Miguel Godoy - Gargarella e Santiago Nino

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Democracia e Constitucionalismo em Gargarella e Santiago Nino

Text of Miguel Godoy - Gargarella e Santiago Nino

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANSETOR DE CINCIAS JURDICAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM DIREITO

    CONSTITUCIONALISMO E DEMOCRACIA: uma leitura a partir de CarlosSantiago Nino e Roberto Gargarella

    CURITIBA2011

  • MIGUEL GUALANO DE GODOY

    CONSTITUCIONALISMO E DEMOCRACIA: uma leitura a partir de CarlosSantiago Nino e Roberto Gargarella

    Dissertao apresentada como requisito parcial obteno do ttulo de Mestre em Direito do Estadopelo Programa de Ps-Graduao em Direito daFaculdade de Direito, Setor Cincias Jurdicas, daUniversidade Federal do Paran.

    Orientadora: Prof. Dr. Vera Karam de ChueiriCo-orientador: Prof. Tit. Dr. Roberto Gargarella

    CURITIBA2011

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    TERMO DE APROVAO

    MIGUEL GUALANO DE GODOY

    CONSTITUCIONALISMO E DEMOCRACIA: uma leitura a partir de CarlosSantiago Nino e Roberto Gargarella

    Dissertao aprovada como requisito parcial obteno do ttulo de Mestre emDireito do Estado pelo Programa de Ps-Graduao em Direito da Faculdadede Direito da Universidade Federal do Paran, pela seguinte bancaexaminadora:

    Orientadora: ______________________________________________Prof. Dr. Vera Karam de Chueiri (UFPR)

    _______________________________________________

    Prof. Tit. Dr. Clmerson Merlin Clve (UFPR)

    _______________________________________________

    Prof. Tit. Dr. Roberto Gargarella (UBA)

    Curitiba, 25 de fevereiro de 2011

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    Somos uma democracia bloqueada, uma democraciamutilada, uma democracia sem povo; o que, alis, singular contradio de forma e substncia, porquanto sesuprime a o passivo das liberdades e dos direitoshumanos.

    Paulo Bonavides

  • xAGRADECIMENTOS

    Preciso e devo agradecer, sempre e antes de tudo, minha Famlia,minha Grande Famlia. Aos meus pais, fonte de todo amor, carinho, apoio ecompreenso. Meu pai, heri da vida. Minha me, doura e sabedoria. Ao meuirmo Gabriel Godoy, jurista maior, que se faz presente mesmo estando longe.Ao meu irmo Rafael Godoy, por me fazer viver a vida, rir e sorrir... pelo showda vida. Devo, tambm, um agradecimento especial Stephanie Uille (e suaFamlia), companheira querida, amorosa e acolhedora, que tem me ajudado econfortado nesse duro percorrer da vida, em geral, e da vida acadmica, emparticular.

    Na Academia, preciso e devo agradecer antes ao Prof. Tit. Dr. JosAntnio Peres Gediel, que desde sempre me abriu as portas da Universidade,me acolheu como seu orientando, me ensinou a ler e pensar criticamente e, emtoda sua grandeza, me permitiu alar voo para outra rea o DireitoConstitucional. Sua genial sensibilidade me fez ver para alm das majestosascolunas da UFPR.

    minha Professora, Orientadora e Amiga Dr. Vera Karam de Chueiri,exemplo de dedicao docncia, que me acolheu desde o primeiro ano daFaculdade, ainda em 2003. Maestrina no (re)pensar da Filosofia e do DireitoConstitucional e que pe cor e beleza em tudo o que escreve. Sem ela jamaiseu poderia percorrer o no caminho (como disse Jacques Derrida). Agradeo otempo de aluno; o tempo de monitoria; o tempo de aulas; o tempo do Mestrado.Agradeo o que, para mim, est para alm das palavras algo que s sedescobre com o colorido de R. Britto, com o tom de um samba, com o indizvelde Agamben e com a esperana da literatura. A ela devo agradecer tudo o queh de bom neste trabalho e tambm um pouco do que h de bom em mimmesmo.

    Ao meu Co-orientador, Prof. Tit. Dr. Roberto Gargarella, que meensinou a pensar com Nino e para alm de Nino; que me recebeu sempre tobem em Buenos Aires, na Faculdade de Direito da Universidade de BuenosAires (UBA); que, partilhando sua genialidade, sempre se disps a debater ecorrigir minhas ideias e meu trabalho, fazendo-me ver, assim, no DireitoConstitucional e na Democracia Deliberativa um bom caminho a seguir, uma

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    esperana a ser alcanada. Por fin, muchas gracias por todas las charlas,sobretodo las desarrolladas en torno a una buena mesa con rica comida.

    Prof. Dr. Katya Kozicki, pelo ensino, pelas aulas interessantes combibliografia e debates excelentes (sem muitos devaneios); pelas questesdifceis, mas principalmente pela sua generosidade no meu constanteaprendizado.

    Ao Prof. Tit. Dr. Clmerson Merlin Clve, pela sua genialidadecompartilhada, quando fui seu aluno, e pelo apoio para que eu fosse sempreem frente.

    Ao Prof. Dr. Srgio Cruz Arenhart, pelas lies ao longo de quatro anosem sala de aula, no MPF e, sobretudo, pelas palavras de contradio, pois noconflito que se descobre a democracia (e o Direito Constitucional).

    Prof. Dr. Eneida Desiree Salgado, pelos questionamentos e pelaconstante troca.

    Ao Prof. Dr. Menelick de Carvalho Neto, que sempre se disps adebater algumas das ideias que esto neste trabalho e, assim, me ensinoumuito.

