Mand. seg..[1]

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EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA _____ VARA FEDERAL DA SECO DE VARGINHA/MG.

xxxxxxxxx, brasileira, solteira, advogada, inscrita na OAB nxxxxx e no C.P.F. sob o n xxxxxx, RG n xxxxxxx, residente na Rua xxxxxxxxxx, Bairro Centro,xxxxxxxxxx, por sua advogada abaixo assinado vem a V. Excelncia, com esteio no art. 5, LXIX da CF c/c art. 1 da Lei 12.016/09 impetrar MANDADO DE SEGURANA com pedido de LIMINAR contra ato do SR. PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS, com endereo no Setor Bancrio Norte - SBN - Quadra 02 - Bloco E - 14 andar, Braslia-DF, CEP 70.040-912, pelo que passa a expor para no final requerer o que se segue: 1. DA ASSISTNCIA JUDICIRIA GRATUITA Inicialmente, afirma que no possui condies de arcar com custas processuais sem prejuzo do sustento prprio bem como o de sua famlia, razo pela qual faz jus ao benefcio da gratuidade da justia, nos termos da Lei 1.060/50.

2. DO CABIMENTOA via Mandamental, segundo o disposto na Lei 12.016 de 2009 e na Constituio Federal - Art. 5, XXXV e LXIX, o meio processual adequado sempre que houver leso ou ameaa de leso ao direito lquido e certo. O alargamento da utilizao do Mandado de Segurana resulta da presteza do veculo processual, constituindo-se, hoje, no nico meio vivel pronta reparao de direito prejudicado ou ameaado. No caso em tela a leso se deu com o ato administrativo exarado pelo Presidente Substituto do INSS, o Sr. Benedito Adalberto Brunca, publicado em 05/04/2010, seo 2, pgina 27, no Dirio Oficial da Unio, que de maneira desproporcional, desigual e ilegal distribui as vagas para nova nomeao de excedentes, contrariando o direito lquido e certo da Impetrante de ser nomeada. Ademais, o Sr, Benedito Adalberto Brunca diminuiu, de maneira abusiva e ilegal, aps um ano da homologao do certame,

o prazo de validade do concurso, contrariando, ainda, o direito liquido e certo do requerente de ter um concurso de 2(dois) anos prorrogveis por mais dois. O Mandado se Segurana est previsto na CF de 1988, ainda mais se observarmos tambm a mudana contida no inciso XXXV, do art. 5, que expressamente consagra a possibilidade de apreciao do Poder Judicirio de qualquer leso ou ameaa a direito. De conseguinte, encontra-se, j em nvel constitucional, suporte para a afirmao de que a ameaa a direito lquido e certo tem ampla proteo constitucional. O art. 1, 3, da Lei 12.016 de 2009 publicada no Dirio Oficial da Unio de 10 de Agosto de 2009 (que disciplina o mandado de segurana individual e coletivo) assegura o direito do Impetrante em pleitear mediante mandado de segurana individual a anulao do ato administrativo ora impugnado, ao prescrever que: Art. 1 Conceder-se- mandado de segurana para proteger direito lquido e certo, no amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa fsica ou jurdica sofrer violao ou houver justo receio de sofr-lo por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funes que exera. 3 Quando o direito ameaado ou violado couber a vrias pessoas, qualquer delas poder requerer o mandado de segurana.

ATHOS GUSMO CARNEIRO, Ministro do Superior Tribunal de Justia, ao abordar o mandado de segurana em matria administrativa elucidativo: A garantia constitucional do mandado de segurana de h muito perdeu seu carter de excepcionalidade, de "remdio herico", para incorporar-se atualmente no rol das aes de costumeira utilizao dos atos do Poder Pblico, em rito sumrio e permissivo de pronta definio dos direitos ou interesses cuja violao for argida. No vejo motivo para seguir longos caminhos se a estrada larga se apresenta, de logo, s partes e ao judicirio, dando azo prestao jurisdicional satisfativa, breve e eficaz" (Revista de Jurisprudncia do T.J. do RS, 118/232). Atualmente a utilizao do outrora denominado "remdio herico" notadamente em matria administrativa, definida com perfeio pela moderna doutrina, tem sido reconhecida por copiosa jurisprudncia emanada dos Tribunais.

3. DA TEMPESTIVIDADEConforme prev o art. 23, da Lei 12.016 de 2009:

Art. 23. O direito de requerer mandado de segurana extinguirse- decorridos 120 (cento e vinte) dias contados da cincia, pelo interessado, do ato impugnado. Ora, o ato da autoridade impetrada impugnado no presente mandamus foi publicado no Dirio do Oficial da Unio D.O.U, no dia 05/04/2010, seo 2, pgina 27, razo pela qual o prazo da utilizao do presente remdio constitucional somente dever expirar no dia 03/08/2010. Assim, interposto no dia de hoje, v-se que o impetrante se manifestou dentro do prazo legal. 4. HISTRICO PROCESSUAL Em 2008 foi realizado pela CESPE concurso pblico para preenchimento de vagas de Analista e Tcnico do Seguro Social do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Autarquia Previdenciria Federal. Inicialmente o edital da abertura do concurso ora mencionado, previu em suas publicaes datadas de 28/12/2007 e 31/12/2007, no item 12.14, que o concurso possua validade inicial de 01 (um) ano, contados a partir da data de publicao da homologao do resultado final, podendo ser prorrogado, uma nica vez, por igual perodo. Posteriormente, o Presidente do INSS naquela oportunidade, o Sr. Marco Antnio de Oliveira, fez uma retificao no edital atravs de nova publicao, disciplinando em 10/01/2008, no item 12.14 que o concurso passou a possuir validade de 02 (dois) anos, contados a partir da data de publicao da homologao do resultado final, podendo ser prorrogado, uma nica vez, por igual perodo. Vale salientar que o concurso foi devidamente homologado no dia 06/05/08 com o prazo de validade de 02 anos, admitindo sua prorrogao por mais 02 (dois) anos, comeando a contar a partir desta data a validade do certame, conforme edital n. 13 INSS, publicado no DOU 78, de 24/04/2008, Seo 3, pgina 58.

