Livro oncologia alta

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  • Manual de condutas para pacientes oncolgicos

    Protocolo Nutricional

  • Prefcio 4

    I.Introduo 5

    II.Efeitos adversos da terapia antineoplasica 7

    III.Terapia nutricional nos efeitos adversos ao tratamento oncolgico 10

    IV.Sistema imunolgico e contaminao alimentar 18

    V.Terapia nutricional no Transplante de Medula ssea 22

    VI.Condutas nutricionais na Iodoterpia 25

    VII.Nvel de assistncia nutricional em oncologia 29

    VIII.Estratgias nutricionais 1: 31 Cardpio alternativo: opo diferencial 31

    IX.Estratgias nutricionais 2: 32 Sobremesas moduladas com suplemento nutricional 32

    X.Estratgias nutricionais 3: 33 Suplementos nutricionais 33

    XI.Estratgias nutricionais 4: 37 Sucos antiemticos 37

    XII.Estratgias nutricionais 5: 40 Receitas e recomendaes nutricionais 40

    XIII.Cuidados nutricionais no paciente em cuidados paliativos 42

    XIV.Educao ao paciente 47

    XV.Referncias bibliogr cas 52

    Sumrio

  • 4Prefcio

    O avano da cincia em novas tecnologias e abordagens teraputicas tem aberto, a cada dia, novos horizontes na perspectiva de vida do paciente oncolgico, tanto na longevidade quanto na qualidade de vida. Essa ltima, muitas vezes, seriamente comprometida no somente pelo evoluir da doena, como tambm em decorrncia das diversas formas de abordagem teraputica, principalmente, a cirurgia, quimioterapia e a radioterapia.

    Diante desta realidade, o Hospital Samaritano, sempre atento aos pacientes com doenas oncolgicas crnicas, progressivas e at terminais, sem banalizar o termo humanizao, procura desempenhar ateno holstica, fazendo participante do processo assistencial, toda uma equipe multipro ssional, el aos princpios estabelecidos pela Instituio, com amplos investimentos, focados tambm nos cuidados paliativos.

    Como resultado da viso institucional, a iniciativa e o empenho de uma equipe comprometida com toda diretriz da qualidade assistencial, nasce o Manual de Condutas para Pacientes Oncolgicos, lastreado no somente em ampla pesquisa bibliogr ca, como tambm na vasta experincia da equipe do Servio de Gastronomia e Nutrio, sendo elaborado de forma extremamente didtica que, seguramente, muito contribuir para a melhoria na qualidade de vida desses pacientes.

    Dr. Luiz Eduardo Bettarello Superintendente Mdico

  • 5I. Introduo

    A desnutrio a principal complicao nutricional nos pacientes com cncer, havendo maior risco em pacientes com doenas em estgio avanado e com prticas teraputicas mais agressivas. O cncer uma doena catablica que consome as reservas nutricionais do paciente devido ao aumento do gasto energtico pela atividade tumoral presente (Garfolo, 2005; Luisi, 2006; Sawada, 2006).

    A desnutrio vem sendo apontada como fator de pior prognstico. A melhora do estado nutricional parece estar associada com melhor qualidade de vida e aumento dos escores que medem a capacidade funcional dos pacientes (Bauer, 2005). Os dados da literatura sugerem que o estado nutricional adequado esteja associado com maior sobrevida, menor tempo de hospitalizao e maior tolerncia ao tratamento oncolgico proposto (Jain, 2003; Garfolo, 2005; Kruizenga, 2005; Odelli, 2005).

    A quimioterapia e a radioterapia causam efeitos adversos aos pacientes, dentre eles as toxicidades ao trato gastrintestinal como nusea, vmito, mucosite, diarreia, constipao, alterao no paladar, xerostomia e alterao na absoro de nutrientes. Ambos os tratamentos podem acarretar em reduo da ingesto alimentar, alm de instalao de averses a alimentos espec cos (Langdana, 2001; Sapolnik, 2003; Williams, 2004; Garfolo 2005c; Ravasco, 2005; Silva, 2005; Garfolo, 2006; Luisi, 2006; Sawada, 2006; Garfolo, 2007).

    As toxicidades decorrentes do tratamento e presena da prpria doena so fatores de risco nutricional importantes para o comprometimento da ingesto diettica e, consequentemente,

  • 6evoluo para a desnutrio. Portanto, faz-se necessrio empregar terapia nutricional precoce, visando garantir a ingesto em quantidades adequadas de energia, macro e micronutrientes (Garfolo, 2005a; Garfolo, 2005b; Bauer, 2005; Woien, 2006).

    A introduo de suplementos orais pode melhorar o aporte nutricional que ca comprometido com a reduo do consumo alimentar dos pacientes. Os suplementos orais ofertam energia, protena e outros nutrientes, podendo ser um bom mtodo para alcanar as necessidades nutricionais e, assim, manter ou at mesmo recuperar o estado nutricional (Langdana, 2001; Ravasco, 2005).

