Livro - Direito Socioambiental Na AL-libre

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  • Org. Carlos Frederico Mars de Souza Filho, Heline Sivini Ferreira e Caroline Barbosa Contente Nogueira

    DIREITO SOCIOAMBIENTAL: UMA QUESTO PARA AMRICA LATINA

    Curitiba2014

  • Al. Pres. Taunay, 130. Batel. Curitiba-PR.CEP 80.420-180 - Fone: (41) 3223-5302.

    contato@arteeletra.com.br

    diagramao do miolo LETRA DA LEI

    P597 Direito socioambiental: uma questo para Amrica Latina [livro eletrnico] / organiza-o Carlos Frederico Mars de Souza Filho, Heline Sivini Ferreira e Caroline Barbosa Contente Nogueira. Curitiba : Letra da Lei, 2014.224 p. ISBN 978-85-61651-16-9

    1. Direito ambiental - Brasil. 2. Socioambientalismo. I. Filho, Carlos Frederico Mars de Souza. II. Nogueira, Caroline Barbosa Contente. III. Ferreira, Heline Sivini. IV. Ttulo.

    CDU 349:502

  • SUMRIOO CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO SOCIOAMBIENTAL DE 2013 ..........................................9PREFCIO ................................................................................................................13ANTROPOLOGA JURDICA EN MXICO Y AMRICA LATINA. BALANCE, PERSPECTIVAS CONTEMPORNEAS Y RETOS PARA LA INVESTIGACINMara Teresa Sierra ................................................................................................17

    DE/COLONIALIDADE, DIREITO E QUILOMBOLAS- REPENSANDO A QUESTOCsar Augusto Baldi .............................................................................................33

    DO DIREITO AMBIENTAL AOS DIREITOS DA SOCIOBIODIVERSIDADE: FUNDAMENTOS E PERSPECTIVASAlaim Giovani Fortes Stefanello .............................................................................87

    JUSDIVERSIDADE E INTERLEGALIDADE INDGENA NA EXPERINCIA AMAZNICAEdson Damas da Silveira .......................................................................................101

    JUSTIA, INTERCULTURALIDADE E OS DIREITOS INDGENAS SOB PRESSO NO BRASIL QUE CRESCE Ricardo Verdum ..................................................................................................111

    LA AUTONOMA DE LOS PUEBLOS INDGENAS: EL DERECHO COMO UTOPA?Magdalena Gmez ..............................................................................................129

    OS AV-GUARANI NO OESTE DO PARAN: HISTRIA E RESISTNCIA DE UM POVO INDGENADiogo de Oliveira ...............................................................................................161

  • PELOS DIREITOS DE PACHAMAMA E PELO BEM VIVER: UM NOVO MODELO SOCIOAMBIENTAL ECOCNTRICO, COMUNITRIO E SOLIDRIOGermana de Oliveira Moraes .....................................................................................177

    POPULAES TRADICIONAIS, EXPERINCIAS E EXPECTATIVASMaria Cristina Vidotte Blanco Tarrega .......................................................................207

  • 7O CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO SOCIOAMBIENTAL DE 2013

    A questo socioambiental esteve desde o incio no centro das discusses jurdicas do Programa de Ps-Graduao em Direito da Pontifcia Universidade Catlica do Paran, que dedicou sempre um conjunto de disciplinas para tratar direta ou indiretamente do problema.

    Muito cedo foi criado um Grupo de Pesquisa, denominado Meio Ambien-te: Sociedades Tradicionais e Sociedade Hegemnica, para dar cabo ao conjunto de projetos de pesquisa de iniciao cientica, mestrado, doutorado e estudos avanados, que foram sendo propostos e aceitos no seio do Programa. A coorde-nao do Grupo sempre esteve a cargo dos professores Carlos Frederico Mars de Souza Filho, Heline Sivini Ferreira e Vladimir Passos de Freitas.

    H sete anos atrs, entendeu-se que era necessrio juntar o resultado des-sas pesquisas e exp-las em um congresso prprio, distinto dos outros eventos acadmicos que seus membros regularmente participam. Por isso se inaugurou o Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental.

    Nessa perspectiva, o Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental tem como objeto estudar e aprofundar o entendimento de como o sistema econmico hegemnico da modernidade excluiu os povos e a natureza, promovendo sua des-truio ou os tornando invisveis, e de como essa excluso e inviabilidade, media-da pelo direito, foi desastrosa. Por isso mesmo, no inal do sculo XX, o sistema descobriu, entre atnico e incrdulo, que a humanidade sucumbiria junto com a destruio da natureza e comeou a impor, por meio dos sistemas regulatrios, li-mites para a essa destruio. Na Amrica Latina essa busca do retorno da natureza imprimiu um forte ressurgimento das antigas lutas dos povos invisveis, ndios, quilombolas, camponeses, comunidades que foram chamadas de povos, popula-es, sociedades, gentes, somadas ao adjetivo de tradicionais, locais, originrios, contra-hegemnicos, exatamente porque estas populaes desde sempre reclama-vam que a relao do ser humano com a natureza no podia ser marcada pelo egosmo e pela cegueira da lgica do lucro e da acumulao ilimitada de riquezas.

