Lua Cheia, Março de 2015, nº os antigos egípcios ligaram os dois fenômenos. Consequentemente, Sopdet

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    Lua Cheia, Maro de 2015, n 188

    sis (em egpcio, Aset) uma das principais

    divindades da mitologia egpcia que foi cultuada e

    adorada no Egito, no Imprio Romano, na Grcia, na

    Alemanha, e ainda venerada em inmeros lugares

    em todo o mundo, como deusa da maternidade e da

    fertilidade, modelo de me e de esposa ideais,

    protetora da natureza e da magia. Alm de ser

    considerada a representao maior da essncia

    materna e da esposa perfeita, atribudo a Ela

    tambm velar pelo reino natural, portanto, por todas

    as dimenses da existncia e da magia. Deusa lunar,

    sis simboliza o princpio feminino personificado na

    natureza e no cosmos, outorga a vida e a sade, e

    protetora e condutora dos mortos.

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    Os primeiros registros escritos acerca de sua

    adorao surgem pouco depois de 2500 a.C, durante a V

    dinastia egpcia, perodo em que so encontradas as

    primeiras inscries literrias a seu respeito, embora o

    seu culto apenas tenha proeminncia ao final da histria

    do antigo Egito, quando se iniciaram tambm cultos

    firmemente estabelecidos de muitas outras deusas.

    O culto sis difundiu-se alm das fronteiras do

    Egito e se alastrou por todas as partes do Imprio

    Romano. Na pennsula Itlica, a f nessa deusa egpcia

    era uma fora dominante. Em Pompeia, evidncias

    arqueolgicas revelam que sis desempenhava um papel

    importante. Em Roma, templos e obeliscos foram

    erguidos em sua homenagem. Na Grcia Antiga, os

    tradicionais centros de culto em Delos, Delfos e Elusis

    foram retomados por seguidores de sis, e isso ocorreu

    no norte da Grcia e tambm em Atenas. Inscries

    mostram que sis possua seguidores na Glia, na

    Espanha, na Alemanha, na Arbia Saudita, na sia

    Menor, em Portugal, na Irlanda e na Gr-Bretanha.

    A morte e o renascimento de Osris eram

    revividos anualmente em rituais e o Egito

    preserva uma cerimnia denominada Noite das

    Lgrimas, lembrando as lgrimas de sis durante a

    busca de seu amado Osris. Ela ocorre em junho,

    portanto conhecida como Festival Junino de

    Lelat-al-Nuktah. Nessa tradio, mantida pelo

    povo rabe, revive-se o enlace de Geb e Nut, ou

    seja, da Terra e do Firmamento, e o surgimento de

    sua descendncia, que inclui sis e Osris, alm de

    seus irmos, que assim totalizam nove deuses, a

    famosa Enada, que teve seu princpio com a

    Divindade criadora originria.

    Juntos, sis e Osris simbolizavam a realeza

    do Egito. Ela representava o trono no qual

    despontava o poder real do marido. O culto desta

    deusa foi de grande importncia na Antiguidade,

    especialmente no Imprio Romano, no qual ela

    obteve muitos discpulos como Senhora da Lua e

    Me do Sol, rainha da Terra e das estrelas, deusa-

    me do amor e da magia, perdurando o seu culto

    at supresso do paganismo na Era Crist. Hoje a

    arqueologia comprova este fato, e possvel

    encontrar vestgios de templos e monumentos

    piramidais em todas as partes de Roma.

    A estrela Spica (Alpha Virginis), e a

    constelao que modernamente corresponde

    aproximadamente de Virgo, surge no

    firmamento acima do horizonte em uma poca do

    ano associada colheita de trigo e gros e, desse

    modo, ficou associada a divindades da fertilidade,

    como Hathor. sis viria a ser associada a esses

    astros devido posterior fuso de seus atributos

    com os de Hathor.

    sis tambm assimilou atributos de

    Sopdet, deusa da mitologia egpcia descrita como

    uma mulher com uma estrela de cinco pontas

    sobre a cabea, que foi a deificao de Sothis, a

    estrela considerada por quase todos os

    egiptlogos como a Sirius. O nome Sopdet

    significa Ela quem , uma referncia ao brilho

    de Sirius, que a estrela mais brilhante no cu

    noturno. Logo aps Sirius aparecer no cu de

    julho, o rio Nilo comea seu ano de inundao, e

  • assim os antigos egpcios ligaram os dois fenmenos.

    Consequentemente, Sopdet foi identificada como

    uma deusa da fertilidade do solo, que foi trazida a ele

    por inundaes do Nilo. Outras fontes indicam que o

    surgimento de Sirius no firmamento significava o

    advento de um novo ano e que os antigos egpcios

    acreditaram que as cheias anuais do rio Nilo ocorriam

    por causa das lgrimas de tristeza de sis pela morte

    de seu marido Osris.

