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Manual_actividades Agricolas e Ambiente

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    ACTIVIDADES

    AGRCOLASEAMBIENTE

    ACTIVIDADES

    AGRCOLASEAMBIENTE

    AGRICULTU

    RAEA

    M

    BIENTE

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

    Ftima Calouro

    SPI Sociedade Portuguesa de Inovao

    Consultadoria Empresarial e Fomento da Inovao, S.A.

    Edifcio Les Palaces, Rua Jlio Dinis, 242,

    Piso 2 208, 4050-318 PORTO

    Tel.: 226 076 400, Fax: 226 099 164

    [email protected]; www.spi.pt

    Porto 2005 1. edio

    Principia, Publicaes Universitrias e Cientficas

    Av. Marques Leal, 21, 2.2775-495 S. Joo do Estoril

    Tel.: 214 678 710; Fax: 214 678 719

    [email protected]

    www.principia.pt

    Marlia Correia de Barros

    Mnica Dias

    Xis e rre, Estdio Grfico, Lda.

    SIG Sociedade Industrial Grfica, Lda.

    972-8589-47-6

    233532/05

    T t u l o

    A u t o r

    E d i t o r

    P r o d u o E d i t o r i a l

    R e v i s o

    Pro jec to G r f ico e Des ign

    P a g i n a o

    I m p r e s s o

    I S B N

    D e p s i t o L e g a l

    F I C H A T C N I C A

    Produo apoiada pelo Programa Operacional Agricultura e Desenvolvimento Rural,

    co-financiado pelo Estado Portugus (Ministrio da Agricultura e Desenvolvimento Rural e das Pescas)

    e pela Unio Europeia atravs do Fundo Social Europeu.

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    ACTIVIDADES

    AGRCOLASEAMBIENTE

    ACTIVIDADES

    AGRCOLASEAMBIENTE

    Ftima Calouro

    AGRICULTU

    RAEA

    M

    BIENTE

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    I N T R O D U O

    ACTIVIDADES

    AGRCOLAS

    E AMBIENTE

    A actividade agrcola encontra-se fortemente de-pendente dos recursos naturais, dando origem a umarelao muito particular entre a agricultura e o ambi-ente: se certos sistemas de produo, mais intensivos,

    podem conduzir sua progressiva degradao, umagrande parte do ambiente rural deriva dessa mesma

    actividade que, atravs de sistemas agrcolas espec-ficos, modela as paisagens rurais e os habitats natu-rais que interessa conservar.

    Esta dependncia implica que, para manter a longoprazo as produes agrcolas, seja necessrio garantira sustentabilidade da actividade agrcola, tornando-a

    mais harmoniosa com o ambiente e mais legtima do ponto de vista das transfern-cias financeiras para o sector (BARROS & RAMOS, 2003).

    Ora, a poltica agrcola da Unio Europeia, seguida na segunda metade do sculo

    XX, conduziu, at aos anos 90, intensificao da agricultura e da pecuria, contri-buindo, de forma significativa, para a poluio de guas superficiais e subterrneas,poluio do ar, degradao do solo, perda de biodiversidade, assoreamento de cur-sos de gua e alterao das paisagens rurais (SOVERAL-DIAS, 1999). J a refor-ma da Poltica Agrcola Comum (PAC), aprovada no quadro da Agenda 2000, reforouas disponibilidades financeiras para as medidas agro-ambientais e introduziu o con-ceito de eco-condicionalidade dos apoios financeiros, traduzido na obrigatoriedadede os seus beneficirios respeitarem um conjunto mnimo de normas ambientais.

    Foi assim considerada, na PAC, a noo de boa prtica agrcola, anteriormenteintroduzida, a nvel comunitrio, com a Directiva 91/676 para a proteco da guacontra a poluio com nitratos de origem agrcola, pela qual se tornou obrigatrio,

    para os Estados-membros, a elaborao de Cdigos de Boas Prticas Agrcolas,visando aquele objectivo.

    Em Portugal continental, os usos agrcola e florestal representam 71% do ter-ritrio, sendo metade da superfcie agrcola til (SAU) ocupada por sistemas de pro-duo que sustentam habitats semi-naturais, dos quais se destacam as pastagens, os

    pousios e o olival (MADRP, 2002). No entanto, de acordo com a mesma fonte, no

    perodo de dez anos que decorreu entre os dois ltimos recenseamentos agrcolas,verificou-se um aumento da especializao das exploraes agrcolas, destacando-

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

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    -se as bacias leiteiras das regies de Entre Douro e Minho e da Beira Litoral, oRibatejo e Oeste, a Beira Interior e algumas regies do Algarve. Verificou-se, si-multaneamente, um aumento da carga animal por unidade de superfcie e da con-centrao pecuria, tendo diminudo o nmero de exploraes e efectivos pecurios(com excepes dos ovinos, que no registaram variao aprecivel, e das aves,que aumentaram, particularmente no Alentejo). Do ponto de vista ambiental, estaevoluo significa um aumento da presso sobre os recursos naturais, podendorepresentar, a prazo, a ruptura do equilbrio entre a actividade e o ambiente.

    Actualmente, constata-se que, embora a contribuio do sector agrcola para asemisses de gases com efeito de estufa seja apenas de 15%, o sector responsvel

    por, respectivamente, 45% e 71% das emisses totais de metano e de xido nitroso(MADRP, 2002) que possuem um efeito de estufa muito superior ao do dixido de

    carbono (CO2).De acordo com a mesma fonte, em 60% do territrio continental existe risco dedesertificao moderado, sendo algumas zonas do Alentejo e do Algarve considera-das de risco elevado.

    Quanto ao consumo de gua, recurso natural escasso que importa conservar, aagricultura o sector da economia com maiores necessidades: 16% da SAU regada, representando as guas subterrneas a origem mais importante da guaconsumida, dadas as caractersticas do regadio nacional, maioritariamente privado(MADRP, 2002).

    O presente manual procura reunir as principais questes que se colocam activi-dade agrcola quando confrontada com os impactos ambientais a que d origem, nelese descrevendo os principais efeitos sobre o ar, a gua e o solo devidos s prticasnecessrias produo de alimentos e bens pelo sector. Procurou-se, igualmente,apresentar um conjunto de boas prticas capazes de evitar, ou minimizar, tais efeitos.

    Em Portugal, a presso da actividade agrcola faz-se sentir, sobretudo, ao nveldo solo e da gua (MADRP, 2000). No entanto, optou-se por incluir, no presentemanual, um captulo sobre A actividade agrcola e a qualidade do ar, uma vez queas prticas associadas s exploraes pecurias intensivas, embora de forma nocompletamente contabilizada entre ns (MADRP, 2002), so responsveis pelaemisso de gases com efeito de estufa e de amonaco.

    Em anexo, apresenta-se a principal legislao de suporte observncia, obriga-tria ou facultativa, das boas prticas agrcolas conducentes preservao do am-

    biente. Nele se inclui, para alm das principais Directivas comunitrias transpostaspara o quadro legislativo nacional, o conjunto das Medidas Agro-Ambientais emvigor, que condicionam o acesso s ajudas comunitrias observncia da prtica deuma agricultura compatvel com o ambiente.

    FTIMA CALOURO

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    C A P T U L O 1

    ACTIVIDADES AGRCOLASEQUALIDADE DOAR

    Identificar as principais causas de polui-o do ar com origem nas actividadesagrcolas.

    Destacar um conjunto de boas prticascapazes de minimizar o impacto das ac-tividades agrcolas na qualidade do ar.

    Referir, de forma sucinta, o papel dos so-

    los agrcolas como sumidouros de car-bono.

    O B J E C T I V O S

    As actividades agrcolas,

    particularmente as que se

    relacionam com a explorao

    de pecurias intensivas, bem

    como o armazenamento de

    estrumes e chorumes, sua

    aplicao ao solo e queima de

    resduos, podem conduzir

    libertao de gases e odores

    para a atmosfera, originando

    problemas de poluio com

    repercusses a vrios nveis.

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

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    E N Q U A D R A M E N T O As actividades agrcolas, particularmente as quese relacionam com a explorao de pecurias intensivas, bem como o arma-zenamento de estrumes e chorumes, sua aplicao ao solo e a queima de

    resduos, podem conduzir libertao de gases e odores para a atmosfera,originando problemas de poluio com repercusses a vrios nveis.Como do conhecimento geral, o aumento das emisses de gases com efeito de

    estufa (GEE), verificado no ltimo sculo e resultantes da actividade humana, conside-rado como o principal responsvel por uma das ameaas ambientais mais graves asalteraes climticas traduzidas pelo aquecimento global do Planeta.

    No mbito do Protocolo de Quioto, assinado em 1997, so considerados GEE, o dixi-do de carbono (CO

    2), o metano (CH

    4), o xido nitroso (N

    2O) e os compostos alogenados,

    os quais, no seu conjunto, representam menos de 1% dos gases presentes na atmosfera.

    Em Portugal, a contribuio do sector agrcola para as emisses de GEE de apenas15% (MADRP, 2002). No entanto, segundo a mesma fonte, o sector responsvel, respec-tivamente, por 45% e 71% das emisses totais de CH

    4e de N

    2O. O sector florestal ,

    tambm, responsvel pela emisso de GEE, embora o seu papel como sumidouro de carbo-no assuma grande importncia no mbito do respectivo balano nacional de emisses.

    O Protocolo de Gotemburgo, para a reduo da acidificao, da eutrofizao e daquantidade de ozono na superfcie terrestre (1999), tem como objectivo diminuir a emis-so de quatro poluentes: enxofre, xido nitroso, compostos orgnicos volteis e amona-co, estabelecendo objectivos rigorosos para reduo das suas emisses at 2010.

    Os riscos de acidificao e eutrofizao do sistema solo-gua decorrem, essencial-mente, das emisses de dixido de enxofre (SO

    2), xidos de azoto (NO

    x) e amonaco

    (NH3). As actividades agrcolas, particularmente as pecurias intensivas, so, muitas

    vezes, responsveis por importantes emisses de NH3, o mesmo acontecendo com a

    aplicao ao solo dos resduos orgnicos, se esta no for efectuada de forma sustentada.No que se refere libertao de maus cheiros, com implicaes negativas ao nvel do

    bem-estar das populaes, as pecurias intensivas, o armazenamento de estrumes e cho-rumes delas resultantes e o espalhamento destes materiais no solo, com vista ao aprovei-tando do seu valor fertilizante, so, igualmente, os principais responsveis.

    PRINCIPAISCAUSASDEPOLUIODOARCOMORIGEMNASACTIVIDADESAGRO-PECURIAS

    As actividades agro-pecurias influenciam a qualidade do ar atravsda emisso, para a atmosfera, de gases com efeito de estufa, amonaco,

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    CAPTULO 1 | ACTIVIDADES AGRCOLAS E QUALIDADE DO AR

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    odores indesejveis e fumos provenientes da queima de resduos nas ex-ploraes.

