Medicina Chinesa Brasil - Edição 16

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Medicina Chinesa na Dinastia Tang Respiração da Coluna Relato de Tratamento de Hepatite C com a técnica Nagano Entrevista Especial: Quatro Histórias Na Medicina Chinesa

Text of Medicina Chinesa Brasil - Edição 16

  • 1Medicina Chinesa Brasil Ano V no 15

  • Corpo EditorialEditor ChefeDr. Reginaldo de Carvalho Silva Filho, Fisioterapeu-ta; Acupunturista; Praticante de Medicina Chinesa

    Editor ExecutivoDr. Cassiano Mitsuo Takayassu, Fisioterapeuta; Acu-punturista; Praticante de Medicina Chinesa

    Editor CientficoDr. Rafael Vercelino, PhD, Fisioterapeuta; Acupun-turista

    Coordenao EditorialGilberto Antonio Silva, Acupunturista; Jornalista (Mtb 37.814)

    Reviso

    Adilson Lorente, Acupunturista; Jornalista

    Comit CientficoDr. Mrio Bernardo Filho, PhD (Fisioterapia e Biomedicina)Dra. Ana Paula Urdiales Garcia, MSc (Fisioterapia)Dra. Francine de Oliveira Fischer Sgrott, MSc. (Fisioterapia)Dra. Margarete Hamamura, PhD (Biomedicina)Dra. Mrcia Valria Rizzo Scognamillo, MSc. (Veterinria)Dra. Paula Sader Teixeira, MSc. (Veterinria)Dra. Luisa Regina Pericolo Erwig, MSc. (Psicologia)Dra. Aline Salto Baro, MSc (Biomedicina)

    Assessores NacionaisDr. Antonio Augusto CunhaDaniel LuzDr. Gutembergue LivramentoMarcelo Fbian OlivaSilvia FerreiraDr. Woosen Ur

    Assessores InternacionaisPhilippe Sionneau, FranaArnaud Versluys, PhD, MD (China), LAc, Estados UnidosPeter Deadman, InglaterraJuan Pablo Molt Ripoll, EspanhaRichard Goodman, Taiwan (China)Junji Mizutani, JapoJason Blalack, Estados UnidosGerd Ohmstede, AlemanhaMarcelo Kozusnik, ArgentinaCarlos Nogueira Prez, Espanha

    As opinies emitidas em matrias assinadas so de responsabilidade de seus autores e no representam, necessariamente, a opinio da publicao.

    CONTATOSEnvio de artigos:editor@medicinachinesabrasil.com.brPublicidade:comercial@medicinachinesabrasil.com.brSugestes, dvidas e crticas:contato@medicinachinesabrasil.com.br

    www.medicinachinesabrasil.com.br

    Medicina Chinesa BrasilAno V no 16

    EDITORIAL

    Firmando a Ponte Area

    O estudo da Medicina Chinesa nunca foi algo fcil e simples. A dedicao e o esforo pessoal so essenciais no xito clnico desde os primrdios h mais de 2 mil anos. E isso no diferente em 2015 como no era em 600 a.C. quando Zi Chan diagnosticou a doena do Duque de Ping como fruto de dieta imprpria, distrbios emocionais e intemperana na vida sexual. Estudar, procurar os conhecimentos e se aperfeioar continuamente o mote dos especialistas em Medicina Chinesa desde o incio.

    E no existe gua mais pura do que a que est perto da fonte, como dizem os chineses. Isso tem levado dezenas de brasileiros a estudarem na China, por algumas semanas ou vrios anos. Esse fluxo se intensificou h alguns anos com a queda do preo de passagens areas e a aproximao entre os governos chins e brasileiro. A visita do primeiro-ministro chins Li Keqiang, em maio ltimo, foi um claro sinal da importncia de relaes mais estreitas entre os dois pases. A China nosso principal parceiro comercial.

    Neste mesmo ano vrias escolas importantes levaram grupos de estudo Chi-na, como o CEMETRAC e a Ebramec. Essa prtica se tornou quase corriqueira nas grandes escolas, fora os alunos que procuram o intercmbio por conta prpria. E foi pensando nisso que nosso Editor Chefe, Dr. Reginaldo de Carvalho Silva Filho, entrevistou quatro estudantes brasileiros incomuns, com grande experincia nas universidades chinesas. Ser uma oportunidade interessante de conhecer mais de perto as motivaes e obstculos desses intrpidos viajantes.

    Um dos principais trabalhos do Presidente Xi Jinping tem sido o de elaborar cooperao com vrios pases em todos os continentes visando um crescimento econmico e cultural forte e harmonioso. Ele utiliza como referncia frequente em seus discursos a Dinastia Tang, que trouxe uma Idade de Ouro China. Nesta edio temos um artigo sobre essa dinastia e sua importncia na Medicina Chinesa.

    Tambm trazemos um interessante artigo sobre o Taijiquan da famlia Chen, em espanhol, fruto da colaborao de uma escola no Chile. uma forma de explorarmos melhor como as artes marciais internas se relacionam com a Medicina Chinesa e podem servir de elemento teraputico.

    Ainda temos vrios outros assuntos interessantes em fitoterapia, farmacologia, auriculoterapia, estudos de casos e muito mais. Que nossa ltima edio de 2015 seja importante para seu aperfeioamento e maior compreenso desta cincia maravilhosa.

