materia administrativo

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MODULO DE ADM GUILHERME PENA CEPAD COPACABANA JANEIRO DE 2006 Aula n 1 Tema: Administrao Pblica INTRODUO A base do direito administrativo moderno o estudo da nova administrao pblica e o estudo dos 3 setores administrativos. O que Administrao Pblica? um conjunto de agentes, rgos e entidades, incumbidos do exerccio da funo administrativa. Ento, a todo agente, rgo ou entidade que estiver incumbido do exerccio dessa funo administrativa, dar-se- o nome de Administrao Pblica. A partir desse conceito importante colocarmos 3 notas: 1.H uma distino entre o termo Governo e o termo Administrao Pblica. Ns podemos dizer que Governo um conjunto de agentes, rgos e entidades que integram a estrutura constitucional do Estado. Alm disso, Governo investido de Poder Poltico. Ento, Governo um conjunto de agentes, rgos e entidades que integram a estrutura Constitucional do Estado, investido de Poder Poltico. Dessa segunda caracterstica decorre a terceira, qual seja: matria exclusiva de Direito Constitucional. Tanto que no Direito Constitucional vocs estudam formas de governo e sistemas de governo. No isso que veremos agora. Ns vamos analisar a Administrao Pblica, que exatamente o contrrio: o conjunto de agentes, rgos ou entidades que integram a estrutura administrativa do Estado. Quando se diz que eles esto incumbidos do exerccio da funo administrativa, se quer dizer que eles integram a estrutura administrativa do Estado. Portanto, a Administrao Pblica no se encontra investida de Poderes Polticos, mas sim de Poderes Administrativos. Disso decorre que Administrao Pblica Constitucional, mas sim de Direito Administrativo. Portanto, Administrao antagnicas ao Governo. Pblica tem 3 no matria de Direito

caractersticas

absolutamente

Alis, a diferena primordial que existe entre os dois principais temas do Direito Pblico esta: o Direito Constitucional estuda Governo; estuda estrutura e por isso tem carter esttico. Agora, Direito Administrativo estuda administrao; estuda funcionamento e por isso tem carter dinmico. Vocs podem perceber que os administrativistas adoram o termo mquina, porque d uma idia de movimento.

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2.Dentro dessa Administrao Pblica devemos fazer uma segunda considerao. H diferena entre Administrao Pblica (com letras maisculas), ou Administrao Pblica em sentido subjetivo, e administrao pblica (com letras minsculas), ou administrao pblica em sentido objetivo. Administrao Pblica (em sentido subjetivo): a estrutura administrativa, que estudaremos agora, isto , os setores administrativos, os agentes, rgos, etc. Agora, a administrao pblica (em sentido objetivo) colocada como atividade administrativa, que estudaremos ao longo do curso. 3.Quando se comea a estudar a estrutura administrativa do Brasil, qual o princpio fundamental dessa estrutura? o princpio da descentralizao. Essa descentralizao tem graus diferenciados, que vo explicar diversos fenmenos. Por exemplo: nenhum autor se preocupa em explicar de onde surgiram os 3 setores da Administrao Pblica. exatamente esse princpio que d origem aos trs setores. Vamos abandonar a velha dicotomia do Hely Lopes Meirelles, que falava em desconcentrao e descentralizao, porque isso est ultrapassado e no explica as ONGs. melhor falarmos em descentralizao e escalonarmos em graus. exatamente esse o tema que vamos comear a tratar hoje. O que descentralizao? Significa tcnica de especializao de atividades estatais. Essa descentralizao tem 4 graus, conforme a intensidade que ela tenha. Mas essa diferena de grau vai se dar em decorrncia de uma distino entre rgo e entidade. Guardem que a entidade sempre personalizada, ou seja, goza de personalidade jurdica; Pessoa Jurdica, seja de Direito Pblico ou Privado; no importa. O Estado do Rio de Janeiro uma entidade, inclusive Federativa. Agora, o rgo no Pessoa Jurdica. No personalizado. rgo um centro de atribuies. Ou, de uma outra forma: uma universalidade de direito, mas pessoa jurdica no . Por ex.: O Estado do Rio de Janeiro uma Entidade, mas o MP, a Defensoria Pblica, a PGE, o Poder Judicirio, todos do Rio de Janeiro so rgos que pertencem a essa entidade. Percebam que pode at ter capacidade processual, mas pessoa jurdica no so. o que Pontes de Miranda chamava de capacidade judiciria.

