Manual de Processo Penal - Vicente Greco Filho

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Text of Manual de Processo Penal - Vicente Greco Filho

MANUAL DE PROCESSO PENALVicente Greco Filho Editora Saraiva, 4 ed. 1997.

VICENTE GRECO FILHO

Professor Titular de Direito Penal e Professor Associado de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Universidade de So Paulo. Professor Titular de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Professor da Faculdade de Direito de Sorocaba e Procurador de Justia de So Paulo, aposentado.

MANUAL DE PROCESSO PENAL

4. edio, ampliada e atualizada

1997

Editora Saraiva

ISBN 85-02-02325-X

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Greco Filho, Vicente, 1943 Manual de processo penal / Vicente Greco Filho. - 4. ed., ampl. e atual. - So Paulo : Saraiva, 1997.

Bibliografia.

1. Processo penal 2. Processo penal - Brasil

I. Ttulo. CDU-343.1

97-0322

ndice para catlogo sistemtico: 1. Processo penal : Direito Penal 343.1

Editora Saraiva,

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Endereo Internet: http://wwwsaraiva.com.br

APRESENTAO DA 4 EDIO

O Manual de processo penal chega sua 4.a edio, atualizada e ampliada em funo da Lei n. 9.099/95 e das modificaes realizadas no Cdigo at dezembro de 1996. Quanto a estas, de observar-se que foi abandonada a idia pelos rgos de produo legislativa, da elaborao e aprovao de um novo Cdigo por inteiro, optando-se, como est sendo feito com o Cdigo de Processo Civil e o Cdigo Penal, por modificaes setoriais e especficas, respeitada a estrutura do Cdigo vigente. Essa tcnica, que alis acompanha a tendncia universal de modernizao legislativa, atende circunstncia de que os parlamentos,tendo em vista principalmente suas funes polticas, no tm condies de discutir e aprovar cdigos integrais, cuja tramitao seria to demorada que, no caso de sua aprovao, ao serem editados j estariam velhos. Isso sem falar na inevitvel possibilidade da introduo de emendas assistemticas, que poderiam tornar o diploma uma colcha de retalhos. As alteraes paulatinas, porm, apresentam o inconveniente de tornar sobremaneira difcil manter o estudante, o profissional e a prpria obra sempre atualizada, mesmo porque, j para o correr de 1997, esto prognosticadas outras alteraes no Cdigo. Tal inconveniente, contudo, ser, sempre que possvel, superado pela publicao de novas edies com o mximo de agilidade, mas deve colocar o leitor em alerta no sentido de que mesmo a mais atualizada das obras pode, ao estar nas livrarias, encontrar-se em parte superada por nova lei editada contemporaneamente. Entretanto, essa dificuldade no poder ser inibidora da produo didtica e cientfica, ainda que consciente de que rapidamente poder encontra-se superada.

Abril de 1997

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APRESENTAO DA 1. EDIO

Uma palavra de explicao. Um depoimento. Minha carreira universitria desenvolveu-se na rea do processo civil. Das aulas resultaram o Direito processual civil brasileiro em trs volumes, editado pela mesma Saraiva, e algumas monografias. Todavia, minha formao foi, tambm, de processo penal. Meus primeiros trabalhos versaram sobre essa matria, como A justa causa no processo penal, As conquistas do direito de defesa no Projeto Frederico Marques e especialmente o livro Txicos - preveno e represso, hoje na 6.a edio, sem contar os comentrios Lei n.5.726, no computados na srie. Esse estudo deveu-se, ainda, minha atividade profissional, de Promotor de Justia criminal em vrias comarcas do interior e varas criminais da Capital. Por outro lado, como membro da Comisso de Estudos Legislativos do Ministrio da Justia, tive a oportunidade de participar da reviso do Anteprojeto Frederico Marques de Cdigo de Processo Penal, perante o prprio autor. Nessa oportunidade, tive como companheiros de Comisso os juristas Cndido Rangel Dinamarco, Paulo Salvador Frontini, Antonio Marcelo da Silva e Ewelson Soares Pinto, este ltimo, prematuramente falecido, talento especialssimono campo do direito penal. Sob a presidncia do hoje Ministro Jos Carlos Moreira Alves, elaboramos, alm da reviso do Cdigo de Processo Penal, a reforma do natimorto Decreto-Lei n. 1.004/69, Cdigo Penal, a reviso do

