MISSÕES CIENTÍFICAS – SÉCULOS XIX / XX .Na Conferência de Berlim (15 novembro 1884 - 26 fevereiro

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  • MISSES CIENTFICAS SCULOS XIX / XXFotografias das Colees do Instituto de

    Investigao Cientfica Tropical

    Lisboa, Abril de 2013

  • Lisboa, Abril de 2013

    Fotografias das Colees do Instituto de Investigao Cientfica Tropical

    MISSES CIENTFICAS SCULOS XIX / XX

    Esta publicao beneficiou de um patrocnio da Fundao para a Cincia e a Tecnologiaque o Instituto de Investigao Cientfica Tropical muito agradece

  • 2M i s s e s G e o d s i c a s

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    A importncia da fotografia enquanto documento histrico tem vindo a ser progressivamente

    reconhecida, em particular desde o ltimo quartel do sculo passado, sendo hoje objeto de estudo e

    de uma abordagem especfica no contexto de diferentes reas disciplinares.

    Muitas das colees de fotografia que pertencem hoje ao esplio do Instituto de Investigao

    Cientfica Tropical, refletem percursos e trabalhos empreendidos pelas diversas Misses Cientficas

    que, desde finais do sculo XIX, foram efetuadas nos territrios africanos e asiticos, ento sob

    domnio Portugus. Situao em tudo similar ao que sucede noutras instituies nacionais e

    estrangeiras.

    Testemunhando o trabalho dessas Misses e constituindo, muitas vezes, um instrumento de trabalho

    indispensvel s mesmas, estas colees fotogrficas revelam, igualmente, aspetos particulares do

    quotidiano dos povos e das paisagens locais, que apesar de nem sempre terem sido consideradas,

    nos permitem, hoje, uma melhor perceo do contexto e das situaes em que as mesmas foram

    produzidas.

    Com esta publicao, onde se renem exemplos de fotografias tiradas no decurso de misses

    Geogrficas, Antropolgicas, Botnicas e Zoolgicas efetuadas em Cabo Verde, Guin, S. Tom e

    Prncipe, Moambique e Timor, pretendemos dar a conhecer alguns destes aspetos, convidando

    a uma leitura despida de pressupostos que as classifiquem em si como fotografia colonial, e

    orientada para a informao que a fotografia, enquanto documento histrico, nos pode fornecer.

    Ana Cristina Roque

  • 4M i s s e s G e o d s i c a s

  • 5

    MISSES GEODSICAS

    Com a independncia poltica das colnias americanas, as atenes dos pases europeus ento

    dominantes poltica e economicamente, Inglaterra, Frana, Alemanha e Blgica, transferem-se para

    frica. Iniciam-se as viagens de explorao e reconhecimento cientfico ao serto africano cujas

    descobertas serviam tanto o prestgio da cincia como as aspiraes expansionistas das respetivas

    naes. Na Conferncia de Berlim (15 novembro 1884 - 26 fevereiro 1885) as vrias potncias

    europeias dividem entre si o territrio africano e definem o princpio da ocupao efetiva como

    modo de legitimao da posse de um territrio africano.

    Para atingir os seus objetivos a Comisso de Cartografia (1883) e os organismos que lhe sucederam

    criaram Misses, denominadas umas vezes geodsicas outras geogrficas e outras ainda geo-

    hidrogrficas. Foi por intermdio destas misses, que de incio vo ter sobretudo como objetivo a

    demarcao de fronteiras, que os trabalhos geodsicos foram gradualmente cobrindo cada um dos

    territrios africanos.

    O reconhecimento a operao preliminar na construo da cobertura geodsica de um territrio.

    Consiste na recolha, no campo e em gabinete, dos elementos que permitiro escolher os vrtices e

    os tringulos que, por encadeamento sucessivo, iro constituir a rede geodsica. A legislao que

    criava as Misses estabelecia cadeias de tringulos com lado mdio de 30 km, orientadas segundo

    paralelos e meridianos e que, pelo menos no cruzamento dessas cadeias, se procedesse medio

    de bases e observaes astronmicas, para o seu dimensionamento e orientao. As reas vazias,

    seriam posteriormente preenchidas por triangulaes complementares em que as distncias entre os

    vrtices iam decrescendo at assumirem uma densidade capaz de acorrer aos trabalhos correntes de

    cartografia. As altitudes eram obtidas por nivelamento trigonomtrico e geomtrico e observavam--se,

    tambm, redes gravimtricas.

    Vrias dcadas passadas, estas infraestruturas geodsicas so ainda de uma importncia

    fundamental para os respetivos territrios pois, para alm de os cobrirem geograficamente,

    so facilmente convertveis nos sistemas de coordenadas usados pelos atuais sistemas de

    posicionamento e navegao por satlite permitindo compatibilizar toda a informao geo-

    referenciada j adquirida com a que se venha a obter, servindo assim de estrutura de apoio aos

    projetos de planeamento e desenvolvimento desses territrios.

