Miguel Torga 2

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vida e obras

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MIGUEL TORGA

Definio do autorNasceu na localidade de So Martinho de Anta, em 12 de Agosto de 1907.Oriundo de uma famlia humilde de Sabrosa, era filho de Francisco Correia Rocha e Maria da Conceio Barros. Em 1917, aos dez anos, foi para uma casa apalaada do Porto, habitada por parentes. Fardado de branco, servia de porteiro, moo de recados, regava o jardim, limpava o p, polia os metais da escadaria nobre e atendia campainhas. Foi despedido um ano depois, devido constante insubmisso. Em 1918 foi mandado para o seminrio de Lamego, onde viveu um dos anos cruciais da sua vida. Estudou Portugus, Geografia e Histria, aprendeu latim e ganhou familiaridade com os textos sagrados. Pouco depois comunicou ao pai que no seria padre.BiografiaEmigrou para o Brasil em 1920, ainda com doze anos, para trabalhar na fazenda do tio, proprietrio de uma fazenda de caf. Ao fim de quatro anos, o tio apercebe-se da sua inteligncia e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925, convicto de que ele viria a ser doutor em Coimbra, o tio props-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de servio, o que o levou a regressar a Portugal e concluir os estudos liceais.

Em 1928, entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.Em 1929, com vinte e dois anos, deu incio colaborao na revista Presena, folha de arte e crtica, com o poema Altitudes. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literrio avanado de Jos Rgio, Gaspar Simes e Branquinho da Fonseca era bandeira literria do grupo modernista e bandeira libertria da revoluo modernista. Em 1930 rompe definitivamente com a revista Presena, junto com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca, por razes de discordncia esttica e razes de liberdade humana, assumindo uma posio independente. Nesse ano, publica o livro Rampa, lanando, no ano seguinte, Tributo e Po zimo, e, em 1932, Abismo. Em colaborao com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de efmera durao, e, em 1936, lana, junto com Albano Nogueira, o peridico Manifesto. Nesse ano, publica O Outro Livro de Job.

Carreira profissional e literriaA obra de Torga traduz sua rebeldia contra as injustias e seu inconformismo diante dos abusos de poder. Reflete sua origem alde, a experincia mdica em contato com a gente pobre e ainda os cinco anos que passou no Brasil (dos 13 aos 18 anos de idade), perodo que deixou impresso em Trao de Unio (impresses de viagem, 1955) e em um personagem que lhe servia de alter-ego em A criao do mundo, obra de fico em vrios volumes, publicada entre 1937 e 1939. As crticas que fez a ao franquismo resultaram em sua priso (1940).Publica os livros A Terceira Voz em 1934, aonde pela primeira vez empregou o seu pseudnimo, Bichos em 1940, Contos da Montanha em 1941, Rua em 1942, O Sr. Ventura e Lamentao em 1943, Novos Contos da Montanha e Libertao em 1944, Vindima em 1945, Sinfonia em 1947, Nihil Sibi em 1948, Cntico do Homem em 1950, Pedras Lavradas em 1951, Poemas Ibricos em 1952, e Orfeu Rebelde em 1958.O que demonstrava a sua obra?Crtico da praxe e das restantes tradies acadmicas, chama depreciativamente farda capa e batina. Ama a cidade de Coimbra, onde exerce a sua profisso de mdico a partir de 1939 e onde escreve a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a licenciatura em Medicina pela Universidade de Coimbra. Comeou a exercer a profisso nas terras agrestes transmontanas, pano de fundo de grande parte da sua obra. Dividiu seu tempo entre a clnica de otorrinolaringologia e a literatura. Aps a Revoluo dos Cravos que derrubou o regime fascista em 1974, Torga surge na poltica para apoiar a candidatura de Ramalho Eanes presidncia da Repblica (1979). Era, porm, avesso agitao e publicidade e manteve-se distante de movimentos polticos e literrios.Autor prolfico, publicou mais de cinquenta livros ao longo de seis dcadas e foi vrias vezes indicado para o Prmio Nobel da Literatura.

