Manual de Rotinas

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Realizao:

Uniformizao das Rotinas de

Execuo Penal

CIP Brasil Catalogao na Fonte BIBLIOTECA DO TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DE GOIS.

Gois. Corregedoria Geral da Justia. Manual de rotinas: uniformizao das rotinas de execuo penal / Corregedoria Geral da Justia do Estado de Gois. Goinia: Grfica do Tribunal de Justia do Estado de Gois, 2011. 64p. Bibliografia 1. Rotinas de Execuo Penal - Manual . I. Ttulo. CDD 341.4352CATALOGAO DO LIVRO. FORNECIDA PELA BIBLIOTECA DO TJGO

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS proibida a reproduo total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violao dos direitos de autor (Lei n 9.610/98) crime estabelecido pelo artigo 184 do Cdigo Penal.

Impresso na Grfica do Tribunal de Justia de Gois

Sumrio

1. Incio do processo de execuo penalRegistro e autuao da guia de execuo Aditamentos e retificaes das guias de execuo

14 14 17 19 19 21 23 24

2. Individualizao do processo de execuo penal 3. Apenso de roteiro de pena 4. Apenso de incidentes de execuo 5. Certido carcerria 6. Liquidao das penas

7. ProcessamentoControle da pena privativa de liberdade e eventuais benefcios Audincia de advertncia ou admonitria Descumprimento de condies impostas Pedido de remio de pena Pedido de comutao e/ou indulto de pena Processamento coletivo ou individual de autorizao de sada temporria Outros pedidos Retirada dos autos de cartrio (carga) Modificao de competncia do juzo de execuo

27 27 27 28 28 29 31 33 34 36 37 37 38 39 39 40 41 41 42 43

8. Procedimentos urgentesExtino da punibilidade Comunicado de fuga Comunicado de priso Informaes em habeas corpus

9. Solicitaes 10. Execuo da pena de multa 11. Intimaes da defesa 12. Alvar de solturaAlvar de soltura encaminhado por outra vara criminal ou de execuo penal

13. Expedio de outros documentosCarta precatria para fins de priso ou soltura Mandados Ofcios

44 44 44 45 46 47 47 48 49 49 49 50 50 51 51 51 52 53 55 57

14. Recursos 15. Execuo das penas alternativasAudincia admonitria e entrevista com o sentenciado Confirmao de vaga Acompanhamento do cumprimento da pena alternativa Identificao das entidades receptoras Intercorrncias no curso do cumprimento da pena alternativa Principais penas alternativasPrestao de servios comunidade ou a entidades pblicas Limitao de fim de semana Prestao pecuniria

Programa SIPEST

16. Processo de execuo penal eletrnico 17. Das prticas antigas nova rotina em execuo penalIdentificao dos autos por regime ou situao processual Anexos

Apresentao

Ao assumir a Corregedoria-Geral da Justia de Gois deparei-me com diversas propostas de atuao temtica. Destacou-se o projeto da Justia Criminal, patrocinado pelo Conselho Nacional de Justia, fruto da tentativa de impedir que injustias, como a restrio da liberdade por interstcios temporais inaceitveis ou, ainda, a sensao de impunidade que se consolida com a lenta prestao jurisdicional, interfiram na imagem do Poder Judicirio junto populao em geral. Os Seminrios da Justia Criminal desenvolvidos por aquele Conselho levantaram as principais carncias enfrentadas pelas Varas Criminais e de Execuo Penal do pas. Surgiu da a necessidade de reformulao estrutural do modelo at ento existente e o CNJ, valendo-se do seu papel de rgo central do sistema judicial, elaborou uma nova poltica-domnio, assumindo a

responsabilidade pela uniformizao dos mais diversos programas de ao para fins de fixar a estratgia global da instituio judiciria. O resultado o Plano de Gesto para o Funcionamento de Varas Criminais e de Execuo Penal, juntamente com o Manual Prtico de Rotinas das Varas Criminais e de Execuo Penal. Uma das aes no planejamento do CNJ implantar o seu Plano de Gesto em, no mnimo, 60% (sessenta por cento) das Varas Criminais e de Execuo Penal. Embalada pelas grandes transformaes do Poder Judicirio do Estado de Gois esta Corregedoria-Geral da Justia pretendeu elaborar projeto que adequasse a prestao do servio jurisdicional ao Plano de Gesto referido. Neste contexto nasceu o Programa para Uniformizao de Rotinas de Execuo Penal. Este programa atua na capacitao dos magistrados de Varas Criminais e de Execuo Penal, por meio de cursos a distncia sobre o Plano de Gesto para o Funcionamento de Varas Criminais e de Execuo Penal. O Plano Estratgico, norteador da administrao do TJGO para o binio 2011/2013, priorizou, dentre outras metas, a implantao do Plano de Gesto em 100% (cem por cento) das Varas de Execuo Penal. Para atendimento desse escopo elegeram-se aes especficas. O objetivo padronizar e normatizar as rotinas das Varas de Execuo Penal, alm dos procedimentos de expedio de guias de recolhimento pelas Varas Criminais.