O prazo de validade contado da homologao do concurso. Homologao o ato administrativo mediante o qual a autoridade competente certifica que o procedimento do concurso foi vlida e regularmente concludo. Todavia, para espanto geral, o presidente substituto do INSS, o Sr. Benedito Adalberto Brunca, aps a homologao do certame, publicou ato administrativo em 24/04/2009, seo 3, pgina 92, no Dirio Oficial da Unio, modificando novamente o prazo inicial de validade do concurso, diminuindo sua validade para 01 (um) ano prorrogvel por igual perodo. Seno, vejamos:

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL EDITAL DE 23 DE ABRIL DE 2009 CONCURSO PBLICO O PRESIDENTE SUBSTITUTO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, nos termos da Portaria MP n 354, de 5 de novembro de 2007, publicada no Dirio Oficial da Unio - DOU, de 6 de novembro de 2007, retificada em 8 de novembro de 2007, que autoriza a realizao de concurso pblico para provimento dos cargos de Analista e Tcnico do Seguro Social, da Carreira do Seguro Social, de que trata o Edital n 01, de 26 de dezembro de 2007, publicado no DOU de 10 de janeiro de 2008, Seo 3, pgs. 98 a 109, com homologao do resultado final, objeto do Edital n 13, de 23 de abril de 2008, publicado no DOU de 24 de abril de 1 2008, torna pblica as DA seguintes alteraes: VALIDADE

1.1. Este concurso ter validade de um ano, contados a partir da data de publicao da homologao do resultado final, podendo ser prorrogado, uma nica vez, por igual perodo. 2 DAS DISPOSIES GERAIS

2.1. Tendo em vista o que determina o 1o do art. 1o do Decreto no 4.175, de 27 de maro de 2002, tornar sem efeito o disposto no item 12.14 do Edital no 01, de 26 de dezembro de 2007, publicado no DOU de 10 de janeiro de 2008, Seo 3, pg. 101. 2.2. Prorrogar, pelo prazo de um ano, a contar de 24 de abril de 2009, a validade do concurso pblico de que trata o Edital no 01, de 26 de dezembro de 2007. BENEDITO ADALBERTO BRUNCA

Em contato com a Diretoria de Recursos Humanos do INSS acerca da publicao acima, obteve-se a seguinte resposta:

Informamos que a retificao do prazo de validade do concurso pblico foi necessria para adequao do Edital n 01, de 26 de dezembro de 2007, ao disposto no Decreto n 4.175, de 27 de maro de 2002, bem como s normas expedidas pelo Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto, em especial, Portaria n 450, de 06 de novembro de 2002, publicada no DOU de 07 de novembro subseqente. O art. 1 do Decreto n 4.175, estabelece que a validade dos concursos pblicos poder ser de at um ano, prorrogvel por igual perodo. Corrobora tal dispositivo o art. 12 da Portaria DIRETORIA [email protected] Tel.: 01.700 SBN QD.02 BRASLIA-DF - CEP. 70.040-912 61 BL.E LT.15 3313-4991 DRH/INSS SL.701 n 450, DE de 06 de novembro de 2002. RECURSOS HUMANOS

Aps a referida informao, buscaram-se respostas junto ao Ministrio do Planejamento - MPGO, sendo informado pelo Sr. Nildo Luzio, o seguinte acerca do assunto: No h ilegalidade. A Constituio da Repblica, em seu artigo 37, inciso III, determina que os concursos pblicos tero validade de at dois anos, prorrogvel por igual perodo, a critrio da Administrao. Ocorre que o Presidente da Repblica no uso das competncias privativas que lhe conferem o artigo 84 da CR determinou, pelo Decreto n 4.175, de 2002, que no Poder Executivo Federal os concursos podem ter validade de at um ano, prorrogvel por igual perodo, a critrio da administrao. Portanto, ao fixar o prazo de validade do concurso pblico em dois anos prorrogvel por igual perodo, o INSS descumpriu o mandamento do decreto acima citado. A questo foi trazida pelo INSS ao Ministrio do Planejamento que em avaliao da Consultoria Jurdica orientou que o INSS procedesse retificao do edital, com a justificativa de corrigir o erro do edital de concurso que fixou o prazo em discordncia

ao Decreto n 4.175, de 2002. A Administrao Pblica tem a obrigao de sanear eventuais erros cometidos, justificando, desta forma, a retificao do edital. Att. NILDO LUZIO

Ocorre que no termina por a a srie de ilegalidades praticadas pela autarquia impetrada. No dia 05 de abril do corrente ano houve nomeao de mais 1000 candidatos do concurso de 2008, o que corresponde a 50% do quantitativo inicial de vagas, nos termos do art. 14 da Portaria 450/2002. Tais vagas deveriam ser distribudas proporcionalmente, o que aconteceu na maioria das localidades mas em outras no, prejudicando, assim, o direito de nomeao do autor, conforme se demonstrar. Ante tais informaes, no restou ao Impetrante outra opo para coibir a arbitrariedade cometida pelo Presidente do INSS atravs do ato que reduziu, aps um ano de homologao do edital, o prazo de validade do concurso, bem como diante da forma desproporcional, ilegal e desigual que ocorreu a nomeao dos excedentes, seno impetrar o presente mandamus, com o objetivo de sanar tamanha ilegalidade, tendo em vista que tal ato viola frontalmente princpios estabelecidos na Constituio Federal, notadamente no que se refere ao princpio da segurana jurdica, bem como o entendimento da jurisprudncia do Supremo Tribunal Federal, conforme ser demonstrado pelos argumentos de fato e de direito expostos nos tpicos subseqentes. 5. DO DIREITO

5.1- DA CORRETA INTERPRETAO DAS ESPECIFICIDADES DO DECRETO N 4.175, DE 2002 E DA PORTARIA 450, DE 2002.

O INSS alega que o prazo do concurso teve que ser retificado considerando o art. 1 do Decreto 4.175, de 2002 c/c art. 12 da Portaria 450, de 2002. O MPOG alega que o INSS teve que proceder tal retificao pois o prazo de 2 anos estaria em discordncia ao Decreto 4.175. Ambas as interpretaes esto eivadas de clara m-f. Ainda que se considere o entendimento de que o Decreto 4.175 no contraria o disposto no art. 37, III

da Carta Maior, ou seja, de que o Decreto apenas restrinja o tamanho do prazo, o que trazemos baila apenas para argumentar, a tese do MPOG e INSS de que o prazo mximo deve se ater a 01 ano no merece prosperar.

