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MATERIAL - COMUNICAÇÃO_E_LINGUAGEM

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1COMUNICAO E LINGUAGEM A comunicao se estabeleceu como uma das mais importantes atividades realizadas todos os dias. Os meios de comunicao (tv, rdio, jornal, revista, entre outros) so fundamentais para que possamos participar da sociedade globalizada, mas no so nossos principais canais de comunicao, pois representam apenas uma pequena parcela da enorme lista de atos de comunicao que realizamos, desde o bom dia, ao acordar, at o boa noite, antes de nos deitarmos. Assim, comunicar-se uma necessidade bsica do homem, pela comunicao que aprendemos a ser parte de uma sociedade, que adquirimos os padres sociais; ela o canal pelo qual a cultura, nosso mundo de conhecimentos, transmitida. A comunicao no curso de Engenharia to importante quanto uma formao acadmica e tcnica na especialidade de seu curso. H pesquisas que apontam que os engenheiros gastam 80% de seu tempo com atividades relacionadas comunicao oral e/ou escrita. Um engenheiro expede ordens para seus subordinados, realiza projetos, elabora relatrios, prepara manuais de utilizao de produtos e divulga seus trabalhos em congressos, seminrios e revistas especializadas. Assim, um bom domnio das habilidades de ler e escrever podem ser favorveis a um bom desempenho profissional. Um profissional competente sabe utilizar os seus conhecimentos especficos, mas tambm sabe se expressar, comunicando, eficientemente, idias e resultados de seu trabalho. Um profissional competente no apenas tem uma boa idia, mas a coloca em prtica e a divulga. At bem poucos anos, a lngua era considerada um cdigo, um mero instrumento de comunicao e o processo de comunicao era representado por alguns elementos que deveriam ser respeitados para que ela fosse mais eficaz. A seguir representamos graficamente esses elementos e explicamos seu funcionamento.

Processo de Comunicao

2

Cdigo

Canal de comunicao

Emissor

Mensagem

Receptor

Rudos

Emissor aquele que envia a mensagem; Receptor aquele que recebe e decodifica a mensagem; Mensagem assunto a ser transmitido; Canal de comunicao o meio de transmisso (uma folha de papel, uma placa, um e-mail); Cdigo a linguagem que deve ser entendida pelo emissor e pelo receptor; Rudos interferncias que dificultam uma comunicao eficaz. Neste momento atual, no deixamos de considerar o processo de comunicao apresentado anteriormente, no entanto passou-se a considerar a mensagem de uma maneira mais ampla como texto - a lngua, por sua vez, passou a ser considerada lugar de interao. Dessa forma, a responsabilidade pela compreenso do texto deve ser compartilhada pelo EU/TU. So tambm considerados o contexto de produo (tempo, espao, relao interpessoal entre os interlocutores), a inteno do autor e os diferentes efeitos de sentido que podem ser percebidos pelo leitor.

Autor Texto

LeitorVeja a tira abaixo e reflita sobre a pergunta:

3

Qual a diferena entre linguagem, lngua e fala?

H diferenas entre linguagem, lngua e fala? O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espcies animais e possibilita nossos modos especficos de pensamento, conhecimento e interao com os semelhantes. a capacidade especfica espcie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos. O termo linguagem tem uma conotao bem mais abrangente do que lngua. A linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simblicos: sinais martimos, imagens, expresses corporais. A linguagem composta de duas partes: a Lngua, essencialmente social porque convencionada por determinada comunidade lingstica; e a Fala, que secundria e individual, ou seja, veculo de transmisso da Lngua, usada pelos falantes atravs da fonao e da articulao vocal. A lngua , ento, entendida como forma de realizao da linguagem; como sistema lingstico necessrio ao exerccio da linguagem na interlocuo ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicao. Apesar de a lngua ser um sistema de signos especficos aos membros de uma mesma comunidade, no interior de uma mesma lngua so importantes s variaes. Dentro de uma mesma lngua temos, ento, diversas modalidades: lngua familiar; lngua tcnica, lngua