  • 8No mesmo sentido, pode-se airmar que com a tomada de conscincia dessa realidade destrutiva, passou-se a entender que, independentemente dos po-vos tradicionais, h um direito de todos sobre a natureza saudvel e viva, sobre a plenitude da biodiversidade, assim como sobre a profunda e bela diversidade cultural, expressa em uma vigorosa sociodiversidade. Tanto o direito das comuni-dades como o direito de todos so coletivos e no se confundem com os direitos individuais construdos pela modernidade. De forma diversa, e na maioria das vezes, estes so direitos que se contrapem aos direitos individuais de proprieda-de, incluindo a sua livre utilizao, ainda que o sistema jurdico no saiba como trabalhar essa contraposio, sacriicando, via de regra, o coletivo em benefcio do individual.

    O direito foi o instrumento utilizado pela modernidade para ixar a ideia do individualismo e garantir que o sujeito de direitos, individual e humano, ti-vesse supremacia sobre o objeto de direito, a terra e a natureza. Foi tambm o instrumento utilizado para excluir todo humano que no fosse individualizado, a exemplo dos povos tradicionais, e todo natural no transformado em bem, coi-sa, objeto no patrimonializvel. A esse mesmo instrumento caberia, por certo, promover a reintegrao dos excludos. Quer dizer, se e enquanto o direito no regulamenta os direitos coletivos das populaes e do todo, eles no existem. Por-tanto, de pouca valia reconhecer a necessidade de reintroduo desses direitos se o sistema jurdico no modiicado. Por isso a importncia das constituies e da legislao latinoamericanas atuais.

    Entretanto, a questo, como se v, no apenas jurdica - talvez no exista nada que seja apenas jurdico. necessria a sua interao com outras cincias, como a antropologia, a sociologia, a economia, a biologia, a agronomia, a hist-ria, a geograia, etc. O direito sozinho pouco pode. necessrio tambm ouvir, conhecer e aprender com os povos e populaes tradicionais. Para isso, impor-tante ir alm do aprofundamento acadmico no mbito interno da Universidade, como se faz no Programa de Ps-Graduao em Direito da Pontifcia Universida-de Catlica do Paran, fortalecendo em especial as atividades de pesquisa e exten-so desenvolvidas no mbito da Linha de Pesquisa Sociedades, Meio Ambiente e Estado. Nesse sentido, fundamental se promover visitas s comunidades, dialo-gar com os povos, defender direitos especicos, etc. E, para que isso acontea, essencial a organizao de eventos com a participao de pesquisadores de outras instituies e com pensadores de outras culturas, como os indgenas e quilombo-las, pescadores, faxinalenses e ciganos.

    Por essa razo decidiu-se organizar o Congresso Brasileiro de Direito So-cioambiental que, no ano de 2013, completou a sua quarta edio nos dias 17, 18 e 19 de setembro. Paralelamente ao referido evento, realizou-se: o Encontro Pr-RELAJU (Rede Latinoamericana de Antropologia Jurdica) Congresso 2014; o

  • 9Seminrio A Questo Indgena Av-Guarani no Oeste do Paran, o II Simpsio de Polticas Pblicas, Democracia e Poder Judicirio, e uma Mostra de Fotograia, chamada Socioambientalismo em Imagens.

    O Congresso RELAJU o mais importante evento de antropologia jurdica das Amricas e ocorre em distintos pases a cada dois anos. Sua ltima edio foi em 2012, na cidade de Sucre, na Bolvia, e a prxima ser em setembro de 2014, na cidade de Pirinpolis, no Brasil. O encontro Pr-RELAJU ocorrido durante o Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental reuniu os seus coordenadores in-ternacionais para deinir os parmetros do evento que se aproxima, oportunidade em que um painel especico foi destinado discusso da antropologia jurdica.

    O Seminrio A Questo Indgena Av-Guarani no Oeste do Paran props uma discusso sobre o tema a partir de um projeto desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa. Contando com a participao de ndios, objetivou atualizar o debate sobre uma profunda contradio socioambiental vivenciada no Estado: a insis-tncia pela produo de commodities, soja especialmente, contra a natureza e a vida indgena.

    O II Simpsio de Polticas Pblicas, Democracia e Poder Judicirio insere-se na questo socioambiental em um de seus aspectos mais crticos, qual seja: a eiccia das normas jurdicas protetoras ou garantidoras de direito por meio do Poder Judicirio. Compete ao Poder Judicirio, exatamente, a interpretao das normas que, via de regra, se contradizem com os direitos individuais de proprie-dade. Aqui se trata de entender como se comporta o Judicirio frente a alternati-vas socioambientais.

    Por im, a Mostra de Fotograia. No momento ldico do Congresso, bus-cou-se demonstrar, por meio da arte, que no s a cincia moderna e suas catego-rias fechadas so capazes de difundir o conhecimento e a conscincia.

    Como parte dos eventos supracitados, Grupos de Trabalho foram organi-zad