Vejamos " Decreto

os 4.175,

referidos de

artigos: 2002

Art.1 A seleo de candidatos para o ingresso no servio pblico federal ocorrer de modo a permitir a renovao contnua do quadro de pessoal, observada a disponibilidade perodo. 2 O disposto no 1 poder aplicar-se aos concursos vigentes, a critrio do Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto, desde que os respectivos editais no estabeleam prazo mais longo." oramentria. 1 A validade dos concursos pblicos poder ser de at um ano, prorrogvel por igual

Portaria

450,

de

06.11.2002

Art. 11. No caso de concursos pblicos realizados em duas etapas, a segunda ser constituda de curso ou programa de formao, de carter eliminatrio, podendo, desde que previsto nos instrumentos reguladores do concurso, ser, tambm, classificatria. 1 A classificao poder ser feita separadamente por etapas ou pela soma dos pontos obtidos nas duas etapas do concurso. Art. 12. A validade dos concursos pblicos poder ser de at um ano, prorrogvel por igual perodo, contada a partir da data de publicao da homologao do concurso ou da homologao da primeira turma, no caso de certames organizados em duas etapas, conforme dispe o art. 11.

Importante salientar que, no art. 1, 2, do Decreto 4.175/02 supracitado consta uma ressalva em relao ao prazo mximo que ficou estabelecido no art. 1, 1, vez que menciona que no se aplica o prazo de 01 (um) ano prorrogvel por mais 01 (um) quando o edital do concurso tenha fixado prazo maior. No caso em tela, o concurso foi homologado no dia 06/05/08 com o prazo de validade de 02 anos,

admitindo sua prorrogao por mais 02 (dois) anos, conforme edital n. 13 INSS, publicado no DOU 78, de 24/04/2008, Seo 3, pgina 58 (doc.03). De sorte que no h que se falar em violao ao Decreto 4.175/02, j que o prprio 2, do art. 1 faz a ressalva de que o prazo de 01 (um) ano s dever ser aplicado quando o edital no houver estabelecido prazo mais longo, o que se deu no concurso do INSS de 2008. Assim, no h respaldo legal que justifique a alterao do prazo do concurso do INSS de 2008 para se adequar ao prazo estabelecido no art. 1, 1, do Decreto 4.175/02, vez que o edital est amparado pela ressalva contida no 2 deste mesmo dispositivo legal, que, diga-se de passagem, foi totalmente ignorada pela autoridade coatora. Ora, o concurso do INSS de 2008 foi homologado no dia 24/04/08 com o prazo de validade de 02 anos, prorrogvel por mais 02 (dois) anos, o que gerou um ato jurdico perfeito, no havendo que se falar em possibilidade de alterao posterior do edital do certame, notadamente quando tal alterao tem o escopo de reduzir arbitrariamente o prazo de validade do concurso, vez que no tem amparo legal contrariando o prprio Decreto que fundamentou a referida modificao. Deste modo, resta claro que o ato da autoridade coatora publicado no Dirio Oficial da Unio no dia 24/04/2009, seo 3, pgina 92, deve ser considerado nulo de pleno direito, uma vez que violou frontalmente o dispositivo constitucional da segurana jurdica previsto no art. 5, XXXVI, da Constituio Federal de 1988.

Art. 5 [...] XXXVI a lei no prejudicar o direito adquirido, o ato jurdico perfeito e a coisa julgada. Vale salientar que tanto o inciso III, do art. 37, da Constituio Federal, de 1988 quanto o art. 12, da Lei 8.112/1990 (responsvel pelo regime jurdico dos servidores pblicos federais) garantem a possibilidade da Administrao Pblica Federal estabelecer um prazo de validade de concursos pblicos de at dois anos, prorrogvel por igual perodo.

CONSTITUIO FEDERAL DE 1988 Art. 37 [...] III- o prazo de validade do concurso pblico ser de at dois anos, prorrogvel uma vez por igual perodo. LEI 8.122/1990 Art. 12. O concurso pblico ter validade de at 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma nica vez por igual perodo. Por outro lado, em relao ao que prescreve a Portaria 450 de 2002, cumpre observar que o prazo de 01 (um) ano previsto no art. 12 c/c art. 11 do mencionado dispositivo legal, somente aplicvel a concursos realizados exclusivamente em duas etapas, constituda de curso ou programa de formao, de carter eliminatrio e/ou classificatrio, ponto este que no foi objeto do concurso de analista e tcnico do seguro social, vez que houve apenas uma etapa de conhecimentos objetivos. Tal especificidade tambm foi completamente ignorada pelo Presidente do INSS, de maneira que, conforme demonstrado, no h que se falar em aplicao do art. 12 da Portaria 450, de 2002, no caso em tela. Assim, pode-se concluir que o prazo inicial de 02 (dois) anos, prorrogvel por mais 02 (dois), informado no DOU 7, de 10/01/2008, Seo 3, pgina 216, no contraria nem Decreto 4.175, de 2002, tampouco a Portaria 450, de 2002, estando em total consonncia com o que preceitua a Constituio Federal e a Lei 8.112/1990, no havendo, portanto, qualquer tipo de amparo legal que justifique o motivo do ato administrativo que diminuiu arbitrariamente o prazo de validade do concurso. De sorte que, em verdade, houve um vcio em relao ao motivo que determinou a realizao do ato administrativo ora impugnado. Deve-se aplicar, no caso em tela, a teoria dos motivos determinantes, desenvolvida no Direito Francs, a mencionada teoria baseia-se no princpio de que o motivo do ato administrativo deve sempre guardar compatibilidade com a situao de fato que gerou a manifestao da vontade. Conseqentemente, se o motivo se conceitua como a prpria situao de fato que impede a vontade do administrador, a inexistncia dessa situao provoca a invalidao do ato.