    A produo vegetal contribui para a emisso de gases com efeito de estu-fa por vias distintas: emisso de metano (CH

    4

    ) no cultivo do arroz; libertaode dixido de carbono (CO

    2), xido nitroso (N

    2O) e xidos de azoto (NO

    x) na

    queima de resduos agrcolas; emisso de NO2na gesto e manuseamento

    dos solos agrcolas (directas do solo, directas da aplicao de resduos ani-mais e indirectas na aplicao de fertilizantes) (ANNIMO, 2000).

    A produo animal a principal responsvel pelas emisses de CH4, re-

    sultantes da fermentao entrica no sistema digestivo de alguns animaisherbvoros, particularmente ruminantes. Indirectamente, os animais herbvo-ros so, ainda, responsveis pelas perdas de azoto por volatilizao, quando

    os seus excrementos sofrem decomposio em condies anaerbias, desig-nadamente durante o armazenamento dos estrumes. Acresce, ainda, que gran-de parte da emisso de maus cheiros est relacionada com os sistemas de

    produo intensiva de bovinos, sunos e aves.

    EMISSESDEGASESCOMEFEITODEESTUFAO excesso de emisses de GEE, verificadas nas ltimas dcadas do scu-

    lo XX e provocadas pela aco do homem, est a conduzir a mudanas cli-mticas preocupantes, de acordo com os dados fornecidos peloIntergovernamental Panel on Climate Change (IPCC).

    Existem importantes emisses de NOx

    (NO e NO2) e de SO

    2, que levam depo-

    sio atmosfrica de compostos de azotoe de enxofre, responsveis pelas chuvascidas que constituem factor de degrada-o dos solos, da vegetao e das guas.

    Embora, em termos globais, o sectoragrcola no seja muito poluente, existemactividades que, potencialmente, podemcontribuir para emisses importantes deGEE, nomeadamente de CO

    2, N

    2O e CH

    4.

    A aplicao de prticas agrcolas in-correctas tem reflexos no aumento deemisses gasosas, devido degradao do solo provocada por diferentes

    processos como a eroso, o uso exaustivo da terra, a poluio qumica, acompactao, a acidificao, a alcalizao e a salinizao. A simples lavouraprofunda, ao aumentar o arejamento e a temperatura do solo, torna os agre-

    I M P A C TO A M B I E N TA LD A S E M I S S E S D E G E E

    Oexcesso de emisses de gases comefeito de estufa poder conduzir a mu-

    danas climticas com efeitos preocupan-tes, destacando-se, por exemplo, a subidado nvel mdio da gua dos mares, a que-bra das produes agrcolas e a destruiode ecossistemas naturais.

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

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    gados mais susceptveis desagregao, facilitando a eroso e a decomposi-o da matria orgnica (TISDALL & OADES, 1982; ELLIOT, 1986).

    EMISSES DE CO2A fotossntese a via quase nica de fixao biolgica de CO

    2atmosfri-

    co nos ecossistemas. A matria orgnica, assim sintetizada, acaba semprepor ser degradada pela respirao dos seres vivos aerbios do solo (comlibertao de CO

    2) ou, em condies anaerbias, por fermentao (com li-

    bertao de CH4). Esta matria orgnica pode, tambm, ser destruda por

    combusto, libertando, tambm, CO2.

    Para alm dos fogos florestais, os factores que, no campo das activida-

    des agrcola, florestal e pecuria, so responsveis por elevadas emissesde CO2para a atmosfera, so a gesto dos solos agrcolas, particularmente

    as alteraes ao uso da terra e a intensidade das mobilizaes praticadas,os fenmenos de eroso, a queima de resduos nas exploraes e o usoexcessivo de combustveis.

    Assim, as mobilizaes excessivas do solo, ao proporcionarem o seu are-jamento, aceleram a mineralizao da matria orgnica, com libertao deCO

    2. Simultaneamente, promovem o aumento do uso de combustveis e, em

    consequncia, as emisses de gases provenientes da sua combusto. Tam-

    bm a queima de resduos das culturas, como restolhos ou lenha de poda, causa de libertao de CO

    2para a atmosfera.

    O uso de equipamentos mecnicos em ms condies de conservao, aopromover perda de eficincia no uso dos combustveis, constitui, tambm,causa de aumento das emisses.

    EMISSES DE N2O

    O N2

    O libertado a partir dos compostos nitrogenados presentes nossolos e nos cursos de gua, nos correctivos orgnicos e nos adubos, em con-dies anaerbias.

    No solo, estas emisses decorrem, essencialmente, do processo de desni-trificao operado por diversos tipos de bactrias do solo, sobretudo dos g-neros Pseudomonas, Bacillus e Paracoccus (TISDALE et al.,1985), emcondies de anaerobiose, dando origem libertao de N

    2e N

    2O em pro-

    pores que dependem, entre outros factores, do pH do solo. A libertao deN

    2O favorecida em solos cidos, quando o nvel de nitratos ou de nitritos no

    solo elevado e a concentrao de oxignio no muito baixa.Estima-se que, em condies normais, se perca, por esta via, 10 a 15%do azoto ntrico anualmente produzido pela mineralizao da matria or-

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    gnica do solo e do que nele incorporado sob a forma de adubos qumi-cos (MADRP, 1997). Estas perdas podero atingir nveis muito superioresem solos com m drenagem, onde o fenmeno ocorre com maior frequn-cia e intensidade.

    O processo de desnitrificao , ainda, influenciado por outros factores,para alm do teor de humidade do solo, entre os quais se salientam a quanti-dade e a natureza da matria orgnica presente, o valor do pH, a temperaturado solo e a quantidade e formas de azoto disponvel (SOVERAL-DIAS, 1999).Deste modo, o uso excessivo de adubos qumicos e a sua inadequada aplica-o em algumas culturas, bem como a aplicao de resduos ao solo, poten-ciam a ocorrncia da desnitrificao e a emisso de N

    2O para a atmosfera.

    EMISSES DE CH4As emisses agrcolas de CH

    4so, sobretudo, provenientes da fermenta-

    o entrica, durante o processo digestivo dos ruminantes, e da decomposi-o anaerbia da matria orgnica em solos inundados, designadamente nosarrozais (STANNERS & BOURDEAUX, 1995).

    Os bovinos apresentam as emisses unitrias mais importantes, sendo osvalores apresentados pelas fmeas leiteiras os mais elevados, dadas as suasnecessidades energticas serem bastante superiores s dos restantes ani-

    mais da mesma espcie. Os bovinos, no seu conjunto, representam 70% dasemisses de CH

    4resultantes da fermentao entrica (MCOTA, 2002). No

    extremo oposto, encontram-se as aves que apenas produzem pequenas quan-tidades de CH

    4a partir do excreta.

    Existem ainda pequenas emisses provenientes da actividade bacterianaoperada em estrumes e chorumes, em condies de anaerobiose. As quanti-dades de CH

    4emitidas dependem, essencialmente, da existncia de condi-

    es de anaerobiose durante a fase de armazenamento daqueles produtos.

    EMISSESDEAMONACONem todo o azoto disponvel numa explorao agrcola absorvido pelas

    plantas, permanecendo uma parte no solo da qual uma fraco acabar naatmosfera como resultado da desnitrificao ou volatilizao sob a forma deamonaco, superfcie de solos alcalinos.

    As perdas de azoto por volatilizao verificam-se, sobretudo, a partir de

    adubos contendo azoto amoniacal ou ureico, quando aplicados em solos alca-linos e se deixados superfcie. A sua aplicao em dias ventosos e de tem-peratura elevada faz diminuir a solubilidade do amonaco na gua e aumentar

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

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    as perdas de azoto por volatilizao. A proporo de azoto perdido por estavia poder, em condies muito desfavorveis, atingir os 50% (MADRP, 1997).

    Dado que o io amnio adsorvido pelos colides do solo, sero de recearmaiores perdas em solos arenosos, com baixos nveis de matria orgnica(VARENNES, 2003). As perdas de azoto por volatilizao podem, ainda, serimportantes no caso da cultura do arroz, onde o nutriente aplicado sob aforma amdica (ureia) ou sob a forma amoniacal.

    No entanto, do ponto de vista ambiental, as actividades pecurias so aprincipal fonte emissora de amonaco para a atmosfera. Neste caso, a volati-lizao do azoto ocorre, principalmente, nas instalaes pecurias logo aps aexcreo, durante o armaze-namento do chorume e du-

    rante a sua aplicao ao solo.Os riscos de volatilizaodo azoto aumentam quandoos chorumes so aplicados aosolo de forma incorrecta. Ascondies meteorolgicas, anatureza do coberto vegetaldo solo e as condies de in-filtrao do mesmo so, tam-

    bm, factores determinantesa ter em considerao.

    Assim, as emisses deamonaco so mais elevadaslogo aps o espalhamento dos correctivos orgnicos no solo. Se estes materiaisfertilizantes forem deixados superfcie do terreno, as perdas so bastantemais elevadas do que se se

    proceder sua imediata (pelomenos no mesmo dia) incor-

    porao ou se, no caso doschorumes, estes forem injec-tados no solo. Tambm a apli-cao de chorumes muitoconcentrados faz aumentar osriscos de volatilizao do azoto

    presente no efluente.As condies de infiltra-

    o do solo exercem, tam-bm, grande influncia navolatilizao do azoto, pois a

    I M P A C TO A M B I E N TA LD A S E M I S S E S D E N H

    3

    Aps a sua formao, o amonaco podevoltar a cair sob a forma de chuvas ci-das, espalhando-se em vastas superfciese a grande distncia dos locais da sua produ-o. As florestas e as guas superficiais,entre outros, podero ser afectadas por esta

    fertilizao azotada cada do cu, dandoorigem a problemas ambientais graves,nomeadamente eutrofizao de cursos degua e acidificao dos solos.

    P E R D A D E A ZOTOPOR VOLATIL IZA O

    Para alm de constiturem perda de umasubstncia fertilizante de elevado va-lor, as emisses de amonaco para a at-mosfera contribuem para a degradao dosecossistemas terrestres. Estima-se que, naEuropa, as emisses de amonaco atinjam8 a 9 milhes de toneladas, 90% das quaisde origem agrcola (STANNERS & BOUR-DEAUX, 1995).

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    grande compactao e a presena de crostas na superfcie impedem apenetrao dos elementos fertilizantes, o que aumenta fortemente as perdasde azoto por volatilizao sob a forma de amonaco.

    LIBERTAODEMAUSCHEIROS

    Os maus cheiros provenientes das actividades agro-pecurias so devi-dos a um grande nmero de compostos qumicos, designadamente dos gruposdos fenis e dos indis que, s recentemente, comearam a ser identificados.

    As principais causas de libertao de maus cheiros, relacionadas comestas actividades, tm a ver, essencialmente, com os sistemas de produointensiva de sunos, aves e bovinos.

    Tambm a aplicao de estrumes ou chorumes ao solo , frequentemente,causa de libertao de odores indesejveis para a atmosfera, o mesmo acon-tecendo relativamente ao armazenamen-to destes produtos nas exploraes.