4erudita, lngua popular, lngua prpria a certas classes sociais, a certos subgrupos, em que se enquadram os diferentes tipos de gria. A fala, por sua vez, um fenmeno fsico e concreto. Para os receptores (ouvintes) a fala , com efeito, um fenmeno fontico; a articulao da voz d origem a um segmento fontico audvel imediatamente a ttulo de pura sensao. Fica evidente que o desenvolvimento humano e o avano das civilizaes dependem do progresso alcanado, acima de tudo, da evoluo dos meios de receber comunicao e de se comunicar, de registrar o conhecimento e do desenvolvimento da escrita e fontica. O homem necessita comunicar para progredir, quanto mais avanada for capacidade de comunicao de um conjunto de indivduos mais rpida ser a sua progresso. E a linguagem uma ferramenta capaz de traduzir, fotografar o estgio de desenvolvimento da humanidade. Prtica: Comente a frase: Uma pessoa que no articula em termos de linguagem, de discurso prprio, torna-se incapaz de pensar, de refletir. Com isso, perde a condio de instalarse na sociedade.

1. Comente a frase: Homem algum uma ilha, completa em si mesma.

Texto:

5UM PROBLEMA DE COMUNICAO Num determinado pas, regido pelo regime socialista, havia um efetivo favorvel natalidade.Por necessidade de mo-de-obra, criaram uma lei que obrigava os casais a terem determinado nmero de filhos.Previra tambm uma tolerncia de cinco anos, que consistia no fato de que para os casais que completassem cinco anos de casamento sem terem pelo menos um filho, o governo destacaria um agente para auxiliar o casal. Assim tivemos o seguinte fato, em que Mrio e a esposa dialogavam: MULHER: Querido, hoje completamos o 5 aniversrio de casamento! MARIDO: , e infelizmente no tivemos um herdeiro. MULHER: Ser que eles vo enviar o tal agente? MARIDO: Eu no sei. MULHER: E se ele vier? MARIDO: Bem... eu no tenho nada a fazer. MULHER: E eu menos ainda. MARIDO: Vou sair, pois j estou atrasado para o trabalho. Aps a sada do marido, batem porta. A mulher a abre e encontra um homem a sua frente, era um fotgrafo que se enganara de endereo. HOMEM: Bom dia, eu sou... MULHER: J sei ... pode entrar. HOMEM: Seu marido est em casa? MULHER:, No, ele foi trabalhar. HOMEM: Presumo que ele esteja a par ... MULHER: Sim, ele est a par e tambm concorda. HOMEM: timo, ento vamos comear? MULHER: Mas j? Assim to rpido? HOMEM: Preciso ser breve, pois ainda tenho mais seis casais para visitar. MULHER: Puxa, e o senhor agenta? HOMEM: Sim, agento, pois gosto do meu trabalho. Ele me d muito prazer. MULHER: Ento, como vamos fazer? HOMEM: Permita-me sugerir, uma no quarto, duas no tapete, duas no sof, uma no corredor, duas na cozinha e a ltima no banheiro. MULHER: Nossa ... no muito? HOMEM: Minha senhora, nem o melhor artista de nossa profisso consegue na primeira tentativa. Numa dessas a gente acerta bem na mosca. MULHER: O senhor j visitou alguma casa neste bairro? HOMEM: No, mas tenho comigo algumas amostras dos meus ltimos trabalhos. Veja! (Mostrando fotos de crianas.) no so lindas? MULHER: Como so belos estes bebs; o senhor mesmo que fez? HOMEM: Sim. Veja este aqui. Foi conseguido na porta de um supermercado. MULHER: Nossa ... no lhe parece um tanto pblico? HOMEM: Sim, mas a me era artista de cinema e queria publicidade. MULHER: Eu no teria coragem de fazer isto. HOMEM: Essa aqui foi em cima de um nibus. MULHER: Que horror ... HOMEM: E foi um dos servios mais duros que j fiz. MULHER: Eu imagino. HOMEM: Veja este, foi conseguido num parque de diverses em pleno inverno. MULHER: Credo ... como o senhor conseguiu?

6HOMEM: No foi fcil; se no bastasse a neve caindo, tinha uma multido em cima de ns. Eu quase que no consigo acabar. MULHER: Ainda bem que eu sou discreta, espero que ningum nos veja. HOMEM: timo, eu tambm prefiro assim. Agora se me der licena eu vou amar o trip. MULHER:Trip? Para qu? HOMEM: Bem madame, necessrio. O meu aparelho alm de pesado, depois de pronto para funcionar, mede mais de um metro. A mulher desmaiou. Prtica: Reflita sobre os problemas que pode nos proporcionar uma comunicao ineficaz.