Acertada, pois a lio do nobre doutrinador Hely Lopes Meirelles, segundo o qual: tais motivos que determinam e justificam a realizao do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondncia entre eles e a realidade. (CARVALHO FILHO, 2005 p. 101 apud MEIRELLES, p. 181). Ainda sobre a aplicabilidade da teoria dos motivos determinantes, mister se faz citar os ensinamentos do ilustre doutrinador Jos dos Santos Carvalho Filho: A aplicao mais importante desse princpio incide sobre os discricionrios, exatamente aqueles em que se permite ao agente maior liberdade de aferio da conduta. Mesmo que um ato administrativo seja discricionrio, no exigindo portanto, expressa motivao esta, se existir passa a vincular o agente aos termos em que foi mencionada. Se o interessado comprovar que inexiste a realidade ftica mencionada no ato como determinante da vontade, estar ele irremediavelmente inquinado de vcio de legalidade. (CARVALHO FILHO, 2005, pg. 101) Ante os argumentos expostos, pode-se extrair que a validade do ato se vincula aos motivos indicados como seu fundamento, de tal modo que, se inexistentes ou falsos, implicam a sua nulidade. Conforme demonstrado, o motivo que determinou a realizao do ato do Presidente do INSS no existiu, uma vez que os dispositivos do Decreto 4.175/02 e da Portaria 450/02 que fundamentou a diminuio do prazo de validade do concurso no tem aplicao no caso concreto, de modo que, resta claro que o ato administrativo ora impugnado nulo de pleno direito. E ainda, caso seja a alegao da entidade coatora o entendimento de Vossa Excelncia, no h como se olvidar que o disposto nesses atos normativos secundrios tenham supremacia sobre o que dispe a Carta Magna, bem como a lei 8.112/90 que prevem que o prazo do concurso pode sim ser de 2(dois) anos.

5.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAO DO EDITAL DEPOIS DA HOMOLOGAO DO CERTAME.

Em termos objetivos, eventuais alteraes editalcias - sob pena de afronta segurana jurdica e ao princpio da legalidade somente podem ser realizadas para eventuais readequaes legislao existente e antes da homologao do concurso.

O entendimento acima cristalino e pacfico no Supremo Tribunal Federal, conforme se demonstra:

ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PBLICO. CONCURSO. ALTERAO DO EDITAL. 1. Enquanto no concludo e homologado o concurso pblico, pode a Administrao alterar as condies do certame constantes do respectivo edital, para adapt-las nova legislao aplicvel espcie. Antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de direito nomeao. Precedentes. 2. Recurso provido. ( RE 318106/RN, relatora Min. Ellen Gracie, julgado em 18 de outubro de 2005). CONSTITUCIONAL. CONCURSO PBLICO. CURSO DE FORMAO DE SOLDADOS DA POLCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N 50/98, QUE, APS A CONCLUSO DA PRIMEIRA ETAPA, PASSOU A EXIGIR ESCOLARIDADE DE NVEL SECUNDRIO. CONSTITUIO FEDERAL, ART. 5, INCISO XXXVI. DIREITO ADQUIRIDO INEXISTENTE. Em face do princpio da legalidade, pode a Administrao Pblica, enquanto no concludo e homologado o concurso pblico, alterar as condies do certame constantes do respectivo edital, para adapt-las nova legislao aplicvel espcie, visto que, antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de direito nomeao ou, se for o caso, participao na segunda etapa do processo seletivo. ( RE 290346/MG, relator Min. Ilmar Galvo, julgado em 29 de junho de 2001). Dessa forma, interpretando-se a contrrio sensu, resta claro que a administrao pblica somente tem o poder de retificar o prazo de validade do presente concurso at a data de homologao, que ocorreu em 06.05.2008. Pode-se inferir que, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal aps a homologao do concurso no licito a administrao modificar as regras anteriormente explicitadas sob pena de violar o princpio da segurana jurdica e do ato jurdico perfeito, ainda mais lastreada em argumentos insubsistentes e desconformes com o melhor entendimento jurdico, como foi verificado no caso em tela. Ainda no que concerne ao princpio da vinculao do concurso ao que foi estipulado no edital, pela relevncia da matria e dada a correlao com o caso em tela, mister se faz trazer a baila deciso recente do Supremo Tribunal Federal, no

julgamento do Recurso Extraordinrio (RE) n 480129, datada de30/06/2009, posicionando-se no sentido de que o edital obriga no s os candidatos como tambm a Administrao Pblica. Esse foi o entendimento reiterado pelos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que deram provimento, por unanimidade ao Recurso Extraordinrio (RE) 480129, interposto por Shirley Ruth Vicente Neves contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O edital obriga candidatos e administrao pblica afirmou. (RE 480129, relator Min. Marco Aurlio, julgado em 30 de junho de 2009). De acordo com o ministro Marco Aurlio, o Tribunal Regional Federal da 1 Regio entendeu que a portaria contraria o pargrafo 1, do artigo 12, da Lei 8112/90. Segundo este dispositivo, o prazo de validade do concurso e as condies de sua realizao sero fixados em edital que ser publicado no Dirio Oficial Unio e em jornal dirio de grande circulao. Simplesmente brincou-se com a cidad, disse o relator, comentando que a autora fez o concurso ao acreditar na Administrao Pblica. A confiana dos cidados em geral na Administrao Pblica est em jogo. No dia em que ns, cidados, no acreditarmos mais na Administrao Pblica teremos que fechar para balano, finalizou o Ministro Marco Aurlio. (RE 480129, relator Min. Marco Aurlio, julgado em 30 de junho de 2009) A Turma acompanhou, por unanimidade, o voto do relator pelo provimento do recurso. O edital, dizia o Hely Lopes Meirelles, a lei interna da licitao e dos contratos que uma forma de competio, disse a ministra Crmen Lcia Antunes Rocha. A eminente Ministra ressaltou que ao mesmo tempo em que a Administrao estabelece regras, como por exemplo, a pontualidade para a realizao das provas sob pena de eliminao do concurso, deve cumprir o que o edital dispe. O candidato tem que ser srio, responsvel e compenetrado nas regras a serem cumpridas e a Administrao pode ser leviana? Pode ela no cumprir? Pode ela alterar regras no em benefcio do interesse em pblico, mas contra?, indagou a Ministra Crmen Lcia Antunes. (RE 480129, relator Min. Marco Aurlio, julgado em 30 de junho de 2009) Nesta deciso, o ministro Carlos Ayres Britto afirmou que: o edital - norma regente interna da competio -, uma vez publicado, gera expectativas nos

administrados que ho de ser honradas pela Administrao Pblica. Ela tambm est vinculada aos termos do edital que publicou. (RE 480129, relator Min. Marco Aurlio, julgado em 30 de junho de 2009) Segue abaixo a transcrio do Informativo 553 do STF de 2009 que fez meno a supracitada deciso.