    De um modo geral, os factores queafectam a concentrao de odores emiti-

    dos durante e aps o espalhamento so osmesmos, quer se trate de estrumes, querde chorumes.

    A intensidade dos odores libertadosdurante e aps a aplicao destes produ-tos ao solo depende do tipo de efluente, do

    perodo de armazenamento a que estive-ram sujeitos, bem como do equipamentoutilizado na sua aplicao e das quantida-

    des distribudas. De notar que, em igual-dade de circunstncias, os chorumes

    provenientes das suiniculturas industriaislibertam odores mais intensos.

    EMISSESDEFUMOS

    A emisso de fumos com origem nas actividades agrcolas so provenien-tes da combusto de resduos de cultura e, por vezes, da queima indevida deplsticos, pneus e leos usados.

    L I B E R TA O D E M A U S C H E I R O S

    D U R A N TE O E S PA LH A M E N TOD E E FLU E N TE S N O S OLO

    De um modo geral, a libertao de mauscheiros particularmente intensa du-rante a aplicao dos efluentes da pe-curia ao solo. Se espalhados atravs deequipamentos convencionais, 12 horasaps a aplicao a libertao de mauscheiros ainda pode ser de molde a causar

    incmodos (MAFF, 1998). Dependendo dascondies atmosfricas e da forma de apli-cao, estes odores podem ser sentidos adistncias relativamente grandes do localdo espalhamento.

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    REDUODOIMPACTODASACTIVIDADESAGRCOLASSOBREAQUALIDADEDOARATRAVSDOUSODEBOASPRTICAS

    No possvel eliminar completamente o impacto das actividades agro--pecurias sobre a qualidade do ar. No entanto, o uso de boas prticas, algu-mas de simples implementao, pode prevenir ou reduzir substancialmentetais impactos.

    REDUODASEMISSESDEGASESCOMEFEITODEESTUFA

    Para se ultrapassarem os diferentes obstculos que o pas tem de enfren-tar para cumprir o Protocolo de Quioto, necessrio tomar medidas em dife-rentes reas. No sector agrcola, tais medidas passam pela reduo das emisses

    de GEE e pelo aumento de sumidouros, seja pela alterao do uso do soloagrcola, seja pela substituio dos sistemas tradicionais de mobilizao dosolo por outros, mais conservadores, como a mobilizao mnima ou, mesmo,

    por sistemas de sementeira directa.

    REDUO DAS EMISSES DE CO2

    O aumento da eficincia da energia nas exploraes agrcolas e o recur-so, sempre que possvel, a fontes energticas alternativas no poluentes per-mite, para alm da reduo dos custos energticos, diminuir as emisses deCO

    2 para a atmosfera.

    O aumento da eficinciada energia utilizada nas ex-

    ploraes agrcolas e, con-sequentemente, a reduodas emisses de CO

    2, de-

    corre do cumprimento de um

    conjunto de boas prticasque incluem, nomeadamen-te, a manuteno dos equi-

    U S A R OS C OM B U S T V E I SD E FOR M A E F I C I E N TE

    Areduo das emisses de CO2nas ex-ploraes agrcolas est intimamenterelacionada com a reduo dos custosenergticos, j que decorre do uso maiseficiente dos combustveis.

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    pamentos em bom estado de conservao (seguindo as indicaes do fabri-cante), a fim de reduzir os nveis de consumo de combustveis e lubrifican-tes. Os equipamentos fixos, tais como secadores e cmaras frigorficas,devem ser, igualmente, mantidos em boas condies de funcionamento, bemcomo os eventuais sistemas de climatizao de edifcios.

    Visando o mesmo objectivo, a escolha dos tractores e das mquinas agr-colas deve ter em considerao a dimenso da explorao e os trabalhos arealizar, escolhendo sempre, em igualdade de circunstncias, os tractores demenor potncia.

    A boa gesto do uso do solo , tambm, factor importante a ter em consi-derao na reduo dos consumos energticos e, portanto, das emisses deCO

    2. Nela se inclui a alterao do uso da terra, nomeadamente a passagem

    de reas de culturas anuais para pastagem permanente, o recurso a prticasde proteco do solo (como sejam o enrelvamento de pomares e vinhas), areduo ao mnimo indispensvel das mobilizaes do solo e a adeso aossistemas de mobilizao mnima ou de sementeira directa.

    Finalmente, a gesto equilibrada do uso de adubos azotados na exploraocontribui, tambm, embora de forma indirecta, para a reduo das emissesde CO

    2, na medida em que o seu fabrico recorre a grandes quantidades de

    combustveis fsseis.

    REDUO DAS EMISSES DE N2O

    Embora as perdas de azoto por desnitrificao, dando origem s emissesde N

    2O, sejam parte de um processo natural, indispensvel ao normal fun-

    cionamento do ciclo do azoto, interessa, do ponto de vista ambiental, reduzirao mnimo as emisses deste gs, dado o seu elevado efeito de estufa (270vezes superior ao do CO

    2).

    Interessa, por isso, que a gesto do azoto no mbito da fertilizao do soloe das culturas seja de molde a aumentar o valor da relao N

    2

    /N2

    O da desni-trificao.

    Neste sentido, importante reduzir as concentraes de azoto mineral nosolo (azoto amoniacal e ntrico), atravs da prtica de fertilizaes racionais,evitando aplicaes excessivas de adubos azotados e tendo em consideraotodas as possveis fontes adicionais de azoto, designadamente o que existe nosolo e o que pode ser veiculado pelas guas de rega.

    Estudos recentes sugerem, tambm, que a aplicao do azoto ao solo, naspocas em que as culturas mais dele precisam, ao aumentar a eficincia do

    nutriente, pode contribuir para a reduo das emisses de N2O (EEA, 1999).De facto, se o azoto for aplicado em grandes quantidades nas pocas demenor solicitao por parte das culturas e se a temperatura e a humidade do

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    solo forem favorveis, as bactrias responsveis pelos processos de desnitri-ficao ou nitrificao podem utilizar o azoto mineral que existe em excessono solo, aumentando as emisses de N

    2O.

    AUMENTODESUMIDOURODEGEEO solo apresenta elevada potencialidade como sumidouro, particularmen-

    te de carbono, pelo que importa cuidar da sua conservao e, se possvel,tomar medidas no sentido de aumentar tal capacidade.

    Considera-se como sumidouro de GEE um reservatrio que, duranteum perodo de tempo, mais ou menos longo, apresenta capacidadepara reter GEE.

    !

    Assim, deve ter-se em considerao que a minimizao dos riscos dedegradao fsica, qumica e biolgica do solo tero, a prazo, efeito benficono aumento da sua capacidade de sumidouro.

    Deste ponto de vista e de acordo com VIEIRA e SILVA (2002), so deconsiderar:

    i) os riscos de eroso em solos declivosos, sujeitos ao cultivo de cereaispraganosos de sequeiro, em solos sujeitos a mobilizaes excessivas,como no caso de implantao de novos povoamentos florestais e emsolos onde ocorreram fogos florestais;

    ii) o uso excessivo de fertilizantes azotados, particularmente em reas deregadio e em culturas em estufa, provocando a degradao da gua derega e o aumento das emisses de N

    2O;

    iii) o recurso a gua de m qualidade para a rega, potenciando problemasde salinizao do solo em diversas reas do pas;

    iv) o excessivo pisoteio observado em algumas pastagens, ao promover acompactao do solo, diminui a vantagem da pastagem como sumi-douro (reteno de N e de CO

    2);

    v) a excessiva mecanizao das operaes culturais em solos agrcolas,para alm de favorecer a eroso e a compactao, promove a altera-o dos ciclos dos nutrientes e o escoamento superficial, com graves

    prejuzos para a conservao do solo e diminuio dos sumidouros.Simultaneamente, contribui para o aumento do consumo de combust-veis fsseis, provocando mais emisses de GEE;

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    vi) a aplicao de resduos orgnicos e outros resduos industriais ao solo,sem ter em considerao a sua composio, pode ocasionar riscos de

    poluio do sistema, com perda de sumidouro.

    REDUODASEMISSESDEAMONACOAlgumas prticas agrcolas, susceptveis de minorar as perdas de azoto

    por volatilizao sob a forma de NH3, so idnticas s que devem ser obser-

    vadas com o objectivo de reduzir a libertao de maus cheiros, particular-mente as que dizem respeito manuteno das condies de higiene dasinstalaes pecurias e ao espalhamento de estrumes e chorumes.

    ESPALHAMENTO DE EFLUENTES DA PECURIA

    Entre as prticas agrcolas, as aplica-es de estrumes e chorumes ao solo des-tacam-se como a principal fonte deemisses de NH

    3. Deste ponto de vista,

    so particularmente problemticos os eflu-entes lquidos os chorumes.

    As condies meteorolgicas prevale-centes durante o espalhamento de estru-mes e chorumes no solo influenciam, deforma determinante, as perdas de azoto

    por volatilizao, pelo que se deve evitar aaplicao destes materiais em dias quentes e ventosos. No caso particulardos chorumes, aconselha-se, tambm, a diluio do efluente, sobretudo se aaplicao se verificar durante o tempo mais quente.

    Aps o espalhamento, estes materiais devem ser incorporados no solo omais rapidamente possvel, se possvel no mesmo dia. Nestas circunstncias,as perdas de azoto por volatilizao so bastante menores do que se foremdeixados superfcie. A injeco no solo ou a aplicao em bandas, junto superfcie do solo, , no caso dos chorumes, a prtica mais aconselhada,sempre que tal for possvel.

    A quantidade de amonaco formado varia, ainda, na razo directa do teorde matria seca do chorume, pelo que, sempre que possvel, este dever serdiludo antes da sua aplicao ao solo.

    Um outro factor a ter em considerao diz respeito s condies de infil-trao do solo, aquando do espalhamento, particularmente no caso dos cho-rumes. Se o solo estiver muito compactado ou entorroado, a infiltrao do

    C ON D I E S D E E S P A LH AM E N TOD O S E F L U E N T E S D A P E C U R I A

    Oespalhamento de estrumes e choru-

    mes deve ser efectuado em dias pou-co quentes e sem vento e incorporados nosolo o mais rapidamente possvel. Os so-los devem apresentar boas condies deinfiltrao, no caso dos efluentes lquidos.

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    efluente no solo difcil, permanecendo superfcie e aumentando, destaforma, a libertao de NH

    3.

    Para obviar estas situaes, sempre que sejam previsveis dificuldadesde infiltrao dos efluentes nos terrenos a beneficiar, deve proceder-se auma gradagem antes da aplicao. Em termos gerais, as quantidades defertilizante a aplicar devem ser sempre adaptadas capacidade de reten-o do solo.

    No quadro 1.1 apresenta-se, de forma resumida, um conjunto de factoressusceptveis de influenciar as perdas de azoto por volatilizao, no caso dasaplicaes de estrumes e chorumes ao solo e as medidas a adoptar de modoa minimizar tais perdas.