VARIAO LINGSTICA A lngua no usada de modo homogneo por todos os seus falantes. O uso de uma lngua varia de poca para poca, de regio para regio, de classe social para classe social, e assim por diante. Nem individualmente podemos afirmar que o uso seja uniforme. Dependendo da situao, uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades de uma s forma da lngua. Ao trabalhar com o conceito de variao lingstica, estamos pretendendo demonstrar:

que a lngua portuguesa, como todas as lnguas do mundo, no se apresenta de maneira uniforme em todo o territrio brasileiro; que a variao lingstica manifesta-se em todos os nveis de funcionamento da linguagem ;

que a variao da lngua se d em funo do emissor e em funo do receptor ; que diversos fatores, como regio, faixa etria, classe social e profisso, so responsveis pela variao da lngua; que no h hierarquia entre os usos variados da lngua, assim como no h uso lingisticamente melhor que outro. Em uma mesma comunidade lingstica, portanto, coexistem usos diferentes, no existindo um padro de linguagem que possa ser considerado superior. O que determina a escolha de tal ou tal variedade a situao concreta de comunicao. que a possibilidade de variao da lngua expressa a variedade cultural existente em qualquer grupo. Nveis de variao lingstica importante observar que o processo de variao ocorre em todos os nveis de funcionamento da linguagem, sendo mais perceptvel na pronncia e no vocabulrio. Esse fenmeno da

7variao se torna mais complexo porque os nveis no se apresentam de maneira estanque, eles se superpem. Nvel fonolgico - por exemplo, o l final de slaba pronunciado como consoante pelos gachos, enquanto em quase todo o restante do Brasil vocalizado, ou seja, pronunciado como um u; o r caipira; o s chiado do carioca. Nvel morfo-sinttico - muitas vezes, por analogia, por exemplo, algumas pessoas conjugam verbos irregulares como se fossem regulares: "manteu" em vez de "manteve", "ansio" em vez de "anseio"; certos segmentos sociais no realizam a concordncia entre sujeito e verbo, e isto ocorre com mais freqncia se o sujeito est posposto ao verbo. H ainda variedade em termos de regncia: "eu lhe vi" ao invs de "eu o vi". Nvel vocabular - algumas palavras so empregadas em um sentido especfico de acordo com a localidade. Exemplos: em Portugal diz-se "mido", ao passo que no Brasil usa-se " moleque", "garoto", "menino", "guri"; as grias so, tipicamente, um processo de variao vocabular. Tipos de variao lingstica Existem dois tipos de variedades lingsticas: os dialetos (variedades que ocorrem em funo das pessoas que utilizam a lngua, ou seja, os emissores); os registros ( variedades que ocorrem em funo do uso que se faz da lngua, as quais dependem do receptor, da mensagem e da situao).

Variao Dialetal

Cada pessoa traz em si uma srie de caractersticas que se traduzem no seu modo de se expressar: a regio onde nasceu, o meio social em que foi criada e/ou em que vive, a profisso que exerce, a sua faixa etria, o seu nvel de escolaridade. Os exemplos a seguir ilustram esses diferentes tipos de variao.

a regio onde nasceu (variao regional) - aipim, mandioca, macaxeira (para designar a mesma raiz); tu e voc (alternncia do pronome de tratamento e da forma verbal que o acompanha); vogais pretnicas abertas em algumas regies do Nordeste; o s chiado carioca e o s sibilado mineiro; o meio social em que foi criada e/ou em que vive; o nvel de escolaridade (no caso brasileiro, essas variaes esto normalmente inter-relacionadas (variao social) : substituio do l por r (crube, pranta, prstico); eliminao do d no gerndio (correndo/correno); troca do a pelo o (saltar do nibus/soltar do nibus); a profisso que exerce (variao profissional): linguagem mdica (ter um infarto / fazer um infarto); jargo policial ( elemento / pessoa; viatura / camburo); a faixa etria (variao etria) : irado, sinistro (termos usados pelos jovens para elogiar, com conotao positiva, e pelos mais velhos, com conotao negativa). Pelos exemplos apresentados, podemos concluir que h dialetos de dimenso territorial, social, profissional, de idade, de sexo, histrica.