INFORMATIVO N 553 TTULO Concurso Pblico: Vinculao ao Edital e Ingresso na Carreira PROCESSO RE-480129 ARTIGO O edital relativo a concurso pblico obriga no s a candidatos como tambm a Administrao Pblica. Com base nesse entendimento, a Turma proveu recurso extraordinrio para reconhecer, com as conseqncias prprias, o direito da recorrente nomeao no cargo em que aprovada, observados classe e padro descritos no edital do certame. Na espcie, o edital do concurso pblico previra que o ingresso no cargo de Tcnico em Arquivo dar-se-ia na Classe D, Padro IV. Entretanto, a recorrente fora nomeada para o padro inicial da carreira, em virtude de portaria editada pelo Secretrio de Recursos Humanos da Secretaria da Administrao Federal da Presidncia da Repblica, a qual determinara que os provimentos em cargo pblico seriam feitos na inicial da classe e padro de cada nvel. Ressaltou-se, de incio, que o edital fora publicado em data anterior a esse ato administrativo. Em seguida, aduziu-se que deveria ser adotado enfoque que no afastasse a confiana do cidado na Administrao Pblica e que a glosa seria possvel caso houvesse discrepncia entre as regras do concurso constantes do edital e a nomeao verificada ou descompasso entre o que versado no edital e a lei de regncia. Nesse ponto, registrou-se que a restrio contra a qual se insurgira a recorrente estaria fundada em portaria considerada discrepante, pelo tribunal a quo, do art. 12, 1, da Lei 8.112/90 ( 1 O prazo de validade do concurso e as condies de sua realizao sero fixados em edital, que ser publicado no Dirio Oficial da Unio e em jornal dirio de grande circulao.). Concluiu-se que a alterao ocorrida, olvidando-se a previso do edital de estar o concurso voltado ao preenchimento de cargo no padro IV e no no padro I, conflitaria com a disciplina constitucional a direcionar a observncia dos parmetros firmados, desde que estes atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Determinou-se, ainda, a satisfao das diferenas vencidas e vincendas, que devero ser atualizadas, com

incidncia de juros. RE 480129/DF, rel. Min. Marco Aurlio, 30.6.2009. (RE-480129).

Conforme dito anteriormente, esta deciso recente do Supremo Tribunal Federal tem estreita correlao com o tema ora apresentado, e s vem a corroborar com os argumentos aqui dispostos. O posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal pacificou totalmente qualquer dvida que ainda pairasse sobre a matria, vez que consolidou o entendimento no sentido da necessria obedincia aos ditames previstos no edital do concurso pblico, tanto pelos candidatos, como tambm pela Administrao Pblica. De sorte que, de acordo com o entendimento atual da Corte Suprema, no se pode admitir que a Administrao Pblica mediante ato administrativo posterior venha modificar as normas dispostas no edital de concurso pblico j devidamente homologado. O Ato Administrativo no pode atingir o ato jurdico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, em conformidade com o que reza o art. 5, XXXVI, da Constituio Federal de 1988.

Ora, o ato exarado pelo Presidente Substituto do INSS, o Sr. Benedito Adalberto Brunca, publicado em 24/04/2009, seo 3, pgina 92, no Dirio Oficial da Unio, diminuiu o prazo de validade do concurso aps a homologao do edital, o que, por si s, contraria o posicionamento do STF, em total desrespeito ao princpio da vinculao objetiva do concurso as normas previstas no edital de convocao, ao princpio da segurana jurdica e ao princpio da razoabilidade. Posto isso, como medida da mais ldima JUSTIA, imperioso que este MM. Juzo promova a anulao do ato administrativo exarado pelo Presidente Substituto do INSS, o Sr. Benedito Adalberto Brunca, publicado em 24/04/2009, seo 3, pgina 92, no Dirio Oficial da Unio, que de maneira abusiva e ilegal diminuiu, aps a homologao do certame, o prazo de validade do concurso, contrariando o direito lquido e certo do Impetrante de ser nomeado no prazo de validade de 02 (dois) anos prorrogvel por igual perodo, conforme previso do item 12.14 do Edital n. 01, sendo certo que as nulidades podem ser argidas a qualquer tempo.

5.3- DA NECESSIDADE DA PRORROGAO DO PRAZO DO CONCURSOO Instituto Nacional do Seguro Social INSS vive um momento de caos institucional, os servidores da mencionada Autarquia Federal realizaram greve nacional do perodo do dia 16/06/2009 ao dia 16/07/2009, reivindicando melhores condies de trabalho e a contratao imediata dos 2.000 excedentes aprovados no concurso de Analista e Tcnico do Seguro Social realizado em 2008. A necessidade de contratao de novos servidores imensa, formam-se longas filas de atendimento para a populao, sem contar que em virtude da baixa remunerao paga aos seus servidores do INSS comparado com os demais rgos do Poder Executivo, o nmero de pedidos de exonerao muito grande. Outro fator importante a ser levado em considerao o grande nmero de servidores que esto se aposentando e que esto prestes a se aposentar. De acordo com o vice-presidente da Associao Nacional dos Servidores da Previdncia e da Seguridade Social (Anasps), Alexandre Barreto Lisboa nos dois prximos anos, mais de dez mil funcionrios vo se aposentar e 729 agncias sero inauguradas, em todo o pas, o que demanda a necessidade de contratao de pessoal. Se for pensar nacionalmente, quase mil servidores devido a aposentadorias, desligamentos e bitos. um nmero muito alto, por isso a necessidade de reposio muito grande, relatou Alexandre Lisboa. Como dito, no tpico referente ao histrico processual, a autarquia nomeou 1000 dos candidatos classificados no concurso de Analista e Tcnico do Seguro Social do Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Definitivamente esse nmero no consegue suprir a carncia de servidores do INSS em todo o Brasil, vez que durante o perodo da realizao do concurso at a presente data houve uma srie de desistncias, bitos, aposentadorias, sem contar com a criao de novas 729 agncias que sero inauguradas nos prximos 02 (dois) anos (atualmente o INSS conta com cerca de 1.110 Agncias espalhadas em todo o pas). No dia 06/07/2009, foi divulgado pela Assessoria de Imprensa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a um site especializado em concursos

