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material de referência semana 6

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Foto: Ribeirão Pires, setembro 2003 | Paula Santoro. 110 110 
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 Brasil Até 2 SM 2–5SM 5 – 10 SM > 10 SM Cobertura dos serviços de saneamento por classes de renda - 2000 Antes disso, no período colonial, os primeiros sistemas públicos de abastecimento de água eram os aquedutos e chafarizes. Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 2000. 60 112

Text of material de referência semana 6

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    Captulo 5

    Poltica de saneamento ambiental e poltica de mobilidade e transporte

    Poltica de saneamento ambiental

    Breve histrico da poltica pblica de saneamento

    Foto: Ribeiro Pires, setembro 2003 | Paula Santoro.

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    O conceito de saneamento bsico - que contempla o de infraestrutura urbana e de servios urbanos - compreende os servios de abastecimento de gua, coleta e tratamento de esgoto. Recentemente, o conceito passou a abranger tambm a limpeza urbana, o manejo dos resduos slidos e o manejo e drenagem das guas pluviais, denominando-se saneamento

    ambiental. Portanto, um aspecto fundamental para a qualidade de vida, setor de reconhecida utilidade pblica, e tem forte relao com as polticas de sade, ambientais e urbanas.

    CSegundo o Ministrio das Cidades, assim como os dados contemplados no Censo

    Demogrfico, os nmeros da PNSB Pesquisa Nacional de Saneamento Bsico

    do ano de 2000 (IBGE, 2001) mostram que o saneamento ambiental no Brasil

    apresenta graves deficincias. Nas reas urbanas h cerca de 18 milhes de

    pessoas sem acesso ao abastecimento pblico de gua, 93 milhes sem coleta

    adequada de esgotos e 14 milhes sem coleta de lixo. Na rea rural a situao

    tambm crtica. Segundo estudo de demandas elaborado pela SNSA/MCidades,

    necessrio atender 13,8 milhes de pessoas com rede de distribuio de gua e

    16,8 milhes de habitantes com sistemas de esgotamento sanitrio (SNSA, 2004).

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    H uma parcela da populao que dispe de ligaes domiciliares, mas o

    abastecimento de gua no regular e as condies de potabilidade no so

    asseguradas. preciso destacar tambm a deficincia de tratamento do esgoto

    coletado. Cerca de 70% de todo esgoto

    sanitrio coletado nas cidades so

    despejados in natura, o que contribui

    decisivamente para a poluio dos

    corpos dgua. Alm disso, em 64% dos

    municpios brasileiros o lixo domiciliar

    coletado depositado em lixes a cu

    aberto, e em muitos municpios pequenos sequer h servio de limpeza pblica

    minimamente organizado. A tudo isso se soma a carncia na implementao

    de solues adequadas ao manejo integrado das guas pluviais urbanas,

    resultando em alagamentos e enchentes que ocorrem principalmente nas reas

    de estrangulamento dos cursos dgua e de excessiva impermeabilizao do solo.

    (MCidades, 2004, p.49).

    Alm disso, do ponto de vista qualitativo do dficit de atendimento do saneamento,

    ou seja, onde esto e quem so as pessoas que ainda no desfrutam dos servios

    de saneamento, constatado que uma grande parte constituda por populao

    rural, quase todos margem dos sistemas. A outra parte est nos municpios

    com menos de 20.000 habitantes e nas periferias das cidades mdias e regies

    metropolitanas do pas. Esse um dos fundamentos e um dos aspectos centrais

    da crise do setor do saneamento: ausncia de universalizao na cobertura e

    baixa qualidade na prestao dos servios.

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    Brasil At 2 SM 2 5 SM 5 10 SM > 10 SM

    gua 77,8 67,4 86,1 91,1 92,6

    Esgoto 47,2 32,4 55,6 67,1 75,9

    Fonte: IBGE, Censo Demogrfico de 2000.

    A falta de universalizao dos servios quer dizer, em outras palavras, que a expanso

    das redes de infraestrutura ocorre de forma desigual no espao urbano. A anlise

    crtica da atual situao das redes de infraestrutura, referenciada em seu processo

    histrico e social de constituio no espao urbano, conforme formulada por Oseki

    (1991), demonstra que as redes se constituram de modo fragmentado, como uma

    somatria de redes de servios, desde a sua concepo no comeo do sculo XX. As

    redes urbanas so introduzidas no Brasil no final do Segundo Imprio (1870-1890) e

    se consolidam durante a Primeira Repblica (at 1830) 60. Neste perodo o pas rompe

    com o modelo exclusivamente agrrio-exportador para um modelo urbano-industrial.

    Em meados do sculo XIX as cidades brasileiras estavam em estado de calamidade

    em funo da insalubridade e, consequentemente, de uma srie de epidemias. Isso,

    aliado crescente necessidade de adequao das condies sanitrias existentes

    aos padres internacionais de comrcio, impulsionou a interveno do Estado nas

    polticas sanitrias, pois estas tornavam-se tambm imprescindveis ao avano da

    economia. Aliada a concepo de sanear, estava bastante prxima a idia de separar,

    afetando diretamente as pessoas tidas como os agentes transmissores do problema,

    resultando por fim em segregao espacial (MCidades, 2004:27).