    Medidas a adoptarFactores a ter em

    considerao

    Critrios de

    avaliao

    Risco de

    volatilizao Chorumes Estrumes

    tempo seco,

    quente, vento elevado

    Condies

    meteorolgicas tempo hmido,

    frio, sem vento moderado

    no espalhar

    superfcie do

    terreno

    Condies de

    infiltrao no solo

    terreno

    compactado ou

    com crostas

    elevado

    gradar o terreno

    antes da

    aplicao; aplicar

    pequenas

    quantidades

    mulch, restolho,

    etc. elevado

    incorporar os

    resduos vegetais

    antes da

    aplicao

    coberto vegetal

    denso

    mdio a

    elevado diluir o chorume

    Cobertura do solo

    solo nu mdio diluir o chorume

    no espalhar

    espalhar e

    incorporar no solo

    gradar o terreno

    antes da aplicao;

    aplicar pequenasquantidades

    incorporar no solo

    logo aps o

    espalhamento

    incorporar no solo

    logo aps oespalhamento

    Quadro 1.1 Medidas de preveno das perdas de azoto por volatilizao (Adaptado de Varennes, 2003)

    ESTRATGIAS NUTRICIONAIS

    Um outro aspecto a considerar na reduo das emisses de NH3resulta

    da adopo de estratgias alimentares para os animais, designadamente parasunos, no sentido de reduzir a excreo de azoto e, em consequncia, asemisses gasosas. A protena fornecida nas raes que no metabolizada

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    excretada atravs das urinas e das fezes, sendo uma parte substancial con-vertida em amnia.

    Trata-se, pois, de aumentar a eficincia da protena fornecida na dieta,ajustando, tanto quanto possvel, as quantidades fornecidas s necessidadesdos animais. Tal permitir, sem diminuir as suas performances, baixar osnveis de azoto amoniacal dos chorumes (para alm dos valores do seu pH) ereduzir as emisses de NH

    3ao longo das diferentes fases de manipulao dos

    mesmos (PORTEJOIE, et al., 2004).

    ARMAZENAMENTO DE CHORUMES

    As emisses de amonaco provenientes do armazenamento dos eflu-

    entes das pecurias podem ser reduzidas diminuindo a superfcie expostaao ar.

    Trata-se, pois, de impedir, na medida do possvel, o contacto do efluentecom o ar, o que pode ser conseguido atravs do isolamento da camadasuperficial do efluente armazenado com uma cobertura apropriada como,por exemplo, palha cortada.

    !

    O contacto das camadas inferiores do efluente armazenado com o arapenas deve ser permitido quando indispensvel.

    Sempre que possvel, as operaes de enchimento ou de descarga dasestruturas de armazenamento dos chorumes devem ser efectuadas abaixo dasuperfcie em contacto com o ar, evitando a exposio do efluente e, conse-quentemente, o aumento das emisses de amonaco.

    REDUODALIBERTAODEODORESINDESEJVEISPROVENIENTESDASACTIVIDADESPECURIAS

    No possvel eliminar completamente a libertao de maus cheiros rela-cionados com as actividades agro-pecurias uma vez que, frequentemente,no existem disponveis tcnicas adequadas para tal. Por outro lado, muito

    embora possam existir solues, estas so, por vezes, demasiado caras, difi-cultando a sua utilizao. No entanto, o uso de boas prticas agrcolas e desistemas de controlo apropriados permitem a sua reduo substancial.

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    ESPALHAMENTO DE ESTRUMES E CHORUMES

    A reduo dos maus chei-ros provenientes do espalha-

    mento de estrumes echorumes implica a observn-cia de algumas regras que serelacionam com as condiesmeteorolgicas, o estado dehumidade do solo, as carac-tersticas das parcelas e osequipamentos utilizados. Deum modo geral, devem ob-servar-se as mesmas regrasindicadas com a finalidade de reduzir as emisses de NH

    3.

    Os estrumes e os chorumes devem ser espalhados uniformemente sobreo terreno e, de seguida, incorporados no solo com mobilizao adequada.Deste modo, para alm da reduo das perdas de azoto por volatilizao, aemisso de maus cheiros ser, tambm, minimizada. Deste ponto de vista, de referir que os estrumes bem curtidos causam menos problemas durante asua aplicao.

    A aplicao destes materiais deve ser efectuada em parcelas longe decasas de habitao, em dias sem vento e pouco quentes. No caso do choru-me, a libertao de maus cheiros bastante reduzida se este for aplicado em

    bandas ou injectado no solo ou, ainda, se tiver sofrido um tratamento prviocom essa finalidade.

    Ainda no caso do chorume, se aplicado em solo nu, deve proceder-se,igualmente, sua incorporao aps o espalhamento, se possvel no mesmodia. A aplicao do chorume deve ser efectuada ao solo apenas quando estese apresentar em bom estado de humidade, pois num solo demasiado hmido,

    com reduzida capacidade de reteno, o chorume ficar acumulado em po-as ou, se o solo estiver demasiado seco, perder-se- atravs do escorrimen-to superfcie, provocando, eventualmente, outros problemas, como aeutrofizao de cursos de gua.

    Os equipamentos utilizados no espalhamento dos chorumes so determi-nantes no controlo das emisses de odores provenientes destes materiais.Em igualdade de circunstncias, so de preferir dispositivos de distribuioque funcionem a baixa presso, a fim de evitar a formao de aerossis, as

    perdas por volatilizao do azoto e a libertao de maus cheiros. Tais incon-venientes podem ser praticamente ultrapassados se forem utilizados sistemasde injeco do efluente no solo.

    QU A N TI D A D E S D E E S TR U M E S EC H OR U M E S A A P L I C A R A O S OLO

    Devem ser evitadas aplicaes de gran-des quantidades de estrumes e de cho-rumes de uma s vez. Como valores de re-ferncia, podem indicar-se aplicaes at50 m3por hectare, no caso dos chorumese at 50 toneladas por hectare, no dos es-trumes (MAFF, 1998).

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    Os reservatrios de transporte de chorumes no devem ser demasiadocheios, a fim de evitar o derrame destes produtos nas estradas e caminhos.Tambm o exterior dos equipamentos de transporte e de distribuio deve serregularmente limpo.

    PECURIAS INTENSIVAS

    A observncia das melhores condies de higiene e limpeza nas instala-es pecurias condio bsica para o controlo dos odores indesejveis,quer se trate de bovinos, sunos ou aves. Sempre que possvel, tais instala-es devem ser limpas diariamente.

    A limpeza e a desinfeco das instalaes pecurias deve ser efectuada

    sempre que, por motivos da explorao, se encontrem vazias. Tal inibe a forma-o de odores provenientes da decomposio de restos de dejectos e alimentos.O seu adequado dimensionamento, face ao nmero de animais previsto na

    explorao, facilita a manuteno das condies de higiene desejadas.Para alm das condies de higiene, as instalaes pecurias devem ser

    mantidas em boas condies de conservao, de forma a prevenir que asescorrncias lquidas escoem para o exterior.

    Um deficiente arejamento das instalaes pecurias d origem a condi-es de humidade susceptveis de originar a libertao de odores indesejveis

    e de amonaco, para alm de proporcionar condies sanitrias deficientes.Os sistemas de arejamento instalados devem, por isso, ser dimensionados

    de acordo com o nmero e caractersticas dos animais presentes, para almde serem mantidos em bom estado de conservao.

    No caso particular dos avirios, o sistema de ventilao particularmenteimportante, para permitir a secagem parcial dos dejectos produzidos, baixan-do a intensidade das fermentaes e reduzindo, assim, a libertao de cheirosdesagradveis e de NH

    3.

    No caso de serem usadas camas paraos animais, a quantidade de materiais usa-dos para o efeito (resduos de culturas, ma-tos, serradura, etc.) deve ser calculada demodo a permitir que aqueles se mante-nham sempre limpos. Estes materiais de-vem ser armazenados em locais secos, afim de impedir a formao de fungos e a

    perda de capacidade de absoro das uri-

    nas. As camas devem ser periodicamenteremovidas para local apropriado, se pos-svel uma nitreira.

    A MINIMIZAO DE MAUS CHEIROSDAS PECURIAS INTENSI VAS

    Areduo dos odores indesejveis pro-venientes das actividades pecuriaspassa pela manuteno das melhores con-dies de conservao, higiene e limpezadas instalaes e pelo bom funcionamentodos sistemas de ventilao instalados.

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    REDUODASEMISSESDEFUMOSA primeira orientao, com vista minimizao da libertao de fumos

    para a atmosfera, diz respeito reduo, ao estritamente indispensvel, dosmateriais que, por vezes e no final das colheitas, so queimados.Apenas devem ser quei-

    mados os materiais que nopuderem ser retirados da ex-plorao de outro modo, quetenham uma combusto f-cil e que no dem origem afumo negro e libertao de

    substncias nocivas para asade humana.

    A queima de resduos deculturas deve ser efectuadaapenas quando forem porta-dores de doenas que pos-sam servir de foco de infeco quando aplicados ao solo, devendo os materiaisestar bem secos, de forma a assegurar uma boa combusto.

    Se a combusto dos materiais for incompleta (o que se verifica pela cor

    do fumo que se liberta) deve-se verificar se a temperatura de combusto suficientemente elevada e se as condies de oxigenao so suficientes

    para permitir a sua combusto completa.Finda a queimada, as cinzas dela resultantes devem ser incorporadas no solo.

    OSSOLOSAGRCOLASCOMOSUMIDOURODECARBONO

    O carbono orgnico encontra-se retido, em grande parte, na biomassaviva e na matria orgnica decomposta, sendo trocado naturalmente entreestes sistemas e a atmosfera atravs de vrios processos, nomeadamente dafotossntese, da respirao, da decomposio e da combusto. O carbonoinorgnico faz parte dos combustveis fsseis e das rochas calcrias, sendoemitido em grandes quantidades devido combusto daqueles e produo

    de cimento (VIEIRA e SILVA, 2001).O carbono armazenado no solo essencialmente sob a forma orgnica. A

    matria orgnica provm, principalmente, de folhas, de razes e organismos

    R E A L I Z A O D E Q U E I M A D A SA O A R L I V R E

    de ter sempre em considerao que arealizao de queimadas ao ar livre uma operao perigosa, que deve ser efec-tuada longe de habitaes e de vias pbli-cas e sob vigilncia contnua, a fim de evitarpotenciais perigos de incndio. As queima-das devem ser evitadas em dias ventosose muito secos.

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    mortos, de dejectos animais e da excreo de compostos orgnicos pelasrazes. Considera-se como fazendo parte integrante da matria orgnica a

    biomassa microbiana.No existe um armazenamento definitivo do carbono no solo, j que toda

    a matria orgnica acaba por ser mineralizada. O seu tempo de permann-cia no solo , em mdia, de algumas dezenas de anos (ARROUAYS et al.,2002), sendo a sua evoluo determinada pelo balano entre as entradas nosolo de carbono fixado atravs da fotossntese e as perdas por mineraliza-o da matria orgnica.