pblicos (FOLHA DIRIGIDA) a solicitao do INSS junto ao Ministrio do Planejamento de 3 mil novas vagas a serem preenchidas por um novo concurso pblico, sendo mil para perito-mdico e as outras 2 mil divididas entre Tcnico e Analista do Seguro Social, demonstrando a clara inteno do INSS de no aproveitar o restante dos candidatos habilitados no concurso de 2008. Ora, mesmo com a autorizao do Ministrio do Planejamento para nomeao de mais 1000(mil) candidatos aprovados no concurso de 2008 para Analista e Tcnico do Seguro Social, ainda restaram um contingente de cerca de 1000 candidatos habilitados, que tiveram seus nomes homologados e publicados no Dirio Oficial da Unio por estarem no dobro do nmero de vagas ofertadas pelo certame, como foi o caso da ora Impetrante, bem como outros milhares de candidatos classificados, que foram tambm homologados recentemente em 31 de maro de 2010, que sero severamente prejudicados pela realizao de outro concurso. Ademais , o 2, do art. 12, da Lei 8112/1990, que dispe sobre o regime jurdico dos servidores pblicos federais, claro ao dispor que:

Art. 12. O concurso pblico ter validade de at 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma nica vez por igual perodo.

2 No se abrir novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade no expirado.

De outro modo, o inciso IV, art. 37 da Constituio Federal de 1988 reza que: Art. 37 [...] IV. durante o prazo improrrogvel previsto no edital de convocao, aquele aprovado em concurso pblico de provas ou de provas e ttulos ser convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira.

Assim, caso haja autorizao pelo Ministrio do Planejamento ou por qualquer outro meio haja previso de vaga mediante concurso pblico para o cargo

de Tcnico do Seguro Social, enquanto estiver vlido o prazo de validade do certame (02 anos prorrogvel por igual perodo), no restam dvidas de que direito lquido e certo do Impetrante ser nomeado com prioridade sobre novos concursados, consoante art. 37, IV, da Constituio Federal de 1988. Ademais, alm de ser ilegal a realizao de um novo concurso pblico na presente ocasio, mister se faz esclarecer que no h necessidade de um novo concurso com tantos candidatos habilitados aguardando a nomeao em diversas localidades em todo o Brasil, como o caso da Impetrante classificada em 5 lugar para o cargo de Tcnico da Seguridade Social na Agncia de Previdncia Social de Alfenas, Gerncia de Varginha/MG. Caso o INSS necessite de servidores em outras localidades no contempladas pelo concurso de 2008 para atender as demandas do Plano de Expanso PEX (criao de 729 novas agncias), a medida mais adequada seria promover o remanejamento dos servidores de outras localidades e no a realizao de um novo certame para suprir essa carncia, o que s iria gerar mais despesas desnecessrias aos cofres pblicos. Nota-se ainda que, pacfico na jurisprudncia o entendimento da possibilidade do judicirio decidir sobre a prorrogao da validade do concurso, sem que isso implique invaso da margem de liberdade conferida Administrao, sob o argumento de que conforme o art. 5, XXXV, da Constituio Federal, o Estado Democrtico de Direito no tolera a prtica de atos abusivos e arbitrrios, infensos ao controle judicial. natural dos regimes democrticos, uma nova perspectiva de Estado, sociedade e cidadania, voltada harmonizao e equilbrio das relaes, onde Administrao e administrados devem se comprometer com o interesse pblico. Jos Srgio da Silva Cristovam, em artigo publicado no site jusnavigandi (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7258) assevera que:

A atuao estatal, alm da imprescindvel satisfao finalidade legal, deve, materialmente, guardar consonncia com os ditames constitucionais, no sendo bastante a conformidade lei, mas, sobretudo, a adequao ao Direito. O parmetro positivista da legalidade carece de um alargamento, sobretudo

com a consolidao do modelo ps-positivista e a noo de juridicidade. Desta forma, a discricionariedade administrativa no prescinde da estreita adequao ao princpio constitucional da juridicidade, sendo que a simples adequao do ato lei no o bastante, j que esta apenas uma das fontes de Direito. A atividade administrativa discricionria deve, por conseguinte, mostrar-se de acordo com o princpio da legalidade material, guardando conformidade s mximas da razoabilidade e da proporcionalidade. Se inadequado, desarrazoado ou desproporcional o ato discricionrio, necessria ser sua invalidao quando do controle jurisdicional.

E diz mais:

Tanto a oportunidade como a eqidade so mandamentos que devem inspirar a autoridade administrativa na obteno dos meios mais idneos soluo da situao prevista pela norma, na deciso pelo ato que melhor respeite os interesses da Administrao e dos administrados. Se o ato no for oportuno e eqitativo, a discricionariedade administrativa restar viciada em suas questes de mrito.

