Material Didatico Alexandre Azevedo

  • View
    22

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Material Didatico Alexandre Azevedo

  • Utilizando material didtico adaptado para

    deficientes visuais Alexandre Csar Azevedo

    Julho de 2012

    Mestrado Profissional em Ensino de Fsica

    Instituto de Fsica - UFRJ

  • 2

    Utilizando material didtico adaptado para deficientes visuais

    Este trabalho o produto da Dissertao de Alexandre Csar Azevedo

    apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Fsica do Instituto de

    Fsica da UFRJ.

    So apresentadas estratgias, atividades e recursos instrucionais para o professor

    de Fsica utilizar em sala de aula com alunos portadores de deficincia visual.

    Sugerimos a utilizao de material didtico adaptado para alunos deficientes visuais.

    Procuramos utilizar material de baixo custo e de fcil obteno. Para a obteno de

    melhores resultados, sugerimos que o professor utilize os recursos sob um enfoque de

    construo de modelos de modo a estimular o interesse e o envolvimento ativo do

    aluno. Conforme os alunos vo se engajando nas atividades, eles desenvolvem

    habilidades de raciocnio de forma crescente, alm de uma compreenso mais profunda

    dos conceitos e sua relevncia para o seu dia-a-dia. Este material foi desenvolvido de

    forma a no substituir, mas de complementar quaisquer recursos que o professor possa

    dispor.

    indicado que o professor faa uma reviso oral da teoria e os alunos

    acompanhem essa reviso em suas anotaes (anotaes em Braille) para depois

    mostrar os grficos e/ou as figuras no quadro magntico e aps a leitura ttil do

    desenho, o aluno dever tentar refazer o quadro, para fixar o aprendizado, naturalmente

    sob a superviso do professor, essa prtica apesar de ser um pouco demorada eficaz no

    aprendizado.

    O professor deve ter clara a idia de que tanto os alunos deficientes visuais

    quanto os alunos videntes, aprendem os contedos atravs de um processo de

  • 3

    construo mental, que muitas vezes envolve a reconstruo e da destruio de suas

    concepes. Neste processo, comparam-se os novos conceitos com os previamente

    adquiridos. Neste sentido, o professor precisa ter a sua disposio um espectro amplo

    de metodologias e estratgias de ensino e avaliao. Neste trabalho adotamos estratgias

    desenvolvidas a partir do modelo instrucional conhecido Ciclo de Aprendizagem (CA).

    Pesquisas tm mostrado que o CA constitui um modo efetivo de ensino/aprendizagem.

    Os ciclos de aprendizagem foram sugeridos pela primeira Karplus em 1962. Vrias

    verses dos CA foram desenvolvidas desde ento. O ciclo de aprendizagem original

    baseado em trs fases de instruo, combinando experincia com a transmisso social e

    estimulando a auto-regulao, a saber: i) fase de explorao, ii) fase de introduo do

    conceito e iii) fase de aplicao do conceito. Na fase de explorao, o aluno levado a

    fazer questionamentos sobre o novo assunto a ser estudado, a fim de trazer questes que

    ele no consiga responder com o seu conhecimento prvio. O desequilbrio mental, ou

    seja, a ruptura do estado de equilibrio do aluno, provocando uma busca no sentido de

    novas adaptaes (atividades de assimilao e acomodao), uma conseqncia

    natural imediata e os alunos esto prontos para a auto-regulao. O equilbrio refere-se

    ao processo regulador interno de diferenciao e coordenao que tende sempre para

    uma melhor adaptao do conhecimento.

    Na fase de introduo do conceito, um novo conceito apresentado de forma a

    responder s questes criadas na primeira fase. Na terceira fase, o novo conceito

    aplicado e nesta fase que ocorre a familiarizao do aluno com o conceito introduzido.

    O aluno aplica o novo conceito e/ou padro de raciocnio aprendido de forma criativa

    em situaes inditas. As instrues so minimizadas durante a fase de explorao, mas

    elas esto de volta na fase de introduo do conceito na forma de palestras e

  • 4

    demonstraes. Na fase de aplicao do conceito, o aluno tem a oportunidade de

    experimentar com materiais e interagir mais intensamente com o professor.

    A.1- ENSINANDO FSICA A UM DEFICIENTE VISUAL

    Ensinar Fsica a um aluno portador de deficincia visual no tarefa das mais

    fceis, pois a dificuldade de compreenso, devido falta de visualizao por parte do

    aluno, e a grande falta de material didtico formam a grande barreira desse aprendizado.

    O professor dever antes de iniciar o processo de ensino-aprendizagem conversar com o

    aluno, com seus familiares, com professores que j trabalharam com ele para obteno

    de informaes mais precisas e, assim, poder traar as estratgias necessrias para

    iniciar o processo de ensino-aprendizagem. Cabe tambm ao professor o

    desenvolvimento ou at mesmo a criao de material didtico para que o aluno possa

    entender as devidas explicaes sobre o assunto estudado. Sabemos que o aluno

    portador de deficincia visual enxerga o mundo com as mos, isto , utilizando o

    sentido do tato, assim importante que o material didtico seja desenvolvido em alto

    relevo.