    Estima-se que, em Portugal, o valormdio de carbono armazenado nos so-los agrcolas seja de 47 toneladas por

    hectare (COSTA, 1994, comunicaopessoal).Os factores susceptveis de afectar o

    stockde carbono no solo so mltiplos eas suas interaces bastante complexas.

    Assim, o tipo de solo e a sua ocupaocultural parecem ser determinantes neste

    processo (ARROUAYS et al., 2002), embora outros factores interfiram demodo igualmente importante, designadamente os factores climticos (pluvio-

    sidade e temperatura).De um modo geral, os solos dedicados s culturas anuais e s culturas

    perenes, em solo nu, apresentam os valores mdios de carbono mais baixos.Pelo contrrio, as pastagens permanentes e as florestas apresentam poten-ciais de armazenamento de carbono no solo mais elevados e muito prximosentre si (ARROUAYS et al., 2002).

    De acordo com os mesmos autores, as quantidades mdias de carbonoarmazenado variam, tambm, com o tipo de solo, sendo mais baixas nos solosarenosos e esquelticos (cerca de 40 toneladas por hectare, em mdia) emais elevadas nos solos argilosos e hidromrficos (cerca de 100 toneladas

    por hectare, em mdia).Existe, ainda, uma forte interaco entre as prticas de mobilizao do

    solo e a dinmica da matria orgnica nele existente, verificando-se que, emsolos sujeitos a mobilizao intensa, a acumulao de matria orgnica e,consequentemente, de carbono, ocorre em menor quantidade.

    FACTORES QUE INTERFEREM

    NO STOCKDE CARBONO DO SOLO

    Oarmazenamento do carbono no solodepende, essencialmente, das suascaractersticas, das mobilizaes pratica-das e do sistema de uso da terra.

    A reduo da mobilizao e, principalmente, a prtica da nomobilizao do solo, favorecem o aumento do teor de matriaorgnica nos solos.

    !

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

    24

    Estudos efectuados no Canad, Europa e EUA mostram um aumentomdio de carbono no solo de 10%, chegando, nalguns casos, a 30%, emsistemas de no mobilizao (PAUSTIAN et al., 1997, cit. PNAC 2002,Doc. trabalho).

    Qualquer alterao ao sistema de uso da terra, como seja, por exemplo,o abandono da produo de culturas arvenses e a sua substituio por pas-tagens, origina um impacto, que pode ser importante, na reteno de carbo-no no solo.

    Assim, a alterao de uso da terra, de culturas anuais para culturaspermanentes (como as pastagens), conduz a uma incorporao acrescidade carbono no solo, particularmente devido supresso dos trabalhos

    de mobilizao.

    !

    A este propsito, HOUGHTON (1991), citado por VIEIRA e SILVA(2001), refere algumas mudanas no uso da terra responsveis por altera-es nas reservas de carbono. Entre elas, salienta a converso de ecossiste-mas naturais em culturas permanentes, a converso de ecossistemas naturaisem rotaes de culturas anuais, o abandono de terras de cultivo, o abandonode pastagens e o abate e plantao de rvores.

    Em Portugal, so escassos e dispersos os elementos que permitem avaliar

    a componente destocklquido de carbono associado a alteraes no uso daterra. No entanto, a converso de uma parcela de culturas arvenses em pas-tagem induz aumentos de carbono no solo que se estimam em valores daordem de 0,75 a 1 tonelada por hectare e ano, para um perodo de 15 a 20anos (PNAC 2002, Doc. trabalho).

    O abandono de terras agrcolas pode, tambm, promover a acumulaode carbono no solo, atravs da vegetao espontnea que se for instalando.

    As principais causas de poluio do ar, com origem nas actividades agro-pecurias,resultam da emisso de gases com efeito de estufa, designadamente CO

    2, N

    2O e CH

    4,

    NH3, libertao de maus cheiros e de fumos mais ou menos poluentes.

    As emisses de CO2decorrem, essencialmente, das alteraes ao uso da terra e daintensidade das mobilizaes do solo, da eroso, da queima de resduos nas explora-es e do uso excessivo de combustveis.

    F A C T O R E S C R T I C O S D E S U C E S S O

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    O N2O libertado a partir dos compostos azotados presentes nos solos e nos cursos de

    gua, nos correctivos orgnicos e nos adubos, em condies anaerbias.

    As emisses de CH4 so provenientes da fermentao entrica durante o processo

    digestivo dos ruminantes e da decomposio anaerbia da matria orgnica em solosinundados, como o caso dos arrozais.

    A volatilizao do azoto, sob a forma de NH3, ocorre, principalmente, nas instalaes

    pecurias logo aps a excreo, durante o armazenamento dos chorumes e durante asua aplicao ao solo.

    A libertao de maus cheiros tem a ver, essencialmente, com os sistemas de produointensiva de sunos, aves e bovinos, a aplicao de estrumes ou chorumes ao solo e oarmazenamento destes produtos nas exploraes agrcolas.

    A emisso de fumos tem origem na combusto de resduos de cultura e, por vezes, naqueima indevida de plsticos, pneus e leos usados.

    Embora no seja possvel eliminar completamente o impacto das actividades agro--pecurias sobre a qualidade do ar, o uso de boas prticas pode prevenir e reduzirsubstancialmente tais impactos.

    A reduo das emisses de CO2 possvel atravs do uso mais eficiente dos combus-

    tveis e da boa gesto do uso da terra. A minimizao dos riscos da degradao fsica,qumica e biolgica do solo tero, a prazo, efeito benfico no aumento da sua capacida-de de sumidouro.

    O uso de prticas agrcolas conducentes ao aumento da eficincia do azoto aplicado aosolo contribui, de forma acentuada, para a reduo das emisses de N

    2O.

    As emisses de NH3podem ser minimizadas atravs da gesto adequada das activi-

    dades pecurias, designadamente no que diz respeito adopo de estratgias ali-mentares que permitam a reduo da excreo azotada, ao adequado armazenamentodos efluentes e incorporao no solo de estrumes e chorumes, logo aps o seu

    espalhamento. A manuteno das melhores condies de conservao, higiene e limpeza das instala-

    es pecurias, e o bom funcionamento dos sistemas de ventilao instalados, sodeterminantes na reduo dos odores indesejveis provenientes das actividades pecu-rias. Tambm o uso de equipamentos de distribuio que funcionem a baixa presso, oua utilizao de sistemas de injeco do efluente, permitem controlar as emisses deodores provenientes da aplicao destes materiais ao solo.

    A fim de evitar a emisso de fumos mais ou menos poluentes para a atmosfera, apenas

    devem ser queimados os materiais que no puderem ser retirados da explorao, quetenham uma combusto fcil e que no dem origem a fumo negro e libertao desubstncias nocivas para a sade humana.

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    C A P T U L O 2

    ACTIVIDADES AGRCOLASECONSERVAO DOSOLO

    Apresentar alguns aspectos gerais da fer-tilidade do solo.

    Identificar as principais causas de degra-dao do solo com origem nas activida-des agro-pecurias.

    Introduzir o conceito de boa prtica agr-cola e evidenciar o seu papel na minimi-

    zao do impacto das actividades agrcolassobre a fertilidade do solo.

    O B J E C T I V O S

    A agricultura desempenha

    um papel fundamental na

    conservao do solo, sendo do

    interesse de todos a sua

    salvaguarda atravs de uma

    gesto equilibrada, j que

    constitui o garante de geraes

    futuras de agricultores.

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    ACTIVIDADES AGRCOLAS E AMBIENTE

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    E N Q U A D R A M E N T O O solo um componente fundamental da bios-fera, complexo e dinmico, constitudo por uma fase slida, composta pormateriais orgnicos ou minerais, que variam na sua composio qumica, ta-

    manho e forma, formando um sistema poroso partilhado pelas fases lquida egasosa (VARENNES, 2003). A fase lquida composta por gua com substncias dissol-vidas, sendo designada por soluo do solo e a fase gasosa constitui a sua atmosfera. um recurso natural finito, com mltiplas funes, entre as quais se destaca a produo de

    biomassa, no mbito das actividades agrcola e silvcola. Constitui a interface entre aatmosfera, as guas subterrneas e o coberto vegetal, exercendo uma aco de filtro,tampo e transformao, protegendo o ambiente, preservando a cadeia alimentar e asreservas de gua potvel. um sistema complexo e interactivo de regularizao do ciclohidrolgico, um importante sumidouro de carbono e uma reserva de biodiversidade, exer-

    cendo ainda funes de suporte e de lazer.A agricultura o maior utilizador dos solos e o mais importante fornecedor de alimen-

    tos para o Homem, dependendo fortemente de ecossistemas equilibrados que funcionemadequada e eficientemente. A perturbao destes ecossistemas pode dar origem, entreoutros, poluio das guas, ao surgimento de pragas, disseminao de doenas de

    plantas e animais, a cheias e perda de fertilidade do solo.A degradao fsica, qumica e biolgica dos solos agrcolas resulta da aplicao de

    prticas agrcolas incorrectas que importa corrigir, embora os incndios e as alteraesclimticas tenham, igualmente, um papel preponderante.

    Em Portugal continental, a SAU (que inclui as culturas em terra arvel limpa, asculturas sob coberto de matas e florestas, as culturas permanentes e as pastagens per-manentes em terra limpa) representa 42% da superfcie territorial, predominando as ter-ras arveis e as pastagens permanentes (MADRP, 2002). O uso florestal representa38% da superfcie do Continente, predominando as espcies folhosas (MADRP, 2002).Em 1999, a superfcie regada representava 16% da SAU, concentrando-se junto orlacosteira. As zonas com maior peso de rea regada encontram-se includas nas baciashidrogrficas dos rios Ave, Vouga, Cvado, Lima, Minho, Mondego, Douro, Lis e Tejo.

    ASPECTOSGERAISSOBREAFERTILIDADEDOSOLO

    Em sentido lato, a fertilidade do solo a maior ou menor aptido deste parafornecer s plantas as condies fsicas, qumicas e biolgicas adequadas

    ao seu crescimento e desenvolvimento; em sentido restrito, a capacidadedo solo para fornecer s plantas os nutrientes minerais nas quantidades epropores mais adequadas (Soveral-Dias, 2004).

    !

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    As plantas obtm directamente os nutrientes da soluo do solo em equi-lbrio com o complexo de troca e com outros componentes do solo. A capaci-dade que um dado solo possui para fornecer nutrientes planta durante um

    perodo de tempo mais ou menos longo, a partir das reservas contidas nasfraces mineral e orgnica, encontra-se intimamente ligada ao complexo detroca. Os nutrientes minerais so disponibilizados para a planta atravs de

    processos de meteorizao e mineralizao microbiana a uma determinadataxa regulada por processos qumicos de equilbrio entre a fase slida e asoluo do solo, por um lado, e entre esta e as razes das plantas, por outro.Alguns solos so capazes de fornecer planta os nutrientes de que estanecessita, esgotando rapidamente as suas reservas (solos arenosos, pobresem matria orgnica) e outros, pelo contrrio, podem manter um fornecimen-

    to de nutrientes mais ou menos prolongado.

