Material de Apoio Didatico Cristina Luna

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DIREITO CONSTITUCIONAL

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CRISTINA LUNA

I. PARTE GERAL Teoria da Supremacia da Constituio Poder Constituinte Eficcia e Vigncia das Normas Constitucionais Teoria da Recepo Teoria da Repristinao Teoria da Desconstitucionalizao Classificao das Constituies Questes de Prova II. PARTE ESPECFICA Princpios Fundamentais Questes de Prova Direitos e Garantias Fundamentais Questes de Prova Direitos e Deveres individuais Fundamentais Questes de Prova Direitos e Garantias Sociais Questes de Prova Direitos e Garantias Nacionalidade Questes de Prova Direitos e Garantias Polticos Questes de Prova Estado Federal Questes de Prova Poder Legislativo Federal Questes de Prova Poder Executivo Federal Questes de Prova Controle da Constitucionalidade Questes de Prova III. LEGISLAES Lei 9.868, de 10 de novembro de 1999 Lei 9.882, de 3 de dezembro de 1999 Lei 11.418, de 19 de dezembro de 2006

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MATERIAL DE APOIO DIDTICO DIREITO CONSTITUCIONAL - Prof. Cristina Luna

Os seres humanos so como anjos de uma s asa, s conseguem voar quando esto abraadosNeo Buscarle PARTE GERAL Noo Direito Constitucional um ramo do Direito Pblico (porque contm regras onde prevalece o interesse pblico sobre o privado) Conceito Direito Constitucional um conjunto sistematizado de normas coercitveis que estruturam o Estado, estabelecem os direitos e garantias de sua populao e limitam os poderes dos governantes. Constitucionalismo Constitucionalismo significa o caminho percorrido pelas leis constitucionais desde a antiguidade at a atualidade. Foi na antiguidade que Plato e Aristteles desenvolveram a teoria de limitao dos poderes dos governantes por uma lei suprema. Na idade moderna, com o advento do Iluminismo (sculos XVII e XVIII), surge a base do constitucionalismo atravs de um movimento ideolgico e poltico para destruir o absolutismo monrquico e estabelecer normas jurdicas racionais, obrigatrias para governantes e governados. Foi no sculo XVIII que Montesquieu consagrou de vez a Teoria da

Tripartio dos Poderes (legislativo, executivo e judicirio) concomitante Teoria de Freios e Contrapesos.Essas teorias foram incorporadas pela Declarao dos Direitos do Homem e na Constituio de Filadlfia, espalhando-se pelo mundo democrtico. Teoria da Supremacia Constitucional Baseia-se no Princpio da Unidade da Constituio. A lei constitucional superior lei comum porque as leis comuns (que esto fora da Constituio, por isto denominadas extraconstitucionais, infraconstitucionais ou ordinrias) decorrem e encontram validade na Constituio. Hans Kelsen, em sua Teoria Pura do Direito, escalonou as normas jurdicas sob a forma de uma pirmide, tendo no topo a Constituio e na base as leis infraconstitucionais, ou seja, as leis de menor hierarquia quando comparadas com as leis constitucionais. Assim, a Constituio norma hierarquicamente superior a todas as demais normas e, portanto, as normas que contrariarem o disposto na Constituio sero consideradas inconstitucionais. comuns so obra de um poder institudo. A superioridade da Constituio de um pas decorre do fato de ser obra do poder constituinte originrio enquanto as leis

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Normas Constitucionais ( Constituio Soberana ) N.C. Originrias. N.C. Derivadas (Emendas Constituio). Ordenamento Jurdico Normas Infraconstitucionais, Extraconstitucionais ou Ordinrias: N.I. Supralegais N.I. Primrias (ou Legais) N.I. Secundrias (ou Infralegais)

Poder Constituinte Poder Constituinte aquele que um povo tem para elaborar a sua Constituio, diferente do Poder Constitudo que todo aquele que o constituinte institui na Constituio, ou seja, os poderes constitudos so o Legislativo (federal, estadual, distrital ou municipal), Executivo (federal, estadual, distrital ou municipal) e o Judicirio. O poder constituinte divide-se em poder constituinte originrio e poder constituinte derivado (reformador e decorrente). Poder Constituinte Originrio Poder constituinte originrio o que cria o Estado e estabelece sua forma de estado, de governo, sistema de governo e regime poltico de governo, elaborando a sua Constituio, rompendo com a ordem jurdica anterior, submetendo a nova ordem jurdica ao seu comando. Foi Emmannuel Siys, abade francs do sculo XVIII, que afirmou que o poder para criar uma Constituio Soberana pertencia ao povo (na obra: O que o Terceiro Estado?). A partir de ento, considerou-se o titular do poder constituinte originrio o povo, que, no Estado Democrtico, tambm detm o seu exerccio. Esse exerccio um direito inalienvel, imprescritvel e irrenuncivel. Quando a Constituio elaborada por representantes do povo (chamados constituintes) reunidos para este fim em uma Assembleia Nacional Constituinte, diz-se que essa Constituio foi promulgada. Caso contrrio, ela ter sido outorgada. Conforme a doutrina majoritria e o STF, o poder constituinte originrio apresenta como caractersticas ser inicial, soberano, ilimitado e incondicionado. importante ressaltar que o poder constituinte originrio juridicamente ilimitado, mas encontra limites nos fatores culturais, sociais e econmicos presentes naquela sociedade. Existe uma doutrina minoritria nacional, seguidora do alemo Otto Bachoff, que, baseada no jusnaturalismo, reconhece nos direitos humanos uma vontade supranacional ou suprapositiva, que se impe ao direito nacional (direito de um determinado pas), inclusive sobre o exerccio do poder constituinte originrio, o limitando juridicamente. Poder Constituinte Derivado Reformador Poder constituinte derivado reformador o mecanismo que permite a atualizao da Constituio sempre que for conveniente, alterando-a quando necessrio. Trata-se de um poder constitudo pelo

