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MANUAL DE ECOSSISTEMAS MARINHOS E COSTEIROS … · guias de turismo, gestores ambientais, jovens, contadores de história, entre outros. Espera-se, com a elaboração desse “Manual”,

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MANUAL DE ECOSSISTEMAS MARINHOS E COSTEIROSPARA EDUCADORES

REDE BIOMAR

PATROCNIO:

A Educao, qualquer que seja ela, sempre uma teoria do conhecimento posta em prtica.

Paulo Freire

Coordenao:Projeto Albatroz, Projeto Baleia Jubarte, Projeto Coral Vivo, Projeto Golfinho Rotador, Projeto TamarOrganizao: Cynthia Gerling, Cynthia Ranieri, Luena Fernandes, Maria Teresa de J. Gouveia e Valria RochaReviso: Edna AlessioIlustraes: Alexandre HuberEditor: Paulo PechmannProjeto Editorial e Capa: Daniela FreitasProduo: Editora ComunnicarImpresso: PRoL EDiToRA GRFiCA

Projeto AlbAtrozrua Marechal Hermes, 35

boqueiro, Santos SP CeP: 11. 025-040tel: (13) 3324-6008

[email protected]

Projeto bAleiA jubArteAvenida do Farol, 2907 Caixa Postal 92

Praia do Forte Mata de So joo bACep: 48.280-971tel: (71) 3676-1463

[email protected]

Sumrio

15 AmbienteS

4 APreSentAo

5 introDUo

7 A eDUcAo AmbientAl nA reDe biomAr

11 mAreS e oceAnoS

16 Praias e Restingas18 Costo Rochoso20 Esturios e Manguezais22 Bancos de Gramas Marinhas23 Recifes de Corais Tropicais26 Banco de Rodolitos28 Recifes de Profundidade do Talude Continental 30 Ambiente Pelgico 32 Ambientes Abissais34 ilhas ocenicas e Montes Submarinos

36 ServioS ecoSSiStmicoS38 SuStentabilidade

DeSAFioS PArA conServAo40 Poluio 41 Resduos Slidos42 Ocupao da Zona Costeira44 Mudanas Climticas46 Pesca48 As Faces do Turismo49 Espcies Invasoras

57 AtiviDADeS eDUcAtivAS

51 reas Marinhas Protegidas e reas de Relevante importncia Ecolgica 53 Tecnologias apropriadas para minimizar impactos55 Gesto Pesqueira56 Espcies Ameaadas

50 Proteo e geSto

39

61 A reDe biomAr

62 literAtUrA recomenDADA

Projeto CorAl ViVoestrada da balsa, km 4,5 (Arraial dAjuda eco Parque)

Arraial dAjuda, Porto Seguro - bA CeP 45.816-000tel: (73) 3575-2353

[email protected]

Projeto GolFinHo rotAdorCaixa Postal 49

Fernando de noronha - Pe CeP: 53.990-000tel: (81) 36191295

[email protected]

ContAtoS:

Projeto tAMArrua rubens Guelli, 134, sala 307

empresarial itaigara Salvador bA Caixa Postal: 123

CeP: 41.715-135tel: (71) 3676-1045

[email protected]

35 ANOS

Logo Projeto Albatroz - 4 coresAssinatura Vertical

Patrocnio:

ApreSentAo

o manual de ecossistemas costeiros e marinhos para educadores foi elaborado pela equipe de educadores dos projetos de conservao marinha, patrocinados pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e que compem a rede biomar, a saber: Projeto Albatroz, Projeto baleia Jubarte, Projeto coral vivo, Projeto Golfinho Rotador e Projeto Tamar. Embora esses projetos atuem h vrias dcadas em favor da conservao de espcies marinhas e possuam inmeros trabalhos relacionados ao ecossistema marinho, identificou-se a necessidade de elaborar material especfico, com metodologia e contedo pertinentes, considerando principalmente sua demanda por informaes consistentes e objetivas na rea de conservao ambiental marinha.Dessa forma, educadores ambientais dos projetos se reuniram durante o Workshop de educao Ambiental da rede biomar, ocorrido em cabo Frio rJ, em maro de 2015, para propor uma compilao de saberes, em sua grande maioria j consolidados, para organizao de um material nico, com contedo e linguagem que sejam facilmente aprendidos, de forma a permitir seu uso em diferentes espaos educadores. Uma segunda reunio foi promovida em agosto de 2015, na cidade de Santos SP, para reunir o contedo dessa construo coletiva. Buscou-se integrar informaes sobre os biomas, as espcies, a problemtica dos efeitos antrpicos nos ecossistemas e das espcies exticas invasoras e a necessidade do manejo para a conservao, conforme os temas considerados prioritrios pelos projetos que fazem parte desta rede de conservao marinha. O contedo foi organizado a partir dos ecossistemas, estratgia metodolgica que possibilitou a apresentao de informaes sobre servios ecossistmicos, possveis ameaas, estratgias de conservao e sustentabilidade.O Manual foi elaborado de forma a permitir sua utilizao nas prticas de educao ambiental adotadas em aes pr-conservao marinha em todo o litoral brasileiro, tendo como pblico-foco os educadores e formadores de opinio que tenham interesse no tema da conservao marinha e atuem em diferentes espaos e instituies de ensino. Esses educadores fazem parte do pblico diverso, atendido pelos projetos, independentemente do espao educativo de atuao que inclui professores do ensino formal, lderes comunitrios, educadores, conselheiros de coletivos gestores, professores de surf, monitores ambientais, guias de turismo, gestores ambientais, jovens, contadores de histria, entre outros.Espera-se, com a elaborao desse Manual, preencher a lacuna existente na disponibilidade de materiais que apresentem informaes relacionadas ao ambiente marinho de forma concisa e prtica ao mesmo tempo que promove a disseminao do conhecimento gerado durante anos de trabalho desenvolvido pelos projetos, de forma a promover a transmisso de conceitos fundamentais da conservao do ambiente marinho e de sua biodiversidade.

introduo

Como uSAr o mAnuAlEste manual est organizado de forma que as informaes sejam facilmente encontradas. Nele h vrias ilustraes, esquemas e infogrficos para ajudar no entendimento dos assuntos sobre conservao das reas costeira e marinha ao longo do litoral brasileiro, com o objetivo de facilitar a transmisso e troca de informaes entre educadores e educandos.

o manual se divide em oito partes, sendo elas:

1. O captulo sobre a Educao Ambiental tem como intencionalidade permitir a compreenso do educador do lugar onde se situa a Educao Ambiental da Rede BIOMAR.

2. Oceanos, com uma introduo geral sobre o ambiente marinho e costeiro do Brasil com suas principais caractersticas.

3. Ambientes contendo informaes sobre cada um deles, suas peculiaridades, sua fauna e flora, seu uso pelos seres humanos e sua importncia para o equilbrio ambiental do oceano como um todo.

4. Servios Ecossistmicos, onde podemos encontrar explicaes sobre as utilidades do ecossistema para a manuteno da vida no planeta.

5. Desafios para a Conservao, onde esto descritas vrias atividades humanas que causam impactos ao meio ambiente.

6. Proteo e Gesto, para demonstrar como podemos desenvolver as atividades de forma que os impactos sejam minimizados ou at mesmo deixem de existir.

7. Atividades Educativas foram selecionadas para que os leitores deste manual tenham alguns exemplos de recursos didtico-pedaggicos para as aes prticas que podero ser desenvolvidas nas suas localidades, como jogos e dinmicas, tornando o material ainda mais eficiente para a educao ambiental marinha.

8. Literatura Recomendada para que a pesquisa no se limite a este manual! L esto bibliografias indicadas para pesquisa mais aprofundada do contedo.

este manual objetiva apresentar ambientes costeiros e marinhos, em linguagem que possibilite a utilizao didtico-pedaggica por educadores brasileiros.A organizao do manual buscou especialmente adotar o princpio da transversalidade da educao Ambiental, optando por recursos como cones que interligam informaes sobre os ambientes costeiros e marinhos com contedos dos captulos: Oceanos, Ambientes, Servios Ecossistmicos, Desafios para Conservao e Proteo e Gesto. A avaliao parte essencial e presente nos processos educativos, incluindo os materiais didticos. Assim, solicitado ao educador que, ao fazer uso deste Manual, envie seus comentrios para todos ou selecione um dos endereos eletrnicos listados abaixo*, permitindo com isso, a avaliao peridica por parte dos projetos integrantes da Rede BIOMAR.

e-mails contato:Projeto AlbAtroz - Cynthia Ranieri - [email protected] bAleirA jubArte - Luena Fernandes - [email protected] CorAl ViVo - Teresa Gouveia - [email protected] Golfinho rotAdor - Cynthia Gerling - [email protected] tAmAr - Valria Rocha - [email protected]

*

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A eduCAo AmbientAl nA rede biomAr

EDuCAo AMBiEnTAL PARA ConSERVAo MARinhA

Para a Rede BIOMAR, adjetivar Educao com o termo Ambiental muito mais do que referenciar um dos campos de atuao dos projetos que a compem. reconhecer a relevncia que se atribui aos processos educativos no enfrentamento aos desafios impostos pela busca da sustentabilidade socioambiental.Afirma assim o compromisso de atuarem segundo a definio de educao ambiental disposta na Poltica nacional do meio Ambiente, lei no. 9.795/99 (MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE, 2005):

Art.2o. A educao ambiental um componente essencial e permanente daeducao nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os nveis e modalidades do processo educativo, em carter formal e no formal.

Tamanha a diversidade de seres vivos e ambientes marinhos e ocenicos e a diversidade scio-cultural encontrados nas reas de atuao dos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Tamar faz com que suas aes educativas permeiem as tendncias da educao Ambiental crtica (limA, 2002, 2011), transformadora e emancipatria (GUIMARES, 2004; LOUREIRO, 2004; QUINTAS, 2004).A Educao Ambiental (EA) crtica confronta com a EA convencional, ou seja, enquanto a EA convencional dirigida para a reproduo social associando os interesses conservadores na sociedade, a eA crtica se direciona para a transformao social. Tal confronto percebido quando se observam processos educativos que, se por um lado, seguem a eA convencional, visam mudanas ambientais vinculadas a mudanas de comportamento no indivduo, enquanto que, se a perspectiva for alm da mudana ambiental, tambm a mudana social com atuao poltica e leitura crtica da realidade percebe-se a EA crtica. Ainda nas distines, agora voltadas ao campo da prtica educativa, Lima (2011, p.168) resume:

A EA convencional se desenvolveu como prtica pedaggica centrada no ensino de ecologia, no que se aproxima da educao conservacionista, ao passo que a EA crtica procura explorar em sua pedagogia a reflexo sobre os sistemas sociais e a relao deles com os sistemas naturais.

ConeS

Ao longo de todos os textos poderemos encontrar cones que nos remetem ao contedo mais explicativo para uma compreenso ainda melhor de cada assunto:

Quando um cone aparecer em um texto, ele indica que o leitor poder encontrar uma explicao adicional e mais detalhada sobre o assunto em outra parte do manual.

GloSSrio diGitAl Para dvidas sobre palavras ainda desconhecidas dos leitores, criamos um link GLOSSRIO, que est disponvel nos sites dos projetos da Rede Biomar.

Por fim, temos uma breve apresentao de cada projeto autor do Manual, com o link para suas respectivas pginas, onde poderemos acessar todo o contedo dos projetos e encontrar mais fotos, vdeos, materiais didticos e tambm o contato para esclarecer possveis dvidas, deixar sugestes ou fazer reclamaes. Um canal aberto para o dilogo.

