Ministrio da Sade - Este texto no substitui o publicado no Dirio Oficial da Unio Ministrio da Sade Gabinete do Ministro PORTARIA N 3.125, DE 7 DE OUTUBRO DE 2010

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  • ADVERTNCIA

    Este texto no substitui o publicado no Dirio Oficial da Unio

    Ministrio da Sade Gabinete do Ministro

    PORTARIA N 3.125, DE 7 DE OUTUBRO DE 2010

    Aprova as Diretrizes para Vigilncia, Ateno e Controle da hansenase;

    O MINISTRO DE ESTADO DA SADE, no uso da atribuio que lhe confere o inciso II do pargrafo nico do art. 87 da Constituio, e

    Considerando que o modelo de interveno para o controle da endemia baseado no diagnstico precoce, tratamento oportuno de todos os casos diagnosticados, preveno e tratamento de incapacidades e vigilncia dos contatos domiciliares;

    Considerando que essas aes devem ser executadas em toda a rede de ateno primria do Sistema nico de Sade - SUS e que, em razo do potencial incapacitante da hansenase, deve-se garantir ateno especializada em unidades de referncia ambulatorial e hospitalar, sempre que necessrio; e

    Considerando a existncia de transmisso ativa da hansenase no Brasil, com ocorrncia de novos casos em todas as unidades federadas, predominantemente nas Regies Norte, Centro-Oeste e Nordeste, resolve:

    Art. 1 As Diretrizes para Vigilncia, Ateno e Controle da Hansenase, constantes do Anexo I a esta Portaria, estabelecidas de acordo com os princpios do Sistema nico de Sade - SUS, tm a finalidade de orientar os gestores e profissionais dos servios de sade.

    Pargrafo nico. As Diretrizes para Vigilncia, Ateno e Controle da Hansenase visam ao fortalecimento das aes de vigilncia epidemiolgica da hansenase, bem como organizao da rede de ateno integral e promoo da sade com base na comunicao, educao e mobilizao social.

    Art. 2 Os Formulrios das Diretrizes para Vigilncia, Ateno e Controle da Hansenase consistem em instrumentos destinados implementao das aes de controle da hansenase.

    Pargrafo nico. Os Formulrios referidos no caput estaro disponveis no endereo eletrnico http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/formularios_portaria_n3125_hanseniase.pdf

    Art. 3 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicao.

    Art. 4 Fica revogada a Portaria Conjunta SVS/SAS/MS n. 125 de 26 de maro de 2009, publicada no Dirio Oficial da Unio n. 59, de 27 de maro de 2009, seo 1, pginas 73 a 78.

    JOS GOMES TEMPORO

    ANEXO I

  • DIRETRIZES PARA VIGILNCIA, ATENO E CONTROLE DA HANSENASE

    1. Introduo

    O Programa Nacional de Controle da Hansenase do Ministrio da Sade desenvolve um conjunto de aes que visam orientar a prtica em servio em todas as instncias e diferentes complexidades, de acordo com os princpios do SUS, fortalecendo as aes de vigilncia epidemiolgica da hansenase, a promoo da sade com base na educao permanente e a assistncia integral aos portadores deste agravo.

    A ateno pessoa com hansenase, suas complicaes e sequelas, deve ser oferecida em todaa rede do Sistema nico de Sade, de acordo com a necessidade de cada caso.

    Considera-se um caso de hansenase a pessoa que apresenta um ou mais dos seguintes sinais cardinais e que necessita de tratamento poliquimioterpico:

    a) leso(es) e/ou rea(s) da pele com alterao de sensibilidade;

    b) acometimento de nervo(s) perifrico(s), com ou sem espessamento, associado a alteraes sensitivas e/ou motoras e/ou autonmicas; e

    c) baciloscopia positiva de esfregao intradrmico.

    A hansenase uma doena de notificao compulsria em todo o territrio nacional e de investigao obrigatria. Os casos diagnosticados devem ser notificados, utilizando-se a ficha de notificao e investigao do Sistema de Informao de Agravos de Notificao/Investigao - Sinan Anexo I.

    2. Assistncia

    2.1. Diagnstico de caso de hansenase

    O diagnstico de caso de hansenase essencialmente clnico e epidemiolgico, e realizado por meio da anlise da histria e das condies de vida do paciente, do exame dermatoneurolgico para identificar leses ou reas de pele com alterao de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos perifricos (sensitivo, motor e/ou autonmico).

    Os casos com suspeita de comprometimento neural, sem leso cutnea (suspeita de hansenase neural pura) e aqueles que apresentam rea (s) com alterao sensitiva e/ou autonmica duvidosa e sem leso cutnea evidente, devero ser encaminhados aos servios de referncia (municipal, regional, estadual ou nacional) para confirmao diagnstica. Recomenda-se que nessas unidades os casos sejam submetidos novamente ao exame dermatoneurolgico, avaliao neurolgica, coleta de material (baciloscopia ou histopatologia cutnea ou de nervo perifrico sensitivo) e, sempre que possvel, a exames eletrofisiolgicos e/ou outros mais complexos para identificar comprometimento cutneo ou neural discreto, avaliao pelo ortopedista, neurologista e outros especialistas para diagnstico diferencial com outras neuropatias perifricas.