Variao de Registro

8O segundo tipo de variedade que as lnguas podem apresentar diz respeito ao uso que se faz da lngua em funo da situao em que o usurio e o interlocutor esto envolvidos. Para se fazer entender, qualquer pessoa precisa estar em sintonia com o seu interlocutor e isto facilmente observvel na maneira como nos dirigimos, por exemplo, a uma criana, a um colega de trabalho, a uma autoridade. Escolhemos palavras, modos de dizer, para cada uma dessas situaes. Tentar adaptar a prpria linguagem do interlocutor j realizar um ato de comunicao. Pode-se dizer que o nvel da linguagem deve se adaptar situao. As variaes de registro podem ser de trs tipos: modalidade, sintonia e grau de formalismo. Cada tipo no aparece isolado, eles se correlacionam. Modalidade: A expresso lingstica pode se realizar em diferentes modalidades: a escrita e a falada . Vale a pena lembrar algumas diferenas: na lngua falada, h entre falante e ouvinte um intercmbio direto, o que no ocorre com a lngua escrita, na qual a comunicao se faz geralmente na ausncia de um dos participantes; na fala, as marcas de planejamento do texto no aparecem, porque a produo e a execuo se do de forma simultnea, por isto o texto oral pontilhado de pausas, interrupes, retomadas, correes, etc.; isto no se observa na escrita, porque o texto se apresenta acabado, houve um tempo para a sua elaborao. Na fala somos mais espontneos, no planejamos com antecedncia o que vamos falar, a no ser em situaes muito formais ou delicadas; temos apoio da situao fsica, do contexto, do conhecimento do interlocutor, das expresses faciais, dos gestos, das pausas, das modulaes da voz, das referncias do ambiente; podemos repetir informaes, explicar algum item mal compreendido, podemos resolver dvidas do ouvinte; usamos frases mais simples, conjunes facilmente compreendidas; muito comum surgirem na fala truncamentos, cortes, repeties, titubeios e problemas de concordncia. Pensamos muito rapidamente e a expresso das nossas idias pode ser, na fala, um pouco atrapalhada, pois podemos, a cada momento, corrigir e explicar melhor; usamos expresses dialetais com mais freqncia.

Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idias sem precisar de mais explicaes, pois no temos o apoio do contexto, ou seja, no podemos resolver dvidas imediatamente, no dispomos de recursos como gestos, voz, expresses faciais; revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repeties desnecessrias de palavras, truncamentos, problemas de concordncia, regncia, colocao pronominal, pontuao, ortografia; utilizamos sintaxe mais complexa, que permite a exatido e a clareza do pensamento; procuramos utilizar um vocabulrio mais exato e preciso, pois temos tempo de procurar a palavra adequada; evitamos gria e expresses coloquiais, principalmente quando o texto formal.

9Sintonia: Deve ser entendida como o ajustamento que o falante realiza na estruturao de seus textos, a partir de informaes que tem sobre o seu interlocutor. Por exemplo:

diferente grau de intimidade entre interlocutores; conhecimentos que o falante supe que o seu ouvinte tem a respeito de um determinado assunto que ser o objeto da comunicao; Grau de formalismo: No seu dia-a-dia, o usurio da lngua entra em contacto com diferentes interlocutores e em diferentes situaes sociais. Para garantir maior eficcia nessa interao, precisa estar atento ao grau de formalismo de sua linguagem. O grau de formalismo se manifesta em diferentes nveis de construo do enunciado:

no vocabulrio: "Quero te pedir um grande favor." (mais informal) "Venho solicitar a V.S. a concesso de auxlio-doena." (mais formal)

na sintaxe: D-me um cigarro ... Me d um cigarro.

Ex.: Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. H uma gradao que vai da fala mais descontrada Oi, t tudo bem? fala mais formal, planejada e prxima da escrita Caros ouvintes. Boa tarde! e da escrita mais informal T chegando a. Deixa o parabns pra mais tarde! mais formal Chegaremos ao local da cerimnia com um pequeno atraso em relao programao anteriormente estabelecida. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos.