DeSAFioS DA conServAo

Proteo e geSto

ServioS ecoSSiStmicoS

AtiviDADeS eDUcAtivAS

Maria Teresa de J. GouveiaProjeto coral vivo

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Uma das possveis articulaes da EA transformadora e emancipatria nas prticas educativas da Rede BIOMAR est na compreenso de que cabe ao campo da Educao Ambiental atuar atentando para a existncia das complexas relaes entre sociedade e ambiente. A EA transformadora refora, nessa nova adjetivao, o carter processual imposto prxis da EA, conforme sintetiza Loureiro (2004) - a educao como processo permanente cotidiano e coletivo. A intencionalidade da EA emancipatria parece estar intimamente vinculada EA transformadora. Tal perspectiva parece estar anunciada por Loureiro (2004) quando sugere que seria a identificao da diversidade das relaes socioambientais o meio para se buscar novas possibilidades de prticas democrticas e sustentveis para todos. Uma interessante sistematizao de argumentos da tendncia emancipatria de EA, efetuada por Lima (2011, p.172), no somente refora o mesmo entendimento como ainda agrega importantes pressupostos, vinculando-os a elementos estruturadores para a prtica educativa no campo ambiental, como complexidade existente nas questes ambientais e ao dilogo necessrio entre a cincia e os saberes. Assim, o autor elenca caractersticas presentes na tendncia emancipatria da EA:

uma compreenso complexa e multidimensional da questo ambiental.

uma defesa do amplo desenvolvimento das liberdades e possibilidades

humanas e no humanas.

uma atitude crtica ante os desafios da crise civilizatria.

uma politizao e publicizao da problemtica socioambiental.

um reconhecimento dos argumentos tcnico-cientficos, mas subordinados a um

questionamento tico do conhecimento, de seus meios e fins.

uma convico de que o exerccio da participao social e a conquista

da cidadania so prticas indispensveis democracia e emancipao

socioambiental.

um cuidado em promover o dilogo entre as cincias e entre os saberes.

uma vocao transformadora dos valores e das prticas do bem-estar pblico.

Assim, com as tendncias, crtica, transformadora e emancipatria, os projetos educativos atuam no campo ambiental, considerando o espao social composto por uma diversidade de grupos sociais que, com interesses diferenciados, disputam usos diretos e indiretos de recursos e ambientes naturais.

O Programa Nacional de Educao Ambiental (ProNEA), ao elencar os pblicos para os quais o Programa est direcionado, exemplifica a diversidade de grupos sociais que tm merecido o olhar de atuao dos educadores da rede biomAr como:

Professores de todos os nveis e modalidades de ensino.

Estudantes de todos os nveis e modalidades de ensino.

Lideranas comunitrias.

Grupos em condies de vulnerabilidade social e ambiental.

Gestores, do governo ou da sociedade civil, de recursos ambientais.

Educadores, animadores e comunicadores ambientais.

Servidores e funcionrios de entidades pblicas, privadas e no-governamentais.

Grupos de voluntrios.

Movimentos e redes sociais.

Profissionais liberais.

Comunidade cientfica.

Populao em geral.

No planejamento das aes educativas junto a quaisquer dos pblicos mencionados considera-se como indispensvel a observncia de importantes princpios, muitos deles referenciados no ProNEA, como o conceito ampliado de ambiente; a interdependncia sistmica entre o socioeconmico e o cultural; a abordagem articulada das questes ambientais locais, regionais, nacionais, transfronteirias e globais; transversalidade de suas aes; a vinculao entre as diferentes dimenses do conhecimento, incluindo os saberes e fazeres populares; o reconhecimento da diversidade cultural, tnica, racial, gentica, de espcies e de ecossistemas; o enfoque humanista e histrico; o compromisso com a cidadania ambiental; a divulgao do conhecimento; e a transparncia. Professores das redes de ensino formal, tendo como territrios de atuao unidades escolares, tm merecido especial ateno por parte dos projetos da Rede Biomar. E, sempre que possvel o grupo ampliado com a participao de outros representantes da comunidade escolar, como alunos, gestores, merendeiros, servidores de firmas terceirizadas e famlias. Para atuao junto a turistas, e mesmo junto populao em geral, a estratgia tem sido a visitao pblica em espaos de divulgao dos projetos e de seus objetivos de conservao, em locais permanentes comumente denominados de Centros de Visitantes, ou mesmo temporrios, com a apresentao de exposies temticas. A Interpretao Ambiental, como atividade educativa, prevalece nas aes voltadas a esses pblicos. A utilizao de uma linguagem adequada a todos entendida como favorvel construo de valores e sensibilizao para a necessidade da conservao sob as vertentes da sustentabilidade socioambiental, sociocultural e socioeconmica.

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oS mAreS e oceAnoS cobrem 70% do planeta e so 90% da biosfera, que o conjunto de todas as partes do planeta Terra onde existe ou pode existir vida. E essa vida nos mares e oceanos, assim como os processos ambientais geolgicos e fsicos tm grande complexidade, principalmente por causa do elemento gua, que possibilita maior conectividade nas trs dimenses espaciais.os conceitos de mares e oceanos se sobrepem e se confundem, mas a distino entre eles importante e est baseada principalmente em dois critrios: extenso territorial e profundidade. oceanos so profundos, ocupam grandes extenses e sempre tm livre circulao. Sua profundidade mdia de 3.300 metros, e a maior conhecida a de 11.000 metros na Fossa das marianas (oceano Pacfico Norte). So trs os oceanos na Terra: Atlntico, Pacfico e ndico. O Oceano que banha o Brasil o Atlntico.

mAreS e oCeAnoS

Os mares possuem profundidade mdia abaixo de 1.000 metros, so menores e delimitados, total ou parcialmente, por continentes. A maioria dos mares faz parte dos Oceanos. Existem trs tipos principais de mares: os abertos, que possuem uma ampla ligao com os oceanos; os continentais, que possuem uma ligao muito restrita com os oceanos; os fechados, que se ligam s guas ocenicas apenas indiretamente atravs de canais e rios. Existem dezenas de mares, mas nenhum no Brasil.A formao dos mares e oceanos atuais resultante do deslocamento dos continentes sobre o magma, uma massa de aspecto pastoso localizada no interior da Terra.

no anseio pela promoo da sustentabilidade socioambiental, priorizam a participao para o controle social. Nesse caminho, optam por um pensar diferenciado da educao tradicional para as prticas da Educao Ambiental, tal como definido por Tristo e Fassarella (2007), como uma tentativa de articular noes, conceitos, princpios de diferentes reas, com uma metodologia que tenha a marca da participao, da interao e da emancipao com fundamentos tico-polticos.Na compreenso de que a informao se constitui como base para o exerccio da cidadania, creditando aos processos educativos o empoderamento social (tASSArA, tASSArA, ArDAnS, 2013), cabe educao tentar suprir uma demanda identificada em materiais didticos oferecidos educao formal e no formal, ou seja, expressiva falta de contedos que abordem ambientes costeiros, marinhos e ocenicos sobre seus aspectos biolgicos, especialmente tratando de espcies endmicas e em processos de extino, ecolgicos, de conservao, e das relaes entre seres humanos e ambientes naturais. nessa perspectiva, oferece o manual de ecossistemas marinhos e costeiros para educadores como um material didtico que possa conduzir ao educando a percepo das mltiplas possibilidades de aquisio e uso dos conhecimentos expostos, mas que tambm permita Rede BIOMAR conhecer do educando outras tantas possibilidades por meio de troca de conhecimentos e saberes, seja em qualquer prazo, sob qualquer enfoque e em qualquer de seus projetos.

Jos Martins da Silva-Jr e Cynthia GerlingICMBio/Projeto Golfinho Rotador

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os mares e oceanos apresentam relevo submarino peculiar com as seguintes feies: Plataforma continental: prolongamento submerso dos continentes, apresentando profundidades que variam de 10 a 500 metros. rea marinha de maior importncia econmica, em funo dos seus recursos biolgicos e minerais. talude continental: localiza-se na borda da plataforma continental e apresenta inclinao acentuada, podendo atingir at trs mil metros de profundidade. Bacia ocenica ou Plancie aBissal: compreende a rea entre os taludes continentais, com profundidades de at 5.000 metros, excluindo as dorsais e as fossas abissais. dorsais: so as grandes cordilheiras centrais dos oceanos, compostas por montes submarinos e ilhas ocenicas. Apresentam profundidades entre dois e quatro quilmetros. fossas aBissais: constituem as regies mais profundas do relevo submarino, compostas por depresses compridas e estreitas que atingem profundidades entre 7.000 e 11.000 metros.

As mars, os ventos e o encontro de massas de gua com diferentes caractersticas fsicas, principalmente salinidade e temperatura, so responsveis pelos deslocamentos de grandes volumes de gua, movimento chamado de correntes marinhas. A circulao ocenica superficial da Terra bem conhecida, e, pela fora de Coriolis, gira no hemisfrio Norte, no sentido horrio e, no hemisfrio Sul, no sentido anti-horrio. As correntes marinhas podem ser quentes ou frias, em funo de sua origem geogrfica, caso seja mais tropical ou mais polar.

A oriGem do SAlUma grande curiosidade sobre os mares e oceanos a origem do sal. o desgaste das rochas de ambientes marinhos e o desaguar dos rios, lagos, mangues e esturios que causam a salinidade, que, em mdia de 35 gramas por litro de gua. A salinidade de uma regio marinha ou ocenica depende da quantidade e velocidade de entrada de gua doce e da intensidade de evaporao. A gua doce dilui o sal e a evaporao aumenta a salinidade, pois somente a gua evapora, permanecendo o sal.

AS mArS e A luAOutra curiosidade so as mars, decorrentes do aumento e da diminuio do nvel do mar. As mars so provocadas principalmente pela fora de atrao da Lua. A fora de gravidade da Lua, ao girar em torno da Terra, atrai as guas em sua direo, provocando o aumento do nvel do mar (mar cheia) naquele lado do planeta. Simultaneamente, do lado oposto do planeta ao que est a Lua, diminui o nvel do mar (mar seca), porque a gua que estava ali se deslocou para o outro lado. Por isto, a mar muda a cada seis horas. A fora da mar tambm varia em funo da fase da Lua. Luas cheias e novas atraem mais gua, consequentemente so as mars com maiores amplitudes. nas fases crescente e minguante, o nvel do mar varia menos.

As correntes so responsveis pelo clima mundial, so usadas por organismos vivos para sua alimentao e deslocamento, bem como para navegao humana.

o grau de penetrao da luz solar na coluna da gua usado para classifi-car zonas do mar, com mais ou menos luminosidade. So trs as zonas: Zona euftica - camada de gua com grande lumi-nosidade, possibilitando a ocorrncia da fotossntese. Vai at cerca de 80 metros de profundidade. Zona disftica - camada de gua onde a luz difu-sa, devido dificuldade de ela penetrar. Vai at cerca de 200 metros de profun-didade. Zona aftica - rea total-mente escura, alm dos 200 metros de profundidade.

oceanos e mares so fun-damentais para a vida na terra, pois so os principais responsveis pelo equilbrio climtico e pela produo do oxignio do planeta, alm de ser onde se ori-ginou a vida na terra e de reunir uma infinidade de formas de vida.