    Segundo Costa, a implantao de sistemas de esgotamento sanitrio nas grandes cidades

    em todo o mundo s aconteceu aps o aparecimento de epidemias de clera. Cidades

    como Memphis, Hamburgo e So Paulo, acometidas pela epidemia em 1873, 1892 e

    1893, respectivamente, tiveram, na sequncia, a execuo e ampliao de redes de

    esgotamento (Costa apud Heller e Resende, 2002:53).

    60 Antes disso, no perodo colonial, os primeiros sistemas pblicos de abastecimento de gua eram os aquedutos e chafarizes.

    Cobertura dos servios de saneamento por classes de renda - 2000

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    No Brasil, na dcada de 1890, o engenheiro Saturnino de Brito considerado o precursor da engenharia sanitria. Ele trabalhou na reforma sanitria em So Paulo e em outras cidades paulistas como Campinas, Ribeiro Preto, Limeira e Sorocaba. E teve importante participao em Santos, na primeira dcada do sculo XX, com a implantao do

    sistema separador absoluto de esgoto na cidade.

    !

    A implantao das redes de infraestrutura viabilizariam a produo de um

    espao virtualmente homogneo e reprodutvel que ser sua condio de

    troca e mercantilizao (Mautner e Oseki, 1993:14). Inicialmente foram feitas

    por empresas privadas que visaram primordialmente ao lucro e reproduo

    de seus prprios capitais. Sendo assim, cada empresa agiu independentemente,

    dificultando a planificao conjunta - o que, em outras palavras, inviabilizou a

    prpria ideia de rede e a possibilidade de serem concebidas como uma totalidade.

    A questo no se resolveu com a estatizao dos servios 61 que permaneceram

    parcelados e a tecnologia empregada continuou uma tecnologia de monoplios,

    a produo de cada rede tendo uma tecnologia prpria (idem, p.18).

    Entre os anos de 1930 (com a instituio do Cdigo de guas, em 1934,

    normatizando o uso da gua no territrio brasileiro) e 1940 (com o Servio

    Nacional de Sade Pblica) foram organizados rgos e entidades municipais

    por todo o pas. Nesse perodo, o Estado passou a implantar e gerir de forma

    centralizada os sistemas de servios urbanos. Os recursos para a implantao

    das obras pblicas passaram a vir predominantemente do oramento pblico,

    investidos a fundo perdido, e de emprstimos de bancos internacionais.

    Em 1953, o governo lanou o primeiro Plano Nacional de Financiamento para

    Abastecimento de gua, que, com forte influncia dos organismos internacionais,

    61 Em 1877, constituda a empresa Companhia Cantareira e Esgotos, companhia privada nacional ligada ao grande capital cafeeiro. Foi posteriormente desapropriada e estatizada em 1892 e os servios sob sua responsabilidade foram assumidos pela repartio de guas e Esgotos, ento subordinada Secretaria da Agricultura, em 1893. (OSEKI, 1992).

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    promoveu a descentralizao das aes pela Unio e estimulou a municipalizao

    dos servios por meio de autarquias e empresas de economia mista, mediante

    a adoo da nova lgica financeira do setor, de retorno do capital investido

    (Montenegro, 2006:36).

    Mas reconhecido o marco da poltica pblica no setor de saneamento foi o

    PLANASA (1971-1992 Plano Nacional de Saneamento Bsico) que constituiu

    um modelo de gesto centralizado de poltica de abastecimento urbano de gua

    e esgoto, e tinha o BNH (Banco Nacional de Habitao) como rgo executor.

    Os recursos financeiros eram originados do FGTS e OGU 63, dos estados e

    municpios, bem como do prprio BNH, de emprstimos externos oriundos de

    agncias multilaterais de fomento e emprstimos internos. A coordenao e o

    planejamento da poltica de saneamento eram realizados no nvel nacional.

    O PLANASA tinha como principais objetivos: aumentar a cobertura dos servios de abastecimento urbano de gua e coleta de esgotos em curto espao de tempo, instituir uma poltica tarifria com valores reais para o setor de saneamento e concentrar a prestao dos servios na coordenao das Companhias Estaduais de Saneamento Bsico (CESBs).

    CEntre 1971 e 1976, alm da elaborao do PLANASA, o que impulsionou o

    aumento significativo das obras de saneamento foi a orientao dos investimentos

    do BNH por meio do SFS (Sistema Financeiro de Saneamento, criado em 1968)

    no desenvolvimento urbano, em estados e municpios, em detrimento dos

    investimentos em habitao, que diminuam (Maricato, 1987:33) 64. Segundo

    a autora, nesse momento os municpios estavam muito empobrecidos e

    dependiam de financiamento do governo federal para realizar obras pblicas.

    Essa situao reforou a coao dos municpios adeso ao PLANASA e poltica

    63 FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Servio e OGU Oramento Geral da Unio. 64 Sobre a produo do BNH voltada ao saneamento e sobre o PLANASA ver especialmente o captulo 5 O sistema financeiro da habitao SFH 1970/80 (p.33 a 58).

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    centralizadora, baseada na disseminao da empresa estadual, fortalecendo

    o carter de mercadoria do servio pblico 65. Alm disso, essa poltica urbana

    foi traada pelo interesse de empresas de construo pesada e de algumas

    empresas internacion

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