Manual de Controle do Tracoma - .Manual de Controle do Tracoma / elaborado por Oswaldo ... As doen§as

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  • Manual de Controledo Tracoma

    Braslia, janeiro de 2001

  • 2001. Ministrio da Sade. Fundao Nacional de Sade.

    1 edio permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada afonte.

    Editor:Assessoria de Comunicao e Educao em Sade/ASCOM/PRE/FUNASASetor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl, N, sala 51570070-040 - Braslia/DF

    Distribuio e Informao:Centro Nacional de Epidemiologia. Fundao Nacional de Sade.SAS Setor de Autarquias Sul, Quadra 04, Bl, N, 6 Andar, Sala 607.70070-040 - Braslia - DFTelefone: (0XX61) 314.6554 / 226.7075

    Tiragem: 5.000 exemplares.Impresso no Brasil / Printed in Brazil.

    ISBN 85-7346-029-6

    Manual de Controle do Tracoma / elaborado por OswaldoMonteiro de Barros... [et al]. Braslia : Ministrio daSade : Fundao Nacional de Sade, 2001.56 p. : il.: 23 cm.1. Tracoma I. Barros, Oswaldo Monteiro de. II.

    Ministrio da Sade. III. Fundao Nacional de Sade.IV. Centro Nacional de Epidemiologia. V. Coordenaode Vigilncia Epidemiolgica. VI. Gerncia Tcnica deEndemias Focais

  • Sumrio

    1. Apresentao ................................................................... 5

    2. Objetivo .......................................................................... 5

    3. Descrio ......................................................................... 5

    4. Histrico e Distribuio ..................................................... 6

    5. O tracoma no Brasil ......................................................... 6

    6. Aspectos Epidemiolgicos ................................................. 116.1. Agente Etiolgico ..................................................... 116.2. Fonte de Infeco e Reservatrio ............................... 126.3. Modo de Transmisso .............................................. 126.4. Perodo de Incubao e Suscetibilidade ...................... 13

    7. Aspectos Clnicos .............................................................. 147.1. Quadro Clnico ....................................................... 147.2. Diagnstico do Tracoma........................................... 157.3. Diagnstico Laboratorial........................................... 207.4. Diagnstico Diferencial ............................................ 217.5. Prognstico.............................................................. 22

    8. Tratamento ....................................................................... 238.1. Estratgias do Tratamento ......................................... 248.2. Controle do Tratamento............................................ 26

    9. Vigilncia Epidemiolgica ................................................. 279.1. Definio de Caso ................................................... 289.2. Investigao Epidemiolgica ..................................... 299.3. Fluxo de Informaes ............................................... 31

  • 10. Medidas de Controle ...................................................... 3210.1. Medidas Relativas Fonte de Infeco ................... 3210.2. Medidas Referentes s Vias de Transmisso ............. 32

    10.2.1. Medidas de Saneamento ............................. 3310.2.1.1. Diretrizes do Saneamento para rea

    de Tracoma ............................................. 3310.3. Medidas de Proteo Individual dos Suscetveis ....... 3510.4. Articulao interinstitucional e intersetorial .............. 35

    11. Educao em Sade ....................................................... 35

    12. Indicadores Epidemiolgicos ........................................... 38

    Anexo 1 ............................................................................... 40

    Anexo 2 ............................................................................... 44

    Anexo 3 ............................................................................... 48

    Bibliografia Consultada ......................................................... 53

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    1. Apresentao

    O conceito de controle do tracoma vem sofrendo algumasmodificaes nas ltimas dcadas. O que era feito em campanhasagora prope-se que seja incorporado rotina da rede bsica deSade. Nesse sentido, o propsito deste Manual de informar ecapacitar tcnicos da rede bsica de Sade para o controle dadoena.

    Espera-se com o presente Manual contribuir para umarevalorizao das aes de controle do tracoma, possibilitando odesenvolvimento de medidas de controle adequadas ao novo perfilepidemiolgico da doena, colaborando para a melhoria daqualidade de vida da populao brasileira.

    2. Objetivo

    O Manual tem como objetivo principal normatizar asatividades de controle do Tracoma e fornecer as informaes e sub-sdios necessrios ao planejamento, execuo e avaliao dessasatividades.

    3. Descrio

    O tracoma uma afeco inflamatria ocular crnica,uma ceratoconjuntivite crnica recidivante que, em decorrncia deinfeces repetidas, produz cicatrizes na conjuntiva palpebral,podendo levar formao de entrpio (plpebra com a margemvirada para dentro do olho) e triquase (clios invertidos tocando oolho). As leses resultantes deste atrito podem levar a alteraes dacrnea, causando cegueira.

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    4. Histrico e Distribuio

    O tracoma continua a ser uma das doenas de maiordisseminao no mundo. A Organizao Mundial de Sade estimaa existncia de 150 milhes de pessoas com Tracoma no mundo e,dos quais, aproximadamente, 6 milhes so cegos.