O movimento de rotao da Terra influencia o caminho percorrido por um objeto que se move

acima da superfcie do planeta. No Hemisfrio Sul, um percurso que seria uma linha reta sobre uma terra sem

rotao apresenta-se como uma curva para a esquerda; no Hemisfrio Norte, como uma curva para a direita. Somente os movimentos ao longo do Equador no so afetados. Este fenmeno chamado de Efeito Coriolis. Por exemplo: uma massa de ar que ascende no equador tende a se mover em direo aos polos. Em funo do Efeito Coriolis, ela ir se

desviar, no Hemisfrio Norte para a direita e, no Hemisfrio Sul, para a esquerda. Massas de ar, se deslocando dos polos em direo ao equador continuaro a se desviar para a direita no Hemisfrio Norte e para a esquerda

no Hemisfrio Sul. Correntes ascendentes e descendentes de ar giram no sentido horrio

no Hemisfrio Norte e no sentido anti-horrio no Hemisfrio Sul.

o efeito CorioliSCuRioSiDADES

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CoMo SE CLASSiFiCAM oS SERES MARinhoS?

toda a vida no mar depende da atividade fotossintetizante dos seres, que produzem seus alimentos a partir de substncias inorgnicas e de energia, os chamados autotrficos. Entre esses, destaca-se o fitoplncton, como algas, que compe o primeiro nvel trfico da maioria das cadeias alimentares marinhas.

O Atlntico Sul essencial para a regulao do clima brasileiro e global, alm de ser importante fonte de renda para boa parte da populao brasileira, pois cerca de 80% da nossa populao vive a at 200 quilmetros do mar.

Os seres vivos marinhos so classificados em trs grupos distintos, em funo de seus modos de locomoo:

Plncton - seres vivos flutuantes que so levados pelas correntezas marinhas, e que se dividem em fitoplncton (produtores primrios, como algas) e o zooplncton (consumidores, como larvas de peixes).ncton - animais que nadam livremente, com autonomia de deslocamento, como peixes, tartarugas e golfinhos.Bentos - seres que vivem fixos, se arrastam ou nadam muito prximo ao fundo do mar, como algas e corais.{

AMbienteSPARA A HUMANIDADE, OS OCEANOS e mAreS SemPre ForAm FUnDAmentAiS, DESDE O INCIO, PARA COLONIZAO DE NOVAS REAS E CONTINENTES, AT AtUAlmente, PArA SegUrAnA AlimentAr, minerAo, trAnSPorte, TURISMO, LAZER E ESPORTE.

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prAiAS e reStinGASValria R. F. da Silva; Eduardo h.S.M. Lima;

Jos henrique Becker - Projeto Tamar

ArbreA inundVel o Ambiente entre as dunas ou de Borda das lagunas. so locais midos e alagados Por acmulo de gua das chuvas ou Por afloramento do lenol fretico. os animais que ali vivem Possuem relao diretA Com o Ambiente AqutiCo Para alimentao e reProduo, como alguns rPteis (sucuris e jacars) e aves aquticas migra-trias e residentes.

Praias arenosas receBem influncia direta das ondas e mars. a vegetao a formada Por esPcies rasteiras, herBceas, caPazes de conviver com a salinidade elevada, a exPosio direta ao sol, aos ventos e aos extremos trmicos, sem falar da extrema PoBreza em nutrientes do solo arenoso. as tartarugas marinhas utilizam a rea Para reProduo e a dePositam seus ovos Para serem chocados Pelo calor da areia. muitas esPcies de animais tm imPortncia econmica direta, como o caso dos crustceos e moluscos utilizados na alimentao humana ou como isca Para a Pesca.

no encontro da terra, da gua (doce e salgada) e do ar ocorre um dos ambientes mais importantes: a zona costeira; local onde vive uma alta diversidade de animais e plantas e tambm grande parte das comunidades humanas que geram ricas culturas e prticas de uso dos recursos naturais importantes para a vida entre a terra e o mar.As restingas esto distribudas por todo litoral brasileiro. Com mais de 5.000 km, fragmentadas, ocupam quase 79% da costa brasileira. As principais formaes ocorrem no litoral de So Paulo, Rio de Janeiro, Esprito Santo e Bahia. As restingas comearam a surgir h milhares de anos, com o recuo do mar e, ainda hoje, esto sob um dinmico processo transformao.Sua estrutura possui diferentes formaes vegetais que se diferenciam pela composio do solo e pela influncia das aes das mars. Essas formaes so as praias arenosas; vegetao herbcea arbustiva; arbrea inundvel e mata seca.

As espcies que vivem (flora e fauna) nas restingas possuem adaptaes para suportar os fatores fsicos ali dominantes como a salinidade, extremos de temperatura, forte presena de ventos, escassez de gua, solo instvel, insolao forte e direta etc. A vegetao se caracteriza por folhas crespas e resistentes, caules duros e retorcidos, alm de razes com forte poder de fixao no solo arenoso. Os animais possuem importncia fundamental na manuteno das diferentes formaes vegetais por serem os principais polinizadores e dispersores de sementes.A retirada ou introduo de espcies vegetais da restinga pode gerar impactos irreversveis na estrutura e na dinmica dessas formaes. Existe uma relao de inibio e facilitao entre algumas espcies vegetais que promovem o estabelecimento desse importante ecossistema.

CuRioSiDADESOs alimentos consumidos pelas tartarugas marinhas nas reas de alimentao (algas, moluscos, crustceos, peixes, dentre outros) so transformados em energia, que transferida para as reas de desova em forma de ovos que sero consumidos por aves, crustceos,

mamferos, dentre outros. Apenas um tero dessa energia e dos nutrientes retorna para os mares com os filhotes. o restante permanece nos ecossistemas terrestres, transferido para o solo, vegetao e fauna locais.

mata seca um amBiente de transio entre restingas e a vegetao continental mais antiga, como a mata atln-tica ou a caatinga. o solo j aPresenta melhores condies de fertilidade e de gua, e o microclima j ameno. os animais que haBitam o local tamBm vivem nas outras forma-es, como as aves de raPina, rPteis (coBras, lagartos e jaBu-tis) e mamferos como raPosas, alm de Pequenos Primatas.

Por exemplo, na formao das moitas de restinga, primeiro se estabelecem espcies arbustivas, que criam um ambiente propcio para que outras espcies arbreas mais sensveis e exigentes se desenvolvam e, assim, inicia-se um processo denominado sucesso ecolgica.

vegetao herBcea e arBustiva a zona onde o mar no chega mais; os fatores dominantes so a maresia, os ventos, a insolao e a PoBreza do solo em nutrientes e gua. a vegetao forma um denso emaranhado de ramos, esPinhos e folhas, de asPecto res-secado. essa zona Possui uma grande diversidade de fauna. os animais que utilizam essa rea so esPcies migratrias e residentes, como as aves de raPina e outras, alguns rPteis (coBras, lagartos) e mamferos (tatus, saguis, dentre outros).

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CoSto roCHoSo

cOSTO ROCHOSO O NOME DO ambiente formado pelo encontro do mar com as rochas. um ambiente bastante comum em nosso pas, principalmente nas regies Sul e Sudeste, onde a cadeia montanhosa da Serra do Mar fica mais prxima do Oceano Atlntico (figura 1). O ambiente de costo rochoso formado basicamente por espcies marinhas. grande diversidade de invertebrados e algas encontra nesse local um substrato rgido seguro para se fixar e se abrigar da fora de correntes marinhas e do impacto do batimento das ondas.os organismos mais comuns de serem observados so os crustceos (cracas, pequenos caranguejos, baratas-da-praia e outros) e moluscos (caramujos, mariscos

e ostras). Outros curiosos invertebrados como as estrelas, ourios, pepinos-do-mar (equinodermos) e anmonas (cnidrios) so habitantes comuns desse ambiente.Uma das principais dificuldades para os organismos sobreviverem no ambiente de costes rochosos a variao das mars. A dificuldade de sobreviver ao vai e vem de ondas e mars selecionou, ao longo da histria da vida no planeta, animais marinhos bastante resistentes que tem adaptaes especiais para sobreviver por longos perodos dirios fora da gua. Outras espcies que no suportam longos perodos fora da gua ficam limitadas a viver nas zonas mais profundas desse ambiente. Assim acontece uma distribuio natural de organismos em camadas, que chamada de ZONAO.

anmonas, PePinos e ourios, Por exemPlo, so Basicamente encontrados suBmersos, enquanto cracas e Pequenos caramujos chamados de litorinas so mais encontrados acima da linha das mars. j as Baratas da Praia, aPesar de serem crustceos marinhos Passam a maior Parte do temPo fora da gua.a Parte suBmersa dos costes rochosos uma regio Bastante rica em diversidade e aBundncia de fauna marinha. as fendas entre as rochas oferecem refgio Para diversos Peixes que ali se aBrigam, evitando seus Predadores. dentre os Peixes que haBitam os costes, alguns dos mais conhecidos so garouPas, meros, vermelhos e tamBm as tartarugas marinhas como a tartaruga verde (Chelonia mydas). (figura 2)

Figura 1 - Costo Rochoso, Ubatuba-SP

Figura 2 - Tartaruga Verde (Chelonia mydas)

Jos Henrique Becker, Valria R.F da Silva e Eduardo H.S.M. Lima - Projeto Tamar

alguns inverteBrados que vivem nos costes so Bastante aPreciados

como alimento, esPecialmente os mariscos ou mexilhes (molusco Bivalve), caramujos como o saquarit (molusco gastrPode) e caranguejos (crustceo, decPoda). os costes rochosos foram amBientes muito imPortantes como fonte de alimento Para os Primitivos moradores do litoral Brasileiro que aqui viveram antes da descoBerta do Brasil.

(figura 3)

(figura 3) - Exemplo de organismos que vivem no Costo Rochoso e sua distribuio natural denominada ZONAO.

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eSturioS e mAnGuezAiS

Esturios e manguezais so ecossistemas que ocorrem em reas abrigadas, prximas linha de costa, em reas de transio entre os rios e os mares. Caracteristicamente apresentam um gradiente de salinidade entre a gua doce dos rios e a gua salgada dos mares, o qual varia dependendo das condies de mars enchentes ou vazantes. Esturios so baas ou reas abrigadas onde os rios desguam no mar, misturando sua gua doce com a gua salgada. Os rios transportam grandes quantidades de nutrientes e matria orgnica para os esturios, favorecendo o desenvolvimento de organismos fotossintetizantes, os quais so a base das cadeias alimentares. O transporte de sedimentos finos pelos rios favorecem outra caracterstica comum nos esturios. Com o acmulo dos sedimentos, h a formao de reas rasas e de fundos lamosos ricos em matria orgnica, sendo um local de refgio para peixes pequenos e muitos juvenis de espcies de grande porte. Esturios so reas de grande importncia ecolgica e econmica por serem reas de alimentao e/ou de reproduo de muitas espcies, tendo um papel importante nas teias alimentares marinhas. Por exemplo, so fundamentais para a reproduo do camaro-rosa (Farfantepenaeus brasiliensis) e outras espcies. O camaro-rosa se reproduz em mar aberto (em geral 40-80m de profundidade) e suas ps-larvas penetram nos esturios onde ocorre o

crescimento. Permanecem nos esturios e zona costeira adjacente enquanto juvenis e migram na fase pr-adulta para as zonas de reproduo no mar. Essa conectividade entre ambientes diferentes comum no mar. Manguezais so ambientes especiais presentes na costa ou, mais comumente, em esturios. Ocorrem especialmente na zona tropical ou em reas subtropicais. ocorrem no Brasil desde a foz do oiapoque, no Amap, at Laguna, em Santa Catarina, estando os maiores localizados entre o oiapoque e o Golfo Maranhense. o Brasil possui a segunda maior rea de manguezais do mundo (cerca de 12.500 km2), representando 0,16% da rea total do pas.Manguezais so ambientes, enquanto mangues so rvores. As principais rvores que formam as florestas de manguezais possuem capacidade de filtrar o sal, da estarem adaptadas para esse ambiente com salinidade maior que a dos rios. Os manguezais protegem a linha da costa e a margem dos rios. Suas rvores e arbustos bloqueiam o vento e prendem sedimento entre as razes, mantendo um declive suave que absorve a energia das correntes de mar. Seu sedimento (muitas vezes na forma de lama) rico em nutrientes originrios de folhas e galhos em decomposio. Os manguezais abrigam uma grande diversidade de vida, incluindo muitos de interesse para a alimentao humana, como o caranguejo-u (Ucides cordatus), o guaiamum

(Cardisoma guanhumi), o vngole ou berbigo (Anomalocardia brasiliana), a ostra (Crassostrea rhizophorae), tainhas (Mugil spp.), robalos (Centropomus spp.) e outros. Os manguezais so tambm relevantes para os peixes-boi-marinhos (Trichechus manatus), que buscam guas calmas para se reproduzir, podem comer folhas de mangue e sobem o rio para beber gua doce. Apesar disso, poucas espcies de rvores formam

esses ambientes, especialmente o mangue-vermelho ou verdadeiro (Rhizophora mangle) e o mangue-branco (Laguncularia racemosa). Possuem grande conectividade com os outros ambientes, sendo importantes berrios para muitos peixes, cujos adultos esto no mar. Assim, a destruio de esturios ou manguezais pode afetar pescarias realizadas longe do mar.

