurosas, ateromas e fibroateromas, at leses avanadas.

    As estrias gordurosasconstituem a leso inicial da aterosclerose, sendo compostaspor clulas espumosas repletas de lipdeos. No so notavelmente elevadas e, porconseguinte, no provocam alteraes no fluxo sanguneo. As estrias gordurosas surgemna aorta de algumas crianas com menos de um ano de idade, e em todas as crianas commais de 10 anos de idade, independente de da geografia, raa, sexo ou ambiente. J nascoronrias as estrias comeam a se formar na adolescncia.

    Ainda que as estrias gordurosas possam ser os precursores das placasfibrogordurosas (ou ateromas, ou placas aterosclerticas), nem todas as estrias gordurosasesto destinadas a se tornar placas fibrosas ou leses mais avanadas.

    As placas aterosclerticas surgem primariamente nas artrias elsticas (p.ex. aorta,cartidas e ilacas) e nas artrias musculares de grande e mdio calibres (p. ex., artriascoronrias e poplteas).

    A doena aterosclertica sintomtica acomete mais freqentemente as artrias queirrigam o corao, o crebro, os rins e as extremidades inferiores. Infarto do miocrdio,infarto cerebral, aneurismas da aorta e doena vascular perifrica (gangrena das pernas)so as principais conseqncias da aterosclerose.

    A leso avanada da aterosclerose representa risco de desenvolver as seguintesalteraes patolgicas de importncia clnica:

    - Ruptura focal, ulcerao ou eroso da superfcie luminal, induzindo a formao detrombos ou a liberao de fragmentos na corrente sangunea;

    - Hemorragia, principalmente nas artrias coronrias, que pode ser provocada pelaruptura da cpsula fibrosa ou dos capilares de paredes finas que vascularizam a placaum hematoma contido pode expandir a placa ou provocar sua ruptura;

    - Trombose superposta a placas rompidas, ulceradas, erodidas ou com hemorragia,podendo haver obstruo parcial ou total do lmen do vaso.

    - Dilatao aneurismtica em funo da atrofia induzida pela aterosclerose tnica

    mdia, resultando em enfraquecimento da parede e ruptura potencial.

    COTRAN et al.,2000

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    FATORES DE RISCO PARA ATEROSCLEROSE

    Estudos epidemiolgicos identificaram numerosos fatores de risco associados doena ateromatosa. Os estudos clssicos so o Estudo Framingham (Massachusetts) e oEnsaio de Interveno de Fatores de Risco (Multiple Risk Factor Intervention Trial).

    PRINCIPAIS MENORES, INCERTOS OU N OQUANTIFICADOS

    N O MODIFIC VEIS Obesidade

    Idade avanada Inatividade fsica

    Sexo masculino Estresse

    Histria familiar Homocistena

    Anormalidades genticas Deficincia de estrognio no perodo ps-menopusico

    POTENCIALMENTE CONTROL VEISIngesto elevada de carboidratos

    Hiperlipidemia lcool

    Hipertenso Lipoprotena

    Tabagismo Ingesto de gordura trans

    Diabetes Chlamydia pneumoniae

    Idade:- Influncia dominante.

    - Doena lentamente progressiva, comea na infncia, evolui lentamente por vriasdcadas. Clinicamente evidente na meia-idade ou mais tarde, quando as lesesarteriais precipitam leso orgnica.

    Sexo:- Homens mais propensos aterosclerose e suas conseqncias entre 35 e 55 anos.- Aumento em mulheres aps a menopausa (reduo do nvel de estrognios).- 7a. e 8a. dcadas de vida: freqncia de infarto do miocrdio igual.

    Gentica:- Predisposio familiar aterosclerose e cardiopatia isqumica mais provavelmente

    polignica, mais comumente relacionada com um agrupamento familiar de outros

    fatores de risco, como hipertenso ou diabetes. Com menor freqncia, distrbiosgenticos hereditrios no metabolismo das lipoprotenas resultam em nveisexcessivamente elevados de lipdos no sangue (hipercolesterolemia familiar).

    - Outros fatores de risco, como diabetes ou hipertenso podem estar associados.