    BIOLOGIADOSOLONos solos existem muitos organismos vivos pertencentes a diversos gru-

    pos, incluindo seres microscpicos, como bactrias e fungos, e animais deporte razovel. Esta diversidade biolgica do solo indiciadora da sua quali-dade, pois est relacionada com a capacidade dos organismos para utilizarem

    uma grande variedade de substratos e levarem a cabo um vasto conjunto dereaces bioqumicas diferentes (VARENNES, 2003).

    Os seres vivos do solo desempenham uma funo particularmenteimportante nos processos naturais que so vitais para manter a suafertilidade fsica e qumica.

    !

    O nmero e a actividade dos organismos vivos do solo dependem da quan-tidade e qualidade dos alimentos disponveis, de factores ambientais como o

    pH, a temperatura, os teores de gua e de oxignio, o grau de salinizao dosolo e, ainda, de factores biticos relacionados com a competio entre orga-nismos e a existncia de predadores.

    Alguns so importantes do ponto de vista da sua aco sobre eventuaiscontaminantes do solo, enquanto outros so valiosos pelo controlo biolgicode pragas e doenas das culturas. Todos so responsveis pela maior partedas transformaes qumicas que ocorrem no solo, pelo que, sem eles, os

    nutrientes retidos nos resduos orgnicos no seriam reciclados e disponibili-zados para as plantas. Alguns grupos so especficos de determinados pro-cessos, desempenhando um papel fundamental em diversos compartimentos

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    dos ciclos dos nutrientes, como o caso das nitrobactrias, responsveis pelaoxidao do io amnio e a sua passagem a nitrato.

    Os organismos heterotrficos so os mais abundantes no solo, sendo res-ponsveis pela decomposio da matria orgnica. Neles se incluem os ne-mtodos, os protozorios, as bactrias, os actinomicetas e quase todos osfungos. Estes grupos so praticamente responsveis por todas as reacesdo carbono e do azoto queocorrem no solo e represen-tam 1% a 5% da matria or-gnica do solo e at 90% damassa total dos seus organis-mos vivos (WARDLE, 1992,

    cit. VARENNES, 2003). Asua distribuio no soloacompanha a da matria or-gnica, concentrando-se nacamada superficial e diminu-indo em profundidade.

    As minhocas constituemo grupo mais importante da macrofauna do solo, sobretudo nas regies tem-

    peradas. Para alm das redes de bioporos que criam, melhorando a drena-

    gem interna e o arejamento do solo, os seus dejectos, constitudos por umamistura de terra e compostos orgnicos, favorecem a formao dos agre-gados do solo.

    Quanto aos fungos, a sua aco no solo nem sempre favorvel, poisalguns produzem substncias inibidoras da actividade das bactrias e outrosdo origem a doenas radiculares, que podem causar graves prejuzos nasculturas arbreas e arbustivas. No entanto, outros so benficos, ao estabe-lecerem micorrizas com as razes das plantas, contribuindo para melhorar ascondies de absoro de gua e de nutrientes.

    A actividade das bactrias depende, essencialmente, do teor de gua nosolo, o mesmo acontecendo com os nemtodos e os protozorios.

    O CASO PARTICULAR DAS BACTRIASDO GNERORHIZOBIUM

    As plantas superiores so incapazes de utilizar directamente o azoto ele-mentar da atmosfera que, s depois de ser fixado por via biolgica, apresenta

    condies para ser absorvido e assimilado por essas plantas.A fixao biolgica do azoto opera-se pela aco de bactrias que vivemem simbiose nas razes das leguminosas (bactrias do gneroRhizobium) ou

    ORGANISMOS HETEROTRFICOS

    Os organismos podem ser classificadosde acordo com as fontes de carbono

    e energia que utilizam. Neste contexto, or-ganismos heterotrficos so os que depen-dem da oxidao de compostos orgnicos,formados por outros organismos, para ob-terem o carbono e a energia de que ne-cessitam.

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    de outras plantas no leguminosas (bactrias do gneroAzospirillum), pelaaco de microrganismos livres do solo, em particular dos gnerosAzoto-bacter e Clostridium ou, ainda, por algas azuis que ocorrem numa largagama de condies ambientais, por vezes superfcie das folhas de certas

    plantas (SOVERAL-DIAS, 1999).Do ponto de vista agronmico, a fixao de azoto atravs da simbiose

    Rhisobium-Leguminosa assume grande importncia pois, em condies ade-quadas de cultivo, de pH do solo, de humidade e de temperatura, estas bact-rias so capazes de fornecer planta quantidades de azoto suficientes para oseu crescimento e produo.

    As quantidades de azoto fixado atravs da simbiose Rhizobium - Leguminosa

    variam com o tipo de leguminosa, a estirpe de Rhizobium que lhe estassociada e as condies pedoclimticas em que a cultura realizada,variando, por exemplo, entre cerca de 170 kg e 340 kg de azoto por hectare eano em prados mistos de leguminosas e gramneas (TISDALE et al.,1985).

    !

    A BIOLOGIA DOS SOLOS E O SEU CULTIVO

    Nos solos cultivados, o nmero e a actividade dos organismos nele pre-

    sentes depende, em grande parte, do modelo adoptado para a gesto dosolo, j que este influencia, de forma significativa, as condies ambientaisenvolventes.

    Assim, a monocultura e as mobilizaes em excesso reduzem a biodi-versidade e o nmero de organismos que integram cada populao, ao pro-moverem o risco de eroso da camada superficial do solo, mais rica emmatria orgnica.

    Outras prticas culturais podem, igualmente, afectar de forma negativa aspopulaes de seres vivos do solo. Est, neste caso, a aplicao excessiva defertilizantes com elevada proporo de azoto na forma amoniacal, como osulfato de amnio e certos chorumes, que podem reduzir, de forma substan-cial, a populao de minhocas. A colocao de coberturas plsticas no solo ,tambm, desfavorvel maioria dos organismos do solo, por aumentar a suatemperatura para nveis incompatveis com a actividade dos seres vivos pre-sentes. De referir, ainda, que todas as prticas culturais que conduzam aoexcesso de gua no solo, ao reduzirem o seu arejamento, prejudicam a activi-dade dos microrganismos aerbios.

    Efeito contrrio tem a aplicao de resduos orgnicos compostados oude estrumes bem curtidos e a introduo, nas rotaes culturais, de pradostemporrios.

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    A utilizao de sistemas de mobilizao mnima ou de sementeira directa,ao promover a acumulao de matria orgnica nas camadas superficiais dosolo, favorece o nmero e a actividade dos microrganismos, em especial dosfungos, a predominantes.

    !

    De igual modo, a correco da reaco de solos cidos, elevando o pHpara valores prximos da neutralidade, a manuteno de nveis de clcio ade-quados, a rega e a fertilizao racionais das culturas aumentam a actividade

    biolgica do solo, ao estimularem o crescimento das plantas.No quadro 2.1 apresentam-se, de forma resumida, os principais efeitos

    do modo de gesto do solo sobre as populaes dos organismos vivos nelepresentes.

    Quadro 2.1 Influncia da gesto do solo sobre a populao e a biodiversidade dos organis-mos do solo (Adaptado de Varennes, 2003)

    Diminui a populao e a biodiversidade Aumenta a populao e a biodiversidade

    Mobilizao intensa Mobilizao mnima

    Remoo ou queima de resduos Permanncia dos resduos no solo

    Monocultura Rotao de culturas

    Compactao do solo Bom arejamento e drenagem do solo

    Eroso Aplicao de correctivos orgnicos

    Introduo de metais pesados Fertilizao equilibrada

    Produtos fitofarmacuticos Aplicao de correctivos alcalinizantes

    Coberturas plsticas Rega adequada

    ACIDEZEALCALINIDADEDOSOLOA reaco do solo influencia as suas propriedades fsicas, qumicas e bio-

    lgicas, determinando o tipo de vegetao existente, a actividade dos micror-ganismos, a estabilidade dos agregados e a disponibilidade dos nutrientes paraas plantas.

    O grau de acidez ou alcalinidade do solo medido atravs da concentra-o de hidrogenies na soluo do solo. Avalia-se atravs de uma escala de

    pH, geralmente medido numa suspenso solo/gua, considerando-se solos

    cidos os que apresentam valores de pH inferiores a 6,5, enquanto valoressuperiores a 7,5 indicam solos alcalinos. Os solos neutros so os que apresen-tam valores de pH entre 6,6 e 7,5.

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    AVALIAO DA REACO DO SO LO

    Ograu de acidez ou de alcalinidade dosolo avaliado pela concentrao de

    hidrogenies (H+) presente na soluo dosolo, atravs de uma escala de pH que va-ria entre 0 e 14, encontrando-se os valoresmais frequentes nos solos cultivados entre4 e 8,5 (LQARS, 2000).

    Sendo o pH a medida da concentraode hidrogenies na soluo do solo, so deesperar variaes no seu valor ao longodo ano. Assim, de um modo geral, a con-centrao de hidrogenies aumenta duran-te o Vero, sendo mais baixa no Inverno.Estas variaes, que podem atingir valo-res importantes, tm vrias origens, comosejam a absoro preferencial pelas plan-tas de certos ies, a actividade microbia-na, a diluio ou concentrao de sais, etc.

    Apenas um nmero limitado de espcies vegetais suporta solos muito ci-

    dos, preferindo as culturas agrcolas, na generalidade dos casos, solos ligeira-mente cidos e neutros.

    A disponibilidade dos nutrientes no solo depende muito do valor do seu pH,o mesmo se verificando com a actividade de muitos microrganismosque intervm em processos fundamentais. o caso, por exemplo, dasnitrobactrias, responsveis pelos processos de nitrificao.

    !

    A produtividade dos solos cidos geralmente baixa, devido a problemasde nutrio mineral relacionados com a disponibilidade dos nutrientes ou ou-tros elementos no nutrientes, presentes no solo. Podem, assim, ocorrer ca-rncias ou desequilbrios nutricionais nas culturas ou, pelo contrrio, problemasde toxicidade de elementos, nutrientes ou no, como o mangans e o alumnioe os metais pesados.

    Nos solos alcalinos, nomeadamente nos solos calcrios com o complexode troca dominado pelo clcio e pelo magnsio, as culturas so afectadas

    pela deficincia de alguns nutrientes que, podendo existir no solo, esto, noentanto, em formas indisponveis. So, assim, frequentes deficincias de fs-foro e de ferro, encontrando-se tambm o zinco e o mangans em formasmenos disponveis. Nas plantas instaladas nestes solos pode, ainda, verificar--se deficincia de potssio, induzida pela presena, em grande quantidade, declcio e de magnsio.