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

SAiBA QuE:o BRASiL PoSSui A SEGunDA MAioR REA DE MAnGuEzAiS Do MunDo CERCA DE 12.500 KM2, iSTo 0,16% DA REA Do TERRiTRio BRASiLEiRo!

Ilustrao do ciclo trfico de manguezais e esturios

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Recifes de coral e ambientes coralneos tropicais possuem a maior diversidade de espcies dentre todos os ambientes marinhos. Ocorrem em guas quentes (temperatura em geral acima de 22 C) e rasas (em geral menos de 50m de profundidade). isto porque os corais, animais formadores de recifes tropicais, possuem simbiose com algas unicelulares as zooxantelas , que vivem no interior de seus tecidos e, portanto, necessitam de luz. A principal caracterstica dos recifes de coral que a estrutura fsica desses ecossistemas formada pelo acmulo de esqueletos calcrios de diversos organismos, como os corais, as algas calcrias incrustantes e outros. Trata-se das maiores estruturas construdas por seres vivos do planeta. Esses seres nascem, crescem e morrem, abrindo espao para outros repetirem o ciclo e deixando seus esqueletos presos na estrutura recifal. Assim, o recife cresce, formando um ambiente que se eleva do fundo do mar, com reas claras ou escuras, batidas ou abrigadas, rasas ou fundas, tneis, cavernas, tocas, alm de fundos de lama ou areia em seu entorno. Essa variedade de ambientes permite a presena de espcies adaptadas a cada um, aumentando a biodiversidade do sistema.

No Brasil, existem importaNtes amBieNtes coralNeos do maraNho (parcis do maNuel lus, lvaro e tarol) at saNta catariNa, seNdo os maiores e mais diversos recifes de coral localizados No sul da Bahia (reas do BaNco dos aBrolhos e adjacNcias).

reCifeS de CorAiS tropiCAiS

todo reCife de CorAl?

so comuNs No Nordeste do Brasil estruturas rochosas retilNeas, que

acompaNham a liNha da costa e podem ser descoBertas Na mar Baixa. emBora sejam popularmeNte chamadas de recifes, essas

estruturas so areNitos de praia. o Nome deve-se ao fato de serem formadas por

aglutiNao e cimeNtao de gros de areia. os recifes de areNito podem possuir fauNa e

flora tamBm muito rica, semelhaNte dos recifes de coral.

Gramas marinhas so parentes prximas das gramas terrestres, as quais se adaptaram h milhes de anos para viverem submersas no mar. Podem ser encontradas em todos os continentes, exceto na Antrtida. Formam grandes pradarias submarinas. Estas plantas reproduzem-se como suas parentes terrestres, formando flores e sementes, alm de estender razes e da brotarem novas folhas. A reproduo ocorre por polinizao e liberao de sementes; flores-macho liberam plen na gua e este carreado e fertiliza as flores-fmea, gerando sementes. As sementes so ento liberadas, flutuam e so levadas pelas correntes e ventos para novos locais, onde afundam e germinam em novas plantas.

esses ecossistemas esto ameaados Pelo desPejo e/ou carreamento de Poluio Para os rios, como sedimentos ou nutrientes de fertilizantes agrcolas; amBos causam Booms de algas que Bloqueiam a luz do sol. no Brasil, duas esPcies de gramas marinhas so mais comuns: a grama-marinha (halo-phila deCipiens) e o caPim-agulha-marinho (halodule wrightii).

os Bancos de gramas marinhas Prestam in-meros servios ecossistmicos, como Pro-duo de oxignio, melhoria da qualidade da gua atravs da aBsoro de nutrientes e reteno de Partculas, estaBilizao do sedimento Pela trama de suas razes, seques-tro de carBono e outros.

Podem ser consideradas estruturadoras de ambientes, pois entre suas folhas criado um ambiente que serve de abrigo para muitos organismos, como pequenos crustceos, moluscos e peixes juvenis, inclusive alguns de interesse comercial. As gramas marinhas so a base de uma teiaalimentar que inclui milhares de espcies. Alguns animais maiores podem consumi-las diretamente, como no caso dos peixes-boi e das tartarugas-verde (Chelonia mydas). Suas folhas tambm podem alimentar outros organismos mesmo depois de mortas - os detritvoros. Esses pequenos animais por outro lado atraem outros maiores - permanentes ou de passagem. Forma-se assim um ambiente diverso e complexo.

banco de gramas marinhas com predomi-nncia de grama-marinha -

Halophila decipiens Foto Leones Lopes - Coral Vivo

Banco de gramas marinhas - grama-marinha -

Halophila decipiens - e capim-agulha-marinho - Halodule wrightii.

Foto Clovis Castro - Coral Vivo

Banco de gramas marinhas - Grama-marinha -

Halophila decipiens - e capim-agulha-marinho -

Halodule wrightii.Foto Clovis Castro - Coral Vivo

Banco de gramas marinhas - Grama-marinha -

Halophila decipiens - e capim-agulha--marinho - Halodule wrightii.

Foto Clovis Castro - Coral Vivo

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

ALM DoS RECiFES EM Si, os ecossistemas coralneos possuem ainda outros ambientes associados a eles, incluindo bancos de gramas marinhas, bancos de algas, bancos de gorgnias (um tipo de coral com esqueletos flexveis crneos, como nossas unhas) e at mesmo manguezais. Esses ambientes esto interligados, pois muitas espcies vivem em mais de um deles, s vezes, em fases de vida diferentes. Por exemplo, filhotes de barracudas so frequentemente encontrados em manguezais, enquanto os adultos vivem no mar, muitas vezes no entorno dos recifes de coral.

Simbiose entre corais e zooxantelas

bAnCoS de GrAmAS mArinhAS

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oS RECiFES So iMPoRTAnTES PARA o hoMEM PoR QuATRo MoTiVoS PRinCiPAiS:

1. so ecossistemas produtivos que aBrigam muitas espcies (especialmeNte peixes e lagostas) usadas Na alimeNtao humaNa. 2. muitas vezes protegem a costa coNtra a ao destrutiva das oNdas, formaNdo uma Barreira oNde as oNdas param.3. alm da pesca, so geradores de emprego e reNda por serem apreciados para turismo e lazer. 4. por sua altssima Biodiversidade, so foNte de pesquisa em suBstNcias usadas pela iNdstria, como para a faBricao de remdios, filtros solares e outras.

Lagosta-vermelha - Panulirus argus - Recife de Fora - Porto Seguro - Foto Clovis Castro - Coral Vivo

Recife de Fora - Porto Seguro. Foto Leones Lopes-Coral Vivo

Recife de Fora - Porto Seguro - Foto Leones Lopes -Coral VivoCoral-crebro-couve-flor - Mussismilia harttii - colnia gigante no Recife de Fora - quase 3 metros de dimetro - Foto Leones Lopes - Coral Vivo

APESAR DE SuA iMPoRTnCiA, oS AMBiEnTES CoRALnEoS VM SoFREnDo AMEAAS PELo uSo DESConTRoLADo

DE SEuS RECuRSoS, CoMo: a. a pesca maior do que as populaes de peixes coNseguem repor. B. o turismo descoNtrolado sem limites do Nmero de visitaNtes ou sequer regras de visitao. c. a poluio domstica e iNdustrial, que degrada a qualidade da gua, iNviaBilizaNdo a vida de muitas espcies. d. as mudaNas No clima em escala gloBal, que alteram a fisiologia das espcies mariNhas e mudam seu crescimeNto, reproduo e outras fuNes vitais.

Os ecossistemas possuem capacidade de se adaptar ou resistir a algumas ameas, mas o acmulo de impactos negativos leva quase inevitavelmente sua morte. A principal recomendao para lidar com as ameaas globais evitar os impactos locais, dando uma chance para a sobrevivncia desses ambientes to importantes para todos.

esquema representando coluna recifal, chama chapeiro, no Sul da bahia

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O Brasil possui as maiores extenses de bancos de algas calcrias do mundo. Um grupo especial de algas calcrias essencial na construo de recifes de coral cimentando a estrutura do recife e protegendo-a da ao das ondas e da eroso. Essas algas so tambm conhecidas como rochas vivas. Em alguns casos, essas algas podem crescer soltas (no cimentadas) ao fundo, podendo formar ndulos chamados de rodolitos. Esses ndulos, crescem lentamente, mas podem atingir at mais de 25cm de comprimento cada um. Bancos de rodolitos so formados pelo acmulo desses ndulos em grandes extenses do fundo submarino. o acmulo de ndulos forma um ambiente com muitas reentrncias e microambientes, os quais so importantes pela sua biodiversidade e por abrigarem relevantes recursos naturais renovveis, em especial as lagostas. As maiores populaes desses animais ocorrem nesses ambientes, onde encontram local prprio para se reproduzir, alm de abrigo contra predadores.

bAnCoS de rodolitoS

no Brasil, as PrinciPais algas que formam os Bancos de rodolitos Pertencem ao gnero lithothamnion.

(ndulos de algas calcrias)

CuRioSiDADESAPESAR DE SEu CRESCiMEnTo ExTREMAMEnTE LEnTo, QuE

inViABiLizARiA o SEu uSo CoMo RECuRSo nATuRAL REnoVVEL, oS RoDoLiToS TM SiDo DRAGADoS PARA uSo CoMERCiAL PoR CAuSA

DA iMPoRTnCiA DE SEuS ESQuELEToS CoMo FonTE DE CLCio E MiCRonuTRiEnTES, DA SEREM uSADoS CoMo FERTiLizAnTES ou

CoRREToRES DE SoLoS CiDoS.

Banco de rodolitos - nodulo de alga calcria Foto Clovis Castro - Coral Vivo

Reserva Biologica Marinha do Arvoredo SC - Foto Marina Sissini

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

Distribuio de bancos de rodolitos ao largo do Brasil: A - Ao largo de Salvador Bahia, RG et al. 2010. Brazilian Journal of Oceanogrhy, 58 (4): 323-337.B - Amado-Filho, GM et al. 2012. Plos One, 7 (4): e35171.C - Amado-Filho, GM et al. 2007. Ciencias Marinas (2007), 33(4): 399410.D - Foster, MS et al. 2013. Smithsonian contributions to the marine sciences, 39: 143-155.E - Kempf, M. 1970. Marine Biology, 5: 213-224.F - Tmega, FTS et al. 2013. Catalogue of the benthic marine life from Peregrino Oil Field, Brazil. Rio de Janeiro, Instituto Biodiversidade Marinha. 140 p.G - Rocha, RM et al. 2006. Journal of Coastal Research, Special Issue 39: 16761679.

