Libera # 141
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  • E AS MOBILIZAES POPULARES NO RIO DE JANEIRO

    A QUESTO DO PETRLEOE AS MOBILIZAES POPULARES

    NO RIO DE JANEIRO

    Subcomandante Marcos

    Escolhe um inimigo grande e este te obrigar a crescer para poder en-frent-lo. Diminui teu medo porque, se ele cresce, tu te fars pequeno.

    Participao do MTD na ocupao do EDISE (Edifcio Sede da Petrobrs), Rio de Janeiro.

    A economia capitalista mantm uma relao de estreita dependncia com o petrleo para seu desenvolvimento e manuteno, visto que ele um recurso de carter estratgico: junto com o gs natural, responsvel hoje por mais de 50% da matriz energtica global, alm de ser a principal matria-prima industrial. Por ser um recurso finito, e por ser utilizado na fabricao de uma ampla gama de produtos estratgicos, o petrleo a principal substncia negociada entre corporaes e governos mundiais. A cadeia brasileira depende intensamente de sua explorao, visto que o pas um grande consumidor (8 do mundo) e tambm importante produtor (13 do mundo).

    Em um breve histrico do petrleo no Brasil, podemos citar alguns marcos. A criao do Conselho Nacional do Petrleo (1938), que gerou os marcos regulatrios para sua extrao; o debate entre nacionalistas e entreguistas que, com a vitria dos primeiros, obrigou Vargas a assinar em 1953 a Lei 2004 que tambm criaria a Petrobras instituindo o monoplio estatal da pesquisa, refino e transporte do petrleo e seus derivados; a ampliao deste monoplio em 1963. Nos anos seguintes, com diversas descobertas de bacias petrolferas, o Brasil firmou-se como um grande produtor mundial. Em 1995, por uma alterao na Constituio de 1988, as empresas privadas tiveram permisso para participar nas atividades de extrao e produo de petrleo e em 1997, o governo neoliberal de FHC aprovou a lei n 9478/97 (Lei do Petrleo), que flexibilizou o monoplio estatal, privatizando parte do capital da Petrobras e colocando-o sob controle de corporaes nacionais e estrangeiras.

    A aprovao desta lei e a posterior criao da Agncia Nacional do Petrleo (ANP) marcaram tambm a vitria do governo sobre a grande greve dos petroleiros de 1995, que havia sido realizada com o intuito de repor as perdas salariais e lutar

    contra o neoliberalismo. Anteriormente, entre 1992 e 1993, houve participao dos anarquistas na ocupao do EDISE (edifcio sede da Petrobras no RJ), defendendo juntamente com os setores de base do movimento de trabalhadores petroleiros, a ocupao com controle da produo (no contexto da greve de 1995, ela tornou-se realidade) que se opunha estatizao defendida por um amplo setor do movimento.

    Desde a criao da ANP, reas promissoras de petrleo e gs vm sendo leiloadas por ela e adquiridas pelo capital privado. Com as recentes descobertas de petrleo no pr-sal, os leiles que j chegam a 10, sendo 6 deles no governo

    Lula vm ganhando visibilidade. H diversas estimativas, mas as reservas do pr-sal so to grandes que se fala na possibilidade de o Brasil chegar a ser o 3 maior produtor de petrleo do mundo. Aproximadamente 25% destas reservas do pr-sal j foram leiloadas a preos irrisrios para empresas privadas.

    No contexto das mobilizaes que se opem poltica neoliberal e aos leiles do petrleo, a participao anarquista se faz bastante presente. Por um lado, se nossas posies divergem do consenso ufanista da esquerda em torno da estatizao, propostas que certamente carecem de horizonte poltico, por outro, encontramos

  • duras barreiras para a afirmao de nossa proposta de autogesto, pela correlao de foras que no nos favorvel ou mesmo pela burocratizao crescente de largos setores dos movimentos sociais e sindicais. Este contexto vem impedindo a possibilidade de uma alternativa revolucionria de luta.

    Para a criao desta alternativa, temos sustentado a aproximao entre os anarquistas e os setores de excludos da campanha contra os leiles, que se materializou no Frum Nacional Contra a Privatizao das Reservas Estratgicas de Petrleo e Gs, criado em 2008. Ficou claro, durante toda a campanha, a reafirmao das possibilidades do sujeito revolucionrio que defendemos. Para ns, este sujeito no est estritamente preso categoria social do proletariado urbano e industrial, podendo ser encontrado nos grupos sociais perifricos ao campo formal do capitalismo, como os sem-teto, sem-terra, desempregados etc. Isso ficou comprovado em todo o processo, com ampla e massiva participao desses setores na luta contra as privatizaes; sob a gide da ao direta, estes setores populares protagonizaram no s o enfrentamento com os agentes federais da ANP e do EDISE, mas possibilitaram a ocupao de ambos os prdios, sendo que sem eles, isto teria sido completamente invivel. A representao sindical era, sem dvida alguma, insuficiente em termos quantitativos para promover uma ao de massas, ficando limitada ao insuficiente quadro de diretores; uma infeliz conseqncia da burocratizao sindical. Este fato constituiu-se em uma grande evidncia: o protagonismo das lutas foi daqueles setores que Marx chamava de rebotalho do capitalismo; uma contraditria realidade para aqueles que ainda se apegam ao

    A FAU pretende ser uma expresso poltica dos interesses das classes dominadas, exploradas e oprimidas; e, colocando-se a servio delas, aspira ser um motor das lutas sociais. Um motor que nem as substitui e nem as representa. Mas que pretende dinamiz-las e organiz-las, contribuir para a superao do aspecto meramente espontneo, transcender os vaivens da conjuntura e assegurar a continuidade das rebeldias, das lutas cotidianas, das expectativas, aspiraes, etc.