    Hiperlipidemia:- Principal fator de risco para a aterosclerose (especificamente a hipercolesterolemia).- O principal componente do colesterol plasmtico total associado ao risco elevado de

    aterosclerose o colesterol da lipoprotena de baixa densidade (LDL), que possui papelfisiolgico essencial como veculo de distribuio do colesterol para os tecidos

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    perifricos. Acredita-se que a lipoprotena de alta densidade (HDL) mobilize o colesterolde ateromas em desenvolvimento e j formados, transformando-o at o fgado a fim deser excretado na bile; esta forma, quanto > nvel de HDL, menor o risco. exerccio fsico e consumo moderado de etanol aumentam os nveis de HDL obesidade e tabagismo diminuem os nveis de HDL

    Hipertenso:- Importante fator de risco, especialmente aps os 45 anos.- Homens entre 45 e 62 anos com presso acima de 169/95 mmHg risco 5X > que

    aqueles com 140/90 mmHg.- Anti-hipertensivos: incidncia de AVC e cardiopatia isqumica.

    Tabagismo:- Fator de risco bem estabelecido em homens, provvel responsvel pelo aumento

    recente na incidncia e gravidade da aterosclerose em mulheres.- Consumo de 20 cigarros (ou mais) por dia durante vrios anos aumenta em 200% a

    taxa de bito por cardiopatia isqumica.- Radicais livres na circulao lesionam clulas endoteliais e favorecem a peroxidao de

    lipoprotenas plasmticas.

    Diabetes mellitus:- Induz hipercolesterolemia e eleva acentuadamente a predisposio aterosclerose.- Incidncia de infarto do miocrdio duas vezes maior em diabticos. H risco elevado

    tambm de AVC (acidente vascular cerebral).- Possvel elevao do risco de gangrena em extremidades inferiores em at 100 vezes

    (tambm em funo da aterosclerose).- Aorta e artrias de grande e mdio calibres sofrem aterosclerose grave e acelerada

    (mecanismo exato ainda no bem esclarecidomultifatorial e complexo).

    ALTERAES MORFOLGICAS

    MACROSCOPIA- Espessamento da ntima e acmulo de lipdios.- Estrias gordurosas: surgem como mltiplas manchas amareladas planas

    com menos de 1mm de dimetro, que coalescem em longas estrias de 1cmou mais de comprimento.

    - Ateromas (placas fibrogordurosas): leses focais elevadas, apresentando umcentro lipdico grumoso coberto por uma cpsula fibrosa firme e branca.Podem variar em dimetro de 0.3 a 1.5 cm, algumas vezes fundindo-se paraformar massas de grande tamanho. Inicialmente focais e de distribuioesparsa, tornam-se cada vez mais numerosas e difusas conforme a doenaprogride.

    MICROSCOPIA- As placas aterosclerticas possuem trs componentes principais: clulas

    (incluindo clulas musculares lisas, macrfagos e demais leuccitos), matrizextracelular (incluindo colgeno, fibras elsticas e proteoglicanos) e lipdiosintracelulares e extracelulares.

    - Estes componentes ocorrem em propores e configuraes variadas.Ateromas tpicos contm uma quantidade relativamente grande de lipdios;no entanto, podem ser compostos principalmente por clulas musculareslisas e tecido fibroso.

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    - No centro, pode haver um ncleo necrtico, contendo uma massadesordenada de lipdios (colesterol), clulas espumosas (macrfagos eclulas musculares lisas contendo microvacolos de colesterol, com aspectoesponjoso), fendas de cristais de colesterol (quando as clulas se rompem, ocolesterol passa para o interstcio e forma cristais rombides) e restos declulas mortas.

    - As placas continuam a se transformar e progressivamente ocorre morte edegenerao celular, sntese e degradao da matriz extracelular(remodelamento) e organizao de trombos. Alm disso, os ateromastambm podem sofrer calcificaes.

    Para observar os aspectos microscpicos da aterosclerose, acesse o sitehttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.html

    e observe as lminas de aterosclerose (atherosclerosis coronary arteries, aorta).Neste site, possvel comparar o tecido alterado com o tecido normal (normal histology).

    No deixe de observar tambm os aspectos macroscpicos disponibilizados (gross).

    MANIFESTAES CLNICAS

    Manifestaes das complicaes Trombose Calcificao Dilatao aneurismtica Eventos isqumicos em corao, crebro, membros inferiores e outros rgos.