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reCifeS de profundidAde do tAlude ContinentAl

as paredes

Os corais formadores de habitats coralneos e recifes de profundidade so considerados organismos engenheiros, ou seja, aqueles que modificam o ambiente, criando a estrutura complexa e tridimensional dos recifes que servem de abrigo, proteo e alimentao para uma enorme variedade de organismos marinhos. Existem recifes de profundidade em vrias partes do mundo. no Brasil, h indicaes, atravs de registros de ocorrncia de espcies construtoras, de recifes profundos ao largo do nordeste, do Sudeste e do Sul do Brasil.

Espcies mais comuns nos habitats coralneos de profundidade no Brasil, como os corais ramificados Lophelia pertusa e Solenosmilia variabilis,tm ocorrncias registradas de 9 a 34S.

os recifes de coral e habitats coralneos de Profundidade, Pela sua rica Biodiversidade tm enorme imPortncia ecolgica, como os seus equivalentes de guas rasas, Pois do mesmo modo, oferecem inmeros recursos Biolgicos e econmicos.

PARA FALAR DE RECiFES DE PRoFunDiDADE PRECiSo FALAR SoBRE A PLATAFoRMA ConTinEnTAL.A plataforma continental uma parte do fundo marinho que comea na linha de praia eque est submersa pelas guas do oceano. Essa zona caracterstica por apresentar um declive suave, pouco acentuado, que, em mdia, desce at cerca de 100/200 metros de profundidade. A largura da plataforma varia nas diferentes regies da costa brasileira, podendo ser de poucos quilmetros at mais de 400 km. Aps essa zona vem uma outra, de descida brusca e declive mais acentuado, que o talude continental. o relevo do talude continental no regular. A complexidade estrutural de diferentes ambientes, possibilita a ocorrncia de uma grande riqueza de espcies, que eram desconhecidas h algumas dcadas. Dentre esses ambientes destacam-se vales submersos, cnions e habitats coralneos de profundidade.

SABE-SE DA GRAnDE PRESSo DE uSo DE RECuRSoS Do TALuDE EM ALGuMAS REAS Do

BRASiL, SoBRETuDo A RELACionADA PESCA DEMERSAL DE PRoFunDiDADE, REALizADA

nAS CoSTAS SuDESTE E SuL Do PAS. A PESCA A PRinCiPAL CAuSA DE iMPACTo EM

RECiFES DE CoRAiS DE PRoFunDiDADE EM VRiAS REGiES Do MunDo. h MAiS DE uMA

DCADA, ESSE TiPo DE PESCA CoMERCiAL VEM SEnDo REALizADA no BRASiL, E no SE

ConhECE AinDA A DiMEnSo Do iMPACTo J CAuSADo PELAS REDES DE PESCA uSADAS

PELAS EMBARCAES. CoMunMEnTE, oS CoRAiS E ouTRoS oRGAniSMoS SEM VALoR

CoMERCiAL So RETiRADoS Do SEu AMBiEnTE E DESCARTADoS. h RELAToS QuE GRAnDES

QuAnTiDADES DE CoLniAS DE CoRAL, DE CERCA DE uMA TonELADA, FoRAM RETiRADAS

EM APEnAS uM LAnCE DE REDE E DESCARTADAS.

caranguejo Eumunida picta no coral Lophelia pertusa - Foto wikipedia commons

Recifes de profundidade - biodiversidade - foto wikipedia commons

Diversidade de vida - Foto wikipedia commons

coral Solenosmilia variabilis.Foto Debora Pires - Coral Vivo

Diversidade de vidaFoto wikipedia commons Imagens capturadas de video por Clovis Castro - Coral Vivo - submersvel Johnson Sea

Dbora de Oliveira Pires - Museu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

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Ambiente pelGiCo

O ambiente pelgico, zona pelgica ou domnio pelgico a regio ocenica onde vivem normalmente seres que no dependem dos fundos marinhos. Trata-se do ambiente ecolgico das guas ocenicas abertas, acima do ambiente bentnico do fundo dos mares. Assim, a zona pelgica comea abaixo da zona de influncia das mars, prolongando-se at o alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros at as guas profundas.

Esse ambiente utilizado para muitas atividades humanas, tais como: a pesca, a explorao de petrleo e gs natural e a navegao, incluindo o transporte de mercadorias.

o Ambiente pelGiCo pode Ser dividido em zonAS, de ACordo Com A inCidnCiA de luz SolAr

Olhando da costa, os seres humanos nem imaginam o que acontece em alto-mar. no fluxo das correntes ocenicas seguem mar afora grandes cardumes e animais solitrios em rota migratria. os barcos de pesca por sua vez realizam muitas dessas rotas atrs dos cardumes. Tambm por esses caminhos seguem navios de carga, transportando uma infinidade de mercadorias vindas de todos os locais do planeta. Alm das coisas boas, tambm podemos encontrar, vagando pelo oceano, uma imensa quantidade de lixo, principalmente plstico, oriundo das zonas costeiras e tambm despejado por essa frota de barcos e navios. infelizmente, o lixo transita quase que impune, causando danos para todo o ecossistema marinho, sendo ingerido, por acidente, pelos animais, que o confundem com alimentos.

As correntes marinhas so o movimento de grandes corpos de gua nos oceanos. Elas so produzidas quando o vento sopra sobre a superfcie e pela diferena de temperatura da gua empurrando e puxando a gua, gerando atrito e transferindo energias, fazendo com que a massa de gua superficial se mova. Essa energia transferida continua a descer e agir pelas camadas mais profundas do oceano. Assim como os rios, as correntes marinhas se movem em padres previsveis. As correntes superficiais carregam o plncton por uma rota conhecida e influenciam a distribuio dos animais marinhos, pois os grandes predadores se alimentam dos animais que seguem o plncton, do qual se alimentam.

Como e por qu Se formAm AS CorrenteS mArinhAS?

o trnSito pelGiCo

A luz do sol aquece duas vezes mais os oceanos nas regies equatoriais, isto , as guas prximas linha do Equador. Porm isso no faz com que as guas equatoriais sejam cada vez mais quentes e as guas dos polos cada vez mais frias. Existe um equilbrio trmico, um balano, que faz com que o calor seja transferido. Essa transferncia feita pela atmosfera e pelos oceanos. Esse equilbrio importante para a formao das grandes correntes ocenicas no planeta, pois o movimento provocado pelo equilbrio trmico responsvel por grandes deslocamentos de gua.

Andr Santoro, Augusto Costa, Cynthia Ranieri e Tatiana Neves Projeto Albatroz

zona Fticaa zoNa ftica a regio oNde a luz do sol coNsegue peNetrar Na coluNa dgua e maNter o processo de fotossNtese. essa zoNa coNtm o maior Nmero de orgaNismos fotossiNtticos assim como o maior Nmero de aNimais. essas graNdes populaes de orgaNismos fotossiNtticos coNseguem maNter outras graNdes populaes de herBvoros e, em coNsequNcia, as espcies de predadores que deles se alimeNtam.

zona Aftica a regio permaNeNtemeNte escura, oNde No existe iNcidNcia de luz solar, situada aBaixo da zoNa ftica e se esteNde at o fuNdo dos oceaNos. a maior parte dos oceaNos jamais ilumiNada pela luz solar.

Zona

aftica

ilustrao representando o ambiente pelgico e alguns de seus habitantes

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Ambiente AbiSSAiS

A maior parte dos ambientes abissais so extensas plancies. Essa regio inclui tambm montes, montanhas e cordilheiras submarinas, dos quais estima-se que existam 100.000 elevando-se das plancies abissais. Essas elevaes formam obstculos, causando mudanas nas correntes ou turbulncias, criando ambientes complexos que concentram maior diversidade de vida. Muitos animais que a vivem, como baratas-gigantes (crustceos ispodes), caranguejos, pepinos-do-mar e tubares-dorminhocos, podem se alimentar de uma chuva de material orgnico ou de animais mortos que caem de profundidades menores. Esses animais atraem predadores que deles se alimentam.Ambientes especiais da zona abissal so as fontes hidrotermais e as fontes frias locais onde gua, minerais, gases como o metano e compostos como o sulfeto de hidrognio so expelidos atravs da crosta terrestre. A base da cadeia alimentar nessas fontes so bactrias quimiossintetizantes que oxidam o sulfeto de hidrognio e outras substncias, formando matria orgnica. Essas bactrias podem tambm viver associadas a vermes e moluscos bivalves e realizam papel equivalente ao da fotossntese das algas em guas rasas. A biomassa nessas fontes pode ser 500 a 1.000 vezes maior que no fundo do mar adjacente, sendo comparvel das reas mais ricas dos oceanos.

oS AMBiEnTES ABiSSAiS REPRESEnTAM A MAioR rea da Terra, compreendendo cerca de 60% de toda a superfcie do planeta e 83% da superfcie do mar. Compreendem as reas marinhas entre 2.000 e 6.000 metros de profundidade. Em geral, considera-se que a zona abissal comea na profundidade em que a temperatura da gua desce a 4C. Devido s grandes profundidades, a presso nesses ambientes enorme, entre 200 e 600 atmosferas , obrigando os seres que a vivem ou chegam a se especializar para poder suportar presso to elevada. nem mesmo submarinos nucleares podem chegar nessas profundidades, que so alcanveis apenas por submersveis especializados.

Camaro - Cerca de 4 mil metros de profundidadeFoto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine -

Earth Science and Technology -JAMSTEC

organismos que vivem nessas profundidades no possuem cavidades com ar em seus corpos. Por exemplo, os peixes de guas mais rasas possuem uma estrutura chamada bexiga natatria, a qual preenchida com mais ou menos ar para controlar sua flutuabilidade. Essa bexiga permite que eles permaneam em uma profundidade determinada sem fazer esforo. Porm os peixes das profundidades abissais no possuem essas bexigas, eliminando o problema da enorme presso que comprimiria o ar em cavidades do corpo. Muitos residentes permanentes, como peixes e crustceos, so cegos. Muitos outros so bioluminescentes, gerando luz que atrai presas ou parceiros sexuais. Algumas baleias, como cachalotes, so os nicos seres com pulmes que podem chegar, eventualmente, at a zona abissal. Outros organismos comuns, que habitam os ambientes abissais, so espcies de caranguejos, camares, poliquetos, polvos, lapas e outros moluscos.

eSPonJA - Cerca de 4 mil metros de profundidade Foto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine - Earth Science and Technology -JAMSTEC

eStrelA - Cerca de 4 mil metros de profundidade. Foto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology - JAMSTEC

HOLOTHURIA - cerca de 4 mil metros de profundidade. Foto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine - Earth Science and Technology - JAMSTEC

NDULOS DE MANGANS - cerca de 4 mil metros de profundidade. Foto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology -JAMSTEC.

PEIXE CARA DE RATO - cerca de 4 mil metros de profundidade. Foto Paulo Sumida - Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology -JAMSTEC.