Alm do mais, a jurisprudncia ptria tem se posicionado no sentido da obrigatoriedade de prorrogao do prazo de validade do concurso, quando existem candidatos aprovados aguardando convocao, tendo em vista que a noprorrogao do prazo de validade de concurso pblico nesta hiptese viola frontalmente o princpio da razoabilidade, sendo impositiva e irrecusvel a obrigao de realizar, em respeito ao interesse pblico e aos princpios constitucionais aplicveis (CF, art. 37), a contratao dos trabalhadores aprovados no processo democrtico de seleo realizado. Podemos citar o voto do Ministro Marco Aurlio no julgamento do RE n 192568-0-PI como se segue:

CONCURSO PBLICO - EDITAL - PARMETROS OBSERVAO. As clusulas constantes do edital de concurso obrigam candidatos e Administrao Pblica. Na feliz dico de Hely Lopes Meirelles, o edital lei interna da concorrncia. CONCURSO PBLICO - VAGAS - NOMEAO. O princpio da razoabilidade conducente a presumir-se, como objeto do

concurso, o preenchimento das vagas existentes. Exsurge configurador de desvio de poder, ato da Administrao Pblica que implique nomeao parcial de candidatos, indeferimento da prorrogao do prazo do concurso sem justificativa socialmente aceitvel e publicao de novo edital com idntica finalidade. "Como o inciso IV (do artigo 37 da Constituio Federal)tem o objetivo manifesto de resguardar precedncias na seqncia dos concursos, segue-se que a Administrao no poder, sem burlar o dispositivo e sem incorrer em desvio de poder, deixar escoar deliberadamente o perodo de validade de concurso anterior para nomear os aprovados em certames subseqentes. Fora isto possvel e o inciso IV tornar-se-ia letra morta, constituindo-se na mais rptil das garantias" (Celso Antonio Bandeira de Mello, "Regime Constitucional dos Servidores da Administrao Direta e Indireta", pgina 56).

De sorte que, conforme defende a orientao da jurisprudncia atual, impositiva e irrecusvel a obrigao da contratao dos candidatos aprovados no processo democrtico de seleo do INSS de 2008, em detrimento dos candidatos aprovados em um novo concurso, em respeito ao interesse pblico e aos princpios constitucionais aplicveis. Neste sentido, tambm, segue abaixo ementa do Acrdo do Tribunal Regional do Trabalho da 10 Regio, proferida em 26/11/2008, na ao intentada pelo Ministrio Pblico do Trabalho em face do Banco do Brasil S.A. Seno, vejamos:

Processo: ALENCAR RODRIGUES

00727-2008-006-10-00-6-RO

Acrdo do(a) Exmo(a) Desembargador(a) Federal do Trabalho DOUGLAS

Processo: 00727-2008-006-10-00-6-RO Acrdo do(a) Exmo(a) Desembargador(a) Federal do Trabalho DOUGLAS ALENCAR RODRIGUES Ementa: AO CIVIL PBLICA. ENTIDADE VINCULADA ADMINISTRAO PBLICA INDIRETA. PRORROGAO DO PRAZO DE VALIDADE DE CONCURSO PBLICO. PREVISO EM EDITAL. DECISO NEGATIVA. ATO DISCRICIONRIO. MOTIVAO EXPOSTA AO MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO. POSSIBILIDADE DE SUBMISSO AO CONTROLE JUDICIAL. I - Embora a prorrogao do prazo de validade de concurso pblico encerre ato discricionrio do Administrador,

vinculado a juzos prprios de convenincia e oportunidade, a indicao das razes que justificam a conduta viabiliza e legitima a sua submisso sindicncia judicial -- luz das teorias do desvio de poder e dos motivos determinantes -, sem que isso implique invaso da margem de liberdade conferida Administrao. Precedentes do STF. II - No Estado Democrtico de Direito, no se tolera a prtica de atos abusivos e arbitrrios, infensos ao controle judicial (CF, art. 5, XXXV). Assim, se os motivos apresentados para justificar a deciso de noprorrogao do prazo de validade de concurso pblico ressentem-se da ausncia de razoabilidade, se h candidatos aprovados aguardando convocao e se est demonstrada a necessidade de contratao imediata de empregados pelo ente pblico envolvido, ser impositiva e irrecusvel a obrigao de processar, em respeito ao interesse pblico e aos princpios constitucionais aplicveis (CF, art. 37), a contratao dos trabalhadores aprovados no processo democrtico de seleo realizado. Recurso conhecido e provido.

Assim, amparado no que preceitua os dispositivos constitucionais e a jurisprudncia ptria, bem como a real necessidade da convocao de mais servidores, nota-se claramente a impossibilidade da realizao de um novo concurso enquanto no forem sanadas as referidas irregularidades, devendo o INSS ser compelido a prorrogar o prazo do concurso por mais 02 anos, afim de que sejam aproveitados os candidatos j habilitados no certame, prezando pelo respeito aos princpios da eficincia, economicidade e razoabilidade que devem nortear os concursos pblicos. Nesse sentido foi impetrado um mandado de segurana que foi concedia liminar do qual no atual momento ainda encontra-se em discusso. O juiz federal da 20 Vara do DF, Alexandre Vidigal de Oliveira, deferiu liminar para suspender a eficcia do edital de 23 de abril de 2009, publicado em 24 de abril de 2009, que reduzia a um ano o prazo de validade do concurso para provimento dos cargos de analista e tcnico do INSS, mantendo-se vigente o Edital n 1, de 26/12/2007, publicado em 10 de janeiro de 2008, que regeu o certame j homologado. O magistrado, ao decidir, apresenta manifestao do Supremo Tribunal Federal de que, "enquanto no concludo e homologado o concurso pblico, pode a Administrao alterar as condies do certame constantes do respectivo edital, para adapt-las nova legislao aplicvel espcie. Antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de direito nomeao (STF, RE 318106/RN)". Porm,

no caso concreto, explica o magistrado, houve homologao do resultado do concurso em 24 de abril de 2008, quando a validade do certame era de dois anos, no sendo cabvel a alterao posterior daquele prazo, feita em 24 de abril de 2009. Mandado de Segurana 2009.34.00.039978-0/DF Sem mais delongas, excelncia, resta claro que a validade do certame tem que ser considerada em 02 (dois) anos por ser a mais clara legalidade e que a autora possa ser nomeada na eventual abertura vaga. 6. DO DIREITO LQUIDO E CERTO NOMEAO

No dia 05 de abril do corrente ano houve nomeao de mais 1000 candidatos do concurso de 2008, o que corresponde a 50% do quantitativo inicial de vagas, nos termos do art. 14 da Portaria 450/2002. As vagas deveriam ser distribudas proporcionalmente nos termos do Art. 14, 2 da Portaria supracitada, seno vejamos:

Art. 14. Durante o perodo de validade do concurso pblico, o Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto poder autorizar a nomeao ou contratao de candidatos classificados e no convocados, at o limite de cinqenta por cento a mais do quantitativo original de vagas. (...) 2 A nomeao ou contratao dos candidatos obedecer rigorosamente ordem de classificao do concurso pblico.