    PREVENO!!! Preveno primria

    o Retardar formao do ateromao Induzir regresso das leses em indivduos sem complicao grave

    Preveno secundriao Evitar recidiva de certos eventos, como o infarto do miocrdioo Reduzir nveis sgneos de lipdioso Uso de agentes anti-plaquetrios

    Algumas correlaes farmacolgicas...So utilizados diversos frmacos para reduzir o colesterol LDL do plasma. A terapia

    farmacolgica constitui apenas uma abordagem para o tratamento, sendo utilizada em associaocom o controle da dieta e correo de outros fatores de risco. A seleo dos pacientes paratratamento farmacolgico permanece controvertida, sendo que o benefcio maior para aqueles queapresentam maior risco, incluindo doena aterosclertica sintomtica e com muitos fatores de riscocardiovasculares, bem como indivduos com concentraes plasmticas de colesterol extremamentealtas. As principais classes de substncias utilizadas clinicamente so:

    Estatinas: inibidores da HMG-CoA (3-hidroxi-3-metilglutaril-coenzima A) redutase Fibratos Resinas de ligao de cidos biliares Outras (cido nicotnico e probucol).

    Alguns frmacos podem induzir dislipidemia, como por exemplo, a isotretinona (ismero davitamina A utilizado no tratamento de acne grave) e inibidores de protease utilizados notratamento da infeco pelo vrus HIV.

    http://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.htmlhttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.htmlhttp://www.path.uiowa.edu/virtualslidebox/iowa_histopathology/content_index_db.html
  • 7/22/2019 Leso Celular Reversvel

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    Para maiores informaes sobre esses frmacos, recomendamos:

    RANG, H.P., DALE, M.M., RITTER, J.M., MOORE, P.K. Aterosclerose e metabolismo daslipoprotenas. In: Farmacologia. Traduo da 5. edio americana. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

    BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

    KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N. Adaptao, dano e morte celular. In: _______, Robbins eCotran - Patologia - Bases Patolgicas das Doenas. 7 ed. So Paulo: Elsevier, 2005.

    SCHOEN, F.J. Os vasos sanguneos. In: KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N. Robbins eCotran - Patologia - Bases Patolgicas das Doenas. 7 ed. So Paulo: Elsevier, 2005.

    COTRAN, RS; KUMAR, V; COLLINS, T. Adaptao, dano e morte celular. In: _______, Robbins -Patologia Estrutural e Funcional.6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

    PEREIRA, F.E.L. Degeneraes. Morte Celular. Alteraes do Interstcio. In: BRASILEIRO FILHO,G et al.Bogliolo Patologia Geral. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

    RANG, H.P., DALE, M.M., RITTER, J.M., MOORE, P.K. Aterosclerose e metabolismo daslipoprotenas. In: ________, Farmacologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. Traduo da 5. edioamericana.

    PARA APROFUNDAR O ASSUNTO

    SCHOEN, F.J. Os vasos sanguneos. In: KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N. Robbins eCotran - Patologia - Bases Patolgicas das Doenas. 7 ed. So Paulo: Elsevier, 2005.

    SUGESTO DE LEITURAS COMPLEMENTARES

    SPOSITO, Andrei C. et al . IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Preveno daAterosclerose: Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.Arq. Bras.Cardiol. v.88, suppl.1, So Paulo, 2007. Disponvel emhttp://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002.(artigo em portugus, em formato .pdf, link disponvel na pgina dadisciplina)

    NEVES, L.B., MACEDO, D.M., LOPES, A.C. Homocistena. J. Bras. Patol. Med. Lab., v. 40, n. 5,p. 311-320, 2004.A importncia que vem sendo dada hiper-homocisteinemia na aterognesevem aumentando em publicaes mais recentes, embora ainda seja pouco explicada nos livros-texto(artigo em portugus, em formato .pdf, link disponvel na pgina da disciplina)

    ROMALDINI C.C. et al. Fatores de risco para aterosclerose em crianas e adolescentes comhistria familiar de doena arterial coronariana prematura. J Pediatr.v. 80, n. 2, p. 135-40, 2004.

    Disponvel emhttp://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2/v80n2a11.pdf.(artigo em portugus, emformato .pdf, link disponvel na pgina da disciplina)

    GOTTLIEB, M.G.V., BONARDI, G., MORIGUCHI, E.H. Fisiopatologia e aspectos inflamatrios daaterosclerose. Scientia Medica, Porto Alegre: PUCRS, v. 15, n. 3, jul./set. 2005. Disponvel em:http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/view/1568/1171.(artigo emportugus, em formato .pdf, link disponvel na pgina da disciplina)

    http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2/v80n2a11.pdfhttp://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2/v80n2a11.pdfhttp://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2/v80n2a11.pdfhttp://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/view/1568/1171http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/view/1568/1171http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/view/1568/1171http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2/v80n2a11.pdfhttp://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000700002