    Em Portugal, os solos derivados de rochas cidas, como os granitos e osxistos, predominam nas regies do Minho e da Beira Litoral. Acresce, ainda que,nestas regies, a pluviosidade elevada o que, conjugado com a natureza do

    material originrio do solo, justifica a predominncia de solos cidos. J no Sul dopas, com menor pluviosidade e grandes manchas de rochas bsicas, muitas deorigem calcria, predominam os solos neutros ou mesmo ligeiramente alcalinos.

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    MATRIAORGNICAA matria orgnica do solo formada por restos de plantas e de outros

    seres vivos, parcial ou completamente decompostos. Inclui, tambm, seresvivos (os organismos do solo) e uma mistura complexa de material orgni-co j decomposto e modificado, designado por hmus, que representa, nor-malmente, 60% a 80% da matria orgnica total dos solos (VARENNES,2003). principalmente no hmus que residem as propriedades coloidaisda matria orgnica, possuindo uma capacidade de troca catinica supe-rior da argila.

    A matria orgnica do solo constitui fonte de nutrientes para as plantas,designadamente de azoto, fsforo, enxofre e micronutrientes, fornecendo,

    ainda, o carbono e a energia necessrios aos organismos heterotrficos dosolo. Contribui, tambm, para a reteno de nutrientes, atravs da capacida-de de troca catinica e da formao de quelatos.

    A quantidade e o tipo de matria orgnica presentes na camada superficialdo solo influenciam as suas propriedades fsicas, qumicas e biolgicas. Emparticular, afectam a estabilidade da estrutura do solo, a facilidade do seu

    cultivo, a sua capacidade de reteno para a gua e a disponibilidade dosnutrientes para as plantas. Influenciam, igualmente, o comportamento doseventuais contaminantes veiculados atravs da aplicao de determinadosprodutos ao solo.

    !

    O teor de matria orgnica , geralmente, mais baixo nos solos culti-vados do que nos no cultivados. Nestes existe um equilbrio entre as

    perdas de matria orgnica devidas actividade dos microrganismos e asadies resultantes da incorporao dos resduos vegetais e animais.

    Tambm nas pastagens permanentes, os teores de matria orgnicaso mais elevados do que nos solos sujeitos a cultivo anual, particular-mente se a quantidade de resduos orgnicos incorporados no solo forreduzida.

    Em Portugal continental, os solos agrcolas apresentam teores de mat-ria orgnica geralmente baixos a mdios (LQARS, 2000). Constituem ex-cepo, com teores altos e muito altos, os solos da regio do Minho e de

    reas muito restritas de Trs-os-Montes e da Beira Litoral, normalmenteassociadas a zonas de altitude mais frias ou a sistemas culturais intensivoscom aplicaes frequentes de estrumes.

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    DISPONIBILIDADEDOSOLOEMNUTRIENTESAs plantas necessitam de dispor de um

    conjunto equilibrado de nutrientes no solo,para que possam atingir a sua expressomxima de crescimento e desenvolvimen-to. Entre estes, destacam-se os macronu-trientes (azoto, fsforo, potssio, clcio,magnsio e enxofre) e os micronutrientes(ferro, mangans, zinco, cobre, boro emolibdnio). Outros elementos so consi-derados benficos para algumas culturas

    como, por exemplo, o sdio.A disponibilidade dos nutrientes para

    as plantas depende das transformaesque sofrem no solo e do resultado do ba-lano entre as entradas e sadas do siste-ma solo-planta.

    Neste contexto, a taxa de mineralizao da matria orgnica do solo particularmente importante, na mediada em que dela depende a disponibili-zao de um conjunto de nutrientes essenciais ao crescimento e desenvol-

    vimento das plantas, como sejam o azoto, o fsforo, o enxofre e algunsmicronutrientes.

    No entanto, a disponibilidade de nutrientes no solo est, ainda, dependentede um conjunto de reaces complexas que nele tm lugar, como sejam reac-es de adsoro, de precipitao e de quelatao por ligandos orgnicos,que podem impedir, mesmo que temporariamente, a utilizao de determina-dos nutrientes pelas plantas, embora se encontrem no solo.

    AZOTOO azoto o nutriente que mais frequentemente limita a produo das

    culturas agrcolas.

    E LE M E N TOS E S S E N C I A I S A OC R E S C I M E N TO E D E S E N V OL-V I M E N TO D A S P L A N TA S

    Entre os elementos indispensveis aocrescimento e desenvolvimento dasplantas, encontram-se, para alm do car-bono, do hidrognio e do oxignio, um con-

    junto designado por macronutrientes, que

    inclui o azoto, o fsforo, o potssio, o cl-cio, o magnsio e o enxofre, e um outro, osmicronutrientes, formado pelo ferro, man-gans, zinco, cobre, boro e molibdnio.

    Mais de 95% do azoto presente no solo encontra-se sob a forma orgnica,estimando-se em 1% a 3% a taxa de mineralizao anual desse azoto(VARENNES, 2003).

    !

    O azoto presente no solo sob a forma mineral diz essencialmente respeitoao azoto amoniacal fixado nos minerais de argila.

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    A quantidade de azoto que mineralizada no solo a partir da matriaorgnica e que pode ser utilizada pelas plantas depende de muitos factores,como sejam o teor de matria orgnica e a sua relao carbono/azoto (C/N),a temperatura, o teor de humidade, o valor do pH, a poca do ano e a duraodo ciclo cultural, entre outros.

    Como valores indicativos, estima-se que por cada unidade percentual dematria orgnica existente na camada arvel do solo sejam mineralizados,anualmente, 30 kg e 45 kg de azoto por hectare, respectivamente em solos detextura fina e de textura ligeira (MADRP, 1997).

    FSFORO

    A seguir ao azoto, o fsforo o elemento que, entre ns, mais frequente-mente limita a produo das culturas agrcolas.

    Ao contrrio do azoto, as formas de fsforo predominantes no solo sominerais, representando as formas orgnicas, de um modo geral, cerca de 20%a 30% do fsforo total presente na camada arvel do solo (VARENNES, 2003).

    !

    A disponibilidade do fsforo no solo , geralmente, baixa e apenas umapequena fraco do nutriente veiculado pelos fertilizantes absorvida pelasplantas no ano seguinte ao da sua aplicao. O nutriente apresenta, assim,um importante efeito residual no solo que permite a sua utilizao nos anossubsequentes ao da aplicao do fertilizante.

    O fsforo aplicado pode ser retido no solo atravs de um conjunto deprocessos, entre os quais se encontram a adsoro e a precipitao, passan-do da forma solvel para outras menos solveis e, por consequncia, menosdisponveis para as plantas.

    A reteno do fsforo no solo, atravs de reaces de adsoro, ocorre

    para todos valores de pH do solo. Nos solos cidos, a maior parte do fsforoencontra-se adsorvido superfcie de minerais de argila e xidos e hidrxidosde ferro e alumnio, entre outros.

    A reteno do nutriente atravs de reaces de precipitao, em soloscidos, envolve, principalmente, o ferro e o alumnio que reagem com o fsfo-ro formando compostos insolveis e, nos solos calcrios, o clcio, dando ori-gem a fosfato de clcio, muito pouco solvel.

    POTSSIO

    Contrariamente ao fsforo, a maioria dos nossos solos cultivados apre-senta naturalmente teores elevados de potssio. A principal excepo diz

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    respeito aos solos derivados de areias e arenitos, em que o mineral domi-nante o quartzo.

    A maior parte do potssio presente nos solos (cerca de 90% a 98% do total)encontra-se nos minerais primrios, como micas e feldspatos (VARENNES, 2003).!

    Grande parte do potssio presente no solo encontra-se em formas noassimilveis pelas plantas, fazendo parte dos minerais primrios e secund-rios das argilas. Uma pequena parte encontra-se adsorvida no complexo detroca e outra, ainda menor, dissolvida na soluo do solo. Estas duas formasconstituem o designado potssio assimilvel, que se encontra disponvel para

    as plantas.Embora o potssio no seja to fortemente retido no solo como o fsforo,existem possibilidades de enriquecimento das terras neste nutriente.

    CLCIO E MAGNSIO

    O clcio encontra-se presente no solo sob vrias formas, fazendo parte daconstituio de diversos minerais, dos quais o mais vulgar a calcite, ou

    adsorvido no complexo de troca onde , geralmente, o catio dominante.

    !

    Nos solos neutros, as plantas raramente tm dificuldades na sua absor-o. J nos solos cidos, apesar de, por vezes, apresentarem quantidadessignificativas de clcio total, as situaes de carncia podem ocorrer, nomea-damente em culturas mais exigentes. Este facto resulta do grau de saturaoem bases ser baixo nestes solos.

    O excesso de clcio, traduzido por um grau de saturao no complexo de

    troca muito elevado, ou pela presena de carbonatos, manifesta-se principal-mente por desequilbrios nutricionais, tendo as plantas dificuldades na absor-o de outros elementos, como sejam o magnsio, o ferro, o mangans e ozinco, entre outros.

    O magnsio apresenta um comportamento idntico ao do clcio no solo,encontrando-se, igualmente, adsorvido no complexo de troca onde ,geralmente, o segundo catio de troca mais importante, a seguir ao clcio.

    !

    As situaes de deficincia de magnsio surgem, geralmente, em solosarenosos naturalmente pobres no nutriente, em solos cidos sujeitos a cala-

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    gens com calcrio calctico e em solos muito ricos em potssio (devido aodesequilbrio na sua relao potssio/magnsio).

    O clcio e o magnsio disponveis para as plantas resultam das quantida-des presentes na soluo do solo e no complexo de troca.

    ENXOFRE

    O enxofre encontra-se sobretudo associado matria orgnica do solo,representando as formas orgnicas do nutriente 90% a 95% do enxofre totalpresente nos solos das regies temperadas hmidas (VARENNES, 2003).

    !

    So ainda de considerar, como fonte do nutriente, as deposies atmosf-ricas de SH2.

    Em zonas de baixa pluviosidade, o enxofre do solo, na sua forma mineral,tende a acumular-se nas camadas subsuperficiais, por vezes em grandes quan-tidades.

    A deficincia de enxofre rara em solos com nveis adequados de mat-ria orgnica, sendo de salientar, no entanto, que as deficincias tendem aaumentar, sobretudo devido ao uso cada vez mais frequente de adubos emcuja composio no entra o enxofre (LQARS, 2000).

    MICRONUTRIENTES

    Os teores de micronutrientes presentes no solo dependem, essencialmen-te, da natureza da rocha que lhe deu origem.

    Na maioria dos casos, os teores de micronutrientes presentes no solo sosuficientes para assegurar uma nutrio adequada das plantas.

    !

    Os casos em que se torna necessrio proceder sua aplicao dizemrespeito, de um modo geral, a situaes resultantes de valores de pH do soloinadequados ou de desequilbrios entre nutrientes. Tal o caso, por exemplo,de situaes em que existe excesso de fsforo, que pode induzir deficinciasde zinco, particularmente em culturas mais exigentes neste micronutriente.