Ocorre, Excelncia, que a autarquia impetrada incorre em mais uma dentre tantas ilegalidades que a mesma cometeu nesse concurso como j foi demonstrado. O concurso em anlise foi feito por cidades (APSs), sendo que as vagas deveriam ser distribudas proporcionalmente em cada cidade. Isso quer dizer que para cada cidade contemplada no concurso seriam nomeados metade dos candidatos inscritos na mesma, ou seja, se em uma cidade foi disponibilizada 4(quatro) vagas iniciais, seriam nomeados mais 2(dois) candidatos para essa cidade, o que corresponde a 50% das vagas disponibilizadas para a mesma. Registre-se que realmente isso aconteceu na grande maioria das cidades, mas em outras no, ocasionando uma quebra da isonomia que deve reger o concurso, prejudicando a impetrante como se demonstrar ao final. O cerne do problema, meritssimo, se deu quanto s cidades contempladas no concurso com nmero de vagas mpares, tendo em vista, por exemplo,

que em uma cidade que disponibilizou 3(trs) vagas iniciais, que foi o caso da ora impetrante, no se poderia chamar 1,5(um e meio) candidato. Para resolver tal problema o INSS resolveu que nas cidades em que houve vagas mpares, gerando um nmero fracionado, quando da distribuio dos 50%, haveria um arredondamento para baixo, isto , onde houve 3(trs vagas) ao invs de chamar 1,5(um e meio), o que impossvel, se chamaria apenas um candidato. Estaria tudo nos conformes se o critrio utilizado pela autarquia tivesse se estendido de maneira isonmica em todas as cidades contempladas no concurso, o que no ocorreu isso aumentou a amplitude da ilegalidade, haja vista que isto se estendeu por todo pas. Em muitas cidades foram respeitados os critrios adotados pelo INSS, quanto ao arredondamento para baixo, em outras no, apenas como exemplo temos as cidades de Camocim e Viosa do Cear. Nessas cidades foram disponibilizadas apenas 1(uma) vaga, que corresponderia a nomeao de mais 0,5(meio) candidato, e que pelo critrio de distribuio adotado pela autarquia de arredondamento para baixo, ficaria sem nomeao alguma, quando da nova nomeao. Mas no foi isso que aconteceu. As mencionadas cidades, diferentemente das outras com vagas mpares, tiveram um arredondamento para cima, ferindo assim a igualdade entre os participantes do concurso, no seguindo os critrios pr-estabelecidos. Restaram atropelados pelo INSS os princpios norteadores da igualdade estampados no art. 5, caput da Constituio Federal Cumpre observar que, no obstante o desrespeito a isonomia e equidade, a impetrante teve uma nota bastante superior a outros candidatos que foram nomeados no arredondamento para cima, seno vejamos: A impetrante fez 95 pontos no certame(doc). Portanto, como medida da mais pura e ldima JUSTIA, imperiosa a nomeao da autora por ser direito liquido e certo, diante da violao do art.5, caput da CF, quando da distribuio de novas vagas, e de forma LIMINAR, tendo em vista a inclinao da autarquia para um novo concurso e a necessidade anunciada da autarquia de novos servidores, principalmente levando-se em conta a inaugurao de 729 APS em todo Brasil, sendo que esto prestes a ser inauguradas as agncias de Campos Gerais e Eli Mendes, que pertencem a gerencia executiva de

Varginha, na qual se surgirem novas vagas somente para estas novas APS e no para Alfenas ser correto nomearem pelo critrio de classificao por agncia e a autora ter o direito nomeao, ou ainda garantir a impetrante o direito a vaga tendo em vista ainda que a APS de Alfenas tem servidores prestes a se aposentar e um possvel pedido de exonerao e com o surgimento da vaga e se o concurso no for prorrogado no ter seu direito garantido. 7. DO PEDIDO Ante o exposto, forosos so os seguintes requerimentos: a)Seja, deferida liminarmente, com fulcro no inc. III, do art. 7 da Lei 12.016 de 2009, uma vez presentes os pressupostos de admissibilidade, " fumus boni juris " e " periculum in mora ", pela flagrante evidncia de desrespeito ao ordenamento jurdico da Lei Maior e a jurisprudncia Ptria, podendo acarretar danos irreparveis a candidata habilitado no certame que pode ficar impedido de tomar posse no referido cargo, em face das informaes da realizao de um novo concurso; b) a Autarquia Previdenciria seja ordenada a anular, via DOU, o ato ilegal que diminuiu o prazo de validade do concurso; c) a Autarquia Previdenciria seja compelida a realizar a prorrogao do concurso por mais 02 (dois) anos, conforme orientao do acrdo do TRT da 10 Regio (Processo: 00727-2008-006-10-00-6-RO), vindo a findar apenas aps 06.05.2012; d) seja impedida ou suspensa a realizao de um novo concurso at que tais reparaes sejam sanadas com as necessrias homologaes e nomeaes dos candidatos aprovados. e) Requer, ainda, se digne determinar a Notificao da douta autoridade coatora, para que, querendo, no prazo legal, preste as informaes que entender cabveis, bem como a intimao do Exmo. Sr. Representante da Ministrio Pblico Federal, para acompanhar o feito at final do julgamento. f) Requer que se d cincia do feito ao Advogado-Geral da Unio, cujo endereo para intimaes fica no Setor de Indstrias Grficas - Quadra 6 - Lote

800 - Braslia-DF - CEP 70.610-460, enviando-lhe cpia da inicial (em anexo)1, para que, querendo, ingresse no feito. Os documentos que instruem o presente mandado de segurana so suficientes para comprovar a integral procedncia do pedido, dada a natureza da ao aforada, e tambm por serem eles suficientes demonstrao da liquidez e certeza do seu direito, entretanto, no decorrer do processo, caso seja necessrio, o IMPETRANTE protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos. D-se presente causa, para fins meramente fiscais, o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais).

Nesses termos, Pede deferimento

De Alfenas/MG para Varginha/MG, em 07 de julho de 2010.

advogada OAB/

1Art.7, inc.II, da Lei n.12.016, de 7 de agosto de 2009.