    Paula Cristina Santos

  • 6M i s s e s G e o d s i c a s

    Delimitao da fronteira Sul do Zambeze Gago Coutinho no marco XXXIV, Kalemba (visto de Norte). Kalemba. Sul do Zambeze, Moambique, 1905.

    Misso de Delimitao da Fronteira Sul do Zambeze, 1905.

    IICT Arquivo Histrico Ultramarino. ACTD Cart_MGG ALB9.66, ID3212.

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    Reconhecimento. Moambique, s/d.

    Operao preliminar na cobertura geodsica de um territrio da qual vo depender a rapidez e o sucesso dos trabalhos posteriores, obrigava a longas caminhadas atravs da zona a mapear.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop. lbum Fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

    Reconhecimento. Moambique, s/d.

    Zonas planas, exigiam acrobticas subidas ao topo das rvores.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop. lbum Fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

  • 8M i s s e s G e o d s i c a s

    Reconhecimento. Moambique, s/d.

    Escaladas difceis por caminhos perigosos.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop, lbum Fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

  • 9

    Sinais geodsicos. Mabjetine, Moambique, 1907.

    Os pontos que constituam as redes materializavam-se por marcos. Para garantir a visibilidade entre estes erguiam-se pirmides de base triangular, construdas com paus cortados nas florestas e amarrados com cordas feitas de casca de rvores, razes ou trepadeiras sem recurso a pregos ou arames.

    Misso Geodsica da frica Oriental (1907-1910).

    IICT Arquivo Histrico Ultramarino. ACTD Cart_MGG ALB4p30.118, ID2923.

  • 10M i s s e s G e o d s i c a s

    Hlios e projector. Monte Rocha Estncia, Ilha da Boavista, Cabo Verde, s/d.

    Na altura da bruma, os sinais de madeira dificilmente eram visveis pelo que, nas visadas a observar de dia com sol, foram substitudos por heliotropos ou hlios. Estes eram formados por um ou mais espelhos planos montados numa estrutura que, manuseada por capatazes treinados, refletiam um feixe de raios solares na direo dos vrtices ocupados por observadores. O movimento aparente do sol requeria um quase permanente deslocamento dos espelhos para manter orientado o feixe refletido.

    Misso Geogrfica de Cabo Verde (1926-1932).

    IICT Arquivo Histrico Ultramarino. ACTD lbum da Misso Geogrfica de Cabo Verde, ID21726.

  • 11

    Observaes angulares com o teodolito Troughton. Montinho de Lume, Ilha de Maio, Cabo Verde, s/d.

    A rede de triangulao constituda por figuras geomtricas decompostas em tringulos selecionados para minimizar a incidncia de erros cometidos nas observaes. Usam-se tringulos porque, conhecendo o comprimento de um lado e dois ngulos, possvel determinar o terceiro ngulo e os outros dois lados.

    Misso Geogrfica de Cabo Verde (1926-1932).

    IICT Arquivo Histrico Ultramarino. ACTD lbum da Misso Geogrfica de Cabo Verde, ID22362.

    Torres. Moambique, s/d.

    Devido a curvatura da terra ou existncia de obstculos, as observaes realizavam-se sobre torres de madeira, torres de ferro portuguesas (1947) ou torres de ao Bilby (1948) com uma altura mdia de 30m que se aumentava com extenses.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop. lbum fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

  • 12M i s s e s G e o d s i c a s

    Medio de bases. Moambique, s/d.

    Para a Base procurava-se um caminho plano e sem obstculos, para o que se abriam picadas e se fazia o alinhamento. Durante 6 dcadas usaram-se fios de invar que permitiam precises que podiam ultrapassar 1 ppm.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop. lbum fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

    Base da Preguia. Cabo Verde, s/d.

    As Bases so segmentos de reta com alguns quilmetros (nos primeiros tempos dois a seis e mais tarde superiores a 10), medidos com elevada preciso.

    Misso Geogrfica de Cabo Verde (1926-1932).

    IICT Arquivo Histrico Ultramarino. ACTD lbum da Misso Geogrfica de Cabo Verde.

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    Medio de bases. Moambique, s/d.

    A medio a fios de invar consistia na sua colocao sucessiva sobre trips previamente alinhados, cuja tenso era regulada por pesos de 10 kg. Nas cabeas dos trips, lia-se a posio das rguas terminais dos fios, somando-se estes valores aos do seu comprimento, geralmente de 24m.

    Misso Geogrfica de Moambique (1932-1983).

    IICT Direo de Desenvolvimento Global, Unidade Biotrop. lbum fotogrfico da Misso Geogrfica de Moambique.

  • 14M i s s e s G e o d s i c a s

    Observaes astronmicas. Bamberg e posto de TSF Marconi para determinao da longitude no pilar de S. Pedro. Ilha de S. Vicente, Cabo Verde, s/d.

    As observaes astronmicas intervm no posicionamento da rede, por intermdio de um ponto fundamental onde se observam longitude e latitude, e na sua orientao por meio de azimutes.