    Para ns, a organizao poltica tambm o mbito em que se vai acumulando a experincia de luta popular, tanto em nvel nacional como internacional. Uma instncia que impede que se dilua o saber que os explorados e os oprimidos vo adquirindo com o tempo.

    conceito de classe elaborado pelos comunistas alemes do sculo XIX.

    Neste contexto de lutas, nossa proposta que se crie uma relao entre os sindicatos e os movimentos de sem-teto, de sem-terra e de desempregados, buscando uma solidariedade de classe que ultrapasse a campanha contra os leiles e crie um projeto de luta que no seja baseado na verticalizao e nem no privilgio de uma categoria do conjunto de explorados. Assim, entendemos poder desenvolver uma perspectiva mais ampla de organizao popular.

    De qualquer forma, a pedagogia das lutas vem aproximando idias libertrias de importantes militantes dos movimentos sociais, que se atraem pela evidncia de nossa metodologia. Misturados s bases das organizaes de classe temos modificado paradigmas, criado alternativas s prticas autoritrias e reinaugurado um vocabulrio poltico no qual palavras como autogesto e ao direta ganham significado na prtica e permitem substituir as teorias de vanguarda pela generosa e eficiente idia de minoria ativa. Logramos ainda, com a insistente prtica de estimular o dilogo entre as vrias e complexas vertentes dos movimentos sociais cariocas, abrir um canal no qual o hip-hop, as artes marciais, o trabalho com educao popular, levados a efeito nas ocupaes urbanas e favelas, somados, contribuam para o todo organizado da luta de classes. Uma pretenso de dimenses colossais que, sem os frutos recentemente colhidos, poderia parecer irrealizvel. Mas que, com responsabilidade, compromisso e tica a FARJ tem levado adiante no Rio de Janeiro.

    A Organizao Poltica Anarquista Federao Anarquista Uruguaia (FAU)

    ORGANIZAO POLTICA

    A organizao poltica atua ainda como local de produo das anlises conjunturais e das orientaes fundamentais pertinentes. Por isso, a organizao poltica a instncia adequada para assumir os distintos e complexos nveis de atividade, que o trabalho revolucionrio pode exigir, a nica instncia capaz de assegurar o conjunto de recursos tcnicos, materiais, polticos e tericos, etc. que so condio indispensvel de uma estratgia de ruptura.

    Nossa viso da organizao poltica contrria s distintas formas de vanguardismo, de guardies da conscincia, enfim, de grupos auto-eleitos, que se sentem tocados pelo dedo de Deus. A organizao, mantendo e promovendo o esprito de revolta,

    assume como prprias todas as exigncias presentes e futuras de um processo revolucionrio. E a partir do trabalho militante organizado, e somente a partir dele, que se pode promover coerentemente e com fora redobrada a criao, o fortalecimento e a consolidao das organizaes populares de base, que constituem os ncleos do poder popular revolucionrio. A organizao poltica no uma coisa acabada, e est sujeita s influncias diversas que vo exigindo adequaes. Tambm uma instncia especial de aprendizagem em relao s lutas sociais com as quais se articula. E finalmente, no estrito mbito da ao poltica (e no desconhecemos a existncia de outros, mas reivindicamos o poltico como um mbito separado) a FAU aspira ser a ferramenta para tornar realidade nossos princpios libertrios.

    NVEL POLTICO E NVEL SOCIAL

    O problema do poder, decisivo em uma transformao social profunda, s pode ser resolvido a nvel poltico, atravs da luta poltica. E esta requer uma forma especfica de organizao: a organizao poltica revolucionria. S atravs de sua ao, enraizada nas massas, pode conseguir a destruio do aparato estatal burgus e sua substituio por mecanismos de poder popular.

    A atividade poltica no pode ser reduzida luta econmica, prtica sindical, ainda que esta possa conter, como efetivamente contm, elementos polticos. (...) Mas esta luta econmica no produz espontaneamente a luta contra o poder poltico como tal. (...) Por isso, o espontanesmo, as mobilizaes espontneas de massas, reflexo de um acmulo de problemas sem soluo que logo estouram, se no forem canalizados e instrumentalizados adequadamente, dificilmente transcendem ao plano poltico em termos de modificar as relaes de poder.

    A destruio do poder [burgus...] supe a criao de uma outra ordem social, a qual exige a adoo de um outro modelo de organizao (que