Maquina Trecho

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Trecho do livro Maquina Dif.

Text of Maquina Trecho

  • A Mquina Diferencial

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  • outros ttulos de ficopublicados pela aleph

    isaac asimovFundao

    Fundao e ImprioSegunda Fundao

    O Fim da EternidadeOs Prprios Deuses

    Anthony BurgessLaranja Mecnica

    Edgar Rice BurroughsUma Princesa de Marte

    Arthur C. ClarkeO Fim da Infncia

    Encontro com Rama

    Philip K. DickO Homem do Castelo Alto

    Os Trs Estigmas de Palmer EldritchUbikValis

    William GibsonReconhecimento de Padres

    NeuromancerCount Zero

    Mona Lisa Overdrive

    Ursula K. Le GuinA Mo Esquerda da Escurido

    Frank HerbertDuna

    Kim NewmanAnno Dracula

    Neal StephensonNevasca (Snow Crash)

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  • William GibsonBruce Sterling

    Traduo

    Ludimila Hashimoto

    A Mquina Diferencial(The Difference Engine)

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  • Copyright William Gibson e Bruce Sterling, 1991Copyright Editora Aleph, 2012

    (edio em lngua portuguesa para o Brasil)

    TTULO ORIGINAL: The difference engine CAPA: RS2 Comunicao MAPA: G D S / Jeffrey L. Ward (adaptado por RS2 Comunicao) COPIDESQUE: Dbora Dutra Vieira Marcos Fernando de Barros Lima REVISO: Hebe Ester Lucas PROJETO GRFICO: Neide Siqueira EDITORAO: Join Bureau COORDENAO EDITORIAL: Dbora Dutra Vieira Marcos Fernando de Barros Lima DIREO EDITORIAL: Adriano Fromer Piazzi

    Todos os direitos reservados. Proibida a reproduo, no todo ou em parte, atravs de quaisquer meios.

    EDITORA ALEPH LTDA.Rua Joo Moura, 397

    05412-001 So Paulo SP BrasilTel.: [55 11] 3743-3202Fax: [55 11] 3743-3263

    www.editoraaleph.com.br

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Gibson, WilliamA mquina diferencial / William Gibson & Bruce Sterling ; traduo Ludi-

    mila Hashimoto So Paulo : Aleph, 2010.

    Ttulo original: The difference engine.ISBN 978-85-7657-110-0

    1. Fico norte-americana. I. Sterling, Bruce. II. Ttulo.

    10-13182 CDD-813

    ndice para catlogo sistemtico:1. Fico : Literatura norte-americana 813

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  • Nota edio brasileira ........................................................................................ 9

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    Extras

    Posfcio edio comemorativa de 20 anos ............................................. 431

    Guia de personagens ...................................................................................... 437

    Glossrio .......................................................................................................... 443

    Fontes ............................................................................................................... 453

    Mapa O mundo de A Mquina Diferencial (1855) ................................... 455

    Sumrio

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  • Nota edio brasileira

    Em meados dos anos 1980, William Gibson (Neuromancer) e Bruce Sterling (Piratas de Dados) dois dos maiores nomes da fi co cient-fi ca contempornea uniram histria, tecnologia, imaginao e muito talento para criar o inusitado universo de A Mquina Diferencial (Th e Diff erence Engine), texto que se tornaria um marco da literatura steampunk um sub-gnero da fc que mescla seus elementos mais clssicos esttica vitoriana e engenhos a vapor.

    Indito em lngua portuguesa desde seu lanamento, em 1991, o livro chega ao Brasil em uma edio especialmente preparada no apenas para os fs do gnero, mas para todos que apreciam a boa literatura.

    A traduo meticulosa exigiu extensa pesquisa histrica e lingustica, para adaptar com maestria todos os aspectos desta complexa obra. Expresses idiomticas, trocadilhos e referncias literrias foram esmiuados e adaptados para o portugus, buscando sempre manter a aura do sculo xix presente nos dilogos e descries. Tambm foi incorporado o posfcio escrito pelos auto-res para a edio comemorativa de 20 anos da obra, no qual Gibson e Sterling fazem uma releitura e uma reavaliao do trabalho.

    Foi criado tambm material exclusivo, elaborado pela equipe editorial da Aleph, para ajudar o leitor a atravessar o mar de referncias histricas e peculia-

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  • 10 A Mquina Diferencial

    ridades do livro. Um guia de personagens, tanto histricos como fi ccionais, e um glossrio dos termos mais incomuns especfi cos, arcaicos ou simples-mente inventados pelos autores , alm das fontes consultadas para a cons-truo de ambos.

    Esquea o hoje. Esquea o ontem. Reitere at 1855. Bem-vindo a uma Inglaterra como nunca concebida...