    Neste trabalho sugerimos que durante estudo de grficos e diagramas que com

    certeza ocorre em Fsica e Matemtica, o professor utilize os quadros magnticos e

    ms, materiais que so de baixo custo e, tambm, de fcil aquisio. Esses quadros

    geralmente so de ao medindo 80 50 cm e os ms podem ser em forma de tiras, com

    1,0 cm de largura e espessura de 2 mm, ms em forma de pequenos cilindros, que

    fazem bem as curvas de um grfico ou ainda mantas imantadas, onde o professor recorta

    a forma que desejar. Os quadros podero ficar suspensos na parede por meio de

    parafusos, na altura certa para que o aluno possa utilizar as suas mos para leitura das

  • 5

    figuras. Essas aulas devero ser ministradas em sala prpria, denominada de sala de

    recursos, onde o professor e seus alunos deficientes permanecero sozinhos, para que a

    aula possa fluir sem motivos de desvio de ateno por parte dos alunos. Assim feito, a

    aula poder ser iniciada.

    A.2 Ilustrando a propagao retilnea da luz, formao de imagens em lentes e

    espelhos

    Objetivo: introduzir os conceitos da tica geomtrica

    Material: emissor laser, isopor, alfinetes, prisma.

    Importante!

    Algumas figuras sugerem a utilizao de um laser de maior potncia. Neste caso, foi

    utilizado um laser adaptado de um leitor de CDs. Assim, recomendvel que o

    professor e demais pessoas videntes presentes no local utilizem certas precaues tais

    como culos especiais para evitar que o laser danifique a viso.

    Lasers de potncias moderadas e altas so potencialmente perigosos porque

    podem queimar a retina do olho, ou mesmo a pele. Para controlar o risco de leses,

    foram criadas normas, por exemplo, a ANSI Z136 nos Estados Unidos e a norma

    internacional IEC 60825, para definir as "classes" de lasers em funo da sua energia e

    comprimento de onda. Estas normas tambm descrevem medidas de segurana

    necessrias, tais como a rotulagem dos lasers com avisos especficos, alm a utilizao

    culos de segurana quando estiver operando a laser. O apndice B apresenta os riscos e

    as classificaes dos sistemas a lasers.

    Primeira fase: explorao do conceito

  • 6

    Nesta fase o instrutor prepara o aluno para as fases seguintes. Inicialmente o

    instrutor informa ao aluno quais os objetivos da instruo. O instrutor introduz o tema

    de forma sucinta e apresenta suas expectativas. O aluno informado sobre os

    conhecimentos que dever adquirir e as tarefas que dever realizar nesta fase inicial. O

    instrutor procura despertar o interesse dos alunos por meio de demonstraes e/ou

    estimulando a discusso de eventos que estimulem a apresentao de opinies

    diferentes. O instrutor procura atravs desta discusso provocar nos alunos uma

    desestabilizao mental, no sentido piagetiano. Isto deve-se ao fato de que normalmente

    o aluno no consegue acomodar prontamente o novo conhecimento apresentado nesta

    fase s suas concepes prvias. As informaes introduzidas pelo instrutor podem ir

    contra s concepes dos alunos gerando questionamentos. Nesta fase o instrutor fica a

    par das concepes dos alunos, podendo fazer uso das experincias anteriores do aluno

    acerca do assunto.

    Depois de uma exposio sucinta sobre o assunto, os alunos so estimulados a

    aprender atravs da sua prpria experincia. Algumas atividades so sugeridas pelo

    professor que iro ajudar aos alunos a adquirir novas experincias para atividades de

    extenso posteriores. Durante esta fase, os alunos recebem apenas um mnimo de tutoria

    e encoraja-se que o aluno explore novos conceitos por conta prpria. Durante a

    atividade de explorao, o instrutor fornece incentivos, tutoriais e/ou sugestes. Esta

    atividade proporciona a informao ao professor quanto capacidade dos alunos em

    lidar com os conceitos e/ ou habilidades que esto sendo introduzidos. Alm disso, os

    alunos iro lidar com as habilidades de raciocnio que possam conduz-lo busca da

    soluo para um problema.

    Para introduzir os primeiros conceitos sobre a luz, nesta primeira fase os

    estudantes so expostos por exemplo luz solar. Pode-se de modo alternativo,

  • 7

    aproximar a mo do aluno de uma lmpada acesa de um abat-jour, para que ele tambm

    possa sentir o calor, ou ainda, aproximar a mo do aluno da chama de uma vela. Tanto a

    exposio ao Sol, quanto a aproximao da mo lmpada ou chama, devero ocorrer

    dentro de um pequeno intervalo de tempo, para evitar acidentes

Search related