    A carncia de ferro de esperar em solos de pH elevado, sendo frequenteem solos com carbonatos ou sujeitos a calagens excessivas (sobrecalagem).

    Quanto ao mangans, a sua carncia pode ocorrer nos solos de pH maiselevado, tal como o ferro. Em solos cidos surge, muitas vezes, em situaode excesso, podendo causar problemas de toxicidade em muitas culturas.

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    O zinco surge, frequentemente, em situao de deficincia no solo, aocontrrio do cobre, cuja deficincia rara. Pelo contrrio, situaes de toxi-cidade de cobre so relativamente frequentes em solos cidos ocupados hlongos anos com vinha.

    As situaes de carncia de boro surgem com certa frequncia nos solosarenosos, onde o nutriente facilmente lixiviado, ou em solos calcrios, comuma relao clcio/boro desfavorvel.

    O molibdnio apresenta um comportamento no solo contrrio ao dosrestantes nutrientes caties, sendo a sua carncia apenas de recear emsolos cidos.

    PRINCIPAISCAUSASDEDEGRADAODOSOLOCOMORIGEMNASACTIVIDADESAGRO-PECURIAS

    A degradao dos solos agrcolas, devida aos processos de eroso ou decontaminao qumica, pode apresentar consequncias importantes na eco-

    nomia dos pases, na medida em que restringe a sua capacidade produtiva,encontrando-se, tambm, associada diminuio da qualidade de guas sub-terrneas e superficiais, bem como do ar.

    A degradao dos solos agrcolas est intimamente relacionada comas prticas a que est sujeito, particularmente os sistemas produoadoptados, as mobilizaes praticadas e a incorporao de resduos efectuada.

    !

    A este propsito, recorda-se que, actualmente, o solo utilizado para reci-clar os nutrientes contidos numa grande variedade de resduos, muitos delesimportados de outras actividades, que no a agricultura. Esto neste caso,

    por exemplo, as lamas provenientes das estaes de tratamento de esgotos eos resduos slidos urbanos.

    Trata-se de uma importante funo do solo, qual podero estar as-sociados diversos problemas se existirem contaminantes nos resduos queafectem a actividade dos microrganismos do solo, de que so exemplo os

    metais pesados ou os micropoluentes orgnicos, ou se esses resduos fo-rem portadores de agentes patognicos, correndo-se, ento, o risco da suadisperso no meio.

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    A contaminao da cadeia alimentar, atravs da acumulao de ele-mentos no solo como os metais pesados, possvel, especialmente se,como o cdmio, esses elementos forem facilmente absorvidos pelas cultu-ras agrcolas.

    A eroso do solo continua a ser, no entanto, a principal causa de degrada-o dos solos agrcolas, conduzindo ao seu empobrecimento por perda dacamada superficial, mais rica em matria orgnica e perda de espessura efec-tiva. Este processo est intimamente associado eutrofizao das guas su-

    perficiais, pela quantidade de nutrientes que liberta no meio, e ao assoreamentode rios, ribeiras e guas interiores.

    Em Portugal continental, a principal causa de degradao do solo , tam-bm, a eroso hdrica.

    EROSOA eroso o processo atravs do qual as partculas do solo so transpor-

    tadas de um local para outro, por aco do vento (eroso elica) ou da gua(eroso hdrica). um processo natural, estando na origem dos solos de alu-vio ou da acumulao nos vales dos materiais provenientes das encostas.

    A perda de solo devida eroso de origem hdrica o problema ambientalmais grave provocado pela actividade agrcola em Portugal (MADRP, 2000),conduzindo reduo da fertilidade dos solos por perda da camadasuperficial, mais rica em matria orgnica, nutrientes minerais e organismosvivos e ao assoreamento dos cursos de gua e das albufeiras.

    !

    A eroso hdrica ocorre sempre que a capacidade de infiltrao do solo inferior precipitao ocorrida, dando ento origem ao escoamento superfi-cial da gua que arrasta partculas de solo em suspenso. Se a precipitaofor elevada e concentrada num curto perodo de tempo, os problemas deeroso, principalmente em solos declivosos no protegidos, so agravadoscom o aumento da velocidade de escoamento da gua, provocando verdadei-ras ravinas e perdas importantes de solo. Estima-se que tais situaes pos-sam ocorrer se se verificarem precipitaes superiores a 15 mm dirios ousuperiores a 4 mm numa hora (MAFF, 1998).

    Algumas prticas culturais aumentam os riscos de eroso hdrica, em par-ticular as que deixam a superfcie do solo desprotegida durante as pocas doano de maior precipitao.

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    So exemplos de prticas culturais que aumentam o risco de eroso, asucesso de culturas cerealferas em solos considerados marginais e as mo-

    bilizaes do solo demasiado frequentes, realizadas fora do perodo de sazoou com recurso a equipamentos que pulverizam a camada superficial do solo,facilitando o seu arrastamento pela gua.

    Para alm da perda de solo, a eroso hdrica pode dar origem contaminao de guas superficiais atravs de nutrientes e resduosde pesticidas arrastados nas partculas em suspenso na gua.

    !

    No caso de solos ricos em fsforo, talpode mesmo originar fenmenos de eu-trofizao de cursos de gua ou albufei-ras. Nesta situao, o teor do nutriente nasguas aumenta de forma considervel, pro-vocando um crescimento acelerado de al-gas e plantas aquticas que reduz os nveisde oxignio dissolvido na gua, dando ori-gem morte de peixes e de outras formas

    de vida aqutica.Para alm dos fenmenos de eutrofi-

    zao, o excesso de sedimentos arrasta-dos pelas guas de escorrimento superficial conduz ao assoreamento

    progressivo de cursos de gua e albufeiras.

    ACIDIFICAOA acidificao um processo natural, lento e gradual, que ocorre em

    todos os solos, sendo acelerado em solos cultivados devido remoo, pelasplantas instaladas, de certos caties bsicos. Tambm nas regies de maiorpluviosidade, os solos apresentam tendncia para serem mais cidos, dada alavagem das bases de troca que se verifica naquelas regies.

    E U TR OFI ZA O D A S GU A SS U P E R F I C I A I S

    Os solos muito ricos em fsforo, sujei-tos a fenmenos de eroso hdrica,constituem uma importante fonte de con-taminao difusa, dando lugar eutrofiza-o das guas superficiais devida perda

    do nutriente atravs da gua de escor-rimento superficial.

    A extenso do processo de acidificao depende do tipo de solo,

    das culturas em presena e dos fertilizantes aplicados, em especialdos que contm azoto sob a forma amoniacal ou orgnica,bem como das deposies atmosfricas de NH3.

    !

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    A no ser que o solo seja naturalmente rico em carbonatos, ou que sejaregularmente sujeito a calagem, a acidez do solo vai aumentando at atingirdeterminado equilbrio.

    Em solos cultivados, a aplicao de fertilizantes pode conduzir a uma di-minuio do valor do pH do solo, nomeadamente nos casos de fertilizantesorgnicos e de alguns adubos acidificantes, como o sulfato de amnio.

    Tambm a adopo de sistemas de conservao do solo, como a mobiliza-o mnima ou a sementeira directa, ao promoverem a acumulao de resduosorgnicos e a consequente actividade microbiana, conduzem acidificao dacamada superficial do solo.

    Apenas um nmero limitado de espcies vegetais suporta nveis de aci-dez do solo muito elevados (solos com valores de pH inferior a 4), no

    sendo estes solos, de um modo geral, susceptveis de serem utilizados naagricultura.A gua de drenagem destes solos pode conter elementos txicos, como

    o alumnio, podendo afectar plantas aquticas e peixes ao drenarem paraguas superficiais.

    COMPACTAO

    A compactao do solo consequncia da degradao da sua estrutura,resultando, de um modo geral, da circulao de mquinas agrcolas em so-los com excesso de humida-de, ou da sua pulverizaoexcessiva devida a opera-es de mobilizao. Pode,ainda, ser devida ao pisoteiodo gado em condies desobrecarga animal, principal-mente se o solo apresentarexcesso de humidade.

    A compactao do sololimita o crescimento das ra-zes e reduz a infiltrao dagua no solo, aumentando oescorrimento superficial. O solo fica, assim, mais exposto aos processos deeroso e ao arrastamento de nutrientes e resduos de pesticidas para as

    guas superficiais. Por outro lado, o arejamento dos solos compactados difcil, restringindo a actividade dos microrganismos do solo e o crescimen-to das razes.

    EFEI TOS DA COMPACTAODO SOLO

    Acompactao reduz a infiltrao da

    gua no solo, conduz ao seu enchar-camento, restringe a actividade biolgica ea actividade radicular. Do ponto de vistaambiental, ao promover o escorrimento su-perficial, aumenta o risco de eroso do soloe a contaminao de guas superficiais.

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    CONTAMINAOA contaminao do solo pode ter origem em diversos eventos, alguns na-

    turais e outros provocados pela aco directa do homem. Assim, a aplicaocontinuada de efluentes lquidos industriais ou provenientes das pecuriasintensivas, de estrumes, de lamas de depurao, de produtos fitofarma-cuticos, de adubos e de gua de rega contaminada ou, ainda, as deposiesatmosfricas resultantes da actividade industrial, podem conduzir a proces-sos de contaminao lenta e gradual.

    Tal contaminao pode, tambm, ser proveniente da ocorrncia de even-tos especficos, tais como derramamentos acidentais de efluentes industriaise depsito de lixos, conduzindo a um estado de contaminao do solo imedia-

    to e igualmente difcil de remediar. Do mesmo modo, as actividades de explo-rao mineira, quando exercidas sem o devido acompanhamento tcnico,

    podem constituir uma fonte de contaminao directa dos solos adjacentes,nomeadamente atravs da deposio dos resduos da explorao e do trata-mento dos minrios.

    A contaminao do solo tambm pode ter origem em processos naturais,resultantes da deposio, em zonas baixas, de materiais contaminados prove-nientes das encostas.

    Os contaminantes do solo incluem, designadamente os metais pesados,como o cobre, o zinco, o nquel, o chumbo, o crmio e o cdmio, quetendem a permanecer no solo indefinidamente, embora o seu estadoqumico possa ser gradualmente alterado.

    !

    De acordo com VARENNES (2003), os tempos de residncia no solo docdmio, do chumbo e do mercrio so respectivamente de 300 a 3000, 400 a

    3000 e 900 anos.Os contaminantes orgnicos incluem molculas orgnicas, geralmente de

    sntese, como produtos fitofarmacuticos ou solventes industriais, podendo serdegradados, em certa extenso, pelos microrganismos do solo, dando origem acompostos qumicos que, por vezes, so igualmente contaminantes do solo.

    METAISPESADOSOs metais pesados mais frequentemente associados a problemas de into-

    xicao humana so o chumbo, o cdmio e o mercrio.

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    No caso das plantas, alguns dos metais pesados susceptveis de causarproblemas de toxicidade, reduzindo a sua produtividade ou causando a suamorte em situaes mais extremas, so nutrientes, como o zinco e o cobre,enquanto outros, como