    Boa leitura

    Gilberto Antnio SilvaCoordenador Editorial

  • Sum

    rio

    Sees: 03 Expediente 03 Editorial04 Sumrio64 Normas para Publicao de Material

    Medicina Chinesa Brasil Ano V no 16

    06 A Relao do Bao e do Pulmo nas Desordens Crnicas e o Homem como Produto de Si Mesmo12 A Atuao da Acupuntura na Doena de Alzheimer16 A relao entre a rea nativada planta e sua utilizao clnica 18 Da Qing Long Tang para tratar a insnia20 Utilizao de um protocolo de auriculoterapia no tratamento da Sndrome de Abstinncia: Estudo de Caso 26 Respirao da Coluna28 Como sedar o fogo patolgico sem machucar o fogo de Ming Men ( )30 Relato de caso: tratamento de Hepatite C com Tcnica de Nagano38 Os pontos auriculares eletricamente detectveis so tambm dolorosos? 42 Quatro histrias na Medicina Chinesa50 TAIjIQUAN - el arte de moverse en equilibrio 54 Medicina Chinesa na Dinastia Tang58 Shonishin: Acupuntura Peditrica japonesa - Abordagens japonesas para se adaptar a acupuntura para crianas

    4 Medicina Chinesa Brasil Ano V no 16

  • 5Medicina Chinesa Brasil Ano V no 15

  • Art

    igo

    Resumo: cada vez mais frequente estarmos frente a doenas crni-

    cas, ndice que cresce de forma avassaladora nos novos tempos. Numa avalanche de por que no respondidos o homem busca ao seu redor o que est em si prprio. A Medicina Chinesa e seu olhar naturalista analisa toda e qualquer relao do indivduo com seu entorno e consigo mesmo, e em um paralelo entre macro-micro abordaremos duas estruturas em especial, o Bao e o Pulmo, para elaborarmos o andamento das patologias crnicas que tanto nos assolam e amedrontam. Por fim, como tratar essas desordens? Qual o caminho que deve ser seguido? Todos ns devemos escutar nosso corpo, olhar para ele no como algo que deve responder nossos desejos, mas como uma integrao mente-corpo, na qual, a aflio corprea faz parte da nossa aflio. Afinal o corpo nosso.

    INTRODUOVivemos em um paradoxo. A palavra paradoxo vem do

    latim paradoxum, de prefixo para que significa oposto e doxa que quer dizer opinio, uma opinio oposta, ou melhor, uma declarao aparentemente verdadeira que leva a uma con-tradio lgica. Vivemos em uma contradio, corporal, social, contradio de valores.

    Por mais que parea que estamos conectados, com todas as redes sociais, com a velocidade da informao, na verdade estamos em grande desconexo, no temos tempo para nada. Temos que cuidar dos filhos, da tese de mestrado, do trabalho, ir ao mdico, temos aniversrios de amigos, festas, etc, enfim, no temos tempo. Depois de tanta demanda o nosso estma-go ainda quer nos incomodar, a coluna di, temos crise de enxaqueca, e as reclamaes voltam-se ao corpo como se o indivduo no tivesse nada a ver com essa histria.

    Com uma freqncia cada vez maior chega ao consultrio pacientes que buscam um religare corporal e mental. O ritmo da sociedade em que vivemos to intenso que nos esquece-mos que temos um corpo, ou ao contrrio, quando prestamos a ateno neste corpo ele no est adequado aos nossos desejos, nunca est como gostaramos. Fazemos um grande pecado com esse corpo, com essa mente.

    Corpos desalinhados, doenas crnicas, cnceres, ELA (Esclerose Lateral Amiotrfica), e a lista de doenas extensa. Ser que nos esquecemos que somos mestres do nosso corpo/mente? Que para toda ao existe uma reao de igual potn-

    cia, nos tornando ns mesmos produtos das nossas aes? Cada ao uma informao dada ao corpo que vai reagir de mltiplas maneiras na tentativa de se reequilibrar, gerando consequncias mltiplas.

    Na origem da vida, segundo os chineses h o encontro do cu e da terra e isso forma o homem. Algo aproximado entre a essncia do pai e da me que se encontram e surge a vida. Nascemos. Quando nascemos precisamos de algo a mais do que a essncia dos pais para sobrevivermos, precisamos de combustvel chamado alimento e ar. Assim a relao do cu e da terra continua, pois respiramos o ar que vem do cu, comemos e bebemos o alimento que brota da terra.

    Atualmente recebemos uma carga de informao inimag-invel comparados com momentos pretritos. H uma demanda que o nosso organismo potencialize seu metabolismo para podermos acompanhar essa enxurrada de notcias. Dessa sobrecarga advm a falta de concentrao, uma alimentao escassa, sedentarismo ou atividade fsica em excesso, a respi-rao se torna curta, etc. Esse o princpio da desconexo individual. O corpo compe O ser integral. No existe esse conceito do corpo E emoo e sim do corpo/emoo, corpo/mente. No o estmago somos ns que nos auto-infligimos a dor, a doena, o desconforto, a no capacidade do fazer. Redefinimos nosso ser atravs das interaes, eu comigo mesmo e eu com o meio no qual me relaciono.

    Na Medicina Chinesa pensamos em respirar para poten-cializar a dinmica do corpo, e isso acontece com a ajuda dos pulmes como o alimento nos fortificamos atravs da transfor-mao do Bao. Quando falamos dos rgos e vsceras, atravs do pensamento chins, apresentamos uma teoria prpria, no analisamos eles como visto e elaborado na medicina oci-dental. Pensamos nos rgos como funo que veremos mais adiante neste artigo.

    SURGIMENTO DA VIDAQuando pensamos na formao da vida sabemos que h

    um encontro entre o desejo do pai e da me, a essncia Jng do pai e da me se unem. Quando esse encontro consolidado a conscincia Shn se expressa. Chamo ateno ao termo Shn, pois quando os autores o traduzem como conscincia, no devemos confundir com o que o ocidente entende do assun-to. Para o chins Shn algo como uma fora criadora que traz identidade ao ind