Manual rotinas

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  • 1. Manual de Normas, Rotinas e Tcnicas de curativos Autora Roseli Marega Oda Enfermeira Chefe da Seo de Enfermagemem Clinica Mdica e Cirrgica do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru - SPEspecialista em Sade Pblica e Administrao Hospitalar ColaboradorasSelma Regina Axcar SalottiDiretora da Diviso de Enfermagem do Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru - SPEspecialista em Sade Pblica, Administrao Hospitalar e Dermatologia pela Sobende Mestranda em Sade ColetivaHelosa Cristina Quatrini Carvalho Passos GuimaresEnfermeira, Pesquisadora Cientfica IIIdo Instituto Lauro de Souza Lima - Bauru - SP Doutora em Enfermagem.Centro de Estudos "Dr. Reynaldo Quagliato" Bauru - Dezembro - 2004

2. Todos os direitos desta obra so reservados aoCentro de Estudos Dr . Reynaldo QuagliatoCaixa Postal 3021 - 17034-971 - Bauru - SP - BrasilTelefone: (14) 3103-5866 - 3103-5867 - Fax: 3103-5914www.ilsl.br e-mail: ensino@ilsl.brDados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro)Oda, Roseli Marega Manual de normas, rotinas e tcnicas de curativos /Roseli Marega Oda; colaborado por Selma Regina A. Salotti eHeloisa C. Q. Carvalho Passos Guimares.-- 1.ed. -- Bauru:Centro de Estudos Dr. Reynaldo Quagliato, 2004. 36p.: il.1. Curativos 2. Manual I. Oda, Roseli Marega II. TtuloISBN 85-85691-02-6 NLM W0167Projeto Grfico. Jos Custdio S. Junior1 edio: Dezembro/2004 1.000 exemplares 3. "No basta saber, preciso tambm aplicar, no basta querer, preciso tambm fazer". Goethe 4. Prefcio As lceras de membros inferiores inclusive aquelas que incidem em pneuroptico, constituem um problema srio, muitas vezes negligenciado, detratamento oneroso e que culminam com alguma freqncia emteraputicas drsticas como a amputao do membro comprometido.O Instituto Lauro de Souza Lima vem se preocupando com essascondies j h algum tempo e, um esforo vem sendo desenvolvido paracuidar das mesmas por mtodos objetivos e cientificamente vlidos. Daequipe que participa desse processo se destaca a enfermagem e em particulara enfermeira Sra. Roseli Marega Oda que tem feito de tudo para manter vivoo entusiasmo para continuar o projeto de cuidado com as lceras.O manual que foi elaborado chegou bem na hora de preencher umalacuna que h muito vem se formando pela falta de orientao para aquelesque cuidam diretamente das lceras, para a enfermagem em geral e para osmdicos, inclusive aqueles que seguem o programa de residncia mdica emdermatologia. Trata-se de instrues simples mas teis para a realizao doscurativos e do material atualmente disponvel para a sua realizao, aliadasa algumas noes essenciais sobre a cicatrizao das lceras.Parabenizo a Sra. Roseli por este trabalho to importante para anossa Instituio. Diltor V. A. Opromolla 5 5. ndice1. Introduo.............................................................................................. 092. Justificativa do manual ......................................................................... 103. Objetivo do manual..............................................................................114. Embasamento terico.............................................................. 114.1. Anatomia da pele ............................................................................ 124.2. A Ferida ............................................................................................ 124.2.1. A evoluo da ferida.................................................................124.2.2. Fases da cicatrizao......................................................................13 4.2.3. A resoluo das feridas...................................................................14 4.3. 0 Curativo..................................................................................... 14 4.3.1. Tcnica de Curativos .................................................................15 4.3.2. Tipos de coberturas utilizadas no curativo.............................17 4.3.2.1. A.G.E. cidos Graxos Essenciais................................... 17 4.3.2.2. Alginato de Clcio e Sdio............................................ 19 4.3.2.3. Carboximetilcelulose........................................................... 20 4.3.2.4. Carvo Ativado ....................................................................21 4.3.2.5. Carvo Ativado e Prata .................................................. 22 4.3.2.6. Hidrocolides ...........................................................................23 4.3.2.7. Hidrocolide com Prata ....................................................24 4.3.2.8. Hidrogel......................................................................................257 6. 4.3.2.9. Hidropolmeros .......................................................... 264.3.2.10. Pasta ou Gel de Preenchimento............................. 274.3.2.11. Sulfadiazina de Prata com Nitrato de Cerium .....284 3 2 12 Pomada Enzimtica ................................................ 