    Ao Prof. Tit. Dr. Gilberto Bercovici, que mesmo estando longe tambmse faz presente na crtica e no remar contra a mar (e porque tambm sou eestou na periferia).

    Um agradecimento especial Dr. Vania Mercer, exemplo deprofissionalismo, sabedoria e especial sensibilidade. Com ela pude ir em frente.

    Agradeo ao meu amigo e interlocutor maior dessa jornada, JosArthur Castillo de Macedo, que sempre debateu to bem e me ensinou tantocom nossas discusses e principalmente com nossos desacordos! Tambmvale um agradecimento especial Nicole Gonalves, querida, atenta ecompanheira na paixo pela democracia deliberativa. E entre essesapaixonados pelo Direito Constitucional (e pela democracia deliberativa) umagradecimento ao Professor e Amigo argentino Dr. Lucas Arrimada, sempreatento aos fundamentos e argumentos, por ser um professor exemplar e porme receber em seu estdio impecvel e interessantssimo em Buenos Aires.Um obrigado ao colega e amigo Eduardo Borges, que me ajudou com algumasimportantes pesquisas deste trabalho. Agradeo tambm Prof. Dra. Estefnia

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    Barboza que me forneceu uma importante bibliografia para a escrita destetrabalho.

    Um agradecimento aos amigos e companheiros do Centro de EstudosJurdicos da Ps-Graduao em Direito da UFPR (CEJUR): Marlia Xavier,Luciana Xavier, Felipe Bley Folly, Juliana P. Fonseca, Fernanda Gonalves, ZArthur (de novo), William Pugliese, Eduardo Faria e Daniele Pontes. SalveLeminski!

    Aos amigos queridos que sempre se mostram to amigos: AndrGiamberardino, Tiago Massambani, Rene Toedter, Desdmona Arruda eGabriel Jamur, Melina Fachin e Marcos Gonalves, Mauricio Dieter, SamirNamur, Ilton Norberto Robl Filho, Pablo Malheiros, Leonardo Orth, Ana Lcia P.Pereira, Helosa Krol e Dr. Fernanda Karam Sanches(!).

    Aos amigos de longe e de fora do Direito que, mesmo assim, meacompanham: Felipe Galzerani, Thomaz Oliveira, Ricardo Galvo, GuilhermeJunqueira, Leonardo Steinke, Marcelo Silva, Felipe Hbner, Bruno Janz,Evandro Nishimuni, Jos Ferreira, Marcele Guerra, Ignacio Csar e NicolsSchjuman (que me receberam em Buenos Aires).

    Por fim, um obrigado queles que tambm marcaram esse trajeto(mesmo que aqui alguns j no mais estivessem e, por isso mesmo, tambmestavam) meu Av Alosio de Abreu, meu exemplo; minha Av ureaGualano, que saudade; minha Av Cida Abib de Godoy, professora eeducadora; meu Av Sidney Godoy, que gostaria de ter visto tudo isso.

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    RESUMO

    Refletir sobre o direito constitucional (re)pensar necessariamente oconstitucionalismo e a democracia. A democracia entendida como governosoberano do povo encerra em si uma tenso ante o constitucionalismocompreendido como primado da lei, da Constituio. Nesse sentido, a relaoentre constitucionalismo e democracia remete a outra que est na sua base,qual seja, soberania e poder constituinte. na Modernidade que a democracia tida como governo do povo governo da maioria. Com isso, altera-se aideia de soberania, que passa a ser popular, e tambm a partir da caber aopovo a tarefa de se autolegislar e fundar a ordem normativa que reger asociedade a Constituio. A Constituio, no entanto, s adquire um sentidoperene se situada num ambiente democrtico, e a democracia s se realiza seestiver protegida e albergada pela Constituio. Diante dessa insanvel eprodutiva tenso entre democracia e constitucionalismo, uma alternativa percorrer um caminho comum s duas noes: o princpio da igualdade. Anoo de igualdade aqui tomada assinala no apenas um valor idntico a cadaum, mas tambm igual considerao e respeito aos seres humanos. a partirdessa ideia de igualdade e da existncia e fruio de instrumentos que facilitame permitem atuaes e decises coletivas que se pode pensar um processotransformador da realidade. Dessa forma, concebe-se a democracia como umprocesso orientado transformao. Processo este que, conforme propemCarlos Santiago Nino e Roberto Gargarella, se ope construo socialalicerada no status quo e foge da posio individual e egosta para atuar emfavor de uma posio coletiva. A democracia deliberativa parte da ideia de queum sistema poltico valioso aquele que promove a tomada de decisesimparciais, por meio de um debate coletivo com todos os potencialmenteafetados pela deciso, tratando-os com igualdade. A democracia s se justificana medida em que permite a construo de um espao pblico de deliberao.E ser justamente neste espao (estatal e(ou) no estatal) em que os cidadospodero ento decidir qual o melhor rumo para suas vidas e que princpios enormas regero a sociedade em que vivem. Se o Poder Judicirio tem algumpapel a cumprir na tarefa de garantir e respeitar a democracia, tambm a teoriada democracia deliberativa tem um papel a cumprir sobre a prtica jurisdicional.E justamente a concepo deliberativa de democracia aqui defendida queindica o caminho e a direo a serem seguidos para se repensar essa prticajurisdicional. Vale dizer, desde a perspectiva da democracia deliberativa, oPoder Judicirio pode e deve atuar de maneira diversa, em especial no quetange ao controle de constitucionalidade das leis, aos direitos sociais e aosmovimentos de protesto.