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Moacir Gadotti - Boniteza de Um Sonho - Ensinar e Aprender

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Text of Moacir Gadotti - Boniteza de Um Sonho - Ensinar e Aprender

  • BONITEZADE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender

    com sentido

  • E d i t o r a F e e v a l e

    Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil2 0 0 3

    Associao Pr-Ensino Superior em Novo Hamburgo/ASPEUR

    Centro Universitrio Feevale

    Moacir Gadotti

    BONITEZADE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

  • 4 Moacir Gadotti

    PRESIDENTE DA ASPEURBel. Francisco Assis Strmer

    REITOR DO CENTRO UNIVERSITRIO FEEVALEProf. Ms. Lauro Tischer

    COORDENAO EDITORIALProf. Ms. Ramon Fernando da Cunha

    REALIZAOPr-Reitoria de Ensino de GraduaoProf. Ms. Ramon Fernando da CunhaPr-Reitor

    EDITORA FEEVALE- CoordenaoCelso Eduardo Stark- Editorao e Produo Grfica, Apoio TcnicoJuliano da Silva

    CAPA e EDITORAO ELETRNICACelso Eduardo Stark

    REVISODo Autor

    IMPRESSOGrfica Nova Prova

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Centro Universitrio Feevale - RS/BrasilBibliotecria responsvel: Gina Maria da Gama CRB 10/1478

    Desta edio: Editora Feevale

    Tiragem: 5.000 exemplares

    Distribuio gratuita.

    CENTRO UNIVERSITRIO FEEVALECampus I: Av. Dr. Maurcio Cardoso, 510 - CEP: 93510-250

    Hamburgo Velho - Novo Hamburgo - RSCampus II: RS 239, 2755 - CEP: 93352-000 - Vila Nova - Novo Hamburgo - RS Fone: (0xx51) 586.8800 - Home Page: www.feevale.br

    Gadotti, Moacir Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido / Moacir Gadotti. Novo Hamburgo: Feevale, 2003. 80p. ; 21cm.

    ISBN 85-86661-34-1

    1. Educao 2. Professores Formao I. Ttulo.

    CDU 371.13

  • 5BONITEZA DE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

    Em outubro de 2002, ao visitar o Instituto Paulo Freire

    em So Paulo, recebemos, lisonjeados, das mos do Profes-

    sor Moacir Gadotti o original da obra Boniteza de um so-

    nho: ensinar-e-aprender com sentido e com ele a autoriza-

    o para sua publicao.

    O Centro Universitrio Feevale uma instituio que,

    ao longo de sua histria vem formando educadores. Nesse

    perodo, temos empreendido cuidadosos esforos para que

    em nossos bancos acadmicos esses futuros educadores

    possam, como prope o Professor Moacir Gadotti nessa obra,

    aprender e ensinar com sentido para que o sonho que

    embalam em suas mentes e em seus coraes, o qual com-

    partilhamos, possa tornar-se realidade.

    Atravs dessa publicao nos solidarizamos com esse

    tratado de sonhos e sentidos na perpetuao da boniteza

    do ensinar-e-aprender proposto por Moacir Gadotti, e

    publicizamos, mais uma vez, nosso compromisso com a for-

    mao permanente de professores que sejam capazes de

    amar, de sonhar de ensinar e de transformar.

    NOTA DO EDITOR

  • 6 Moacir Gadotti

    Buscando atender ao desejo do autor em compartilhar

    com um maior nmero de educadores possvel sua mensa-

    gem de amorosidade e esperana, resgatando o sentido de

    ser professor, essa edio ser distribuda aos docentes dos

    diferentes nveis de ensino de nossa Instituio, a todos os

    acadmicos dos nossos cursos de licenciatura, alm de ser

    distribudos exemplares s Secretarias Municipais de Educa-

    o do Vale dos Sinos.

  • 7BONITEZA DE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

    SUMRIO

    1. Por que ser professor? ...................................... 9

    2. Crise de identidade, crise de sentido ................ 19

    3. Formao continuada do professor .................. 29

    4. Ser professor na sociedade aprendente ............ 37

    5. Aprender com emoo, ensinar com alegria ... 45

    6. Educar para uma vida sustentvel ................... 57

    7. Ser professor, ser educador .............................. 65

    Bibliografia ............................................................ 75

  • 8 Moacir Gadotti

  • 9BONITEZA DE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

    1. Por que ser professor?

  • 10 Moacir Gadotti

  • 11BONITEZA DE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

    AAAAA beleza existe em todo lugar. Depende do nossoolhar, da nossa sensibilidade; depende da nossa conscin-cia, do nosso trabalho e do nosso cuidado. A beleza existeporque o ser humano capaz de sonhar.

    Inspirei-me em Paulo Freire para escrever esse livro.Paulo Freire nos fala em sua Pedagogia da autonomia daboniteza de ser gente1 , da boniteza de ser professor: en-sinar e aprender no podem dar-se fora da procura, fora daboniteza e da alegria2 . Paulo Freire chama a ateno paraa essencialidade do componente esttico da formao doeducador. Coloquei um ttulo que fala de sonho e de sentidoque querem dizer a mesma coisa. Sentido quer dizer cami-nho no percorrido mas que se deseja percorrer, portanto,significa projeto, sonho, utopia. Aprender e ensinar com sen-tido aprender e ensinar com um sonho na mente. A peda-gogia serve de guia para realizar esse sonho.