Comparem e analisem os dois textos a seguir: Te cuida, Paizo Eu sei que a vida no t fcil. A gente s ouve falar em stress... Voc diz pra gente que a vida corre mansa... que no seu tempo era diferente. Sabe, esse papo s vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar, que a gente sente quanto te ama. Por isso, velho, manera. Um uisquinho de vez em quando, vai l... V se consegue mudar um pouco sua alimentao, pega leve nas frituras, diminui o acar. Faz como a mame que se amarra num diet. Voc fala pra tomar cuidado com os excessos. E quando que voc vai se tocar disso? Hoje no tem presente. Mas o que t rolando papo de amigo, sem essa de dinheiro. Pai, a sua sade superimportante pra gente. Voc vive dizendo que pensa no meu futuro. S que eu tambm penso no seu. Em 8 de julho de 1886, apenas sete meses depois da projeo inaugural dos filmes dos irmos Lumire em Paris, o Rio de Janeiro assiste primeira sesso de cinema no Brasil. No

10ano seguinte, Paschoal Segreto e Jos Roberto Cunha Salles abrem a primeira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro, em 1898, com cenas da baa de Guanabara. Vrias salas de exibio so abertas no Rio de Janeiro e em So Paulo no incio do sculo XX. O perodo de 1908 a 1912 considerado a belle poque do cinema brasileiro. Surge um centro de produo no Rio, e, com ele, histrias policiais, comdias e filmes com atores interpretando a voz atrs da tela. Nos anos seguintes, a produo cai por causa da concorrncia dos filmes norte-americanos. Almanaque Abril 2000, p. 294 (com adaptaes) ATIVIDADE 1: Analise os seguintes textos: Ilmo. Sr. Jos Scheider Prezado Senhor: Venho, por meio desta, comunicar a V.S. que o pedido de transferncia de seu curso para o turno da manh foi deferido. Por favor, entre em contato com a Secretaria do Colgio. Atenciosamente, Miguel Mendes Diretor do Colgio So Carlos E-mail: Jos, Um cara da Secretaria avisou q vc tem que passar l p/ resolver a transferncia. T+ Bjs Ana

Recado para: Jos De: Secretaria do Colgio Passar na Secretaria Assunto: transferncia Ligaram s 4 e meia mais ou menos a) Perceba que, apesar de o assunto ser o mesmo, o nvel de formalidade bastante distinto. Qual seria o mais formal? Qual o menos formal? b) O destinatrio de todos os textos tambm o mesmo. Por que, ento, o nvel de formalidade diferente? c) Quem poderia ser o emissor do comunicado 3, por exemplo?

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ATIVIDADE 2. A lista abaixo relaciona algumas das formas que podem ser empregadas em nossa lngua para se despedir de algum. Leia-a: a) b) c) d) e) f) g) h) At amanh. Despeo-me mui atenciosamente. Beijinhos, ento. Boa noite. Tchau, cara. T mais. (um aperto de mo) (um beijo no rosto)

- Descrevam as situaes comunicativas em que se poderiam usar cada uma dessas despedidas. - Quem poderia ser o interlocutor possvel das formas e e f? - A forma b prpria do registro oral ou escrito? - Citem outras maneiras possveis de despedir-se, tanto em registro formal como informal. Descrevam as situaes em que so geralmente empregadas.

EM SNTESE: Por que as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que considerar mltiplos fatores: poca, regio geogrfica, ambiente e status scio-cultural dos falantes. H uma lngua-padro? O modelo de lngua-padro uma decorrncia dos parmetros utilizados pelo grupo social mais culto. s vezes, a mesma pessoa, dependendo do meio em que se encontra, da situao scio-cultural dos indivduos com quem se comunica, usar nveis diferentes de lngua. Dentro desse critrio, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois tipos de lngua: a falada e a escrita. culta coloquial vulgar ou inculta regional gria grupal tcnica

A lngua falada pode ser

A lngua escrita pode ser

no-literria

lngua-padro coloquial vulgar ou inculta regional

12grupal literria gria tcnica

1. Lngua falada 1.1.Lngua culta a lngua falada pelas pessoas de instruo, niveladas pela escola. Obedece gramtica da lngua-padro. mais restrita, pois constitui privilgio e conquista cultural de um nmero reduzido de falantes. Temos conhecimento de que alguns casos de delinqncia juvenil no mundo hodierno decorrem da violncia que se projeta, atravs dos meios de comunicao, com programas que enfatizam a guerra, o roubo e a venalidade. 1.2.Lngua coloquial a lngua espontnea, usada para satisfazer as necessidades vitais do falante sem muita preocupao com as formas lingsticas. a lngua cotidiana, que comete pequenos mas perdoveis deslizes gramaticais. Cad o livro que te emprestei? Me devolve em seguida, t? 1.3. Lngua vulgar ou inculta prpria das pessoas sem instruo. natural, colorida, expressiva, livre de convenes sociais. mais palpvel, porque envolve o mundo das coisas. Infringe totalmente as convenes gramaticais. Nis ouvimo fal do pogama da televiso. 1.4. Lngua Regional est circunscrita a regies geogrficas, caracterizando-se pelo acento lingstico, que a soma das qualidades fsicas do som (altura, timbre,intensidade). Tem um patrimnio vocabular prprio, tpico de cada regio. A la pucha, tch! O ndio est mais por fora do que cusco em procisso o negcio hoje a tal da comunicao, seu guasca! 1.5. Lngua grupal uma lngua hermtica, porque pertence a grupos fechados.