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poder constituinte originrio, por isto tambm conhecido com poder constitudo, institudo, diferido ou de segundo grau. O titular do poder constituinte derivado o povo, se manifestando, no Estado Democrtico, atravs dos seus representantes. A atual Constituio brasileira entrega o exerccio deste poder de reforma aos deputados federais e senadores reunidos no Congresso Nacional. O poder constituinte derivado reformador apresenta como caractersticas ser derivado, condicionado, secundrio e limitado (limitaes formais ou procedimentais - art. 60, incisos I, II e III, e pargrafos 2, 3 e 5; circunstanciais - art. 60, pargrafo 1; e materiais ou substanciais - so as chamadas clusulas

ptreas, que podem ser expressas (os incisos do pargrafo 4, art. 60) e implcitas (como por exemplo:arts. 1, 3, 4 e 60, incisos e pargrafos 1, 2, 3 e enunciado do 4).

Como se pode notar, uma emenda constitucional no pode retirar da Constituio

brasileira as limitaes circunstanciais e as procedimentais. Por este motivo, possvel afirmar que so tambm consideradas limitaes materiais, porm, implcitas, j que a proibio de aboli-las no se encontra expressa.

No que se refere s limitaes temporais, h divergncias quanto a sua existncia na atual Constituio brasileira, mas a doutrina majoritria no as tem reconhecido. Lembre-se que essa limitao j encontrou existncia expressa na histria do constitucionalismo brasileiro: a Constituio de 1824 previa a impossibilidade de qualquer reforma nos primeiros quatro anos aps a sua publicao. Poder Constituinte Derivado Decorrente Poder constituinte derivado decorrente o mecanismo que permite a elaborao da Constituio Estadual, autnoma. Trata-se, tambm, de um poder constitudo pelo poder constituinte originrio, conforme o art. 25, caput, da Constituio Federal, e o art. 11, do ADCT (Ato das Disposies Constitucionais Transitrias). O titular do poder constituinte derivado o povo manifestando-se, no Estado Democrtico, atravs dos seus representantes. A atual Constituio brasileira entrega o exerccio deste poder aos deputados estaduais reunidos na Assembleia Legislativa estadual. Eficcia e vigncia das normas constitucionais A eficcia de uma norma jurdica no se confunde com a sua vigncia. Uma norma pode ser eficaz e estar em vigncia, e pode tambm estar em vigncia e no ser eficaz. Todas as normas constitucionais tm, ainda que seja mnima, certa eficcia. Varia, porm, a forma de tal eficcia, distinguindo-se as normas constitucionais em normas de eficcia plena, eficcia contida e eficcia limitada (diviso tricotmica). 1) Norma constitucional de eficcia plena a norma constitucional de efeito imediato e ilimitado, independentemente de qualquer norma infraconstitucional regulamentadora posterior ou de qualquer outro ato do poder pblico. Trata-se de

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uma norma constitucional com autoaplicabilidade ou autoexecutoriedade. So exemplos o art. 1 e pargrafo nico; art. 4, incisos; art. 5, inciso I e III. 2) Norma constitucional de eficcia contida, restringvel ou redutvel Tem aplicabilidade imediata e diretamente, executvel da forma como est no texto constitucional, pois contm todos os elementos necessrios a sua formao. Permite, entretanto, restrio por lei infraconstitucional, emenda constitucional ou outro ato do poder pblico, desde que esta restrio no seja excessiva. exemplo o art. 5, incisos VII, XI, XII, XIII, XIV, XVI, LX, LXI, LXVII. 3) Norma constitucional de eficcia limitada aquela no regulada de modo completo na Constituio, por isso depende de norma regulamentadora elaborada pelo Poder Legislativo, Poder Executivo ou Poder Judicirio, ou de qualquer outro ato do pod