Casou-se com Andre Crabb em 1940, uma estudante belga que, enquanto aluna de Estudos Portugueses, com Vitorino Nemsio em Bruxelas, viera a Portugal fazer um curso de vero na Universidade de Coimbra. O casal teve uma filha, Clara Rocha, nascida a 3 de Outubro de 1955, e divorciada de Vasco Graa Moura.Torga, sofrendo de cancro, publicou o seu ltimo trabalho em 1993, vindo a falecer em Janeiro de 1995. A sua campa rasa em So Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra ao poeta.Casamento e ltimos anos

Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha cria o pseudnimo "Miguel" e "Torga". Miguel, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibrica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. J Torga uma planta brava da montanha, que deita razes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilneo.A origem do pseudnimoAs Obras De TorgaA obra de Torga tem um carter humanista: criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuao da natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da natureza: sem o homem, no haveria searas, no haveria vinhas, no haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnfica de muitas geraes de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanncia: para ele, s a humanidade seria digna de louvores, de cnticos, de admirao: (hinos aos deuses, no/os homens que merecem/que se lhes cante a virtude/bichos que cavam no cho/atuam como parecem/sem um disfarce que os mude).Obras Poesia1928 - " Ansiedade " (fora do mercado)1930 - Rampa1936 - O outro livro de Job1944 - Libertao1958 - Orfeu rebelde1962 - Cmara ardente1965 - Poemas ibricos1997- Poesia Completa, volume I2000- Poesia Completa, volume II

Prosa1931 - Po zimo1931 - Criao do Mundo1934 - A Terceira Voz1937 - Os Dois Primeiros Dias1938 - O Terceiro Dia da Criao do Mundo1939 - O Quarto Dia da Criao do Mundo1940 - Bichos1941 - Contos da Montanha "Dirio I"1942 - Rua1943 - O Senhor Ventura"Dirio II"1944 - Novos Contos da Montanha1945 - Vindima1946 - "Dirio III"1949 - "Dirio IV"1950 - Portugal'1951 - Pedras LavradasDirio V"LIBERDADE Liberdade, que estais no cu...Rezava o padre-nosso que sabia,A pedir-te, humildemente,O pio de cada dia.Mas a tua bondade onipotenteNem me ouvia.

Liberdade, que estais na terra...E a minha voz cresciaDe emoo.Mas um silncio triste sepultavaA f que ressumavaDa orao.

At que um dia, corajosamente,Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,Saborear, enfim,O po da minha fome. Liberdade, que estais em mim,Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in 'Dirio XII'Curiosidades!!!Para Miguel Torga, nenhum deus digno de louvor: na sua condio omnisciente -lhe muito fcil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural no se lhe ope qualquer dificuldade para fazer a natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado, exposto doena, misria, desgraa e morte tambm capaz de criar, e sobretudo capaz de se impor natureza, como os trabalhadores rurais transmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras. E essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a natureza, mal-grado todas as limitaes de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga, fazem do homem nico ser digno de adorao.

Prmios e homenagens1969 - Prmio do Dirio de Notcias.1976 - Prmio de Poesia da XII Bienal de Internacional de Poesia de Knokke-Heist (Blgica) (1977)1980 Prmio Morgado de Mateus, com Carlos Drummond de Andrade (1980)1981 - Prmio Montaigne da Fundao Alem F.V.S.1989 - Prmio Luso-Brasileiro Lus de Cames (1989)1991 - Prmio Personalidade do Ano1992 - Prmio Vida Literria da Associao Portuguesa de Escritores1993 - Prmio da Crtica, consagrando a sua obraO seu nome foi colocado, em 3 de Maio de 1995, numa rua da Freguesia de Santa Maria, no Conselho de Lagos.Poema De Miguel Torga