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

Como AS bAleiAS podem merGulhAr fundo?

em algumas esPcies de cetceos (Baleias e golfinhos), existem modificaes no corPo Para aguentar variaes extremas na Presso do amBiente externo. essas adaPtaes limitam o efeito da Presso soBre os ouvidos e Pulmes. os Pulmes, Por exemPlo, sofrem um colaPso, com o ar sendo exPulso deles. a exPulso tem o efeito de imPedir que o ar comPrimido nos Pulmes Passe Para dentro do sangue, evitando ProBlemas que os humanos sofrem at em mergulhos muito mais rasos, como a narcose ou a emBolia. ao invs de ter reservas de oxignio nos Pulmes (como ns temos), as Baleias que mergulham fundo Possuem essas reser-vas no PrPrio sangue e nos msculos elas Possuem comParativamente mais sangue que outros animais (at do Peso do animal; ns temos menos de 1/10), e a concentrao de hemogloBina (a Protena que transPorta oxignio no sangue) Por litro de sangue tamBm duas vezes maior que a nossa. eles Possuem 10 vezes mais miogloBina (Protena que armazena oxignio nos msculos) que os humanos. h registros de Baleias que Permaneceram suBmersas Por duas horas.

o que A preSSo nAS profundidAdeS AbiSSAiS?a gua possui duas propriedades importaNtes: 1. ela mais deNsa que o ar. 2. ela No comprimvel (eNquaNto o ar ). isso pode ser exemplificado quaNdo voc mergulha em uma pisciNa fuNda ou mergulha No mar. voc seNte uma presso Nos ouvidos. isto ocorre porque a gua pesa soBre os tmpaNos e comprime o ar deNtro do ouvido, empurraNdo e machucaNdo o tmpaNo. se voc coNtiNuar a afuNdar, NormalmeNte voc comea a seNtir dor Nos ouvidos. isto acoNtece porque medida que voc afuNda, a presso da gua soBre os ouvidos aumeNta. Na superfcie do mar coNsidera-se que temos 1 atmosfera de presso; a cada 10 metros que afuNdamos aumeNtamos mais uma atmosfera. da, 2.000 metros de profuNdidade = 200 atmosferas de presso.

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ilhAS oCeniCAS e monteS SubmArinoS

iLHAS OCENICAS E MONTES SUBMARINOS esto localizados fora da plataforma continental e sem ligao com o continente. As ilhas so as extremidades queemergem de montanhas submarinas e os montes submarinos so as montanhas que atualmente esto submersas. Ambos so formados por processos geolgicos construtivos, como erupo vulcnica, soerguimento do assoalho ocenico ou resultante de processos de origem biolgica, como deposio de restos de organismos recifais ou por crescimento de estruturas vivas, como algas calcrias, corais e outros invertebrados. Em funo de seus isolamentos geogrficos so ambientes singulares, tanto quanto aos aspectos abiticos como biticos. essa singularidade pode determinar configuraes ecolgicas peculiares, s quais os organismos tendem a se adaptar, provocando o afastamento gentico de seus antepassados, que chegaram de outras ilhas ou do continente, podendo, em alguns casos, propiciar o surgimento de espcies endmicas. em comparao com a biodiversidade continental, a biodiversidade nas ilhas Ocenicas e Montes Submarinos tende a ser menor, provavelmente devido s limitaes de espao e de recursos para permitir a colonizao do novo ambiente.segundo a teoria de Biogeografia de ilhas quanto mais distante estiver a ilha da costa, menor ser a chance de uma esPcie chegar a ela. e, quanto maior for a ilha, mais facilmente as esPcies Podero se desenvolver naquele amBiente. Por essa teoria, no equilBrio, o nmero de esPcies de uma ilha continua o mesmo ao longo do temPo, aPesar de ocorrer variao na comPosio das comunidades, Pois esPcies so extintas e novas esPcies chegam Para colonizar as ilhas ocenicas e montes suBmarinos.As ilhas ocenicas do Brasil esto nos Arquiplagos de Fernando de Noronha, de So Pedro e So Paulo, de martim vaz, na Ilha de Trindade e no Atol das Rocas.O Arquiplago de Fernando de Noronha,

Jos Martins da Silva-Jr e Cynthia GerlingICMBio/Projeto Golfinho Rotador

o Atol das rocas, a ilha de trindade e o Arquiplago Martin Vaz constituem o topo emerso de grandes montanhas vulcnicas de cadeias de montes submarinos, com origem em fraturas transversais da Dorsal Meso-Atlntica. Por essas fraturas na crosta do assoalho do Atlntico Sul ocorreu um derramamento de lava. Com o deslizamento da placa Sul-Americana, essas Ilhas Ocenicas e Montes Submarinos se afastaram do continente africano e mantiveram constante sua distncia em relao ao Brasil.A parte emersa do Atol das Rocas constituda por ilhas de sedimentos e por um anel de arrecifes. As ilhas so compostas por restos de moluscos, corais, algas e outros organismos. O anel que limita a lagoa interna construdo principalmente por algas coralinas incrustantes e gastrpodes vermetdeos. O Arquiplago de So Pedro e So Paulo tem sua formao provocada por um deslocamento ascendente do assoalho do Atlntico Norte, no sendo composto por rochas vulcnicas em sua poro emersa.O Arquiplago de Fernando de Noronha um osis de vida na vastido da regio ocenica, com presena de vrias espcies de seres marinhos como peixes, corais, tubares, aves marinhas, cetceos (golfinhos e baleias) e tartarugas marinhas. Desde a sua formao geolgica, ele vem sendo colonizado por animais e vegetais, terrestres e marinhos, que nadaram, voaram ou foram trazidos pelas correntes areas ou marinhas, e, mais recentemente, pelos homens. As caractersticas ambientais de Fernando de noronha so as esperadas para um arquiplago ocenico tropical: alto dinamismo, constantes alteraes no ecossistema e ciclos ambientais bem definidos. A flora de Fernando de Noronha caracteriza-se pela baixa diversidade e por espcies altamente oportunistas. A fauna de Fernando de Noronha caracterstica de ecossistemas insulares ocenicos tropicais, onde os animais tm dificuldade de chegar, colonizar e se reproduzir.

Por serem ambientes que apresentam alto grau de endemismo, ou seja, um elevado nmero de espcies endmicas, os impactos causados em ilhas ocenicas so especialmente prejudiciais e podem levar essas espcies rapidamente extino. Um dos impactos mais negativos a introduo de espcies exticas, tais como gatos, ratos, cabras e outros animais domsticos, que destroem a vegetao que cobre e protege o solo das ilhas ou que se alimentam de ovos e filhotes de espcies endmicas, como os de aves marinhas, a saber, albatrozes e petris. O turismo desordenado outro grande problema para a manuteno das espcies das ilhas ocenicas. Alm de destruir o ambiente por pisoteio, a presena humana em ilhas isoladas pode introduzir patgenos, micro-organismos que causam doenas, e podem levar todos os exemplares de uma espcie rapidamente extino.

Um eXemPlo: O Albatroz-de-tristo, que se reproduz apenas no Arquiplago de Tristo da Cunha e Ilhas Gough, no centro do Ocenico Atlntico Sul, esto criticamente ameaados de extino devido, entre outras coisas, predao de filhotes indefesos por ratazanas introduzidas acidentalmente por navegadores que l aportaram.

ComunidAde inSulAr oCeniCAo arquiplago de ferNaNdo de NoroNha possui a Nica comuNidade iNsular oceNica do Brasil. sua ocupao humaNa tem oscilado em quaNtidade e diversidade cultural ao loNgo dos ltimos quiNheNtos aNos. o registro oficial do descoBrimeNto de ferNaNdo de NoroNha de 10 de agosto de 1503, com o Naufrgio de uma das Naus da 2a expedio exploradora, da qual fazia parte amrico vespcio, que descreveu o episdio da descoBerta. em 2015, ferNaNdo de NoroNha receBeu aproximadameNte 90 mil visitaNtes e sua populao era cerca de ciNco mil moradores.

J ouviu fAlAr do Golfinho de noronhA?

voc saBia que em ferNaNdo de NoroNha h uma espcie de golfiNho, chamada

de golfiNho-rotador? ele tem este Nome porque, quaNdo salta fora dgua, ele pode girar em torNo

de seu prprio eixo at 7 vezes. ferNaNdo de NoroNha o lugar, No muNdo, oNde h a maior proBaBilidade de ver essa espcie de golfiNho em graNdes grupos. o recorde foi a oBservao de 2.719

golfiNhos-rotadores em 24 de jaNeiro de 2014 Na Baa dos golfiNhos em ferNaNdo de NoroNha!

vamos preservar Nosso patrimNio Natural!

GOLFINHO-ROTADOR (Stenella longiroStriS longiroStriS)tempo de vida: eNtre 20 30 aNostamaNho mdio de NascimeNto: 0,75 metrostamaNho mximo mdio: 2,00 metrospeso mdio: 75 kgtempo de gestao: 10,5 meses

ConheCendo oS impACtoS em ilhAS oCeniCAS

Foto: Jos Martins da Silva-Jr

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ServioS eCoSSiStmiCoS

O ser humano produz vrios bens de consumo, que variam em tamanho e funo. Esses bens vo desde um alfinete a naves espaciais. Eles esto nossa volta, os vemos, os utilizamos e, quando no mais precisamos deles, ns os descartamos. no podemos esquecer tambm dos servios prestados pelo homem, como energia eltrica, tratamento e distribuio de gua, internet e outros. Da mesma forma como pessoas e empresas fabricam bens de consumo e prestam servios, a natureza tambm o faz. Estamos muito familiarizados com os bens produzidos pela natureza, como, por exemplo, alimento, gua e madeira. Por outro lado, estamos menos familiarizados com os servios que a natureza presta para ns e para todo ecossistema.Os servios ambientais dos ecossistemas, ou servios ecossistmicos, geram benefcios para a sociedade e podem ser identificados, mensurados e avaliados. So benefcios como produo de alimentos, frmacos, sequestro e estoque de carbono, controle de eroso, regulao climtica, conservao da biodiversidade, polinizao, a beleza cnica, o controle de doenas, depurao de poluentes e uma srie de outros.Os servios ecossistmicos ocenicos se referem a benefcios que o homem obtm dos ecossistemas marinhos e costeiros, incluindo o mar aberto. Eles podem ser classificados em quatro categorias:

servios de regulao servios de suporte servios de proviso (ou abastecimento) servios culturais

Cynthia Gerling e Jos Martins da Silva-JrProjeto Golfinho Rotador/ICMBio

os servios de regulao podem ser coNsiderados como um dos mais importaNtes servios prestados pelos oceaNos. os oceaNos coBrem 70% da superfcie da terra e tm uma importNcia fuNdameNtal para regular todo o equilBrio climtico do plaNeta. a iNterao oceaNo-atmosfera iNflueNcia diretameNte o clima da terra, seNdo que, deNtre as iNteraes possveis, a que tem a maior iNfluNcia Na temperatura so as correNtes oceNicas. elas traNsportam calor dos trpicos para os polos, coNtriBuiNdo para ameNizar o clima gloBal. a maior parte de precipitao (chuva) resulta, origiNalmeNte, da gua que evapora do oceaNo Nas zoNas tropicais. isso porque aproximadameNte 97% das guas do plaNeta so guas salgadas (mares e oceaNos). a fora motriz do ciclo hidrolgico (ou ciclo da gua) o calor irradiado pelo sol que faz evaporar eNorme quaNtidade de gua dos mares e oceaNos. com a evaporao, e posterior coNdeNsao do vapor, formam-se as NuveNs; e das NuveNs vem a chuva, que fuNdameNtal vida No plaNeta.

os servios de suporte coNsistem priNcipalmeNte Na ciclagem de

NutrieNtes, que realizada por fitoplNctoN, macroalgas e

outros vegetais mariNhos, a coNhecida produo

primria. os amBieNtes costeiros, como maNguezais e BaNcos de macroalgas, fuNcioNam como Berrios para peixes e iNverteBrados, que depois saem para repovoar os mares, susteNtaNdo a maior parte das pescarias do muNdo.

