logica juridica 2

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    Lgica da linguagem natural

    A lgica estuda os elementos que constituem uma proposio, os tipos de proposies e de silogismo e os princpios necessrios a que toda proposio e todo silogismo (duas premissas e uma concluso) devem obedecer para serem verdadeiros (princpio de identidade, da no contradio e do terceiro excludo).

    Os princpios racionais

    Desde seus comeos, a Filosofia considerou que a razo opera seguindo certos princpios que ela prpria estabelece e que esto em concordncia com a prpria realidade, mesmo quando os empregamos sem conhec-los explicitamente. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais, que respeitamos at mesmo quando no conhecemos diretamente quais so e o que so. Ns as respeitamos porque somos seres racionais e porque so princpios que garantem que a realidade racional. Que princpios so esses? So eles:

    1. Princpio da identidade, cujo enunciado pode parecer surpreendente: "A A" ou "O que , ". O princpio da identidade a condio do pensamento e sem ele no podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geomtrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ao), s pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade.

    Por exemplo, depois que um matemtico definir o tringulo como figura de trs lados e de trs ngulos, no s nenhuma outra figura que no tenha esse nmero de lados e de ngulos poder ser chamada de tringulo como tambm todos os teoremas e problemas que o matemtico demonstrar sobre o tringulo, s podero ser demonstrados se, a cada vez que ele disser "tringulo", soubermos a qual ser ou a qual coisa ele est se referindo. O princpio da identidade a condio para que definamos as coisas e possamos conhece-las a partir de suas definies.

    2. Princpio da no-contradio (tambm conhecido como princpio da contradio), cujo enunciado : "A A e impossvel que seja, ao mesmo tempo e na mesma relao, no-A". Assim, impossvel que a rvore que est diante de mim seja e no seja uma mangueira; que o cachorrinho de dona Filomena seja e no seja branco; que o tringulo tenha e no tenha trs lados e trs ngulos; que o homem seja e no seja mortal; que o vermelho seja e no seja vermelho, etc.

    Sem o princpio da no-contradio, o princpio da identidade no poderia funcionar. O princpio da no-contradio afirma que uma coisa ou uma idia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, tambm, que as coisas e as idias contraditrias so impensveis e impossveis.

    3. Princpio do terceiro-excludo, cujo enunciado : "Ou A x ou y e no h terceira possibilidade". Por exemplo: "Ou este homem Scrates ou no Scrates"; "Ou faremos a guerra ou faremos a paz". Este princpio define a deciso de um dilema - "ou isto ou aquilo" - e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira. Mesmo quando temos, por exemplo, um teste de mltipla escolha, escolhemos na verdade apenas entre duas opes - "ou est certo ou est errado" - e no h terceira possibilidade ou terceira alternativa, pois, entre vrias escolhas possveis, s h realmente duas, a certa ou a errada.

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    4. Princpio da razo suficiente. Tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razo (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razo (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razo. O princpio da razo suficiente costuma ser chamado de princpio da causalidade para indicar que a razo afirma a existncia de relaes ou conexes internas entre as coisas, entre fatos, ou entre aes e acontecimentos. Pode ser enunciado da seguinte maneira: "Dado A, necessariamente se dar B". E tambm: "Dado B, necessariamente houve A".

    Isso no significa que a razo no admita o acaso ou aes e fatos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa. A diferena entre a causa, ou razo suficiente, e a causa casual ou acidental est em que a primeira se realiza sempre, universal e necessria, enquanto a causa acidental ou casual s vale para aquele caso particular, para aquela situao especfica, no podendo ser generalizada e ser considerada vlida para todos os casos ou situaes iguais ou semelhantes, pois, justamente, o caso ou a situao so nicos.

    A morte, por exemplo, um efeito necessrio e universal (vlido para todos os tempos e lugares) da guerra e a guerra a causa necessria e universal da morte de pessoas. Mas imprevisvel ou acidental que esta ou aquela guerra acontea. Podem ou no podem acontecer. Nenhuma causa universal exige que aconteam. Mas, se uma guerra acontecer, ter necessariamente como efeito mortes. Mas as causas dessa guerra so somente as dessa guerra e de nenhuma outra.

    Diferentemente desse caso, o princpio da razo suficiente est vigorando plenamente quando, por exemplo, Galileu demonstrou as leis universais do movimento dos corpos em queda livre, isto , no vcuo.