    O mito sobre sis, de grande importncia nas

    crenas religiosas egpcias, retrata-a como uma linda

    mulher, de longos cabelos negros, pele morena, olhos

    brilhantes como duas contas de nix, usando um

    vestido ricamente bordado com esmeraldas e rubis,

    adornada com uma tiara e vrias pulseiras de ouro, e

    coroada com o hierglifo (um sinal de escrita de

    antigas civilizaes) que significava trono.

    Embora sis fosse considerada como me

    universal, ela era venerada como protetora das

    mulheres em particular. Sendo aquela que d a vida,

    que preside a vida e a morte, ela era protetora das

    mulheres durante o parto e confortava aquelas que

    perdiam seus entes queridos.

    E m s i s a s m u l h e r e s

    encontravam o apoio e a

    inspirao para prosseguirem

    suas vidas. sis proclamava ser,

    em hinos antigos, a deusa das

    m u l h e r e s e d o t a v a s u a s

    seguidoras de poderes iguais

    aos do homem.

    O MITO - sis a primeira

    filha de Geb (deus egpcio da

    t e r r a ) e N u t ( d e u s a d o

    firmamento), esposa de seu

    irmo Osris e me de Hrus

    (deus dos cus, inebriado de

    energia solar, cuja designao

    na lngua egpcia era Horu-sa-

    Aset, que significa exatamente

    Hrus, Filho de sis), com os

    quais integra a principal trade

    (sis, Osris, Hrus) da religio do

    antigo Egito. O outro irmo,

    S e t h , r e s p o n s v e l p e l o s

    desertos, se transforma no principal inimigo do casal.

    Seth invejava profundamente Osris, que tinha

    como misso governar a terra, mais especificamente o

    Egito, e assim tinha a oportunidade de transmitir aos

    homens conhecimentos preciosos sobre agricultura e

    trato com os animais. Segundo a mitologia egpcia,

    Osris trado por Seth, morto e esquartejado por esta

    divindade que associada essncia do mal.

    sis, desesperada, procurou e conseguiu reunir

    todas as partes do corpo que tinham sido

    despedaadas e espalhadas por todo o Egito por Seth

    e, por meio de suas habilidades mgicas e de seu poder

    da cura, recompe o corpo do amado Osris, com

    exceo do genital masculino, trocado por um rgo

    de ouro. Aps isto, ela consegue procriar com o corpo

    de Osris, gerando o filho solar Hrus, e manteve o

    corpo recomposto do marido para proteger Hrus

    enquanto criana, para que ele crescesse e ento

    tivesse direito a reivindicar o trono usurpado por seu

    tio Seth, a quem ele mata.

    Aps ter assimilado muitos dos papis da

    deusa Hathor, a cobertura de cabea de sis passa a ser

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  • a de Hathor: os cornos de uma vaca, com o disco solar

    inscrito entre eles. s vezes, tambm representada

    como uma vaca, ou uma cabea de vaca.

    Frequentemente, porm, era retratada com o seu

    filho pequeno, Hrus (o fara), com uma coroa e um

    abutre. Tambm foi representada ou como um

    abutre pairando sobre o corpo de Osris, ou com

    Osris morto em seu colo enquanto o trazia de volta

    vida por meio de artes mgicas.

    Literalmente, o seu nome significa "Ela do

    trono". A sua cobertura original para a cabea foi um

    trono. Como personificao do trono, ela foi uma

    representao importante do poder do fara, assim

    como o fara foi representado como seu filho, que se

    sentou no trono que ela forneceu. Na maioria das

    vezes, sis retratada segurando apenas o smbolo

    Ankh, cruz ansata, que na escrita hieroglfica egpcia

    era o smbolo da vida, conhecido tambm como

    smbolo da vida eterna. Os egpcios usavam-na para

    indicar a vida aps a morte. Entretanto, no perodo

    final de sua histria, as imagens mostram-na com

    itens geralmente associados apenas a Hathor: o

    sistro sagrado e o colar smbolo de fertilidade

    menat.

    O sistro um instrumento de percusso que

    produz um som de chocalho. O instrumento j existia

    na Sumria do ano 2500 a.C. No Antigo Egito recebia

    o nome de sechechet e era utilizado por mulheres da

    nobreza e pelas sacerdotisas. Geralmente feito em

    bronze, tambm existiam exemplares em madeira e

    em faiana, uma espcie de cermica branca. Os

    sistros estavam particularmente associados ao culto

    da deusa Hathor, mas poderiam tambm ser

    empregados no de sis. Agitando-se o sistro pelo

    cabo produzia-se um som agudo e prolongado,

    muito apropriado para acompanhar ou ritmar o

    canto.

    Acreditava-se que o sistro tivesse virtudes de

    apaziguamento, aliviasse as mulheres no parto,

    afastasse os malefcios e abrandasse os modos das

    pessoas. Eram sempre tocados em momentos de

    alto significado religioso como, por exemplo,

    quando chegavam os que estavam de luto, quando o

    fara e a rainha apareciam, quando as cantoras

    comeavam a cantar. As sacerdotisas de Htor e as de

    Bastet costumavam agit-los como parte dos rituais

    que realizavam e, ao que parece, supunha-se que eles

    estimulavam a fecundidade. A prpria forma do

    instrumento tin