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Lesões no Futebol Considerações Epidemiológicas e Clínicas Abril de 2019 Joao Noura

Lesões no Futebol... · Joelho Lesão Osteocondral Lesão de Sobreuso – associada ao desgaste da cartilagem do joelho. Lesão com uma cronicidade associada e um red flag aquando

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  • Lesões no Futebol Considerações Epidemiológicas e Clínicas

    Abril de 2019 Joao Noura

  • O presente documento pretende apresentar algumas das lesões mais frequentemente presentes em contexto de futebol profissional,

    estabelecendo algumas considerações relativas à sua etiologia, identificação e prognóstico clínico.

    O documento encontra-se organizado da seguinte forma (salvo raras exceções):

    Articulação/Músculo Lesão Localização Anatómica

    Etiologia/ Mecanismo de Lesão

    Incidência Gradação/ Tipo

    Tipo de Tratamento

    Tempo de Tratamento

    Localização da lesão (intra-articular ou muscular)

    Tipo de lesão e estrutura afetada

    Exposição visual da estrutura afetada

    Achados da história clínica típicos da lesão (início e mecanismo associado)

    (+ + +) Muito frequente (+ +) Algo frequente (+) Pouco frequente

    Classificação de acordo com a gravidade e critérios funcionais ou imagiológicos. Poderá ter, ou não, implicações diretas no tipo de tratamento e no prognóstico

    Conservador: reabilitação com Fisioterapia Cirúrgico: Necessária intervenção Cirúrgica

    Tempo médio de prognóstico associado ao diagnóstico estrutural; este reflete-se (salvo raras exceções) no cumprimento de critérios funcionais e não de tempo ou imagem

    É fundamental ressalvar que este documento não substitui a consulta de um profissional para avaliação clínica.

  • Articulação Lesão Localização anatómica Etiologia / Mecanismo de Lesão

    Incidência Gradação/ Tipo

    Tipo de Tratamento

    Tempo médio de paragem

    Joelho

    Entorse Ligamento Colateral Medial

    Lesão Aguda; Mecanismo em valgo (direta/ indireta)

    (+ +)

    Grau I Conservador

    12 – 15 dias

    Grau II 18 – 25 dias

    Grau III

    Conservador

    30 – 45 dias

    Cirúrgico

    Aprox. 3 meses

    Rutura Ligamento Cruzado Anterior

    Lesão Aguda; Mecanismo em hiperextensão ou rotação lateral+valgo+ligeira flexão do joelho (direto/ indireto)

    (+)

    Parcial

    Cirúrgico

    Mínimo Absoluto 6 meses Recomendado 9 a 12 meses

    Total

    Lesões Meniscais

    Lesão Aguda (associada a mecanismo de impacto ou movimentos rotacionais súbitos) ou de Sobreuso (desgaste);

    (+)

    -Lesão Radial -Lesão Longitudinal -Lesão Oblíqua -Lesão em Asa de Cesta

    Conservador

    Aprox. 6 semanas

    Cirúrgico

    Aprox. 3 meses

  • Joelho

    Lesão Osteocondral

    Lesão de Sobreuso – associada ao desgaste da cartilagem do joelho. Lesão com uma cronicidade associada e um red flag aquando da avaliação a priori de um atleta.

    (+)

    - Ainda não existem benefícios perfeitamente estabelecidos da cirurgia numa lesão osteocondral. Por este motivo o tratamento é conservador.

    Gestão do atleta conforme o tolerado sem implicação concreta de paragem/tempo de paragem.

    Tendinopatia do Tendão Rotuliano

    Lesão por sobreuso

    (+ +)

    -Tendão reativo -Tendão degenerado -Tendão degenerado reativo -Tendão danificado

    Conservador

    Possibilidade de gestão do atleta sem implicar tempo de paragem. Em caso de retirada da atividade, aprox. 3 meses.

    Bursite

    Lesão aguda (direta/indireta)

    (+)

    -Bolsa Suprapatelar -Bolsa pré-patelar -Bolsa infra-patelar -Bolsa da pata-de ganso

    Conservador

    Alguns dias

  • Joelho

    Síndrome da Bolsa de Hoffa

    Lesão aguda (direta/indireta) ou por sobrecarga.

    (+)

    - Conservador

    Alguns dias

    Lesão Óssea

    Lesão aguda (direta)

    (+)

    - Contusão - Luxação - Fissura - Fratura

    Conservador

    De 2 semanas a 3-4 meses

    Cirúrgico

  • Articulação Lesão Localização Anatómica Especificações Incidência Graduação Tipo de Tratamento

    Tempo de Tratamento

    Tornozelo

    Entorse Complexo Lateral (Ligamento Perónio-Astragalino Anterior + Ligamento Perónio Calcaneano)

    Lesão aguda (direta/ indireta) por mecanismo de inversão (flexão plantar + supinação + rotação medial do pé)

    (+ + +)

    Grau I Conservador

    Até 12 dias

    Grau II 15 – 21 dias

    Grau III Conservador 30 – 45 dias

    Cirúrgico Aprox. 3 meses

    Entorse Complexo Medial (Ligamento Deltóide)

    Lesão aguda (direta/indireta) por mecanismo de eversão (flexão dorsal + pronação + rotação lateral) do pé

    (+)

    Grau I

    Conservador

    Até 12 dias

    Grau II 15 – 21 dias

    Grau III

    Conservador

    30 – 45 dias

    Cirúrgico

    Aprox. 3 meses

  • Tornozelo

    Lesão Sindesmose Tibiotársica (Tornozelo Alto)

    Lesão aguda (direta/indireta) por mecanismos associados à rotação lateral (normalmente por trauma na perna).