os servios de proviso (ou aBastecimeNto) so o forNecimeNto de alimeNtos e outros BeNs. mais de um Bilho de pessoas ao redor do muNdo depeNdem de alimeNtos extrados do mar. uma graNde parte dessas pessoas, priNcipalmeNte as que vivem em pequeNas ilhas, tira praticameNte todo o seu susteNto dos oceaNos. a BiotecNologia possiBilitou o descoBrimeNto e a explorao comercial de uma exteNsa variedade de compostos

produzidos por orgaNismos mariNhos, priNcipalmeNte de algas e iNverteBrados. esses produtos tm aplicao

Nas iNdstrias qumica, alimeNtcia, farmacutica e cosmtica. as macroalgas so usadas desde a

aNtiguidade como foNte de alimeNto, iodo, vitamiNa c ou como vermfugo. atualmeNte, cerca de 100 espcies de

macroalgas so coNsumidas como alimeNto. os oceaNos tamBm servem como meio de traNsporte para

90% de toda a carga que circula No muNdo, uma vez que represeNtam uma das vias de traNsporte mais Baratas.

os servios culturais iNcluem o uso da zoNa costeira para diverso, lazer, esporte, turismo, educao e espiritualidade. as sociedades humaNas sempre

deseNvolveram uma iNterao Ntima com seu meio Natural, o que acaBa moldaNdo a diversidade cultural e os sistemas de valores humaNos. eNtretaNto, a urBaNizao

tem eNfraquecido as ligaes eNtre ecossistemas e diversidade/ideNtidade cultural. o uso dos elemeNtos dos recursos Naturais para oBjetivos de recreao, coNtemplao, espiritualidade e

turismo tem aumeNtado muito Nos ltimos aNos. Na atualidade, o turismo ecolgico mariNho correspoNde a uma das priNcipais foNtes de reNda para comuNidades costeiras que aiNda possuem graNde parte de seus ecossistemas coNservada.

CuRioSiDADES

voC SAbe A oriGem dAS GuAS de So pAulo e rio de JAneiro? a correNte do golfo traNsporta a gua queNte do cariBe para o atlNtico Norte, oNde liBerta calor e umidade para a atmosfera. os veNtos de Nordeste traNsportam o vapor da gua que evapora Na amazNia para a regio sudeste do Brasil, provocaNdo as chuvas que eNchem os reservatrios de gua de so paulo e rio de jaNeiro.

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os maNgues, assim como outras reas de traNsio de rios com os mares, sofuNdameNtais para regular a qualidade da gua, capturaNdo sedimeNtos e resduos orgNicos em trNsito eNtre o coNtiNeNte e o mar. os mecaNismos de autolimpeza tamBm so coNsiderados como servios de regulao,

como descrito em poluio. vrios polueNtes laNados Nos oceaNos so diludos e degradados quimica ou BiologicameNte pelo oceaNo.

todas essas alteraes causadas pelo homem Nos servios de regulao podem trazer coNsequNcias imprevisveis

para todo o plaNeta, colaBoraNdo, iNclusive, para as mudaNas climticas.

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SuStentAbilidAde, ser que ainda d tempo?

o crescimento populacional e o desenvolvimento dos bens e servios humanos abriram caminho para uma grande expanso das atividades econmicas, proporcionando bem-estar humanidade. no entanto, o modelo de crescimento vigente tem afetado a capacidade de os ecossistemas gerarem servios essenciais vida no planeta, sem esquecer da nossa prpria existncia. As atividades econmicas e o bem-estar humano so profundamente dependentes dos servios ecossistmicos. A preocupao com a escassez dos recursos naturais e com o futuro das prximas geraes fez surgir o conceito de desenvolvimento sustentvel, que concilia crescimento econmico com o uso sustentvel dos recursos naturais. A sustentabilidade pressupe a percepo de que os recursos naturais so finitos e as atividades antrpicas, quaisquer que sejam elas, podem resultar na gradativa e perigosa reduo dos recursos naturais.

Cynthia Gerling e Jos Martins da Silva-JrProjeto Golfinho Rotador/ICMBio

o que SuStentAbilidAde?

sustentaBilidade um conceito sistmico, relacionado com a continuidade dos asPectos econmicos,

sociais, culturais e amBientais da sociedade humana. mas voc ainda Pode Pensar: e o que isso significa na Prtica? Podemos dizer, na Prtica, que o conceito de sustentaBilidade rePresenta Promover a exPlorao de reas ou o uso de recursos do Planeta (naturais ou no), de forma a Prejudicar o menos Possvel o equilBrio entre o meio amBiente

e todas as Paisagens, Plantas e animais, inclusive o homem. Pode Parecer um conceito difcil de ser imPlementado e, em muitos casos, economicamente

invivel e socialmente injusto. no entanto, isso no verdade. errado Pensar que a sustentaBilidade iniBe o crescimento e diminui o

Bem-estar humano. a sustentaBilidade aPlicada oBedece a quatro critrios Bsicos:

ecologicamente correto; economicamente vivel;socialmente justo; culturalmente diverso.

quando se fala em sustentaBilidade, a nfase semPre dada ao asPecto mais comPlexo,

a questo amBiental. Pois, com o meio amBiente

degradado, a vida no Planeta estar comPrometida.

A expresso o oceano : de todos, mas de ningum representa um exemplo perfeito de que, quando um recurso natural no pertence a ningum, acessado gratuitamente, no valorizado e est fadado ao esgotamento. nessas guas de todos, e tambm de ningum, ocorre uma explorao insustentvel dos recursos marinhos, muitas vezes ainda no regulada por uma legislao internacional, que seria de suma importncia para proteger o ambiente marinho da crescente presso das atividades humanas.

o ambiente marinho constitui mais de 90% da biosfera, isso significa que a maior

parte da vida existente no planeta est nas guas de ningum.

A expanso das atividades econmicas, com a utilizao de novas tecnologias, em

guas antes inacessveis, compromete os inmeros servios ecossistmicos fornecidos pelos oceanos e ameaa a biodiversidade em suas vastas reas. A consequncia da falta da governana em alto-mar institui uma crise ambiental, social e econmica, que,

caso no seja resolvida, acarretar o colapso de

todas as formas de vida desse planeta.

As posturas individuais e institucionais precisam mudar, pois o TiC-TAC do relgio no para!

deSAfioS pArA

ConServAo

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poluio reSduoS SlidoSCynthia Gerling e Jos Martins da Silva-Jr

Projeto Golfinho Rotador/ICMBio

So chamadas de poluio as alteraes no meio ambiente que provocam efeito negativo em seu equilbrio, devido introduo, pelo homem, direta ou indiretamente, de substncias ou energia. o termo poluio deriva do latim e significa sujar. os agentes de poluio, chamados de poluentes, podem ser de natureza qumica, gentica, sonora, visual ou sob a forma de energia, como nos casos de luz, calor ou radiao. os poluentes podem ser substncias artificiais, estranhas a qualquer ecossistema, como agrotxicos, dejetos no tratados e plsticos. Mas os poluentes tambm podem ser substncias naturais, porm estranhas ao ecossistema onde eles esto sendo inseridos ou em concentrao muito maior do que o suportado pelo ecossistema. Por exemplo: um litro de leo de cozinha pode poluir cerca de 10.000 litros de gua.A poluio pode atingir ecossistemas naturais, agrrios e urbanos. nos ecossistemas naturais, os mais afetados so as guas e o ar. Grande parte da poluio do mar consequncia da atividade humana em Terra, trazida pelos rios ou pelo ar. Por exemplo, as guas residuais da indstria, da agricultura e das atividades domsticas carregam para o mar produtos qumicos e matria orgnica. Mas o mar tambm sofre com os poluentes lanados diretamente nele, como plstico nas praias, esgoto na costa e petrleo no mar.o esgoto, por conter diversas impurezas, pode transmitir doenas infecciosas e contagiosas, causar intoxicao e at mesmo morte de peixes, moluscos, crustceos, corais e outros seres marinhos.os imensos oceanos, os esturios, baas e praias no podem continuar eternamente a absorver a poluio domstica e industrial. Devemos reduzir ao mximo a poluio terrestre para conservar a vida marinha.

A poluio e oS riSCoS pArA A SAde humAnA

as coNsequNcias da poluio mariNha causada por Ns, seres humaNos, resultam em efeitos Negativos capazes de pr em risco Nossa prpria sade, j que Nos alimeNtamos de peixes e outros frutos do mar, e, frequeNtemeNte, vamos praia dar um Bom mergulho e Nos divertir!

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Cynthia Gerling e Jos Martins da Silva-Jr Projeto Golfinho Rotador/ICMBio

eis algumas das questes mais discutidas desde a criao da poltica NacioNal de resduos slidos lei 12.305/2010.resduo seria tudo aquilo que jogamos fora Porque, Para ns, naquele lugar e estado, no tem mais valor. mas vamos refletir soBre dois Pontos:

o que lixo? Como lidAr Com o lixo? de quem A reSponSAbilidAde?

na grande maioria das vezes, os resduos, quando separados corretamente e bem acondicionados, apresentam valor e/ou uso. So exemplos: a reciclagem de latas de alumnio, de garrafas Pet, ou mesmo os produtos venda em sebos e brechs. nessa viso, resduos seriam apenas matria-prima fora do lugar. o problema ambiental dos resduos diz respeito forma e ao local inadequado em que determinado material se encontra. Por exemplo, quando encontramos uma tampinha de refrigerante no estmago de uma ave marinha! Ou uma tartaruga comendo plstico! Ou um golfinho levando em sua peitoral um pedao de plstico! Ou um saco plstico agarrado em um coral! ou uma baleia emalhada em uma rede de pesca! A maior parte do lixo que est no mar veio pelos rios margeados por cidades, mas tambm existe o lixo jogado diretamente no mar, como nas praias, ou por navios.

Cerca de 85% de todo lixo encontrado nos mares e oceanos composto por plsticos. Outra grande parte do lixo dos mares so os pedaos de redes de pesca, que derivam pelo mar e funcionam como verdadeiras armadilhas para os animais marinhos.Atualmente existe tanto lixo nos mares que, em vrios locais do mundo, se formam gigantescas ilhas de plstico. E a responsabilidade sobre os resduos? de toda a sociedade: cidados, governos e setores produtivos devem ter todos os cuidados ao gerar, acondicionar e transportar os resduos para que no cheguem no mar. Lembrando sempre que, O MELHOR RESDUO AQUELE QUE NUNCA FOI GERADO!Ao longo dos anos, o mar tem sido usado como a maior lixeira da Terra. Toda porcaria da sociedade global e industrial vai parar l, ou por descarte incorreto ou pelo efeito da gravidade. No podemos dar as costas para a conservao marinha! A vida na Terra, como a conhecemos, s existe por causa dos oceanos.

1 Jogar fora!? Ningum pe o lixo fora, pois, no mundo, tudo dentro!2 no tem mais valor!? Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, como j dizia Lavoisier.