    Pelo que foi exposto, podemos observar que os princpios da razo apresentam algumas caractersticas importantes:

    no possuem um contedo determinado, pois so formas: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas no nos dizem quais coisas so, nem quais os contedos que devemos ou vamos pensar;

    possuem validade universal, isto , onde houver razo (nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos acontecimentos), em todo o tempo e em todo lugar, tais princpios so verdadeiros e empregados por todos (os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos);

    so necessrios, isto , indispensveis para o pensamento e para a vontade, indispensveis para as coisas, os fatos e os acontecimentos. Indicam que algo assim e no pode ser de outra maneira. Necessrio significa: impossvel que no seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.

    A lgica e as funes da linguagem.

    A linguagem tem trs funes bsicas:

    1. Funo expressiva: Que dia lindo!.

    2. Funo diretiva: Amars o teu prximo como a ti mesmo.

    3. Funo informativa: O dia tem 24 horas

    Destas trs, somente aquela que tem a funo informativa possvel de ser avalivel como verdadeira ou falsa. claro que a informao pode vir numa linguagem mista, ou seja, uma

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    pergunta pode ter a funo de informar. Da mesma maneira, a linguagem expressiva pode se prestar a uma informao e etc.

    Conceitos

    1) Sentena: qualquer enunciado ou proposio que tiver a propriedade de ser avalivel, isto , de ser verdadeira ou falsa.

    Exemplo: O dia tem 24h; 2+2=4; 3+3=7.

    2) Proposio: a atribuio de um predicado a um sujeito. O encadeamento dos juzos constitui os raciocnios e este exprime logicamente atravs da conexo de proposies: essa conexo chama-se silogismo (premissas + concluso).

    3) Validade lgica. A lgica no necessariamente a cincia da verdade. A verdade ou falsidade de uma sentena ou proposio uma exigncia da cincia e no necessariamente da lgica.

    Exemplo de validade lgica destituda da exigncia de verdade.

    Todo lpis preto. O meu carro lpis. Portanto, o meu carro preto.

    No exemplo acima a prerrogativa em termos lgicos a forma do argumento.

    Isso significa que a verdade uma propriedade das premissas, mas no dos argumentos. Ao mesmo tempo a validade uma propriedade dos argumentos, mas no das premissas. Resumindo:

    Premissa: Verdadeira ou Falsa

    Argumento: Vlido ou Invlido.

    No silogismo ou argumento:

    1. O enunciado principal a concluso. Trata-se da afirmao principal, da frase central, da tese de nossa argumentao a ser provada.

    2. Os enunciados que apresentamos para justificar a concluso recebem o nome de premissas.

    3. Premissas e concluso formam o argumento: conjunto de sentenas (enunciados) interligadas, em que as premissas do apoio lgico concluso.

    4. O apoio lgico entre as premissas (o antecedente) e a concluso (o conseqente) chamado de inferncia e determina o tipo de argumento (dedutivo, indutivo, sem valor).

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    Indicadores de premissa

    Indicadores de concluso

    pois porque dado que como foi dito visto que devido a a razo que admitindo que sabendo-se que assumindo que

    por isso por conseguinte implica que logo portanto ento da que segue-se que pode-se inferir que consequentemente

    4) Um silogismo clssico (aristotlico) uma forma de argumentao, baseada em trs enunciados (duas premissas e uma concluso) que, relacionando duas classes, opera com trs termos distintos.

    1. O termo maior (predicado da concluso);

    2. O termo menor (sujeito da concluso);

    3. O termo mdio (ocorre como elemento de ligao duas vezes nas premissas).

    Premissa maior: aquela premissa que tem o termo maior.

    Premissa menor: aquela premissa que tem o termo menor.

    CONTRRIAS

    SUB-CONTRRIAS

    CONT

    RADI

    TRI

    AS

    CONTRADITRIAS CON

    TRAD

    ITRI

    AS

    CONTRADITRIAS

    A E

    I O

    SU

    BA

    LT

    ER

    NA

    S

    SU

    BA

    LT

    ER

    NA

    S

    Todo livro instrutivo Nenhum livro instrutivo

    Algum livro instrutivo Algum no livro instrutivo

    Prof. Wagno O. de Souza

    Quadro de Oposio

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    Os quatro enunciados bsicos ou tpicos.

    A Todo livro instrutivo.

    E Nenhum livro instrutivo

    I Algum livro instrutivo

    O Algum livro no instrutivo.

    Quanto qualidade, tais enunciados so afirmativos ou negativos, isto p ou ~p. Quanto quantidade, tais enunciados so universais ou particulares. A opo pelas letra A, E, I e O vem das palavras latinas affirmo (o A e o I so afirmativos) e nego (o E e o O so negativos).

    Em r