    O tracoma reconhecido milenarmente como umaimportante causa de cegueira. Referncias sua ocorrncia foramencontradas desde os primeiros registros humanos, em diferentescivilizaes e momentos histricos, tais como na China (sculo XXVIIA.C.), Sumria (sculo XXI A.C.), Egito (sculo XIX A.C.), Grcia(sculo V A.C.) e Roma (sculo I A.C.).

    Na Idade Mdia a doena era abundante no MundoIslmico e na Grcia. Com as guerras e as grandes migraes, otracoma foi levado para o restante da Europa, onde tornou-seendmico. A partir da Europa, veio com a colonizao para oContinente Americano. Na segunda metade do sculo XIX e inciodo sculo XX o tracoma achava-se amplamente disseminado emtodo o mundo. No decorrer do sculo XX, com a melhoria dascondies de vida, conseqente industrializao e aodesenvolvimento econmico, desapareceu da Europa, Amrica doNorte e Japo.

    No entanto, o tracoma continua a ser um importanteproblema de sade pblica, enquanto causa de morbidade,deficincia visual e cegueira em grande parte dos pasessubdesenvolvidos, principalmente na frica, Oriente Mdio,Subcontinente Indiano e Sudoeste da sia. O tracoma ainda existetambm, em menores propores, na Amrica Latina e Oceania.

    5. O Tracoma no Brasil

    O tracoma no existia entre as populaes nativas doContinente Americano. A doena foi trazida pela colonizao e

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    imigrao europias. Relata-se que teria sido introduzido no Brasila partir do sculo XVIII, no Nordeste, com a deportao dos ciganosque haviam sido expulsos de Portugal e se estabelecido nas provnciasdo Cear e Maranho, constituindo-se ento nos primeiros focosde tracoma no Pas, dos quais o mais famoso foi o foco do Cariri,no Sul do atual Estado do Cear. Alm do foco do Nordeste,outros dois focos teriam contribudo decisivamente para adisseminao do tracoma no Pas, os focos de So Paulo e RioGrande do Sul, que teriam se iniciado com a intensificao daimigrao europia para esses dois estados, a partir da segundametade do sculo XIX (mapa). Com a expanso da fronteira agrcolaem direo ao Oeste, o tracoma foi disseminando-se e tornou-seendmico em praticamente todo o Brasil, sendo encontrado hojeem todo o territrio nacional.

    FFFFFigura 1 -igura 1 -igura 1 -igura 1 -igura 1 - Principais Focos de Tracoma no Brasile suas linhas de Disperso. FonteMinistrio da Sade/SUCAM

    1 FOCO DO CEAR2 FOCO DE SO PAULO3 FOCO DO RIO GRANDE DO SUL

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    A primeira medida de controle do tracoma adotada noBrasil foi de iniciativa do Governo do Estado de So Paulo, que em1904 proibiu a entrada de imigrantes com tracoma pelo porto deSantos, a exemplo do que era feito nos Estados Unidos. Esta medida,porm, teve vida curta. A presso dos fazendeiros de caf, quenecessitavam da mo-de-obra imigrante, acabou por derrubar aproibio, substituindo-a por uma multa para o dono do navio quetrouxesse imigrantes com tracoma. Em 1906, inicia-se em So Pauloa primeira Campanha Contra o Tracoma realizada no Pas e, em1914, comeam a ser instalados, tambm em So Paulo, osprimeiros servios especializados em tracoma, os PostosAntitracomatosos.

    Em nvel nacional, a primeira medida de controle dotracoma foi em 1923, quando foi decretado o Regulamento doDepartamento Nacional de Sade Pblica e foi justamente a proi-bio do desembarque de imigrantes com tracoma, medida estaque, naquele momento, j era totalmente incua, pois o mesmoencontrava-se amplamente disseminado no Pas, e no mais de-pendia da imigrao para sua manuteno.

    A partir de 1938, o Estado de So Paulo iniciou a implan-tao de uma rede de servios especializados em tracoma, osDispensrios do Tracoma. Esta rede chegou a ter mais de 200unidades, cobrindo quase a totalidade do Estado e foi extinta em1969.

    Em todo o Brasil, o Governo Federal iniciou em 1943 arealizao da Campanha Federal Contra o Tracoma, por iniciativado Departamento Nacional de Sade Pblica. Esta Campanha foiincorporada ao Departamento Nacional de Endemias Rurais -DENERu, quando da sua criao em 1956 e, posteriormente, SUCAM (Superintendncia Nacional de Campanhas de SadePblica), criada em 1970. Em 1990, as atividades de controle dotracoma passaram a fazer parte das atribuies da FundaoNacional de Sade - FUNASA.

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    O ciclo de desenvolvimento econmico, iniciado nos anoscinqenta e que perdura at o milagre econmico dos anossetenta, teve um profundo impacto na ocorrncia do tracoma noBrasil. Observou-se uma diminuio acentuada no nmero de casosdetectados em todo o Pas, e