    (+)

    Grau I

    Conservador

    Aprox. 6 semanas

    Grau II

    Aprox. 2 meses

    Grau III

    Cirúrgico

    Aprox. 4 meses

    Bursite

    Lesão aguda (direta/indireta)

    (+)

    -Bolsa subcutânea maleolar -Bolsa retrocalcaneana -Bolsa subcutâneana calcaneana

    Conservador

    Alguns dias

    Tendinopatia Tendão de Aquiles

    Lesão por sobreuso

    (+ +)

    -Tendão reativo -Tendão degenerado -Tendão degenerado reativo -Tendão danificado

    Conservador

    Possibilidade de gestão do atleta sem implicar tempo de paragem. Em caso de retirada da prática desportiva, aprox. 3 meses.

  • Tornozelo

    Rutura do Tendão de Aquiles

    Lesão aguda (indireta)

    (+)

    Parcial

    Cirúrgico

    Aprox. 6 meses

    Total

    Fratura 5º Metatarso

    Lesão aguda (indireta)

    (+)

    -Fratura por Avulsão -Fratura de Jones -Fratura de Stress

    Conservador

    Aprox. 3 meses

    Cirúrgico

  • Outras

    Lesão Localização anatómica Etiologia / Mecanismo de Lesão

    Incidência Gradação/ Tipo

    Tipo de Tratamento

    Tempo médio de paragem

    Síndrome Pubálgico

    Lesão por sobreuso; Etiologias Musculares Major: - Psoas-Ilíaco - Adutores - Reto Abdominal

    (+ +) - Conservador Em caso de retirada da prática desportiva, aprox. 3 meses

    Conflito Femuro-Acetabular

    Congénito ou Contextual (+) - CAM - Pincer

    Conservador (Atletas assintomáticos ou com sinais clínicos pouco relevantes (dor sem comportamento mecânico))

    Possibilidade de gestão do atleta sem implicar tempo de paragem.

    Cirúrgico (Contra-indicada em casos de desgaste cartilagíneo).

    Aprox. 6 meses (Nalguns casos poderá implicar fim de carreira desportiva).

  • Lesões Musculares Mais Frequentes*

    Músculo

    Localização Anatómica

    Etiologia / Mecanismo de Lesão

    Incidência Gradação/ Tipo Tipo de Tratamento

    Tempo médio de paragem

    Quadricípite

    Lesão aguda (Direta/ Indireta)

    (+) Parcial

    Grau 1a e 1b Conservador

    Sem paragem a 12 dias

    Grau 2a e 2b 20 a 31 dias

    Grau 3a e 3b Aprox. 2,5 meses

    Total ( Grau 4) Cirúrgico Aprox. 4 meses

    Isquio-Tibiais

    Lesão Aguda (Indireta)

    (+ + +) Parcial

    Grau 1a e 1b Conservador

    Sem paragem a 12 dias

    Grau 2a e 2b 21 a 35 dias

    Grau 3a e 3b Aprox.2 meses

    Total (Grau 4) Cirúrgico Aprox. 9 meses

  • Adutores

    Lesão Aguda (Indireta)

    (+ +) Parcial

    Grau 1a e 1b Conservador

    Até 10 dias

    Grau 2a e 2b 12 – 18 dias

    Grau 3a e 3b 21 a 35 dias

    Gastrocnémios

    Medial Lesão aguda (Direta/ Indireta)

    (+) Parcial Grau 1a e 1b Conservador Até 12 dias

    Graus 2a e 2b 15 a 23 dias

    Graus 3a e 3b Aprox. 1 mês

    Lateral Lesão Aguda (Direta)

    Parcial Grau 1a e 1b Até 12 dias

    Graus 2a e 2b 15 a 23 dias

    Graus 3a e 3b Aprox. 1 mês

    Solear 1as lesões musculares no solear

    apresentam uma elevada dependência funcional e, consequentemente, grande variabilidade no prognóstico

    Lesão Aguda (Indireta)

    (+) Miofascial Anterior Conservador Aprox. 1 mês1

    Posterior

    Miotendinosa Medial 20 a 30 dias1

    Central 35 a 45 dias1

    Lateral 20 a 30 dias1

    *de acordo com a os dados de Ekstrand et al.(Ekstrand, Hägglund, & Waldén, 2011) e segundo a classificação do Consenso de Munique (Mueller-Wohlfahrt,

    et al., 2013)