13Ela pode ser tcnica aprendida junto com a profisso. Assim, teremos tantas quantas forem as cincias e as profisses. A Lngua grupal pode ser ainda gria, existindo tantas quantos forem os grupos fechados. H a gria policial, a dos jovens, dos estudantes, dos militares, dos jornalistas, etc. Quando a gria grosseira, recebe o nome de calo. Exs.: O materialismo dialtico rejeita o empirismo idealista e considera que as premissas do empirismo materialista so justas no essencial. O negcio agora comunicao, e comunicao o cara aprende com material vivo, descolando um papo legal. Morou? 2. Lngua Escrita 2.1. A Lngua no-literria apresenta as mesmas caractersticas das variantes da lngua falada tais como lngua-padro, coloquial, inculta ou vulgar, regional, grupal, incluindo a gria e a tcnica e tem as mesmas finalidades e registros, conforme exemplificado abaixo: 2.1.1. Lngua padro aquela que obedece a todos os parmetros gramaticais. O problema que constitui objeto da presente obra pe-se, com evidente principalidade, diante de quem quer que enfrente o estudo filosfico ou o estudo s cientfico do conhecimento. Porm no mais do que um breve captulo de gnoseologia. (Pontes de Miranda) 2.1.2. Lngua coloquial Maria, Me faz um favor: vai ao banco pra mim. 2.1.3.Lngua Vulgar ou Inculta assucar basora qejo

14ajaques (Trecho de lista de compras) 2.1.4. Lngua regional Deu-lhe com a boleadeira nos cascos, e o ndio correu mais que cusco em procisso.

Observao: Quando redigimos um texto, no devemos mudar o registro, a no ser que o estilo permita, ou seja, se estamos dissertando e, nesse tipo de redao, usa-se geralmente, a lngua-padro no podemos passar desse nvel para um outro, como a gria, por exemplo.

2.2. A Lngua Literria o instrumento utilizado pelos escritores. Principalmente, a partir do modernismo, eles cometeram certas infraes gramaticais que, de modo algum, se confundem com os erros observados nos leigos. Enquanto nestes as incorrees acontecem por ignorncia da norma, naqueles as mesmas ocorrem por imposio da estilstica. Macunama ficou muito contrariado. Maginou, maginou e disse pra velha ...(Mrio de Andrade) Exerccios 1. Observe as frases; - Vossa senhoria poderia fazer o obsquio de me passar o feijo? ( me) - Voc poderia dar um jeitinho nos buracos de minha rua? (ao prefeito da cidade) Analise as frases acima considerando o que aprendemos sobre os nveis de linguagem.

2.

(UF-MG)

a) O professor chamou ele no quadro O professor chamou-o ao quadro b) Os menino tudo saiu.

15Todos os meninos saram. c) Cumpadre, ce viu o trem que eu tirei do oio? - Tch, tu viste o que eu tirei do olho? Esses pares de frases exemplificam o fenmeno da variao lingstica. Redija um pargrafo, explicando a ocorrncia desse fenmeno na lngua.

3.. A fala da personagem do texto a seguir est no nvel coloquial. Passe-a para a lnguapadro. - Escuta aqui, meu irmo, tem pelo menos 100 moleques que passam todo o dia a na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei. Ento voc j viu: t te fazendo um bruto favor. No precisa ficar toda a vida me agradecendo... Mas tambm no quero reclamao. No t contente pode dar o fora. E j. T?

