MANUAL DE TERCEIRIZAÇÃO - MTE

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TERCEIRIZAOTRABALHO TEMPORRIO ORIENTAO DE SERVIOSAO

TOMADOR

BRASLIA 2001

2001 Ministrio do Trabalho e Emprego permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Tiragem: 4.000 exemplares Edio e Distribuio: Secretaria de Inspeo do Trabalho Esplanada dos Ministrios, Bloco F, Anexo, Ala B, sala 171 Braslia/DF CEP: 70059-900 Tel.: (0xx61) 317-6162/226-1997 Fax: (0xx61) 226-9353 Impresso no Brasil/ Printed in Brazil Dados Internacionais de Catalogao na Publicao CIP Biblioteca. Seo de Processos Tcnicos MTE

T315

Terceirizao : trabalho temporrio : orientao ao tomador de servios : apresentao de Vera Olmpia Gonalves. Braslia : MTE, SIT, 2001. p.57 1. Terceirizao, Brasil. 2. Trabalho temporrio, Brasil. 3. Contrato de trabalho, Brasil. 4. Trabalhador temporrio, Brasil. 5. Relao de trabalho, Brasil. Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE). II. Ttulo. CDD 341.65

S UMRIOAPRESENTAO ................................................. 5 TRABALHO TEMPORRIO Introduo ................................................... 9 Histrico .................................................... 11 Legislao ................................................... 12 Empresas de Trabalho Temporrio .................................. 12 Empresa Tomadora ou Cliente ..................................... 13 Trabalhadores Temporrios ....................................... 13 Natureza Jurdica do Contrato de Trabalho Temporrio .................... 13 Relao entre as Partes .......................................... 15 Responsabilidade das Partes ...................................... 15 Direitos Trabalhistas ............................................ 16 Pressupostos Objetivos do Contrato de Trabalho Temporrio ................ 17 Os Abusos e a Fraude Lei ....................................... 18 Contratos de Trabalho Temporrio Nulos e Anulveis ..................... 21 Concluso ................................................... 25 BIBLIOGRAFIA .................................................. 27 ORIENTAO AO TOMADOR DE SERVIOS O que Terceirizao .......................................... 31 Abrangncia dos Segmentos .................................... 33

Contratao ............................................... Monitoramento ............................................... Reteno INSS ............................................ Reteno IRF ............................................. Concluso do Monitoramento ................................... Segurana e Sade no Trabalho e Qualidade na Terceirizao de Servios ...... Segurana e Sade no Trabalho .................................. Qualidade na Terceirizao de Servios ............................ Anexo Tabelas Bsicas de Encargos Sociais e Trabalhistas .................

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Os Auditores Fiscais do Trabalho muito tm constatado a prtica de terceirizao, em suas mais variveis nuanas, sempre buscando concluses e resolues baseadas na herclea disposio de aperfeioamento pela doutrina e jurisprudncia em formao. Os relatrios fiscais, quando constatada situao que demande apreciao judicial, representam hoje importante instrumento para municiar o Ministrio Pblico do Trabalho e Ministrio Pblico Federal no desempenho de suas funes constitucionais de defesa do direito coletivo e difuso da sociedade. dessas contribuies que o Judicirio vem moldando os limites e adequao das terceirizaes. Ns como responsveis pelo cumprimento da legislao trabalhista temos a obrigao de conhecer a terceirizao, para identificar de imediato sua adequao legalidade. A terceirizao fundou seus princpios e qualidades no processo produtivo, de forma inarredvel, exigindo cada vez mais ateno da sociedade para evitar que o vnculo empregatcio,e conseqentemente, todos os direitos trabalhistas, ento advindos, se distanciem ad infinitum de qualquer responsvel.

APRESENTAO

As relaes de trabalho tm se transformado de forma intensa nas ltimas duas dcadas, principalmente em conseqncia do processo tecnolgico e da integrao do comrcio mundial. Ns como operadores do direito trabalhista, sempre em contato com a realidade, j transformada, temos conscincia da importante contribuio que podemos agregar na sedimentao dos institutos jurdicos.