Para fomentar esse objetivo, a Corregedoria procurou elaborar um manual especfico para os procedimentos cartorrios das Varas de Execuo Penal, algo que at ento no existia no Estado de Gois. Alm de abranger todo o contedo de execuo penal do Manual Prtico de Rotinas das Varas Criminais e de Execuo Penal do CNJ, este manual inova ao adaptar as prticas ali previstas com o Sistema de Execuo Penal do Estado. dentro dessa perspectiva que apresento o Manual de Uniformizao das Rotinas de Execuo Penal, elaborado sob a coordenao do Dr. Wilson da Silva Dias, Juiz Auxiliar da Corregedoria-Geral da Justia e titular da 1 Vara de Execuo Penal de Goinia (4 Vara Criminal), por vrios anos. Almejo que este venha servir de instruo na execuo das atividades das serventias de execuo penal facilitando o desenvolvimento dos trabalhos internos das escrivanias e gabinetes, contribuindo para uma justia clere e ativa, anseio da sociedade e, em especial, da populao carcerria.

Desembargadora Beatriz F. Franco Corregedora-Geral da Justia

Introduo

Pela anlise das rotinas das varas de execuo penal no Brasil, constatase, em grande parte, a ausncia de padronizao dos atos processuais praticados, mngua de uma ritualstica eficiente. Desprende-se, em consequncia, alarmando para a sociedade sobretudo pelos olhares da imprensa , a face negra do sistema carcerrio, evidenciado por suas mltiplas facetas, revelando, muitas vezes a partir dos atropelos do prprio Poder Judicirio, a sensao de injustia e de inabilidade para a reconstruo e ressocializao do ser humano aqui entendido em sua complexidade e diversidade estrutural. O acmulo de experincia no decorrer dos anos, fruto da minha atuao tanto na vara de execuo penal de Goinia quanto do exerccio de auxlio Presidncia do CNJ na gesto passada, demonstrou-me a premente necessidade de padronizao eficiente da gesto e funcionamento das varas especializadas

no trato deste matria, a fim de demover arcaicos atos de trabalho, ineficientes em essncia como demarcado pela prpria evoluo, reabilitando as possibilidades de organizao e uniformidade na dinmica cartorria habitual. Nessa nuance, chamando para si a responsabilidade de reinveno das prticas em execuo penal, o CNJ editou as Resolues nmeros 108 e 113, ambas de 2010, regulamentando a execuo provisria e definitiva da pena, alumiando, em consequncia, o caminho correto a trilhar, reduzindo as disparidades de atuao nas diferentes unidades judicirias. Atrelado a esse ideal, revisito-o neste manual, a fim de dar-lhe a solidez necessria, desejando fix-lo, definitivamente, na rotina cartorria das escrivanias especializadas do Estado de Gois, dotando o servidor de um aparato instrumental didtico e de fcil manuseio. O CNJ e a Corregedoria-Geral da Justia do Estado de Gois, imersos nesse af, constituem o sustentculo hbil de direcionamento destas atividades, sobretudo ao definirem e direcionarem os padres de conduta a se seguir nos variados rinces desse nosso vasto pas. Boa leitura.Wilson da Silva Dias Juiz titular da 1 Vara de Execues Penais de Goinia e atualmente Juiz Auxiliar da CGJGO

1. Incio do processo de execuo penalO Processo de Execuo Penal (PEP) tem incio com o cadastramento e autuao da guia de recolhimento ou de execuo. O termo PEP neste manual, ser mencionado quando se referir , ao processo fsico de execuo penal, ressalvando-se que uma das metas do Plano de Gesto de Varas de Execuo Penal do Conselho Nacional de Justia a implantao do processo eletrnico de execuo penal. A autuao e a tramitao do PEP devero observar as disposies contidas na Resoluo n. 113 do Conselho Nacional de Justia. Mesmo nas varas criminais com competncia concorrente em execuo penal, havendo condenao e expedio da guia, o processo de conhecimento dever ser arquivado e o cartrio dever instaurar um novo processo, especfico para a execuo da pena e abandonando a velha rotina de prosseguir com a execuo penal nos autos do processo de conhecimento. Ainda, uma via da guia de recolhimento dever ser remetida autoridade penitenciria, conforme determinao contida na Resoluo em epgrafe. Os autos do PEP sero encadernados com capa de cor amarela e contero os seguintes apensos: Roteiro de Penas (resumo de todos os acontecimentos relevantes do processo), com capa de cor verde sendo que a abertura deste apenso ser facultativa quando houver apenas uma condenao e Incidentes de Execuo (onde tramitaro os pedidos de benefcios e incidentes de julgamento na execuo), com capa padronizada na cor azul. Para visualizao das novas capas, vide anexo. 1.1. Registro e autuao da guia de execuo A guia de execuo deve ser registrada aps a confirmao do local de priso (certido carcerria) ou residncia do condenado (isso nos casos de condenados soltos, como por exemplo os que cumprem pena em regime aberto), observados o juzo competente indicado pela lei e pelo Cdigo de Organizao Judiciria do Estado de Gois e a inexistncia de outro registro anterior, a fim de se evitar a duplicidade de execues da mesma pena e a execuo simultnea de penas diversas. 14Uniformizao de Rotinas de Execuo Penal

As guias expedidas em desacordo com as disposies do art. 106 da LEP ou sem as , informaes e documentos previstos