Querido Jos Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passado entre ns dois, Jos desde aqule dia em que me encontrei com voc na praa Tiradentes e depois voc no veio mais falar comigo, eu fiquei muito triste mas no deixei de pensar em ti, o amor que tenho por voc nunca tive por outro mo, s por voc mesmo e se no fizer vida junto contigo eu no quero saber de mais ningum, porque eu s quis voc na minha vida, pense um pouco em mim por favor, me perdoe por tudo o que eu te fiz, mas foi sem querer, e se no fizer vida junto contigo eu no quero saber de mais ningum, porque eu s quis voc na minha vida, pense um pouco em mim por favor, me perdoe por tudo o que eu te fiz, mas foi sem querer, e eu peo que venha falar comigo, que da ns se acertamos, eu quero ser feliz com voc, triste a gente andar como cigana, jogada de um canto a outro, estarei morta para o teu corao? j esquecestes de mim por outra? espero que no, pois ainda te amo, a todo momento vejo tua imagem querida como se estivesse de guarda no espelho, no se faa de rogado Jos, eu tambm no estou muito boa, estive com dor de garganta, te espero sem falta, no seja assim ingrato, sendo voc um corao de pedra no sabe corresponder a ste amor desprezado, no se engane ste corao fraco de uma coitada que tanto sofre no mundo, sinto-me triste e aborrecida, era assim que dizias que me querias bem, mas no parece Jos, desde aqule dia estou sozinha, apanhei do outro na cara mas graas a Deus le se retirou da minha vida, Jos a traio que te fiz voc poder perdoar me, hoje eu sei que se vivesse num castelo nada disso me agradava, quero ficar ao teu lado para ser um pouco feliz, no tenho sossgo longe de voc nem durmo de to desgraada, Jos esta carta cheia de erros mas uma carta de amor, sou tua na expresso da verdade

16Maria P. S. Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem sabes que sou quase analfabeta. A mesma. Desastres de Amor - Dalton Trevisan Responda s questes abaixo que foram retirados do vestibular do Mackenzie. 4. A linguagem do texto denota que a personagem a) comete erros em funo de seu estado emocional, embora domine a norma culta e a modalidade escrita da lngua. b) tem conscincia de que comete falhas gramaticais, j que associa seu quase analfabetismo caligrafia. c) tem domnio da modalidade escrita da lngua, haja vista o uso do pronome tu, mais adequado ao contedo emotivo da carta. d) utiliza, conscientemente, registros que se opem norma culta, com o propsito de se fazer entender pelo namorado. e) usa expresses que sugerem a percepo de que a modalidade escrita difere da modalidade falada, apesar de no dominar a norma culta. 5. No contexto da carta, o uso de certas expresses como Escrevo-te estas poucas linhas, estarei morta para teu corao?, sou tua na expresso da verdade, A mesma sugere que a personagem a) utiliza a linguagem acadmica, tpica das cartas de amor, para dissimular seus sentimentos. b) utiliza clichs, acreditando estar usando linguagem culta adequada ao gnero epistolar. c) usa linguagem terna e carinhosa para enganar o namorado. d) quer aproximar a lngua escrita da lngua falada. e) escreve de forma irnica a fim de ridicularizar Jos. 11 6. (UNICSUL) Aps a leitura do texto acima, voc dever colocar-se na posio de Jos e elaborar uma carta-resposta em 1 pessoa. Deixe clara a postura de Jos: ele aceita as desculpas e a perdoa, ou no? Obs.: A linguagem feminina est presa norma popular, linguagem oral. Voc, ao responder a carta, dever usar a norma culta da Lngua Portuguesa.

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Amor de professor de geografia Era uma vez um professor de geografia que escreveu a seguinte carta para a namorada: Meu amor, A saudade que sinto de teu perfil suave como a serra! Mas no sei chorar. Minhas lgrimas so lenis cativos nas camadas mais profundas de meu ser e eu no posso, no choro, no sei chorar. Mesmo que essa alternncia de gelo e degelo, longe de ti, venha fragmentando gravemente a rocha de meus nervos. Penso em ti. Profundamente em ti. s de uma ternura transparente como a formao cristalina. s bela como uma floresta de cedros intactos. Doce como a luz do dia estendida sobre as dunas muito brancas. Alta e misteriosa como as agulhas esguias que existem da Islndia. Estas em todas minhas direes como as rosas-dos-ventos. Mando-te uma montanha de beijos. (Campos, Paulo Mendes. Revista Manchete, 8 de abril de 1972 7. A partir do texto acima, produzir o seu com a perspectiva e o vocabulrio de sua rea de atuao, como engenheiro.

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