29 4.3.2.12.1. Colagenase .................................................... 29 4.3.2.12.2. Fibrinolisinas ................................................ 304.3.2.13. Bota de Unna. ......................................................... 315. Grupo de feridas ................................................................................. 326. Protocolo do Grupo de Curativos ................................................... 337. Concluso ............................................................................................ 358. Referncias ........................................................................................... 358 7. Manual de Normas, Rotinas e Tcnicas de Curativos do ILSL1. IntroduoAs lceras de membros inferiores constituem um problema muitosrio e em geral suas causas so vrias, representando alto custo parao seu tratamento, tomando necessrio o seu acompanhamento por umaequipe multiprofissional. Estas lceras podem ser por estase venosa, isqumicas,neuropticas ou neuroisqumicas. Portadores de Hansenase, Diabetes, mielomeningoceleapresentam neuropatia, comprometendo a funo de percepo dapele, acarretando alteraes do tnus vascular, inibio da sudorese,anestesia da pele e a diminuio da capacidade de regeneraocutnea, o que possibilita a ocorrncia de feridas(Sampaio et al 1998) Estas leses em que o trauma tem um papel importante, socomplicadas por infeco e podem terminar em amputao, quandono for institudo um tratamento precoce e adequado. Todo paciente com neuropatia dever ser rigorosamente avaliadoe submetido a aes para preveno de incapacidades. Ex: o uso decalado adequado, onde no haver rea de presso e o impacto aosolo diminudo. Nos ps neuropticos, geralmente as lceras so plantares, atemperatura dos ps mantida, os pulsos so palpveis, a pele seca ecom fissuras, e geralmente no h presena de dor pela perda desensibilidade protetora plantar. Neles so encontradas deformidadescomo proeminncias de metatarsos, dedos em garra ou martelo,hipotrofia de interosseos, alteraes do arco plantar e artropatia deCharcot, vaso dilatao no dorso do p, e o p de aspecto rseo. 9 8. Manual de Normas, Rotinas e Tcnicas de Curativos do ILSLNos ps isqumicos h comprometimento arterial sendo que aslceras so geralmente laterais e/ou dorsais, o p frio e arroxeado,fica plido com a elevao, h rubor postural, os pulsos pediosos etibiais posteriores esto geralmente diminudos ou ausentes e aslaminas ungueais crescem pouco.O p neuroisqumico: - a associao do p neuroptico com oisqumico.2. Justificativa do manual Aps vrios anos trabalhando com tratamento de doenasdermatolgicas, sentimos a necessidade de aperfeioarmosconhecimentos tcnicos e cientficos no tratamento de lceras demembros inferiores ocasionadas pela Hansenase, Diabete Mellitus,Mielomeningocele e outras condies que apresentam leses dedifcil cicatrizao. Uma preocupao latente veio tona. O que prescrever peranteuma leso deste tipo? Percebemos que cada enfermeiro recomendavaum tipo de curativo, s vezes at para o mesmo tipo de leso e, outrosno conheciam nem a indicao do produto, no conseguindoobviamente resultado positivo. O aparecimento rpido de novas coberturas tomou cada dia maisdifcil a escolha da melhor opo. Isto estimulou ainda mais aparticipao em eventos e a busca do conhecimento cientfico. Osquestionamentos foram aumentando e, com o conhecimentoadquirido, algumas estratgias foram criadas para viabilizar umapostura adequada e comum ao enfermeiro do Instituto Lauro deSouza Lima (ILSL). Sentimos a necessidade de realizar a padronizao dos curativos,principalmente relacion-los ao mecanismo de ao e suafisiopatologia.10 9. Manual de Normas, Rotinas e Tcnicas de Curativos do ILSL3. Objetivo do manual estabelecer as rotinas de curativo para os pacientesambulatoriais e internados no I.L.S.L. normatizar as tcnicas de curativos e escolha da cobertura ideal aser utilizada no tratamento de feridas, nos pacientes internados. O manual foi elaborado com base em um levantamentobibliogrfico realizado na Biblioteca do ILSL com monografias,revistas, livros e ainda com a participaes em congressos e jornadas,que enfatizam o tratamento de feridas neuropticas, vasculopticas,p diabtico e neuro-isqumico. Alm disso foi realizado umlevantamento atravs do Medline e Lilacs com as palavras-chaveferidas e curativos, no perodo de 1995 a 2004. 4. Embasamento Terico 4.1. Anatomia da pele A pele envolve e reveste externa- mente o corpo e composta por 3 camadas: epiderme,derme, hipoderme. Corresponde a 15% do peso corporal e apresenta uma superfcie de aproximadamente 1,50m2. Sua espessura varivel dependendo da regio anatmica, da idade e do sexo. E a principal barreira do organismo, impede a perda excessiva de lquidos, protege contra ao de agentes externos, mantm a tempe-11 10. Manual de Normas, Rotinas e Tcnicas de Curativos do I LSLratura corprea, um rgo dos sentidos (trmico, doloroso e ttil) esintetiza vitamina D na presena de raios solares.(Sampaio1998,Senac 1998,Bega 1998, Tiago 1995)Ainda na pele encontramos