    Paulo Freire, em 1980, logo aps voltar de 16 anos deexlio, reuniu-se com um grande nmero de professores emBelo Horizonte, Estado de Minas Gerais. Falou-lhes de es-perana, de sonho possvel, temendo por aqueles e aque-las que pararem com a sua capacidade de sonhar, de in-ventar a sua coragem de denunciar e de anunciar, aquelese aquelas que, em lugar de visitar de vez em quando oamanh, o futuro, pelo profundo engajamento com o hoje,com o aqui e com o agora, que em lugar desta viagemconstante ao amanh, se atrelem a um passado de explora-o e de rotina3 .

    Dezessete anos depois, em 1997, em seu ltimo livro,lanado trs semanas antes de falecer, ele se mantinha fiel mesma linha de pensamento, reafirmando o sonho e a uto-

    1 Paulo Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessrios prticaeducativa. So Paulo: Paz e Terra, 1997, p. 67.2 Idem, ibidem, p. 160.3 Paulo Freire, in Carlos R. Brando (org.), O educador: vida e morte escritos sobre uma espcie em perigo. So Paulo: Brasiliense, 1982,p. 101.

  • 12 Moacir Gadotti

    pia diante da malvadez neoliberal, diante do cinismo desua ideologia fatalista e a sua recusa inflexvel ao sonho e utopia4 . Denncia de um lado, anncio de outro: a suapedagogia da autonomia frente pedagogia neoliberal.

    Lembrando os cinco anos da morte de Freire, nessepequeno livro5 , quero retomar o que ele disse e entender oseu significado no contexto de hoje. Paulo Freire nos falavada boniteza do sonho de ser professor de tantos jovensdesse planeta. Se o sonho puder ser sonhado por muitos6

    deixar de ser um sonho e se tornar realidade.

    A realidade, contudo, muitas vezes bem diferentedo sonho. Muitos de meus alunos e alunas, seja na Peda-gogia, seja na Licenciatura, no pensam em se dedicar ssalas de aula. Muito revelam desinteresse em seguir a carrei-ra do magistrio, mesmo estando num curso de formao deprofessores. Pesam muito nesse deciso as condies con-cretas do exerccio da profisso. Preparam-se para ser pro-fessor e iro exercer outra profisso.

    O brasileiro desvaloriza o professor. o que se pode-ria deduzir de um dito que se tornou popular nas ltimas

    4 Paulo Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessrios prticaeducativa. So Paulo: Paz e Terra, 1997, p. 15.5 Estou tornando pblicos os direitos autorais deste livro para que elepossa ser reproduzido parcial ou integralmente e impresso em qualquerformato, por qualquer pessoa ou instituio, desde que no seja vendidoa preo superior a R$ 1,00 (um real). Aproveito a oportunidade paraagradecer aos companheiros Paulo Roberto Padilha e ngela Antunespelas preciosas sugestes que me ofereceram na reviso do texto originaldeste livro.6 E somos muitos professores no mundo: 50 milhes. Somos organizadose alguma coisa podemos fazer para mudar a ordem das coisas. Segundoa UNESCO (In Jacques Delors (org.), Educao: um tesouro a descobrir Relatrio para a UNESCO da Comisso Internacional sobre Educaopara o Sculo XXI. So Paulo: Cortez, 1998, p. 156),a profisso deprofessor uma das mais fortemente organizadas do mundo e asorganizaes de professores podem desempenhar e desempenham um papel muito influente em vrios domnios. A maior parte dos cercade cinqenta milhes de professores que h no mundo estosindicalizados ou julgam-se representados por sindicatos.

  • 13BONITEZA DE UM SONHO

    Ensinar-e-aprender com sentido

    dcadas no Brasil: Quem sabe faz, quem no sabe ensi-na. sinistro. Essa destruio da imagem do professor cus-tar muito caro, dizia j em 1989, o jornalista LeonardoTrevisan7 : Todos dizem que gostam muito dos professores,mas no chegam a incomodar-se muito com o fato de queh tempos eles recebem um salrio de fome. O salrio aparte mais visvel de uma condio da qual decorre umpapel social que se descaracterizou por completo... S quemno quer ver no percebe o sentimento de cansao, de es-gotamento de expectativas de quem encarava com dignida-de o seu desempenho profissional.

    A situao vem se arrastando h anos. Tenho 41 anosde magistrio e no tenho visto grandes melhorias. Ao con-trrio, tenho ouvido muitas promessas. As melhorias existemaqui e acol, mas so pontuais e localizadas servemapenas de exemplo so conjunturais e no estruturais,so provisrias, passageiras e no permanentes.Correspondem a uma poltica de governo e no a umapoltica pblica de estado.

    Por isso continuo me perguntando: Por que sou pro-fessor? uma pergunta que ouo com freqncia tambmentre meus pares.

    A resposta talvez possa ser encontrada numa mensa-gem deixada por um prisioneiro de campo de concentraonazista na qual, depois de viver todos os horrores da Guer-ra8 crianas envenenadas por mdicos diplomados; re-cm-nascidos mortos por enfermeiras treinadas; mulheres ebebs fuzilados e queimados por graduados de colgios euniversidades ele pede

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