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Considerem como entidade a Unio. Ela possui um rgo central, que a Presidncia da Repblica. A partir disso ns vamos decompor os graus diferenciados. 1.Pode haver um primeiro grau, que o mais rudimentar possvel. onde existe uma especializao de atividade para outro rgo dentro da mesma entidade. Por exemplo: a Presidncia atribui uma atividade a um Ministrio. So dois rgos (Presidncia e Ministrio) pertencentes a uma Entidade (Unio). Agora, tomem cuidado com o seguinte: Presidente e Ministro so Agentes, mas Presidncia e Ministrio so rgos. Ento, vejam que houve atribuio de uma atividade estatal de um rgo (Presidncia da Repblica) para outro rgo (Ministrio do Estado). Ou seja, a atribuio especializao da atividade estatal de um rgo para outro rgo, ambos no mbito da mesma entidade. Esse primeiro grau chamado de descentralizao hierrquica. o que o prof. Hely Lopes Meirelles chamava de desconcentrao. 2.Num segundo nvel, podemos especializar essa atividade no no mesmo rgo, mas para outra entidade: isto , uma pessoa jurdica autnoma. Mas essa entidade ainda est na rbita estatal. Isso significa: manter vnculo de natureza legal. Pelo fato de esse vnculo ser legal que se pode dizer que essa entidade est dentro da rbita do Estado. Exemplo: autarquia criada por lei pelo Estado. uma pessoa jurdica autnoma que est dentro da rbita estatal. Outro exemplo: fundao pblica no criada pelo Estado, mas ele autoriza que ela seja criada. Isso tambm vale para a Empresa Pblica e para a Sociedade de Economia Mista. So Pessoas Jurdicas autnomas, portanto no se confundem com a Entidade que a criou, mas mantm em relao a ela vnculo legal. Esse segundo nvel se chama: descentralizao institucional. o que Hely Lopes Meirelles chamava de, pura e simples, descentralizao. Em alguns livros vocs vo encontrar meno Outorga, que sinnimo.3

3.Num terceiro nvel, vamos especializar funes para outra Entidade (pessoa jurdica), s que fora da rbita estatal. Isto , atribuir essa atividade estatal para uma pessoa jurdica autnoma que no est na rbita do Estado. No mantm vnculo legal, mas sim contratual. Ex.: concessionria de servio pblico: h um contrato de concesso de servio pblico mantido entre uma entidade privada e o Estado. Outro exemplo: permissionria de servio pblico: h um contrato administrativo de permisso de servio pblico (segundo a doutrina majoritria) entre o Estado e a Permissionria. Para quem admitir Autorizao do servio pblico, temos uma autorizao que atribui um servio do Estado a um particular. Ento, na concesso, na permisso e na autorizao, existe um vnculo que no decorre de lei, mas sim de contrato. Nesse terceiro nvel, ns damos o nome de descentralizao por delegao. o que a doutrina antiga chamava de delegao. Notem que outorga decorre de lei e delegao decorre de contrato. At aqui os autores clssicos iam. 4.S que foi verificado um novo fenmeno que poderia configurar um quarto nvel. Percebam que em todos os casos houve uma prvia atribuio de uma atividade estatal. Vejam que na descentralizao hierrquica (1) houve uma atribuio prvia de uma atividade estatal a outro rgo no mbito da mesma entidade. Na descentralizao institucional (2) houve uma atribuio prvia de atividade estatal a outra entidade com vnculo legal. Na descentralizao por delegao (3) houve uma atribuio prvia de atividade estatal a outra entidade com vnculo contratual. S que at aqui no possvel explicar as Organizaes No-Governamentais (ONGs). So aquelas que nada foi atribudo. O quarto nvel aquele que no existe uma atribuio prvia da atividade estatal, mas existe o reconhecimento posterior da atividade privada. Ou seja, o Estado no atribui previamente atividade dele. O Estado reconhece posteriormente atividade privada como vlida. Por exemplo: ningum atribuiu LBV nenhuma atividade estatal, mas o Estado reconhece que essa atividade vlida e importante. Outro exemplo: o Estado no deu Associao do Moradores da Rocinha poder para citar ou intimar, mas todos sabem que qualquer oficial de justia que pretenda subir o morro, no desce mais. As ONGs so entes privados que desenvolvem atividades e que o Estado reconhece posteriormente como vlidas e importante. Ex.: associaes de moradores, associaes assistenciais sem fim lucrativos, etc. Nesse quarto nvel, temos o que h de mais moderno, que a descentralizao social. Tambm chamada por alguns de reconhecimento. Enfim, o reconhecimento posterior das atividades privadas. Demos essa volta toda para dizer o seguinte: os trs setores que formam a Administrao Pblica nascem da.4

O primeiro setor nasce do nvel 1 e do nvel 2. Vejam que no nvel 1 temos uma entidade a partir da qual vai surgir essa tcnica de especializao. Logo, a Entidade pode ser a Unio, Estado, DF ou Municpio. Esse nvel 1 vai dar ensejo Administrao Pblica Direta, que formada pela Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios. Em sntese, a Administrao Pblica Direta formada pelos rgos dessas entidades. J o nvel 2 vai dar ensejo Administrao Pblica Indireta, que pode ser as Autarquias, as Fundaes Pblicas, as Empresas Pblicas e as Sociedades de Economia Mistas.

Isso tudo compe o 1 Setor: Administrao Pblica Direta e Administrao Pblica Indireta. S para reforar: a Administrao Pblica Direta produto da descentralizao hierrquica (ou desconcentrao). E formada pelos rgos que compem a Unio, Estados, DF ou Municpios, conforme seja Administrao Pblica Direta Federal, Estadual, Distrital ou Municipal. A Administrao Pblica Indireta produto da descentralizao institucional (ou descentralizao pura e simples, ou outorga). formada pelas Entidades que esto nesse processo, ou seja, as Autarquias, as Fundaes Pblicas, as Empresas Pblicas e as Sociedades de Economia M