    Em crianas, o diagnstico da hansenase exige exame criterioso, diante da dificuldade de aplicao e interpretao dos testes de sensibilidade. Recomenda-se aplicar o Protocolo Complementar de Investigao Diagnstica de Casos de Hansenase em Menores de 15 anos - PCID < 15, conforme Guia de Vigilncia Epidemiolgica do Ministrio da Sade, 2009 (Anexo II).

    O diagnstico de hansenase deve ser informado ao paciente de modo semelhante aos diagnsticos de outras doenas curveis e se causar impacto psicolgico, tanto a quem adoeceu quanto aos familiares ou pessoas de sua rede social, a equipe de sade deve buscar uma abordagem apropriada da situao, que favorea a aceitao do problema, a superao das

  • dificuldades e maior adeso aos tratamentos. Esta abordagem deve ser oferecida desde o momento do diagnstico, bem como no decorrer do tratamento da doena e se necessrio aps a alta por cura.

    A classificao operacional do caso de hansenase, visando definir o esquema de tratamento com poliquimioterapia baseada no nmero de leses cutneas, de acordo com os seguintes critrios:

    PAUCIBACILAR (PB) - casos com at cinco leses de pele; e

    MULTIBACILAR (MB) - casos com mais de cinco leses de pele.

    A baciloscopia de pele (esfregao intradrmico), sempre que disponvel, deve ser utilizada como exame complementar para a classificao dos casos como PB ou MB.

    A baciloscopia positiva classifica o caso como MB, independentemente do nmero de leses. Observe-se que o resultado negativo da baciloscopia no exclui o diagnstico de hansenase.

    2.1.1. Diagnstico das reaes hansnicas

    Os estados reacionais ou reaes hansnicas (tipos 1 e 2) so alteraes do sistema imunolgico que se exteriorizam como manifestaes inflamatrias agudas e subagudas que podem ocorrer mais frequentemente nos casos MB. Elas podem ocorrer antes (s vezes levando suspeio diagnstica de hansenase), durante ou depois do tratamento com Poliquimioterapia (PQT).

    A Reao Tipo 1 ou a Reao Reversa (RR) caracteriza-se pelo aparecimento de novas leses dermatolgicas (manchas ou placas), infiltrao, alteraes de cor e edema nas leses antigas, com ou sem espessamento e dor de nervos perifricos (neurite).

    A Reao Tipo 2, cuja manifestao clnica mais frequente o Eritema Nodoso Hansnico (ENH) caracteriza-se pelo aparecimento de ndulos subcutneos dolorosos, acompanhados ou no de febre, dores articulares e mal-estar generalizado, com ou sem espessamento e dor de nervos perifricos (neurite).

    Frente suspeita de reao hansnica, recomenda-se:

    a) confirmar o diagnstico de hansenase e fazer a classificao operacional;

    b) diferenciar o tipo de reao hansnica; e

    c) investigar fatores predisponentes (infeces, infestaes, distrbios hormonais, fatores emocionais e outros).

    O diagnstico dos estados reacionais realizado por meio do exame fsico geral e dermatoneurolgico do(a) paciente. Tais procedimentos so fundamentais para monitorar o comprometimento de nervos perifricos e para a avaliao da teraputica antirreacional.

    2.1.2. Avaliao do grau de incapacidade e da funo neural

    imprescindvel avaliar a integridade da funo neural e o grau de incapacidade fsica no momento do diagnstico do caso de hansenase e do estado reacional.

    Para determinar o grau de incapacidade fsica deve-se realizar o teste da sensibilidade dos olhos,das mos e dos ps. recomendada a utilizao do conjunto de monofilamentos de Semmes-Weinstein (6 monofilamentos: 0.05g, 0.2g, 2g, 4g, 10g e 300g) nos pontos de avaliao

  • de sensibilidade em mos e ps e do fio dental (sem sabor) para os olhos. Nas situaes em que no houver a disponibilidade de estesimetro ou monofilamento lils, deve-se fazer o teste de sensibilidade de mos e ps com a ponta da caneta esferogrfica. Considera-se grau um de incapacidade a ausncia de resposta ao monofilamento igual ou mais pesado que o de 2 g (cor violeta), ou no resposta ao toque da caneta.

    O formulrio para avaliao do grau de incapacidade fsica (Anexo III) dever ser preenchido e obedecer aos critrios da Organizao Mundial da Sade - OMS expressos no quadro abaixo:

    GRAU CARACTERSTICAS

    0 Nenhum problema com os olhos, as mos e os ps devido hansenase.

    1 Diminuio ou perda da sensibilidade nos olhos. Diminuio ou perda da sensibilidade protetora nas mos e /ou nos ps.

    2 Olhos: lagoftalmo e/ou ectrpio; triquase; opacidade corneana central; acuidade visual menor que 0,1 ou incapacidade de contar dedos a 6m de distncia. Mos: leses trficas e/ou leses traumticas; garras; reabsoro; mo cada. Ps: leses trficas e/ou traumticas; garras; reabsoro; p cado; contratura do tornozelo.

    Para verificar a integridade da funo neural recomenda-se a utilizao do formulrio de Avaliao Neurolgica Simplificada (Anexo IV).

    Para avaliao da fora motora, preconiza-se o teste manual da explorao da fora muscular, a partir da unidade msculo-tendinosa durante o movimento e da capacidade de oposio fora da gravidade e resistncia manual, em cada grupo muscular referente a um nervo especfico.

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