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  • A MQUINA DIFERENCIAL

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  • Primeira Iterao

    O Anjo de Goliad

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  • FOTOMONTAGEM, CODIFICADA OPTICAMENTE pela embarcao de escolta da aeronave trans-Canal Lorde Brunel: vista area das cercanias de Cherbourg, 14 de outubro de 1905.Uma casa de campo, um jardim, uma sacada.Elimine as linhas curvas em ao fundido da sacada, para revelar a cadeira

    de rodas e sua ocupante. O refl exo do pr do sol cintila nos raios niquelados da cadeira.

    A ocupante, dona da casa, repousa as mos artrticas sobre o tecido feito em tear Jacquard.

    Essas mos consistem de tendes, tecido, articulaes. Por meio de pro-cessos silenciosos de tempo e informao, fi bras no interior das clulas huma-nas entrelaaram-se para formar uma mulher.

    Seu nome Sybil Gerard.Abaixo dela, num jardim formal abandonado, trepadeiras sem folhas en-

    tranam trelias de madeira nos muros cuja camada de cal est descascando. Das janelas abertas do quarto da enferma, uma corrente de ar quente agita os cabelos brancos soltos no pescoo, trazendo odores de fumaa de carvo, jas-mim e pio.

    Sua ateno est fi xada no cu, na silhueta de imensa e fascinante graa o metal, que no intervalo de tempo da vida dela, aprendera a voar sozinho. frente desse esplendor, aeroplanos minsculos no tripulados mergulham e si-bilam contra o horizonte vermelho ao fundo.

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  • 16 A Mquina Diferencial

    Como estorninhos, pensa Sybil.As luzes dos aeroplanos janelas quadradas da cor do ouro sugerem

    calor humano. Sem esforo algum, com a graa incomparvel da funo org-nica, ela imagina uma msica distante l, a msica de Londres: os passageiros desfi lam, bebem, fl ertam, talvez dancem.

    Os pensamentos vm de modo espontneo, a mente vai formando pers-pectivas, acumulando signifi cado a partir de emoes e lembranas.

    Ela recorda sua vida em Londres. Lembra-se de si mesma, h tanto tempo, caminhando pelo Strand, abrindo caminho na multido em Temple Bar. Segue em frente, a cidade da Memria insinuando-se ao seu redor... At que, junto s muralhas de Newgate, surge a sombra do enforcamento de meu pai...

    E a Memria faz a curva, num desvio gil como a luz, para outra estrada deserta na qual sempre noite...

    dia 15 de janeiro de 1855.Um quarto no Grands Hotel, Piccadilly.

    Havia uma cadeira escorada para trs, presa com segurana sob a maa-neta de vidro lapidado. Outra estava coberta de roupas: um mantelete femi-nino debruado, saia de estamenha com crosta de lama, uma cala masculina xadrez e fraque.

    Duas formas encontravam-se sob os lenis na cama de bordo laminado com baldaquino e, distante, sob a opresso do inverno, o Big Ben anunciouas dez, em forte e rouco som aerofnico, a respirao de Londres abastecida pelo carvo.

    Sybil deslizou os ps entre as alvas roupas de cama at sentir o calor da bolsa trmica de cermica envolta em fl anela. Os dedos do p roaram a canela dele. O toque pareceu despert-lo bruscamente de um estado de refl exo pro-fundo. Assim era ele, Mick Dndi Radley.

    Ela havia conhecido Mick Radley na Academia de Dana de Laurent, na Windmill Street. Agora que o conhecia bem, parecia-lhe mais um habitu do Kellner, na Leicester Square, ou mesmo do Portland Rooms. Estava sempre pensando, maquinando, resmungando sobre algo que tivesse em mente. Muito sagaz. Isso a preocupava. E a sra. Winterhalter no o teria aprovado, pois o trato

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    com cavalheiros polticos exigia sutileza e discrio, qualidades que a sra. Winterhalter acreditava ter ela mesma em abundncia, ao passo que no atri-bua nenhuma s suas meninas.

    Chega dessa vida de rameira amadora, Sybil disse Mick. Uma de suas manifestaes, uma concluso a que sua mente hbil chegara.

    Sybil deu-lhe um sorriso afetado, o rosto meio oculto pela ponta aque-cida do cobertor. Sabia que ele gostava do sorriso. O sorriso de garota m. No deve estar falando a srio. Responda com uma piada, pensou.

    Mas se eu no fosse uma rameira devassa, estaria aqui com voc agora? Basta de fazer-se de meretriz. Voc sabe que s cortejo cavalheiros.Mick torceu o nariz, divertindo-se. Considera-me um cavalheiro, ento? Um cavalheiro muito bem-apessoado disse Sybil, bajulando-o. Dos