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Projeto de Lei das Contravenes Penais do saudoso Prof. Salgado Martins, do Projeto de Lei de Execues Penais, do Cdigo de Menores e muitos outros, perdidos, qui, nos pores do Ministrio da Justia e que jamais vieram a pblico. Isto tudo sob a superviso do Prof. Alfredo Buzaid, prncipe dos processualistas brasileiros, injustiado em virtude de implicaes polticas, cujo trabalho na rea da reforma legislativa do Brasil moderno tem sido, no sei se propositalmente, esquecido. Se sua obra magna foi o Cdigo de Processo Civil, no menor importncia prtica tiveram a Lei Complementar n.14, que criou a figura das Regies Metropolitanas, o Decreto-Lei n. 1.075, que obrigou ao pagamento prvio de metade da indenizao real para obteno da imisso na posse liminar em aes de desapropriao, a Lei de Registros Pblicos etc. Alm dessa extraordinria experincia, a despeito de minha dedicao predominante ao processo civil, por ocasio da remessa ao Congresso Nacional do segundo Projeto de Cdigo de Processo Penal, hoje ainda parado no Senado, fui convidado pelo Ministrio Pblico de So Paulo a participar da comisso para oferecimento de emendas a serem encaminhadas a deputados e senadores. A comisso elaborou mais de 200 emendas com a respectiva justificativa, as quais foram, primeiro, levadas a outra comisso, desta vez da Confederao Nacional do Ministrio Pblico, com representantes dos Ministrios Pblicos dos demais Estados. Esse trabalho resultou em 193 emendas, muitas das quais acolhidas pela Cmara dos Deputados, e o restante reencaminhado ao Senado. Ainda, tive a oportunidade de serescolhido para relat-las, como representante da Confederao Nacional das Associaes do Ministrio Pblico, perante a Comisso de Justia da Cmara dos Deputados, ento presidida pelo Deputado Bonifcio de Andrada, de Minas Gerais. Passado algum tempo, durante o qual o meu contato com o pro cesso penal limitou-se s aulas de Teoria Geral do Processo na Faculdade de Direito da Universidade de So Paulo e a ciclos de conferncias isolados, como por exemplo na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso do Sul, fui surpreendido com o convite de meu amigo Damsio Evangelista de Jesus para ministrar a matria integral de processo penal em seu curso preparatrio aos concursos da Magistratura e Ministrio Pblico. Depois de trs anos de curso sistemtico

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intensivo, foi natural a nova ousadia de escrever um manual de processo penal, dada a lacuna que voltei a confirmar na literatura brasileira do setor. Essa lacuna, porm, explicvel. Por anos excessivamente longos o direito processual penal passou pela expectativa de reforma, a intimidar a doutrina. Quando se desencadeou, a partir de 1962, trabalho de grande reforma legislativa, o Cdigo de Processo Penal foi um dos diplomas que primeiro se pretendeu refazer. Inicialmente, foi encarregado o jurista Hlio Tornaghi de apresentar um anteprojeto, o qual, todavia, foi totalmente abandonado. Posteriormente, ficou encarregado da elaborao do projeto o Prof. Jos Frederico Marques, que o completou em meados de 1970, tendo sido submetido a reviso e discusso na Comisso de Estudos Legislativos do Ministrio da Justia acima referida. Em 1975 foi encaminhado ao Congresso Nacional projeto de Cdigo, tendo como relator, na Cmara dos Deputados, o Deputado Geraldo Freire. A Cmara aprovou cerca de 800 emendas, mas ao subir para o Senado o projeto foi retirado pelo Executivo. Em 1983 novo projeto foi encaminhado ao Congresso com modificaes que o compatibilizavam com uma nova parte geral do Cdigo Penal e com um Projeto de Lei de Execues Penais, j que essa parte era retirada do corpo do Cdigo de Processo Penal. A esse projeto que foram apresentadas as emendas da Confederao Nacional das Associaes do Ministrio Pblico, conforme j referido, no havendo prognstico de exame no Senado, mesmo porque, aps a Constituio de 1988, nova reviso dever ser feita e, como se sabe, h outros projetos de maior prioridade. Todas essas circunstncias levaram a doutrina a retrair-se; da o nmero muito maior de obras no processo civil que no processo penal. Por isso a ousadia de escrever este manual, consciente de suas limitaes, mas consciente, tambm, de que, independentemente de aprovao de novo Cdigo, o processo penal brasileiro, sem prejuzo de excelentes obras existentes disposio dos interessados, necessita da contribuio, ainda que modesta, dos estudiosos do direito quea ele queiram dedicar-se, especialmente os que acreditam na unidade

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fundamental do direito processual e tm a certeza de que todos os seus ramos tm, reciprocamente, muito com que contribuir. Por essa razo, dada minha convico a respeito da unidade fundamental do direito processual, a parte de teoria geral do processo basicamente comum a meu Direito processual civil brasileiro, volume 1, parte inicial, mas tenho certeza de que o leitor ficar surpreso pela coerncia com que essa parte comum desgua serena e tranqilamente nas especialidades que o processo penal apresenta. Creio, ademais, na unidade essencial do Direito, da meus trabalhos interdisciplinares e, s vezes, incurses em reas como direito administrativo e, at, o financeiro. O leitor dir se vlida, ou no, a contribuio.