Com o intuito de enriquecer o conhecimento dos nossos Auditores Fiscais do Trabalho e diante do destaque que o presente assunto vem assumindo no cenrio do mercado de trabalho brasileiro que pautamos esta publicao. Apresentamos primeiramente o texto da nossa colega Therezinha Gomes DAngelo, DRT/SP, no qual adentramos em uma discusso acadmica sobre trabalho temporrio com maestria, que descortina fatos histricos, natureza jurdica do contrato de trabalho temporrio e demais discusses que ajudem a desvendar dvidas e aprofundar o conhecimento sobre o assunto. Em seguida, reproduzimos a Cartilha de Orientao ao Tomador de Servios, que teve por objetivo orientar a clientela da terceirizao sobre seus limites e cuidados necessrios quando do fechamento do contrato de servios e, ainda, do monitoramento do mesmo para evitar surpresas futuras, apresentando at planilhas que podem facilitar o tomador a esmiuar o oramento proposto. O texto da Cartilha de Orientao ao Tomador de Servios e produto da Cmara Interinstitucional de Servios Terceirizveis nos Segmentos Asseio, Conservao, Segurana, Vigilncia e Trabalho Temporrio criada pela Delegacia Regional do Trabalho em Mi, , nas Gerais. Integram o grupo tcnico responsvel pela redao: Alessandra Parreiras Fialho (DRT/MG), Csar Augusto Alves Neto (Superintendncia Estadual do INSS, em Minas Gerais), Rodrigo Assuno Oliveira (Sindicato dos Empregados em Edifcios, Empresas de Asseio e Conservao e Cabineiros de Belo Horizonte e Federao dos Empregadores em Turismo e Hospitalidade do Estado de Minas Gerais) e Rodrigo Magalhes Ribeiro (Departamento de Engenharia de Produo da Universidade Federal de Minas Gerais). Esse grupo tcnico contou com a colaborao do Dr. Guilherme de Oliveira Horta (DRT/MG).

VERA OLMPIA GONALVES SECRETRIA DE INSPEO DO TRABALHO

TRABALHO TEMPORRIO

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INTRODUO

prpria natureza induz a vida em sociedade, o que motiva o surgimento de conflitos de interesses entre os indivduos que a compem. Da a necessidade de uma fora disciplinadora que reintegre a ordem social quando violada. Essa fora que limita a liberdade de cada um em proveito da faculdade congnere dos outros, ora prevenindo as possveis violaes da ordem jurdica, ora restaurando-a quando desintegrada, o Direito. Reflete o Direito, no tempo e no espao, os usos e costumes dos povos, retratando as constantes mutaes ocorridas na vida social, bem como as transformaes das necessidades do ser humano. Em virtude do desenvolvimento social do homem, surgem situaes para as quais o Direito ainda no est preparado. Por isso, h necessidade constante de elaborar novos preceitos legais que estejam de acordo com a poca em que vivemos. Com efeito, foi o que ocorreu com a modalidade do trabalho temporrio.

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HISTRICOo final da dcada de 40, mais precisamente em 1948, nos Estados Unidos, o advogado Winters necessitava apresentar um recurso Suprema Corte, cujo prazo estava se esgotando e que se consubstanciava em 120 laudas datilografadas, quando, repentinamente, sua secretria adoeceu, deixando-o em situao delicada e angustiosa. Comentando sua desdita com um colega de profisso, este lembrou-se de Mary, uma antiga secretria, que havia se casado e dedicava-se ento exclusivamente ao lar. Talvez ela pudesse a e t ras t a . jia iuo Consultada, revelou dois detalhes importantes: ter folga em suas tardes e vontade de ganhar um dinheiro extra. O recurso foi realmente elaborado e oferecido em tempo hbil. Mary recebeu um dinheiro inesperado, e o advogado, feliz com o resultado, comeou a pensar seriamente em quantas pessoas poderiam ter problemas semelhantes. (Artigo publicado na revista da Associao dos Inspetores Federais do Trabalho, em So Paulo, n 01, 1997, de autoria de O. P. de Baptista, de onde retiramos estas informaes). A partir da foi criada a manpower (mo-de-obra), que cresceu geometricamente, mantendo espalhados pelo mundo milhares de escritrios, empregando numerosos temporrios em vrios pe. ass A manpower foi a primeira na utilizao de trabalhos temporrios no Brasil, onde se instalou pela primeira vez em 1963. No entanto, devido ausncia de uma legislao especfica, afastou-se do mercado brasileiro em 1969, retornando apenas em 1978, dessa vez ligada tica, subsidiria da Ofcio Servios Gerais.

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LEGISLAOO diploma legal especfico a Lei n 6.019, de 3 de janeiro de 1974, publicada no DOU em 4 de janeiro de 1974 e regulamentada pelo Decreto n 73.841, de 13 de maro de 1974 (DOU, 13.3.74). Para os efeitos do disposto no art. 10 da referida Lei e no art. 27 do Regulamento, foi expedida pelo Departamento Nacional de Mode-Obra do Ministrio do Trabalho a Portaria n 66, de 24 de maio de 1974, no DOU de 7 de junho de 1974, que em seus oito artigos trata da aplicao da lei sob comento.

te urbanas. Assim, no possvel essa espcie de empresa no setor rural. Por expressa disposio legal, esse tipo de contratao tambm proibida no trabalho porturio (Lei n 8.630, de 25.2.93, art. 45). Pode ser pessoa fsica ou jurdica que preencha os requisitos elencados nas alneas a a f do art. 6 da Lei n 6.019/74. Para evitar fraudes e garantir os direitos dos trabalhadores, h muito rigor quanto constituio de uma empresa de trabalho temporrio. Entre os requisitos, cumpre destacar a exigncia de um capital social com valor relativamente elevado, e a necessidade de que o Ministrio do Trabalho e Emprego