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oCupAo dA zonA CoSteirA

CArCiniCulturA

outra atividade que ofere-ce grande risco para a zona costeira a carcinicultura (criao de camaro em cativeiro). Essa atividade produz riqueza econmi-ca, gera emprego e ren-da, mas, muitas vezes, no concilia a alta produtivi-dade com a preservao ambiental. A utilizao in-discriminada de reas de mangue e de zonas inun-dveis, como os apicuns, alm de ilegal, ameaa a estabilidade das espcies costeiras, pois diminui sen-sivelmente reas de ber-rio de diversas espcies de peixes, moluscos e crust-ceos. Outro grave impacto o acmulo de matria orgnica e substncias qu-micas nos tanques de pro-duo de camaro, pois, muitas vezes, no momento da despesca, a gua desses tanques lanada no mar sem nenhum tratamento.

poSSveiS AmeAAS dA oCupAo CoSteirA

a devastao das vegetaes nativas leva movimentao de duNas e at ao desaBameNto de morros.

o aterro dos manguezais - as razes das rvores do mangue retm sedimeNtos e filtram as impurezas laNadas Na gua, alm de serem um verdadeiro Berrio para a reproduo de peixes recifais e oceNicos.

o derramamento de petrleo devido s operaes de terminais martimos.

construes altas e plantaes no litoral aumentam o somBreameNto das praias de desova de tartarugas mariNhas, geraNdo desequilBrio Nas populaes de machos e fmeas, uma vez que o sexo dos filhotes defiNido pela temperatura da areia em que os ovos so iNcuBados.

a incidncia de luz artificial nessas praias, desorienta as fmeas duraNte a desova, e os filhotes quaNdo Nascem.

o trnsito de veculos, incluindo quadriciclos, alm de ser uma ameaa aos BaNhistas, pode compactar os NiNhos das tartarugas mariNhas, atropelar os filhotes e aiNda afugeNtar as fmeas duraNte a desova.

a poluio das guas por elementos orgnicos e inorgnicos, como petrleo, lixo e esgoto, iNterfere Na alimeNtao e Na locomoo e prejudica o ciclo de vida dos aNimais mariNhos.

o trfego de emBarcaes represeNta uma ameaa de coliso para Baleias e golfiNhos.

a coNstruo de oBras costeiras, como estradas, portos e mariNas, o que altera a diNmica das guas e dos sedimeNtos Na zoNa litorNea, podeNdo causar eroso e iNuNdaes.

luena FernandesProjeto baleia Jubarte

A zonA CoSTEiRA CoRRESPonDE Ao espao geogrfico de interao do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renovveis ou no, abrangendo uma faixa martima e uma faixa terrestre. A zona costeira brasileira estabelecida como patrimnio nacional na Constituio Federal e compreende uma faixa terrestre de mais de 8.500 km,considerando baas e reentrncias, voltados para o Oceano Atlntico. Inclui tambm o mar territorial, correspondente faixa marinha de 12 milhas nuticas.Cerca de 50,7 milhes de brasileiros seguem a tendncia da populao mundial de ocupar reas prximas ao litoral e moram nos 463 municpios da zona costeira brasileira, o que representa 26,6% (1/4) dos habitantes do Pas. A densidade demogrfica mdia da zona costeira de 87 habitantes/km, cinco vezes superior mdia nacional, de 17 habitantes/km.nosso litoral composto de uma grande variedade de ecossistemas que incluem manguezais, recifes de corais, dunas, restingas, praias arenosas, costes rochosos, lagoas, esturios e marismas, que abrigam

inmeras espcies de flora e fauna, muitas das quais s ocorrem em nossas guas e algumas ameaadas de extino. tambm na zona costeira que se localiza a maior faixa de Mata Atlntica remanescente no pas. Mas a ocupao desordenada desses espaos vem colocando em risco todos os seus ecossistemas.A zona costeira est conectada direta e indiretamente tanto com o ambiente marinho quanto com a poro continental do territrio. De alguma forma, qualquer atividade desenvolvida no ambiente marinho tem reflexo na ocupao dos espaos costeiros e continentais. Por sua vez, as diversas atividades antrpicas, concentradas na poro continental do territrio, dependem e afetam os ambientes costeiros e marinhos. A populao litornea disputa um mesmo espao para as mais diversas atividades e finalidades, entre elas, a habitao, a indstria, o comrcio, o transporte, a agricultura, a pesca, o lazer e o turismo. Os principais impactos dessas atividades so a poluio, a contaminao, a presso populacional e a especulao imobiliria.

deSAfioS pArA o ordenAmento dA oCupAo dA zonA CoSteirA

todas as atividades humanas concentradas nas aglomeraes urBanas da zona costeira exercem Presso soBre a flora, a fauna e outros recursos naturais do litoral. este Processo de ocuPao costeira , em muitos casos, estimulado Pelo Poder PBlico, atravs de Planos de desenvolvimento costeiro e do turismo. mas ordenar a ocuPao dessas reas fundamental Para o seu desenvolvimento sustentvel. Para tanto, o governo Brasileiro conceBeu e imPlantou, em 1990, o Plano nacional de gerenciamento costeiro (Pngc) Para Promover o uso sustentvel dos recursos costeiros.

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mudAnAS ClimtiCAS

Mudanas no clima so hoje reconhecidas como uma das grandes ameaas ao meio ambiente da atualidade. Essas mudanas no afetam apenas a natureza, mas toda a sociedade. Grande parte dessas mudanas esto associadas emisso de gases do efeito estufa na atmosfera, especialmente gs carbnico (Co2), os quais so um dos elementos que regulam a temperatura e o clima de nosso planeta. Entre as principais mudanas previstas esto o aumento da temperatura, mudana no pH dos oceanos, derretimento das calotas de gelo, elevao do nvel do mar, mudanas nas populaes naturais de animais e plantas, mudanas nos padres de ocorrncia e virulncia de doenas, alm de secas e tempestades mais violentas. Essas mudanas

podem ter consequncias danosas vida na Terra, inclusive vida humana, como interferncia na produo de alimentos (temperatura, secas e tempestades) e alagamento de reas prximas ao nvel do mar. no caso dos oceanos, existem evidncias de estresses j afetando muitos organismos, em especial nos recifes de coral.A Tabela 1 apresenta os principais fatores de estresse para os recifes de coral atualmente, dividindo esses fatores em crnicos e agudos. os estresses agudos seriam aqueles decorrentes de eventos de curta durao, que causam danos rapidamente; enquanto estresses crnicos agiriam por longo tempo e, geralmente, estariam associados a uma degradao ambiental mais lenta e escalonada. Muitos desses estresses esto relacionados a mudanas climticas ou podem ser amplificados por elas.

Tabela 1. Fatores de estresse para ambientes marinhos, em especial os recifes de coral. Estresses so agrupados em crnicos e/ou agudos, podendo um mesmo fator aparecer nas duas categorias. Fatores que podem estar relacionados a mudanas climticas esto indicados em negrito; os demais esto diretamente relacionados ao do homem. G = global; R = regional (100-1000 km); L = local (< 100 km).Adaptado de Buddemeieret al., 2004. [Buddemeier, R.W., Kleypas, J.A. & Aronson, R.B. 2004.Coral Reefs and Global Climate Change. Potential contributions of climate change to stresses on coral reef ecosystems. Pew Center on Global ClimateChange.]

Impactos - Branqueamento de coral-cerebro Mussismilia braziliensis - Recife de Fora - Porto Seguro - Foto Projeto Coral Vivo

clovis barreira e castroMuseu Nacional/UFRJ - Projeto Coral Vivo

Fator de Estresse Escala ObservaesEstresses crnicos G R L

Diminuio de ons de carbonato e calcificao reduzida

reas mais frias sero estressadas primeiro, descartando possveis benefcios de aquecimento

Aumento da temperatura

Aumento gradual pode ser estresse crnico em reas quentes; pode ser benfico em reas frias

Sobre-explorao Pesca comercial, recreativa; Comrcio de souvenir e de aqurio

Entrada de nutrientes Uso da terra agricultura, esgotos, queima de biomassa, carreamento aumentado

Espcies introduzidas ou invasoras; doenas1

Aumento da competio e debilitao por parasitas, predadores e doenas

Mudana na circulao atmosfrica e ocenica Previses especficas so difceis

Mudanas na costa e nos aquferos

Mudana nos padres de circulao, carreamento e relaes terra-mar

Sedimentao Uso da terra agricultura, desmatamento, construes, eroso aumentada e carreamento

Estresses agudos G R LAumento de Temperatura

Episdios espordicos de alta temperatura

El Nio (ENSO) Relacionado com alta temperatura; relao com mudana climtica incerta

Doenas; espcies introduzidas ou invasoras1

Aumento de virulncia e frequncia de doenas pode estar relacionado a mudanas climticas

Aumento na frequncia e intensidade de tempestades

Fator de grande importncia na interface terra-mar

Sedimentao Uso da terra agricultura, desmatamento, construes, eroso aumentada e carreamento

Urbanizao, mudanas nos aquferos

Aumento de lixo e outros rejeitos, alterao na interface terra-mar

Destruio comercial e acidental

Transporte, turismo e uso recreativo, minerao, dragagem, pesca destrutiva

Fator de Estresse Escala ObservaesEstresses crnicos G R L

Diminuio de ons de carbonato e calcificao reduzida

reas mais frias sero estressadas primeiro, descartando possveis benefcios de aquecimento

Aumento da temperatura

Aumento gradual pode ser estresse crnico em reas quentes; pode ser benfico em reas frias

Sobre-explorao Pesca comercial, recreativa; Comrcio de souvenir e de aqurio

Entrada de nutrientes Uso da terra agricultura, esgotos, queima de biomassa, carreamento aumentado

Espcies introduzidas ou invasoras; doenas1

Aumento da competio e debilitao por parasitas, predadores e doenas

Mudana na circulao atmosfrica e ocenica Previses especficas so difceis

Mudanas na costa e nos aquferos

Mudana nos padres de circulao, carreamento e relaes terra-mar

Sedimentao Uso da terra agricultura, desmatamento, construes, eroso aumentada e carreamento

Estresses agudos G R LAumento de Temperatura

Episdios espordicos de alta temperatura

El Nio (ENSO) Relacionado com alta temperatura; relao com mudana climtica incerta

Doenas; espcies introduzidas ou invasoras1

Aumento de virulncia e frequncia de doenas pode estar relacionado a mudanas climticas

Aumento na frequncia e intensidade de tempestades

Fator de grande importncia na interface terra-mar

Sedimentao Uso da terra agricultura, desmatamento, construes, eroso aumentada e carreamento

Urbanizao, mudanas nos aquferos

Aumento de lixo e outros rejeitos, alterao na interface terra-mar

Destruio comercial e acidental

Transporte, turismo e uso recreativo, minerao, dragagem, pesca destrutiva

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A PESCA REConhECiDA CoMo uMA DAS ATiViDADES huMAnAS MAiS AnTiGAS. H milnios, os seres humanos interagem com o mar, utilizando seus recursos para alimentao e gerao de trabalho e renda. no entanto, se essa atividade realizada de forma incorreta, pode ameaar a diversidade marinha. A sobrepesca, por exemplo, que a retirada de indivduos em taxas maiores que a sua populao consegue recuperar, pode levar os estoques pesqueiros ao colapso. Esse problema, junto com a destruio dos habitats, vem reduzindo consideravelmente diversos estoques pesqueirospor toda a costa brasileira.Essas questes se devem, em grande parte, ao baixo controle da frota pesqueira ilegal, com inmeros barcos no autorizados operando com equipamentos ilegais em reas proibidas e com inteno de pescar espcies ameaadas como, por exemplo, a presena de barcos estrangeiros industriais que no reportam suas pescarias. Mesmo algumas frotas autorizadas podem causar impactos relevantes; por exemplo, a captura incidental de espcies ameaadas (tartarugas, aves e mamferos marinhos), e a pesca com enormes redes de arrasto de fundo, que capturam e destroem tudo em seu caminho, como peixes, crustceos, moluscos, rochas e formaes de corais. Todo tipo de pesca feito de forma que comprometa a sustentabilidade do recurso e sem preocupao com a conservao do meio ambiente pode causar danos irreversveis ao ambiente marinho. A pesca artesanal realizada prxima da costa, em regime de economia familiar ou individual, atr