  • 7II. Efeitos adversos da terapia antineoplsica

    1. Escala para classi cao do grau de toxicidade gastrintestinal

    Stio de toxicidade

    Grau 0Grau 1

    LeveGrau 2

    ModeradaGrau 3Grave

    Grau 4Inaceitvel

    Mucosite AusenteEritema ou

    leve dor

    Doloroso / edema

    consegue comer

    No consegue comer ou beber

    Requer suporte enteral ou parenteral

    Constipao (pete sem

    colostomia)

    Sem mudana

    Requer formador de bolo fecal ou alterao da

    dieta

    Requer o uso de laxantes

    Requer evacuao manual ou enema

    Obstruo ou megaclon

    txico

    Diarreia Ausente2 a 4

    evacuaes / dia

    4 a 6 evac / dia ou evac noturnas

    > ou = 7 evac ou incontinncia ou necessidade de

    suporte parenteral p/ desidratao

    Requer cuidado intensivo

    ou colapso hemodinmico

    Nusea AusenteIngesto razovel

    Reduo signi cante da ingesto

    Ingesto no signi cativa

    No ingeriu nada

    Vmitos Ausente 1 x / dia 2 a 5 x / dia> ou = x / dia ou

    requer hidratao

    Requer NPT ou cuidado

    intensivo ou colapso

    Fonte: National Cancer Institute, 1999.

    O acompanhamento nutricional do paciente oncolgico tem como parte do objetivo a avaliao das toxicidades secundrias ao tratamento, portanto, faz-se necessrio conhecer os efeitos colaterais com impacto nutricional das terapias antineoplsicas (Garfolo, 2002).

    Aplicar a escala de toxicidade gastrintestinal para avaliar as toxicidades que podero interferir direta ou indiretamente na alimentao e estado nutricional do paciente.

  • 82. Efeitos adversos das terapias antineoplsicas:

    2.1. Radioterapia e os possveis efeitos colaterais relacionados com a nutrio

    rea do corpo irradiada Efeito colateral

    Crebro e coluna Nusea e vmitos

    Lngua, cordas vocais, amgdalas, glndulas salivares, cavidade nasal e faringe

    Xerostomia, di culdade ou dor para deglutir, alterao do paladar, dor na cavidade oral, saliva espessa

    Pulmo, esfago e mama Di culdade e dor para deglutir

    Intestino, prstata, tero, reto e pncreas Inapetncia, nusea, vmito, diarreia, gases, inchao

    Fonte: National Comprehensive Cancer Network

    2.2.Como a tratamento oncolgico pode afetar a alimentao

    Tratamento oncolgico

    Como pode afetar a alimentao

    Sintomas

    Cirurgia Aumenta a necessidade de boa nutrio. Pode lenti car a digesto. Pode comprometer a capacidade da boca, garganta, e estmago para funcionar corretamente. Nutrio adequada ajuda a cicatrizao e recuperao.

    Se o paciente apresentar baixo peso ou estiver fraco, deve-se ser prescrita para antes do procedimento uma dieta rica em protena e de alto teor energtico. Aps a cirurgia, em um primeiro momento, alguns pacientes podem no conseguir comer normalmente. Eles podem receber nutrientes por meio de sonda ou de nutrio parenteral.

  • 9Radioterapia Assim como destri as clulas cancergenas, tambm pode afetar clulas saudveis.

    Radioterapia em regio de cabea, pescoo, peito ou mama pode causar:

    xerostomia; dor na cavidade oral; odinofagia; disfagia; alterao de paladar; problemas dentrios;

    Radioterapia em regio de pelve ou estomago pode causar:

    vmitos diarreia cibras inchao

    Quimioterapia Tal como ele destri as clulas cancergenas, tambm pode afetar o sistema digestivo e causar alterao de apetite.

    1. nuseas2. vmitos3. inapetncia4. diarreia5. constipao intestinal6. mucosite7. alterao de peso8. alterao de paladar

    Fonte: National Cancer Institute

  • 10

    III. Terapia nutricional nos efeitos adversos ao tratamento oncolgico

    1.Mucosite

    A mucosite caracterizada por leso em cavidade oral ou esofgica, podendo apresentar desde pequenas feridas at leses mais generalizadas e infectadas (Luo, 2006). Introduo de mdulo de glutamina. Dieta sem alimentos cidos. Dieta com menos sal. Dieta com alimentos em temperatura morna ou fria. Uso de bebidas com temperatura fria ou gelada. Dieta sem alimentos de consistncia dura e seca.

    1.1.Glutamina

    Algumas condies como trauma, sepse e cncer diminuem em at 50% a concentrao intracelular e plasmtica de glutamina (Curi, 2000).

    Sua importncia est relacionada com o crescimento e manuteno de clulas como substrato energtico para a proliferao celular. Sendo importante para os macrfagos, linfcitos e demais clulas do sistema imunolgico, alm de ser avidamente consumida pelas clulas de diviso rpida, podendo auxiliar na recuperao das mucosas que so lesadas aps a administrao de alguns quimioterpicos (Luo, 2006, Langdana, 2001, Crowther, 2009).

    A glutamina fonte energtica para os entercitos e para manter a integridade da mucosa intestinal (Curi R, 2000; Albertini, 2001; Langdana 2001; Leandro, 2006; Paci co, 2005; Ziegler, 1992).

  • 11

    1.2. Conduta: introduzir mdulo de glutamina no paciente oncolgico quando: Diagnosticada mucosite com grau maior que dois. Pacientes que internarem para realizao de transplante de

    medula ssea (iniciar antes do condicionamento). Pacientes que forem iniciar quimioterapia com droga de alta

    toxicidade em mucosa.

    2. Diarreia

    A diarreia uma anormalidade no transporte de gua e eletrlitos secundrio a agresso que a quimioterapia ou radioterapia local podem causar na muco